Livro de Chapo “Do Cativeiro à Presidência” mobiliza leitores em Dondo

A obra “Do Cativeiro à Presidência”, da autoria do Presidente da República de Moçambique, Daniel Chapo, está a despertar forte interesse entre os leitores no município do Dondo, província de Sofala, zona onde cresceu.

A edição única, com milhares de exemplares, composta por 16 capítulos, retracta o percurso da vida do Chefe do Estado, da infância à sua ascensão à Presidência da República.

No livro, a narrativa faz uma resenha do passado, descrevendo o seu nascimento no distrito de Cheringoma, vila de Inhaminga, incluindo os momentos difíceis vividos durante a guerra dos 16 anos e episódios marcantes como o sequestro.

A obra aborda igualmente a sua permanência em Marínguè e o posterior regresso com a família ao distrito de Dondo, onde prosseguiu os estudos que moldaram o seu percurso académico e político.

No distrito de Dondo, estão disponíveis cerca de 40 livros, que têm atraído leitores interessados em conhecer, em primeira mão, os desafios e conquistas que marcaram a trajectória do actual Presidente da República, Daniel Chapo.

Mais do que uma simples autobiografia, “Do Cativeiro à Presidência” apresenta-se como um testemunho de superação, resiliência e liderança, inspirando jovens e adultos a acreditarem que, apesar das adversidades, é possível transformar dificuldades em oportunidades e trilhar um caminho de sucesso ao serviço da nação

O administrador do distrito do Dondo, Adamo Ossumane, considera que a chegada da obra representa um momento simbólico para a população local.

(Da esquerda à direita) Os primeiros dois juntos, administrador de Dondo, Adamo Ossumane, e edil de Dondo, Manuel Chaparica, depois de adquirirem o “Do Cativeiro à Presidência”

“Como distrito, é motivo de grande satisfação. Testemunharmos a venda do livro do nosso Chefe de Estado. É uma obra que carrega um significado histórico que pode despertar a atenção da nossa juventude, mostrando que a vida é feita de sacrifício e determinação.”

Afinal, “o Presidente passou por momentos muito difíceis, conforme retracta o livro. Essa trajectória deve ser uma fonte de inspiração para os jovens, para saberem que, com esforço e perseverança, é possível alcançar grandes objectivos.”

Por sua vez, o presidente do Conselho Municipal do Dondo, Manuel Chaparica, e antigo professor do ensino secundário de Daniel Chapo, manifestou sentimento de orgulho ao ver um ex-aluno a assumir a liderança da nação.

“É motivo de gratidão saber que foi meu aluno e que hoje é o nosso dirigente máximo. Este é o papel do professor: transmitir conhecimento que depois se multiplica e ganha robustez. Vale a pena formar bons estudantes e pessoas dedicadas à vida.”

Chaparica ensinou a quem hoje assume a liderança do País, onde uma parte dele (cidade do Dondo) o tal professor já assume o cargo de edil.

A venda do livro em Dondo reforça a ligação histórica entre o Presidente da República de Moçambique e o distrito do Dondo, que marcou uma parte importante do seu percurso pessoal e académico.

Outro destaque da iniciativa é a solidariedade, uma vez que as receitas das vendas serão revertidas a favor das vítimas das cheias. Só no primeiro dia foi possível arrecadar 22 mil meticais. (Narcísio Cantanha).

Obras de pavimentação no bairro “Vip” são ofertas do sector privado – reage edil de Dondo

O edil do Dondo, Manuel Chaparica, esclareceu que a recente obra de pavimentação de ruas no bairro Sigi, no centro da cidade, onde também está a residência da mãe do actual Presidente da República de Moçambique, Daniel Chapo, assim como a rua do bairro Consito que dá acesso ao campo Municipal é sim de uma iniciativa de oferta de um empresariado do sector privado.

Chaparica reagiu a um vídeo que circulou em alguma imprensa, no qual alegava que o Conselho Municipal do Dondo estaria a favorecer determinadas ruas onde estão “altas individualidades”, em detrimento de outras, gerando controversos e questionamentos sobre os investimentos públicos.

Em reacção a estas declarações, Manuel Chaparica assegurou tratar-se do resultado de uma parceria com uma empresa que decidiu investir na pavimentação com recursos próprios.

“É uma parceria que temos com a empresa Gomes. Ela acordou connosco, usando seus recursos e sua capacidade financeira, e decidiu pavimentar o bairro Sigi, que é o bairro central e faz parte de uma área residencial de melhor qualidade”.

O edil de Dondo incentiva mais investimentos do género para o desenvolvimento autárquico.

