MISA insta autoridades a investigarem desaparecimento do jornalista e político Arlindo Chissale

O MISA Moçambique manifesta preocupação com o desaparecimento do jornalista do portal online “Pinnacle News”, Arlindo Chissale, que se encontra fora do convívio familiar desde o dia 7 de janeiro de 2025.

Segundo informações fornecidas pela família, Chissale saiu de sua residência em Pemba, na província de Cabo Delgado, com destino a Nacala em Nampula, mas nunca chegou ao seu destino. A família formalizou a queixa de desaparecimento no dia 16 de janeiro, e até agora, a situação do jornalista permanece desconhecida.

Ao que o MISA-Moçambique apurou junto do seu irmão Macário Chissale, a situação de desaparecimento de Arlindo Chissale ainda carece de informações concretas que esclarecem o que terá acontecido, dado que surgiram nos últimos dias notícias nas redes sociais que dão conta do seu desaparecimento físico, entretanto, sem nenhuma evidência.

Nesse sentido, o MISA-Moçambique apela às autoridades competentes para que usem todos os meios disponíveis para localizar o jornalista e restituí-lo à liberdade, caso tenha sido vítima de algum tipo de sequestro ou detenção arbitrária.

O MISA Moçambique destaca que a liberdade de imprensa e a segurança dos profissionais de comunicação são pilares fundamentais para a democracia e o estado de direito. Qualquer ameaça ou violação contra esses princípios é inaceitável e contraria os princípios consagrados na Constituição da República de Moçambique, particularmente no que diz respeito à liberdade de expressão e à liberdade de imprensa.

O MISA Moçambique reafirma o seu compromisso com a defesa dos direitos dos profissionais de comunicação e continuará a acompanhar de perto o caso, pressionando para que medidas concretas sejam tomadas até que este caso seja devidamente esclarecido.

 

Mais preocupante ainda

A preocupação sobre Chissale aumentou desde quinta-feira, com a informação do activista, Joaquim Pachoneia, publicada na sua conta Facebook.

“…O nosso querido Chissale foi assassinado pelo regime [da Frelimo] em Cabo Delgado, juntamente com mais um delegado do podemos”, escreveu Joaquim Pachoneia, por volta das 12 horas.

“Fiz esse suspense todo porque estamos a envidar esforços para ter o corpo a entregar a família que não vai ser tarefa fácil porque se calhar já mandaram para a vala comum”, continuou a explicar.

Pachoneia aponta uma fonte [do Serviço Nacional de Investigação Criminal] pela qual negociou informações depois de conseguir “identificar o corpo de Chissale e mais outra vítima”.

O activista da Associação Mentes Resilientes que procurou informações em Pemba, diz que já faz tempo que soube, incluindo alguns activistas de renome no país. “Fiquei esse todo tempo à procura de formas [de] como informar-vos porque não tenho o corpo para entregar [aos] seus familiares, tornando-me difícil confirmar se a notícia é verdadeira ou não porque será minha palavra contra de algumas figuras”.

Contudo, as buscas por Chissale permanecem e agora com mais actores nacionais e internacionais que igualmente precisam de apoio.

Ainda há esperança, considerando que outras informações apontam a detenção de Chissale em Silva Macua por agentes do SERNIC e da Unidade de Intervenção Rápida (UIR) que o prenderam para a cidade de Pemba, segundo testemunhas que vivenciaram o acto e fontes internas da polícia paramilitar. (Profundus).

Cheringoma: Gorongosa e DELPAZ entregam 775 kg de sementes a desmobilizados do DDR e camponeses

Um total de 150 desmobilizados no âmbito do programa de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR) dos ex-guerrilheiros da Renamo e camponeses receberam 775 quilogramas de sementes de diversos produtos para a presente época de produção agrícola, no distrito de Cheringoma, província de Sofala. O apoio resulta da coordenação entre o Governo distrital, o Parque Nacional da Gorongosa, através do respectivo sector de Agricultura e o Programa de Desenvolvimento Local para a Consolidação da Paz (DELPAZ).

Trata-se de cinco quilogramas de sementes de milho dados pelo Parque Nacional da Gorongosa a cada desmobilizado do DDR. Enquanto o DELPAZ entregou a semente de milho, de feijão e de gergelim a outro grupo (camponeses), em Cheringoma.

As sementes foram dadas em dois momentos separados aos dois grupos diferentes.

Na recente ocasião de entrega simbólica dos produtos, (última quarta-feira), a administradora de Cheringoma, Maria Waite, louvou o apoio da Gorongosa e do DELPAZ, por isso, apelou à população para usar a semente aos fins a que se destinam.

