Dondo: Administrador desafia para gestão autónoma de projectos “chega de pedido”

Dondo, à semelhança de vários distritos, enfrenta desafios significativos no que diz respeito ao emprego juvenil, na província de Sofala. Muitos jovens terminam a formação académica ou técnico-profissional, mas com sérios problemas de trabalho. Tal como “Profundus” sugeriu em reflexão de 2024 a Nhamatanda sobre a necessidade de Porto Seco, o vizinho distrito avançou com a iniciativa: Porto Seco: Um olhar económico para Nhamatanda – Jornal Profundus

Em Moçambique, a falta de iniciativas próprias limita o acesso ao financiamento para impulsionar projectos que muitas vezes assemelha-se a doenças crónicas dependendo de doações.

Com o Porto Seco, na exportação há vantagem na admissão/recepção de mercadoria, pesagem de veículos, cargas e volumes, movimentação e armazenagem, unitização de carga, entrega de mercadorias à empresa contratada para transportar a carga após o desembargo aduaneiro.

Manipulação de mercadorias que encontram-se sob o regime de entreposto aduaneiro para embalagem, ré-embalagem, marcação, remarcação, numeração e renumeração de volume, conserto, reparo ou restauração de embalagem, adaptação e eventuais exigências do mercado externo.

Já na importação, o Porto Seco permite a conclusão do trânsito aduaneiro de exportação, oferece tomadas para conteineres refrigerados, admissão de bagagens desacompanhadas e de mercadorias sob regime de trânsito aduaneiro, pesagem de veículos, carga e volumes, movimentação e armazenagem de mercadorias.

Actualmente, diante de um cenário bastante disputado, as empresas, independente do ramo a actuar, têm de buscar inovações, serviços exclusivos, tratamento individualizado, dentre outros pontos para se destacarem no mercado competitivo.

 

O caso de Dondo

A ausência de indústrias de grande porte limita a absorção da mão-de-obra local, obrigando movimentos migratórios para outras cidades em busca de oportunidades. Nisso, a actividade informal é um refúgio, apesar de reduzir a perspectivas da económica local.

É neste contexto, o Porto Seco de Dondo em Sofala é visto como janela de esperança, podendo gerar empregos directos e indirectos, prestação de serviços, transporte, comércio, restauração, logística e pequenas e médias empresas ligadas à cadeia de valor dos projectos.

Durante a apresentação pública do megaprojecto na última sexta-feira no distrito do Dondo, o administrador distrital, Adamo Ossumane, reforçou a visão estratégica do Dondo.

“Não podemos continuar dependentes. É hora de produzirmos, implementarmos nossas próprias iniciativas e assumirmos os desafios para transformar o Dondo numa cidade económica.”

Entre os projectos em curso, esta o Porto Seco, na zona de Muzimbite, e o projecto de Águas Profundas, em Savane, ambos concebidos para impulsionar os megaprojectos na província de Sofala.

A implementação destas iniciativas visa criar empregos, melhorar a qualidade de vida e abrir oportunidades para empresários e agentes económicos emergentes.

“Queremos ouvir sirenes às 7 horas, ver os nossos jovens e mães a correr para os seus postos de trabalho, e às 17 horas regressarem às suas casas, como acontece nas grandes cidades. Temos recursos, temos força humana e capacidade. Precisamos de assumir este desafio”, acrescentou, reiterou Ossumane.

“Os primeiros beneficiários destes projectos somos nós. Se houver emprego, haverá salários ao fim do mês, melhores casas, filhos na escola e mais negócios a crescer”, concluiu.

Dondo projecta-se com a ambição de reduzir a dependência de doações, fortalecer o comércio e consolidar-se como referência económica regional, transformando o Porto Seco num símbolo de desenvolvimento sustentável e oportunidade para a população.

O Conselho de Ministros, através da resolução n.º 48/2025, de 4 de Dezembro, autorizou a negociação directa com os Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), para a implementação do projecto, em parceria com a empresa Union Portlink Capital Lda.

O projecto terá igualmente impactos económicos e sociais relevantes, para além de criação de empregos nas fases de construção e operação, atracção de indústrias exportadoras, redução dos custos de transporte e incremento das receitas do Estado ao longo dos 25 anos de concessão, com reversão do empreendimento ao Estado em 2052.

A medida é resposta aos principais desafios logísticos do Corredor da Beira, marcada por congestionamento portuário, longas filas de camiões na Estrada Nacional Número Seis (EN6) e atrasos operacionais.

A concentração de empresas prestadoras de serviços perto de portos, aeroportos, pontos de fronteira, cada qual tende a inovar. Assim, o caso de Dondo poderá possibilitar outros serviços diferenciados, como por exemplo, casas de aluguer, incentivo para outros serviços socialmente aceites mas que antes eram ignorados. Dai passarem a prestar de perto com tratamento exclusivo, qualidade, eficiência, redução de custos e nível de serviço elevado. Consequentemente, com os demais serviços haverá lucros e excelente desenvoltura e performance do seu cliente.

