Cada passo, cada parada, cada fuga de predador agora vira dado em impalas e pivas na Gorongosa

Na última semana, o Parque Nacional da Gorongosa iniciou um novo projecto de investigação sobre dois dos antílopes mais abundantes da Gorongosa: pivas (ou inhacosos) e impalas. O objectivo é descobrir a fórmula do sucesso das duas espécies mais existentes no Parque.

Um total de “15 fêmeas adultas de cada espécie foram equipadas com coleiras para monitorizar a sua actividade e utilização do ‘habitat’”, escreve o PNG.

Este projecto é o resultado de uma estreita colaboração entre os Departamentos de Conservação e Científico da Gorongosa e especialistas de fora de Moçambique.

Em outras palavras, o projecto vai mapear em tempo real como pivas e impalas se movem entre planície aluvial e savana. Como escolhem onde pastar? Como fogem do leão e da hiena? Como encontram água na seca? Os dados vão revelar conectividade populacional e saúde animal – informação ouro para o Departamento de Conservação orientar maneio do ecossistema. Se o impala foge da planície quando o nível do rio sobe, o Parque saberá onde reforçar a protecção. Se o piva usa corredor específico para chegar à savana, esse corredor vira prioridade. Ciência vira gestão. Gestão vira mais vida selvagem.

O que faz piva e impala serem os reis da savana de Gorongosa em termos de números? Para responder esta pergunta, o Departamento de Conservação e o Departamento Científico do Parque uniram forças com investigadores de seis universidades dos Estados Unidos da América (EUA) e Canadá. Resultado: 30 fêmeas adultas, sendo 15 de cada espécie, equipadas com coleiras GPS de última geração. Cada passo, cada parada, cada fuga de predador agora vira dado.

Além disso, os dados recolhidos destas espécies podem fornecer informações sobre a conectividade populacional e a saúde animal ao Departamento de Conservação da Gorongosa, orientando a gestão do ecossistema. Piva e impala não são só antílopes. São laboratórios vivos do ecossistema.

Mas o maior legado pode não estar na coleira. Está nos 12 estudantes, estagiários e técnicos que participaram da operação. Coordenados por veterinários licenciados e biólogos experientes da Gorongosa, eles acompanharam a sedação segura e colocação de coleiras. Aprenderam a captura ética, maneio animal e colecta de dados de saúde. Todos os procedimentos foram aprovados pelo Departamento de Conservação e comités internacionais de bem-estar animal antes de começar. Gorongosa não só pesquisa antílope. Gorongosa forma cientistas.

No total, 30 coleiras no pescoço de antílopes, milhares de dados no “coração” da ciência. Gorongosa está ansiosa pelos resultados – e Moçambique ganha mais 12 jovens prontos para conservar o país. (Muamine Benjamim).


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