Bairros flutuantes: A ousada solução holandesa para um mundo que está afundando no mar

Quando uma forte tempestade atingiu a região, em outubro de 2022, os moradores da comunidade flutuante de Schoonschip, na capital holandesa, Amsterdã, estavam certos de que poderiam resistir.

Eles amarraram suas bicicletas e bancos, asseguraram que todos tivessem água e comida suficiente e se refugiaram. Enquanto isso, o bairro subia e descia pelos seus pilares de aço, se elevando com a água e descendo até a sua posição original, quando a chuva diminuiu.

“Nós nos sentimos mais seguros durante a tempestade porque flutuamos”, conta a produtora de TV holandesa Siti Boelen, que se mudou para Schoonschip há dois anos. “Para mim, é estranho que construir sobre a água não seja uma prioridade mundial.”

À medida que o nível do mar aumenta e tempestades mais intensas causam inundações, os bairros flutuantes oferecem um experimento de defesa contra cheias que poderia permitir às comunidades litorâneas resistir melhor às mudanças climáticas.

Na Holanda, com sua escassez de terras e grande densidade populacional, a demanda por este tipo de moradia está aumentando.

E, à medida que cada vez mais pessoas procuram construir sobre a água, as autoridades trabalham para atualizar as leis de zoneamento e facilitar a construção de moradias flutuantes.

“O município quer ampliar o conceito de moradias flutuantes, por se tratar de uso multifuncional do espaço para habitação e porque a sustentabilidade é o caminho a seguir”, afirma a vereadora de Amsterdã Nienke van Renssen, do partido Verde-Esquerda.

 

Modelo para o mundo

As comunidades flutuantes que surgiram na Holanda na última década serviram de teste para projetos em escala maior que, agora, os engenheiros holandeses estão espalhando pelo mundo.

Estes projetos não se limitam a países europeus, como o Reino Unido, a França e a Noruega. Eles também estão presentes na Polinésia Francesa e nas ilhas Maldivas, uma nação do Oceano Índico onde o aumento do nível do mar representa uma ameaça à sua própria existência.

Existe até mesmo uma proposta de construção de ilhas flutuantes no mar Báltico, onde seriam erguidas pequenas cidades.

Uma casa flutuante pode ser construída em qualquer região litorânea. Ela é capaz de resistir ao aumento do nível do mar ou às inundações provocadas pela chuva, permanecendo sobre a superfície da água.

Diferentemente das casas-barco, que podem ser facilmente desamarradas e reposicionadas, as casas flutuantes são fixadas à orla, frequentemente sobre postes de aço, e costumam ser conectadas ao sistema de saneamento e à rede elétrica local.

Sua estrutura é similar às casas construídas em terra, mas, em vez de porão, elas têm um casco de concreto que atua como contrapeso, permitindo que elas permaneçam estáveis na água.

Na Holanda, as casas costumam ter formato quadrado e três andares. Elas são pré-fabricadas, ou seja, construídas em outro lugar com materiais convencionais, como madeira, aço e vidro.

Para as cidades que enfrentam o agravamento das inundações e a escassez de terrenos para construção, as casas flutuantes oferecem a possibilidade de expandir as moradias urbanas, na era das mudanças climáticas.

Koen Olthuis fundou, em 2003, o escritório de arquitetura holandês Waterstudio, dedicado exclusivamente às construções flutuantes. Ele afirma que a natureza relativamente simples das casas flutuantes pode ser sua maior vantagem.

As casas projetadas pelo seu escritório ficam estáveis devido aos postes que são enterrados até cerca de 65 metros de profundidade. Eles são equipados com materiais que absorvem os impactos, para reduzir a sensação de movimento das ondas próximas.

As casas sobem quando aumenta o nível da água e descem quando ela baixa. Mas, apesar da sua aparente simplicidade, Olthuis defende que o sistema tem o potencial de transformar as cidades de forma nunca vista desde a invenção do elevador, que impulsionou os horizontes para cima.

 

‘Medicina urbana’

“Agora, temos a tecnologia e a possibilidade de construir sobre a água”, afirma Olthuis. Ele já projetou 300 casas flutuantes, escritórios, escolas e centros de saúde.

Olthuis destaca que ele e seus colegas não se consideram “arquitetos, mas sim médicos urbanos, e vemos a água como um remédio”.

A Holanda é um país construído, em grande parte, sobre terrenos retirados do oceano. Um terço do país permanece abaixo do nível do mar, de forma que esta ideia não é tão fora de propósito.

Amsterdã conta com quase 3 mil casas-barco tradicionais registradas oficialmente nos seus canais e centenas de pessoas se mudaram para casas flutuantes em bairros até então abandonados.

Schoonschip foi projetado pela empresa holandesa Space&Matter. O bairro é formado por 30 casas, a metade delas com dois pavimentos, em um canal de uma antiga zona industrial.

O bairro fica a curta distância de balsa do centro de Amsterdã, onde trabalham muitos dos seus moradores, que compartilham praticamente tudo, como bicicletas, carros e alimentos adquiridos de agricultores locais.

Cada construção conta com sua própria bomba de calor e dedica cerca de um terço do seu telhado a cobertura verde e painéis solares. Os moradores vendem a energia excedente entre si e para a rede elétrica nacional.

“Morar perto da água, para nós, é normal e este é exatamente o objetivo”, afirma a diretora de TV holandesa Marjan de Blok, que iniciou o projeto em 2009. Ela organizou o coletivo de arquitetos, juristas, engenheiros e moradores que trabalharam para levar a ideia adiante.

A cidade de Roterdã, localizada 90% abaixo do nível do mar, abriga o maior porto da Europa e o maior edifício comercial flutuante do mundo, além de uma fazenda flutuante com robôs que ordenham vacas, abastecendo os supermercados locais com laticínios.

Desde a inauguração do Pavilhão Flutuante, em 2010 (um espaço de reuniões e eventos abastecido com energia solar no porto de Roterdã), a cidade intensificou seus esforços para integrar este tipo de projeto, considerando os edifícios flutuantes um dos pilares da sua Estratégia de Adaptação e Resistência às Mudanças Climáticas.

“Nos últimos 15 anos, nós nos reinventamos como uma cidade localizada em um delta”, afirma o diretor de resiliência da prefeitura de Roterdã, Arnoud Molenaar. “Em vez de considerar a água simplesmente um inimigo, nós a vemos como uma oportunidade.”

