ASTER TOMÁS: Dos cerca de 7 kms diários a pé a bolsa de estudo inspirando comunidades pela Gorongosa

Aster Xavier Tomás cresceu numa família numerosa de sete filhos, composta por quatro homens e três mulheres, num agregado familiar cuja principal fonte de sustento é a agricultura de subsistência.

Desde a infância, Aster esteve ligada ao trabalho doméstico e agrícola intensivo, realidade comum a muitas raparigas das comunidades rurais.

Muitas vezes, essas responsabilidades eram priorizadas em detrimento da escola.

Ainda assim, Aster esforçou-se para conciliar os estudos com as tarefas domésticas, enfrentando dificuldades significativas num contexto comunitário em que se acreditava que apenas os rapazes deviam estudar.

Determinada a mudar o seu destino, Aster percorreu diariamente cerca de sete quilómetros a pé para chegar à escola, durante vários anos.

Ao longo desse percurso, enfrentou situações de violência doméstica associadas ao incumprimento de actividades de casa, mas nunca abandonou a caneta e o caderno.

A educação tornou-se, para ela, um instrumento de resistência, esperança e transformação.

A viragem na sua vida aconteceu com a sua entrada ao Clube das Raparigas do Parque Nacional da Gorongosa, na localidade de Gravata. Nesse espaço, Aster passou a aprender sobre direitos da rapariga, igualdade de género, conservação do meio ambiente e desenvolvimento pessoal, experiências que fortaleceram a sua auto-estima e ampliaram a sua visão de futuro.

No Clube de Raparigas, Aster aprendeu a negociar com os pais, chegando a decidir “caso-me, mas não para já. Por agora, o foco é estudar.

O Clube contribuiu decisivamente para a sua transformação psicológica e social.

Graças ao seu bom desempenho escolar, dedicação e participação activa, Aster Xavier Tomás foi reconhecida como uma das melhores raparigas do ano, distinção que lhe garantiu uma bolsa de estudos para o ensino secundário atribuída pelo Parque Nacional da Gorongosa.

Esta conquista não só mudou a sua vida, como também transformou a percepção da comunidade relativamente à educação da rapariga.

Actualmente, Aster frequenta a 10.ª classe sem ter que se preocupar com condições financeiras para ter o material escolar, com firme determinação de concluir os seus estudos.

O Clube da Rapariga não é simples lugar onde as meninas aprendem conteúdos de literacia, numeracia, mas também a diversificação de habilidades para a vida, aprendem a sonhar e a seguir sonhos, a se inspirar, a dizer não a união forçada e prematura. Afinal, serve de refúgio para quem pensa que o mundo é tão cruel sem saída.

O Clube da Rapariga, também inclui as meninas arrependidas por decisões anteriores decepcionantes, mas que agora servem de exemplos práticos para as outras a seguirem os sonhos.

Olhando para o futuro, Aster sonha formar-se e tornar-se veterinária, com o objectivo de cuidar dos animais, contribuir para a conservação da fauna e apoiar o desenvolvimento sustentável da sua comunidade, alinhando o seu sonho profissional com a missão do Parque Nacional da Gorongosa.

Hoje, Aster é respeitada na comunidade de Gravata e vista como um exemplo de superação, inspirando outras raparigas a acreditarem que a educação abre caminhos e torna possíveis sonhos que antes pareciam inalcançáveis.

A história de Aster Xavier Tomás mostra que investir na educação das raparigas é investir num futuro mais justo, sustentável e promissor para todos.

Dos 102 Clubes de Raparigas disponíveis em diferentes comunidades, 45 são apoiados pela Carr Foundation, 45 pela Noruega, seis pelo Canadá e seis pela Alexander Gruner Foundation.

No Clube da Rapariga, desde cedo, as meninas ganharam bolsas para o ensino secundário. Só em 2025, o Parque tinha 108 bolsas activas, sendo 68 no Gorongosa, incluindo Aster, e 40 raparigas no distrito de Cheringoma, incluindo meninos. (EUGÉNIA CARLOS).

 

Alertas severos da Oxford Economics e do Standard Bank sobre Moçambique

A empresa de previsões económicas Oxford Economics elevou Moçambique na semana passada (2 de março) à categoria de maior risco económico e político entre os 25 países africanos que analisa, com o Malawi agora em segundo lugar e o Zimbábue em terceiro. E o Standard Bank, em seu relatório Africa Flash Note divulgado ontem (9 de março), alertou que “a crise do Irã no Oriente Médio traz riscos crescentes para a frágil balança de pagamentos e a situação fiscal de Moçambique”, devido ao aumento dos custos de combustível e outras importações.

