TUBERCULOSE E HIV: Um perigo para Cheringoma

 

 

O sector da saúde no distrito de Cheringoma em Sofala está preocupado com os casos de tuberculose a pacientes de HIV, sendo que em 2024 dos 162 casos, 57 são doentes com co-infecção. E em 2025, dos 29, 11 são portadores do vírus HIV. São dados colhidos durante a comemoração do Dia Mundial de Luta Contra a Tuberculose, 24 de Março, exigindo reflexão para estancar a doença.

Durante as comemorações do Dia Mundial de Luta Contra a Tuberculose, 24 de Março, o Governo de Cheringoma, representado pelo secretário permanente, Sérgio Costa, trouxe mensagens de esperança, evitando a contaminação de outros.

O secretário permanente do distrito foi quem orientou o encontro, intervindo com uma chamada de atenção para que a população evite comportamentos que facilitem a transmissão e/ou contaminação da tuberculose.

Secretário Permanente de Cheringoma, Sérgio Costa

 

Na ocasião, Sérgio Costa alertou sobre a tuberculose, a sua forma de contracção, medidas de prevenção e tratamento.

O Governo de Cheringoma apela para a necessidade de se fazer o rastreio a todos os membros da família de um cidadão que tenha contraído a doença.

O abandono do tratamento contra a tuberculose, segundo Sérgio Costa, é um dos motivos que leva à resistência da doença, prolongando o período de cura e aumentando a quantidade de fármacos por tomar.

O director clínico do Centro de Saúde de Inhaminga e médico de Medicina Geral, Rafael Lucínio em entrevista ao“ Profundus” revelou que em 2024 foram diagnosticados 162 casos de tuberculose de todas as formas. Destes casos, 57 são doentes com co-infecção, ou seja, doentes que, para além de estarem infectados com tuberculose, são portadores do vírus do HIV.

Rafael Lucínio apresentou 29 casos de pessoas com tuberculose dentre os quais 11 com infecção por HIV. Esta avaliação é referente aos primeiros dois meses do ano.

Geralmente, o abandono ao tratamento da tuberculose é um dos maiores constrangimentos no sistema de saúde, entretanto, Rafael Lucínio diz que neste ano em Cheringoma ainda não se verificou nenhum caso, enquanto em 2024, sete pacientes abandonaram o tratamento.

Director Clínico do Centro de Saúde de Inhaminga e Médico de Medicina Geral, Rafael Lucínio

 

As autoridades seguem os casos de abandono, através do Programa Busca Activa, baseando-se nos dados pessoais declarados no acto de abertura da ficha do doente. Foi assim que em 2024, conseguiram trazer de volta ao tratamento os sete pacientes, tendo chegado ao fim com sucesso. (Ricardo Mapoissa – Cheringoma).

Chapo dialoga com fazedores da Cultura para traçar estratégias de desenvolvimento do sector

Ontem, segunda-feira, o Presidente da República, Daniel Chapo, reuniu-se no seu gabinete, com representantes do sector cultural e criativo moçambicano, incluindo a Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO) e a Federação Moçambicana das Indústrias Culturais e Criativas (FEMMIC) para reafirmar o compromisso do Governo em fortalecer a cultura como elemento essencial na educação, na identidade nacional e na coesão social.

A reunião abordou preocupações do sector e discutiu formas de valorizar a prática artística nas escolas, promovendo a cultura como ferramenta de educação e desenvolvimento.

Para Chapo, o uso das artes na formação da juventude é essencial para fortalecer o patriotismo e a identidade nacional.

A Secretária de Estado das Artes e Cultura, Matilde Muocha, destacou a importância do encontro como um marco na comunicação entre o Governo e a sociedade civil do sector cultural. “Os intervenientes estão preocupados em ser um parceiro estratégico para o cumprimento da agenda do Governo no que diz respeito ao desenvolvimento social e económico, utilizando as artes, a cultura e as indústrias culturais e criativas como principais activos”, afirmou.

Entre os pontos discutidos, esteve a necessidade de reforçar a distribuição de livros literários nas escolas e consolidar uma parceria entre o Estado e os artistas para garantir maior acesso à cultura. “Claramente há uma pré-disposição e um compromisso reafirmado por Sua Excelência o Presidente da República para o reforço da cadeia de valor da indústria cultural e criativa no país”, acrescentou Muocha.

O Secretário-Geral da AEMO, Carlos Paradona, expressou satisfação com o encontro, destacando a atenção do Presidente às preocupações dos escritores e ao incentivo à leitura. “O Presidente afirmou aos escritores nacionais que vai trabalhar para implementar uma política sólida e profunda acerca do livro e da leitura no nosso país”, disse. Paradona também revelou a intenção do Governo de criar Casas de Cultura em todos os distritos do país, o que, segundo ele, será um grande passo para a promoção da literatura e do conhecimento entre os jovens.

Por sua vez, a Presidente da FEMICC, Amélia Maria Matsinhe, destacou o papel fundamental do sector criativo no desenvolvimento do país e defendeu a necessidade de eliminar preconceitos sobre a área. “Viemos aqui contribuir para destruir o mito de que o sector criativo é um sector complicado ou confuso. Trouxemos seis pontos essenciais para que o sector possa crescer e contribuir para a coesão social e o desenvolvimento económico e social”, afirmou.

