Nhamatanda: Escola de Professores do Futuro gradua 59 professores

A Escola de Professores do Futuro (EPF) graduou hoje segunda-feira, 59 professores, nas instalações da Ajuda para Desenvolvimento do Povo para Povo (ADPP), na localidade de Lamego, no distrito de Nhamatanda, em Sofala. Os novos profissionais são desafiados a serem dinâmicos, criativos e pacientes no desempenho das suas funções.

Trata-se de 59 professores do curso de formação de professores de ensino primário e educadores de adultos no modelo 12ª Classe +3. Deste número, 30 são mulheres e apenas 29 homens.

 

Desafiados a serem dinâmicos, criativos e pacientes

 

Segundo avançou a secretária de Estado em Sofala, Cecília Chamutota, neste modelo e com estes números recentes, Sofala vai somar “1.073 novos professores” a graduar este ano, destes “543 são mulheres”.

“Vos sois agentes transformadores, responsáveis pela mudança de comportamento nos vários estratos sociais, por isso, na vossa missão de educar, devolvam o espírito patriótico, sejam cumpridores das leis, dos princípios éticos e deontológicos, quadros que planificam, organizam e gerem de forma eficaz e eficiente o processo de ensino-aprendizagem”, desafiou Chamutota.

“Contribuam para o desenvolvimento sustentável do nosso país”. Cada um que seja “promotor da unidade nacional, mensageiro da paz e do espírito de trabalho, privilegiem a relação teoria e prática”, continuou Chamutota, confiando que serão professores “dinâmicos, criativos e pacientes” no processo de ensino-aprendizagem.

Sofala conta com quatro instituições de formação de professores que implementam os cursos de ensino primário e educadores de adultos nos modelos 12ª +1 e 12ª+3, introduzidos no âmbito da nova lei do Sistema Nacional de Educação (SNE).

 

Professores contra analfabetismo

Os já professores em mensagem descreveram os desafios enfrentados durante a formação e garantem fazer de tudo na formação de um Homem novo.

“Estamos habilitados em ensinar as crianças e adultos a Numeracia, Literacia, usando métodos e técnicas e instrumentos inclusivos; trabalhar em turmas numerosas e inclusivas; elaborar planos analíticos quinzenais, diários, de avaliação de acordo com níveis e domínio de aprendizagem com particularidades de cada criança e adulto”, lê-se nas incumbências da didáctica.

“Temos a firmeza de apelidarmo-nos [de] professores de duas cabeças” ao produzirem “hortícolas, cereais e tubérculos para alimentar a escola e a comunidade; garantia na construção e manutenção de infra-estruturas escolares e comunais; conservação de alimentos usando técnicas e meios disponíveis nas comunidades”, continuou Natália Baptista Andrisse, em mensagem dos professores.

“Nos sentimos munidos de competências para enfrentar o ABC e 123 com vista a combater o analfabetismo, através de um processo de ensino-aprendizagem inclusivo, de qualidade e patriótico”.

Lembre-se que esta é a segunda graduação dentro das instalações da ADPP-Nhamatanda. A primeira foi pelo Instituo Politécnico de Nhamatanda e a GIZ-Emprega Juvenil, no dia 09 de outubro deste ano, com 157 graduados dos quais 81 em Cadeia de Valores de Frango de Corte e 76 em Cadeia de Valores de Feijões. (Muamine Benjamim).

Nhamatanda com “Dezembro Vermelho”

Nhamatanda na província de Sofala não é diferente dos outros em Moçambique. O distrito acolheu no último sábado, a Campanha Nacional de Canto e Dança, no âmbito do “Dezembro Vermelho”, contra HIV/SIDA.

Dezembro Vermelho é a campanha nacional de conscientização sobre o HIV, vírus causador da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (SIDA). A iniciativa busca alertar sobre a importância do diagnóstico precoce, do tratamento e das formas de prevenção contra a doença que já matou milhares e continua a matar no mundo.

No sábado (09.12.2023), no campo da vila municipal de Nhamatanda, artistas nacionais juntaram-se aos locais em forma de teatro-dança para consciencializarem sobre o HIV/SIDA. E ao redor, estavam os espectadores. Afinal era a forma de fazer chegar a mensagem.

