ADEMO e parceiros esboçam estratégias de inclusão no turismo comunitário

A Associação dos Deficientes Moçambicanos (ADEMO), depois de lançar o Projecto “Vozes e Cores da Gorongosa” pelo artesanato “empoderamento e sustentabilidade no turismo local”, em março deste ano, na semana passada, com parceiros, avançou para o esboço de estratégias de modo a garantir inclusão nas comunidades dos distritos abrangidos como Gorongosa e Nhamatanda.

A ADEMO está entre as cinco Organizações Não-Governamentais (ONGs) africanas aprovadas para subsídios históricos no turismo comunitário.

O processo rigoroso resultou na selecção de Moçambique através de “Vozes e Cores da Gorongosa, Namíbia, Tanzânia e Ruanda com duas ONGs, completando as cinco. Estes países vão receber subsídios sob o programa de pequenas subvenções para turismo ao desenvolvimento rural. Cada projecto foca no fortalecimento de capacidades entre artesãos, mulheres, jovens e comunidades enquanto conectam as suas produções criativas a cadeias de valor do turismo.

Na Namíbia, o fundo vai para as tradições no Bwabwata National, projecto de parque, trabalhando com a comunidade Khwe a revitalizar as artes tradicionais e estabelecer um centro cultural; Ruanda garantiu dois projectos no âmbito do programa: as Rochas Vermelhas e a Nature Rwanda; Tanzânia, o programa estabelecerá o Programa Cultural Maasai no distrito de Kiteto; e Moçambique, “Vozes e Cores da Gorongosa”, abrangendo as zonas de Púnguè, Canda, Nhambita (Gorongosa) e Vinho (Nhamatanda), abrangendo numa fase inicial cerca de 50 beneficiários entre deficientes, mulheres e jovens.

A escolha dos beneficiários está baseada na inclusão social, por isso, já foram rastreados 34 artesãos com deficiência e sem mercado, sendo 20 mulheres. O rastreio revelou limitação de oportunidades destes artistas.

Contra a exclusão desses artistas a oportunidades, a ADEMO e parceiros reuniram-se no dia 23 de maio na vila de Gorongosa para uma reflexão sobre mecanismos de inclusão.

Na ocasião, o coordenador do ADEMO, Joaquim Jaime, falou dos resultados esperados com a implementação do projecto. Para tal, um dos pilares de inclusão é “formar jovens com deficiências em direitos culturais, redução da caça furtiva e entre outras actividades de impacto comunitário.

O projecto foi aprovado com um fundo de 20 mil Euros (cerca de 1.480.000 meticais), contando com o apoio da Organização das Nações Unidas (ONU Turismo) em parceria com a TUI Care Foundation – uma organização que apoia associações protectoras do meio ambiente e capacita comunidades em destinos turísticos.

Além de estâncias hoteleiras, o Parque Nacional da Gorongosa (PNG) é considerado o parceiro estratégico para a divulgação e venda dos produtos que os artistas e artesãos vão criar através da implementação do “Vozes e Cores da Gorongosa”.

O administrador do Parque Nacional da Gorongosa, Pedro Muagura, partilhou a experiência do PNG inclusão de pessoas com deficiências nos diversos sectores na Gorongosa.

O turismo baseado na comunidade é um modelo alternativo ao turismo de massa, ganhando força nos últimos anos. É um tipo de viagem consciente, que traz o turista para a realidade das pessoas que vivem naquele lugar e prioriza a conservação da cultura e do ambiente natural, estimulando também o desenvolvimento económico da comunidade.

Durante o debate sobre as estratégias de inclusão, Pedro Muagura sugeriu como quebrar as barreiras, “introduzindo nas escolas uma disciplina que fale da inclusão desde cedo, para que as crianças cresçam sabendo o que é uma inclusão”. E “às instituições que formam os guias turísticos, incluam também guias com deficiências”, disse o administrador do Parque Nacional da Gorongosa.

Este modelo de turismo, além de trazer benefícios para as pessoas que vivem no destino, proporciona experiências marcantes para o turista que deseja vivenciar a fundo a cultura do local para onde viaja.

A  principal diferença do turismo comunitário e o tradicional é o protagonismo da comunidade. Pessoas nativas do local se envolvem em todos os sectores, desde a tomada de decisões à actuação directa em atractivos, serviços de alimentação, hospedagem e fabricação de produtos.

Dessa forma, a maior parte da renda gerada permanece na própria comunidade, que também tem autonomia para decidir como seu território será usado pelo turismo – o que não costuma acontecer no turismo de massa ou tradicional.

Além disso, enquanto o turismo tradicional costuma ser focado em pontos turísticos e fotos “perfeitas”. O comunitário proporciona uma conexão real com a história e a cultura do lugar, de forma responsável e sustentável. É, assim, um turismo mais consciente, colectivo e afectivo ao incluir pessoas que padecem de qualquer deficiência.

O trabalho e a união da comunidade ajudam a preservar o local e contribuem financeiramente para o sustento das famílias que moram ali, e muitas vezes mesmo as famílias que não estão ligadas directamente ao turismo são beneficiadas. (Ana Cleta de Lopes Coimbra).


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