Actualmente, na EN6, cerca de 1.700 veículos entram diariamente ao Porto da Beira, passando pelo distrito de Dondo.

Os principais factores que fazem do Porto Seco um sucesso são os investimentos maciços em pessoas, acessibilidade, infra-estrutura, tecnologia, inovação e nível de serviço. Dondo tem essas capacidades e está a intensificar (geopolíticas).

As obras poderão iniciar a 1 de abril deste ano, com a duração de 12 meses, estando o início das operações previsto para 1 de maio de 2027. (Narcísio Cantanha e Muamine Benjamim).

“Caçador de feitiçaria” agita Mercado Municipal de Consito em Dondo

Um homem que supostamente exerce actividades de magia negra, popularmente curandeirismo, proveniente do norte de Moçambique, província do Niassa, agitou uma multidão com a prática de “caça à droga ou feitiçaria”, na passada sexta-feira, no Mercado Municipal de Consito, no distrito do Dondo, província de Sofala, centro do País.

O Mercado Municipal de Consito, uma infra-estrutura moderada com mais de 20 bancas fixas e lojas, regista há anos fraco movimento de clientes à procura de bens, situação que preocupa os vendedores, que se queixam da escassez de compradores.

Actualmente, o mercado resiste com cerca de três bancas e uma loja em funcionamento. Muitos ex-vendedores acusam um suposto chefe do mercado, também comerciante, de atrair clientes para si ou de contribuir para a falência de várias bancas, alegadamente por meio de práticas de magia negra.

Após o consenso entre os vendedores na busca de uma solução, o curandeiro realizou um ritual que consistiu em escavar a entrada do mercado e outros pontos considerados estratégicos de acesso, acompanhado por uma multidão de vendedores e curiosos.

“O objectivo era retirar uma suposta ‘droga’ ou feitiço que estaria a prejudicar o desenvolvimento das actividades comerciais neste mercado”, referiu o vendedor no local, Lisboa Sulemane, acrescentando que a “coisa” teria fugido em direcção ao Cemitério Santa Ana.

Horas depois, o curandeiro anunciou ter encontrado um recipiente com dinheiro nas proximidades de uma empresa de serralharia conhecida como “Serração dos Chineses”.

“Disseram que ele já tinha feito um trabalho no Mercado do Bairro 25, onde tirou uma cobra e saiu muito dinheiro. Aqui disse que vinha retirar uma droga escondida que faz com que os vendedores não se desenvolvam. Muitas bancas fecham porque as vendas são fracas”, afirmou Sulemane, que, embora tenha apontado a existência de um suposto responsável pela alegada prática, não identificou nomes, referindo apenas que seriam pessoas de fora a minar o mercado.

O chefe do Mercado Municipal de Consito no Dondo, António Njinga, confirmou que acompanhou o trabalho e explicou que o objectivo era esclarecer acusações que recaem sobre a sua pessoa.

“Havia comentários de que o mercado não se desenvolve por causa de ‘droga’ e que eu estaria envolvido. Chamámos o curandeiro para esclarecer isso. Cavou na entrada, depois na zona da estrada de Mandruzi, onde retirou um barro com dinheiro. Trouxe ao mercado e distribuiu. Recebi 200 meticais e outros receberam 50”, explicou.

À semelhança do Mercado Municipal de Consito, também o Mercado Municipal de Nhamaiabwe enfrenta dificuldades, embora existam projectos em curso para a sua dinamização, apesar de estar localizado num bairro de expansão.

A iniciativa deixou parte dos vendedores aliviados, embora o episódio tenha dividido opiniões entre crença e cepticismo. O caso reacende o debate sobre o impacto das crenças tradicionais na dinâmica comercial, num contexto em que muitos vendedores continuam a enfrentar dificuldades económicas no Mercado Municipal de Consito, no Dondo. (Narcísio Cantanha).

 

Governo de Muanza promove campanha de doação de sangue

O Serviço Distrital de Saúde, Mulher e Acção Social do Distrito de Muanza promoveu no último sábado uma campanha de doação de sangue, num acto solidário e de profundo compromisso com a vida.

A iniciativa surge na sequência da visita da administradora de Muanza ao sector da Saúde, onde constatou a carência de sangue, elemento essencial para salvar vidas humanas. Sensível à situação, após auscultar as dificuldades, sobretudo de natureza logística, como a necessidade de garantir refeição e suplementos básicos aos doadores, Maria Almija Pulseira disponibilizou bens materiais para viabilizar a realização da campanha.

“Quando estávamos a visitar o hospital, encontramos o défice de sangue, não havia sangue no hospital. E nós todos sabemos que não existe nenhuma fábrica de sangue, não tem sítio para comprar sangue. Queremos pedir a todos nós doarmos sangue. Quando nós doamos sangue, tem muitas vantagens, renova as nossas células do organismo, renova o funcionamento do coração e o bombeamento do coração, quando você diminui o sangue, ele bomba melhor. Por quê? Porque ele faz mais um pouquinho de esforço para melhorar, substitui o sangue que saiu. E quando ele faz isso, ele está a aumentar a capacidade de vida deste coração. Doar sangue é salvar uma vida, então vamos continuar com essa campanha em todo o distrito”, disse.

