CAFÉ: É vida e união pela Gorongosa

Entre o manto verde que cobre a famosa Serra da Gorongosa está o café. Não são simples folhas, plantas e sementes, mas a esperança de mudança de vida e a união de um povo que tanto viveu de ódio (colonialismo e guerra civil). Hoje, as famílias projectam-se, graças também ao impacto desta produção motivada pelo Parque Nacional da Gorongosa (PNG).

“Comecei a produzir o café como voluntária no Parque Nacional da Gorongosa, na altura sem remuneração. Cheguei a pensar em desistir”, revelou a produtora Fatiança Paulino, desconfiando se daria certo a produção.

Hoje, Fatiança Paulino apresenta surpresas. “Consegui formar a filha, construir casa melhorada, comprar motorizada e muitos bens”.

A produção do café, inicialmente numa fase experimental em 2011, passou a integrar oito produtores até 2015, motivando outros integrantes. Com o passar do tempo, a produção provou aposta, motivando as comunidades ao seu envolvimento. Hoje, conta com acima de 1000 produtores de café. E 12 trabalhadores na fábrica.

Manuel Manejo Machessa é produtor de café desde 2019. Conta que antes de começar a produzir, a vida estava difícil, não porque não produzia outras culturas, mas as outras culturas não eram muito rentáveis como a do café. Este é um dos motivos do nome sonante, Gorongosa.

“Quando apostei na produção do café, a vida começou a melhorar. Já consegui dinheiro, o que antes era impossível”. Começou a viver momentos de “milagres” na sua vida: “consegue investir nos estudos dos filhos, e investir na formação no curso de saúde da minha filha, além de outros bens e casa melhorada que já conseguiu construir”, revelou o produtor.

Para 2026, Manuel Manejo Machessa não quer garantir apenas a cadeia de valores, mas sair de produtor para tornar-se empresário de sucesso. No ano passado, dos quatro hectares, conseguiu colher mais de 8 toneladas. Já este ano projecta 14 hectares. Esta projecção resulta da fábrica inaugurada em dezembro de 2025.

A fábrica visa fortalecer a cadeia de valor do café, impulsionar os rendimentos dos pequenos agricultores e aprimorar a segurança alimentar. Além disso, contribuirá para os esforços de restauração da montanha Gorongosa.

Quando quase todos se fugiam ou se desconfiavam como resultados da guerra, o café veio juntar as comunidades, desde a produção, aprendizagem de melhores práticas agrícolas, encontros com admiradores e/ou financiadores desta iniciativa, comercialização, partilha de experiências a maneira de pensar para melhores condições de vida.

Isabel Verniz resume o Projecto de Restauração da Gorongosa, sendo produtora do café. “Também, estão a me ensinar a usar as técnicas de produção, além da ajuda com fertilizantes, há 7 anos. “Quando comecei a apostar na produção de café, a minha vida começou a melhorar. Já tenho uma casa melhorada, filha formada, corrente eléctrica na residência, motorizada, plasma e mobília na minha casa”.

“O Projecto de Restauração da Gorongosa é um grande ganho, tenho a certeza que os parceiros [financiadores] não irão se arrepender, porque as famílias estão a mudar de vida. Agradeço pela oportunidade e incentivo aos outros a apostarem na produção do café”.

A plantação e produção de café é vista como uma actividade alternativa para as famílias evitarem a agricultura itinerante.

Os objectivos da Fundação Greg Carr, através do Projecto de Restauração estão ainda longe, mas se o limite do possível se concretizar, será no Parque Nacional da Gorongosa. Hoje, o Parque é um destaque da África, não pelas guerras anteriores, mas pela gestão de impacto local, envolvendo programas integrados e participativos (agroflorestamento; acesso ao mercado e cadeias de valor; saúde sexual e reprodutiva; nutrição; Escolinhas, Clubes de Raparigas, Clubes de Jovens, Clube de Professores; bolsas de estudos; construção de infra-estruturas como escolas e centros de saúde resilientes que servem de refúgios em ventos extremos entre outros) para o desenvolvimento humano. (Ana Cleta de Lopes Coimbra e Muamine Benjamim).

