O desprezo pelo Direito: Uma reflexão sobre a realidade moçambicana

Há discrepância entre as prioridades dos dirigentes e as necessidades do povo. A discussão sobre a percentagem de pagamento para os funcionários do aparelho de Estado, incluindo professores e o desprezo pelo direito ao 13.º salário integral são apenas sintomas de um problema mais profundo: a falta de compromisso dos líderes com o bem-estar dos cidadãos.

Do ponto de vista filosófico, essa situação nos leva a reflectir sobre a natureza da justiça e da equidade. A teoria do contrato social de Jean-Jacques Rousseau nos lembra que a autoridade política é legítima apenas se for exercida em prol do bem comum. No caso moçambicano, parece que os dirigentes estão a violar esse contrato, priorizando interesses próprios em detrimento das necessidades do povo.

Politicamente, essa situação é um exemplo clássico de como a concentração de poder e a falta de accountability podem levar à opressão e à injustiça. A falta de transparência e de participação cidadã na tomada de decisões é um obstáculo para a construção de uma sociedade mais justa e equitativa.

A questão do pagamento do 13.º salário é um exemplo concreto de como as políticas públicas podem ser usadas para beneficiar ou prejudicar os cidadãos. A decisão de pagar apenas quase a metade do valor é uma violação do direito dos trabalhadores e uma demonstração de desprezo pela sua dignidade.

Para mudar essa situação, é necessário que os moçambicanos se mobilizem e exijam que seus líderes sejam responsabilizados e transparentes. É preciso criar mecanismos de controlo e participação cidadã para garantir que as políticas públicas sejam justas e equitativas. Além disso, é fundamental que os líderes sejam escolhidos com base em sua capacidade de servir ao povo, e não apenas por interesses próprios.

 

Antigas instalações da Escola Secundária Geral de Nhamatanda passam parcialmente a ser usadas pelo Instituto Politécnico Ideias

Antigas instalações da Escola Secundária Geral de Nhamatanda (ESGN) em Sofala passarão a ser exploradas parcialmente pelo Instituto Politécnico Ideias, a partir deste ano. O antigo edifício neste momento está a ganhar novo visual (pintura).

O director do Serviço Distrital de Educação, Juventude e Tecnologia (SDEJT), Estevão Nota confirmou o parecer favorável da iniciativa.

A ESGN já tem novo edifício construído pela Tzu Chi, contando com 36 salas.

No total são 13 escolas construídas pela Tzu Chi, ao mesmo tempo, designadamente, EPC Esturo, EPC Moçambique Industrial e EPC 3 de Fevereiro, na cidade da Beira. E no distrito de Nhamatanda: ESG Nhamatanda, EPC Nharuchonga, ESG Kura, EPC 12 de Outubro, ESG Metuchira, EPC Lamego, ESG Lamego, EPC Ndeja, ESG Tica e EPC Muda Mufo. No total, 13 escolas.

Já o director da ESGN, Zacarias Magueva confirma que já foi assinado um contrato com o Instituto Politécnico Ideias para ocupar as instalações, oferecendo Educação de Infância; Administração de Trabalho; Contabilidade; Gestão Autárquica e Gestão de Logística.

Segundo Zacarias Magueva, o Instituto vai arrendar apenas sete salas da 30 para todas as respectivas actividades.

O novo e antigo edifícios da ESGN serão ainda usados, uma vez que este ano, a escola pretende formar 83 turmas para os 4.331 alunos matriculados da 7.ª a 12.ª classes.

De manhã, a ESGN prevê 18 turmas para 10.ª classe, 17 turmas para a 11.ª classe e 13 turmas para a 12.ª classe. E de tarde, as restantes 35 da 7.ª a 9.ª classes. (Muamine Benjamim).

PRM DESMENTE: “Não se tratou de cerco às instalações do Comando Provincial da PRM-Maputo”

No âmbito de articulação entre os dois serviços nomeadamente Polícia da República de Moçambique (PRM) e o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), este último “informou ao Comando-Geral da PRM da pretensão de execução de mandados de captura emitidos pelo Tribunal Judicial da Província de Maputo contra alguns agentes da PRM, suspeitos da prática de um crime, cujo processo corre seus termos legais na Direcção Provincial do SERNIC de Maputo”, começou por justificar a PRM.