Lembre-se que, em 2022, o Governo moçambicano fez um inquérito que registou uma redução do HIV/SIDA de 5,1% para 4,1 % avaliando os períodos entre 2015 e 2022. As mulheres lideram a infecção de mais de dois milhões de cidadãos em Moçambique.

Segundo o estudo, Moçambique teve uma redução de 25 por cento em novas infecções, segundo a meta de 50% até 2025.

Nos últimos 22 anos, o tratamento anti-retroviral evitou a morte de cerca de um milhão de cidadãos em Moçambique. Apesar do sucesso, persistem níveis elevados de desigualdades de género, limitada cobertura da prevenção combinada do HIV e fraca cobertura da testagem, em particular para os homens.

As mulheres com idades entre 15 e 29 anos de idade permanecem no grupo de mais infectados pelo HIV em Moçambique, porém a incidência reduziu de 5,1% para 4,1%, nos últimos seis anos.

Das mais de 2,4 milhões de pessoas infectadas pelo HIV/SIDA, apenas 71,6% conhecem o seu estado, ou seja, perto de 700 mil cidadãos vivem com a doença sem saber.

O HIV, só em 2022, matou mais de 48 mil pessoas no país. Portanto, o “Dezembro Vermelho” é contra esta doença. (Muamine Benjamim).

INCÊNDIO E ASSASSINATOS: Governo diz que vai esclarecer na próxima sexta-feira em Nhamatanda

São escassas as informações sobre o incêndio que vitimou mortalmente uma mãe no Hospital Rural de Nhamatanda, e os assassinatos a mulheres, no distrito. O Governo distrital garantiu há meses que foram criadas comissões multissectoriais para apurarem os factos. Na próxima sexta-feira, (22.12) a população poderá estar informada sobre o que exactamente se passa ou se passou.

“As comissões estão a trabalhar. Neste momento, estão a finalizar os processos”, disse o porta-voz da XIª Sessão do Governo de Nhamatanda, Sérgio Raposo, numa entrevista concedida a jornalistas locais. “Queremos acreditar que teremos informações preliminares sobre a situação dos assassinatos”, acrescentou.

“Estamos uma situação muito aceitável. Já não temos onda de assassinatos no distrito, melhorou muito em termos de segurança”, avaliou os últimos dias.

“Também iremos trazer informações [do] incêndio de ambulância”, garantiu Raposo em representação do Governo de Nhamatanda.

Raposo lembra que “as primeiras informações dão conta de que foi de facto acidente de trabalho no manuseamento de oxigénio”, resultando em uma vítima no recinto do Hospital Rural de Nhamatanda.

Lembre-se que o incêndio ocorreu por volta das 19:30, da quarta-feira (06.09.2023), no recinto do Hospital Rural de Nhamatanda. Dolca Domingos Vasco foi submetida a uma cesariana por complicações da gravidez (eclampsia). Já à noite, o plano era de transferi-la para o Hospital Central da Beira (HCB). Já estava no carro o qual explodiu culminado com a morte daquela mãe. E, sobre assassinatos, desde o ano passado, o distrito vem se destacando, embora nos últimos dias se avalie calma. Sendo casos preocupantes, serão esclarecidos na próxima sessão do Governo, o último evento do género de 2023.

 

Segurança e produtos nas festividades

Raposo que falava na última sexta-feira, depois da XI Sessão Ordinária do Governo de Nhamatanda, garantiu haver trabalhos face às festividades.

Sobre as festividades que se avizinham o porta-voz da Sessão do Governo de Nhamatanda garantiu que “decorrem encontros” com a sociedade em geral para consciencializa-la a se “portarem” melhor nesse período.

Do outro lado, o Governo diz que está a fazer um levantamento para que não haja “escassez de produtos, falsificação de produtos e de balanças” nas festividades, mas reconheceu que “temos casos em que os que estão nesses trabalhos acabam sendo influenciados de forma negativa pelos próprios agentes económicos” contra isso decorre agora a “revitalização” com pessoas idóneas”. (Muamine Benjamim).

O drama de quem viveu de quase todo tipo de violência

No interior de Bebedo, em Nhamatanda, província de Sofala, Maria José, de 39 anos de idade é uma em cada três no mundo que já foi vítima da Violência Baseada no Género. A mulher já passou experiências de violência sexual, física e psicológica praticada pelo ex-marido. E dos seis filhos juntos, nenhum deles usou roupa que o pai Marcos comprou ou que tirasse dinheiro para tal, mesmo com salário mensal.