Segundo Chaparica, “foi uma oferta que recebemos e consideramos muito positiva. Hoje, quando passamos por lá, toda a gente está feliz. É isso que queremos, que mais empresas venham investir”, considerando que a edilidade está a buscar mais parceiros que queiram apoiar em outras vias que carecem de intervenção urgente”.

Para a edilidade, não há qualquer intenção de priorizar as ruas por interesse de residências específicas. “Não precisamos de olhar de forma negativa quando alguém melhora a sua zona ou área. Vamos olhar com bons olhos qualquer iniciativa de investimento no município do Dondo”, exortou aos críticos.

Num simbolismo de convite para mais investimentos em Dondo, Chaparica chama aqueles que tiverem condições, “que venham investir. E isso é muito positivo para o desenvolvimento da cidade, embora haja esforços da edilidade”.

O envolvimento do sector privado, segundo o município, é uma oportunidade de acelerar os investimentos em infra-estrutura, sem sobrecarregar os cofres públicos.

O presidente do Conselho também adiantou que outras obras de pavimentação estão previstas no município.

“Quanto à rua do Mercado Central, temos um projecto pronto” que em breve poderá começar “com a pavimentação da estrada que liga o Mercado Central ao bairro Nhamaiabwe. Pouco a pouco, vamos a avançar até alcançar todas as áreas que consideramos prioritárias”, afirmou.

As declarações do presidente Chaparica surgem num momento em que os munícipes do Dondo observam atentamente as intervenções urbanísticas, preocupados com a transparência na execução de obras e a inclusão de diferentes bairros nos projectos de reabilitação. (Narcísio Cantanha).

Camionista acidenta ao evitar atropelar moto-taxista em Dondo

A condução nocturna tem sido um grande desafio tanto para estrangeiros como para nacionais, sobretudo na Estrada Nacional Número Seis (EN6), no distrito do Dondo, província de Sofala. O sinistro foi registado às 21 horas, momento em que a via encontrava-se sem iluminação pública devido às avarias de alguns candeeiros da Beira -Dondo.

Desta vez, o cenário repetiu-se na última segunda-feira (9) quando um camião que transportava contentor capotou ao tentar esquivar-se de uma colisão com um moto-taxista no cruzamento próximo à fábrica de Mozalite, no terminal de passageiros.

O acidente envolveu um condutor de nacionalidade zambiana de 33 anos, fazendo o sentido Beira e Inchope.

No cruzamento de Mozalite, uma motorizada surgiu inesperadamente na via e cortou a prioridade do camião, para evitar o embate o condutor não conseguiu controlar o volante subiu no separador de estrada em sentido contrário, acabando por colidir com a traseira (trela) de outro camião que seguia Nhamatanda–Beira.

No impacto, o condutor zambiano perdeu o controlo do veículo, que acabou por capotar numa vala. Apesar da gravidade do acidente do veículo, o motorista saiu ileso.

“O acidente aconteceu quando eu tentei evitar bater numa motorizada. Era num cruzamento, ao tentar evitar o outro condutor, acabei por perder o controlo. Quando surgiu o outro motorista, foi aí que perdi o controlo do veículo. Não sei como fui parar ao outro condutor”, reafirmou Richard Miove abalado.

Sob cuidados, no centro de saúde do Dondo durante a avaliação médica sobre possíveis ferimentos, assim como a resposta dos impactos no incidente.

” Eram 21 horas, o motorista perdeu a direcção, quando curvou, caiu na vala de drenagem após um moto-taxista cortar prioridade ao ponto de colidir com outro camião”, disse uma testemunha no local.

O paciente foi observado e submetido a exames físicos. Encontra-se em estado moderado, sem sinais de fractura nem trauma, apresentando apenas ferimentos na região da pálpebra. O seu estado é estável e poderá ter alta ainda esta noite”, afirmou o técnico de urgência no Centro de Saúde do Dondo, Salomão Júlio.

A Polícia da República de Moçambique (PRM) e a Polícia de Trânsito (PT), no distrito do Dondo, dirigiram-se ao local para assegurar a circulação normal de viaturas e bens. (Narcísio Cantanha).

Gorongosa entrega 20 toneladas de sementes de milho a 4 mil famílias vítimas de inundações

O Parque Nacional da Gorongosa (PNG), através do Projecto de Restauração da Gorongosa está a entregar 20 toneladas para 4 mil famílias afectadas pelas inundações como forma de garantir a segurança alimentar. A entrega inicial já decorreu na quarta-feira (04.02) localidade de Bebedo, distrito de Nhamatanda.

As chuvas comprometeram os meios de subsistência, colheita e segurança alimentar, um pouco por todo o país. O corredor do Parque Nacional da Gorongosa não é excepção.