CIDADE DE MAPUTO A MAGUDE: Comboio extraordinário vai cobrar 50% do normal pelas cheias

O Governo, através do Ministério dos Transportes e Logística, anuncia a partida, amanhã, terça-feira, pelas 9h, da cidade de Maputo, de um comboio especial com destino a Magude, província de Maputo e com regresso, dia seguinte, quarta-feira (28 de janeiro) à mesma hora. O comboio vai transportar 1.200 passageiros.

Por se tratar de um comboio extraordinário para atender à situação de emergência por conta das cheias, que deixaram pessoas sitiadas com o corte da Estrada Nacional Número Um (EN1), a empresa Caminhos de Moçambique (CFM) vai cobrar a 50 meticais por viagem, que corresponde a 50 por cento da tarifa normal.

Adicionalmente, CFM irá disponibilizar um comboio especial de mercadoria, rebocando vagões e duas carruagens para os acompanhantes de carga, com partida na quarta-feira (28 de janeiro), às cinco horas, da estacão central (cidade de Maputo), com destino a Magude e o regresso está previsto para o dia seguinte (29 de janeiro).

Por outro lado, o Ministério dos Transporte e Logística comunica a partida, hoje, segunda-feira, da cidade de Maputo, de uma embarcação transportando produtos para ajuda humanitária, cujo destino é o Porto de Chongoene (província de Gaza) e prevê-se que regresse à capital do país com passageiros, na quinta-feira (29 de janeiro).

O barco tem capacidade para 150 passageiros e será aplicada a tarifa social de 300 meticais. (Muamine Benjamim).

ELISA: A rapariga que negou várias vezes união prematura, hoje, projecta-se a jornalista

Elisa Chico Bonjesse tem histórico, desde que o Clube da Rapariga do Parque Nacional da Gorongosa iniciou em 2016. Foi a primeira pessoa a ingressar ao Clube na sua comunidade, resistindo a tantas tentações até de união prematura já planificada sem o seu consentimento. Ganhou bolsa de estudos pelo Parque, e hoje, projecta-se para ser jornalista e inspirar outras mulheres sem condições financeiras para estudar.

Na comunidade onde vivia Elisa, muitas meninas que ingressaram ao Clube da Rapariga, “abandonaram o ensino primário para se unirem prematuramente, assumindo o papel de mãe, esposas e noras, mas hoje estão arrependidas”, depois de fazerem o contrário do que aprenderam no Programa do Parque.

Quando estava no Clube da Rapariga, “eu conseguia dividir o tempo” entre o da escola, actividades domésticas, apoiar a família no campo de produção agrícola e o de aprendizagem no Programa.

O Clube de Raparigas ensina as meninas sobre a sua saúde sexual e reprodutiva, matérias de literacia e numeracia, direitos e deveres da criança. Ou seja, nos vários Clubes de Raparigas, as meninas conhecem o seu corpo, sabem tratar da higiene menstrual, afastar-se de comportamentos de risco e aprender a negociar com os pais a dizer um dia caso-me, mas não já, tal Elisa.

Nas comunidades ao redor do Parque, ainda há mitos, um deles é de que a mulher nasceu para actividades domésticas, fora disso existe o marido para juntos multiplicarem-se. Mas, Elisa rodeada de raparigas por inspirar, partilha a sua experiência de fuga a um homem para apostar nos estudos, depois de aprender no Clube da Rapariga e perceber o seu potencial como menina com sonhos.

Quando fazia a 7.ª Classe, alguns pais na comunidade induziram um jovem para manter relações com Elisa como garantia da união, ainda que prematura.

“Num dia desses, mandaram um moço da zona para me violar, quando saía de um ensaio do Clube para apresentar uma actividade no Parque. Perseguiu-me, corri muito, cheguei numa casa vizinha. Aquela vizinha levou-me para casa. No dia seguinte se resolveu, mas não desisti dos meus sonhos”, continuou Elisa.

O caso foi levado à liderança comunitária para uma reunião juntando os pais, no qual o jovem pretendente confessou que foi induzido ao crime.

Depois desse episódio, a comunidade passou a julgar Elisa como a miúda com espíritos malignos por recusar homens. Aliás, “diziam que estou a perder tempo no Programa Clube da Rapariga”, conta a rapariga.

Mas a surpresa de todos veio depois, através do mesmo Clube da Rapariga, alimentando-lhe a esperança. Elisa saiu da sua comunidade para estudar na Escola Cristo Rei (Vila de Gorongosa), tudo sob responsabilidade do Parque que lhe atribuiu uma bolsa de estudos.