Mas, o mais importante, o Standard Bank alerta que “pode ​​levar quase uma década para que o GNL [Gás Natural Liquefeito] contribua significativamente para a receita do governo, e várias décadas e progresso nas reformas para que o GNL comece a ter impacto no combate à pobreza”, visto que “a pobreza afecta quase 70% da população”.

O Instituto Nacional de Estatística de Moçambique afirma que o PIB caiu 0,5% no ano passado, com crescimento nas indústrias extractivas, mas com o restante da economia contraindo 1,6%. O Standard Bank prevê um crescimento do PIB de 1,5% este ano e a Oxford Economics de apenas 0,3%, ambos muito abaixo das previsões anteriores. A Oxford Economics declarou: “Infelizmente, prevemos que a economia de Moçambique enfrentará outro ano difícil em 2026.”

A Oxford Economics afirma que os riscos se agravaram devido ao crescimento lento, ao aumento da dívida pública, à desvalorização imposta pelo FMI (a Oxford prevê para este ano, enquanto a Standard prevê para o próximo) e à incerteza política que permanece em níveis elevados. A Oxford afirma ainda que as tensões que causaram manifestações no ano passado não diminuíram e que a desvalorização aumentará os preços e o custo de vida.

Crise da dívida e do câmbio

A crise financeira e a escassez de divisas estrangeiras estão se agravando. Os bancos comerciais estão restringindo pagamentos com cartão de crédito e compras internacionais. A dívida pública aumentou quase 5% em 2025 em comparação com o ano anterior, fechando em US$ 18 bilhões, informou a Lusa na sexta-feira (6 de março). Moçambique não consegue obter mais empréstimos externos e está sobrevivendo com a dívida interna, que subiu para US$ 7 bilhões no ano passado; desse total, US$ 1,4 bilhão são provenientes do Banco de Moçambique. No ano passado, os juros internos somaram US$ 637 milhões e os juros sobre financiamento externo também atingiram US$ 200 milhões. Cada vez mais, a dívida é vista como insustentável.
O governo também não tem dinheiro para os projectos prometidos, incluindo o conserto de estradas. E a STV informa que os hospitais públicos não conseguem obter medicamentos porque o governo não pagou suas dívidas.

Frelimo enxerga um cenário diferente, mas será que a economia da Frelimo conseguirá sobreviver?

Todas as declarações da Frelimo têm sido optimistas, afirmando que o gás natural será a solução para o problema e que o dinheiro chegará ao governo mais cedo do que o previsto pelo Standard Bank. Embora o apoio externo tenha diminuído, a Frelimo parece acreditar que saiu impune após fraudar as eleições de 2023 e 2024 e matar mais de 400 jovens nas manifestações subsequentes. Portanto, aposta que pode usar a força para se manter no poder até as eleições de 2028 e 2029 e, consequentemente, até o início do repasse dos recursos do gás.

Ao longo das últimas três décadas, a Frelimo criou uma economia de serviços oligárquica, dependente de contractos estatais, importações e recebimento de comissões (“rendas”) do sector extractivo, sem qualquer investimento no sector produtivo ou criação de empregos.

Mas mesmo para os oligarcas da Frelimo, nuvens se avistam no horizonte. O historiador económico Peter Turchin escreve sobre a “superprodução de elites”, com muitos “aspirantes à elite” competindo por um número limitado de posições nos escalões superiores da política e dos negócios. Isso já está acontecendo em Moçambique. O presidente Armando Guebuza transformou o funcionalismo público em um braço da Frelimo. Os três presidentes – Joaquim Chissano, Armando Guebuza e Filipe Nyusi – garantiram que suas famílias extensas tivessem negócios, minas e posições seguras. E, quando eram presidentes, nomearam ministros e outras figuras para cargos-chave, que se tornaram parte do círculo íntimo dos “aspirantes à elite”. As batalhas políticas e económicas entre os grupos aliados a Chissano, Guebuza e Nyusi se tornaram públicas, e Chapo está tendo que lutar contra eles para construir seu próprio grupo.

Uma combinação de ilegalidade e contractos com agentes privilegiados faz com que grande parte do comércio de importação e exportação seja ilegal. Grande parte do ouro e da madeira nobre é controlada pelas famílias de presidentes e outras elites, sendo exportada ilegalmente sem que nenhum dinheiro chegue ao governo e causando danos ambientais substanciais. Subornos são organizados para que a madeira e o ouro saiam do país sem serem fiscalizados. Centenas de comerciantes individuais, chamados mukheristas , trazem grandes quantidades de mercadorias por terra da África do Sul e por via aérea do Brasil, Índia e outros países, pagando apenas taxas simbólicas aos funcionários da imigração e da alfândega.
A rede de supermercados sul-africana Shoprite anunciou na semana passada (5 de março) que está se expandindo em vários países da África, mas que fechará lojas em Moçambique. A Shoprite paga suas taxas e impostos de importação e agora está constatando que os “mukheristas” (comerciantes ilegais)  estão vendendo produtos a preços mais baixos do que os praticados pela rede.