“Averiguada e confirmada a existência dos referidos mandados de captura e […], manifestou a sua total disponibilidade em colaborar na execução dos referidos mandados.

“Com efeito, não se tratou de cerco às instalações do Comando Provincial da PRM-Maputo pelos agentes do SERNIC, nem a protecção dos agentes em causa pelo citado Comando Provincial, como se tem difundido erradamente”, termina o comunicado da PRM, emitido ontem, reafirmando o compromisso mutuo com o SERNIC contra criminalidade. (Muamine Benjamim).

Moza Banco mobiliza recursos para apoiar populações afectadas pelas cheias

O Moza Banco iniciou um Movimento de Solidariedade e manifesta abertura para receber toda a ajuda possível para apoiar as populações afectadas pelas cheias que assolam várias regiões do país, com particular incidência na província de Gaza, sul de Moçambique, onde milhares de famílias enfrentam perdas significativas e condições de extrema vulnerabilidade.

Segundo uma nota informativa do Moza Banco, enquanto recolhe bens junto de colaboradores e parceiros, em todo o país, o Banco, em parceria com as autoridades locais e centrais, identificou quatro distritos em situação crítica na província de Gaza, nomeadamente Chicualacuala, Chigubo, Guijá e Mapai, que deverão beneficiar, ainda esta semana, dos esforços desta campanha de mobilização de recursos.

“Todos os nossos colaboradores estão envolvidos nesta campanha e o próprio Banco mobilizou fundos para adquirir bens diversos e garantir que também responde a este chamado da nação. Não vamos abandonar o povo moçambicano neste momento tão sensível”, assegurou o Presidente da Comissão Executiva (PCE) do Moza Banco, Manuel Soares.

Embora Gaza seja a grande prioridade, neste momento, o Moza não está indiferente à situação calamitosa enfrentada por algumas populações da Província de Maputo. Assim, em colaboração com outros parceiros, o Banco está a mobilizar-se para juntar o máximo de bens e valores possíveis para garantir que as vítimas das cheias, em Maputo, também tenham apoio.

“Queremos apoiar, principalmente, as famílias que estão nos vários centros de acolhimento e que padecem de quase tudo neste momento. Estamos sensibilizados com a situação que se vive no terreno, sobretudo a nível do distrito de Boane onde o transbordo de alguns rios e canais hidrográficos causou inundações que semearam muita dor no seio das famílias”, disse o PCE.

O Moza Banco coloca em prática um dos seus valores basilares, nomeadamente a Resiliência junto do povo, reafirmando o seu compromisso com as comunidades e com a solidariedade activa (empatia). (Profundus).

Já está assinado o memorando para construção de “Hospital Escola” de referência pela Gorongosa

O Parque Nacional da Gorongosa, através da Fundação Greg Carr (Projecto de Restauração) dá passos significativos para construir um hospital de referência no distrito de Gorongosa. Para o efeito, já foi assinado em Idaho, nos Estados Unidos da América.

Trata-se de um hospital do tipo três, que além de atendimento ao público, terá também a componente formação dos profissionais de saúde em exercício.

A concretizar, esta será a segunda maior unidade sanitária do país, depois do Hospital Central de Maputo, e a maior infra-estrutura hospitalar construída de raiz em Moçambique, após a independência.

A equipa do Parque Nacional da Gorongosa já visitou o Hospital Central de Maputo para, a partir daí, desenhar as directrizes que culminarão com a construção da imponente infra-estrutura.

“Estamos a ter uma Conferência em Idaho para fazer um plano de saúde para Moçambique. No meu ombro esquerdo com o fato azul-claro está o Ministro da Saúde. As pessoas da Escola de Medicina da Universidade de Pittsburgh também estão aqui (com as equipas Gorongosa e Ministério) ”, escreveu ontem, o Presidente da Fundação Greg Carr, na sua conta oficial do Facebook.

Para a sua implementação, o Parque Nacional da Gorongosa estabeleceu uma parceria com a Universidade de Pittsburgh, que integra um dos maiores hospitais do mundo, com destacados e renomados especialistas.

Entre os presentes em Idaho, está o administrador do distrito de Gorongosa, Pedro Mussengue, que igualmente defendeu num grande auditório de académicos e investidores sobre a necessidade de investir naquele distrito nas áreas como agricultura, turismo e aviação, a além de que é ali onde produzem um dos melhores cafés do mundo.

