SADC quer fortalecer cadeias de valor dos serviços climáticos

O Fórum de Perspectivas Climáticas Regionais da África Austral quer fortalecer cadeias de valor dos serviços climáticos. Para tal, o Secretariado da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC sigla inglesa), por intermédio do seu Centro de Serviços Climáticos (CSC), organizou o 28° evento abreviadamente SARCOF-28 na sigla inglesa, a decorrer entre 29 a 31 de janeiro de 2024, na cidade de Maputo.

O propósito do evento que vai começar amanhã, é de analisar os impactos das previsões da época das chuvas de outubro-novembro-dezembro de 2023, publicar a previsão sazonal para fevereiro-março-abril e março-abril-maio de 2024, juntamente do avanço para a criação de Produtos Regionais de Interface do Utilizador (RSUIP).

No evento, será discutido o estado dos factores climáticos globais e os seus prováveis impactos nos sectores sensíveis ao clima no território da SADC.

Este fórum articular-se-á perfeitamente com o SARCOF-27, realizado nas Maurícias, de 26 a 28 de setembro de 2023, que previu que a maior parte da região da SADC passaria por uma pluviosidade que varia entre normal e abaixo do normal durante o período de outubro-novembro-dezembro (OND) de 2023 e pluviosidade de entre normal e acima do normal durante o período de dezembro-janeiro-fevereiro de 2023/24.

O SARCOF foi criado em 1996 por países membros da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), com o objectivo de permitir que os Serviços Meteorológicos preparassem previsões climáticas sazonais, consensuais e harmoniosas a nível regional, para a estação chuvosa na África Austral (outubro a março).

Lembre-se que a SADC é uma organização que integra 16 Estados-Membros, estabelecida em 1980, como Conferência de Coordenação do Desenvolvimento da África Austral (SADCC), e, mais tarde, em agosto de 1992, transformada em Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).

A SADC tem por missão promover o crescimento económico e o desenvolvimento socioeconómico sustentáveis e equitativos, através de sistemas produtivos eficientes, de uma cooperação e integração mais aprofundadas, da boa governação e da paz e segurança duradouras, a fim de que a Região emirja como actor competitivo e efectivo nos contextos das relações internacionais e da economia mundial.

São Estados-Membros da Organização a África do Sul, Angola, Botswana, União das Comores, República Democrática do Congo, Reino de Eswatini, Reino de Lesoto, Madagáscar, Malawi, Maurícias, Moçambique, Namíbia, Seychelles, República Unida da Tanzânia, Zâmbia e Zimbabwe. (Profundus).

Animais vadios: Um problema por ultrapassar na vila de Nhamatanda?

Ver animais de qualquer maneira “a passear” ou a invadir propriedades, principalmente, na época de produção agrícola, na vila municipal está a parecer normal. Mas há uma táctica de isso acabar, com a taxa já introduzida pelo Conselho Municipal da Vila de Nhamatanda.

Na última sessão de dezembro de 2023 por sinal a final do mandato, aquela mesma que a bancada da Renamo boicotou não participando alegadamente, porque havia nomes mal escritos dos seus membros e erro de comunicação supostamente cometidos pela autarquia, a Assembleia Municipal aprovou uma taxa de cobrança por animais vadios, além de aprovar a acta do evento anterior, relatórios das comissões de trabalho e o informe do edil.

Na ocasião, o presidente da Assembleia André Machatine que já vai entregar as chaves das pastas, brevemente, disse não conhecer os motivos da ausência da Renamo, uma vez que foi-lhe comunicado sobre o evento.

Na sequência das taxas aprovadas, neste momento, um grupo de jovens de ambos géneros, com colete e cordas nas mãos até com capacidade de perseguir qualquer irracional, está espalhado na vila municipal de Nhamatanda. Por um animal vadio, se a equipa municipal capturá-lo, o respectivo dono deverá pagar uma quantia de 1.000 meticais como resgate.

Com esta medida, para o edil de Nhamatanda António Charumar João, “é uma forma de disciplinar as pessoas para controlarem os [seus] animais”.

Também, sabe-se que com esta medida, politicamente, o munícipe estará a contribuir de forma financeira para o desenvolvimento da vila de Nhamatanda que já sonha em se tornar cidade municipal.

A vila de Nhamatanda parece estar a concorrer para uma continuação da zona rural (campo). Ali há mistura de pessoas e culturas, mas com regras de como se cada um quisesse fazer o que bem entender nos talhões até com os animais. Este facto deve-se a políticas locais, além de êxodo rural e urbano.