Custos de importação mais elevados

A economia da Frelimo mantém a taxa de câmbio fixa em US$ 1 = MT64 desde 2022. A Oxford Economics e muitos economistas afirmam que o metical está sobrevalorizado em 20% a 25%. As importações de arroz e outros produtos custam menos do que a produção em Moçambique. Na economia da Frelimo, as elites e os oligarcas importam muitos produtos em vez de produzi-los localmente. Mas o FMI exige a desvalorização da moeda, o que aumentará o custo de todas as importações em 20% a 25%.
A Mediterranean Shipping Company (MSC) anunciou uma sobretaxa de guerra para cargas destinadas a diversos países africanos, incluindo Moçambique. Haverá uma taxa adicional de US$ 500 por contêiner de 20 pés (TEU). Isso aumentará os custos de importação.

A desvalorização da moeda e o aumento das taxas de importação elevarão o custo dos alimentos e bens de consumo, podendo provocar descontentamento.

Não há empregos em Cabo Delgado

Com o fim da estação chuvosa, a insurgência recomeçou em Cabo Delgado. O centro de liquefacção de gás natural (GNL) na península de Afungi, ao sul de Palma, foi transformado em uma fortaleza, sem acesso terrestre e guardado pelas forças de segurança ruandesas. O acesso será feito apenas por mar e ar. Isso significa poucos empregos para as empresas locais, e Palma e Mocímboa da Praia não servirão mais de bases para empreiteiras, como havia sido planejado anteriormente.

A ExxonMobil e a Total Energies deixaram claro que empreiteiras e subempreiteiras não podem trabalhar com “pessoas politicamente expostas” (PEPs) e empresas desse tipo, segundo a Africa Intelligence (23 de fevereiro). PEPs são funcionários do governo, políticos de alto escalão e seus familiares. Essa mensagem foi transmitida às empresas de serviços que concorrem a contractos e visa limitar custos e evitar envolvimentos políticos e corrupção. Isso inclui membros do sistema económico da Frelimo que esperavam usar contactos políticos para ganhar contractos. Também inclui a ENH (Empresa Nacional de Hidrocarbonetos), parceira no projecto.

A Africa Intelligence afirma que isso exclui a Tsebo Facilities Management (TFM), que esperava obter contractos. Um dos proprietários da TFM é Pascoal Mahikete Mocumbi, filho do ex-primeiro-ministro Pascoal Manuel Mocumbi.

Pascoal Mahikete Mocumbi também é director comercial da ENH desde 2020. Outro proprietário da TFM é a Videre, administrada pelos irmãos Mamadou Chivambo Mamadhusen e Dingane Abreu Mamadhusen, que são próximos da Frelimo e filhos do ex-ministro das Relações Exteriores e do Meio Ambiente, Alcinda Abreu.

A TFM tem fornecido refeições à Força-Tarefa Conjunta Ruandesa e Moçambique que defende a fortaleza de Afungi.
Também em Cabo Delgado, o governo perdeu oportunidades de criar empregos ligados às minas de grafite.

Para a mina de grafite em Balama, Cabo Delgado, a mineradora australiana Syrah firmou um acordo com a canadense NextSource para exportar o grafite para Abu Dhabi, onde será transformado em ânodos para baterias de carros eléctricos, que serão então enviados para o Japão.

Os ânodos não são de alta tecnologia e poderiam ser fabricados em Cabo Delgado, mas parece que nenhum oligarca tem interesse em instalar uma empresa de manufactura em Balama (Reportagens e Recortes de Notícias de Moçambique: Mozambique_663-9March2026_Harsh-economic-warnings.pdf

Gorongosa: Único programa no mundo eleva de 36 para 48 mestres de Biologia da Conservação em Moçambique

Doze jovens concluíram o Programa de Mestrado em Biologia da Conservação, com a duração de dois anos, no Parque Nacional da Gorongosa (PNG). Somados aos antigos 36 mestres, o recente número eleva para 48 mestres moçambicanos da área, nos últimos 8 anos.

O Programa de Mestrado oferece treinamento em Biologia da Conservação, Ecologia e Gestão Ambiental.

O programa de mestrado foi desenvolvido pelo Consórcio de BioEducação liderado pelo Parque Nacional da Gorongosa com três instituições moçambicanas de ensino superior, nomeadamente, Universidade Zambeze, Universidade Lúrio e Instituto Superior Politécnico de Manica, em parceria com a Universidade de Lisboa de Portugal.