A Gorongosa, através da parceria com a KAYA SEEDS, pretende aumentar a produtividade, reforçar a segurança alimentar, melhorar a renda das famílias rurais, assistência técnica, monitoria do desempenho da cultura e avaliação da germinação, tanto que existem campos modelos onde os agricultores aprendem para aplicar igualmente nos respectivos campos de produção individual. Com isso, as famílias da Zona de Desenvolvimento Sustentável do PNG estão a receber sementes de milho.

Corresponde Zona de Desenvolvimento Sustentável ou Zona Tampão do PNG, os distritos de Gorongosa, Muanza, Dondo, Maringuè, Cheringoma e Nhamatanda, dentro da província de Sofala, centro de Moçambique.

Das 4 mil famílias da Zona de Desenvolvimento Sustentável do PNG, 2 são de Nhamatanda, portanto, a metade do total de beneficiários de sementes de milho.

São 20 toneladas previstas para os seis distritos acima mencionados, Nhamatanda já está a receber dez toneladas, portando, a metade do total, a começar pela sua localidade de Bebedo.

 

O caso de Nhamatanda

Em Nhamatanda,  especificamente, na localidade de Bebedo, Matenga e Nhampoca, as famílias perderam a esperança ao verem a sua produção agrícola e bens materiais a serem arrastadas pela subida dos caudais e transbordo do rio Púnguè, afectando as comunidades próximas.

Na madrugada do dia 24 de dezembro de 2025, a partir da comunidade do Vinho, passando pela estrada principal de Bebedo até uma parte de Mutondo, a maioria das residências esteve inundada, forçando as comunidades a refugiarem-se aos edifícios de algumas igrejas, escolas resilientes construídas pela Gorongosa e residências locais.

No mesmo período, os centros de Saúde de Vinho e Mutondo encontravam-se com pátios alagados.

Dados preliminares indicavam cerca de 128 hectares afectados pelas inundações, contendo a produção de milho, 252 famílias a igual número de residências em Bebedo. Portanto, o Parque Nacional da Gorongosa está a devolver a esperança às comunidades para garantir a produção e segurança alimentar na segunda época produtiva.

Na localidade de Bebedo, com a presença dos administradores de Nhamatanda e do distrito PNG, Manuel Texeira e Pedro Muagura, respectivamente, inicialmente, 162 famílias receberam a semente de milho.

Depois desta entrega simbólica, seguir-se-á distribuição noutras localidades, nos próximos dias.

Além das inundações, os animais, com destaque para o elefante, invadem alguns campos de produção agrícola para comer ou mesmo passar.

Nas suas intervenções, os administradores pediram desculpas ao reconhecerem o facto do conflito Homem Fauna Bravia nas comunidades.

O PNG, Governo de Nhamatanda, lideranças comunitárias e parceiros reuniram-se no final de dezembro último para uma reflexão sobre o conflito Homem e Fauna Bravia. O próximo encontro do género está previsto para abril de 2026.

(À esquerda), Administrador de Nhamatanda, Manuel Teixeira, entregando sementes, em Bebedo.

Por agora, com a semente entregue, o administrador de Nhamatanda espera que seja usada para os fins pelos quais mereceu a entrega.

A Gorongosa prevê uma produção de 1.220 toneladas de milho na segunda época.

Cada família recebe cinco quilogramas de semente de milho, correspondente a 2 mil metros quadrados de campo de produção.

Dos três hectares que o agricultor Manuel Ernesto perdeu, estimava três toneladas de milho colhido.

As três localidades que estão a ser apoiadas são potencialmente produtoras pela humidade do rio Púnguè, além do apoio da Gorongosa, Governo e outros parceiros.

Nhamatanda abastece 60% de hortícolas à capital provincial da cidade da Beira – o Porto eficiente e eficaz da África Austral, segundo a avaliação do Banco Mundial.

A entrega desta quantidade resulta de uma parceria de fornecimento de sementes melhoradas de milho produzidas pela KAYA SEEDS, uma empresa da Zâmbia, mas que opera também em Moçambique.

A Gorongosa direcciona o apoio aos agricultores da sua Zona de Desenvolvimento Sustentável, também assistidos pelos respectivos diversos programas, desde saúde, agricultura, conservação, educação, entre outras iniciativas para o desenvolvimento humano.

“Cada semente que entregamos, representa um novo começo a possibilidade de voltar a semear, produzir e alimentar as famílias afectadas”, disse a directora da KAYA SEEDS – Moçambique, Cristânia Mahuaia, orgulhando-se da parceria com a Gorongosa. Afinal, “quando as instituições trabalham juntas, os resultados chegam aonde realmente importa, as pessoas”.