A distribuição da semente abrangeu aos beneficiários dos bairros próximos da sede da vila de Inhaminga e dos bairros de Dimba e Tsotse.

Maria Waite reconhece o cenário de Cheringoma. Apesar de a insegurança alimentar ser mais visível, a administradora desafiou à população a “não usar a semente para alimentação”. E em jeito de crítica, referiu-se ao facto de os produtos serem entregues tardiamente, pois, segundo ela, deviam ser distribuídos muito antes para que os camponeses tivessem a possibilidade de semear no início da época chuvosa, em outubro passado.

A administradora apontou os esforços que o Governo empreende na assistência com produtos alimentícios à população durante a insegurança alimentar em Cheringoma.

A insegurança alimentar no distrito de Cheringoma tornou-se mais preocupante com o término da época de frutas de mangas que eram recorridas pelos mais carenciados.

José Farnela Juliasse, do bairro Tsotse é um dos beneficiários da semente, em Cheringoma.

José Juliasse louvou o apoio pelo qual vai completar a semear em todo o campo de produção agrícola, uma vez que a quantidade que lhe restava não cobria a área lavrada. Mas, o produtor lamentou pela entrega tardia dos produtos, analisando que os que conseguiram semear em outubro (milho) já apresentam um aspecto vegetativo bastante promissor.

Enquanto isso, a Gorongosa, através do coordenador distrital de agricultura em Cheringoma disse que esta é a primeira acção do ano, visando dotar os camponeses de ferramentas que lhes garantem alcançar a segurança alimentar e nutricional das suas famílias.

Em Cheringoma, esta acção da Gorongosa enquadra-se num plano maior que o Parque tem de distribuir mais de 14 toneladas de sementes de milho aos camponeses. (Ricardo Mapoissa – Cheringoma).

CDD leva Forquilha para Gabinete de Combate à Corrupção por suposta “recepção de 219 milhões de meticais”

 

 

Em meio a tensões que apontam ao presidente do partido PODEMOS, Albino Forquilha como “traidor” ao ser único partido da oposição a aceitar logo na primeira “isca” a tomada de posse como deputado, mais informações aparecem para descredibilizar a pessoa do homem de Chimoio, Manica, que o respectivo partido não era conhecido antes da união com Venâncio Mondlane. Desta vez, o posicionamento contra a imagem é do director do Centro de Democracia e Direitos Humanos (CDD), Adriano Nuvunga.

Adriano Nuvunga, ontem, dia de tomada de posse dos 43 deputados do PODEMOS e dos 171 da Frelimo, escreveu na sua conta Facebook, que “Forquilha recebeu 219.000.000, mt” para vender a luta pela justiça eleitoral.

“Este é um suborno de natureza política é punido severamente no âmbito da Constituição da República e da lei de combate a corrupção”.

Hoje, terça-feira, Nunvunga deixou claro que baseou-se numa “ denúncia de pessoas que se dizem próximas ao processo [com] elementos que indicam como o pagamento foi feito”.

A intenção do CDD é a responsabilização de Albino Forquilha e a recuperação do dinheiro dado pela Frelimo aos cofres do Estado, se provado o crime. (Profundus).

CDD: “Chefe de Operações da BO e dois reclusos entre prováveis autores do assassinato de Elvino Dias e Paulo Guambe”

O Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD) apresentou ontem, quarta-feira, 8 de janeiro de 2025 uma denúncia à Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Roque Xavier, Chefe do Departamento de Operações Penitenciárias (DOP) da Cadeia de Máxima Segurança, vulgo BO, e dois reclusos, nomeadamente Julião contra Ruben Munguambe e Edson Cassiano Lacerda Sílica, por haver indícios de envolvimento no assassinato, na madrugada de 19 de outubro de 2024, de Elvino Dias, advogado e assessor do candidato presidencial Venâncio Mondlane, e Paulo Guambe, mandatário do partido Povo Optimista para o Desenvolvimento de Moçambique (PODEMOS).

Em 16 de outubro de 2024, o chefe do DOP, Roque Xavier, facilitou a saída irregular dos reclusos Julião Ruben Munguambe e Edson Cassiano Lacerda Sílica da BO. No dia 19 de Outubro de 2024, enquanto estavam fora do estabelecimento prisional, foram bárbara e cobardemente assassinados Dias e Guambe.

Continua a denúncia do CDD “no dia 21 de outubro de 2024, o chefe do DOP ordenou a eliminação dos registos de entrada e saída dos dois reclusos”.