 

Reduzindo os efeitos das mudanças climáticas

Para ajudar a proteger as cidades contra as mudanças climáticas, o governo holandês implementou em 2006 o programa “Espaço para o Rio”, permitindo que certas regiões sejam inundadas estrategicamente durante períodos de fortes chuvas.

Esta mudança de paradigma busca a adaptação ao aumento do nível da água, em vez de resistir à mudança.

Olthuis afirma que a escassez de moradias na Holanda poderia impulsionar a demanda por casas flutuantes, até mesmo nas regiões do “Espaço para o Rio”, onde as inundações farão parte do cenário, pelo menos durante um período do ano.

Especialistas calculam que reduzir a falta de moradias no país exigirá a construção de um milhão de novas casas nos próximos 10 anos. E as casas flutuantes poderão ajudar a reduzir a pressão sobre a escassez de terrenos disponíveis.

As empresas holandesas especializadas em construções flutuantes também receberam inúmeras consultas de empreiteiros do exterior, em busca de projetos mais ambiciosos.

A empresa holandesa de tecnologia Blue21, especializada em construções flutuantes, trabalha atualmente em uma série de ilhas flutuantes propostas para construção no mar Báltico.

O local poderá abrigar 50 mil pessoas, com conexão a um túnel ferroviário submarino a ser construído com financiamento privado de US$ 16,9 bilhões (cerca de R$ 90 bilhões), que ligará Helsinque, na Finlândia, a Tallin, na Estônia.

O projeto conta com o apoio do investidor finlandês e desenvolvedor do jogo “Angry Birds”, Peter Vesterbacka.

O Waterstudio supervisionará a construção, neste inverno do hemisfério norte, de um complexo de moradias flutuantes perto da capital das ilhas Maldivas, Malé, uma zona de baixa altitude onde 80% do país se encontra a menos de um metro acima do nível do mar.

O projeto é composto por moradias acessíveis, com projetos simples e capacidade para 20 mil pessoas.

Sob os cascos, serão construídos recifes artificiais para ajudar a sustentar a vida marinha. Os edifícios bombearão água do mar fria das profundezas para alimentar os sistemas de ar condicionado.

“Não existe mais essa ideia de um mago louco construindo uma casa flutuante”, segundo Olthuis. “Agora, estamos criando cidades azuis, usando a água como ferramenta.”

Os objetivos e os desafios

Mas as casas flutuantes apresentam inúmeros desafios. O vento e a chuva intensa e até a passagem de grandes navios de cruzeiro podem fazer as construções balançarem.

A moradora de Schoonschip Siti Boelen comenta que, quando se mudou para o bairro, as tempestades fizeram com que ela pensasse duas vezes antes de subir para a cozinha no terceiro piso, onde se sentia o movimento com mais força.

“Nós sentimos no estômago”, ela conta. Mas, desde então, ela se acostumou com essa sensação.

As casas flutuantes também exigem infraestrutura e obras adicionais para conexão à rede elétrica e de saneamento. É preciso contar com cabos e bombas especiais para conexão aos serviços municipais em terrenos mais altos.

No caso de Schoonschip, em Amsterdã, e do edifício comercial flutuante em Roterdã, foi preciso construir novas microrredes do zero. Mas os benefícios podem superar os custos.

Rutger de Graaf é diretor e um dos fundadores da Blue21. Ele afirma que o número cada vez maior de tempestades desastrosas, sem precedentes em todo o mundo, impulsionou urbanistas e moradores a buscar soluções na água.

De Graaf defende que as construções flutuantes poderiam ter salvado vidas e bilhões de dólares em danos no verão europeu de 2021, quando inundações mortais atingiram a Alemanha e a Bélgica, matando pelo menos 222 pessoas.

“Se houver inundações, espera-se que muitas pessoas se transfiram para zonas mais altas. Mas a alternativa é permanecer perto das cidades litorâneas e explorar a expansão para a água”, segundo De Graaf.

“Se considerarmos que, na segunda metade do século, centenas de milhões de pessoas serão deslocadas pelo aumento do nível do mar, devemos começar agora a ampliar a escala das construções flutuantes.”

* Esta reportagem foi publicada originalmente pelo portal Yale e360 e reproduzida pela BBC Future mediante autorização. Leia aqui a versão original em inglês.

Quatro maneiras de ajudar seu corpo a fazer um ‘detox’ para limpar o organismo

Se você participou dos excessos típicos do período festivo, talvez esteja pensando agora em fazer uma dieta de desintoxicação (ou “detox”) por algumas semanas, na tentativa de limpar o organismo. Mas, dos jejuns à base de sucos e muitas outras dietas detox com restrição calórica e proteica, geralmente há poucas evidências de que elas realmente funcionem para eliminar toxinas ou controlar o peso.

Até a própria palavra “toxinas”, que em geral se refere a substâncias venenosas para os organismos, costuma ser usada de forma vaga e indefinida na promoção dessas dietas. E, embora existam sim substâncias no ambiente que podem nos fazer mal, o corpo humano dispõe de uma série de mecanismos extremamente eficazes para eliminá-las naturalmente.

Aqui estão algumas maneiras de ajudar esses processos.

 

Coma mais fibras

A grande maioria de nós consome fibras em quantidade muito inferior à recomendada. Nos Estados Unidos, cerca de 97% dos homens e 90% das mulheres não atingem a ingestão sugerida. Na verdade, a maioria dos americanos consome menos da metade do valor recomendado.

As fibras têm um impacto significativo na saúde. Ajudam a reduzir a inflamação, fortalecem o sistema imunológico e podem influenciar o funcionamento do cérebro, o humor e a cognição. Também estão associadas à redução do risco de várias doenças crônicas, incluindo doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e câncer de cólon. A forma como as fibras ajudam a “limpar” o organismo é uma das razões desses efeitos benéficos.

Para começar, as fibras aumentam o volume e o peso das fezes, tornando-as mais macias e fáceis de eliminar, além de reduzir o tempo de contato de substâncias nocivas com o intestino.

Pesquisas também mostram que as fibras podem agir como uma espécie de ímã, ligando-se a toxinas e a outras substâncias e ajudando a removê-las do corpo. Um estudo de 2015, por exemplo, mostrou que as fibras se ligam a íons tóxicos como chumbo, arsênio e cobre, facilitando sua excreção. As fibras também parecem ajudar o organismo a eliminar ácidos biliaresreduzindo o colesterol e, assim, o risco de doenças cardiovasculares. Estudos mostram ainda que alguns tipos de fibra podem inclusive potencializar a desintoxicação de substâncias carcinogênicas e inibir o crescimento de células cancerígenas, embora essa ainda seja uma área de pesquisa inicial.