O que inicialmente era apenas uma preocupação identificada no terreno transformou-se em realidade. A jornada foi antecedida por momentos de ginástica, palestras de sensibilização, actividades culturais e peça teatral, que ajudaram a mobilizar a comunidade e reforçar a importância do gesto.

A directora do Serviço Distrital de Saúde, Mulher e Acção Social de Muanza, Rosalina Chivambo, reconheceu que a necessidade do sungue tem sido mais preocupante em períodos de festa devido às enfermidades, além de sinistralidades. “Procurem pelo Centro de Saúde mais próximo, doem sangue voluntariamente e com frequência para manter os estoques, especialmente em períodos festivos, quando a demanda aumenta”.

“Doar sangue é um ato de solidariedade, voluntário e muito importante para a saúde pública. Uma única doação pode salvar vidas, atendendo a emergências, cirurgias complexas e tratamentos de doenças crónicas. Como o sangue não pode ser fabricado, a doação regular é a única forma de que podemos garantir que os hospitais possam ter reservas suficientes para atender aos necessitados”, explicou o médico e doador do Centro de Saúde de Muanza-sede, Gilberto Camara. (João Almeida).

Tzu Chi Moçambique entrega hoje mais três escolas em Sofala

A Fundação de Caridade Tzu Chi Moçambique entrega, hoje, mais três escolas erguidas no âmbito do projecto Hope para apoio à reconstrução pós-ciclone Idai que afectou a província de Sofala em 2019. É uma cerimónia oficial que marca o arranque do ano lectivo.

Hoje, será inaugurada a Escola Básica do Esturro na cidade da Beira, a maior do ensino primário do país.

O chefe de Estado inicia, hoje, sexta-feira, a visita a província de Sofala, com enfoque a cidade da Beira e aos distritos de Muanza e Nhamatanda no quadro do acompanhamento directo da execução de infra-estruturas sociais e da avaliação das acções governamentais nos sectores da educação, do abastecimento de água e do saneamento básico. Amanhã, sábado, Daniel Chapo estará a inaugurar a Escola Secundária Geral (ESG) de Nhamatanda com novas 36 salas de aula, construída pela Fundação de Caridade Tzu Chi Moçambique.

A Escola Secundária de Nhamatanda, que passa a assumir o estatuto da maior escola secundária do país, será inaugurada amanhã, sábado, com a presença do Chefe do Estado, Daniel Chapo.

Com a de Nhamatanda, a Tzu Chi lidera em números de novas maiores infra-estruturas escolares no País, contando com a EPC Esturro (46 salas) a maior de Moçambique localizada na cidade da Beira a ser inaugurada hoje, além da já inaugurada em 2025, a Escola Secundária de Mafambisse, no vizinho distrito de Dondo com 58 salas.

Igualmente, hoje, na cidade da Beira, haverá entrega da Escola Secundária da Manga.

Também será entregue ao Governo a Escola Primária Completa 3 de Fevereiro, que deverá ser inaugurada oficialmente posteriormente, embora esteja já concluída.

“A cerimónia central, que contará com a Vice-Presidente Global da Fundação de Caridade Tzu Chi, Pi Yu Lin, vai decorrer na Escola Básica do Esturro, um empreendimento de mais de 4,8 milhões de dólares pela Fundação de Caridade Tzu Chi Moçambique na capital provincial de Sofala, Beira”, escreve a Tzu Chi em comunicado a que o “Profundus” teve acesso.

As três escolas estão inseridas num pacote mais amplo de apoio à reconstrução após a passagem do ciclone Idai pelo centro de Moçambique, uma iniciativa avaliada, no geral, em 108 milhões de dólares, disponibilizados pelos mais de 10 milhões de voluntários desta organização espalhados pelo mundo.

À luz de um memorando assinado em 2019 com o Governo moçambicano, o projecto previa a construção de um total de 23 escolas, 17 das quais já concluídas, e cerca de três mil casas, também já concluídas no distrito de Nhamatanda, província de Sofala. Estas infra-estruturas foram construídas no sistema `Build Back Better, capazes de resistir a ciclones do tipo 4, de ventos de cerca 250 quilómetros por hora, numa região moçambicana ciclicamente afectada por ciclones.

Em novembro de 2025, o projecto “Hope” venceu o prémio de sustentabilidade corporativa na edição de 2025 do “Asia-Pacific Sustainability Action Awards” (APSAA)”, um evento da “Taiwan Corporate Sustainability” que reconhece anualmente iniciativas internacionais que se destacam pelo impacto e relevância.