Matsinhe salientou a importância do fortalecimento dos instrumentos legais para apoiar a área e defendeu a necessidade de um diálogo regular e construtivo entre o Governo e as organizações culturais. “Esperamos que a FEMICC e outras organizações possam ser parte de um diálogo constante, respeitoso e produtivo, com o objectivo de construir um sector cultural e criativo próspero”, concluiu.

O encontro foi visto como um passo importante para a criação de estratégias de desenvolvimento cultural em Moçambique, reforçando o compromisso do Governo em apoiar e promover a cultura e as artes como pilares do desenvolvimento nacional. Os intervenientes saíram confiantes de que as preocupações apresentadas serão levadas em consideração na formulação de políticas públicas voltadas para o sector.

Além disso, ficou evidente a necessidade de envolver mais atores do sector privado na valorização das indústrias criativas. A colaboração entre empresas, instituições culturais e artistas poderá criar novas oportunidades de financiamento e sustentabilidade para o sector, garantindo a continuidade dos projectos culturais e a ampliação do seu impacto social e económico. (Comunicado).

Venâncio Mondlane apresenta queixa-crime contra Daniel Chapo na PGR

Venâncio Mondlane, apresentou hoje, uma queixa-crime na Procuradoria-Geral, contra Daniel Chapo, para ser instaurado o respectivo processo-crime, seja constituído assistente e seja fixada uma indemnização pelos prejuízos causados às vítimas e respectivas famílias.

Venâncio Mondane deve ser ouvido hoje pela Procuradoria depois de acusado de instigar violência. Mas, também foi com uma queixa-crime contra Daniel Chapo como cidadão moçambicano.

No dia 24 de fevereiro de 2025, Daniel Chapo, nomeado pelo Conselho Constitucional, violando o artigo 149 da Constituição da República de Moçambique (CRM), destapou em plena capital do conflito militar em Cabo Delgado, não pontes de diálogo, exigência do nº.2 do artigo 22 da CRM para se estancar uma guerra que não pára de ceifar vidas inocentes de cidadãos e património público, mas…

Uma verdadeira cruzada de instigação pública a um crime e promoção de participação em motim armado sem precedentes, prevista e punível à luz dos artigos 345 e 350, ambos do Código Penal.

O mobil ofensivo atacou de forma despudorada cidadãos pacíficos apartidários, ao arrepio do artigo 35 da CRM e, sub-repticiamente, ao afirmar belicamente:

“(…) para a integridade de Moçambique, para a soberania de Moçambique, para manter a nossa integridade, aqui em Cabo Delgado, mesmo que for para jorrarmos sangue, para defender essa pátria, contra as manifestações, vamos jorrar sangue”!.

E prossegue:

“N‘iu a assana? (estão a ouvir?)

Nsanene (muito bem)…

Vamos combater o terrorismo…

Vamos combater os Naparamas…

E vamos combater as manifestações, nem que for para jorrarmos sangue” (…) in Daniel Chapo (24.02.25).

Ninguém ousou, no local (Pemba –Cabo Delgado) e a “posteriori” denunciar tamanho belicismo verbal (Ordem de Advogados de Moçambique, Procuradoria-Geral da República, Conselho Constitucional, Associação dos Magistrados, reitores, académicos, ex-procuradores gerais e juízes jubilados), todos em uníssono abraçaram fortemente o medo e o silêncio, mas sem esqueceram que indirectamente promoveram a ditadura;

O querelado, no mais alto pedestal da magistratura, que jurou respeitar e fazer cumprir a Constituição, mas que espezinha a Lei Mãe, quando em causa está a eliminação de quem, legitimamente, reclama nos marcos constitucionais e da lei, por justiça, neutralidade e imparcialidade dos órgãos eleitorais (Comissão Nacional de Eleições e Secretariado Técnico de Administração Eleitoral) e da alta corte da magistratura eleitoral.

Com o discurso belicista proferido, viram-se goradas todas expectativas para o diálogo construtivo, manifestadas publicamente pelo Querelante, desde que, em janeiro de 2025, retomou ao país;

A contundência e repetição das ameaças e da instigação colocaram a nú a indisponibilidade total do Querelado em encetar negociações políticas sérias, sem pré-condições e com agenda acordada entre as partes;

Tanto assim que nove dias depois (24.02-05.03) da instigação, no Pavilhão em Pemba onde se encontravam autoridades castrenses, nas primeiras filas, o Querelante viria a ser alvo de uma tentativa de assassinato, por parte de agentes militar-policiais da Unidade de Intervenção Rápida (UIR), às 13 13:00 do dia 5 de março de 2025, no bairro Hulene, quando a viatura em que se fazia transportar, na Avenida Julius Nyerere, foi crivada com mais de seis balas;

Houve coincidência? Não!

E, aqui chegados, o Querelante impávido, desarmado e pacifista nada podia fazer ante a saga vampira de agentes que não escolhiam os alvos, incluindo duas crianças inocentes, colhidas pelas balas assassinas da UIR inspiradas, justifica (m)rão no refrão:

“Vamos combater o terrorismo…

Vamos combater os Naparamas…

E vamos combater as manifestações, nem que for para jorrarmos sangue”.