Segundo informação na posse do Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD), por ordens de Roque Xavier, no dia 16 de Outubro de 2024, Julião Ruben Munguambe e Edson Cassiano Lacerda Sílica foram retirados da BO sem escolta nem autorização formal, alegadamente para realizarem trabalhos agrícolas em Moamba, tendo permanecido durante três dias fora das instalações prisionais, em clara violação ao artigo 90 da Lei n.º 26/2019, de 27 de Dezembro, que proíbe pernoitas fora das prisões sem supervisão.

 

Manipulação dos registos e assassinato de Dias e Guambe

No dia 21 de Outubro de 2024, o chefe do DOP ordenou a eliminação dos registos de entrada e saída desses reclusos, facto que revela uma aparente tentativa de encobrir as irregularidades.

Na madrugada de 19 de Outubro de 2024, Elvino Dias e Paulo Guambe foram bárbara e cobardemente assassinados. O duplo homicídio de Elvino Dias e Paulo Guambe acontece exacta mente no mesmo período em que o chefe do DOP autorizou a saída irregular e ordenou a destruição dos registos dessa saída assim como da entrada dos dois reclusos.

Informações preliminares sugerem que Julião Ruben Munguambe e Edson Cassiano Lacerda Sílica, ambos reclusos com histórico de envolvimento em crimes graves, teriam sido liberados e armados para executar os assassinatos. As vítimas foram atingidas por 25 disparos à queima-roupa, em uma execução que demonstra planificação e uso extremo de violência.

 

Má gestão dos estabelecimentos penitenciários facilita o cometimento de crimes

Essa conexão entre as irregularidades cometidas pelo Chefe do DOP e os crimes hediondos evidencia uma séria problemática de gestão dos Estabelecimentos Penitenciários e uma possível conivência com acções que colocam em causa o Estado de Direito.

 

Chefe do DOP com passado sombrio

Historicamente, Roque Xavier não é estranho a controvérsias. Fontes do CDD apontam que o Chefe do DOP tem um passado de má conduta, incluindo denúncias de envolvimento no aluguer de armas para actividades ilícitas, com relatos similares provenientes de outras províncias, como Cabo Delgado. Apesar disso, nenhuma medida efectiva foi tomada para afastá-lo de funções estratégicas no sistema penitenciário.

Diante da gravidade dos factos, na sua denúncia o CDD exige a abertura de um inquérito rigoroso e independente para apurar as responsabilidades de Roque Xavier e os dois reclusos, devendo, em caso de confirmação, ser responsabilizados disciplinar e criminalmente. O CDD insta que reformas profundas no sistema penitenciário sejam operadas, estabelecendo-se medidas que impeçam o abuso de poder e a corrupção. Outrossim, o CDD solicita que a PGR conceda protecção às testemunhas que possam contribuir para o esclarecimento do caso, garantindo a sua segurança e integridade.

Edson Cassiano Lacerda Sílica, um dos possíveis assassinos de Dias e Guambe, faz parte do grupo dos esquadrões da morte que assassinou o activista social e defensor de direitos Humanos, Anastácio Matavel, em 7 de Outubro de 2019, também no contexto eleitoral como aconteceu com Guambe e Dias.

As evidências apresentadas mostram um claro padrão de abuso de poder e violações graves à lei. As acções de Roque Xavier com prometem a integridade do sistema penitenciário e facilitam a prática de crimes hediondos, como o homicídio de Elvino Dias e Paulo Guambe.

Nesta senda, o CDD exige que as autoridades actuem com rigor e urgência para garantir justiça às vítimas, responsabilizar os envolvidos e prevenir futuros abusos no sistema penitenciário. A PGR tem o dever de agir com celeridade e transparência, mostrando que ninguém está acima da lei. (CDD).

SERNAP e FDS “caçam” criminosos fugitivos das cadeias

O Serviço Nacional Penitenciário (SERNAP) e as Forças de Defesa e Segurança (FDS) juntos estão a “caçar” os reclusos que no dia 25 de dezembro passado, escaparam num total de 1.436 do Estabelecimento Penitenciário Especial da Máxima Segurança da Machava (EPEMS) e 98 do Estabelecimento Penitenciário Provincial de Maputo (EPPM), totalizando 1.534 criminosos.

O comunicado do SERNAP expõe os fugitivos com as respectivas fotografias frontais, nome, assinatura digital e estado: número do Processo, anos de prisão, tipo de crime cometido e pena que recebeu.