Esta descrição envolve nomes fictícios para preservar a identidade dos envolvidos, mas os detalhes são contados na primeira pessoa.

Marcos é trabalhador do Parque Nacional da Gorongosa e recebe salário acima de 9.000 meticais. O homem de 42 anos de idade, passou a drogar-se excessivamente e a envolver-se a mulheres. Mas antes do emprego e filhos, aparentava ser o marido que toda mulher sonha. E dos sogros, até chegou de receber apoio financeiro para negócio por bom comportamento e por estar com Maria sendo a primeira sorte dos agora oito filhos do casal Bonga.

Maria José era a única mulher de Marcos. Casou aos 18 em 2002 anos por seguir ideias das outras, não estudar. “Preferi casar para ter único homem”, foi assim que abandonou a 5ª Classe para os braços do homem. Tudo brilhava, no começo.

O negócio foi à falência ao começar investir noutras mulheres. Em 2007 depois, conseguiu emprego onde até hoje trabalha, depois de sete relacionamentos que não deram certo. Mas a primeira esposa foi Maria e a única até ao momento com mais filhos, seis, sem responsabilidade do pai apesar do salário.

Suspeita-se que Marcos não esteja de boa saúde depois de vários casos amorosos. Por conta disso, na sentada com estrutura local, pediram que marido e mulher fizessem testes, mas o homem recusou.

Maria já tentou suportar, mas viu-se obrigada a exigir despesas. “Todos filhos não sabem o que é apoio de um pai, porque nunca o tiveram”.

A dúvida de estado de saúde do homem e a exigência de despesa foram alguns motivos que Marcos invocou para separação. “Vai procurar homem que vai-te dar despesa”, conta Maria na voz do homem.

Dai Maria aceitou, pois, fazia negócio em Bebedo para sustentar os filhos.

“O engraçado é que ele [homem] sempre gastou fora, não apoiou em casa”. Maria quando aceitou a separação, o marido alegou desprezo.

Maria conta que foi obrigada tantas vezes a fazer sexo com o marido, chegando a agressão física e psicológica. Para satisfazer ao homem na altura dos factos, ela fortificou a ideia de juntos fazerem testes de todo tipo no hospital, mesmo assim ela recusou.

Das sentadas com as duas famílias, Marcos apenas reconhecia o erro pela boca, as acções eram contrárias. Nada restou para Maria, senão separação.

A experiência pode estar a ser vivida com mulheres ou até homens. Contra isso, Maria aconse­lha que haja denúncias para uma solução a partir de famílias, alegando que casamento não é prisão. Mas apesar da força de falar, continua com medo de recorrer à autoridade para responsabilizar a custódia do ex-marido desde 2020 pelo menos aos três filhos que no próximo ano vão estudar a 7ª Classe e os restantes dois 1ª Classe, já que a mais velha já não estuda.

Maria, antes de separar, gravou informações do homem, na mente: “quando você me deixar, não vai fazer filhos”.

Agora, Maria projecta mais filhos com o novo homem que também tem os dele no mesmo quintal com outra mulher.

Afinal, a apreciação entre Maria e o vizinho que deu a nova relação, começou quando Marcos primeiro marido dela a maltratava. Depois da separação, foi a vez desses dois que há tempo se apreciavam.

Maria ainda não tem filho na nova relação, e duvida que seja a concretização das palavras do Marcos. “Ainda ouço no bairro que ele diz que não vou fazer filho com outro homem. Estou a planificar mais uma reunião familiar sobre essas palavras”.

 

Como é a vida de Marcos agora?

Não se sabe exactamente quantas mulheres Marcos assume actualmente. O homem é possível ser visto em duas mulheres em Bebedo e Nhampoca, dentro do distrito de Nhamatanda, mas o lugar mais fácil de lhe encontrar é onde fazem bebida tradicional. Nas bebedeiras, os que lhe apreciam vão lhe mimando, uns acendem o cigarro para ele, outros servem o álcool, enquanto alguns puxam o papo. Assim vai o luxo em tempos de salário.

Maria reconhece que quando Marcos começou a trair, não o impediu, achando que na qualidade de homem, podia o fazer como é mentalmente interpretado por alguns, localmente. Mas, hoje, a mãe de sete filhos arrependeu-se, por isso, quebrou o silêncio.