As fibras podem até nos ajudar a eliminar os “produtos químicos eternos“, um conjunto de substâncias sintéticas com efeitos de longo prazo e potencialmente nocivas. Estudos de pequena escala em ratos e humanos descobriram que a ingestão de suplementos de fibras com as refeições parece reduzir seus níveis no organismo, embora essa área de pesquisa ainda esteja em fase inicial.

As fibras também ajudam a proteger os rins e o fígado, ambos essenciais para a eliminação de toxinas do organismo, ao protegê-los de bactérias nocivas e favorecer o crescimento de bactérias benéficas.

Para aumentar o consumo de fibras, os alimentos de origem vegetal são a melhor opção. Frutas secas como damascos, verduras de folhas verdes como espinafre e leguminosas como grão-de-bico, lentilhas e feijões são ricas em fibras, assim como aveia, pão e massas integrais. Para lanches, vale apostar em maçãs, frutas vermelhas, nozes, sementes, pipoca ou leguminosas torradas. A variedade é fundamental, já que existem muitos tipos de fibras, com propriedades diferentes.

 

Beba mais água

A água ajuda a remover toxinas do corpo ao auxiliar os rins e o fígado na excreção de resíduos.

Os rins, por exemplo, usam a água para eliminar toxinas como sódio e ureia. A desidratação pode levar ao acúmulo dessas substâncias. Com o tempo, até mesmo uma desidratação leve pode aumentar o risco de danos aos rins e tornar a eliminação de resíduos menos eficiente. Beber água em quantidade adequada também ajuda a proteger os rins a longo prazo. Uma revisão de 18 ensaios clínicos randomizados mostrou que o maior consumo de água pode reduzir o risco de pedras nos rins, entre outros benefícios.

Então, quanta água é suficiente para que o corpo desempenhe essas funções essenciais? A recomendação popular de oito copos por dia (cerca de dois litros) está desatualizada e tem origem em uma orientação de 1945. Hoje, estima-se que cerca de 1,5 a 1,8 litro por dia (seis a sete copos e meio) seja suficiente para a maioria das pessoas.

Água, leite com baixo teor de gordura e bebidas sem açúcar, incluindo chá e café, contam nessa ingestão diária de líquidos.

 

Ajude seus pulmões

Proliferaram produtos que afirmam limpar os pulmões, às vezes em poucos dias. A Associação Americana do Pulmão alerta para o risco de confiar nessas “soluções rápidas” e observa que alguns desses supostos remédios de desintoxicação podem ser perigosos.

Mas há algo que pode ser feito para favorecer a capacidade natural de autolimpeza dos seus pulmões: evitar os poluentes em primeiro lugar. Se você fuma ou usa cigarro eletrônico, parar é a medida mais importante, assim como evitar a exposição à fumaça passiva.

A Associação Americana do Pulmão também recomenda manter o ar dentro de casa o mais limpo possível: o que inclui evitar produtos de limpeza ou aromatizadores de ambiente que contenham compostos orgânicos voláteis (VOCs, na sigla em inglês) ou fragrâncias, além de evitar velas, lareiras e gás natural. A Associação Americana do Pulmão também sugere aspirar a casa com aspiradores equipados com filtro HEPA, para reduzir poeira e alérgenos.

Os exercícios cardiovasculares também contribuem para a saúde dos pulmões em geral, por exemplo, ao reduzir a inflamação das vias aéreas e melhorar a força e a resistência dos músculos respiratórios. Você também pode cuidar da saúde dos seus pulmões exercitando-os diretamente, inclusive tocando um instrumento de sopro.

Aproveite seu sono

Isso dá um novo sentido à expressão “lavagem cerebral”: todas as noites, um fluxo de fluídos percorre canais nos espaços ao redor das células cerebrais para eliminar os resíduos do cérebro.

Esses resíduos, proteínas em excesso e outras moléculas, incluindo as beta-amiloides associadas à doença de Alzheimer, são produzidos pelas células cerebrais durante sua atividade diária e vão se acumulando ao longo do dia. Parte deles pode ser decomposta e transportada através da barreira protetora entre os vasos sanguíneos e o cérebro. O restante, no entanto, se acumula nos espaços entre os neurônios.

Pesquisas recentes sugerem que o líquido cefalorraquidiano — o fluído incolor que protege a nossa coluna vertebral e o cérebro — é bombeado para esses espaços extracelulares à medida que passamos pelos diferentes estágios do sono, eliminando essas moléculas potencialmente tóxicas. Pequenos despertares durante o sono leve, em particular, provocam ondas de líquido cefalorraquidiano em diversas regiões do cérebro.

Alguns cientistas acreditam que a melatonina, o hormônio do sono presente nesse líquido, também atue como uma espécie de detergente, ajudando a remover parte dos resíduos mais nocivos. No entanto, não há evidências de que o uso de suplementos melhore esse processo.

A privação de sono, por sua vez, demonstrou prejudicar a função da barreira hematoencefálica, o que pode afetar a capacidade do nosso cérebro de se limpar de subprodutos potencialmente neurotóxicos. Mesmo dormir um pouco menos do que o corpo precisa, em geral cerca de sete horas, embora isso varie de pessoa para pessoa, pode prejudicar essa capacidade de eliminação de resíduos.

Tudo isso pode ter impacto no nosso cérebro no dia seguinte. Sem esse ajuste noturno, as capacidades cognitivas tendem a ficar mais lentas e o julgamento pode ser afetado.

Alguns pesquisadores têm investigado se seria possível reproduzir os processos de eliminação de resíduos que ocorrem durante o sono, enquanto estamos acordados, inclusive experimentando uma tecnologia conhecida como tratamento de radiofrequência transcraniana, que emite ondas de rádio para todo o cérebro.

Outros, porém, consideram mais eficaz focar em escolhas de estilo de vida que favoreçam o sistema natural de remoção de toxinas do sono. Alguns estudos sugerem que dormir de lado, especialmente sobre o lado direito, pode melhorar a eliminação de toxinas pelo líquido cefalorraquidiano (embora valha notar que uma pessoa média muda de posição durante o sono, em média, cerca de 11 vezes por noite). O consumo elevado de álcool também tem sido associado a efeitos negativos sobre o sono, enquanto a prática regular de exercícios físicos parece melhorá-lo. Mas grande parte dessas pesquisas ainda está em desenvolvimento e foi realizada em estudos com animais, portanto, precisa ser devidamente validada em humanos antes que qualquer recomendação possa ser feita.