Recorre-se a Geografia para desmistificar isso. Êxodo rural é a saída de pessoas do meio rural (campo) para a cidade. As razões económicas são as mais decisivas para este facto, tal como o caso de Nhamatanda onde há aqueles que abandonam ou até vendem seus campos agrícolas na esperança de terem nova forma de viver na vila municipal à procura de melhores condições de vida.

As condições laborais são frequentemente mais difíceis no campo do que nas cidades, a título de exemplo, baixas oportunidades, reduzido poder de compra; falta ou insuficiência de meios e vias de transporte e comunicação; falta ou insuficiência de apoios médicos e assistência social; dificuldade de acesso a estabelecimentos de ensino, principalmente dos níveis secundários e universitários; desemprego; atracção psicológica exercida pelas melhores condições de vida nas cidades, entre outras. E facilmente, vão com quase tudo às cidades.

O êxodo rural tem impactos positivos, porém importa referir a afecção negativa para o caso da vila de Nhamatanda. Força o desemprego e subemprego; mendicidade; saturação demográfica; problemas habitacionais que levam à proliferação de bairros de lata e de bairros clandestinos; maior pressão sobre os recursos naturais existentes no ambiente urbano; precárias condições higio-sanitárias e aumento da criminalidade, delinquência e força até as políticas. É assim que a tão sonhada cidade de Nhamatanda ganha ritmos de “passeio de animais”.

“Levem os animais para [criarem] num local para não saírem”, aconselhou Charumar como o é popularmente conhecido, destacando o “porco e cabrito”. Mas seria mais interessante o caso de cães, sendo problemáticos, dariam de falar ao capturá-los.

Já o êxodo urbano é a saída de pessoas da cidade para o campo. Para o caso de Nhamatanda é muito mais pelos campos de produção localizados nos postos administrativos e localidades, fora da sede.

Portanto, na vila de Nhamatanda, ocorrem os dois processos de saída (rural e urbano) interno do território. Pensando em qualidade de vida melhor, a população busca moradias ocasionais nas áreas rurais para a produção de alimentos, também recorrem ao conforto ou oportunidade muito mais pela industrialização.

Voltando ao contexto de animais vadios, está “normalizado” encontrar uma quinta, no coração da vila municipal, até próxima de instituições públicas. Estes animais, por serem irracionais, além de oferecerem insegurança para os munícipes, o seu cheiro a partir dos curais consegue ser insuportável para alguns munícipes e, consequentemente, pode ser um concurso para doenças.

“Essas taxas não são apenas para o próximo mandato”, a partir de 2024. Resultam de uma revisão dos dois mandatos de existência da autarquia de Nhamatanda.

Nos bairros, alguns munícipes não se sentem à vontade, pois, pequena desconcentração resulta em invasão de suas residências ou propriedades pelos animais. É como se os munícipes estivessem a ser criados pelos animais, quando é ao contrário.

Quem deve se sentir à vontade é o munícipe que tem as crias, não ao contrário.

Na saída das pessoas das localidades ou postos administrativos de Nhamatanda para se tornarem munícipes da vila, levam tudo até as crias a serem soltas nos bairros. Mas Nhamatanda de ontem não é o mesmo de hoje. É preciso repensar para um local que se sonha em deixar de ser vila para cidade. Para tal, a sanidade, industrialização, geopolítica, geoestratégia e um olhar activo dos envolvidos devem funcionar.

 

Só animal vadio?

Existindo autarquia é preciso triplicar a sua existência com acções, pois, além de animais vadios, as pontes sobre rio Nhamatanda, estradas que dão acesso a alguns bairros, candeeiros nas vias públicas, segurança na vila municipal e construções desordenadas continuam preocupantes. Enquanto a água que era calcanhar de Aquiles está aos poucos a sair da boca de munícipes desde outubro passado ao jorrar nas torneiras e mantendo-se a expansão para outros bairros.

A tomada de posse dos presidentes dos municípios frutos de eleições de 11 de outubro de 2023 será no dia 7 de fevereiro próximo. E de lá, saber-se-ão planos para responder as várias preocupações da vila de Nhamatanda e quais prioridades. Pois, agora evita-se qualquer comentário pelo menos da maioria ganhadora depois da votação que deu de falar no país e no internacional.