Outro cidadão morto, cerca de 20 feridos, aliados aos mais de 600 assassinados, desde outubro de 2024, que se manifestam a luz do artigo 51 da CRM, não perecem “causa-bastante”, para alguma comoção da parte do Querelado, a sua família política e órgãos jurisdicionais, como se a vida do cidadão moçambicano pobre, para quem está no poder, não importa;

Para o Querelante, a vida do moçambicano pobre importa muito. Dai a disponibilidade em caminhar ao lado do sofrimento, discriminação, fome, miséria, desemprego, injustiça, a que são votados ao longo dos 50 anos;

Porquanto se é verdade que no contexto constitucional deixou de haver partido único, mas, na prática, Moçambique tem um único partido, cujo líder impõe e dispõe, na convicção de nunca lhe ser assacado o n.º 1 do artigo 153 da Responsabilidade Criminal;

O Querelante reputa como grave, o facto do ora Querelado continuar a dar ordens executivas às forças policiais, violando o artigo 254 e as Forças de Defesa e Segurança, artigo 266, que, peses, a luz da CRM serem apartidárias, submeterem-se em “prima facie” ao presidente da FRELIMO, ao invés do Presidente da República, que deve, segundo o artigo 149 (Incompatibilidade), ser apartidário;

É preciso colocar a República de Moçambique nos trilhos da pluralidade, com o nascimento, “post creatus”, de órgãos de soberania completamente despartidarizados e “cegos” nos procedimentos constitucionais e legais, e, todos os seus actos.

Todos os factos são notórios e públicos, portanto, não carecem de demonstração probatória. Pelo exposto demonstra-se claro o estelionato político no enquadramento do “ modus operandi” do Querelado nos crimes de instigação pública a um crime (artigo 345 do Código penal).

Venâncio Mondlane requer que seja instaurado o respectivo processo-crime, seja constituído assistente e seja fixada uma indemnização pelos prejuízos causados às vítimas e respectivas famílias. (Profundus).

Livaningo entrega bicicletas e outros recursos para dinamizar actividades da Conservação

 

A Livaningo, através do Projecto Kukwiza em consórcio com a Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA), estão a criar mecanismos de resposta a vários problemas locais com envolvimento das comunidades, desta vez através da entrega de bicicletas, apaga-fogos, coletes e megafones, no interior de Nhamatanda, em Sofala.

Trata-se de seis Comités de Gestão de Recursos Naturais, nomeadamente, Bebedo, Lamego, Chirassicua, Macorococho, Nhampoca e Metuchira em respectivas localidades do distrito de Nhamatanda, que receberam o material para dinamizar as actividades de Conservação, incluindo fiscalização contra a exploração de recursos naturais, sensibilização, práticas contra queimadas descontroladas e plantio de árvores para o reflorestamento, além de fruteiras.

São 30 bicicletas, 12 megafones, 90 coletes e 60 apaga fogos subdivididos em cinco bicicletas, dois megafones, dez apaga-fogos e 15 coletes para cada Comité de Gestão de Recursos Naturais.

Na última sexta-feira, em Metuchira, cada Comité de Gestão de Recursos Naturais recebeu cinco bicicletas, dois megafones, dez apaga-fogos e 15 coletes.

Os três Comités de Gestão de Recursos Naturais (Lamego, Chirassicua e Metuchira) estão focados em actividades de produção fruteira (mangueiras, papaieiras, limoeiros) que poderão ser geridas por associações das comunidades, podendo mesmo servir de meios de renda, além de servirem de uma maneira de melhorar a dieta alimentar. E a Livaningo estuda a possibilidade de incluir cajueiros.

O distrito de Nhamatanda vem sofrendo de desflorestamento sem igual nos últimos anos. A forte e permanente pressão sobre os recursos florestais tem-se traduzido no abate indiscriminado das árvores tanto para a produção de carvão vegetal quanto para a indústria madeireira.

Um estudo conduzido pelo Instituto de Investigação Agrária de Chimoio em 2021 indica que o posto Administrativo de Nhamatanda em termos de desmatamento perdeu, só em 2019, cerca de 13.38 hectares. É neste contexto que a ADRA e Livaningo, implementando o projecto Kukwiza, estão a reflorestar 100 hectares de árvores nativas, fortificando com a entrega de material necessário.

O Projecto Kukwuiza, da língua local cysena que significa “erguer” é implementado por duas Organizações Não-Governamentais, nomeadamente, Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA) Moçambique e outra moçambicana Livaningo, mas ambas diferem na actuação – a primeira focada na agricultura e comercialização, enquanto a segunda, na gestão ambiental e género.

Para o técnico ambiental da Livaningo em Nhamatanda, Osório Belchior, “até ao momento, nos sentimos orgulhosos porque certas actividades não aconteciam nessas comunidades, por exemplo, uso massivo de fogões melhorados (fogão poupa-lenha ou poupa carvão) [incluindo treino sobre a produção usando material local e acessível] ”, além de que as comunidades já estão mais conscientes sobre as desvantagens de destruir o meio ambiente e “sentem a sua responsabilidade” de protegê-lo.

O projecto Kukwiza conta com o financiamento da Agência Austríaca de Desenvolvimento (ADA). (Muamine Benjamim).

Moçambique em consulta para TRANSFORM da vida selvagem

 

O País iniciou o processo de engajamento das partes afectadas e interessadas no desenho do Projecto “Transformar a conservação da vida selvagem e os meios de subsistência à escala da paisagem em Moçambique (TRANSFORM)”, no âmbito do Fundo multilateral para o Ambiente Mundial (GEF).

O evento que marcou o lançamento oficial de consultas para conceber TRANSFORM decorreu na última terça-feira, em Maputo, dirigido pelo Director-Geral da Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC), Pejul Calenga.

