Intervenção policial resulta em zero feminicídio e manifestações em Nhamatanda

De 2025 a esta parte, o distrito de Nhamatanda, província de Sofala, regista momentos de tranquilidade por zero feminicídio e zero manifestações são casos que mais se destacavam nos últimos anos, mas claro há um e outro crime que ainda preocupa (acidentes), além do actual alegado encolhimento de órgãos genitais.

Sob lema, “PRM 51 anos reafirmando o compromisso com as comunidades no combate a criminalidade, o terrorismo, sinistralidade rodoviária e a corrupção”, os agentes da Polícia da República de Moçambique, em Nhamatanda, marcaram o dia 17 de maio: inicialmente, com uma marcha da Estrada Nacional Número Seis (EN6), ao lado dos trânsitos até a Praça dos Heróis, passando pelo “coração da vila de Nhamatanda, rua principal, administração; deposição de flores; actuação cultural com todo o tipo de dança tradicional pelos estudantes da Escola de Sargentos da Polícia (ESAPOL) provenientes de diferentes províncias do País; e no final do dia um desafio futebolístico.

Há crimes que parecem passar do esquecimento. Mas em dias da PRM, entender o antes e o presente ajuda a perspectivar o futuro com os antigos agentes, novos e os que virão no combate à criminalidade em Nhamatanda e o tipo de intervenção que o distrito precisa. A mente por vezes pode esquecer, a imprensa, não.

 

Crimes marcantes em Nhamatanda

Historicamente, os assassinatos de mulheres deram destaque em 2022 na cidade da Beira, capital provincial. Depois de uma manifestação da Sociedade Civil, dois dias depois, o SERNIC apresentou dez supostos envolvidos por terem sido encontrados com os bens das vítimas. E na época ainda permanecia o medo contra o natural de Nhamatanda e autoproclamado líder da Junta Militar da Renamo, Mariano Nhongo, abatido em combate no final de 2021.

Os assassinatos passaram para a cidade de Dondo, com destaque aos moto-taxistas. Em tão pouco tempo passou para Nhamatanda, o distrito com muitas saídas e entradas: ao norte do distrito, existe a via de Metuchira ligando o distrito de Gorongosa e a localidade de Matenga pela EN1 e EN6 dentro de Nhamatanda; ao sul, existe o Posto Administrativo de Tica, para o outro vizinho distrito de Buzi, dando estrategicamente acesso ao sul de Moçambique. Deixando a via de Tica, existe a de Chiadeia, Chirassicua, Macorococho, ainda dentro do distrito, querendo ir para o sul do País ou até à província vizinha de Manica. A fácil via com policiamento é pela EN6.

Em Nhamatanda, os dados indicam que em 2024 os assassinatos passaram a ser recorrentes. Ora, em um mês e alguns dias, a vila municipal somou oito vítimas, sendo dois irmãos mortos por fogo posto numa residência (05.06.2024); outro crime foi a catanada a um guarda (na semana de 20.06.2024); mãe e filho mortos (04.07.2024) e na mesma semana – um assassinato no 5° bairro – 25 de Junho, e num sábado (22.07.2024) e numa segunda-Feira (22.07.2024), foram achados dois corpos de mulheres com sinais de após relação sexual.

O habilitado em criminalogia, Jorge José conseguiu controlar a situação. De 2025 a esta parte, zero manifestações e zero casos de feminicídio.

Entretanto, nos últimos dias, a Polícia vive desafios acrescidos relacionados ao alegado encolhimento de órgãos genitais, supostamente por aperto de mãos ou contacto pessoal.

Segundo o comandante da PRM no distrito, em abril, a corporação registou “dois casos de desordem pública relacionados ao alegado atrofiamento de órgãos genitais, resultando em feridos ligeiro e grave e três detidos” por agressão física.

Nos últimos dias, nota-se um abrandamento desses casos, mas a corporação para o garante da ordem, segurança e tranquilidade públicas, mantem-se no terreno para sensibilizar as comunidades.