Hoje, Maria roga que o pai dos seis filhos apenas venha a assumir a paternidade, não apenas nos documentos.

O “Profundus” sabe que Marcos quer que os filhos vivam com ele na madrasta. Até porque nos primeiros dias viveram, mas abandonaram, alegando maus tratos, fugindo para avô na vila sede de Nhamatanda é ela onde três filhos estudam. E hoje, a custódia dos filhos também envolve os avós e tios.

É mais fácil encontrar Marcos nas duas mulheres ou na bebedeira ou mesmo no ganha-pão.

 

Situação dos filhos

A filha, segunda sorte, já que a primeira faleceu, segue os passos da mãe. Com 20 anos de idade, Fina já teve dois relacionamentos em dois anos resultando em um filho que chegou a perder vida misteriosamente no interior de Bebedo. Regressou à casa dos avós, mas por força maior está agora com o pai mesmo separado da mãe.

Fina vive com a madrasta na localidade de Bebedo, depois do recente lar que resultou um bebé morto em menos de seis meses. Há quem diz que abandonou o lar por maus tratos do homem, tal e qual a mãe, mas a jovem evita detalhes.

Na zona rural, continuam os desafios da rapariga. Escrever, ler, calcular e língua portuguesa são bichos-de-sete-cabeças para Fina. Campos de produção agrícola, a língua local sena e trabalhos domésticos são áreas que não escapam nos planos diários da jovem que abandonou a 2ª Classe em 2019.

Os restantes irmãos estão em zonas separadas. Dois estão com os avós e um no tio na vila de Nhamatanda. E dois menores estão com a mãe no novo relacionamento.

Os avos e tios são camponeses. São eles que se sentem obrigados a triplicar esforços para alimentar os miúdos enquanto estudam –já vão para 7ª Classe.

Esta descrição por “Profundus” coincide com a campanha dos 16 dias de activismo pela eliminação da violência contra mulher e rapariga, sob lema “UNA-SE! Investir para Prevenir a Violência contra Mulher e Rapariga”, mas a publicação é tempo depois.

Lançada no dia 25 de novembro, a campanha de 16 dias de activismo, terminou a 10 de dezembro, no mundo, mas a reportagem já tinha sido feito, faltando publicação.

Esta é uma parte da realidade a ser encontrada nas famílias no interior de Moçambique, provando a necessidade de se reforçar mecanismos de denúncia, sensibilização ou mesmo de investigação desses factos. Há casos latentes ainda que com pessoas sorridentes ao redor, no fundo há uma realidade que pode sair com tratamento específico. (Muamine Benjamim).

MISA insta PGR a tomar medidas pelos crimes contra jornalistas

Quatro dias depois do bárbaro assassinato do jornalista João Chamusse, o MISA-Moçambique submeteu, na manhã desta segunda-feira, 18 de Dezembro de 2023, na Procuradoria-Geral da República, uma petição sobre a impunidade dos crimes contra jornalistas. Na petição, com mais de meia centena de subscritores, a entidade defensoras de jornalistas insta a PGR a tomar medidas sérias para o fim da impunidade pelos crimes contra jornalistas, numa altura em que o país volta a assistir ao assassinato de mais um jornalista.

É considerando haver apatia das autoridades perante a recorrente violência contra jornalistas, incluindo assassinatos, que o MISA-Moçambique submeteu a petição instando à PGR e as demais relevantes instituições de justiça a tomarem medidas mais sérias e responsáveis para acabar com a impunidade dos crimes contra os profissionais de comunicação social, no país.

A petição assinala que a actuação do Ministério Público, entanto que detentor da acção penal e garante da legalidade, de não esclarecer os casos de violência contra jornalistas e garantir a realização da justiça por uma investigação criminal séria e responsável, está, em grande medida, a alimentar a impunidade pelos crimes contra estes profissionais e, ao mesmo tempo, a incentivar esta prática criminal e a institucionalizar o medo na sociedade moçambicana.

A PGR deve respeitar e pôr, imediatamente em prática, as suas competências constitucionais e estatutárias para o fim da impunidade dos crimes contra os jornalistas e realização da justiça como efectivação do Estado de Direito Democrático e de justiça social, que caracteriza a Constituição da República. Caso contrário, o Ministério Público estará a ser cúmplice para a prática dos crimes contra os jornalistas e para a prática da justiça privada ou pelas próprias mãos, devido ao crescente descrédito das instituições de justiça aos olhos dos cidadãos, adverte o documento. Acrescenta que o mais recente assassinato do Jornalista João Chamusse é um inaceitável “presente de natal”, cuja culpa não deve morrer solteira, à semelhança de vários crimes contra os jornalistas.