TRANSFORM vai centrar-se na paisagem Rovuma-Lugenda, do lago Niassa a Costa, nas províncias de Niassa e Cabo Delgado com uma área total de 20.040.352 hectares. E na paisagem Gorongosa – Marromeu em Sofala, numa área de 6.332.116 hectares. Destas áreas, pretende-se melhorar a gestão de 3.147.612 hectares protegidos e 3.977.554 de hectares de paisagem fora das áreas protegidas.

O TRANSFORM está orçado em 15.200.000,00 dólares norte americanos (972.800.000 de meticais).

“Pretendemos garantir a integridade das paisagens, a conectividade e diversificação dos meios de subsistência sustentáveis para as comunidades, através do estabelecimento de corredores de vida selvagem e do desenvolvimento de instrumentos de planeamento integrado do uso de terra, criando condições favoráveis à infra-estruturação ordenada de assentamentos comunitários e das suas respectivas actividades socioeconómicas”, disse Calenga.

O TRANSFORM pretende consolidar os esforços do Governo no combate ao comércio ilegal de vida selvagem, a caça furtiva e na implementação de estratégias assertivas para mitigar o conflito Homem-Fauna Bravia e promover a coexistência nas paisagens-alvo do Projecto. (Profundus).

 

“Excesso de elefantes destrói árvores de nidificação de abutres” – estudo

Um estudo com o título “Impactos dos elefantes africanos e de outros factores ambientais nas árvores onde nidificam os abutres-de-dorso-branco, espécie criticamente ameaçada”, originalmente, “Impacts of African elephants and other environmental drivers on trees nested in by critically endangered white-backed vultures” revelou que o excesso de elefantes destrói árvores de nidificação dos abutres-das-costas-brancas nas Reservas Naturais Privadas Associadas (APNR), África do Sul.

O estudo teve o objectivo de avaliar o impacto que os elefantes têm nas árvores que contêm ninhos de abutres nas APNR e na vizinha Base Aérea de Hoedspruit (AFB) na região nordeste da África do Sul, através de três avaliações separadas, mas interligadas. Primeiro, avaliou as espécies arbóreas usadas pelos abutres para nidificação e comparou o seu tamanho e escores de impacto de elefantes entre ‘habitats’ ribeirinhos e florestais.

O APNR (tamanho 2089 km²) é uma área protegida, partilhando um limite aberto com o Parque Nacional Kruger, e inclui as reservas naturais privadas de Balule, Klaserie, Thornybush, Timbavati e Reservas Naturais Privadas de Umbabat.

Os abutres-de-dorso-branco (Gyps africanus) fornecem serviços de ecossistema essenciais para os sistemas de savana como espécie necrófaga.

No entanto, registam-se significativos nos números de abutres-de-dorso-branco (doravante designados por abutres), tanto continental como regional na África do Sul.

O estudo conduzido de 2008 a 2020, mas publicado em janeiro de 2025 pela revista WILDLIFE BIOLOGY, baseando-se em análises estatísticas, concluiu que os abutres preferem árvores de grande porte, que oferecem maior estabilidade para a nidificação.

“Das árvores descascadas, 55,6% tinham uma pontuação de remoção de casca de>50%, e uma árvore individual tinha morrido por descascamento. Os escores de impacto dos elefantes foram significativamente maiores nas árvores da floresta em comparação com as árvores ribeirinhas”.

O estudo aponta que “nenhum impacto de elefante foi encontrado em 75 das 266 árvores pesquisadas (28,2%), incluindo todas as árvores Philenoptera violacea e Combretum imberbe. As restantes 191 árvores (71,8%) com impacto de elefante, a descasca foi o tipo de impacto mais comum (80,9%), seguido da quebra primária conclui que (17,7%) e do desenraizamento (1,4%)”.

As árvores situadas em zonas ribeirinhas tendem a ser mais altas e sofrem menor impacto dos elefantes, diferente das localizadas em zonas onde a actividade dos elefantes é mais intensa.

“Focando em S. nigrescens, a espécie arbórea mais abundante contendo ninhos de abutre, os nossos resultados sugerem que as árvores de grande porte (≥ 5 m de altura) aninhados por abutres são mais ameaçados por elefantes, mas são na sua maioria demasiado grandes para serem derrubados. No entanto, os elefantes podem estar a ter um efeito de corte nas alturas das árvores disponíveis para os abutres, e que os ninhos são encontrados principalmente nos S. nigrescens mais altos, com as pontuações de impacto de elefantes mais baixas”, concluem os autores.

O estudo de 14 páginas foi conduzido por uma equipa sul-africana, nomeadamente, Robin M. Cook (conceituação, curadoria de dados, análise formal, investigação, metodologia, administração de projectos e escrita – rascunho original; Edward T. F. Witkowski (apoio de conceituação, investigação, apoio de metodologia, supervisão, visualização e escrita – revisão e edição; Michelle D. Henley, (administração de projectos, curadoria de dados, aquisição de financiamento, líder da conceituação, da investigação, de metodologia, de recursos, de supervisão, de visualização e de redacção – revisão e edição.

A diminuição de abutres em África, tem sido por envenenamento, colisões com infraestruturas e o seu uso para a medicina tradicional. A ausência destes animais pode fazer com que mais carcaças de animais fiquem expostas na natureza, favorecendo a proliferação de bactérias e infecções. Daí que, exige do ser humano a protecção deste animal listado como ‘Criticamente Ameaçado’ segundo a Birdlife International em 2024. (Muamine Benjamim).