Contudo, se é ou não o fim do problema de animais vadios na autarquia, a equação será mais simples no andar do tempo com a medida do município. (Muamine Benjamim).

Chemba: Suspensa greve de trabalhadores do Açúcar Orgânico de Tsoni

Estava marcada para ontem quinta-feira, uma greve de trabalhadores da empresa ECOFARM, no distrito de Chemba, na província de Sofala. Mas, pelo sonho de se ver sucesso nas famílias e na firma, vários actores estiveram “mergulhados” no caso para mediarem, estando agora suspensa a manifestação.

Sobre o caso, além do Governo de Chemba, “molhou-se” com as leis vigentes e princípios trabalhistas, a equipa da “Inspecção-Geral de Trabalho de Sofala, da OTM-CS de Sofala e de Mediação de conflitos laborais”. Foi um sucesso por agora, porque como diz o adágio “quem sente fome, um dia equivale a uma década”- é o caso dos trabalhadores que suspenderam a greve na quarta-feira (10.01).

Em causa, está o “atraso salarial de [dois meses], falta de equipamentos de trabalho, descontos e expulsão de trabalhadores sem respeitar a lei de trabalho”.

A equipa multissectorial manteve encontros separados com a empresa, com representantes dos trabalhadores e depois com a maioria dos empregados.

Agora os trabalhadores aguardam pelos respectivos salários em atraso até ao dia dos namorados, 14 de fevereiro, começando faseadamente no dia 24 de janeiro recente; equipamentos a serem adquiridos até à primeira quinzena de abril; os descontos enquanto as expulsões já vão obedecer a lei actualizada.

A greve está suspensa até ao dia dos namorados, se o acordo não for cumprido.

São dados confirmados pelo administrador de Chemba, Paulo Raposo que espera compreensão das partes envolvidas.

Em Moçambique, parece que virou moda algumas empresas, principalmente, do sector privado não cumprirem os acordos. A diferença com o Estado é o policiamento depois do incumprimento que dá origem a greve, aliás, a marcha com “bons olhos” é aquela dos camaradas, habitualmente para “saudar pelos esforços empreendidos no sentido de…”, mas quando é protagonizada por cidadãos ou ONG, a interpretação pode resultar em balas verdadeiras. (Muamine Benjamim).

Filosofia: Dos 113 passaram 8 alunos na ESG de Lamego

Dos 113 inscritos na disciplina de Filosofia, oito alunos foram aprovados nos exames para ensino à distância da 12ª Classe, na Escola Secundária Geral de Lamego. É um assunto que abre reflexão pela qualidade de ensino e aproveitamento pedagógico, não só para o distrito de Nhamatanda, na província de Sofala.

Não se sabe exactamente, se o maior número de alunos reprovados é justificado pela luta de qualidade de ensino para a formação de quadros qualificados ou mesmo é pela influência das metodologias ou condições do processo de ensino-aprendizagem, na ESG de Lamego.

Em outras palavras, até então, é difícil apurar se o erro está com os 105 alunos “desinteressados” ou mesmo no professor ou escola. O difícil ainda é saber quem deve melhorar. Mas, independentemente da culpa, a verdade é que reprovar é um retrocesso, também aprovar sem qualidade é perigoso para a sociedade.

Esta informação chegou de surpresa ao director distrital do Serviço Distrital de Educação, Juventude e Tecnologia (SDETJ) em Nhamatanda, numa entrevista do dia 15 de dezembro de 2023, depois da XI Sessão Ordinária do Governo, para mais tarde confirmar o facto e garantir um trabalho a se fazer internamente.

O director do SDEJT, Sérgio Raposo avaliou que a ESG de Lamego era das melhores, considerando que o primeiro e segundo trimestres de 2023, o aproveitamento pedagógico estava acima de 98 por cento, mas no final do ano, percebeu-se que os alunos não adquiriram as competências necessárias, especificamente, na disciplina de Filosofia. Conclusivamente, o director distrital disse que não houve acompanhamento escolar adequado.

Já há reacções pelas redes sociais depois de uma publicação de protesto: “vamos na protestação pessoal, 12ª Classe, passaram 8 pessoas só haaa. Pessoal, está-se mal pha, amanhã todos na minha casa [para] repetirmos exame de Filosofia ou na protestação, todos na praça amanhã. Se está comigo manda parabéns para ESG Lamego, dizendo que te amo minha escola”. Lê-se numa publicação do Facebook, possivelmente de um aluno daquela escola. De seguida as reacções: “Passaram 8 pessoas só lá? É por isso [que] eu neguei estudar lá. Comentou um. “Triste isso”, reagiu outro.