 

Mantenha-se ativo

Você pode ajudar o corpo a eliminar toxinas por meio do exercício físico. Mas não pelo suor.

Sessões de hot yoga, sentar em saunas e treinos em estúdios aquecidos se tornaram cada vez mais populares, mas cientistas são céticos em relação à ideia de que seja possível “eliminar toxinas pelo suor”. Davide Filingeri, professor de fisiologia da Universidade de Southampton (Reino Unido), disse à BBC em outubro de 2025 que não tem conhecimento de “qualquer evidência empírica robusta” que comprove essa afirmação. Já Sarah Everts, química e autora do livro The Joy of Sweat (A Alegria do Suor, em tradução livre), classificou a ideia como “completamente absurda”.

O suor é composto principalmente por água e sua principal função é regular a temperatura corporal e nos refrescar. O fígado e os rins são as principais vias de eliminação de toxinas do corpo, e pesquisas mostram que o exercício aumenta o fluxo sanguíneo para esses órgãos, permitindo que filtrem resíduos de forma mais eficiente.

O excesso de gordura prejudica a capacidade do fígado de filtrar toxinas, e pesquisas indicam que o exercício pode ajudar a reduzi-la. Em um estudo com pacientes com doença hepática gordurosa não alcoólica, que pode causar danos e cicatrizes permanentes no fígado, o treinamento de força e o exercício aeróbico reduziram o teor de gordura no fígado.

Outro estudo mostrou que o treinamento intervalado de alta intensidade, mantido ao longo do tempo, reduz o declínio da função renal em adultos mais velhos. A entidade Kidney Research UK recomenda caminhada em ritmo acelerado, natação e ciclismo como alguns dos melhores exercícios para a saúde dos rins. Até atividades como jardinagem, tarefas domésticas ou optar pelas escadas em vez do elevador podem ajudar.

É claro que, para todos esses processos, assim como para a maioria das mudanças de comportamento voltadas à saúde, o que importa é o longo prazo. Especialistas também apontam, por exemplo, que embora participar do Dry January (ou Janeiro Seco, período de abstenção de bebidas alcoólicas) possa trazer alguns benefícios de curto prazo, beber dentro dos limites recomendados durante todo o ano é muito mais importante para a saúde. Da mesma forma, adotar permanentemente uma dieta mediterrânea é frequentemente apontado por cientistas como a mudança alimentar mais saudável que se pode fazer.

Portanto, vale sim apostar em uma mudança neste mês baseada na ciência, mas, se você quiser ver benefícios reais para a saúde, talvez precise mantê-la por muito mais tempo do que apenas algumas semanas.

4 maneiras de ajudar seu corpo a fazer um ‘detox’ para limpar o organismo – BBC News Brasil

SANEAMENTO: Gorongosa e sector da saúde reforçam actividades porta a porta nas comunidades

O Parque Nacional da Gorongosa (PNG), através do seu sector da Saúde e do Governo, intensifica actividades porta a porta nas comunidades, para promover mudança de comportamentos e melhorar o saneamento. Recentemente, promoveram estas acções na localidade de Chibuabuabua, no interior do distrito do Dondo, em Sofala.

Estes profissionais da saúde, em cinco dias, abrangeram as comunidades de Nhancona, Chissene, 081, 082 e Nhaufo, em campanhas porta a porta para se inteirar das condições das latrinas, planeamento familiar, prevenção da diarreia e malária, nutrição infantil e vacinação.

As comunidades também incluíram se beneficiaram de serviços de saúde, incluindo consultas médicas, vacinação, suplementação e desparasitação de crianças, saneamento ambiental e tratamento da água para consumo, reforçando assim práticas que contribuem para a melhoria da saúde comunitária.

O supervisor de (APEs) e Brigadas Móveis no Dondo, Artur Camisola, disse que a iniciativa visa sensibilizar as comunidades para a adopção de bons hábitos da saúde. “Queremos eliminar o fecalismo a céu aberto, incentivar a construção latrinas, cozinhas melhoradas, casas-modelo e um bom saneamento do meio”. Para tal, estas actividades sanitárias, também incluem demonstrações culinárias e visitas domiciliárias.

Por outro lado, pretende-se com estas actividades reduzir a pressão das unidades sanitárias a partir das povoações.

“Se o trabalho for bem-feito ao nível do campo, iremos reduzir a demanda nas unidades sanitárias”, disse o responsável do controlo das doenças hídricas Saúde pública em Dondo, Eduardo Cussaia.

Como precaução para a época chuvosa, os profissionais da saúde promovem sensibilização em saneamento do meio, limpeza dos quintais, tratamento da água e higiene. Além de visitas para aferir o grau de satisfação das famílias em relação aos cuidados de saúde.

Nas comunidades ainda persistem interpretações contrárias com as recomendadas pelas autoridades da saúde, o que contribui significativamente na adesão aos serviços disponibilizados. “Os desafios existem no dia-a-dia e estão ligados a costumes e tabus que constituem barreiras no acesso à saúde. Estamos a trabalhar para desbravar essas barreiras e tornar as comunidades mais informadas”, sublinhou o responsável do controlo das doenças hídricas Saúde pública em Dondo.

Entre os beneficiários da iniciativa está Suzana Vicente, residente do povoado de Chibuabuabua.

“Falaram-nos sobre higiene, a importância de construir latrinas, ter uma cova de lixo, usar a rede mosquiteira e cuidar da água que bebemos”, destacou uma das lições que aquela mãe de quatro filhos aprendeu.

No caso específico de aprendizagem sobre o precioso líquido escasso, Suzana Vicente partilha: “quando não temos certeza sobre a qualidade de água, devemos ferver e esperarmos 30 minutos antes de beber, para prevenir doenças”, contou.

Estas actividades envolvem Agentes Polivalentes Elementares (APE‘s) para reforçar palestras na mitigação de doenças relacionadas com o mau saneamento. (Narcísio Cantanha).

 

Interferência externa e crise interna: a complexa situação da Venezuela

A crise na Venezuela continua a gerar debates intensos no cenário internacional. Embora muitos a resumam como o colapso de um regime autoritário, a realidade é mais complexa e envolve múltiplas camadas — internas e externas.

Desde a chegada de Hugo Chávez ao poder, em 1999, a chamada Revolução Bolivariana assumiu como missão romper com a dependência histórica do petróleo e com a influência dos Estados Unidos na região. A nacionalização de sectores estratégicos, como o petróleo, e a tentativa de afirmação de soberania provocaram reacções imediatas da comunidade internacional, especialmente de Washington.