O programa de mestrado é apoiado pelo Howard Hughes Medical Institute (HHMI), com sede nos Estados Unidos, e pelo Fundo de Desenvolvimento Institucional.

Os recentes 12 jovens mestres já graduaram na última segunda-feira, no PNG, fazendo cumprir os objectivos do único Programa de Mestrado em Biologia da Conservação no mundo gerido inteiramente num parque nacional.

“Hoje [segunda-feira, 02.03], realizamos a cerimónia de graduação do mestrado em Biologia da Conservação da Gorongosa. Doze moçambicanos que conseguiram um rigoroso curso de dois anos”, escreveu o Presidente da Fundação Greg Carr, Greg Carr, responsável pela gestão da Gorongosa.

Tal como os anteriores, estes novos mestres em Biologia da Conservação irão promover a conservação em Moçambique e no estrangeiro através do trabalho e do estudo contínuo.

Os estudantes aplicam directamente o conhecimento adquirido nos seus cursos em pesquisas práticas no Parque e na sua Zona de Desenvolvimento Sustentável para as suas dissertações de mestrado. Para tal, recebem uma bolsa integral do HHMI.

O Secretário de Estado em Sofala, Manuel Rodrigues; representantes da UniZambeze, da UniLúrio, do Instituto Superior Politécnico de Manica (ISPM); administrador do distrito de Gorongosa, Pedro Mussengue; membros do Consórcio de BioEducação, líderes comunitários, amigos e familiares foram alguns participantes da cerimónia de graduação dos novos mestres.

O Projecto da Gorongosa procura integrar a conservação e o desenvolvimento humano com o entendimento de que um ecossistema saudável irá beneficiar os seres humanos, que por sua vez serão motivados a apoiarem os objectivos do Parque Nacional da Gorongosa.

A investigação científica é parte integrante do plano de longo prazo para a restauração dos diversos ecossistemas da Gorongosa, porque o conhecimento ecológico aprofundado contribui para as decisões de gestão. Para tal, o Parque conta com o Laboratório de Biodiversidade E.O. Wilson, inaugurado em março de 2014, posicionando o PNG como um dos centros de investigação mais avançados de África.

O laboratório atrai investigadores nacionais, regionais e internacionais. Os cientistas que realizam investigação no Parque vêm das Universidades Eduardo Mondlane (UEM) e Lúrio (UNILÚRIO) em Moçambique, das Universidades de Coimbra e Lisboa em Portugal, da Universidade de Oxford na Inglaterra, e das Universidades de Harvard e Princeton nos Estados Unidos da América (EUA), bem como de muitas outras instituições.

Uma das funções mais importantes do Laboratório de Biodiversidade E.O. Wilson é proporcionar formação à próxima geração de cientistas moçambicanos através do Programa de BioEducação do Parque.

O laboratório acolhe um programa de estágio para jovens da Zona de Desenvolvimento Sustentável do Parque. Esses participantes a partir deste ano recebem bolsas de estudo para ensino superior. Enquanto isso, decorre a procura de financiamento para a construção do “hospital-escola” ou regional dentro do distrito de Gorongosa. (Muamine Benjamim).

 

 

 

Elevação canónica da nova Diocese de Caia é um marco de maturidade pastoral e de esperança

A elevação canónica da nova Diocese de Caia é um marco de maturidade pastoral e de esperança para os distritos de Caia, Chemba, Cheringoma, Marínguè, Marromeu (província de Sofala); Chinde, Luabo, Morrumbala, Mopeia (província da Zambézia); Tambara, Mutarara e Doa (província de Tete). Estes e outros pronunciamentos foram apresentados pela mandatária do Presidente da República de Moçambique, a ministra da Educação e Cultura, Samaria dos Anjos Filomena Tovela, numa cerimónia de erecção canónica e tomada de posse do primeiro bispo da nova Diocese de Caia, bastante concorrida, nesta última Quarta-feira do dia 25 de Fevereiro de 2025, na Vila autárquica de Caia e mesmo distrito.

Para a mandatária do Chefe do Estado Moçambicano, aquele acto traduz um reconhecimento de crescimento do espírito pastoral e abre Novas possibilidades de um acontecimento mais próximo das realidades sociais e sobretudo as realidades educativas dessas três províncias e reconhece que a igreja Católica tem um papel preponderante ao longo desses anos, na formação de Crianças, Jovens e adultos.

E também reconhece que durante anos de guerras, a Igreja Católica foi promotora da Paz e Reconciliação do povo moçambicano, para além da formação dos jovens nas diversas áreas profissionais. (Rosário Phoinde).