“Agora, todas as minhas amigas e antigas colegas já me falam mal. Porque estou a gingar, estou a mudar muito, falo a Língua Portuguesa” entre outras qualidades apreciáveis pelo comportamento apreciável” como resultado dos estudos.

Elisa é uma das meninas que vive nas comunidades, sem condições financeiras, induzidas a uniões prematuras, mas com sonhos por alcançar. Num local onde tudo parece o fim, o Clube da Rapariga alimenta a esperança de acreditar em si e suportar as dificuldades.

“Se tem objectivo, tem-se que motivar, eu consigo, não pode duvidar. Vai dar certo. Deve dar vontade aos pais” e a Gorongosa pelo apoio, por isso, “estou determinado a ser jornalista. Sou Elisa, Sou Rapariga, Sou Mudança”, evidenciando o lema. (Muamine Benjamim/PROGRESSUS).

Agricultores projectam boa campanha agrária com a recepção atempada de sementes melhoradas

Desta vez, os agricultores receberam cedo quatro toneladas de sementes de milho para garantir a produção e produtividade agrícolas. Só no distrito de Dondo, 800 famílias das comunidades de Savane Sede, Sambazou, 08, Mussatue, Emília 20 e 26, bem como Mafambisse, Nhamacuenguere, Muzimbite, Nhaufo, Magandafuta, Chissene, Chissange e Chibuabuabua já foram apoiadas, projectando-se 80 toneladas nesta campanha 2025-2026.

A entrega atempada de sementes é resposta das reclamações anteriores não apenas em Dondo, mas para todos os distritos assistidos que se queixavam de receber tarde e comprometer a produção.

Com as sementes entregues no dia 23 de Novembro de 2025 na comunidade de Savane juntando outras comunidades, o Parque pretende fortalecer a segurança alimentar, aumentar a resiliência das famílias face às mudanças climáticas e mitigar o conflito Homem-Fauna Bravia.

Marcela Cherega, residente da comunidade Emília 20, disse que a ajuda de entrega de semente chegou no momento ideal. “Nos anos anteriores, usávamos as nossas próprias sementes. Tenho uma machamba grande e cultivo, sozinha. Então, esta semente vai ajudar a reduzir a fome em casa”, projectou.

São quatro toneladas de semente de milho entregue. Com esta quantidade, estima-se 80 toneladas de produção.

Cada produtor recebeu 5 quilogramas de semente de milho.

O agricultor Estevão João Estevão, da comunidade de Chibuabuabua, que também recebeu a semente, relatou que a fauna bravia continua a causar perdas significativas com a devastação de culturas.

Ainda na comunidade Emília 26, a agricultora Nonita João, que possui quatro hectares, disse que no ano passado enfrentou dificuldades de produção agrícola devido às mudanças climáticas: “É a primeira vez que recebo sementes do Parque. A chuva já está a cair e a semente foi entregue cedo, isso vai ajudar bastante.”

Além de Dondo, no mesmo período, no distrito de Muanza, 5.490 quilogramas de milho e gergelim foram entregues a 915 agricultores, num total de 1.350 beneficiários previstos. Cada produtor recebeu 5 kgs de milho e 1 kg de gergelim para a época sequeira.

Enquanto 2.971 agricultores do distrito de Gorongosa recebiam 14.855 kgs de milho nas comunidades de Mucaca, Muera, localidade de Pungue, Tazaronda, Canda, Vunduzi, Tambarara, Mucoza, Nhandar, Madzimachena, Matacamachaua, Mucinhaa e Pavua.

Normalmente, as comunidades recebem sementes de milho, de gergelim e de feijão bóer (1.ª sequeira). Também, sementes de couve, de repolho, de espinafre, de alface, de tomate, de pimenta, de pepino, de cenoura, de beterraba, de quiabo e de cebola para aplicarem no campo de demonstração no qual aprendem as técnicas agrárias a aplicarem nos respectivos campos individuais (horticultura).

Os agricultores são ensinados técnicas de produção agrícola, incluindo a produção de adubo caseiro, poder germinativo da semente, melhores práticas para reduzir as perdas que ocorrem durante a colheita e pós-colheita, garantia da qualidade dos produtos que chegam ao consumidor final, mantendo as suas características nutricionais e sensoriais, além de aumentar a vida útil dos produtos colhidos. (Narcísio Cantanha/PROGRESSUS).