Apesar de não haver uma intervenção militar directa por parte dos EUA, sanções económicas, isolamento diplomático e apoio a sectores da oposição têm sido constantes. Especialistas classificam essas acções como parte de uma guerra híbrida, cujo objectivo seria enfraquecer o regime venezuelano e forçar uma mudança de poder.

No entanto, factores internos também agravam a situação. Acusações de corrupção, má gestão económica, repressão política e violações de direitos humanos minam a legitimidade do governo de Nicolás Maduro e aprofundam a crise humanitária.

Analistas recordam que a interferência dos Estados Unidos em países do Sul Global não é novidade. Casos como os de Patrice Lumumba (Congo), Thomas Sankara (Burkina Faso), e Kwame Nkrumah (Gana) ilustram um padrão histórico de desestabilização de líderes nacionalistas e anti-imperialistas.

A situação da Venezuela, portanto, deve ser compreendida como resultado de um embate entre um projecto político soberano e um sistema internacional marcado por interesses geoestratégicos. Resta saber até que ponto o povo venezuelano poderá resistir ao peso combinado da pressão externa e dos próprios erros internos.

Três mortes, 1.847,39 hectares de produção perdida e 2.211 famílias afectadas pelas chuvas em Nhamatanda

Em três dias consecutivos, (23 a 25 de dezembro último), o distrito de Nhamatanda registou chuvas moderadas a forte acompanhadas de descargas atmosféricas em toda a região. Consequentemente, as águas forçaram cerca de 2.211 famílias correspondentes a 7.966 pessoas (3.180 homens e 4.788 mulheres) incluindo 2.537 crianças a abandonarem as respectivas residências e recorrerem aos centros de acomodação temporários e uma área de 1.847,39 hectares de produção agrícola foi perdida. No mesmo período, uma menor de 4 anos morreu.

O cenário piorou com a subida dos caudais e transbordo dos rios Púnguè, Metuchira, Muda, Mecuzi, Mbimbir, Macorococho, Halumua e Mucombezi, provocando inundações nas comunidades próximas.

Em entrevista exclusiva ao “Profundus”, o administrador de Nhamatanda, Manuel Jardim, explicou que uma menor de 4 anos morreu afogada no poço durante as chuvas dos dias 23 a 25 de dezembro último, na vila municipal de Nhamatanda.

Segundo o boletim de actualização 05/ COE/GDN/ 30.12.2025, as inundações nos campos agrícolas afectaram 3.212,50 hectares de 4.126 famílias com culturas diversas, sendo perdida uma área de 1.847,39 e 49.900 hectares afectados.

Para acomodar as famílias, foram criados 11 centros de acomodação, sendo três na localidade de Bebedo, um em Tica e sete em Nhampoca. Mas todos já foram desactivados depois das águas baixarem, motivando o regresso das famílias às respectivas residências.

Um total de 9.853 cabeças de gados bovinos em risco sendo, 13.444 pequenos ruminantes, 3.221 suínos e 112.442 aves, nas zonas de Tica sede, Muda Mufo, Macumba 2, Mosca de Sono, Sovim, Ndeja, Mazongoro, Nhanguro, Lamego Sede e nas proximidades do rio Muda, Mecuzi, Mapalanhanga, Cherezi, Halumua e Metuchira Pita. E 12 curais de bovinos submersos. As inundações mataram seis vitelos, nove leitões e dois cabritos.

Quatro centros de saúde foram afectados, nas localidades de Bebedo, Siluvo e Matenga.

No mesmo período, os centros de Saúde de Vinho e Mutondo encontravam-se com pátios alagados.

O Centro de Saúde de Mecuzi Phuazi e de Chiro foram isolados das comunidades devido à intransitabilidade das vias de acesso.

Duas escolas afectadas, nas localidades de Bebedo e Nhampoca: Escola Primária de Nhaminimini – Bebedo, com pátio alagado, contando com 569 alunos, sendo 275 mulheres e com apoio de seis professores, afectadas seis salas de aulas, um bloco administrativo e duas casas de professores; e Escola Primária Filipe Jacinto Nyusi – Nhampoca com pátio inundado, onde atendia 231 alunos, sendo 88 mulheres com quatro professores, afectando três salas de aulas.

As vias de acesso da vila de Nhamatanda ao bairro Mapalanhanga, Bebedo sede a Vinho, vila sede de Metuchira Pita – Nhampoca, vila sede a Chirassicua; Matenga sede a Mucombezi, Mbimbir a Muscavo Viega, Nharchonga a Muda Nhauriri, Lamego a Macumba, Lamego a Ngueneia, Lamego a Magomo, Lamego a Nhazimbingue, Metuchira a Matenga, Muda a Nhampoca ficam intransitáveis, criando barreiras de comunicação rodoviária tanto para apoiar as vítimas ou mesmo para descrever a situação real numa zona onde a rede de telefonia móvel ainda é também um desafio.

O Centro Aberto da cadeia no povoado de Ndeja encontrava-se sitiado afectando 19 reclusos. Todos recorreram à Escola Básica de Mazongoro.

Neste momento, Manuel Jardim e o seu executivo estão a planificar sobre a reconstrução com material básico para as famílias afectadas.

Nhamatanda recebeu do Instituto Nacional de Gestão e Redução de Desastres (INGD), os produtos alimentares e não alimentares para pré-posicionamento da época chuvosa e ciclónica 2025/2026, oito toneladas de farinha milho (320 sacos de 25 kgs); duas toneladas de arroz (80 sacos de 25kgs); duas toneladas de feijão (40 sacos de feijão), e 1.200 Litros de óleo de cozinha; 200 Kg de açúcar; 100 Kg de Sal; quatro panelas; e 13 lotes de lona com 5 unidades cada.

Uma parte dessa quantidade já foi usada. Foram entregues 35 sacos de arroz de 25 Kg, 61 sacos de farinha de 25 Kg, nove sacos de feijão de 50 Kg e 168 litros de óleo de cozinha aos três Centros de abrigo temporário em Bebedo e Tica, cinco centros de acomodação de EPC-Vinho, Mutondo- Armazém, Mutondo- Igreja e Muda Mufo e Nhantiquirique nas primeiras 72 horas das inundações.

Houve, também, a entrega de 20 coletes salva-vidas aos comités de gestão na localidade de Lamego.

No mesmo período, segundo o administrador de Nhamatanda, Manuel Jardim, uma menor de 4 anos morreu afogada no poço, no bairro Kura, dentro da vila de Nhamatanda.