É mercenário do poder ou o poder faz tornar-te um perverso?

A questão que nos ocupa é profunda e complexa: são os indivíduos que se tornam mercenários do poder, ou é o próprio poder que os corrompe? A observação da realidade política e social revela que, infelizmente, muitos dirigentes, tanto políticos quanto não políticos, utilizam o poder de forma abusiva, como se fossem mercenários, em detrimento das vidas e do bem-estar dos outros.

O poder pode ser um factor de corrupção, levando indivíduos a priorizar os seus próprios interesses em detrimento do bem comum. A ambição e a ganância podem ser tão sedutoras que, uma vez que se tem um gosto pelo poder, é difícil resistir à tentação de o usar para benefício próprio.

No entanto, é também possível argumentar que os indivíduos que buscam o poder já possuem uma predisposição para a corrupção. Afinal, é raro encontrar alguém que se candidate a um cargo de poder com o objectivo de servir os outros, sem qualquer interesse pessoal.

A questão, portanto, não é apenas sobre o poder em si, mas sobre a natureza humana. O poder pode ser um amplificador das nossas tendências, tanto positivas quanto negativas. Se um indivíduo é corrupto, o poder o tornará mais corrupto ainda. Se um indivíduo é íntegro, o poder pode ser uma oportunidade para servir os outros.

A solução, então, não é eliminar o poder, mas sim criar mecanismos de controlo e equilíbrio que impeçam a corrupção e promovam a responsabilidade. É necessário que os líderes sejam escolhidos com base na sua integridade e na sua capacidade de servir os outros, e não apenas na sua ambição ou habilidade política.

Além disso, é fundamental promover uma cultura de transparência e responsabilidade, onde os líderes são responsabilizados pelas suas acções e onde os cidadãos são activos na fiscalização do poder. Só assim podemos criar uma sociedade mais justa e equitativa, onde o poder é usado para o bem de todos, e não apenas para o benefício de alguns.

E agora, és mercenário do poder ou o poder faz tornar-te um perverso?

UNIDADE NACIONAL: Ideal comprometimento contra exclusão e nepotismo

A unidade nacional é um valor fundamental em Moçambique, um ideal que busca unir os cidadãos em torno de um objectivo comum: o desenvolvimento e a prosperidade do país. No entanto, a realidade é que esse ideal está a ser comprometido pela exclusão e pelo nepotismo que impera nas instituições públicas e privadas, particularmente em relação aos nativos de certas regiões do país (tribalismo).

A questão não é apenas sobre a injustiça e a desigualdade que esses comportamentos geram, mas também sobre a perda de talento e potencial que isso representa para o País. Quando as oportunidades de emprego e nomeações são baseadas em relações pessoais e afiliações políticas, em vez de mérito e competência, estamos a privar Moçambique de líderes capazes e visionários.

A pergunta que se faz é: onde está a unidade nacional? Será que existe apenas para acomodar os familiares e amigos dos chefes e dirigentes políticos? Ou será que é um ideal que busca promover a igualdade e a justiça para todos os cidadãos, independentemente da sua origem ou afiliação?

A resposta é clara: a unidade nacional é um ideal que deve ser defendido e promovido, mas não pode ser usado como uma desculpa para justificar a exclusão e a marginalização de certos grupos. É necessário que os líderes e dirigentes políticos sejam exemplos de integridade e justiça, que promovam políticas e práticas que garantam a igualdade de oportunidades para todos, independentemente da sua origem geográfica ou afiliação política.

As nomeações e oportunidades de emprego e transferências não devem observar que estes são dos distritos de Nangade, Balama, Namuno, Angoche, Nacala-Velha, Lichinga, Cuamba, Lago, Dere, Chinde, Mupeia, Chemba, Maringue, Caia, Muanza, Mutarara, Dowa, Zumbo, Gondola, Manica, Guro, Cidade de Inhambane, Funhalouro, Guvuro, Chibuto, Xai-Xai, Limpopo, Boane, Cidade de Maputo e Manhiça. São apenas alguns exemplos.

A unidade nacional é um ideal que deve ser construído sobre a base da igualdade e da justiça, e não sobre a exclusão e o nepotismo. É necessário que os líderes e dirigentes políticos sejam conscientes da sua responsabilidade em promover a unidade nacional e em garantir que todos os cidadãos tenham acesso às mesmas oportunidades.

A unidade nacional é um reflexo da nossa capacidade de trabalharmos juntos, de respeitar as diferenças e de promover a igualdade e a justiça. Se não formos capazes de fazer isso, então o ideal da unidade nacional será apenas uma quimera, um sonho distante que nunca se realizará.