Canda: Do início ao produto final em mudanças climáticas

Reflorestamento é uma palavra simples de ler, mas é um processo difícil e complexo por concretizar, envolvendo custos contra a degradação ambiental, período específico a cada actividade, maneio, monitoria e pessoal. O Parque Nacional da Gorongosa é uma referência em África pela sua história impressionante de restauração ambiental, conciliando-se com o desenvolvimento humano e servindo de exemplo neste caso por envolver as comunidades rurais como actores da Conservação.

Processo de reflorestar

O processo de reflorestamento começa com a colheita de semente (janeiro – dezembro), identificação das áreas para o viveiro, enchimento de vasos e sementeira (fevereiro – setembro), rega, repicagem (maio – outubro, monda (janeiro – dezembro), poda das raízes (maio – setembro); preparação e plantação: identificação das áreas para plantações (abril – setembro, delimitação das áreas (julho a setembro), demarcação (outubro – novembro), limpeza das áreas (novembro – dezembro), distribuição de mudas (novembro – dezembro), abertura de covas, plantio e replantio – janeiro –março dezembro; manutenção (dezembro): delimitação de quebra-fogos (abril-junho), estabelecimento de quebra-fogos, manutenção de quebra-fogos (até o quinto ano) (abril-julho), queimada fria fora da zona de reflorestamento (até quinto ano) (abril – maio); queimada fria na zona de reflorestamento (após o quinto ano) (abril – maio); remoção de capim em volta da planta (até terceiro ano) (abril – junho); monitoria: verificação da sobrevivência e verificação do crescimento (março-outubro); factores condicionadores: precipitação média e incidência de fogo.

De concreto, o reflorestamento pela Gorongosa conta com as comunidades que se organizam em Comités de Gestão de Recursos Naturais.

Bem próxima à Serra da Gorongosa, existe o Comité de Gestão de Recursos Naturais, no Posto Administrativo de Nhamadzi – Canda, uma referência pelo reflorestamento. Criado em 1998, conta com 233 membros, fundadores; fiscais comunitários; animadores e facilitadores de reflorestamento dos viveiros, aliás, o CGRNC criou 11 subcomités com 771 membros (303 mulheres) e 68 guardas-florestais.

O reflorestamento, segundo o Comité de Gestão de Recursos Naturais de Canda, Amélia Melo, conta com actividades de colecta de sementes de espécies vulgares Chanfuta (Afzelia Quanzensis), Panga-Panga (Milletia Stuhulmanii); Umbila (Pterocarpus Angolensis); Umbaua (Khaya Anthotheca); Bauhinia (Bauhinia Thonningii); Thiti (Erythrina Lisystemon); Parinari Curatellifolia; Albizia (Albizia Adianthifollia); Vangueria (Vitex Adoniana); Imbondeiro (Adansonia Digitada); Ximenia Cafra; Messassa (Brachystegia Africana); Mafureira (Trechilia Emetica); Amarula (Sclerocarya Bireea) e Massala (Strychnos Spinosa).

O CGRNC tem o objectivo de fiscalizar ao nível dos regulados; estabelecer treinos aos fiscais comunitários e equipá-los; promover turismo comunitário como fonte de renda para apoiar as comunidades que residem ao longo da Serra da Gorongosa; sinalizar locais de coexistência entre o Homem-Fauna bravia e instalar placas de sensibilização nas picadas e em locais de aglomeração de pessoas, além de fomentar projectos de desenvolvimento comunitário como de apicultura moderna para reduzir as queimadas.

O Comité de Gestão de Recursos Naturais de Canda estabeleceu um viveiro em 2020, cuja capacidade é de 25 mil mudas. As espécies existentes ao momento são Umbaua, Messassa e Panga-panga, com 15 (9 homens jovens e 6 mulheres jovens) assumindo o papel de facilitadores comunitários numa área de 10 hectares de áreas reflorestadas, 11.000 mudas plantadas e 7.000 mudas prontas para plantio.

 

Resultados do reflorestamento intensificado

O Parque Nacional da Gorongosa intensificou as campanhas de sensibilização para “Salvar a Serra”. O número de abrangidos resultou na redução de caça furtiva, aumento do reflorestamento, comunidades conscientes sobre a Conservação e transformadas pelos projectos de desenvolvimento humano, não apenas no Posto Administrativo de Nhamadzi-Canda, mas também nos distritos limítrofes daquela conservadora ambiental.

De 2021 a 2024, a diminuição foi tão significativa que chegou a ter zero em alguns casos, como resultado de sensibilizações comunitárias de animadores no Posto Administrativo de Nhamadzi- Canda.

Os resultados são medidos pelos indicadores registados nas comunidades. As sensibilizações comunitárias reduziram a caça furtiva.

Em (2021), no início das actividades, registaram 92 artes de caça, reduzindo para 60 (2022); 37 (2023) e 13 (2024).

De forma específica, a partir de 2021, reduziram as armadilhas mecânicas, de 11 para 9 (2022), 7 (2023) e 5 (2024); de 8 ratoeiras diminuíram para 7,4 e 2; de 12 redes de pesca subtraíram para 9, 6 e 3; de 11 pás para 8, 5 e 2; de 9 cerras de madeira para 7, 4 e 1; de 6 cabos de aço para 3,1 e zero; e de 35 pranchas de madeira para 17, 10 e zero, correspondentemente.