Fundada no país em 2012, a Tzu Chi tem reforçado a sua actuação em Moçambique desde 2019, após o ciclone Idai, tendo já apoiado mais de 100 mil famílias em projectos ligados aos sectores de educação, reassentamento, saúde e segurança alimentar, sobretudo na região centro. (Muamine Benjamim).

Pai condenado a 8 anos de prisão por violar sexualmente a filha de 15 anos em Gorongosa

O Tribunal Judicial de Gorongosa, condenou hoje João Simbe Ndaipa, popularmente Djasta, a 8 anos de prisão pelo crime de outros actos sexuais com menores. É ordenado a pagar 30.000 meticais pelos danos que teria causado a vítima, e 1.000 meticais de momentos judiciais a favor do defensor oficioso.

Tudo teria iniciado em 2025, quando Djasta, aproveitando-se da ausência da sua esposa, que actualmente reside em Malawi, ordenou a sua filha Sheila de 15 anos, passar a dormir no quarto do pai, tendo a vítima exigido como condição de que o seu irmão mais novo também dormisse no mesmo quarto.

O pai aceitou a exigência da filha, passaram a dormir os três na mesma cama. Mas do sono profundo do filho menor, Djasta fazia acordar a vítima para manter as relações sexuais três vezes e sem protecção por noite. Mais desenvolvimento no semanário Profundus. (Ana Cleta de Lopes Coimbra).

QUITÉRIA ARMANDO DECRESSE: Menor desaparecida em pleno “Dia dos Heróis” em Nhamatanda

Quitéria Armando Decresse menor de 2 anos e 3 meses, é a segunda sorte do casal Armando. Desapareceu em plena luz do Dia dos Heróis Moçambicanos, 3 de Fevereiro, às 9 horas, dentro do 9.º bairro – Eduardo Mondlane, vila municipal de Nhamatanda, depois dos seus pais saírem à procura de lenha e carvão.

Naquele dia, Quitéria Armando Decresse estava sem blusa, usava saia de cor preta e chinelos de cor branca. Também brincava com uma capulana cortada, na mesma Unidade B, onde reside.

“Eu tinha ido em busca de carvão no forno. Quando regressei a casa não encontrei a minha esposa e a minha criança. Esperei um pouco, a minha esposa apareceu e perguntei onde estava a criança, ela garantiu que estava a brincar com os amiguinhos”, contou o pai Armando Decresse.

“Levei os sacos de carvão para fazer a entrega ao cliente. Quando estava a regressar, no caminho, cruzei com um vizinho que me perguntou se eu tinha informação através da minha esposa”. Afinal, já estavam à procura da criança.

“Quando perguntei onde brincava a criança, disseram-me que estava no fontanário [localizado no centro da zona]. De repente começou a chorar”, procurando pelos parentes, mas a mãe já tinha saído à procura de lenha.

“Deixamos a Quitéria em casa da vizinha ao lado do fontanário. A nossa criança está um pouco crescida em relação a outra de 1 ano com quem ficou a brincar”. Era hábito, mesmo quando um dos vizinhos quisesse sair, confiava no outro para o cuidado dos menores.

Acontece que naquele dia, as duas esposas vizinhas saíram juntas à procura de lenha. A busca pelo material para confeccionar alimentos não demorou, mas quando as mães regressaram, Quitéria já não estava entre as crianças que brincavam na principal rua da zona.

O facto já é do conhecimento do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) e Polícia da República de Moçambique (PRM). Também estão de olhos.

O pai da desaparecida recorreu a uma rádio para anunciar, cobraram-lhe 300 meticais. Faria também na outra rádio, mas já não tinha dinheiro para pagar.

Os vizinhos dizem que nada viram.

Apesar de ter residências, o ambiente verdejante por se tratar de época de produção agrícola, fecha de alguma forma a visibilidade local, além de vários caminhos que possibilitam entrada e saída do bairro sem devido policiamento para o acesso à Estrada Nacional Número Seis (EN6).

A AMETRAMO dentre as várias descrições, culpa “Rosa Nhaminisse e Folho Armando Albino que levaram a menor”.

No documento na posse do “Profundus”, AMETRAMO alega que a família da vítima assistiu na Sede da Associação o desenrolar de “tudo aquilo que aconteceu com a menor”.

O documento da AMETRAMO datado de 8 de fevereiro de 2026, cinco dias depois do desaparecimento da criança, é uma resposta das autoridades comunitárias ao solicitarem a sua intervenção. Mas sucede que depois dos nomes apontados, o medo de acusar as pessoas sem provas materiais pairou, portanto, sem intervenção dos homens da lei.

 

Medo instalado

O secretário do 9.º bairro – Eduardo Mondlane, Sozinho Creva Chapo, confirmou o medo com o desaparecimento da menor.

O secretário questiona-se como desapareceu a criança “dentro da comunidade com pessoas de perto”. Para o bairro, é o primeiro caso de desaparecimento de uma criança.