Entre os 241, todos os homens que fugiram das cadeias e que constam na lista de fugitivos, está um cidadão ainda em fase de julgamento.

Um dia após a evasão, as autoridades moçambicanas anunciaram que recapturaram cerca de 150 reclusos.

O documento “Diligências para a recaptura de reclusos evadidos”, do SERNAP tornado público no primeiro dia de 2025 apresenta 322 recapturados e apenas 24 por recapturar dos 1.534 anunciados como fugitivos.

O SERNAP em coordenação com as FDS está em operações de busca intensiva, “tendo até ao momento recapturados 322 reclusos”.

“O Serviço Nacional Penitenciário (SERNAP) torna público que na sequência da rebelião ocorrida no dia 25 de dezembro de 2024, nos Estabelecimentos Penitenciários Especial da Máxima Segurança da Machava (EPEMS) e Provincial de Maputo (EPPM) que culminou com a evasão de 1.534 reclusos, sendo 1.436 do EPPMS e 98 do EPEMS está a efectuar diligências em coordenação das Forças de Defesa e Segurança (FDS) com vista a recaptura dos reclusos”, lê-se no documento a que o “Profundus” teve acesso.

Entre os crimes que levaram a detenção dos fugitivos constam as ofensas corporais, uso de armas proibidas, venda e consumo de estupefacientes, furto qualificado, violência psicológica, trafico de drogas, roubo, posse ilegal de armas, atentado ao pudor, violência física simples e grave, furto agravado, violação de menor, ofensas corporais, subtracção de acessórios, armas proibidas, trato sexual com menor, burla, abate de espécies proibidas, homicídio qualificado, caça proibida, violação do domicílio, violação do segredo profissional, abuso de confiança, homicídio involuntário, ofensa corporal com intenção de injuriar, violação de domicílio, terrorismo, rapto e cárcere privado, maus-tratos contra pessoa idosa, associação para delinquir, falsificação de documentos, rapto concorrendo com crime de armas proibidas, burla agravada, subtracção de veículos, fraude nas vendas, entre outras acções criminais.

O SERNAP pede a colaboração da população na partilha de informações que ajudem a recaptura dos reclusos.

Lembre-se que a fuga dos reclusos dividiu opiniões diferentes entre o Comandante-Geral da Polícia, Bernardino Rafael e ministra que tutela a área de Assuntos Constitucionais e Religiosos, Helena Kida e, ao mesmo tempo, terror para a sociedade.

Bernardino Rafael acusou aos manifestantes de incitarem a invasão, enquanto Kida diz que não há relação com as manifestações dos resultados eleitorais. Ou seja, um diz que a evasão começou de fora do muro, enquanto a responsável do sector diz que iniciou de dentro da cadeia. (Muamine Benjamim).

Reacção violenta da polícia soma 261 mortes

A reacção violenta, particularmente da Polícia da República de Moçambique (PRM), após evasão de reclusos da Cadeia Central de Maputo, na província de Maputo, da Cadeia de Mabalane, na província de Gaza, e da Cadeia de Morrumbala, na província da Zambézia, fez disparar o número de vítimas mortais para 261. Só na Cadeia Central de Maputo popularmente B.O, foram assassinados 33 reclusos fora e dentro do estabelecimento prisional, número que pode não reflectir a verdade, tendo em conta a dimensão da acção das forças de segurança, segundo vídeos postos a circular nas redes sociais.

Segundo o relatório da Plataforma DECIDE, de ontem, quinta-feira, de 23-26 de dezembro, houve 134 mortes, sendo (5 de Cabo Delgado), (34 de Nampula), (4 da Zambézia), (2 de Tete), (33 de Sofala), (20 de Maputo Província), e (36 de Maputo Cidade). Portanto, em 66 dias da crise pós-eleitoral, Moçambique somou 261 mortes, 573 baleados, 4.199 detenções, seis desaparecidos. (Profundus).

APRENDIZAGEM BASEADA EM JOGOS: Nova forma da Gorongosa educar comunidades

O Parque Nacional da Gorongosa encontrou uma nova forma de educar as comunidades baseando-se em jogos, através dos Programas de Professor e Saúde Materna Infantil. É um método que está a ser louvado por professores experientes no ensino tradicional.

Trata-se de Game Based Learning (GBL) ou Aprendizagem Baseada em Jogos (ABJ). É uma abordagem moderna para passar e absorver conhecimento. Ela usa jogos para educar, apoiar a aprendizagem, avaliar competências e oportunidades de melhoria. Assim, é um método de estudo no qual o aluno aprende enquanto joga.