 

“Chamusse, Chamusse, a sua voz não vai calar”

A submissão da petição, na manhã desta segunda-feira, foi o culminar de uma marcha iniciada no Jardim Municipal Nangade (antiga Dona Berta), que percorreu a Avenida Vladmir Lenine, até desaguar na PGR. Perto de uma centena de pessoas, entre jornalistas e activistas de direitos humanos, marcharam sob cânticos de reivindicação de um espaço livre para o exercício do jornalismo e de condenação ao bárbaro assassinato do jornalista João Chamusse, na semana passada.

“Chamusse, Chamusse, a sua voz não vai calar”; “quem somos nós? Jornalistas! O que queremos? Justiça!” cantavam os participantes, ao som de apitos, enquanto marchavam para a PGR. Falando à imprensa, momentos após a submissão da petição, o Presidente do MISA-Mocambique, Jeremias Langa, apelou ao Ministério Público para que exerça as suas funções que estão na Lei, no âmbito das suas atribuições de titular da acção penal e que faça uma investigação séria e profunda que permita o alcance da verdade material sobre as circunstâncias, os autores e as motivações por detrás do assassinato de João Chamusse.

De acordo com Jeremias Langa, o Ministério Público não deve cair na tentação de prender para investigar, nem de chegar a “verdades fáceis”, como tem-se ouvido nos últimos dias relativamente a este assunto, numa clara alusão à detenção, ainda na semana passada, de um indivíduo, por sinal vizinho do malogrado, que é acusado de ter tirado a vida de João Chamusse. No breve contacto com jornalistas, o presidente do MISA explicou por que é importante esclarecer este mais um caso de assassinato.

“O esclarecimento sobre o assassinato de Chamusse é muito importante para o clima de liberdade, em Moçambique. Os profissionais da classe jornalística estão intimidados, retraídos em relação às liberdades porque as pessoas não sabem quais foram as motivações para a morte de João Chamusse, se foi por via da sua liberdade intelectual de dizer o que pensa ou outras motivações”, referiu.

Na mesma ocasião, Langa fez saber que o MISA vai constituir-se como assistente deste processo, de modo a acompanhar todas as suas diligências e saber quais os passos que serão dados até que haja esclarecimento total. (MISA).

Gorongosa resgata raparigas de uniões prematuras na Zona Tampão

 O Parque Nacional da Gorongosa (PNG) diz que resgatou raparigas de uniões prematuras, na sua Zona Tampão. São dados revelados pela respectiva Directora de Desenvolvimento Humano, Elisa Langa, em entrevista com “Profundus”, no âmbito de 16 dias do activismo contra Violência Baseada na Rapariga e Mulheres, sob lema “UNA-SE investir para prevenir a violência contra mulher”.

Na ocasião, a Directora de Desenvolvimento Humano do PNG, Elisa Langa, revelou que através de seus mecanismos de intervenção, o Parque resgatou raparigas de uniões prematuras, na sua Zona Tampão.

Na semana passada, “resgatamos de uniões prematuras duas meninas do distrito de Nhamatanda. Isso evidencia a mudança de atitude dos activistas no meio da comunidade e o reconhecimento dos líderes e outros membros da necessidade de deixarem  as meninas estudarem, de modo a que possam decidir, liderar e prosperar.

“Tivemos mais de sete casos de resgate de meninas que estavam unidas ou na eminência de se unirem prematuramente com homens mais velhos”.

Elisa Langa falava com semblante de tristeza ao lado de outras raparigas durante a Conferência da Rapariga da Zona Tampão, no distrito de Gorongosa.

“Vocês são capazes de agir e têm o poder de mudar as vossas vidas para terem uma vida melhor no futuro. Vocês devem conduzir o vosso destino, não aceitem que alguém vos roube o futuro! E, nós os mais velhos, vamos unir-nos para assegurar que coisas más não aconteçam convosco”, motivou a Directora do Desenvolvimento Humano e Meios de Vida do Parque Nacional da Gorongosa. Elisa Langa, convidando-lhes a estudarem, pois é a arma mais segura que podem usar para vencerem.