Estas apreensões resultaram do aumento de membros sensibilizados nas comunidades por ano. Ora, em 2021, foram realizadas 600 palestras por 15 animadores alcançando 1.867 homens e 1.344 mulheres; 2022, com o mesmo número de animadores e palestras alcançaram 2.141 homens e 1.786 mulheres; 2023, repetiram-se os animadores e palestras abrangendo 2.264 homens e 1.821 mulheres, e já em 2024, o número de animadores aumentou para 55 e 2.200 palestras alcançando 28.359 homens e 19.625 mulheres.

Lembre-se que em 2024, a Gorongosa entregou 47 bicicletas a facilitadores comunitários, 40 bicicletas a animadores comunitários e 15 motorizadas a líderes comunitários de Canda, no lançamento da campanha “Salve a Serra da Gorongosa”. Um investimento de 1.308.000,00 MT.

As comunidades da Zona Tampão do Parque Nacional da Gorongosa, através dos respectivos Comités de Gestão de Recursos Naturais, também recebem os 20 por cento das Receitas de Exploração Florestal e Faunística da Gorongosa previstos pela Lei 16/2004 de 20 de Junho.

A Zona Tampão do Parque Nacional da Gorongosa é reconhecida nos programas do Parque como Zona de Desenvolvimento Sustentável.

A entrega recente dos 20 por cento aconteceu no dia 20 de novembro de 2023, na qual oito Comités de Gestão de Recursos Naturais receberam 730.220,54 meticais, representando os 16 Comités previstos naquela fase. Especificamente, cada comunidade recebeu 45.688,78 meticais, nomeadamente, Nhabaua, Catemo, Muanandimai (Cheringoma); Nguinha e Nhantadza (Muanza); Djutchenje (Gorongosa); Nhamacolomo (Maringué); e Bebedo (Nhamatanda). Este dinheiro tem sido usado para projectos comunitários.

“Agora não há muito desmatamento”

Na Serra da Gorongosa, “havia muito desmatamento, mas hoje, graças” aos fiscais e ao Comité, as comunidades já estão cientes de não cortar as árvores, até mesmo [contra] a caça dos animais. Significa que a população já sabe [porque deve conservar]”, descreve o substituto-chefe do Posto Administrativo de Canda, António Tomás Vernijo, apontando as sombras das plantas onde decorrem as reuniões como impacto da Conservação.

As comunidades também reflorestam as áreas degradadas. Nos últimos dois anos, produziram 13 mil mudas e plantaram-as em 12 hectares, para além da realização do maneio de regeneração em 3,7 hectares de zonas de Domba, Magala, Nhandar e Canda. Já para 2025, a produção deverá ser de 17.500 mudas para plantar pelo menos 8.000 numa área de 6 hectares.

“Havia muito desmatamento, mas agora não há” é o trabalho coordenado pela Gorongosa.

O líder comunitário de Domba em Canda, João Juvêncio Paulo, também descreve o impacto da Conservação, envolvendo a sua comunidade. Neste momento, colhe as sementes enquanto planta as mudas em coordenação com o Comité de Gestão de Recursos Naturais.

Neste momento, existem 9.500 mudas no viveiro de Canda subdivididas em espécies como Umbaua (khaya anthotheca) 4.600; Messassa (brachystegia spiciformis) 2.000; Panga-Panga (milletia stuhulmanii) 1.700 e Munherenje (albiziaa adhiantfoliia) 1.200.

Este ano, em Nhamadzi, haverá reflorestamento das zonas degradas da comunidade e Serra da Gorongosa cuja meta é de 25 mil mudas a serem plantadas pelo comité de Gestão de Recursos Naturais;

Fiscalizar as actividades ilegais ao nível dos povoados, envolvendo 100 fiscalizações pelos fiscais comunitários;

Definir e introduzir regras e procedimentos para o uso sustentável (extracção máxima permitida, taxa a pagar e penalizações) num regulado envolvendo membros do Comité para o sustento das comunidades;

Realizar 240 sensibilizações para minimizar o cultivo nas margens dos rios, queimadas descontroladas e desmatamento;

Treinar cinco animadores comunitários; instalar 50 placas de sensibilização nos locais de aglomeração de pessoas.

Viveiro de Canda

Actividades integradas da Gorongosa em mudanças climáticas

O reflorestamento pela Gorongosa não apenas restaura a biodiversidade local, mas também contribui para a regulação do clima, a conservação do solo, a protecção dos recursos hídricos e a promoção de ‘habitats’ saudáveis para a fauna, garantindo a produção agrícola em momentos de insegurança alimentar motivada pelo fenómeno El Niño.

Sendo a Gorongosa, o Parque que concilia o desenvolvimento humano, o reflorestamento também integra treinos em programas da saúde, agricultura, construção de infra-estruturas para a resiliência das comunidades.

 

Por que o nome de Nhamadzi – Canda?

Eugénio Almeda Canda-chefe de Canda, contou que um dia, um homem de nome Nhamadzi morreu. Quando os seus filhos regressaram ao fim de três dias, não encontraram o corpo. Em vez disso, encontraram a cobertura de pele no solo, mas não a saca. Assim, os filhos disseram a toda a gente que eles tinham decidido ir procurar a saca. Partiram e em breve viram a saca rolar pela ribanceira abaixo. Em uma semana, seguiram as marcas deixadas na relva. No caminho, encontraram um elefante morto e decidiram servir-se da carne, cortando-a com a pele. Fizeram assim para que a carne não se estragasse. Esta é a origem da família “Canda”, o que significa “pele”.