“É um apoio de arranque, vamos tentar erguer-se. Voltaremos a semear” para garantir alguma comida na família, disse o agricultor Manuel Ernesto, pedindo que a Gorongosa continue a apoiar, “não se canse”. Neste momento, o Parque é o primeiro a apoiar com semente.

“Prontos para conservar o meio ambiente” foi a resposta que o agricultor deu durante a entrevista, quando questionado sobre o conflito Homem e Fauna Bravia, depositando esperança de “forma particular” à coordenação entre Governo e Parque.

Nhamatanda volta a projectar-se depois das inundações, com o apoio do Governo e parceiros. (Muamine Benjamim).

Jornalistas marcham contra atentado à vida de Carlitos Cadangue

Em Manica, os jornalistas de diferentes órgãos de comunicação social marcharam hoje, contra a tentativa de matar o jornalista da STV, Carlitos Cadangue e o seu filho.

A marcha contou com as organizações defensoras de jornalistas como o Sindicato de Jornalistas de Moçambique (SNJ), Escola Superior de Jornalismo – Delegação de Manica, Instituto de Media para África Austral, Media Institute for Sourthern Africa  (MISA Moçambique) e Solidar Suisse.

A marca é “forma de manifestar o nosso apoio ao colega, repudiar e condenar actos desta natureza que no nosso entender constituem uma tentativa de silenciar a classe, limitar as liberdades e direitos dos jornalistas e do Povo moçambicano”, descrevem os jornalistas em comunicado a que o “Profundus” teve acesso.

A marcha passou da Praça da Independência Nacional até a sede do SNJ, no recinto da Exposição Feira de Chimoio.

As últimas reportagens de Carlitos Cadangue envolvem irregularidades na famosa mineração na província de Manica. Os locais não passaram a ser apenas “cemitérios” de jovens e “boladas de poderosos”, mas também já originam riscos de vida de quem expõe a “máfia”. (Muamine Benjamim).

Educação nutricional contribui para mudança de comportamento alimentar nas comunidades

O investimento na educação nutricional mostra-se cada vez mais necessário na Zona de Desenvolvimento Sustentável do Parque Nacional da Gorongosa (PNG), província de Sofala, onde os estudos do Fundação para Desenvolvimento da Comunidade (FDC) e Fundo para Infância (UNICEF, sigla inglesa) apontam para 37% (2025) de crianças afectadas pela desnutrição, saindo dos 35,9% (2024). Factores culturais e falta de conhecimento de boas práticas alimentares continuam entre as causas da desnutrição crónica.

A implementação de programas de educação nutricional em comunidades, através do PNG está a ter impactos. Os beneficiários tendem a adoptar comportamentos mais saudáveis, resultando numa diminuição das taxas de doenças relacionadas à má alimentação.

Nas comunidades pela Gorongosa, são oferecidas às crianças o Pacote de Intervenções de Nutrição (PIN) para a prevenção da desnutrição crónica, nomeadamente, aconselhamento em aleitamento materno exclusivo dos 0 aos 6 meses; aconselhamento em alimentação complementar e responsiva dos 6 aos 24 meses; aconselhamento em higiene e saneamento do meio; suplementação com vitamina A dos 6 aos 24 meses; suplementação com micronutrientes em pó dos 6 aos 23 meses; desparasitação dos 12 aos 24 meses; e monitoria de crescimento.

Especificamente na comunidade de Madzimachena, interior do distrito de Gorongosa, a educação nutricional está a ajudar a desmistificar mitos e informações erróneas sobre dieta e nutrição, promovendo uma compreensão mais clara sobre o que constitui uma alimentação saudável e equilibrada.

O promotor de Saúde e Nutrição do PNG, Tambura Martinho António, explicou que através de instruções de melhores práticas, só em 2025, das oito crianças diagnosticadas com má nutrição, três estão recuperadas.

O sector da saúde e nutrição, através dos promotores da saúde, mães-modelo e pais-modelo aprendem a preparar alimentos nutritivos como papas enriquecidas – uma mistura de açúcar, farinha de milho, água, óleo e folhas de moringa e amendoim, bastante para uma criança mal nutrida recuperar-se ao se alimentar desta culinária. Normalmente, são produtos facilmente disponíveis.

Recentemente, o promotor de Saúde e Nutrição do PNG, Tambura Martinho António, realizou uma demonstração culinária na comunidade de Mucinha, juntando 70 participantes, sendo 47 crianças, 28 mães, das quais quatro mães grávidas e 16 lactantes.

Na ocasião, a suplementação e desparasitação foi o tema de destaque, sucedendo à demonstração de papas enriquecidas pelas mães-modelo aos participantes.