A ABJ não apenas proporciona um envolvimento significativo e motivador para os alunos, mas também permite o desenvolvimento de habilidades essenciais como pensamento crítico, colaboração e resolução de problemas.

A ABJ abre um leque de possibilidades para uma aprendizagem mais rica e diversificada. Isso inclui a oportunidade de personalizar as estratégias de ensino para atender às diferentes necessidades e estilos de aprendizagem dos alunos, especialmente em ambientes inclusivos. Os jogos oferecem um espaço onde os estudantes podem experimentar, fazer escolhas e reconhecer as suas conquistas, elementos fundamentais para o fortalecimento da autoestima e da autoconfiança.

Além disso, a aplicação de diferentes abordagens de avaliação, como a avaliação formativa, dentro do contexto da ABJ, constitui uma alternativa eficaz para monitorar e fomentar o desenvolvimento dos alunos de maneira holística. Isso permite que os educadores identifiquem os pontos fortes e as áreas que precisam de suporte, promovendo um feedback contínuo e construtivo. Ao valorizar o progresso individual e colectivo, a ABJ contribui para a construção de um ambiente de aprendizagem mais justo e acolhedor.

Na Zona de Desenvolvimento Sustentável da Gorongosa, ainda persiste o receio de se abordar conteúdos relacionados com a vida das mulheres. Por exemplo, a rapariga tende a afastar-se em períodos de menstruação. A ABJ entra como oportunidade para educá-la de forma entretida (nas brincadeiras). Como refere a professora de Nhamatanda, Beatriz Paulo Marcelino, também capacitada pela Gorongosa: “as crianças ainda têm o receio de recorrer aos hospitais por estigma”, tradições e crenças ou mesmo por falta de conhecimento”, por isso, ela quer replicar o aprendizado para a melhoria de higiene e saúde onde trabalha, por meio de palestras, jogos divertidos, em aulas mesmo nas formaturas diante dos alunos.

“Aprendemos conteúdos que tem a ver com a disciplina positiva e as suas técnicas. Depois do treinamento esperamos fazer réplica nas nossas escolas, de modo que todos os professores estejam alinhados nos conteúdos”, disse o professor, Armando Moleque Miquiri, depois de uma capacitação da Gorongosa.

Para melhor compreensão desta iniciativa da Gorongosa, pode recorrer-se a um estudo específico publicado em novembro do ano em curso, intitulado “Aprendizagem Baseada em Jogos Digitais: Fundamentos Teóricos e Implementação Prática em Espaços Escolares Inclusivos”.

Os jogos oferecem um espaço onde o aprendiz pode experimentar, falhar e aprender num contexto seguro. A imersão proporcionada por esses jogos favorece a motivação intrínseca, uma vez que os jogadores se sentem desafiados a superar obstáculos de maneira divertida.

Além disso, a ABJ se alinha a algumas teorias, entre elas pode-se destacar a Teoria do Construtivismo baseado nos princípios de Jean Piaget e Lev Vygotsky. A aprendizagem construtivista enfatiza que os alunos constroem o seu próprio conhecimento através da interacção com o ambiente. Os jogos oferecem um cenário onde os estudantes podem explorar, experimentar e reflectir sobre as suas experiências, promovendo uma construção activa do saber.

Outra teoria que se destaca é a Teoria da Aprendizagem Experiencial proposta por Kolb (1984), que enfatiza o papel da experiência no processo de aprendizagem. Durante a interacção com os jogos, os aprendizes não apenas consomem informação, mas a aplicam, reflectindo sobre as suas experiências e incorporando novos conhecimentos.

Outra dimensão importante da ABJ é a colaboração. Os jogos incentivam frequentemente o trabalho em equipa e a comunicação entre os jogadores, fundamentais para o desenvolvimento de competências sociais e interpessoais. Conforme ressalta Salen e Zimmerman (2004), “os jogos são essencialmente uma forma de arte interactiva que envolve todos os participantes num processo definido” (p. 19), destacando a importância da interacção social no aprendizado.

Por tanto, é crucial considerar as análises de cada interacção dos alunos com os jogos, pois essas podem informar práticas pedagógicas mais eficazes. A utilização de dados analíticos gerados por jogos pode levar a uma personalização do aprendizado, atendendo às necessidades específicas de cada aprendiz.

A Aprendizagem Baseada em Jogos não se limita simplesmente ao uso de jogos em contextos educacionais, mas busca integrar teoria e prática para criar experiências de aprendizagem significativas e duradouras. Por exemplo, a Gorongosa ao incentivar jogos denominados “Sabão derrota bactéria; evite riscos; detetive das mãos; no chão ou latrina; saneamento do meio; água estagnada; alimentos limpos; e manuseamento de alimentos”, com quais os alunos aprendem.