Continuaram a caminhar, comendo a carne de elefante e seguindo a saca de pele, até que chegaram a um rio. A saca de pele saltou o rio cheio de água. Mas quando os filhos chegaram, descobriram que o rio tinha se separado. Alguma água estava num lado, alguma noutro, e havia um caminho seco no meio: e assim, eles atravessaram.

Quando a saca com o corpo chegou a esta área, transformou-se num leão. O leão viveu na montanha que chamamos Nhamadzi. Há uma rocha grande lá. Nhamadzi, o leão, costumava estar nessa rocha numa caverna onde teve crias. Quando os leões selvagens quisessem matar alguém, Nhamadzi protegia o seu povo, afastando os outros para longe. (Muamine Benjamim – Canda).

MISA condena ataques contra jornalistas

O MISA Moçambique – Núcleo Provincial de Inhambane tem acompanhado, com preocupação, os ataques físicos e verbais contra jornalistas durante a cobertura das manifestações que ocorrem na província, inicialmente motivados pela crise pós-eleitoral, os protestos agora também denunciam o elevado custo de vida.

À medida que as manifestações em Inhambane se intensificam, os ataques a profissionais da imprensa tornam-se mais frequentes. O caso mais recente ocorreu na última segunda-feira, 24 de fevereiro, na cidade da Maxixe, quando um grupo de cidadãos, munidos de diversos objectos, marchou por várias artérias da cidade e arremessou pedras contra a viatura do jornalista Eugénio Arão, do Diário de Moçambique. Além dos danos ao veículo, o repórter também foi atingido. A vítima afirma que estava em pleno exercício da sua actividade profissional e mesmo tendo-se identificado, continuou a ser alvo de ameaças verbais contra a sua integridade.

Outro caso ocorreu em Massinga, onde o jornalista Hugo Firmino, do Grupo SOICO, foi obrigado a abandonar a sua viatura sob ameaças de que esta seria incendiada. As motivações do ataque não estavam claras. Relatos colhidos pelo MISA indicam que a intervenção das autoridades evitou um desfecho mais grave, mas não impediu os danos materiais à viatura.

Diante desses acontecimentos, o MISA Moçambique – Núcleo Provincial de Inhambane manifesta a sua profunda preocupação com a escalada de violência contra jornalistas durante este período de protestos. Como organização de defesa e promoção das liberdades de imprensa, de expressão e do direito à informação, o MISA condena os ataques contra a classe jornalística.

O MISA ressalta que a agressão a profissionais de comunicação representa um grave atentado contra a liberdade de imprensa e os princípios democráticos. (Profundus).

Primatas da Gorongosa adaptam-se a eventos climáticos extremos

 

 

Um estudo com o título “Efeitos de um evento climático extremo em Populações de primatas” revelou que os primatas do Parque Nacional da Gorongosa (PNG) conseguiram adaptar-se aceleradamente aos impactos do ciclone Idai que afectou a província de Sofala, na região central de Moçambique, em março de 2019.

O ciclone Idai não apenas devastou comunidades, mas também teve impactos significativos na vida selvagem no Parque Nacional da Gorongosa, que sofreu graves inundações centradas em torno da sua principal massa de água, o Lago Urema – única água permanente do Parque, do qual todo o ecossistema depende.

O estudo publicado na revista científica American Journal of Biological Anthropology, em janeiro deste ano explica que com as mudanças climáticas contemporâneas induzidas pelo homem num ponto de crise, eventos climáticos extremos (por exemplo, ciclones, ondas de calor, inundações) estão se tornando mais frequentes, intensos e difíceis de prever. Esses eventos podem causar mudanças rápidas e significativas nos ecossistemas. Portanto, é imperativo entender como as comunidades de vida selvagem respondem a essas interrupções.

Os primatas são percebidos como sendo uma ordem amplamente adaptável, mas muitas vezes não se tem dados quantitativos para avaliar rigorosamente como eles são afectados por mudanças ambientais extremas.

Aproveitando as detecções de um inquérito de armadilhas fotográficas a longo prazo, este estudo oportunista relatou os efeitos do ciclone Idai numa população pouco estudada de primatas de vida livre no Parque Nacional da Gorongosa, Moçambique.

Um total de 12.448 detecções independentes de babuínos foi registado entre 13 de fevereiro e 11 de outubro nos três anos do estudo, o que representou um total de 23.832 dias de armadilhas fotográficas em 55 câmaras. Babuínos, foram detectados em 55 câmaras (das totais 60) durante este período.

Houve substancialmente menos detecções em geral para macacos vervets (684 detecções independentes ao longo do período de estudo de 3 anos), em comparação com babuínos. Durante esses períodos, macacos vervets foram detectados em 44 das 55 câmaras da pesquisa.

O levantamento da armadilha fotográfica consiste em 60 câmaras distribuídas sistematicamente por uma área de 300 km ² de floresta de savana localizada a sul do Lago Urema dentro do Parque Nacional da Gorongosa. Esta região foi seleccionada devido à sua acessibilidade e segurança e por ser conhecida por conter uma elevada densidade de mamíferos.

Para compreender melhor o impacto do ciclone Idai, os pesquisadores compararam as alterações observadas com registos de anos anteriores, explica o Parque Nacional da Gorongosa.