O Parque tem vários programas, designadamente, Clubes da Rapariga, Clubes de Jovens e outros, implementados em Gorongosa, Maringué,  Cheringoma, Muanza, Dondo e  Nhamatanda para propiciar um desenvolvimento e emponderamento de todo vós”, garantiu Langa.

Profundusmz.com
Directora de Desenvolvimento Humano do Parque Nacional da Gorongosa, Elisa Langa

 

“É necessário que confiem nas vossas forças. Estudem, trabalhem e respondam positivamente a tudo que vos é oferecido para se desenvolverem. Vocês devem liderar as vossas vidas e a sociedade”, chamou atenção, durante o discurso de abertura do evento.

O objectivo da Conferência era de chamar atenção à comunidade de forma geral e às meninas em particular sobre a sua principal responsabilidade para evitarem a violência nas comunidades da Zona Tampão do Parque Nacional da Gorongosa.

“Tudo que fazemos gira em torno da protecção que podemos dar ou promover para o bem das raparigas, mulheres e todas pessoas vulneráveis. Nesta conferência em particular, temos o engajamento de meninos e de homens porque nós queremos assegurar que a comunidade participe neste processo e queremos assegurar que a rapariga não só tenha acesso à escola, mas que complete os níveis de ensino e possam prosperar”, deixou claro Elisa Langa querendo ver “líderes do futuro a partir destas meninas e meninos”.

Para já, Langa diz estar a projectar outro evento do nível nacional, depois deste que decorreu no distrito da Gorongosa. “Queremos nos unir a todas vozes que estão contra a violência. Temos estado a ter dados muito elevados de violência contra a rapariga, jovem, mulher e isso tem de ser estancado”.

Elisa Langa falava na ocasião da Conferência da Rapariga da Zona Tampão onde discutiu-se sobre Estratégias, Politicas e Leis Visando Prevenção e Combate a Violência: Apresentação das políticas e estratégias do Governo de Moçambique para o combate a violência contra Mulheres e Raparigas nas áreas de Educação, Saúde, Acção Social & Justiça; e Apresentação sobre ponto de situação actual sobre a violência das mulheres e raparigas na província de Sofala e em particular os Distritos da ZT do PNG; Breve apresentação sobre a abordagem do empoderamento das Raparigas PRG; Desafios, Oportunidades, e Compromissos: testemunho duas beneficiárias dos Programas Clube de Raparigas & Clube de Jovens; Ponto de situação actual na prevenção, encaminhamento e gestão de casos de Violência contra as mulheres e Raparigas nos Distritos da ZT do PNG; e Liderança das raparigas e rapazes na advocacia pelos seus direitos, prevenção e combate de violência contra as raparigas.

Participaram o evento de reflexão no distrito de Gorongosa, membros do Parque Nacional da Gorongosa, membros da Direcção Provincial de Género, Criança e Acção Social; do Serviço Distrital de Saúde, Mulher e Acção Social e respectivos Pontos Focais de Género na Educação, além da Light For The World. (Luísa Franque).

Sofala com cerca de 400 casos de violência

A província de Sofala, no Centro de Moçambique, registou cerca de 400 casos de violência, nos primeiros nove meses de 2023. São dados revelados pela Director Provincial de Género, Criança e Acção Social, Graciana de Jesus Pita.
A Director Provincial de Género, Criança e Acção Social, em Sofala, Graciana de Jesus Pita, revelou que durante os primeiros nove meses, foram registados “cerca de 443 casos de violências”. Na violência, as mulheres são mais afectadas, mas “também, homens, crianças e pessoas idosas sofrem”, acrescentou.
“Ainda sobre os casos de violência assistidos nos primeiros nove meses, verificou-se uma redução na ordem de 38 por cento quando comparado com igual período de 2022 que foram assistidos 859 casos”.
A Directora Provincial de Género, Criança e Acção Social, em Sofala reconhece que há “casos que acontecem nas famílias e não chegam a entidades que fazem o registo”, tanto que pode se pensar que os números expostos são poucos. Para tal, é preciso denunciar e assim dar-se o acompanhamento.
Graciana de Jesus Pita falava no distrito de Gorongosa, durante a Conferência de Reflexão da Rapariga da Zona Tampão do Parque Nacional da Gorongosa (PNG), no âmbito de 16 dias do activismo contra Violência Baseada na Rapariga e Mulheres, sob lema “UNA-SE investir para prevenir a violência contra mulher”.
Jesus Pita disse estar expectante que depois da Conferência, “todos nós encontremos mecanismos de criar sinergias para combater a violência contra a rapariga”, estando agora, a “trabalhar em prol do Plano Quinquenal Provincial do Governo a concorrer aos Objectivos do Desenvolvimento Sustentável até 2030, [mas antes], temos que dizer zero a violência e desigualdade de género“.
Participaram o evento de reflexão no distrito de Gorongosa, na última sexta-feira, os membros do Parque Nacional da Gorongosa; os membros da Direcção Provincial de Género, Criança e Acção Social; do Serviço Distrital de Saúde, Mulher e Acção Social e respectivos Pontos Focais de Género na Educação, além da Light For The World. (Luísa Franque).