FIM DO PROBLEMA: Água vai para mais de dois mil beneficiários em quatro comunidades de Maringué

O distrito de Maringué é também conhecido pela escassez de água potável e essa situação coloca em risco a saúde das famílias relativamente a doenças de origem hídrica, mas este problema já será esquecido em breve, em quatro comunidades. Mais de 2 mil beneficiários locais deixarão de recorrer aos poços e rios e evitar dividir a água com animais selvagens, além de evitar longas distâncias à procura do precioso líquido, no âmbito do Programa de Água, Saneamento e Higiene, Water Sanitation and Hygiene  (WASH) do Parque Nacional da Gorongosa com o apoio da Embaixada do Reino dos Países Baixos em Moçambique.

Os fontanários estarão localizados estrategicamente nas escolas dentro das comunidades para reduzir doenças de origem hídrica e melhorar a saúde geral da comunidade escolar; promover hábitos de higiene entre alunos e funcionários; diminuir ausências escolares associadas à busca de água e a problemas de higiene; fortalecer infra-estruturas básicas da escola, apoiando um ambiente de aprendizagem mais seguro e saudável; e promover igualdade de género ao oferecer recursos de higiene de forma acessível a raparigas e rapazes.

Dos quatro fontanários planificados para alcançar mais de duas mil pessoas em quatro comunidades, já existe um furo, faltando apetrechamento na Escola Anexa 8 de Março dentro da comunidade de Nhabombwe, projectado para beneficiar 943 pessoas.

A planificação dos quatro fontanários aponta para 2.338 beneficiários distribuídos em Catia (480), Nhabonbue (943), Mandire (462) e Capimbe (453). Ora, o uso do precioso líquido depende do recomendável nível de salubridade e vias de acesso para o término das obras em falta.

Jada Dezimata é residente da comunidade de Nhabombwe. “Nós bebemos água do riacho porque não há outra alternativa. Mas já teremos escolha com a água do Parque para as nossas vidas”, contou.

O PNG pretende com aquela água disponível todos os dias, incutir uma responsabilidade de apropriação dos furos aos líderes comunitários e a comunidade em geral para a melhor conservação dos recursos hídricos colocados, neste caso, os furos de água, fazendo manutenção rotineira das bombas e a respectiva gestão, através de capacitações aos comités de água e saneamento, garantindo a higiene pessoal e colectiva. Para tal, existem comités de gestão de água, mas antes já foram capacitados para melhor gestão da água.

O fontanário vai representar uma mudança importante ao permitir que as famílias tenham mais tempo para cuidar da casa, das crianças, melhorar a higiene e a praticar agricultura – o principal meio de sobrevivência e consequentemente, garantir a segurança alimentar.

Com aquele fontanário, “teremos água limpa perto das nossas casas. Isso vai melhorar a saúde da comunidade e dar mais dignidade às nossas famílias”, reconheceu Carlitos Zondane, residente de Nhabombwe, assumindo o compromisso local para cuidar da infra-estrutura e garantir que o benefício se mantenha por muitos anos.

Os fontanários serão equipados com bombas manuais sustentáveis, fáceis de adquirir e de substituir os seus acessórios, reduzindo custos operacionais para as famílias e escolas.

Outra moradora, Aginada Baera, descreveu o sofrimento vivido antes de se fazer o furo. “Era muito difícil viver assim. Íamos ao riacho de madrugada, regressava tarde, e mesmo assim a água não era limpa. Muitas famílias tiveram problemas de diarreias e outras doenças” de origem hídrica por causa de consumo de água impropria.

O fontanário a ser construído em Nhabombwe vai ser um alívio para as famílias.

Em geral, há planos de melhoria em toda a expansão das comunidades pelo Programa WASH na Zona de Desenvolvimento Sustentável do Parque Nacional da Gorongosa, dependendo das necessidades financeiras e parcerias. Portanto, a execução do plano anual. (Eugénia Carlos/PROGRESSUS).

