O Parque Nacional da Gorongosa (PNG), em coordenação com o Governo de Marínguè, através de Brigadas Móveis, promoveu, no dia 9 de junho, uma palestra juntando 43 participantes sobre saúde e registo civil com 60 pessoas, cujo objectivo era de aproximar os serviços básicos a comunidade de Samba desde o acesso a informação, justiça a melhores práticas sustentáveis, no interior do distrito, sendo ponto estratégico de encontro a Escola Primária Completa 8 de Março.
Saúde
As uniões prematuras e consequentemente a gravidez precoce são realidades vividas no interior dos distritos, e Marínguè, não é excepção.
Na comunidade de Samba, enquanto um grupo de profissionais atendia pessoas para o registo civil pelo qual pela primeira vez alguns residentes adquiriram cédulas pessoais, do outro lado decorria a palestra no âmbito dos Serviços Amigos de Adolescentes e Jovens (SAAJ) e nutrição.
Segundo o supervisor de Saúde Materna Infantil (SMI), Saíde Bachir, as actividades incluíram sessões sobre adolescência e puberdade, discussões em plenária, aprendizagem baseada em jogos e utilização de material visual para facilitar a compreensão dos temas. No entanto, o principal objectivo foi reforçar os serviços de saúde e prevenção, com destaque para o combate à desnutrição infantil.
Saide Bachir acrescentou que a demonstração culinária promovida pelo Parque Nacional da Gorongosa faz parte da estratégia da instituição para incentivar as famílias a prepararem refeições nutritivas com produtos disponíveis localmente, contribuindo para a redução dos casos de desnutrição nas comunidades.
A demonstração da culinária de papas nutritivas confeccionadas com ingredientes disponíveis e de fácil aquisição na própria comunidade nao escapou da ocasião.
Durante a sessão, os facilitadores do Parque Nacional da Gorongosa explicaram que as uniões prematuras privam muitas crianças do direito à educação, aumentam o risco de abandono escolar e expõem os adolescentes a desafios económicos, sanitários, sociais e psicológicos.
Foi igualmente destacado que a gravidez precoce pode trazer complicações para a saúde da mãe e do bebé, além de reduzir as oportunidades de desenvolvimento pessoal e profissional das jovens. Este tema motivou mais intervenções dos adolescentes.
A adolescentes Emaculada Calisto, de 15 anos, afirmou que a palestra mudou a sua forma de pensar sobre o futuro. “Antes desta palestra, não conhecia todas as consequências das uniões prematuras. Hoje compreendi que o mais importante é continuar a estudar e preparar-me para alcançar os meus sonhos. Quero terminar os meus estudos e construir a minha vida no momento certo”, disse.
Os adolescentes defenderam ainda o diálogo entre pais e filhos como uma das principais formas de prevenir estes problemas. São conteúdos também aprendidos no Programa Clube da Rapariga.
Para Flávio Tomé, de 17 anos, a prevenção também depende do comportamento dos rapazes. “Os rapazes devem respeitar as meninas e ajudá-las a permanecer na escola. Devemos evitar atitudes que possam colocar em risco o futuro de alguém. Esta palestra ensinou-nos que todos temos responsabilidades para combater a gravidez precoce e proteger os direitos das crianças.”
Os participantes foram incentivados a priorizar os estudos, a conhecer os seus direitos e a procurar orientação junto dos professores, encarregados de educação e profissionais de saúde sempre que enfrentarem situações de risco.
Já Albertina Tobias, de 14 anos, considerou que os conhecimentos adquiridos serão importantes para orientar outras adolescentes da comunidade.
“Aprendi que casar cedo ou engravidar muito nova pode dificultar a realização dos nossos sonhos. Quero partilhar esta mensagem com as minhas amigas para que todas valorizem a escola e pensem primeiro no futuro.”
Na componente de saúde, os técnicos, também efectuaram consultas médicas, identificaram casos de desnutrição para acompanhamento e administraram vacinas contra o tétano, resultando em 22 pessoas atendidas, das quais 13 adultas (um caso de diarreias, um caso de malária e outros com gripes, síndrome febril e disenteria), e as restantes nove do total foram crianças que acusaram malária e um caso de desnutrição já encaminhado ao hospital.
Registo civil
Do outro lado, as filas marcavam o registo civil.
Na ocasião, os oficiais do Ministério da Justiça emitiram cédulas pessoais para crianças que ainda não possuíam registo civil, garantindo-lhes acesso a direitos fundamentais, como a educação, os cuidados de saúde e outros serviços públicos.
Como resultado do registo civil em Samba, 12 pessoas conseguiram ter cédulas em Samba no mesmo dia, um processo que levaria mais tempo e gastos financeiros da zona de conforto da comunidade às instalações do Registo localizadas na Sede do distrito. (Eugénia Carlos).
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