Completando uma semana do desaparecimento da menor, a liderança comunitária reuniu-se na última terça-feira, juntando os residentes daquela zona, para sensibilizar a todos estarem preocupados na vigilância contra desordem, garantindo a paz. O medo mantem-se.

 

Vulnerabilidade de segurança

Nhamatanda é um distrito da província de Sofala, na região central de Moçambique, com sede na Vila de Nhamatanda. Tem limite, a norte com o distrito de Gorongosa pela Estrada Nacional Número Um (EN1) que liga ao Norte e sul de Moçambique, a leste com o distrito do Dondo pela EN6 e mais adiante está a cidade portuária Beira; a sul com o distrito do Búzi, limítrofe com a região sul de Moçambique; a noroeste com os distritos de Chibabava e a oeste com o distrito de Gondola da província de Manica. Portanto, tem muitas vias de acesso terrestre.

A leste da vila de Nhamatanda está o bairro onde residia e desapareceu a criança, com fácil acesso da EN6 na zona depois da portagem. Onde dá acesso antes da portagem, para quem sai da cidade da Beira, desviando internamente em Nhamatanda pode sobressair pelo 5.º bairro – Eduardo Mondlane, passando pela zona do cemitério, conectando-se a EN6 na zona do Complexo 2020 via Inchope – limite com a província de Manica. Está em causa a segurança terrestre da vila municipal, do 9.º bairro aos restantes bairros.

No bairro onde desapareceu a criança, existe um policiamento comunitário sem mínimo equipamento de segurança, apenas para o ladrão de pato ou lâmpada. Mas a noite, de carro, passa a madeira, tal como os carros com vidros fumados, afinal, é possível escapar a Polícia Trânsito e portagem localizados no “coração” e no fim da vila de Nhamatanda respectivamente, pela EN6, em direcção aos distritos vizinhos, Dondo e Beira. (Muamine Benjamim).

Água não sai há 5 anos, mas facturas mensais ainda cobram no Consito – Dondo

Os moradores das Unidades A e B, quarteirão 5, do bairro Consito, na cidade municipal de Dondo, província de Sofala, denunciam o corte de fornecimento de água potável há cerca de 5 anos. Mesmo assim, os denunciantes são cobrados através de facturas mensais.

Um documento na posse do “Profundus”, emitido em dezembro de 2025, expõe uma cobrança de factura de mais de 500 meticais.

Só no bairro Consito, a situação afecta mais de mil clientes. Uma gota de água da torneira passou a ser ouro, gerando sofrimento e indignação entre as famílias afectadas. Mesmo que o acesso à água potável seja um direito.

Entre a factura e a realidade pela procura de água, está o drama de recorrer a fontes alternativas, com destaque para fontenários e poços, muitas vezes inseguros para o consumo humano. A escassez de água compromete gravemente a higiene, a saúde pública e a qualidade de vida, com altos riscos de contaminação.

“Vivemos esquecidos. Água é um direito, não um luxo. Já estou há 5 anos sem sair água na torneira, mas as facturas continuam a chegar mesmo sem consumir. Já procurei saber o que se passa e até hoje não tive resposta. Não sei onde recorrer. As pessoas que trazem as facturas dizem para pagar primeiro e depois reclamar”, desabafou Luísa João, que, no calor da frustração, decidiu tomar medidas: “já pedi ao meu filho para retirar a torneira aqui em casa”.

“A água para o consumo, vamos buscar nos fontenários. Não é fácil, porque somos muitos e carregamos bidões”, lamentou Luísa João, apelando parta intervenção urgente no abastecimento do escasso líquido.

O líder do bairro Consito, João Caetano, um dos afectados, afirmou que o problema já foi reportado ao Fundo de Investimento e Abastecimento Público de Água (FIPAG) e ao Conselho Municipal do Dondo, mas até ao momento não houve solução.

“Temos as Unidades A e B, quarteirão 5, onde não sai água na torneira há cinco anos. Esta é uma inquietação que já levámos ao FIPAG, com conhecimento do Conselho Municipal do Dondo, e até hoje não há resposta. Os utentes precisam de água para o seu uso diário, mas estão preocupados com este cenário”, explicou.

Além da falta de abastecimento, outro factor que revolta os consumidores é a constante emissão de facturas mensais. “O munícipe vai à empresa e não tem uma resposta satisfatória. O que incomoda é ter torneira sem sair água e, mesmo assim, receber facturas. As famílias são obrigadas a recorrer aos fontenários ou mesmo a poços para obter o precioso líquido”, lamentou o líder do bairro.

O bairro dispõe apenas de oito fontenários em funcionamento para cerca de 1.500 famílias residentes, insuficiente para suprir a procura.

Reacção do Município de Dondo

O vereador de Salubridade Urbana e Meio Ambiente no Conselho Municipal do Dondo, Manuelinho Alface, explicou que o município está em contacto permanente com a empresa fornecedora para encontrar uma solução e garantir que as famílias tenham água potável nas torneiras.