Técnicas ensinadas que salvam comunidades da desnutrição e garantem comida em tempos de escassez

O Parque Nacional da Gorongosa (PNG), através do Programa de Saúde e Nutrição, transmite conhecimentos sobre as técnicas de secagem e processamento de alimentos nas comunidades para conservar os produtos produzidos localmente, combater a desnutrição e a insegurança alimentar. A comunidade de Madzimachena, no interior do distrito de Gorongosa é uma delas que, ainda sem condições financeiras para conservar os alimentos frescos por muito tempo, já lhe foi ensinada técnicas simples e sem custos monetários.

A aprendizagem envolve pais-modelo, mães-modelo e líderes comunitários que depois transmitem aos outros, localmente, cujo foco é reforçar a ligação entre conceitos aprendidos e práticas familiares.

A mãe-modelo, Vitória Joaquim, explicou a importância de aplicar essas técnicas. “É porque facilita a conservação dos nossos produtos em tempos que não conseguiríamos fazer, garantindo ainda a sua qualidade nutricional. Também, usamos esses alimentos processados para combater a má nutrição. [Por exemplo], fazemos papas enriquecidas, misturando farinha de milho e farinha de moringa, como principais produtos. Com essas técnicas “já sei a utilidade de alimentos que pensávamos que já estão estragados. Tirava muita verdura do campo de produção, acabava de deitar uma parte porque não sabia conservá-la sem geleira, mas agora combatemos a fome porque o produto tem sempre utilidade”.

As comunidades já sabem que as verduras, feijões, mandioca, batatas e outros alimentos podem ser processados. A forma de conservar ou processar vai depender do tipo de alimento. E a quantidade do produto é que vai ditar o tempo que o produto precisa levar no seu processo de secagem e processamento, para não perder total propriedade nutricional.

“Tiro a mandioca, descasco, lavo, corto em pequenos pedaços e deixo a secar ao sol pelo menos por duas semanas. Depois, conservo, garantindo a propriedade nutricional”, explicou a mãe-modelo. A mandioca seca cozida substitui o pão, além de que com a farinha pode se fazer xima.

Duas semanas são suficientes para a mandioca secar prontamente num lugar limpo. Podendo moer com pilador para depois ceifar (caso da farinha), ou simplesmente guardar em pedaços secos (para ferver como tubérculo).

O Promotor da Saúde e Nutrição, Tambura Martinho António explicou como tem usado essas técnicas. Com os produtos produzidos localmente, “temos ensinado as pessoas da comunidade”, para garantirem que os alimentos existam até no tempo de escassez. “Por exemplo, temos tempo que a couve não existe, mas com a técnica de secagem e processamento, garantimos a sua existência.

Tambura Martinho António chama atenção que quando não são aplicadas as técnicas certas para a sua conservação, os produtos perdem cedo o valor nutricional.

“A minha vida mudou com essas técnicas. Minha filha foi diagnosticada com anemia, mas porque agora conheço o valor nutritivo dos alimentos e prolongar o seu tempo útil, usei a beterraba processada contra esta doença”. O problema passou. “Hoje não só combatemos a insuficiência de sangue no corpo, mas também outras doenças que antes consideravamos feitiços e recorríamos aos curandeiros”. Com esta aprendizagem, “já entendemos que podemos combater a má nutrição com os nossos alimentos locais”, explicou a mãe-modelo, Fernanda Felisberto Jacopo, apelando a Gorongosa a continuar com essas iniciativas de impacto comunitário.

Essas técnicas expostas pela comunidade no dia 9 de Dezembro de 2025, também foram apresentadas na visita do Comité de Pilotagem do SLDP composto por administradores e directores distritais, líderes comunitários e presidentes dos Comités de Gestão de Recursos Naturais dos seis distritos, representantes da Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC), directores provinciais do Meio Ambiente e de Agricultura e a Embaixada do Reino dos Países Baixos em Moçambique, no dia 17 de Setembro de 2025. (Ana Cleta de Lopes Coimbra/PROGRESSUS).

Nhamatanda terá uma das grandes farmas agrícolas pela Tzu Chi

O distrito de Nhamatanda, província de Sofala vai ter uma das grandes farmas agrícolas. Para tal, o Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas (MAAP), Roberto Mito Albino, recebeu na última terça-feira, em Maputo, a Fundação de Caridade Tzu Chi Moçambique, no âmbito do aprofundamento da cooperação em iniciativas de produção agrícola sustentável, segurança alimentar e apoio humanitário.