As demonstrações culinárias incluem ensinar às comunidades a prepararem as refeições de forma nutritiva com base nos produtos produzidos localmente, que por vezes não exigem gastos financeiros para a sua aquisição.

As comunidades produzem o suficiente para combater a má nutrição, mas a falta de conhecimento de melhores práticas alimentares, a desnutrição continua a preocupar nas zonas rurais.

De princípio, segundo revelou o promotor da saúde, foi difícil convencer as comunidades a aceitar a adopção das melhores práticas alimentares, porque apenas acreditavam nas práticas costumeiras para a sua saúde e das crianças. “Mas com paciência, palestras, demonstrações culinárias e acompanhamentos de menores com má nutrição, foi possível mudar o comportamento da comunidade”.

A educação nutricional desempenha um papel fundamental na promoção da saúde e bem-estar das comunidades, especialmente em áreas onde o acesso a informações sobre alimentação saudável é limitado. Ao fornecer conhecimento sobre nutrição, é possível capacitar indivíduos a fazerem escolhas alimentares mais saudáveis, o que pode levar a uma redução significativa de doenças crónicas, como diabetes, hipertensão e obesidade. A consciencialização sobre a importância de uma dieta equilibrada e nutritiva é essencial para melhorar a qualidade de vida e promover hábitos saudáveis que perdurem ao longo do tempo. Para tal, deve haver uma coexistência entre o Homem e Fauna Bravia. (Ana Cleta de Lopes Coimbra).

Homem que tentou assassinar Trump é condenado à prisão perpétua

Ryan Routh montou um posto de atirador na beira do campo de golfe do Presidente americano em West Palm Beach e foi impedido por um agente do Serviço Secreto.

Nos Estados Unidos, Ryan Routh, um homem acusado de se esconder nos arbustos de um campo de golfe na Flórida com um rifle semiautomático para tentar assassinar Donald Trump, foi condenado por uma juíza americana, na última quarta-feira, à prisão perpétua.

O caso aconteceu no campo particular do então ex-presidente americano menos de dois meses antes da eleição presidencial de 2024 nos Estados Unidos, que reconduziu Trump à Casa Branca.

Routh, de 59 anos, foi condenado por cinco acusações criminais em setembro, após uma tentativa desastrosa de actuar como seu próprio advogado de defesa, onde foi constantemente repreendido pela juíza federal Aileen Cannon, que presidia o caso.

Os promotores pediram a sentença de prisão perpétua para a juíza. Routh pedia uma pena de 27 anos.

“Os crimes de Routh inegavelmente justificam uma sentença de prisão perpétua – ele tomou medidas ao longo de meses para assassinar um importante candidato à Presidência”, disseram os promotores em um documento judicial no mês passado.

Routh “demonstrou a vontade de matar qualquer um que estivesse em seu caminho e, desde então, não expressou arrependimento nem remorso às suas vítimas”.

Durante o julgamento, Routh foi constantemente interrompido por Cannon após se desviar para assuntos irrelevantes ou possíveis explicações para suas acções, incluindo o uso de drogas.

 

Plano fracassado

De acordo com as provas apresentadas no julgamento, Routh esteve perto do campo de golfe e da residência de Trump em Mar-a-Lago nas semanas que antecederam a tentativa frustrada de assassinato.

Os celulares descartáveis ​​usados ​​por Routh também mostraram buscas por “próximos comícios de Trump” e “câmeras de trânsito de Palm Beach”.

Em uma carta rapidamente descoberta pelos investigadores, Routh escreveu uma confissão de sua tentativa de assassinar Trump, escrevendo na primeira página: “Fiz o meu melhor e usei toda a coragem que pude. Agora cabe a vocês terminar o serviço; e oferecerei 150 mil dólares a quem conseguir concluí-lo.”

Armado com um rifle antigo de estilo soviético e protegido por placas blindadas penduradas na cerca, Routh mirou no sexto buraco do campo de golfe de Trump em 15 de setembro de 2024, enquanto o Trump jogava uma partida de golfe um buraco atrás, a poucos minutos de distância.

Um agente do Serviço Secreto, encarregado de verificar a área antes da chegada de Trump, avistou o rosto parcialmente encoberto de Routh e o cano de um rifle atravessando a cerca de arame que delimitava o campo de golfe.

Com a arma apontada para ele, o agente disparou vários tiros com sua pistola antes de se abrigar atrás de uma árvore e comunicar a ameaça por rádio.

Routh fugiu do local, mas foi visto por um cidadão, Tommy McGee, atravessando a rua, entrando em um veículo e indo embora.