PROGRAMA DE DESENVOLVIMENTO DE MEIOS DE VIDA SUSTENTÁVEIS: Monitoria revela bons serviços integrados, mas ainda por coordenar

O Parque Nacional da Gorongosa, através de uma equipa multissectorial, está a visitar as comunidades beneficiárias do Programa de Desenvolvimento de Meios de Vida Sustentáveis, Sustainable Livelihoods Development Program  (SLDP), no âmbito da sua monitoria. A breve constatação é de bons serviços e impactantes localmente, mas é preciso fazer melhor do que ontem, o que significa melhor coordenação para objectivo comum: comunidades sustentáveis.

Nos seis distritos considerados Zona de Desenvolvimento Sustentável do Parque, nomeadamente, Gorongosa, Nhamatanda, Marínguè, Cheringoma, Dondo e Muanza, onde o SLDP é implementado, a equipa de monitoria escolheu estrategicamente apenas três, o distrito de Nhamatanda (localidade de Bebedo, Gorongosa (comunidade de Mucodza & Mapombue e Cheringoma (localidade de Mazamba).

A equipa multissectorial é composta pelo Director de Programas, Simião Mahumana; Gestor de Impacto, Edson Carneiro; Adjunta da Comunicação, Larissa Sousa; e o Gestor de subsídios, Aires Mavie, do Programa.

Pretende-se com a monitoria, interagir com os beneficiários do SLDP e partes interessadas; realizar verificação documental e de campo/factual das actividades relacionadas às despesas do SLDP no campo; trabalhar com os directores do GRP e as equipas de implementação para avaliar até que ponto as actividades do SLDP estão a contribuir para os resultados departamentais e globais do GRP; confirmar os beneficiários apoiados pelo SLDP e a sua visibilidade no campo; produzir evidências documentais e de trabalho de campo das actividades como treino de beneficiários, assistência técnica, aplicação de práticas, mudanças na vida das pessoas/famílias, verificar o nível de utilização das ferramentas do ciclo de gestão de projectos pelos implementadores, verificar o desempenho relativamente aos planos e relevância das estratégias e abordagens utilizadas.

 

O caso de Nhamatanda

A visita aos distritos decorreu inicialmente na última terça-feira, na localidade de Bebedo, distrito de Nhamatanda, sem Aires Mavie.

A interacção começou com Jaime Nguirate Buramo, que através da venda de sementes pretende aumentar com o seu armazém, mas devido a fraca produção aliada a mudanças climáticas dificultam-lhe. Desde 2002, este comerciante não pára de abastecer a localidade, e ganhou destaque em 2007 pela maior produção. O seu sonho é obter um financiamento.

Ainda sobre agricultura, a monitoria abrangeu alguns campos de produção agrícola do grupo liderado por Carlinda Daniel, para avaliar o ponto de situação dos beneficiários após receberem a primeira e a segunda semente antes e pós-inundações de dezembro de 2025, respectivamente. Neste momento, preparam-se para semear na segunda época.

Todas as actividades são coordenadas pelo Governo local. Com isso, a monitoria multissectorial incluiu uma breve avaliação do chefe da localidade e do técnico do Serviço Distrital de Actividades Económicas (SDAE), José Simão Saize e António Félix Nsona, os quais apontaram o impacto das actividades integradas do PNG: “Superam as espectativas”.

Ainda em Bebedo, Elias Carimo é um produtor líder e beneficiário das actividades do sector de nutrição do PNG. Num teste prático, ele provou que nem sempre consome água potável (fervida ou tratada com cloro, ou Certeza). Exemplo, quando lhe pediram água para beber, a família tirou do poço caseiro e directamente para o copo servido, quando devia ser ao contrário: tratar num outro recipiente antes do consumo. Além de mínimas noções de nutrição, através da produção de horticultura que deve ser para o consumo e uma parte à venda como forma de garantir dinheiro para suprir outras necessidades.

A monitoria terminou no povoado de Antoninho, dentro de Bebedo, no viveiro de produção de plantas nativas.

Na ocasião, o presidente do Comité de Gestão dos Recursos Naturais, Alberto Zacarias, apresentou o histórico do CGRN criado em 2009.

O CGRN de Bebedo foi criado em 2009 com poucos intervenientes, mas hoje, conta com 28 homens e 27 mulheres, 20 animadores, 15 facilitadores e 15 fiscais, responsáveis na sensibilização contra caça furtiva, queimadas descontrolada, poluição, roubo e contra os desobedientes das melhores práticas sustentáveis. Com isso, as más práticas tendem a reduzir.

Na transição de 2024 para 2025, o CGRN de Bebedo conseguiu transportar 27 mil mudas para cerca de 3 mil hectares.