 

Implementação pela Gorongosa

A implementação da ABJ em ambientes inclusivos requer:

Selecção de jogos acessíveis: A escolha de jogos que sejam acessíveis a todos os alunos é fundamental. Isso inclui considerar jogos que oferecem diferentes níveis de dificuldade, opções de personalização e recursos para atender a diferentes estilos de aprendizagem. São jogos acessíveis e de fácil compreensão, por exemplo, com os jogos “sabão derrota bactéria; no chão ou latrina; saneamento do meio, com os quais os alunos aprendem.

Formação de Educadores: os professores devem ser capacitados para integrar jogos nas suas práticas pedagógicas. Isso inclui compreender os princípios da ABJ, conhecer os jogos disponíveis e saber como utilizá-los para atender às necessidades específicas dos seus alunos. É o que a Gorongosa vem fazendo. Recentemente, foram capacitados 17 professores em matérias de Ambiente Positivo de Aprendizagem (APA) nas escolas;

Criação de Ambientes Colaborativos: A ABJ pode ser utilizada para fomentar a colaboração entre os alunos. Jogos que promovem a interacção e o trabalho em equipa são particularmente eficazes em ambientes inclusivos, permitindo que alunos com diferentes habilidades aprendam uns com os outros. Assim vão a aprender as crianças com dificuldades de língua portuguesa, por exemplo, com as outras que já falam, nos arredores da Gorongosa.

Avaliação Contínua e Reflexão: A avaliação deve ser um processo contínuo que reflecte o progresso dos alunos. Os professores podem utilizar dados colectados durante as actividades de jogos para adaptar as suas práticas e oferecer suporte individualizado. Tal tem acontecido nas escolas onde os seus professores já foram capacitados pela Gorongosa.

Envolvimento da Família: Engajar as famílias no processo de aprendizado é vital, especialmente em contextos inclusivos. Compartilhar experiências de aprendizagem por jogos pode ajudar a fortalecer a relação entre a escola e a comunidade. De forma específica, nas escolas da Zona de Desenvolvimento Sustentável da Gorongosa, existem Clubes de Comité de Protecção da criança onde estão envolvidos os pais e encarregados de educação, alunos e professores. Juntos ajudam, igualmente, a colher informações relacionadas a violação de direitos da criança e violência sobre as crianças, sobre principalmente as raparigas.

“Com aquilo que aprendemos, esperamos resultados positivos porque o aprendizado tem a ver em corrigir certos comportamentos não adequados a nível da escola e na base dessa réplica sanar algumas dificuldades existentes nos colegas”, reiterou Armando Moleque Miquiri, no distrito de Cheringoma.

Ainda em Cheringoma, a professora, Victoria Mariano Xavier Rego, garantiu resultados positivos de “mudança na nossa comunidade”.

Victoria Mariano Xavier Rego pede que o Parque Nacional da Gorongosa continue “a dar-nos treino do nível desse género porque teremos mais habilidades e experiências”.

A Gorongosa vai continuar a promover actividades focadas ao processo de ensino-aprendizagem, promoção de direitos da criança e melhorar os seus comportamentos de modo a promover um bom ambiente. (Lucas Singale e Muamine Benjamim).

Governo reduz 10% de taxa de viagens interprovinciais

O ministro dos Transportes e Comunicações, Mateus Magala, anunciou na semana passada a redução de 10 por cento de taxa de transportes para os próximos 30 dias no país.

De 15 de dezembro de 2024 a 15 de janeiro 2025, o Governo reduziu as taxas para transportadoras interprovinciais. A medida visa reduzir o alto custo de vida em Moçambique. Mas o que o ministro dos transportes e comunicações, Magala não disse é que a medida não abrange a todos os passageiros, é só para jovens.

A medida vai reduzir os custos de 30 a 600 meticais, comparativamente aos actuais preços para os jovens que pretendem viajar entre províncias.

Da cidade de Maputo a província de Gaza (Xai-Xai) custa 500 passará para 450 meticais, numa quilometragem de 250; de Maputo a Maxixe custa 900 contra 1.000 meticais, em 475 quilómetros; de Maputo a Vilankulo, ao invés de pagar 1.500 meticais, o jovem pagará 1.350 meticais; de Maputo a Tete, e de Maputo a Quelimane actualmente custa 2.500 e 3.500 meticais, mas já será com o desconto de 250 e 350 meticais, respectivamente.