Mas antes das inundações, o distrito registou duas mortes por descargas atmosféricas (um rapaz na localidade de Matenga e uma mulher na localidade de Chirassicua). Portanto, três mortos no primeiro trimestre da época chuvosa (outubro, novembro e dezembro).

O Governo vai continuar a sensibilizar as comunidades sobre a época chuvosa e ciclónica 2025/2026, levantar os danos causados pelas chuvas; monitorar permanentemente as famílias que estão afectadas, e sensibilizar as famílias a não regressarem às zonas baixas.

Entretanto, Nhamatanda não tem combustível suficiente para monitorar as comunidades, e não tem embarcações para Metuchira Pita e Muda, dando acesso a Nhampoca, interior da localidade de Lamego – a mais afectada.

Para assistir às vítimas, o Governo ainda necessita de 125 tendas e 500 lonas para famílias com casas destruídas parcial e totalmente; combustível (2.000 litros de diesel e 400 de gasolina), para fazer face à deslocação de assistência; 15.000 unidades do purificador de água (Certeza); 500 Kg de cloro; 2.500 redes mosquiteiras; 8.000 pratos plásticos; 8.000 copos plásticos; 701 esteiras; 100 lajes plásticas; 20 baldes com torneiras de 100 litros cada; e 200 metros de rolo plástico preto.

Na entrevista exclusiva com o “Profundus”, no último dia de 2025, o administrador de Nhamatanda, igualmente, chamou atenção para a população tomar o cuidado contra as doenças de origem hídrica.

Os dados da semana passada do INGD em Sofala indicavam que o primeiro trimestre da época chuvosa afectou 42.677 pessoas correspondentes a 8.955 famílias, 17 óbitos, 19 feridos, 2.035 casas parcialmente e 964 totalmente destruídas, 1.780 casas inundadas, uma unidade sanitária e cinco escolas afectadas, e 6.288 hectares agrícolas impactados, sendo 2.820 hectares perdidos. Cada dia que passa, os dados podem alterar consoante a situação dos distritos. (Muamine Benjamim).

MUSA HASAHYA: Agricultor com 12 esposas, 102 filhos e 568 netos

Musa Hasahya, um agricultor de 67 anos da cidade de Lusaka, Uganda, chocou a comunidade ao revelar que com 12 esposas, tem 102 filhos e 568 netos. Agora vai parar de aumentar a família devido às dificuldades financeiras impostas pelo alto custo de vida.

O homem, que vive em uma única casa com suas doze esposas, pediu que elas começassem a utilizar métodos contraceptivos para que pudessem garantir comida e melhores condições para os filhos já existentes.

“Minha renda foi diminuindo ao longo dos anos por causa do aumento das despesas, e a família só crescia”, contou Musa.

“Eu me casei com uma mulher atrás da outra. Como um homem pode se satisfazer com apenas uma mulher?” A poligamia é permitida em Uganda, mas, para evitar conflitos e fugas, todas as esposas de Musa vivem sob o mesmo tecto.

Além dos desafios económicos, a saúde debilitada de Musa o impede de continuar a trabalhar no campo de produção. Duas de suas esposas já o deixaram por conta das dificuldades financeiras.

Zulaika, a esposa mais jovem, que tem 11 filhos com Musa, afirmou: “Não vou ter mais nenhuma criança. Vejo que a situação está difícil e agora estou tomando pílula.”

No entanto, o uso de contraceptivos ainda é um tabu em Uganda, associado a questões culturais e religiosas.

As idades dos filhos de Musa variam de entre 6 e 51 anos, com o primogénito sendo 21 anos mais velho que Zulaika. Cerca de um terço dos filhos ainda vive na fazenda, que agora precisa ser sustentada por uma renda cada vez mais limitada. (NT).

Mandava, Dominguez e Mexer retiram-se dos Mambas

A edição 35 do Campeonato Africano das Nações ficará eternamente marcada na história do futebol moçambicano. Mais do que resultados, Moçambique despede-se de três ícones de uma geração que elevou o nome do país no continente. Dominguez, Mexer e Reinildo Mandava anunciaram o encerramento do seu ciclo na Selecção Nacional, no culminar de uma campanha memorável no CAN Marrocos 2025.

Os três jogadores sublinharam que a decisão representa o fim de uma etapa, mas também a abertura de uma porta para os mais jovens.

Reinildo Mandava foi o primeiro a tomar a palavra, num momento carregado de simbolismo e emoção, assumindo a despedida como um acto de responsabilidade e amor à Selecção Nacional. Referência desta geração, falou não como quem sai, mas como quem entrega o testemunho, sublinhando a honra e o peso que é envergar a camisola dos Mambas. A sua liderança, feita de exemplo, sacrifício e coragem, marcou profundamente este ciclo histórico, deixando um legado de união, ambição e compromisso que ultrapassa resultados e continuará a orientar o futuro da Selecção Nacional de Moçambique.

Estas decisões aconteceram depois dos Mambas perdem ontem, segunda-feira diante da Nigéria (4-0).

“Este foi o meu último jogo, a minha última campanha. Agora é tempo de dar força aos mais novos. A Selecção sempre foi uma terapia para mim. O meu coração estará sempre aqui”, partilhou Mexer Sitóe, com forte emoção traduzindo o peso humano e simbólico da despedida depois de afirmar que a decisão tinha sido tomada anteriormente em conversas com o seu colega e companheiro de longa caminhada, o capitão Dominguez. Lê-se no comunicado emitido pela manhã de hoje, pela Federação Moçambicana de Futebol (FMF).

Mexer, um dos rostos maiores desta geração, deixou uma mensagem de esperança e responsabilidade: “Com esta geração vamos fazer coisas bonitas, acreditem. Eu, o Reinildo e o Dominguez partimos daqui, mas a Selecção Nacional continua. Corram sempre uns pelos outros, ainda que tenham desavenças fora do campo. Muito obrigado por estes anos, por partilharem este momento. Amamos todos vocês e vou sentir muita falta.”

Do capitão Dominguez saiu pouco em palavras, mas tudo em significado. Visivelmente emocionado, com a voz a quebrar e lágrimas nos olhos, resumiu uma vida inteira dedicada à Selecção Nacional numa única expressão de gratidão. Não houve discurso longo, nem frases ensaiadas, apenas o silêncio pesado de quem deu tudo pelo país, de quem carregou a braçadeira com honra em momentos bons e difíceis, e que naquele instante deixou falar o coração. A sua despedida foi o retracto mais puro do amor à pátria: contida, sincera e profundamente humana, capaz de tocar todo um balneário e de ficar gravada na memória de uma geração.