Sobre essas dúvidas, quem poderia dar alguma pista é o director daquela escola, em comunicação ao “Profundus”, o dirigente garantiu que ainda não está autorizado a falar sobre o assunto.

Ora, o aproveitamento pedagógico escolar conta com as condições da escola, processo de ensino-aprendizagem, desde metodologias, capacidades do professor ao interesse dos educandos. Mas fisicamente, a Escola Secundária Geral de Lamego aparenta ter requisitos aceitáveis, apesar de estar num distrito, habitualmente, assolado por ciclones.

A Filosofia, literalmente amor” pela sabedoria” é o estudo de questões gerais e fundamentais sobre a existência, conhecimento, valores, razão, mente e linguagem, frequentemente colocados como problemas a serem resolvidos.

As perguntas que não querem se calar, a disciplina de Filosofia 12ª Classe é tão difícil assim? Os alunos são tão desinteressados assim? Ou o professor é tão inteligente ao ponto de só oito alunos entenderem a sua matéria? O que está a falhar exactamente para um aproveitamento pedagógico desse?

Em Moçambique, ultimamente, quem chumba ou reprova numa classe de exame, deve repetir no próximo ano. Já não há segunda época. Ora, não transitar de classe faz parte do processo de ensino-aprendizagem, mas o “excesso” é preocupante, mesmo para o caso de aprovações. Contra isso, é preciso reflexão para o sucesso das escolas e alunos, pois, um Homem bem formado é maior possibilidade para a solução de problemas na sociedade. (Muamine Benjamim).

Encerradas 2 instituições de ensino técnico-profissional ilegais em Sofala

Duas instituições de ensino técnico-profissional ilegais acabam de ser encerradas na província de Sofala, Centro de Moçambique.

Os estabelecimentos funcionavam nos distritos da Beira e Nhamatanda, ministrando diversos cursos, sem docentes qualificados.

O director do Serviço Provincial de Assuntos Sociais, em Sofala, Luís Meno, disse que as irregularidades foram detectadas durante uma inspecção levada a cabo pela Autoridade Nacional de Ensino Técnico Profissional.

Luís Meno apela aos estudantes para que, antes de inscrição, se certifiquem da legalidade das instituições.

Os dois institutos politécnicos funcionavam de forma ilegal já há uns anos. (RM).

Atropelamento de repórter: MISA exige responsabilização do director do SDETJ – Nacala

O MISA Moçambique tomou conhecimento do atropelamento, na segunda-feira, dia 8 de janeiro de 2024, do repórter Filesmar Essiaca Agostinho, pelo director distrital da Educação de Nacala-Porto, na província de Nampula, Norte de Moçambique. Correspondente da Tv Sucesso, em Nacala-Porto, Filesmar Agostinho foi atropelado quando tentava obter reacção do director distrital da Educação sobre reivindicações de professores, que incluem atrasos salariais e pagamento de horas extraordinárias.

O repórter acabava, pois, de entrevistar professores que se se tinham amotinado defronte da Direcção distrital da Educação de Nacala, em reivindicação de seus direitos, entre eles atrasos salariais, pagamento de horas extraordinárias e enquadramentos na Tabela Salarial Única, quando procurou ouvir Alexandre Mário, o director distrital.

Em contacto com o MISA, Filesmar Essiaca Agostinho explicou que, uma vez que na Direcção Distrital da Educação, o repórter e o seu colega de imagem foram informados que o director se encontrava reunido, pelo que, se estivessem interessados, deviam aguardá-lo.

A equipa aguardou durante cinco horas. No fim da reunião, a equipa procurou falar com o director, mas, novamente, foi orientada a esperar. No entanto, a dado passo, a equipa viu o director a sair do gabinete em direcção ao local onde estava estacionada a sua viatura. Nessa altura, a equipa da Tv Sucesso, em Nacala, que já contactava o director distrital da Educação há mais de duas semanas, sem que Alexandre Mário respondesse aos contactos telefónicos, foi interpelar o dirigente.

Filesmar Essiaca Agostinho ainda tentou lançar perguntas ao director, mas, arrogante, conta o repórter, o director distrital da educação não se dignou a responder.