O vereador afirmou ainda estar preocupado com a exposição inadequada da caixa de conduta do FIPAG, no Mercado Central do Dondo, próximo aos semáforos. “Como município do Dondo, vínhamos a observar as tampas fechadas há vários anos. Na semana passada foi possível constatar a abertura de um ponto de convergência da conduta da FIPAG, causado por uma viatura que bateu na tampa. Verificámos água turva e muita sujidade, o que gerou preocupação.”

“Sendo propriedade do FIPAG, nada poderíamos fazer sem contactar a empresa. Ao município cabia remover o lixo e retirar as águas negras. Neste momento, a FIPAG já foi contactada. O que nos chega é que a empresa está a estabelecer diligências, posso assegurar que existem duas forças — o Município do Dondo e a FIPAG — empenhadas em trazer uma solução ao problema ou mesmo proceder ao fecho da caixa”, concluiu.

 

Reacção do FIPAG

A pedido de contraditório como um dos princípios jornalísticos, o Ministério das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, através de Águas de Moçambique, Instituto Público (AdeM,IP), em Sofala, inicialmente partilhou um comunicado de “restrições no abastecimento de água à cidade da Beira”:

AdeM,IP informa aos seus utentes e ao público que as “chuvas que se têm registado na Região Centro estão a afectar a qualidade da água bruta, resultando no aumento dos níveis de turvação na captação de Ding Ding, o que obrigou à redução da captação, por forma a garantir os níveis de potabilidade de água distribuída”.

Entretanto, este documento é de 2026, ou seja, foi emitido no dia 14 de janeiro deste ano, mas os queixosos denunciam o problema que já tem “barba branca” dos últimos 5 anos.

Continua o documento. “Esta situação tem como impacto a redução dos volumes de distribuição de cerca de 50.000 m³/dia para aproximadamente de 42.000 m³/dia, criando restrições no abastecimento de água em alguns bairros da cidade da Beira, bem como nos extremos da rede”.

“Paralelamente, foi identificada uma fuga numa conduta de transporte de água bruta, provocada pela pressão elevada associada ao aumento do caudal e pela instabilidade do terreno resultante das chuvas intensas. A intervenção para a reparação desta conduta serra realizada logo que os níveis de água na captação baixem e as condições de segurança estejam reunidas, de modo a permitir a actuação eficaz das equipas técnicas”, termina o comunicado, pedindo a compreensão dos utentes e ao uso responsável durante este período, e assegura que as equipas técnicas continuam a trabalhar no sentido da normalização progressiva do abastecimento de água.

O sector de comunicação da AdeM, IP garantiu uma entrevista, mas até ao fecho desta redacção não o fez, carecendo de “autorização”.

As perguntas que não querem calar: como se justifica a cobrança sem jorrar água há 5 anos? Quando começar a jorrar, qual será a regra aplicada aos que já pagam mesmo sem água?

Os afectados chegam a se questionar se se trata de um erro ou simplesmente “bolada” como dizem na gíria.

Contudo, entre o silêncio institucional e cobranças permanentes, está o descontentamento de quem paga só por ter os ferros da torneira na sua casa. (Narcísio Cantanha).

 

GORONGOSA: 280 famílias vítimas de inundações recebem 3.080 kgs de sementes de milho e feijão

A FOOD FOR THE HUNGRY MOZAMBIQUE em coordenação com o Governo de Gorongosa entregou 1.680 quilogramas de sementes de milho, 1.400kg de sementes de feijão Nhemba e 306 enxadas às famílias mais afectadas pelas chuvas no distrito. Os beneficiários são residentes da localidade de Púnguè e comunidades de Pavoa, Mbulaua, Madzimachena, Nhamissongora, Matacamachaua, Magoe, Nhambondo, Nhandoa e Chitunga.

Cada família recebeu 6 kg de semente de milho, 5kg de feijão nhemba e uma enxada.

Ao todo, na província de Sofala, através da FOOD FOR THE HUNGRY MOZAMBIQUE, estão a ser assistidas 708 famílias nos distritos de Nhamatanda, Caia, Dondo e Gorongosa, num investimento de cerca de 100 mil dólares (cerca de 6.400.000 de meticais).

A FOOD FOR THE HUNGRY MOZAMBIQUE também apoiou noutras zonas, incluindo o material básico de reconstrução.

A recente entrega das sementes decorreu no distrito de Gorongosa.

Na ocasião, o gestor da FOOD FOR THE HUNGRY MOZAMBIQUE, em Sofala, Alberto Dança, explicou que “sentiu-se comovida em ajudar os afectados pelas chuvas, e deu uma resposta imediata. Com isso, espera que “as famílias possam aproveitar a segunda época e reduzir os danos causados pelas chuvas”.

O administrador de Gorongosa, Pedro Mussengue, garantiu que existe stock, apesar das chuvas que destruíram alguns campos de produção agrícola. O distrito ainda mantem a sua representação de ser o celeiro da província.

