Gorongosa promove educação nutricional para comunidade de Mandire

O Parque Nacional da Gorongosa (PNG), através do Programa de Saúde e Nutrição, juntou 48 mães, pais, jovens e crianças numa capacitação para transmitir conhecimentos sobre higiene, avaliação adequada dos alimentos incluindo os produzidos localmente e a importância de uma nutrição equilibrada nos períodos antes, durante e pós-parto como forma de garantir a saúde da mãe e do bebé. A comunidade de Mandire, no interior do distrito de Gorongosa é uma delas que, ainda precisa de saberes sobre a saúde da mulher e da criança.

A acção que envolveu mães, pais, jovens e crianças insere-se no conjunto de iniciativas comunitárias promovidas pelo Parque, que visam melhorar as condições de vida das populações locais, aliando a conservação ambiental ao desenvolvimento social.

Na comunidade de Mandire, durante o treinamento, os participantes receberam orientações práticas sobre como identificar alimentos nutritivos, combinar grupos alimentares e adoptar hábitos saudáveis na preparação e conservação dos alimentos, tendo em conta os produtos produzidos nos campos de produção agrícola e disponíveis nas suas próprias comunidades.

O promotor de Saúde e Nutrição do Parque Nacional da Gorongosa, Geremias Amaral, explicou que estas acções fazem parte do compromisso da instituição em promover o bem-estar das comunidades locais, contribuindo para a redução de problemas de saúde associados à má alimentação.

Como parte prática do treinamento, a actividade contou também com uma demonstração culinária, onde foram utilizados produtos locais para a preparação de refeições nutritivas. A iniciativa permitiu às participantes aprenderem, na prática, formas acessíveis e saudáveis de alimentar as suas famílias, valorizando os recursos disponíveis na região.

A participante, Amélia Bernardo, reconheceu que uma alimentação equilibrada é essencial para prevenir doenças e garantir o crescimento saudável das crianças, sobretudo nos primeiros anos de vida. “O conhecimento transmitido pode contribuir significativamente para reduzir os índices de desnutrição nas comunidades”, tentou resumir o aprendizado.

As participantes referiram que, antes da implementação deste tipo de iniciativas, era comum o registo preocupante de crianças doentes por desnutrição, resumidamente, menores com baixo peso, doenças recorrentes e fraco desenvolvimento. Contudo, com os novos conhecimentos e a adopção de práticas alimentares mais adequadas, a situação tende a reduzir significativamente.

Dona Isabel Bento lembra o passado: “sofríamos muito porque não sabíamos como preparar bem os alimentos que tínhamos. As crianças adoeciam com frequência e ficavam muito fracas, algumas até sem vontade de brincar”, relatou.

Nos locais como Mandire em que o acesso aos serviços de saúde continuam como desafio, a educação nutricional é importante. Com isso, Joana Luís, outra mãe participante, sublinhou a importância da disseminação das boas práticas aprendidas, incentivando as outras mulheres a partilharem os conhecimentos em famílias, de modo a ampliar o impacto positivo da iniciativa.

A situação era agravada pela falta ou insuficiência de conhecimento sobre melhores práticas alimentares, mesmo com a produção local dos alimentos. Mas agora, as comunidades já sabem que, por exemplo, os alimentos nutritivos como papas enriquecidas – uma mistura de açúcar, farinha de milho, água, óleo, folhas de moringa e amendoim, postos a cozer são bastantes para uma criança mal nutrida recuperar-se ao se alimentar desta culinária. Normalmente, são produtos facilmente disponíveis e na sua maioria produzidos localmente. (Eugénia Carlos).


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