Pelo contrário, meteu-se na viatura do Estado, arrancando à alta velocidade. Foi nessas circunstâncias que o dirigente atropelou o repórter na perna esquerda. Além do atropelamento, Alexandre Mário danificou parte do equipamento de trabalho da televisão. Depois do sucedido, o director não prestou assistência à vítima, que foi socorrida por populares ao Hospital Geral de Nacala-Porto. Aliás, mesmo depois da ocorrência, o repórter continuou a ligar para o director, mas Alexandre Mário continuou a ignorar a ligação.

Na unidade sanitária, o repórter foi submetido à colocação de gesso, tendo o médico ortopedista lhe imposto um repouso de 30 dias, portanto, um mês sem trabalhar, com controlos regulares a cada três dias. Esta quarta-feira, 10 de janeiro, o MISA entrou em contacto com o director distrital da educação de Nacala-Porto para obter a sua reacção sobre os factos. No entanto, após a descrição do assunto, Alexandre Mário esboçou um sorriso, para depois responder nos seguintes termos: “o ideal é ir à TV Sucesso para recolher as informações ao repórter. Eu estarei disposto a fazer contraditório em fóruns próprios e muito obrigado”, respondeu o director, que terminou a chamada imediatamente, enquanto o MISA ainda lhe colocava perguntas.

 

Posicionamento

O MISA Moçambique condena a repugnante atitude do director distrital da Educação de Nacala-Porto. Mais do que repugnante, a actuação do dirigente configura um grave atropelo à liberdade de imprensa e o acesso à informação. Além de consubstanciar um grave atropelo à liberdade de imprensa, a atitude de Alexandre Mário representa, igualmente, uma negação ao direito à informação a jornalistas e, por seu intermédio, ao direito à informação que assiste aos cidadãos.

O MISA lembra que, na República de Moçambique, a liberdade de imprensa, de expressão e o acesso à informação são direitos fundamentais com cobertura constitucional e consagrados em leis ordinárias, nomeadamente a Lei 18/91, de 10 de Agosto (Lei de Imprensa) e da Lei nº 34/2014, de 31 de Dezembro (Lei do Direito à Informação). Por isso, a conduta do director distrital da Educação configura um grave atropelo ao quadro constitucional e legal que regula o funcionamento da comunicação social, em Moçambique.

Com efeito, o MISA Moçambique reserva-se ao direito de tomar medidas legais que julgar necessárias para a responsabilização do director distrital da Educação de Nacala-Porto por este flagrante atropelo às liberdades de imprensa e ao direito à informação. No entanto, o MISA insta as autoridades da justiça, em Nacala, a actuarem de forma exemplar para a responsabilização do director distrital da Educação, desde logo no âmbito do processo-crime aberto esta quarta-feira, 10 de Janeiro de 2024, no Comando Distrital da Polícia da República de Moçambique (PRM), pelo repórter Filesmar Essiaca Agostinho.

Enquanto Estado de Direito Democrático, não podemos tolerar nem permitir que repórteres sejam atropelados e seus agressores continuem impunes como se não tivessem protagonizado um grave atentado à liberdade de imprensa. O que o repórter Filesmar Agostinho procurou fazer não é crime. Pelo contrário, o repórter estava a cumprir um dos fundamentos basilares do jornalismo, o contraditório, o que é salutar e característico do bom jornalismo.

Além das implicações legais, o MISA entende que a actuação de Alexandre Mário em nada dignifica o Estado; a actuação de um funcionário do Estado; muito menos de alguém que ocupa um cargo de direcção. Por isso, o MISA Moçambique insta a quem de Direito a distanciar-se destes actos repugnantes cometidos por um servidor público de nível de direcção, em Nacala. O Estado deve, pois, enviar uma mensagem de que não compactua com este e quaisquer outros actos atentatórios à liberdade de imprensa, de expressão e ao acesso à informação, cometidos por seus funcionários e, ainda mais, em cargos de direcção. (MISA).

Novo Programa da Gorongosa apoia IFPELAC com 12 milhões de meticais

Este ano, centenas de jovens e mulheres passarão a se formar no Centro de Formação Profissional de Gorongosa (CFP) – instituição pública, depois do desembolso de cerca de 12 milhões de meticais do Programa Desenvolvimento Sustentável de Meios de Subsistência para as Comunidades da Zona Tampão da Gorongosa (SLDP, sigla inglesa). Este apoio resulta do Memorando de Entendimento assinado entre o IFPELAC e Projecto de Restauração da Gorongosa, em setembro do ano em curso.