O Seleccionador Nacional, Chiquinho Conde, não escondeu a dificuldade do momento, assumindo-o como um dos mais duros da sua liderança. “Foi tudo surpreendente. Tenho conversado várias vezes com o Reinildo e fiz de tudo para que isto não acontecesse. Se eu estou aqui é porque eles também quiseram. É um golpe duro, é como perder um membro da família”, confessou.

Num discurso profundamente humano, o técnico destacou que mais do que jogadores, Dominguez, Mexer e Reinildo são homens que marcaram o grupo: “Tudo o que sei como treinador aprendi convosco. Foram sempre dignos de representar uma nação. Aos mais jovens, peço que segurem este legado, porque ainda há muito por fazer. A minha admiração por vós nunca se vai perder.”

“É um momento de gratidão. Estamos tristes, mas profundamente orgulhosos daquilo que os Mambas fizeram. O país está orgulhoso. Conseguiram o que muitas gerações não conseguiram”, disse o   Vice-Presidente da Federação Moçambicana de Futebol, Paito Mucuana, apelando ao Mandava que reconsiderasse a sua decisão, pela sua juventude, peso desportivo e simbólico da sua presença. (PROFUNDUS).

 

Comunidades projectam-se com a produção de caju em Savane

O Parque Nacional da Gorongosa (PNG), através de apoio de vários parceiros para a implementação de programas de desenvolvimento comunitário, está também a incentivar a produção de caju. Os produtores de Mussatue 2 e Emília 20 estão a projectar para melhores colheitas, rendas e transformação das suas vidas no posto administrativo de Savane, distrito de Dondo, província de Sofala.

A iniciativa promovida pelo Parque desde 2017 nas comunidades, tem mostrado resultados encorajadores, o que desperta esperança entre os pequenos produtores locais, que começam a colher os primeiros frutos.

Carlitos Bismato, produtor de Mussatue 2, é um dos rostos dessa mudança e lembra com orgulho o momento em que foi desafiado a plantar as primeiras mudas de caju.

“Fomos incentivados a plantar cajueiros porque no futuro trariam muitos benefícios. Recebemos as mudas e hoje as plantas já estão na primeira fase de produção”, recordou Bismato.

Na primeira fase, Bismato colheu 53 quilogramas de castanha de caju, e apostou mais no plantio.

Os campos, que antes eram apenas de subsistência, agora abrigam fileiras de árvores robustas, que prometem transformar o futuro das famílias que nelas apostaram.

“Ver as árvores a crescer é ver o nosso futuro a crescer também”, disse Carlitos Bismato, enquanto observava as suas plantas em flor.

Carlitos Bismato tem dois hectares de terra, contando com 180 plantas, mas poderá chegar a 200 quando completar o replantio na área.

“Com aquele dinheiro comprei comida e algumas chapas para cobrir a casa. Este ano espero ultrapassar a produção e o rendimento, para comprar uma cama, cadeiras, uma motorizada e terminar a minha casa”, partilha com esperança.

Na ocasião, a esposa, Maria João, acompanha de perto o trabalho do marido e vê na cultura do cajueiro uma fonte de estabilidade financeira para o lar. “Estamos felizes porque aprendemos a plantar cajueiros. O caju tem ajudado muito, vendemos, comemos a castanha e as crianças gostam até de tomar o sumo da fruta”, conta, com um sorriso que espelha orgulho e gratidão.

Além deste casal, com sorriso no rosto, outros agricultores que viram na produção de caju uma oportunidade real de melhorar a vida familiar partilham as experiências.

Alice Luís, outra produtora da mesma comunidade em Savane, tem um campo de produção com 100 plantas numa área de um hectare. Nos últimos anos, colheu o suficiente para encher três sacos e meio de castanha.

“Consegui cerca de 7 mil meticais. Comprei comida, roupas para as crianças, pratos e panelas. O caju já faz parte da nossa vida e hoje sentimos que o nosso trabalho vale a pena”, afirma.

O projecto de fomento do cajueiro é supervisionado pelo Parque Nacional da Gorongosa, que tem investido em acções de sensibilização, capacitação técnica e distribuição de mudas em várias comunidades de Savane no Dondo, bastando cada interessado ter área para produzir.

Segundo o supervisor de Agricultura do PNG, Manuel Sitole, os resultados são animadores.

“Estamos no quarto ano do projecto e o impacto é positivo. No início, a adesão foi difícil, muitos produtores tinham receio de que as árvores atraíssem animais para destruir outras culturas. Mas, com o tempo, perceberam que era uma oportunidade e hoje estão satisfeitos com os resultados”, explica.

O programa conta actualmente com 79 produtores activos, cada um com o mínimo de 100 plantas, totalizando mais de 4 mil mudas distribuídas em Savane.

“O senhor Carlitos é um bom exemplo. Está a expandir a produção e já constrói uma casa coberta de chapas, o que demonstra o impacto positivo do projecto nas condições de vida das famílias”, refere.

Apesar dos avanços, Manel Sitole reconhece que o projecto enfrenta desafios. “As mudanças climáticas têm afectado a floração e a produtividade dos cajueiros. Há também novas doenças das plantas que exigem vigilância e assistência técnica constante. Mas os produtores estão motivados, e isso é o mais importante”, disse.

O Parque quer que “cada produtor veja no cajueiro uma fonte de renda e duradoura. O objectivo é fortalecer a economia local e reduzir a dependência de culturas de ciclo curto, muitas vezes vulneráveis às variações do clima”.

Em Mussatue 2, o cultivo do cajueiro deixou de ser apenas uma experiência, e tornou-se um símbolo de trabalho, paciência e esperança.

Cada caju colhido é mais do que um fruto é o resultado de fé, esforço e visão, e em Savane, essa colheita promete continuar a gerar frutos por muitos anos.

Ainda em Dondo, o Parque está a expandir a produção de caju numa área total de 200 hectares, dos quais 20 hectares já se encontram demarcados de forma faseada. (Narcísio Cantanha).

Nicolás Maduro: de motorista de autocarro a Presidente venezuelano detido pelos EUA

Nascido em Caracas há 63 anos, Maduro trabalhava como motorista de autocarro quando conheceu Hugo Chávez em 1993. No último sábado, após 12 anos no poder e após uma operação militar dos EUA, foi levado, algemado, para Nova Iorque para enfrentar acusações de narcoterrorismo, junto com a sua mulher.