No encontro, a representante da Tzu Chi, Denise Tsai, apresentou o modelo de intervenção, estando localizada uma das maiores farmas no distrito de Nhamatanda, localidade de Micuse, para a provisão de alimentação quente (hot meal) em escolas e unidades hospitalares.

A farma de Micuse dispõe de uma área total de cerca de 200 hectares, dos quais perto de 100 hectares já estão a ser explorados. Actualmente, 48 hectares encontram-se em produção, estando prevista, ainda este ano, a expansão para 50 hectares adicionais.

A Tzu Chi pretende expandir a produção agrícola para aumentar a disponibilidade de alimentos nutritivos a pessoas vulneráveis, com destaque para crianças em idade escolar, estrategicamente, ao mesmo tempo lutando contra a desistência escolar.

O caju será a cultura prioritária para a comercialização. Já o milho como alimento escolar.

Do lado do Governo, está garantido o Instituto de Investigação Agrária de Moçambique (IIAM) para assistência técnica e formação de formadores, de modo a fortalecer a qualidade e a sustentabilidade do modelo.

Na ocasião, o ministro de Agricultura, Roberto Albino exortou a necessidade de incluir jovens moçambicanos formados, aproveitando o seu potencial para replicarem noutras regiões com condições locais.

O uso de energia solar para reduzir os custos e sustentabilidade ambiental, processamento de produtos hortícolas, como o feijão, a criação de pequenas agro-indústrias alimentares e a integração da produção de proteína animal (pequenos ruminantes e aves) são sugestões do ministro.

Nos próximos dias, será assinado um Memorando de Entendimento entre o MAAP e a Fundação de Caridade Tzu Chi. (Muamine Benjamim).

 

Zelenskyy anuncia conversações trilaterais com Rússia e EUA nos Emirados Árabes Unidos

Em declarações à margem do Fórum Económico Mundial, o presidente ucraniano afirmou, a propósito deste momento negocial, que “os russos têm de estar preparados para compromissos”.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, indicou que vão ser realizadas, ainda esta semana, conversações entre as autoridades de Kiev, dos Estados Unidos e da Rússia nos Emirados Árabes Unidos.

“Será a primeira reunião trilateral nos Emirados. Decorrerá amanhã e depois de amanhã”, afirmou o chefe de Estado ucraniano, em Davos, na Suíça, em declarações à margem do Fórum Económico Mundial.

Sem fornecer mais informações sobre os temas que estarão concretamente em causa nas negociações, nem sobre os moldes em que estas decorrerão, Volodymyr Zelenskyy disse apenas, sobre a guerra em curso no seu país: “Os russos têm de estar preparados para compromissos.”

Afirmações proferidas pelo presidente ucraniano depois de, no seu discurso no Fórum Económico Mundial, na quinta-feira, ter criticado duramente a inação europeia, declarando que o continente “parece perdido” e continua preso na repetição interminável de não conseguir defender-se ou apoiar decisivamente a Ucrânia.

“Toda a gente se lembra do grande filme americano “Groundhog Day” (O Feitiço do Tempo), mas ninguém gostaria de viver assim”, disse Zelenskyy. “Repetir a mesma coisa durante semanas, meses e, claro, anos. E, no entanto, é exatamente assim que vivemos agora.”

O líder ucraniano mostrou-se frustrado com a resposta da Europa à crise na Gronelândia, questionando o envio de pequenos contingentes de tropas para o território ártico.

“Se enviarmos 14 ou 40 soldados para a Gronelândia, para que serve isso? Que mensagem é que isso envia? perguntou Zelenskyy. “Qual é a mensagem para Putin, para a China? E, mais importante ainda, que mensagem envia à Dinamarca, vosso aliado próximo? Quarenta soldados não vão proteger nada”.

Zelenskyy disse que passou um ano desde o seu último discurso em Davos, alertando a Europa para a necessidade de aprender a autodefesa, mas “nada mudou”.

“Toda a gente se debruçou sobre a Gronelândia e é evidente que a maioria dos líderes não sabe o que fazer em relação a esta questão”, disse Zelenskyy. “E parece que todos estão à espera que os Estados Unidos se acalmem. Mas e se não se acalmarem? E depois?”, disse.

Zelenskyy criticou a resposta fragmentada da Europa aos desafios globais, declarando que o continente “ainda se sente mais como geografia, história, tradição, e não como uma grande potência política” e “continua a ser um caleidoscópio fragmentado de pequenas e médias potências”.