McGee, que testemunhou no julgamento de Routh, anotou a placa do carro e, mais tarde, naquele mesmo dia, foi levado até o local onde as autoridades locais encontraram e detiveram Routh para identificar o potencial assassino.

Durante o interrogatório no julgamento, Routh disse a McGee: “Você é um bom homem. Você é meu herói. Você é um herói americano”.

Outras provas apresentadas no julgamento mostraram Routh planeando a sua fuga, pesquisando termos como “Como chegar ao aeroporto de Miami” e “voos para o México”.

 

Um julgamento único e um fim quase fatal

Routh optou por actuar como seu advogado de defesa desde o início do processo, inclusive por meio de documentos judiciais públicos antes do julgamento, nos quais chamou Trump de “porco racista” e desafiou o Presidente para “uma surra” ou uma partida de golfe, acrescentando que, se “ele ganhar, pode me executar; se eu ganhar, fico com o cargo dele”.

Durante o julgamento em setembro, a juíza Cannon interrompeu Routh diversas vezes, pois ele estava se intrometendo em assuntos que não eram objeto do processo.

Durante as alegações finais, Routh argumentou que o assassinato de Trump “nunca iria acontecer” e, portanto, “se a tentativa de assassinato não se concretizou, não foi uma tentativa”.

Em sua declaração final durante o julgamento, Routh falou na terceira pessoa sobre vários assuntos sem relação, incluindo a história dos Estados Unidos, a guerra entre Rússia e Ucrânia e sua intenção de comprar um barco — o que levou o juiz a interrompê-lo repetidamente e a retirar o júri da sala.

O principal promotor do caso, John Shipley, afirmou que foi apresentada uma “montanha de provas” que aponta para “o quão perto ele chegou de realmente levar isso adiante”.

Cannon interrompeu Routh pelo menos 10 vezes apenas em seus argumentos finais, após os quais o júri se reuniu por 3 horas antes de anunciar o veredicto de culpado.

Assim que o veredicto foi lido em tribunal aberto, Routh tentou esfaquear-se no pescoço com uma caneta enquanto a sua filha gritava da plateia: “Meu Deus, ele está tentando se matar, ele está tentando se matar! Alguém o impeça, por favor!”

Ele foi detido por agentes federais auxiliares.

O incidente na Flórida foi a segunda tentativa contra a vida de Trump em 2024, após um atirador disparar uma arma de fogo em um comício de campanha em Butler, na Pensilvânia, em julho.

O tiroteio deixou uma pessoa morte e várias feridas, incluindo Trump.

O atirador, posteriormente identificado como Thomas Crooks, 20 anos, foi morto por agentes na cena do crime.

Homem que tentou matar Trump em 2024 condenado a prisão perpétua – CNN Portugal

Sofala conta com mais de 1 milhão de doses de vacina preventiva contra cólera

Desde a última quarta-feira, (04) o sector da Saúde em Sofala está a administrar a vacina preventiva contra a cólera, para reforçar a protecção da população contra a doença. A terminar no próximo domingo, a província prevê vacinar 735.884 pessoas com idade igual ou superior a um ano, depois do lançamento da campanha no Centro de Saúde da Munhava, na cidade da Beira.

Para o êxito da iniciativa, Sofala recebeu um total de 1.518.154 doses da vacina oral contra a cólera, para cobrir integralmente as duas fases de vacinação.

O governador da província de Sofala, Lourenço Bulha, afirmou que a disponibilidade das vacinas representa um passo significativo no reforço da saúde pública e na melhoria do bem-estar das comunidades, sobretudo nas zonas mais vulneráveis a surtos da doença.

“Vacinar é prevenir, e prevenir é salvar vidas” a campanha será realizada em duas rondas, separadas por um intervalo de 15 dias, de modo a garantir a eficácia.

Lourenço Bulha alertou que a vacina não deve ser encarada como a única solução no combate à cólera, defendendo a adopção de medidas complementares de prevenção.

“A vacina não substitui outras medidas de prevenção. O combate à cólera exige igualmente o reforço das práticas de higiene individual e colectiva, o consumo de água tratada e segura, o uso adequado de latrinas, bem como o envolvimento activo das comunidades na promoção da saúde”, afirmou. (Narcísio Cantanha).

Três irmãs escapam ilesas após incêndio da residência por desconhecidos

Três irmãs, de entre 40 e 70 anos, escaparam com vida após a sua residência de material precário pegar fogo recorrendo à gasolina por indivíduos desconhecidos, enquanto dormiam, na madrugada da última terça-feira, no distrito do Dondo, em Sofala. O incêndio que reduziu a casa às cinzas ocorreu no bairro de Canhandula, C, próximo à Universidade Jeann Poaget.