Nicolás Maduro nasceu a 23 de novembro de 1962 em Caracas. A sua vida mudou em dezembro de 1993, quando conheceu Hugo Chávez na prisão de Yare. O comandante cumpria pena pela tentativa de golpe de Estado contra Carlos Andrés Pérez, e Cilia Flores, advogada de Chávez na altura e futura mulher de Maduro, facilitou o encontro que definiria o destino político do jovem sindicalista.

Na altura, Maduro tinha 30 e poucos anos e trabalhava como motorista de autocarro enquanto dava os primeiros passos no activismo sindical. A ligação com Chávez foi imediata. Participou na fundação do Movimento V República e tornou-se um actor-chave na campanha que levou o líder revolucionário à presidência.

A sua ascensão foi rápida, mas metódica. Foi membro da Assembleia Nacional Constituinte que redigiu a nova constituição chavista, deputado entre 2000 e 2005, presidente da Câmara Baixa um ano depois e ministro dos Negócios Estrangeiros até Chávez o nomear como seu sucessor em dezembro de 2012.

Em março de 2013, com lágrimas nos olhos, Maduro anunciou a morte do seu mentor. Chávez tinha morrido de cancro, embora o recém-ungido sucessor se atrevesse a sugerir que a doença tinha sido causada por “inimigos históricos”. A sua primeira decisão presidencial foi ordenar um destacamento militar maciço.

Ao contrário de Chávez, Maduro nunca conseguiu conquistar as maiorias. Ganhou as eleições de 2013 contra Henrique Capriles por uma margem estreita e logo enfrentou protestos em massa. Em 2014, a repressão das mobilizações causou mais de 40 mortos e centenas de feridos.

A gestão económica foi desastrosa. A inflação elevada, a queda dos preços do petróleo e a escassez marcaram o seu governo. Em 2015, o chavismo perdeu as eleições legislativas. A resposta foi assumir os poderes da Assembleia Nacional através do Supremo Tribunal, uma medida que consolidou as acusações de deterioração democrática.

Maduro foi reeleito em 2018 em eleições consideradas fraudulentas, com baixa participação e sem oposição. Apenas seis chefes de Estado assistiram à sua tomada de posse. Juan Guaidó proclamou-se presidente em 2019 com o apoio dos Estados Unidos e da União Europeia, mas a medida não conseguiu desalojar Maduro do poder.

As eleições de 2024 representaram o seu ponto mais baixo. Nunca entregou os registos oficiais que deveriam certificar a sua vitória sobre Edmundo González Urrutia. A comunidade internacional reconheceu o candidato da oposição como o vencedor legítimo, enquanto María Corina Machado, agora Prémio Nobel da Paz, liderava a resistência.

 

As consequências: operação militar americana, captura e destino judicial

Donald Trump tem aumentado as tensões desde o seu regresso à Casa Branca. Em novembro, afirmou que os dias de Maduro estavam “contados”. Washington atacou mais de 30 barcos de narcotráfico perto da Venezuela, causando uma centena de mortes. A administração dos EUA designou o Cartel dos Sóis como uma organização terrorista e ofereceu 50 milhões de dólares pela captura de Maduro.

Já na madrugada do último sábado, helicópteros Chinook e forças especiais americanas atacaram Caracas. Maduro e Cilia Flores foram capturados em solo venezuelano e transferidos para o USS Iwo Jima. Trump classificou a operação como “uma das maiores demonstrações de poder da história dos EUA”.

Imagens do Presidente venezuelano de olhos vendados, segurando uma garrafa de água a bordo do navio militar, deram a volta ao mundo.

Horas depois, encapuzado e algemado, ele desceu do avião na Base Aérea de Stewart, em Nova York, sob vigilância de agentes da DEA. A Procuradora-Geral Pam Bondi anunciou as acusações: conspiração narcoterrorista, conspiração para contrabandear cocaína para os Estados Unidos e infracções relativas a armas e engenhos destrutivos. Espera-se que seja julgado em Manhattan esta semana.

Trump declarou que os EUA vão “governar a Venezuela” até que haja uma transição ordenada. Maduro, o condutor de autocarros que selou o seu compromisso revolucionário na prisão de Yare há 32 anos, aguarda agora o que será provavelmente o capítulo final da sua carreira política no Centro de Detenção Metropolitano, em Brooklyn.

Nicolás Maduro: de motorista de autocarro a presidente venezuelano detido pelos EUA | Euronews

“Não usem a ‘internet’ para dividir” – Manuel Rodrigues

O desenvolvimento de Chemba precisa de todos com disciplina e união, por isso, não usem a Internet para dividir, chamou atenção o Secretário de Estado, Manuel Rodrigues, na reunião com funcionários e agentes do Estado, aquando da sua recente visita de monitoria do Plano Quinquenal 2025-2029 e Plano Económico Social àquele distrito.

Para os funcionários, Manuel Rodrigues, apelou maior respeito, ética e profissionalismo na Administração Pública em Chemba.

“O local de trabalho não é palco para resolver problemas pessoais. Peço que se respeitem mutuamente e criem um clima de paz. Não se pode humilhar colegas nem fomentar terrorismo institucional. Antes de julgar, procurem entender o que se passa com o outro”, advertiu.

O secretário de Estado condenou ainda o uso indevido das redes sociais por parte de alguns funcionários, acusados de espalhar intrigas e desinformação. Reforçou o apelo ao uso responsável das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs), colocando-as ao serviço do desenvolvimento do país e do distrito.

“Não usem a ‘internet’ para dividir, usem-na para construir. Chemba precisa de todos, e com disciplina, união e respeito, podemos avançar”, concluiu.

O apelo foi também para os directores distritais, para o papel de liderança na construção de um ambiente de harmonia e profissionalismo. Afinal, os chefes devem ser exemplos de boa conduta e promotores da estabilidade funcional.

Em ocasiões diferentes, Manuel Rodrigues também reuniu-se com a liderança comunitária e religiosa.

Na ocasião, o conflito Homem-Fauna bravia, abastecimento de água, vias de acesso, construção do hospital distrital, foram as principais preocupações apresentadas pelas lideranças.

Os líderes apontam perdas de culturas alimentares e vidas humanas resultantes do conflito Homem-Fauna bravia.

Para o Secretário de Estado em Sofala, estas preocupações são legítimas, merecendo o compromisso do Governo para a sua intervenção. (Rosário Phoinde).

Jornal Profundus

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