A Gorongosa projecta um hospital onde serão treinados profissionais de saúde, incluindo a componente clínica e valências de pesquisa e inovação.

O distrito de Gorongosa possui um centro de saúde distrital com muita demanda, estando localizado junto da Estrada Nacional Número Um (EN1).

Alguns casos são encaminhados para o Hospital de Chimoio, na vizinha província de Manica. Portanto, o hospital de renome, não apenas servirá o distrito de Gorongosa, mas o País inteiro.

As obras poderão iniciar dentro deste ano. (Muamine Benjamim).

GREVE SUSPENSA: Pagamentos em “gotas” de salários começam aos trabalhadores do Diário de Moçambique

Depois de três dias de greve (dos sete inicialmente estabelecidos), os trabalhadores da Sociedade Comercial Notícias da Beira, S.A.R.L., a empresa que edita o jornal Diário de Moçambique, com Sede na cidade da Beira, decidiram retomar ontem, quinta-feira, as suas actividades, na sequência do acordo alcançado com o patronato, à mesa da Arbitragem Laboral, na capital provincial de Sofala, para o pagamento dos salários em atraso.

Os consensos alcançados na última quarta-feira resultaram de um “braço-de-ferro”, levando a reunião a terminar por volta das 20 horas.

O Sindicato Nacional de Jornalistas (SNJ) esteve directamente envolvido nas negociações, no Centro de Mediação e Arbitragem Laboral (CEMAL) de Sofala, representado pelo Secretariado Provincial de Sofala e pelo Comité Local do Diário de Moçambique.

“O acordo alcançado preconiza que o primeiro dos três meses de salários em dívida (outubro de 2025) seja liquidado já hoje, sexta-feira; o segundo (novembro de 2025) na sexta-feira da próxima semana, dia 23, e o último (dezembro de 2025) seja pago duas semanas depois, ou seja, a 06 de Fevereiro de 2026”, lê-se no comunicado do SNJ a que o “Profundus” teve acesso.

As sucessivas dificuldades salariais no segundo maior diário impresso do país, segundo a direcção da empresa, têm como fundamento dívidas de terceiros para com a Sociedade Comercial Notícias da Beira, S.A.R.L., sendo o Estado moçambicano, através de diferentes instituições, citado como o maior devedor, com cerca de 25 milhões de meticais por liquidar.

Em alguns momentos da negociação, a mediação teve de fazer contactos telefónicos com o Director-Geral da empresa, que neste momento se encontra fora do país, até que se chegasse ao acordo assumido pelos trabalhadores, ou seja, a garantia do pagamento de salários em atraso.

No processo negocial, pesou o interesse público da empresa, já que, na sequência da greve iniciada segunda-feira, dia 12, o jornal não saiu à rua por três dias, privando os cidadãos do acesso à informação através daquele meio.

O SNJ reitera a sua solidariedade para com os membros do Sindicato e outros trabalhadores da Sociedade Comercial Notícias da Beira, S.A.R.L., e a sua disponibilidade em participar na busca de soluções para os problemas laborais que os afectam.

O Diário de Moçambique é o único físico publicado fora da capital moçambicana, Maputo, desafiando quase tudo. (Muamine Benjamim).

 

Jovem continua desaparecido depois do ataque de crocodilo em Chemba

O distrito de Chemba, província de Sofala, volta a “assustar” residentes de Chemba por causa de um ataque de crocodilo. Desta vez foi um jovem de idade entre 29 e 30, quando tentava pescar nas águas do rio Zambeze.

Na tarde da última quarta-feira, 07 de janeiro, por volta das 15h, um ataque fatal de crocodilo fez desaparecer o jovem Domingos João Perde Vida e pai de família.

O incidente ocorreu numa das ilhas do traiçoeiro rio Zambeze, na zona de Tchibuite, em Pwite, interior do distrito de Chemba.

Segundo os familiares, a vítima estava numa canoa na companhia de outros dois pescadores, quando, subitamente, um crocodilo o arrastou para as profundezas. Até ao momento, o corpo continua desaparecido, apesar das buscas feitas pela comunidade local.

Domingos João deixa três filhos menores e duas esposas. Mais do que números, são vidas afectadas, sonhos interrompidos e famílias desestruturadas.

Este episódio volta a acender o alerta sobre os riscos crescentes de ataques por animais selvagens nas zonas ribeirinhas, especialmente durante a época chuvosa, quando os níveis das águas aumentam e a aproximação às margens torna-se ainda mais perigosa.