De Maputo a Nampula, e de Maputo a Pemba, os custos serão com desconto de 450 e 550 respectivamente contra 4.500 e 5.500 meticais, sucessivamente.

O presidente da Federação Moçambicana das Associações dos Transportadores Rodoviários (FEMATRO), Castigo Nhamane, disse que a medida abrange apenas os jovens. “Estamos a par das medidas anunciadas pelo ministro, mas em relação ao desconto de 10% para os transportes interprovinciais, só abrange os jovens porque se fosse para todos os passageiros, o Governo teria de nos recompensar”.

Em contrapartida, o vice-presidente da FEMATRO, Paulo Mutisse disse que o ideal era que a medida fosse tomada e vigorasse entre 01 a 15 de dezembro, pois de 15 de dezembro a 15 de janeiro é o período de maior procura pelo transporte. (Profundus).

Gorongosa: Mais de 4.300 famílias beneficiam-se de insumos agrícolas

 

São 4.379 famílias no distrito de Gorongosa que estão a beneficiar do apoio do Parque Nacional da Gorongosa. Os benefícios incluem insumos agrícolas e respectiva assistência técnica.

As famílias fazem parte de Clubes de agricultores criados nas comunidades. Os clubes são compostos por 25 membros com respectivo líder.

Onde a Elisa João Faera é presidente do Clube de agricultores, recebeu 50 plantas de cajú, 10 quilogramas de sementes de milho, 1 kg de gergelim, 2 kg de feijão bóer (1ª época). Na hortaliça, 5 kg de quiabo, 100 gramas de cebola, 10 gramas de repolho, 6 pacotes de tomate (6X1000 sementes) para aplicarem no campo de demonstração no qual aprendem as técnicas agrárias a aplicarem nas machambas individuais.

As famílias projectam que estas quantidades terão impactos significativos para o consumo e outra parte para a venda, além de garantir sementes aos próximos anos.

A Gorongosa também apoia na produção de caju, uma janela de oportunidades para a mudança de comportamento e de vida nas comunidades de Tazaronda.

A produção já está a dar rendimento, disse a presidente. “Tive benefícios ao vender produtos como caju e milho. O dinheiro ajudou os filhos na escola, compra de sal e de sabão, comprou cimento e está a construir uma casa”.

Tito Costa Simão, com 37 anos, diz que é só pela Gorongosa que já produz o caju, uma aposta que era antes de ter na vida. Recebeu pelo Parque “250 plantas de cajú e aprendeu o passo a passo para plantar”.

Entre plantas a distância deve ser de  “10 metros para o desenvolvimento das mudas, passou as dicas.

Em 2023, Tito Costa Simão conseguiu “150 quilogramas de castanha de caju. Para 2024, o produtor quer o dobro do ganho “300 quilogramas”, projectando assim a sua vida, apoiando os filhos na educação e nas despesas diárias da família.

Tito Costa Simão, com os ganhos de 2023, avançou para a construção de casa do tipo II, por isso, apela à comunidade de Tazaronda a continuar a produzir o caju.

Manuel Laguisse Maguira, de 55 anos, com os ganhos pelo sector de agricultura da Gorongosa, avalia que as iniciativas do Parque estão a “caminhar bem. Não tinha conhecimento de como produzir tecnicamente nos campos agrícolas. Já “estão a mudar a nossa vida; na despesa de casa e material escolar. Com isso, agradece ao Parque, as comunidades já estão a mudar.

Lembre-se que perto da vila de Gorongosa, existem mais dois grupos, um de Mangú e outro de Cilindro, compostos por 25 membros cada, visitados pelo “Profundus”, perfazendo 50 famílias. E com as de Tazaronda somam 75 famílias que receberam visita de imprensa naquele distrito. (Ancha Assane – Gorongosa).

BEIRA-MACHIPANDA: Cancelados todos comboios de passageiros

Estão cancelados desde última terça-feira (10.12.) todos os comboios de passageiros, incluindo locomotivas (Beira – Chimoio e Beira – Machipanda). A empresa Caminhos de Ferro alega motivos operacionais e não garantem o dia de reabertura da Linha.

O “Profundus” sabe que um grupo de trabalhadores dos Caminhos de Ferro de Moçambique – Centro (CFM), removeu, na terça-feira (3.12), uma secção da linha férrea Beira – Machipanda, impedindo a ligação ao Zimbabwe.

Os trabalhadores exigem condições de trabalho e contractos efectivos da empresa, alegando promessas feitas pela empresa aquando do arranque das obras de requalificação da linha.