O pior não aconteceu por meio de um sonho do falecido marido. Afinal, enquanto dormia, Beida ouviu “sussurros do marido, lhe despertando para acordar”.

“Comecei a acordar às minhas irmãs e saímos a correr a pedir socorro deixando todos os bens dentro”, relatou a proprietária da casa, Júlia Beida. Neste momento, o fogo começou a alastrar-se para todo o texto.

Vizinhos recorreram aos baldes de água e areia, enquanto outros tentavam subir do outro lado do tecto da casa para conter as chamas, mas em vão, o incêndio continuou.

Este não é o primeiro ataque contra a sua residência. Um dia antes deste incidente, de noite, houve a primeira tentativa de incêndio, alegadamente “recorrendo a fósforos que conseguimos debelar”. Já no dia seguinte, os criminosos usaram a gasolina que rapidamente queimou.

“Perdi [quase] tudo, comida, pratos e roupas. Restaram panelas e pouca roupa. Apesar disso, não tenho planos de abandonar este local, porque a casa ajuda-me quando vou à machamba, já que vivo na Beira e aqui fica mais perto”, explicou.

Júlia Beida suspeita o seu cunhado com quem teve desavenças no passado, chegando a lhe prometer a morte. O caso já foi comunicado ao Comando Distrital da Polícia da República de Moçambique (PRM) no Dondo.

“Por volta das duas horas, ouvimos gritos e viemos ajudar a apagar o fogo com baldes de água e areia. Mas na noite seguinte foi pior, queimaram a casa pela frente e por trás com gasolina. Estamos preocupados com a falta de patrulhamento policial, porque pode acontecer o mesmo com outras famílias”, alertou a vizinha, Zimba Goba.

O chefe do quarteirão 8, da Unidade Comunal C, Alexandre Chacatane, confirma ter conhecimento do segundo incêndio no mesmo local em menos de 48 horas.

“No bairro, não sabemos se são jovens que andam durante a noite [que incendiaram], duvida o chefe do quarteirão, garantindo apoio com tendas às vítimas.

Além de Dondo, a cidade vizinha, Beira, enfrenta o mesmo tipo de crime cujas causas ainda não são conhecidas. Mas decorrem diligências da PRM. (Narcísio Cantanha).

HOSPITAL ESCOLA: “Projecto tecnológico com saúde única” na Gorongosa

Nas comunidades de Gorongosa, surge uma nova visão fortalecida pelo Parque Nacional da Gorongosa (PNG): um hospital e um campus de saúde, oferecendo cuidados especializados ainda inexistentes na região.

Só para ter noção, será a segunda maior unidade sanitária do país, depois do Hospital Central de Maputo, e a maior infra-estrutura hospitalar construída de raiz em Moçambique, após a independência. O hospital “escola” será equipado com cerca de cem camas e um campus universitário.

O “hospital escola” não conta apenas com o apoio do Projecto de Gorongosa, mas também com a Universidade de Pittsburgh na segunda cidade mais populosa do estado americano da Pensilvânia, e do Ministério da Saúde de Moçambique. Com isso, coincidentemente, enquanto as elites globais se reuniam nos Alpes no Fórum Económico Mundial, em Davos, na Suíça, outro grupo encontrava-se no Idaho, nos Estados Unidos — sede da Fundação Gregory C. Carr.

Em Idaho, o Projecto de Restauração da Gorongosa, através do seu Presidente, Greg Carr, e o Ministério da Saúde de Moçambique, Ussene Isse, para juntos mobilizarem apoio financeiro, técnico e institucional de modo a construírem o hospital.

Com a criação de uma unidade de pesquisa de plantas medicinais, a Gorongosa pretende valorizar a biodiversidade local, impulsionar a produção de medicamentos e promover soluções inovadoras e sustentáveis para os principais desafios da saúde pública no país.

 

Das oportunidades a realidade moçambicana

Ora, no final de 2024, a Gorongosa foi o centro de discussão e propostas de soluções na área de Saúde, ao mundo, através da sua iniciativa SPARK GORONGOSA. Em cinco dias, o encontro juntou especialistas jovens em Saúde, da Nigéria, Austrália, EUA, África do Sul, Etiópia, Camarões, Benin, Gana, Marrocos, Chade, Zâmbia, Tanzânia, Quénia, além de 12 estudantes moçambicanos.

O encontro com SPARK GORONGOSA a iniciativa de um “hospital escola” projectam uma colaboração com especialistas internacionais para combater problemas de Saúde, a exemplo de malária, má nutrição, doenças gastrointestinais, as mais preocupantes na Zona de Desenvolvimento Sustentável do Parque Nacional da Gorongosa.