As autoridades distritais e comunitárias reforçam o apelo à prudência e pedem a implementação urgente de medidas concretas de prevenção, incluindo campanhas de sensibilização, sinalização de zonas de risco e vigilância comunitária. (Rosário Phoinde).

 

PRODUÇÃO PELA GORONGOSA: Caju sobe de duas para potenciais mais de cinco toneladas por ano

O Parque Nacional da Gorongosa (PNG) está a expandir a produção de caju numa área total de 200 hectares, dos quais 20 hectares já se encontram demarcados de forma faseada, no posto administrativo de Savane, em Dondo, província de Sofala. Este ano, só naquele distrito, a previsão é de produzir 5.223 quilogramas de caju (5 toneladas), ultrapassando os 2.460 (duas toneladas) de 2025 e 540 kgs (metade de uma tonelada) de 2024.

Recentemente, o Parque Nacional da Gorongosa (PNG) em Dondo, procedeu com o campo de plantio de mudas num campo dividido em blocos de 10 hectares, separados por arruamentos de 10 metros, com demarcação feita a um compasso de 5 por 5 metros. E cada hectare com 400 cajueiros. Estas técnicas permitem o alinhamento, o controlo e a fácil contagem das plantas, além da pretensão de maximizar a produtividade e facilitar a gestão agrícola.

A iniciativa insere-se no programa de fomento agrícola do PNG e visa reforçar a produção do caju, garantir o alinhamento técnico das plantas e maximizar a produtividade.

Nos 200 hectares para o plantio de mudas de caju, serão 80 mil plantas no terreno. As técnicas a serem aplicadas

Segundo o Coordenador do Programa de Agricultura em Nhamatanda e Dondo, Orlando Pinto, o projecto tem um forte impacto socioeconómico e visa essencialmente melhorar as condições de vida das famílias da Zona de Desenvolvimento Sustentável.

Orlando Pinto falando no campo de plantio de mudas de caju, explicou que “o objectivo principal é melhorar o rendimento familiar através da venda da castanha de caju. Não temos uma meta fixa de beneficiários, porque cada produtor entra no programa por livre vontade, desde que tenha pelo menos um hectare disponível para a produção”, afirmou Orlando Pinto.

Em dezembro de 2023, o PNG assinou um memorando de entendimento de 5 anos com o Instituto de Amêndoas de Moçambique (IAM) que permitirá a colaboração através de três principais linhas estratégicas de actuação: promoção da cultura do caju por meio da produção orgânica; processamento e agregação de valor através da instalação de uma fábrica que aumentará o uso total de caju; cooperação técnica entre as partes com foco nos produtores nos distritos abrangidos.

Inicialmente, o PNG previa a instalação de uma unidade de processamento de castanha de caju no distrito de Gorongosa. Mas por agora, primeiro, “atacamos dois objectivos-chave: o aumento da renda das famílias e o reflorestamento da Zona Tampão [ou Zona de Desenvolvimento Sustentável”, sublinhou Orlando Pinto.

Os técnicos do Parque Nacional da Gorongosa distribuem as mudas de caju aos agricultores e dão-lhes assistência técnica e posteriormente auxiliam no processo de venda do caju, com um financiamento da Embaixada da Noruega em Moçambique.

O plano da Gorongosa é garantir que haja um benefício duplo ao abrir a fruta, caju, para extrair amêndoas a exportar aos mercados americano e europeu. E a castanha, extrair os óleos como o CSNL (Cashew Nuts Shell Liquid) para exportar ao mercado asiático. Além da ideia de se fazer sumo de caju a partir das frutas.

O PNG estabeleceu uma parceria com a empresa Condores, sediada na província de Gaza, responsável pelo processamento da castanha produzida pelas famílias da Zona Tampão.

“Toda a castanha produzida e transportada para a Companhia que faz a transferência dos valores monetários ao Parque. E o Parque procede ao pagamento às famílias produtoras”, explicou o coordenador.

A produção de castanha acontece os seis distritos considerados Zona de Desenvolvimento Sustentável ou Zona Tampão do PNG e com impacto na vida das comunidades. Em 2024, por exemplo, a produção foi de 540 kg, evoluindo para 2460 kg (2025), já para 2026, o Parque prevê produzir 5.223 quilogramas (5 toneladas).