Nhamatanda: Governo confirma corrupção

O Governo de Nhamatanda reconheceu que existe corrupção nos diversos sectores do distrito, mas pretende eliminar este mal através do movimento de combate, contando com a população.

“Ressentimos alguns actos corruptos no nosso distrito. Mas temos certeza [que] com o movimento que está a acontecer ao nível dos serviços, nas escolas, tanto como nas comunidades, temos alguns comités que nos ajudam na fiscalização [e] na identificação de focos de corrupção”, disse o administrador de Nhamatanda, Adamo Ossumane, sem mencionar os números de casos registados.

“Nhamatanda não está a margem deste movimento de combate a actos ilícitos nas nossas instituições“, disse Adamo Ossumane, durante a comemoração do Dia de Combate a Corrupção, 9 de Dezembro, sob lema “20 Anos da Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção: Unindo o Mundo contra a Corrupção”.

Em Sofala, o distrito de Nhamatanda acolheu as cerimónias centrais da província. (Muamine Benjamim).

Comunidades atentas aos projectos da Gorongosa

As comunidades são formadas em grupos para actividades específicas. Existem membros de Comités de Gestão de Recursos Naturais, matronas, mães-modelo, pais-modelos, promotores de Clubes da Rapariga, produtores agrícolas, entre outros envolvidos.

Após um período de incepção de 6 meses, o Programa de Desenvolvimento de Meios de vida, iniciou a implementação de actividades de campo no início de 2023. Nesta senda, o “Progressus” colheu sensibilidades em locais estratégicos, nomeadamente, Mangú, Sirilo, Canda (Gorongosa); Nhamocolomo (Maringué); EPC Santa Fé, Mazamba (Cheringoma); Matenga, Muerezi (Muanza); Nhamacuenguere (Dondo); Bebedo (Nhamatanda)“.

Após a auscultação comunitária, os beneficiários são identificados com base em critérios acordados entre o PRG e as comunidades.

Para o produtor de Nhamacuenguere, em Dondo, João Domingos, isso é “exploração”, começou por lamentar. “Há projectos semelhantes que aparecem com a ideia de querer nos ajudar na Agricultura, os recebemos, trabalhamos, depois a pessoa que nos sensibilizou para aderirmos não aparece porque já conseguiu o que queria, e começamos a ouvir em fofocas que o projecto terminou. Ficamos com muitos produtos sem mercado. Pelo menos nos despedir.

Os produtores dizem que os projectos que ali chegam, não conseguem dar semente, nem enxadas. “Só nos usam, mas eles têm salário no fim de mês.

Agora, as comunidades estão com espectativas em relação ao SLPD na região. “Os projectos do PNG não falham”.

O Projecto de Restauração da Gorongosa adopta uma abordagem de implementação inclusiva de programas, no qual vários grupos comunitários, por exemplo, Comités de Gestão de Recursos Naturais, Grupos de Produtores, Comités de Gestão de Água e Saneamento, Promotores de Educação da Raparigas, Mães e Pais modelos, participam activamente no processo de desenho e materialização das actividades nas comunidades circunvizinhas do PNG.

Alberto Luís Simões é produtor de Nhamacuenguere. Diz estar feliz ao ouvir a chegada do Programa, mas “a nossa preocupação é de não termos tractor que possa nos ajudar no tempo de lavrar a terra. É a mesma opinião da Gorongosa.

“Precisamos de um tractor que pode nos ajudar. Quando alguém tiver dinheiro pode comprar combustível e procurarmos alguém que sabe conduzir para nos facilitar”.