Separadamente, em dezembro de 2025, Moçambique assinou um acordo de financiamento da saúde no valor de 1,8 mil milhões de dólares com os Estados Unidos — um de mais de uma dúzia de acordos do género, enquadrados na política “America First”, assinados até agora com países africanos. Embora estes novos acordos representem investimentos inferiores do que os pacotes de ajuda norte-americanos anteriores e associem o financiamento a interesses estratégicos dos EUA, Isse disse estar satisfeito com o acordo.

“O conceito de Saúde Única consiste em levar a saúde para fora dos hospitais e focá-la na comunidade, onde a vida começa”, afirmou Isse à Devex. “Em África, deveríamos ser um exemplo da implementação da Saúde Única.”

Trata-se de um enquadramento que encara a saúde humana, a saúde ambiental e os sistemas de que as pessoas dependem para sobreviver — desde a alimentação aos meios de subsistência — como inseparáveis. Em Gorongosa, a conservação já está ligada aos meios de vida: o café cultivado em encostas montanhosas reflorestadas, por exemplo, foi concebido para beneficiar tanto a terra como as pessoas.

“É um conceito, mas também é prático”, afirmou a directora de desenvolvimento humano do Projecto de Restauração de Gorongosa, Elisa Langa, em entrevista nos EUA. “Quando dizemos Saúde Única, estamos a dizer que tudo está interligado.”

Cerca de 250 mil pessoas da Zona de Desenvolvimento do Parque Nacional da Gorongosa, continuam com profunda vulnerabilidade sanitária. Mulheres continuam a enfrentar os desafios aos serviços da saúde, durante e após a gravidez, muitas crianças enfrentam malnutrição crónica e VIH, além da malária. Ao mesmo tempo, os empregos são escassos e as calamidades naturais ocorrem ciclicamente.

“Se me leva oito anos a tornar-me anestesiologista nos Estados Unidos, em Moçambique isso simplesmente não funciona”, afirmou Juan Carlos Puyana, cirurgião de trauma e professor de cirurgia na Universidade de Pittsburgh. “A esse ritmo, seriam necessários 168 anos para formar o número de anestesiologistas de que Moçambique precisa hoje.”

Se o hospital é o símbolo visível da nova parceria, a sua ambição mais radical é invisível: repensar a forma como os profissionais de saúde são formados em países onde o crescimento populacional ultrapassa a capacidade das estruturas educativas convencionais. Moçambique tem menos de dois médicos por cada 10 mil habitantes, e os circuitos de formação de especialistas ficam muito aquém do crescimento demográfico.

Em vez disso, a parceria procura adaptar modelos de formação acelerada e orientados para funções específicas, que preparem profissionais cirúrgicos não médicos para realizar procedimentos concretos. Estudos sugerem que os resultados para os pacientes são comparáveis aos dos médicos formados de forma convencional em cirurgias de rotina. “Serás o meu aprendiz. Vou realizar uma cesariana 120 vezes até que também consigas fazê-la na perfeição, sob a minha supervisão.”

Um agente de saúde comunitário explica vários aspectos da saúde materna aos membros da comunidade que vivem na “zona de desenvolvimento sustentável”, ou zona tampão do Parque Nacional da Gorongosa.

Além disso, a equipa da Universidade de Pittsburgh que está a ajudar a definir o roteiro do projecto identifica espaço para inovação, nomeadamente na investigação de plantas medicinais e fungos encontrados na região de Gorongosa, bem como em sistemas digitais que possam permitir a Moçambique ultrapassar rapidamente a dependência de registos em papel.

“Não se constrói um hospital moderno para depois os clínicos continuarem a tomar notas em papel”, afirmou Uduak Ndoh, directora-adjunta de sistemas de informação em ciências da saúde da universidade. A visão inclui a utilização de registos clínicos electrónicos — já em fase piloto em Moçambique — e de telemedicina.

O “hospital escola” será projectado também para aquilo que Greg Carr chama de “capitalismo de base comunitária”. Diferente dos habituais hospitais construídos com financiamento pontual de doadores, que lutam muitas vezes para sobreviver quando os fundos terminam.

As empresas baseadas na natureza vão ajudar a financiar serviços públicos, incluindo os cuidados de saúde. Actualmente, o Governo de Moçambique investe cerca de 2,5% do seu produto interno bruto no sector da saúde, mas comprometeu-se a aumentar a despesa nacional em saúde nos próximos cinco anos.

“Começámos imediatamente com a saúde comunitária”, afirmou Carr. “Agora, expandir a saúde comunitária para um sistema hospitalar regional no centro do país é um aumento de escala, mas também uma progressão natural da ideia original”. (Muamine Benjamim).

Jornal Profundus

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