Afinal, este ano, o CGRN ultrapassou as 30 mil mudas planificadas. Uma vantagem de seis. Mas devido às inundações de dezembro último, 17 mil mudas foram destruídas.

Contudo, os resultados do SLDP são encorajadores pelas actividades integradas com impactos do sector da saúde, educação, agricultura, além de construção de infra-estruturas resilientes nas comunidades.

O Director de Programas do PNG, Simião Mahumana, desafiou aos intervenientes do PNG para também se preocuparem com os resultados dos outros sectores. Ou seja, se numa actividade, notar-se uma situação que envolve outro sector, é preciso alertar o colega. Afinal, o que se pretende com a Fundação Greg Carr é tornar as comunidades sustentáveis. E a sustentabilidade envolve acções coordenadas.

Por vezes, a falha de um projecto não está apenas no financiamento, mas também na forma como os vários sectores coordenam para objectivo comum.

Os resultados do SLDP são encorajadores, mas “não deve se parar por aí. É preciso reforçar”, como dizia o gestor do SLDP, Edson Carneiro.

Nos dias seguintes, a monitoria continuou no distrito de Cheringoma (quarta-feira) e quinta-feira, no distrito de Gorongosa.

O SLDP centra-se na melhoria das condições socioeconómicas das comunidades da Zona de Desenvolvimento Sustentável, aplicando um financiamento de 20 milhões de Euros em 5 anos (2022-2027). O plano é abranger 45.000 beneficiários directos, dos quais 15.000 Produtores do Sector Familiar e 30.000 membros das comunidades alcançadas pelas campanhas de sensibilização em matérias de nutrição e Água, Saneamento e Higiene, Water Sanitation and Hygiene  (WASH). (MUAMINE BENJAMIM).

Chemba: Ensino secundário geral do 2.º ciclo chega à Mulima

O administrador de Chemba, Bento Conde Zeca, anunciou a introdução do Ensino Secundário Geral do 2.º Ciclo na Escola Secundária de Mulima, durante a cerimônia de abertura do ano lectivo de 2026, realizada na Escola Secundária de Chemba. A medida visa promover a educação e reduzir a distância que os alunos percorriam de Mulima para a Sede do distrito para concluir o nível médio geral.

“A introdução do Ensino Secundário Geral do 2.º Ciclo é um passo importante para aproximar os serviços de educação da população e garantir que os nossos jovens tenham acesso a uma educação de qualidade”, afirmou Bento Conde Zeca.

O Chefe executivo de Chemba também destacou a importância do Governo moçambicano ter introduzido no ensino uma disciplina de Educação Moral e Cívica, como forma de educar os alunos.

“A educação parte da casa e na escola os professores só fazem complementaridade. É importante que os pais ou encarregados de educação trabalhem arduamente para garantir melhor educação dos seus filhos”, aconselhou Bento Conde Zeca.

A Escola Secundária de Mulima funciona nas instalações da Escola Primária de Mulima. Afinal, as obras da Escola Secundária de Mulima estão abandonadas em 2020 e o empreiteiro continua impune enquanto os alunos e pais e encarregados de educação continuam esperançosos para usar aquelas salas. Muitos dirigentes já fizeram promessas para o término das obras, mas a verdade é uma: abandonadas.

Entretanto, o director distrital de Educação, Juventude e Tecnologia de Chemba, João Fernando Sadique Paulino, agradeceu o desempenho dos professores no ano passado e anunciou que alguns deles receberão prémios e distinções, incluindo colchões, baldes, jogos de pratos, ventoinhas, ferro de engomar, entre outros produtos, provenientes do apoio do projecto Mozlearnig, financiado pelo Banco Mundial para o Ministério da Educação e Cultura.

Já a directora anfitriã, Elsa José Figueiredo, apontou algumas dificuldades do sector: “falta de uma sala condigna para aulas de Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) e de sala e equipamentos para aulas práticas laboratoriais”. (ROSÁRIO PHOINDE).

Chemba precisa de 69.379 livros escolares

O distrito de Chemba, na província de Sofala, enfrenta uma carência de 69.379 livros de caixa escolar, segundo informações divulgadas na I sessão ordinária do Governo Distrital, realizada em janeiro do ano em curso.

Actualmente, existem 27.450 livros de caixa escolar disponíveis nas escolas.

O porta-voz do governo distrital da ocasião e director do Serviço Distrital de Actividades Económicas (SDAE), Cândido Patrocínio Zeca,  informou que o processo de distribuição de livros escolares em Moçambique está em andamento, com o Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano a trabalhar para garantir que todos os alunos tenham acesso a livros gratuitos até ao final do primeiro trimestre.