De Nhamacuenguere, interior de Dondo, fronteira com o vizinho distrito de Muanza, sai em quantidades significativas o gergelim, milho, tomate e outros produtos apreciáveis. E Gorongosa é um dos celeiros tal como Nhamatanda, em Sofala. Mas as vias de acesso e a falta de mercado próprio contribuem negativamente no sucesso das comunidades.

 

Já acontecendo e querem “empurrão”

Após a auscultação comunitária, os beneficiários são identificados com base em critérios acordados entre o PRG e as comunidades.

Samuel Luiz Donça, com nove filhos faz parte de um grupo de produtores de piri-piri em Muanza, no povoado de Matenga. Agora confia no apoio do Parque para tudo dar certo. Do outro lado, “a Gorongosa já se explicou e deu cartão de identificação a cada membro para facilitar benefícios directos nas comunidades, facilmente controláveis por GPS”, confirmou Donça.

As comunidades dos cinco distritos dizem que já sabem como produzir de forma regrada com apoio da Gorongosa e querem aumentar os campos de produção com esta ajuda.

Samuel Luiz Donça e outros membros do campo de produção de quase um hectare de piri-piri, querem ver seus filhos a serem jornalistas, tal como a equipa jovem do “Progressus” que os entrevistou.

Todos dizem estar de olho ao que o Parque quer avançar. “Estamos de mãos abertas”, considerando que também produzem hortícolas, milho e gergelim sem mercado.

Enquanto isso, no distrito de Maringué, na localidade de Nhamacolomo, o Comité de Gestão de Recursos Naturais gerido pelas comunidades locais, quer reflorestar a Zona Tampão da Gorongosa. Consequentemente, ali ao lado da Estrada Nacional Número Um (EN1), existe um viveiro chamativo por quem passar dali. (Luísa Franque e Muamine Benjamim – Extractos de Progressus).

Estudante da ESAPOL encontrado morto

Por volta das 11:30 horas da quarta-feira, (06.12), foi encontrado um corpo sem vida na localidade de Metuchira, concretamente no 10º Bairro- Metuchira, interior do distrito de Nhamatanda, em Sofala. Era estudante da Escola de Sargentos da Polícia (ESAPOL) que graduou ontem na mesma instituição pública.

Trata-se de José Albino Mussane, solteiro de 33 anos de idade filho de Albino Mussane e de Carlota Muvunga, natural de Namacha, província de Maputo, estudante do 4⁰ curso de formação de Segurança Pública na ESAPOL. Foi encontrado morto, pendurado e em estado de decomposição.

A vítima que residia no internato da ESPAOL, era tida como desaparecida no último domingo (03.12) às 04 horas, tendo saído do quartel sem despedir, mas antes teria emprestado telemóvel do seu colega.

O porta-voz da ESPAOL, Elísio Sitole, confirma a morte nas circunstâncias descritas, mas aguarda pelas provas concretas das reais causas do enforcamento do jovem. “O telemóvel dele continua bloqueado com código, não abrimos”, disse, sugerindo que possivelmente as reais motivações estejam no dispositivo.

É considerado de suicídio por enforcamento. E pelo estado de decomposição que o corpo apresentava, imediatamente, foi feito o funeral.

Foi encontrado o corpo suspenso com uma calça (fardamento) e cinto da Polícia da República de Moçambique (PRM) pelo pescoço, numa árvore, numa altura de aproximadamente três metros, na mata, arredor do 10º Bairro- Metuchira.

A previsão era que José Mussane graduasse no próximo ano.

Se com o Aviator, para alguns é bênção ao ter dinheiro sentado e com dispositivo ligado a Internet, para outros não, o jogo não passa de tristeza. Cada um descreve os resultados por experiência ou por temer. Mas, independentemente do nível de situação, é preciso reflectir sobre esse tipo de jogo.

Lembre-se que em novembro deste ano, um agente da PRM em Bilene, suicidou-se depois de perder mais de 60 mil meticais, usando dinheiro emprestado de um agente financeiro. Na quarta-feira (06.12), mais um agente penitenciário afecto num estabelecimento prisional em Xai-Xai, e no mesmo dia, foi descoberto o corpo do estudante da ESAPOL.

Kampar stressou até dirigentes e foi-se deixando dívidas. O Aviator é apontado como um dos motivos de suicídio de jovens (Muamine Benjamim).