Jorge José apela para a “vigilância e denúncia contra esse boato. Boato nunca foi boa coisa, só cria terror nas pessoas, e em algumas vezes inocentes são mortos” por linchamento, mas não é o caso de Nhamatanda.

De janeiro a março de 2026, “foram registados cinco casos criminais de maior impacto”, contra sete do igual período de 2025, sendo “dois homicídios, um roubo, um exercício ilícito de função e um incêndio” no posto administrativo de Siluvo, posto administrativo de Tica, e na sua maioria no Comande Sede –Vila de Nhamatanda.

No mesmo período de análise, a PRM lavrou 33 autos e remeteu ao Ministério Público, destes um de impacto sendo choque entre veículo e motorizada. Consequentemente, foi registado um óbito contra dois, dois feridos graves contra um, dois danos materiais avultados contra dois e zero danos materiais ligeiros contra dois.

A velocidade excessiva, fadiga e ultrapassagem irregular são apontadas como as principais causas dos acidentes em Nhamatanda. Contra isso, a PRM continua com a educação cívica vial, controlo de velocidade entre outras actividades nas vias públicas

Dentro da corporação nem todos fardados são profissionais. Mas a voz do Comando orienta que “enquanto você dorme ou bebe, a PRM actue” na ordem, segurança e tranquilidade públicas.

Questionado ao comandante sobre os agentes da PRM desalinhados, Jorge José respondeu: “a nossa instituição é hierarquicamente organizada. Queremos apelar aos colaboradores a todos os níveis para sermos vigilantes”, chamou atenção a comunidade também a denunciar caso haja estas atitudes, porque “somos pela obediência, devemos ordens e instruções”, ninguém deve pautar por contrariedade.

Jorge José exorta a todos para uma reflexão profunda sobre a actuação policial face ao contexto sociopolítico do país para a maior simpatia e confiança com a população.

Fôlego na estrutura de Comando da PRM

A Polícia da República de Moçambique (PRM) conta, desde o dia 14 de maio, com um novo fôlego na sua estrutura de comando. No total, 760 membros da corporação foram promovidos às patentes de superintendente e sub-Inspector, num acto solene que marcou o arranque das celebrações do Dia da PRM, a assinalar-se a 17 de maio.

O comandante da PRM em Nhamatanda faz parte da lista dos promovidos à superintendente.

O agora superintendente da Polícia e comandante da PRM em Nhamatanda tenta resumir o sucesso contra crimes, apontando a coordenação com as comunidades como um dos “ingredientes”. “Havendo uma boa colaboração [contra o crime] podemos passar a história, ouvirmos um e outro caso, não de forma recorrente, e a comunidade tem um papel muito fundamental no controlo e combate à criminalidade.

Além das promoções, pouco mais de 600 oficiais entre comissários, superintendentes e inspectores passaram para a reserva.

O movimento de quadros visa garantir a continuidade e a renovação das estratégias de policiamento comunitário e de combate à criminalidade, assegurando que a experiência dos que saem se cruze com o vigor dos que agora ascendem na hierarquia policial.

Localmente, Jorge José também foi reconhecido pela Organização dos Trabalhadores de Moçambique (OTM). É o resultado da segurança que se vive nas empresas do distrito.

Desde os conselhos comunitários de segurança aos líderes religiosos e trabalhadores, o crime passou a ser denunciado para a PRM.

O comandante da PRM no distrito partilhou uma dica: “a estratégia é simples. É transmitir às comunidades um sentimento de segurança. Quando se sentem seguros, elas reconhecem o trabalho da PRM”.

Jorge Armando José não veio a Nhamatanda por acaso. Antes trabalhou em Inhamizua onde encarou desafios e alcançou “bons resultados”; trabalhou na Sétima Esquadra ainda dentro da Cidade da Beira onde uma série de actividades o moldaram em termos de habilidades, merecendo-lhe ao cargo de comandante da PRM em Nhamatanda desde o final de 2024. (Muamine Benjamim).


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