Em Chemba, o governo distrital apela à mobilização de todos os sectores para garantir que os livros sejam distribuídos às escolas e os alunos tenham acesso à educação de qualidade.

A falta de livros escolares é um desafio que afecta a qualidade do ensino e a aprendizagem dos alunos. (ROSÁRIO PHOINDE).

Mecanização reduz esforço de agricultores em Dondo

O Parque Nacional da Gorongosa e Resiliência Moçambique, através do Programa de Desenvolvimento de Meios de Vida Sustentáveis para Comunidades da Zona de Desenvolvimento Sustentável, Sustainable Livelihoods Development Program  (SLDP) entregou recentemente uma máquina multicultivadora a Associação Xiverano, de agricultores no distrito de Dondo, em Sofala.

O SLDP dá resposta aos desafios enfrentados pelos produtores das comunidades para garantirem a produção e produtividade agrícolas. Para tal, o Programa centra-se na melhoria das condições socioeconómicas das comunidades da Zona de Desenvolvimento Sustentável, aplicando um financiamento de 20 milhões de Euros em 5 anos (2022-2027). O plano é abranger 45.000 beneficiários directos, dos quais 15.000 produtores do sector familiar e 30.000 membros das comunidades alcançadas pelas campanhas de sensibilização em matérias de nutrição e iniciativas de Água, Saneamento e Higiene, Water Sanitation and Hygiene  (WASH).

Durante anos, a enxada tradicional foi o principal instrumento de trabalho, exigindo longas jornadas por baixo do sol e grande desgaste físico. Com a mecanização entregue no dia 24 de fevereiro do ano em curso, os agricultores passam a preparar a terra com maior rapidez e eficiência, podendo lavrar até um hectare por dia.

Isso significa mais área cultivada, maior produção e melhores perspectivas de rendimento.

Segundo a técnica do sector de agricultura da Resiliência Moçambique, Adelícia Porteiro, a mecanização surge como resposta à fraca produção e aos desafios enfrentados pelos agricultores locais.

“Constatámos que há baixa produção no que concerne às principais cadeias de valor do milho e do gergelim. Uma das formas de alavancar o projecto é garantir terra arável com produção visível, por isso, alocámos esta multicultivadora para acelerar a lavoura e aumentar o rendimento”, explicou.

A aquisição da máquina é na base de uma comparticipação de um valor total de 193.000 meticais. “Os produtores homens contribuem com 30% do valor (58.000 meticais), enquanto as mulheres e jovens beneficiam de uma taxa reduzida de 20% (38.600 meticais), promovendo maior inclusão feminina no sector agrícola”. O restante valor é responsabilizado pelo projecto.

No distrito de Dondo, a multicultivadora, além de beneficiar directamente o casal Ncembo, contemplado, a máquina poderá prestar serviços a outros agricultores mediante um pagamento acessível, criando uma pequena cadeia de rendimento local e estimulando a economia comunitária.

Movida a gasolina, My Mini MM658-Mitsubishi, ora entregue, é de fácil manuseio, adaptada às necessidades do produtor. E reduz o esforço físico comparado ao uso da enxada tradicional do cabo curto acoplada com gradagem e a charrua.

O responsável da Associação Xiverano e chefe do povoado de Chibuabuabua, Lucas Ncembo, também destacou o impacto da mecanização. “Sinto alegria em receber a máquina, porque cultivar uma área de quatro hectares com enxada era muito difícil. Agradecemos ao Parque porque nos ajudou bastante”, afinal, a máquina demonstra uma diferença com a enxada.

“Com enxada, meio hectare podia levar muito tempo. Com a máquina, o rendimento aumenta. Na segunda época vai nos ajudar muito, porque a terra já estará leve e o trabalho será mais rápido”.

Para António Pita, outro agricultor da comunidade, o equipamento representa motivação renovada. “Vimos que o Parque nos ajudou muito. Agora temos mais vontade de continuar com a agricultura, estávamos acostumados a cultivar com enxada, a máquina é muito rápida e eficiente”.

A Gorongosa, mais do que mecanizar a terra, é garantir o desenvolvimento, segurança alimentar e autonomia económica nas comunidades, demonstrando que o investimento em tecnologia agrícola pode ser um caminho concreto contra a pobreza e fortalecer os meios de vida das populações rurais.

O SLDP também está a contribuir para o reflorestamento e conservação da Biodiversidade no PNG e na sua Zona de Desenvolvimento Sustentável. (NARCÍSIO CANTANHA).

Jornal Profundus

Stay informed with curated content and the latest headlines, all delivered straight to your inbox. Subscribe now to stay ahead and never miss a beat!

Skip to content ↓