“No passado, as comunidades da zona tampão não tinham hábito de produzir caju porque não conheciam o seu valor comercial. Hoje, os produtores que já colhem e vendem grandes quantidades estão a servir de exemplo para outros, o que explica a grande procura pelo programa”, destacou Orlando Pinto.

Nesse contexto, os produtores comparticipam nos custos de assistência. “Os beneficiários comparticipam com 20 a 30 por cento nos custos de polinização, tratamentos e assistência técnica, e no momento da comercialização contribuem com 30 por cento do valor da venda da castanha”, explicou, afinal, apesar dos avanços, o programa enfrenta limitações de recursos.

Carlitos Bismato, com dois hectares de terra já é testemunho pelos ganhos depois de vender a castanha e caju. “Com aquele dinheiro comprei comida e algumas chapas para cobrir a casa. Este ano espero ultrapassar a produção e o rendimento, para comprar uma cama, cadeiras, uma motorizada e terminar a minha casa”, partilhou a sua experiência no campo de produção, na companhia da sua esposa.

Numa primeira fase, “consegui cerca de 7 mil meticais. Comprei comida, roupas para as crianças, pratos e panelas. O caju já faz parte da nossa vida e hoje sentimos que o nosso trabalho vale a pena”, disse Alice Luís, outra produtora, ainda em Dondo.

O projecto do caju começou em 2017 com o objectivo de reflorestar as comunidades à volta do Parque e de aumentar a sua renda.

O projecto arrancou com 50 mil mudas para beneficiar e trabalhar com cerca de 3.800 agricultores das quais 34 por cento são mulheres da zona tampão. Mas hoje, o número subiu para 4.542 produtores, sendo 1.660 mulheres e 70.144 cajueiros em idade reprodutiva. E 2025 inclui a previsão de 7.000 agricultores emergentes, além do foco nos mercados internacionais.  (Muamine Benjamim e Narcísio Cantanha).

ZONA CENTRO: Nhamatanda vai acolher o lançamento do “Recreativo de Futebol Chapo Chapo”

“Recreativo de Futebol Chapo Chapo” é um projecto do Presidente de Moçambique, Daniel Chapo e surge do reconhecimento pessoal do papel desempenhado pelo desporto, enquanto catalisador do desenvolvimento socioeconómico e na perspectiva de desenvolver no distrito uma economia ancorada no futebol, dando aos jovens novos horizontes. O objectivo é ocupar a juventude e evitar que na ociosidade e com muito tempo disponível, possam ser aliciados para vícios e outras práticas maliciosas.

No distrito de Nhamatanda, província de Sofala, o lançamento do Recreativo de Futebol Chapo Chapo está marcado para 15 de janeiro de 2026, contando com actuação musical de artistas locais e renomados como Twenty Fingers, Mr. Bow, além de confronto de duas equipas simbolizando o início do projecto.

Segundo o director da Educação, Juventude e Tecnologia (SDEJT) de Nhamatanda, Estevão Nota, o distrito vai simbolizar a abertura do Recreativo de Futebol Chapo Chapo, na zona centro de Moçambique.

Numa iniciativa de envolvimento de todos os distritos de Moçambique, através de estruturação e organização de um campeonato de futebol recreativo, Daniel Chapo, patrono do projecto, pretende promover o desporto como ferramenta de coesão social, de coabitação pacífica e visa ocupar os jovens evitando que se percam ainda na ociosidade.

Chapo pretende reconquistar a juventude usando o desporto para criar um espaço de comunicação e convivência harmoniosa entre os jovens, cultivando neles o espírito de união e valorização do trabalho colectivo, factores sem os quais dificilmente os adolescentes desenvolvem.

Esta iniciativa vai permitir igualmente sinalizar os distritos como polo de desenvolvimento e em condições de aproveitar a imensidão de oportunidades que o desporto oferece para a melhoria das vidas, contribuindo assim para o crescimento económico de Moçambique.

O Recreativo de Futebol Chapo-Chapo está projectado para atingir directamente cerca de cinco milhões de jovens por ano, desde jogadores, treinadores, árbitros e principalmente espectadores.

O público-alvo do Recreativo de Futebol Chapo-Chapo é jovem com idade mínima de 16 anos.

O Recreativo de Futebol Chapo-Chapo é um evento que será disputado nacionalmente, mormente em todos os 154 distritos do país, passando por competições.