A rota é crucial para as importações e exportações dos países africanos do interior, que dependem do porto moçambicano da Beira.

A secção de cerca de três metros de comprimento foi removida na estação ferroviária de Gondola, na província de Manica, onde o grupo esteve amotinado, no início da manhã para se queixar das condições precárias de trabalho na linha de Machipanda, inaugurada há um ano. No mesmo dia, o CFM emitiu um comunicado a reconhecer o corte da linha.

“Os CFM lamentam profundamente a atitude dos concidadãos que “destroem” aquilo que ajudaram a construir só porque entendem que devem ser vinculados para o quadro efectivo ou serem pagos uma indemnização pelo tempo que estiveram a laborar na BRLM”.

No comunicado, o CFM referiu que aquele grupo de trabalhadores foi contemplado no Projecto findo, em dezembro de 2023, o vínculo com a BRLM, concluído o Projecto e a linha de Machipanda inaugurada e estando em funcionamento.
Os CFM reiteraram a disponibilidade de voltar a esclarecer sobre o âmbito do vínculo que aquele grupo de trabalhadores tinha com a BRLM. Sete dias depois do corte da Linha, a empresa emitiu outro comunicado de cancelamento da rota Beira-Machipanda.

 

Duas décadas sem operação, retomada em 2023 mas cancelada em 2024

Caminho de Ferro de Machipanda (CFM), também chamado de Caminho de Ferro Beira-Bulavaio e Caminho de Ferro Beira-Harare-Bulavaio, é uma ferrovia que liga a cidade de Beira, em Moçambique, à cidade de Bulavaio, no Zimbábue. Possui 850 quilómetros de extensão, em bitola de 1067 mm.

No trecho moçambicano, entre Beira e Machipanda, a empresa administradora é a Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM); já no trecho zimbabuano, entre a cidade e de Mutare e a de Bulavaio, a administração é feita pela empresa Ferrovias Nacionais do Zimbábue (National Railways of Zimbabwe-NRZ).

Originalmente, o Caminho de Ferro de Machipanda deveria estabelecer uma conexão ferroviária entre Harare e Beira, de acordo com o entendimento celebrado, na década de 1870, entre a África Ocidental Portuguesa e Regência da Companhia Britânica da África do Sul na Rodésia.

Porém, por dificuldades financeiras do lado português, a construção do primeiro trecho do Caminho de Ferro de Machipanda começou somente em 1892; a infraestrutura, em bitola estreita de 610 mm, conectou, já em 4 de fevereiro de 1898, Beira à cidade fronteiriça Mutare, no Zimbábue, percorrendo 357 quilómetros.

Em 1898, foi aberta uma linha de bitola de 1.067 mm de Harare para Mutare, com subsequente conversão do trecho de bitola estreita de 610 mm de conexão para a Beira em 1900.

Ainda na década de 1890 começaram os trabalhos de extensão do projeto original, partindo de Bulavaio, no Zimbábue, para construir uma ferrovia de 1.067 mm para o norte, até Harare, concluída definitivamente em 1899. Após a conversão de Mutare (1067 mm) e Machipanda (610 mm), a linha conectou finalmente Bulavaio, Guelo, Harare, Mutare, ManicaChimoioDondo e Beira.

As locomotivas de bitola estreita de 610 mm foram posteriormente adquiridas das Ferrovias da África do Sul sendo designadas “classe SAR NG6”.

Posteriormente o trecho entre Machipanda e Beira adequou-se ao padrão zimbabuano, sendo totalmente convertido para 1.067 mm, eliminando a necessidade da conversão de Mutare-Machipanda.

Em 2005, o troço da linha entre as cidades da Beira e Machipanda (o único que os CFM denominam como Linha de Machipanda) foi concedido para a empresa privada indo-moçambicana “Companhia Caminhos de Ferro da Beira” (CCFB; denominada em inglês: Beira Railroad Corporation). A reconstrução da ferrovia foi iniciada, mas a empresa não conseguiu cumprir com as obrigações contratuais. O troço moçambicano da linha foi renacionalizado em 2011, sendo reassumido pela estatal CFM.

Em 23 de novembro de 2023, o troço foi reaberto à circulação depois de um encerramento de duas décadas (o último comboio de passageiros circulou em 1997). As obras de reabilitação decorreram de agosto de 2019 a novembro de 2023 e já estavam a permitir a redução do tempo de viagem, garantir a segurança e aumento da tonelagem de carga transportada. (Muamine Benjamim).