Neste momento, decorre o levantamento das áreas perdidas, disse Mussengue, reconhecendo que o apoio com sementes e enxadas “significa muito para o distrito para minimizar o sofrimento das famílias”, por isso, apelou aos beneficiários a “usarem as sementes para os objectivos pelos quais foram entregues, não para outros fins.

“Perdemos quase tudo, não sabíamos como recomeçar a vida, mas recebi semente de milho, feijão nhemba e uma enxada”, descreveu o beneficiário Domingos Mungane, louvando o apoio. “Vou trabalhar para recuperar o que perdemos e minimizar a fome”, garantiu.

Lembre-se que durante as chuvas intensas no final de dezembro último, um casal ficou cercado pelas águas do rio Vunduzi, povoado de Bangorangoma, na localidade de Cudzo. Sentado sobre uma pedra grande entre a correnteza do rio, quase 24 horas depois, o Governo, com o apoio de um helicóptero da Coutada 11, conseguiu resgatar o casal com vida, no dia 26. (Ana Cleta de Lopes Coimbra).

CABECILHA CHINÊS E MOÇAMBICANO: Acusados de incendiar loja para eliminar concorrência no mercado  

Dois cidadãos, um de nacionalidade chinesa e outro moçambicano, foram detidos na última sexta-feira, na cidade de Maputo, na zona do Zimpeto, por envolvimento nos crimes de danos, incêndio, associação criminosa e outros actos, após alegadamente terem incendiado um estabelecimento comercial para eliminar concorrência no mercado.

Segundo o porta-voz do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), João Adriano, os factos remontam à madrugada do dia 26 de novembro de 2025, quando os dois suspeitos um moçambicano e um chinês, terão recorrido a artefactos de fabrico caseiro, vulgarmente designados por bombas caseiras, para incendiar um estabelecimento comercial pertencente a outro cidadão chinês, vocacionado à venda de equipamentos electrodomésticos e produtos alimentares.

A acção criminosa terá sido planificada com o objectivo de eliminar a concorrência no mercado, sendo que um dos cidadãos chineses detidos é tido como o mandante do incêndio.

Conforme o SERNIC, o mesmo terá contratado o cidadão moçambicano, que por sua vez subcontratou outros indivíduos para a execução do crime.

O incêndio colocou em perigo os trabalhadores do estabelecimento, que se encontravam a dormir numa residência anexa, bem como os guardas em serviço naquela noite, configurando, segundo as autoridades, crimes de perigo comum, crime ambiental e crime de dano, previstos e punidos nos termos do Código Penal moçambicano.

Na detenção dos dois suspeitos, foram apreendidas três armas de fogo, das quais duas supostamente de defesa pessoal e uma caçadeira, todas encontradas na posse do cidadão chinês tido como cabecilha.

As autoridades manifestaram preocupação pelo facto de o referido indivíduo ter sido encontrado com várias licenças de porte e uso de armas, estimadas em cerca de oito, situação que levanta dúvidas quanto à sua legitimidade.

“O nosso trabalho, enquanto investigadores criminais, passa agora por aferir, junto das entidades competentes, a legalidade dessas licenças, uma vez que podemos estar perante indivíduos altamente perigosos para a nossa cidade e para o nosso país”, afirmou o porta-voz do SERNIC.

O SERNIC continua a fazer diligências para capturar os criminosos envolvidos para a sua responsabilização. (Profundus).

HOMENAGEM AO CIENTISTA MARC STALMANS: Gorongosa atribui bolsas de estudos para ensino superior a 48 jovens das comunidades

A Bolsa Marc Stalmans para a Ciência irá apoiar, ao longo de 16 anos, um total de 48 estudantes moçambicanos, da Zona de Desenvolvimento Sustentável (ZDS) do Parque Nacional da Gorongosa (PNG). Com início em 2026, já existem quatro candidatos admitidos, para quem as finanças deixaram de ser uma barreira para alcançar os seus sonhos.

Do outro lado, a Gorongosa, igualmente, através de parceiros mantem as bolsas de estudos para adolescentes no ensino secundário.

 

Onde começa o segredo?

O segredo está na inspiração do falecido Dr. Marc Stalmans. Esta bolsa visa apoiar e inspirar uma nova geração de cientistas comprometidos com a conservação, o rigor científico e a missão de longo prazo da Gorongosa, promovendo uma ciência ao serviço da natureza e das comunidades, e reforçando o papel do Parque como um centro de conhecimento, inovação e liderança em ciência da conservação em África.

Como forma de honrar e perpetuar o legado de excelência científica e conservação, baseado em evidência e inspiração humana, deixado pelo falecido Director de Ciência do Parque Nacional da Gorongosa, Dr. Marc Stalmans, o Projecto de Restauração da Gorongosa anuncia a criação da Bolsa Marc Stalmans para a Ciência.

“A dedicação plena do Dr. Marc Stalmans à conservação e à investigação científica marcou profundamente a vida de inúmeros colegas, estudantes e estagiários”, escreve a Gorongosa.