O estudo examinou mudanças na distribuição espacial e na abundância relativa de babuínos de pés cinzentos (Papio ursinus griseipes) e macacos vervet (Chlorocebus pygerythrus) na Gorongosa.

As distribuições espaciais dos babuínos foram afectadas no primeiro mês após o ciclone, com mais detecções em áreas onde as inundações foram menos severas. As distribuições espaciais se normalizaram quando as águas das inundações começaram a recuar.

O estudo teve apoio do Projecto Paleo-Primata da Gorongosa do Parque Nacional da Gorongosa, da Escola de Antropologia e Etnografia dos Museus de Oxford e com financiamento do Conselho de Investigação em Artes e Humanidades e do Centro Interdisciplinar de Arqueologia e Evolução Humana.

O estudo descreveu as tendências na distribuição espacial dos macacos vervets, embora limitações no tamanho da amostra tenham impedido análises estatísticas. A abundância relativa dos primatas não pareceu diminuir substancialmente após o ciclone, sugerindo que os grupos foram capazes de adoptar ajustes comportamentais para evitar as águas das inundações em elevação.

O estudo foi conduzido por uma equipa internacional de cientistas, nomeadamente, Megan Beardmore (conceituação, análise formal, aquisição de financiamento, investigação, metodologia e redacção – rascunho original); Meredith S. Palmer (curadoria de dados, análise formal, metodologia, recursos, software, redacção – revisão e edição); Kaitlyn M. Gaynor (curadoria de dados, análise formal – suporte, recursos, software, redacção – revisão e edição); Susana Carvalho (conceptualização – apoio, supervisão, escrita – revisão e edição.

Este estudo foi realizado no Parque Nacional da Gorongosa, uma área protegida de 4.067 km² situada no extremo sul do Grande Vale do Rift, no centro de Moçambique, sudeste de África. O parque cobre um mosaico de ecossistemas, incluindo florestas de dossel fechado, savanas e pastagens de várzea com até 15 tipos amplos de paisagem reconhecidos por suas combinações únicas de vegetação e precipitação.

O clima na Gorongosa é altamente sazonal, com o pico de precipitação ocorrendo durante a estação chuvosa (dezembro-março) conhecido por causar inundações em até 40 por cento do Parque Nacional da Gorongosa. Isso é seguido por uma estação seca severa (abril a novembro) caracterizada por incêndios florestais em todas as áreas de savana e pastagem e a secagem progressiva da maioria das bacias d’água e rios. (Muamine Benjamim).

Sonho da ponte já vai até abril com novo fiscalizador conectando 4.º e 9.º bairros na vila de Nhamatanda

 

 

A construção da ponte estava prevista para até janeiro do ano em curso. Foi “construída” apenas no papel, de físico ainda não tem. A edilidade relança esperança aos munícipes para as obras até abril com o mesmo custo.

Nos finais de 2024, o Conselho Municipal da Vila de Nhamatanda colocou a placa que indicava o início e o fim da construção, incluindo o custo total (13.143.144,42 meticais) para a entrega da ponte sobre o rio Nhamatanda. O tempo passou sem a infra-estrutura.

A recente actualização das datas para a construção até abril é o resultado de uma reportagem do “Profundus” na edição do “Profundus212.24.01.2025” a qual descreve o incumprimento do tempo e consequências, principalmente para alunos da Escola Secundária Geral de Nhamatanda que recorrem aquela via. Sucede que após a publicação, a autarquia reagiu de forma prática e estratégica, alterando as datas anteriores de 18 de outubro de 2024 – 18 de janeiro de 2025, para 24 de janeiro de 2025 – 24 de abril de 2025.

A alteração também está no fiscalizador das obras. No lugar da COTOP está a Stange Consult.

Até ao fecho desta redacção, a edilidade não tinha ainda explicado o atraso da edificação que conta com o financiamento do fundo de estrada. Mas é alegadamente por ainda não serem reembolsados os fundos.

É papel da imprensa informar, fazer lembrar, procurar saber, pressionar, chamar atenção, pacificar sobre qualquer preocupação de interesse público como a ponte sobre o rio Nhamatanda, conectando o 4º e 9º bairros, além de ajudar na gestão transparente dos recursos escassos para o desenvolvimento das comunidades.

A transparência é a base da confiança entre autarquias e munícipes. Quando a comunicação autárquica é clara, acessível e aberta acaba por fomentar um ambiente de confiança mútua.

Os munícipes sentem-se mais confiantes quando percebem que as acções da autarquia são transparentes e justificáveis. Isto reforça o laço de responsabilidade entre os envolvidos, construindo uma gestão mais sólida e legítima.

Aquela ponte poderá ser um troféu a ser entregue no dia 10 de Junho, dia da Vila Municipal de Nhamatanda, já que o edil tem histórico de inaugurações nesta data. Desta vez são mais de 13 milhões de meticais em jogo só com aquela ponte.

 

Contudo, enquanto não se construir a ponte, os munícipes vão lamentando pelo mártir naquela via caracterizada por lama e água ciclicamente.

Reeleito nas eleições de 2023, o edil da Vila Municipal de Nhamatanda, António Charumar João deverá abrir as valas de drenagem; construir uma casa Cultura; construir aquedutos nos bairros; demarcar talhões; fazer manutenção de estradas; construir muro de vedação do Campo Municipal e respectivas bancadas de sombra. Aliás, já puxou água a partir do rio Muda, apesar do seu acesso depender de quem financeiramente arisca. (Muamine Benjamim).

Jornal Profundus

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