“A Europa parece perdida ao tentar convencer o presidente dos EUA a mudar. Mas ele não vai mudar”, disse Zelenskyy. “O presidente Trump ama quem é. E diz que ama a Europa, mas não vai ouvir esta Europa”.

O líder ucraniano ofereceu a experiência naval do seu país para resolver as preocupações sobre os navios russos perto da Gronelândia, observando que a Ucrânia tinha atacado com sucesso os navios perto da Crimeia. “Vamos resolver este problema com os navios russos”, afirmou.

E manifestou ainda a sua frustração face à relutância do Ocidente em fornecer à Ucrânia sistemas de armamento avançados, afirmando que os diplomatas o aconselharam a não mencionar os Tomahawks aos americanos “para não estragar o ambiente”.

“Hoje o alvo é a Ucrânia. Amanhã poderá ser qualquer país da NATO”, disse Zelenskyy sobre os mísseis russos. “Não seria mais fácil e mais barato cortar à Rússia os componentes que produzem mísseis ou destruir as fábricas que os produzem?”, questionou.

Zelenskyy criticou também o facto de a Europa não ter reagido à brutal repressão do Irão contra os manifestantes, que matou milhares de pessoas, e comparou a sobrevivência do regime de Teerão com a de Nicolás Maduro, da Venezuela, que vai ser julgado em Nova Iorque.

“O facto é que Maduro está a ser julgado em Nova Iorque. Lamento, mas Putin não está a ser julgado”, disse Zelenskyy. “O homem que começou não só está livre, como ainda está a lutar pelo seu dinheiro congelado na Europa”.

Zelenskyy questionou por que razão Trump podia confiscar os petroleiros da frota sombra e o petróleo, enquanto a Europa não podia, observando que o petróleo financia a guerra contra a Ucrânia. “Se Putin não tem dinheiro, não há guerra para a Europa”, disse Zelenskyy.

No que respeita às negociações de paz, Zelenskyy afirmou que os documentos relativos às garantias de segurança do pós-guerra estão “quase prontos”, mas que o envolvimento de Washington continua a ser fundamental.

“Nenhuma garantia de segurança funciona sem os EUA”, afirmou. “O apoio do presidente Trump é necessário”.

“Quero acabar com isto”

Zelenskyy chegou ao Fórum Económico Mundial em Davos na manhã de quinta-feira para conversações agendadas com o presidente dos EUA, Donald Trump, partindo da Ucrânia, onde mais da metade da capital Kiev permaneceu sem energia após um longo bombardeio russo.

Zelenskyy quase desistiu de vir a Davos, onde tinha planeado finalizar documentos com funcionários dos EUA relacionados com as garantias de segurança do pós-guerra e a recuperação económica.

Na terça-feira, permaneceu em Kiev para se concentrar no restabelecimento da eletricidade, mas chegou à Suíça dois dias mais tarde, quando a crise se agravou.

Cerca de 4.000 edifícios em Kiev não tinham aquecimento na quarta-feira, com as temperaturas a descerem para -20ºC no inverno mais frio dos últimos anos na Ucrânia, quase quatro anos após a invasão total da Rússia.

“Quero acabar com isto. É uma guerra horrível”, disse Trump em Davos na quarta-feira.

Um esforço de um ano da administração Trump para interromper a guerra da Rússia não produziu nenhum avanço, apesar dos repetidos prazos dos EUA, embora os esforços continuassem.

As exigências de Trump em relação à Gronelândia eclipsaram largamente as discussões sobre a Ucrânia no fórum, com o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, a avisar na quarta-feira que a aliança corria o risco de perder o foco nas necessidades de defesa da Ucrânia.

“A questão principal agora não é a Gronelândia, a questão principal é a Ucrânia”, disse Rutte, acrescentando que estava “um pouco preocupado com o facto de podermos perder a bola ao concentrarmo-nos tanto nestas outras questões”.

Zelenskyy anuncia conversações trilaterais com Rússia e EUA nos Emirados Árabes Unidos | Euronews

Moçambique em crise: A vida como um fardo pesado

O caso do funcionário do BCI que foi encontrado morto no hotel no Maputo é um exemplo trágico da crise existencial que assola Moçambique. A vida, que deveria ser um dom precioso, tornou-se um fardo pesado para muitos cidadãos que se sentem desesperados e sem saída.