O CFP do Instituto de Formação de Profissional e Estudos Laborais Alberto Cassimo (IFPELAC) iniciou a sua construção há sete anos. Por falta de fundos estava com futuro incerto para o fim das obras. Mas com o apoio do SLDP, em quatro meses será terminada e entregue este mês janeiro.

A procura de cursos profissionais é maior. Muitos jovens têm recorrido a instituições localizadas noutros distritos ou até províncias. Esta é a realidade do distrito de Gorongosa. No entanto, este problema poderá ser minimizado ao entrar em funcionamento o CFP local que oferecerá cursos com a duração de três a seis, nas áreas de Processamento de Alimentos e Restauração: Processamento de Vegetais, Frutas, Grãos e Cereais, Empregado de Mesa e Artes Culinárias e Gastronomia; e Construção Civil: Canalização e Pedreiro.

“Centro de Formação Profissional de Gorongosa quer formar anualmente, cerca de 160 jovens com especial atenção a mulheres, desde que tenham terminado a 7ª, 10ª ou 12ª Classe”.

IPPLAC Gorongosa

O Delegado Provincial do IFPELAC, Saraiva Chicumule reconhece que “a formação profissional contribui significativamente para a empregabilidade dos jovens porque tornam-nos mais competitivos para o mercado”.

O projecto de construção do Centro de Formação Profissional de Gorongosa teve três fases: (1) através do orçamento provincial (com o qual foram construídas três salas de aulas, bloco administrativo e uma oficina multiuso; (2) através do orçamento do IFPELAC a nível central (com o qual foi construída uma oficina para a área de processamento de alimentos, uma casa para o director do CFP, um sistema de abastecimento de água e requalificação do bloco administrativo; e (3) através do financiamento do SLDP para a construção e apetrechamento de novos edifícios, nomeadamente, armazém, balneários, requalificação da oficina de agroprocessamento e restaurante.

O centro ainda não está a funcionar. Com apoio do PNG, “vamos dar maior resposta ao distrito, em termos de jovens qualificados para competir no mercado. Estamos a receber apoio do PNG para termos abertura formal do Centro”, disse Saraiva Chicumule.

Segundo o gestor do Programa SLDP, Edson Carneiro, “o apoio resulta de uma parceria estratégica que vai responder os principais objectivos do projecto que são de facto empoderar as mulheres jovens e dotá-los de habilidades e ferramentas para que possam criar auto-emprego”.

As áreas de formação do CFP de Gorongosa estão alinhadas com os principais pilares do SLDP, nomeadamente, Agricultura, Nutrição, Meios de vida Sustentáveis, “acreditamos que capacitando os jovens, mães-modelo e pais-modelo, estaremos a contribuir para maior disponibilidade, acesso e utilização de alimentos seguros e nutridos”.

O SLDP Gorongosa visa contribuir para a melhoria das condições socioeconómicas das comunidades da Zona Tampão do PNG, através de implementação de intervenções que contribuam o aumento da produção agrícola, a melhoria dos índices de nutrição, o fornecimento de água de qualidade e saneamento básico do meio, bem como iniciativas de promoção de saúde sexual e reprodutiva.

Edson Carneiro avançou que foram desembolados cerca de 12 milhões de meticais, deste valor, espera-se que 8 milhões sejam aplicados na construção e apetrechamento de novos edifícios, nomeadamente, armazém, balneários, sala de agroprocessamento e restaurante do Centro de Formação Profissional de Gorongosa.

O SLDP com maior enfoque nas mulheres e jovens, abrange os distritos de Cheringoma, Dondo, Gorongosa, Maringué, Muanza e Nhamatanda. Vai também, contribuir para o reflorestamento e conservação da biodiversidade.

O SDLP é financiado pela Embaixada dos Países Baixos em Moçambique e implementado pelo Projecto de Restauração da Gorongosa em parceria com a Resiliência e Right to Play. (Progressus).

Moçambique ainda sem risco: “Sistema” já formado na Ilha de Madagáscar

Já formou-se no vizinho Madagáscar, um sistema de baixa pressão que nos próximos dias, poderá evoluir para Tempestade Tropical Moderada, mas ainda não é perigo para Moçambique.