“A sua paixão, rigor e visão enquanto Director de Ciência do Parque Nacional da Gorongosa foram determinantes para transformar o Parque num centro de referência global na protecção da biodiversidade, inspirando gerações a seguir carreiras na ciência e na conservação”.

A criação desta bolsa anual, que leva o seu nome e se destina a apoiar estudantes moçambicanos, resulta de um esforço conjunto com a família do Dr. Marc Stalmans para perpetuar um legado que alia ciência de excelência, compromisso humano e impacto duradouro.

A Gorongosa recorda com particular significado as palavras do Dr. Marc Stalmans, que continuam a orientar a visão da Gorongosa: “Uma parte essencial do nosso trabalho é melhorar a vida das pessoas que vivem em redor do Parque porque muitos dos problemas de exploração excessiva dos recursos naturais que ameaçam a biodiversidade estão ligados à pobreza e à falta de conhecimento. O nosso foco no desenvolvimento económico e na educação das comunidades locais é um factor-chave para qualquer sucesso que tenhamos alcançado. Esperamos que o nosso modelo que integra a conservação e a sustentabilidade com o desenvolvimento socioeconómico da população possa servir de inspiração para outros países africanos.”

Anualmente, quatro jovens provenientes da Zona da ZDS do PNG, nomeadamente, Gorongosa, Nhamatanda, Maringue, Cheringoma, Dondo e Muanza, sendo finalistas do estágio no Departamento Científico, irão beneficiar de financiamento para bolsas de estudo para frequentar instituições nacionais do ensino superior.

A Bolsa Marc Stalmans para a Ciência irá apoiar, ao longo de 16 anos, um total de 48 estudantes moçambicanos. Assim, nos primeiros 4 anos não haverá graduações, seguindo-se quatro graduações por ano durante 12 anos, culminando em 48 licenciados formados, um investimento estruturante no capital humano, científico e comunitário de Moçambique.

Os financiadores desta iniciativa são a Senhora Bryn Freedman (EUA) e a Fundação Greg Carr, aos quais o “Projecto de Restauração da Gorongosa expressa o seu profundo agradecimento pela visão, generosidade e compromisso com a ciência, a educação e o futuro do país”.

O Dr. Marc Stalmans morreu aos 66 anos, no dia 30 de agosto de 2025, por causa natural dentro do PNG.

Dr. Marc Stalmans nasceu e cresceu no Congo, na África Central. Aos 15 anos, a família voltou para a Bélgica, onde terminou o ensino médio e foi para a universidade.

Depois de se formar como engenheiro florestal e completar um ano de pós-graduação em saúde e produção de animais tropicais, emigrou para a África do Sul em 1984. Desde então, trabalhou em organizações de conservação da natureza e concluiu um mestrado em Botânica e um doutoramento em Ecologia da Paisagem.

Desde 2001 trabalhava como consultor independente em conservação. Em 2006, pediram-lhe para avaliar a capacidade de carga dos herbívoros do novo santuário da Gorongosa. Isso o levou a vários outros estudos ao longo dos anos, incluindo um mapa das paisagens do Parque. No início de 2012, foi nomeado Director dos Serviços Científicos do Parque.

O papel do Dr. Marc Stalmans era de coordenar a pesquisa científica que acontece no Parque, quer pela equipa, quer pelos outros cientistas e estudantes. Os resultados destes estudos são utilizados para orientar a gestão do Parque tanto a curto como a longo prazo. Uma pequena divisão, mas interactiva com muitos outros cientistas e estudantes, de Moçambique e de outros países.

O departamento também aconselha sobre o planeamento do turismo usando informações que colectadas sobre a ecologia e a biodiversidade do Parque para aumentar o turismo, minimizando os impactos negativos sobre o meio ambiente.

Outra prioridade é documentar a tremenda biodiversidade do Parque, um esforço conduzido pelo Laboratório de Biodiversidade E.O. Wilson em Chitengo. O programa de Educação Científica, destinado a desenvolver a próxima geração de especialistas em biodiversidade e ecologistas moçambicanos, é uma das áreas prioritárias.

Tendo estado envolvido no projecto de restauração desde 2006, Dr. Marc Stalmans começou a apreciar o tremendo dinamismo na Gorongosa e no projecto de conservação. A própria natureza está a voltar de forma espantosa. O parque e a sua fauna bravia são extremamente produtivos. Gorongosa é também um Parque Nacional extraordinariamente diverso, abrangendo uma vasta gama de habitats desde os picos da Serra da Gorongosa até à bacia do Lago Urema.

Portanto, os futuros cientistas têm a missão de inspirar outras gerações e projectar a Gorongosa, através de acções de impacto nas comunidades, estrategicamente, numa fase em que o Projecto de Restauração da Gorongosa quer iniciar a construir um “Hospital escola”. Afinal, estes jovens encontram um campo preparado para não só descobertas científicas, mas também a fazer valer o legado de Dr. Marc Stalmans. (Muamine Benjamim).

Jornal Profundus

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