A pergunta que se impõe é: o que levou esse funcionário a encontrar a morte de forma tão trágica? Será que ele estava enfrentando problemas financeiros ou profissionais que o levaram a sentir que não havia outra saída? Ou será que ele foi vítima de uma rede de corrupção e extorsão?

A falta de transparência e de accountability no sistema financeiro e bancário moçambicano é um problema grave que pode levar a situações como essa. Quando os funcionários públicos e os cidadãos comuns sentem que não há justiça ou equidade, eles podem se sentir desesperados e sem esperança.

O caso do funcionário do BCI também levanta questões sobre a saúde mental e o bem-estar dos funcionários públicos em Moçambique. Será que ele recebeu apoio e ajuda adequados para lidar com os seus problemas? Ou será que ele foi deixado sozinho para enfrentar as suas dificuldades? Ou puramente de saúde, o tiraram a vida? Ainda permanece nos segredos de sete chaves, apesar do SERNIC concluir logo – é preciso ser profundo, não simples juncão de letras para tentar acalmar cidadãos habituados ao sistema.

A metáfora dos “elefantes” e dos “ratos” é particularmente relevante nesse caso. O funcionário do BCI pode ter-se sentido como um “rato” que não tinha voz ou poder para se defender contra os “elefantes” do sistema. A impunidade e a corrupção podem ter criado um ambiente em que ele se sentiu que não havia outra saída.

É hora de os moçambicanos se unirem para exigir justiça, equidade e respeito pelos direitos humanos. A vida é preciosa, não deixemos que se apague. É necessário criar um ambiente em que os cidadãos se sintam seguros e apoiados para falar sobre os seus problemas e buscar ajuda sem medo de represálias. O crime foi tao normalizado que matar moçambicano e português não difere?

A vida é preciosa, não deixemos que se apague. É hora de agir!

O Administrador do BCI Pedro Ferraz Reis foi vítima de um crime hediondo, encontrado morto com ferimentos de arma branca no Hotel Polana Serena. E o estabelecimento o que diz pelas camaras pelo menos nos corredores? A pergunta que fica é: será que a justiça será feita e os responsáveis serão punidos? Aliás, uns já concluíram que ele matou-se, será mesmo?.

A vida é preciosa, não deixemos que se apague: Uma reflexão sobre a crise existencial em Moçambique

A vida, esse dom precioso e efémero, é constantemente ameaçada pela violência, injustiça e desespero que assolam Moçambique. A pergunta que se impõe é: o que leva um ser humano a ponto de tirar a própria vida? Será que a vida perdeu o seu valor em um país onde a dignidade é um luxo e a esperança é uma miragem?

Do ponto de vista filosófico, a vida é um conceito complexo e multifacetado. Segundo o filósofo francês Jean-Paul Sartre, a vida é “um projecto” que cada indivíduo deve assumir e criar seu próprio significado. No entanto, em Moçambique, a vida parece ter sido reduzida a uma mera existência, onde a sobrevivência é um desafio diário e a dignidade é um sonho distante.

A política, que deveria ser um instrumento de transformação e justiça, tornou-se um jogo de poder e corrupção. Os líderes, que deveriam ser os guardiões da nação, parecem mais interessados em manter o status quo e proteger os seus interesses do que servir o povo. A impunidade e a corrupção são como um câncer que corrói a sociedade, levando à desesperança e ao desespero.

A metáfora dos “elefantes” e dos “ratos” é uma crítica contundente à injustiça e à desigualdade que reinam em Moçambique. Os poderosos, representados pelos “elefantes”, são intocáveis e gozam de impunidade, enquanto os mais vulneráveis, os “ratos”, são os que sofrem as consequências da violência e da injustiça.

No entanto, é importante lembrar que a mudança começa com a conscientização e a mobilização. É hora de os moçambicanos se unirem para exigir justiça, equidade e respeito pelos direitos humanos. A vida é preciosa, não deixemos que se apague.

A filósofa moçambicana, Paulina Chiziane, disse: “A nossa luta é uma luta pela vida, pela dignidade e pela justiça”. É hora de os moçambicanos se apropriarem dessa luta e criarem um futuro melhor para si mesmos e para as gerações futuras.

Jornal Profundus

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