“Formou-se a nordeste da Ilha de Madagáscar, na bacia do sudoeste do Oceano Indico, um sistema de baixa pressão atmosférica, com potencial de evoluir ao estágio de Tempestade Tropical Moderada no dia 14 de janeiro de 2024, próximo a costa leste de Madagáscar. Contudo, ainda não constitui perigo para o canal de Moçambique bem como a parte continental do nosso país”. Lê-se num comunicado de hoje, do Instituto Nacional de Meteorologia (INAM).

Lembre-se que até dia 2 de janeiro recente, a Tempestade Tropical Severa “Alvaro” chegou de enfraqueceu para Depressão Tropical, sem constituir perigo no canal de Moçambique. (Profundus).

Sofala é uma riqueza ainda por descobrir

Sofala é uma província moçambicana. Situa-se na região central do país, com longa costa, numa reentrância do canal de Moçambique. A respectiva capital, a cidade da Beira, situa-se no litoral e fica situada a 1.190 quilómetros a norte da capital Maputo.Sofala é um destino turístico perfeito para os que desejam combinar o entretenimento e a natureza. A província é considerada o berço da Reserva de Búfalos de Marromeu, e do Parque Nacional da Gorongosa.Só na Gorongosa, existem diversos ecossistemas, nomeadamente, pradarias, savanas e florestas de altitude. Ao nível da fauna, vai encontrar antílopes, leões, elefantes, crocodilos, hipopótamos e mais de 300 espécies de aves diferentes. Depois de 16 anos da guerra civil, a reconstrução envolveu também o desenvolvimento de ecoturismo, tendo em consideração o respeito pelo meio natural.Ainda na Gorongosa, o Montebelo Gorongosa Lodge, em Chitengo, está integrado no Parque e disponibiliza bungalows, vilas, uma área para campismo e diversos serviços, tais como restaurantes, piscinas, percursos pedestres, safaris e outras actividades.Sofala é um tesouro achado em Moçambique, capaz de oferecer aos visitantes a possibilidade de conviver com a rica flora, a emoção de observar várias espécies selvagens como os elefantes, os leões, os leopardos e muitos outros animais.A capital, Beira, é a segunda maior cidade do país e tem o maior parque industrial nacional e porto mais eficiente na África Austral e o sexto com maior rapidez no manuseamento de carga na África Subsaariana, segundo a classificação do Banco Mundial.Beira oferece uma vasta lista de hotéis equipados para acolher uma variedade de eventos nacionais e internacionais.Para os amantes de história, Sofala oferece uma vasta lista de atracções, desde a Catedral da Beira, a Estação Ferroviária, o Farol do Rio Macuti e o Grande Hotel. As praias Nova e de Savane, as misteriosas grutas de Kodzué, as fantásticas cascatas de Morumbodzi, a serra da Gorongosa, onde se pode ouvir o canto do endémico “papa-figos de cabeça verde”, fazem parte do leque de sugestões para os amantes da natureza. E entre outras riquezas menos colocadas no livro ou vistas e que ainda precisam de descobertas, em Sofala. (Muamine Benjamim).

Mais 13 escolas pela Fundação de Caridade Tzu Chi em Sofala

A Fundação de Caridade Tzu Chi vai construir mais 13 escolas na província de Sofala, região central de Moçambique.

Trata-se de EPC Esturo, EPC Moçambique Industrial e EPC 3 de Fevereiro, na cidade da Beira. E distrito de Nhamatanda: ESG Nhamatanda, EPC Nharuchonga, ESG Kura, EPC 12 de Outubro, ESG Metuchira, EPC Lamego, ESG Lamego, EPC Ndeja, ESG Tica e EPC Muda Mufo. No total, 13 escolas.

Para o efeito, Nhamatanda vai acolher na próxima sexta-feira (12.01.2024), um evento de apresentação e consignação do Projecto de Construção das 13 escolas, totalizando 253 salas de aula, nos dois distritos.

Segundo um comunicado da Tzu Chi Moçambique recebido na Redacção do Profundus, na mesma sexta-feira, haverá apresentação detalhada do Projecto executivo das 13 escolas, assinatura dos autos de consignação e visitas aos locais de obra no distrito de Nhamatanda.

Ainda não está claro quando é que irão iniciar as construções, mas a garantia existe.

Lembre-se que nos finais de 2023, a Tzu Chi entregou numa primeira fase 54 casas na localidade de Metuchira, depois de 53 infra-estruturas entre escolas e casas em diferentes pontos do distrito. (Profundus).