A fase distrital compreende o primeiro estágio do torneio e é disputado somente ao nível da circunscrição geográfica do distrito, a obedecer a um calendário a ser elaborado pelo Gabinete Técnico da Associação Nacional de Futebol Recreativo.

A Recreativo de Futebol Chapo-Chapo é o segundo estágio do campeonato e é disputado pelas equipas vencedoras das fases distritais, a obedecer a um calendário a ser elaborado pelo Gabinete Técnico da Associação Nacional de Futebol Recreativo.

A fase final ou nacional é a última fase da competição, a realizar-se numa cidade capital a indicar pelo Gabinete Técnico da Associação Nacional do Futebol Recreativo e é disputada pelas 11 equipes vencedoras da fase provincial e uma que será repescada de entre as segundas classificadas da fase Provincial, num critério a ser definido pelo regulamento da competição.

A fase distrital vai decorrer de fevereiro a agosto; provincial, de Setembro a novembro; e a final em dezembro.

O documento na posse do “Porfundus” aponta o Dominguez como uma das caras desta iniciativa futebolista.

Com uma carreira lendária em clubes nacionais e internacionais, sendo uma figura icónica da selecção de Moçambique (“Mambas”) e conhecido pelas suas habilidades, desde os juvenis até se tornar um dos melhores jogadores de Moçambique, Dominguez (Elias Pelembe) é o embaixador do Recreativo de Futebol Chapo Chapo. (Muamine Benjamim).

“CANCRO” DE SALÁRIOS: 79 colaboradores do Diário de Moçambique paralisam actividades

O Diário de Moçambique enfrenta os seus piores momentos, consecutivamente, sem salários desde outubro de 2025. Aquele Órgão de Comunicação Social criado no tempo colonial cujo maior accionista e cliente é o Estado, começou a enfrentar estes problemas de ordenados na governação de Filipe Jacinto Nyusi (2020).

O secretário do sindicato do Diário de Moçambique, Alberto Cassimo, confirmou o problema em entrevista ao “Jornal Profundus”. “Desde a governação de Nyusi, enfrentamos este problema”, mas desta vez, o atraso salarial é de meses consecutivos, de outubro de 2025 a esta parte.

São 79 colaboradores que estão a se virar todos os dias para sustentar as suas famílias e fazer-se ao posto de trabalho.

Tantas promessas de solução foram feitas. O sindicato chegou a recorrer ao Centro de Mediação e Arbitragem Laboral (CEMAL), mas ainda não há luz, tanto que viram-se obrigados a recorrer a paralisação das actividades e aos colegas (imprensa).

Os secretariados dos comités sindicais (SNJ) e SINTIQUAF – Sociedade Comercial Notícias da Beira (Diário de Moçambique) a visam “a paralisação laboral a entidade empregadora e aos trabalhadores em geral desta firma, a observância de uma paralisação laboral por um período laboral de sete dias, prorrogáveis, contados a partir de 12 de janeiro de 2026 [hoje, segunda-feira], com início as 7h, enquanto não for satisfeita a reivindicação integral (pagamento incondicional dos meses de outubro, novembro e dezembro de 2025)”, lê-se no documento a que o “Profundus” teve acesso.

Só a dívida do Estado para os escribas ultrapassa mais de 25 milhões de meticais, valor suficiente para pagar os salários.

 

Reacção do SNJ Sofala

Ainda hoje, o Secretariado Provincial do Sindicato Nacional dos Jornalistas (SNJ) em Sofala, “tomou conhecimento, por escrito, da dolorosa e extrema decisão de paralisar a actividade laboral no Jornal Diário de Moçambique”.

“Os motivos elencados e os passos dados pelos representantes sindicais são bastantes fortes e firmes, daí que o Secretariado Provincial do SNJ em Sofala solidariza-se com os trabalhadores em greve e lança apelo aos accionistas desta firma público-privada, incluindo o Estado Moçambicano, para que seja encontrada uma solução URGENTE para o problema, através do diálogo directo, franco e honesto, em salvaguarda do interesse público”.

“A direcção do SNJ em Sofala reitera a sua total disposição em colaborar com as partes na identificação de possíveis saídas deste imbróglio e rápida retoma da actividade laboral na Sociedade Comercial Notícias da Beira, que edita o Diário de Moçambique.” (Muamine Benjamim).

Jornal Profundus

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