“AMÉRICA PRIMEIRO”: Quase US$ 2,3 bilhões vão para saúde de Madagáscar, Serra Leoa, Botsuana e Etiópia

Nos dias 22 e 23 de dezembro, os Estados Unidos assinaram quatro novos e importantes Memorandos de Entendimento (MOUs) sobre saúde global com Madagáscar, Serra Leoa, Botsuana e Etiópia, reforçando a liderança americana que gera resultados mensuráveis ​​para o povo americano e coloca os interesses dos Estados Unidos em primeiro lugar, combatendo directamente as ameaças globais de doenças infecciosas e reduzindo a dependência externa dos contribuintes americanos. Lê-se num comunicado recebido pela Redacção do “Profundus”.

Nos quatro memorandos de entendimento, que totalizam quase US$ 2,3 bilhões, os Estados Unidos comprometeram-se com quase US$ 1,4 bilhão, com os países beneficiários co-investindo mais de US$ 900 milhões de seus próprios recursos – demonstrando uma mudança decisiva em direcção à apropriação nacional dos programas de controlo de doenças infecciosas. Cada memorando de entendimento inclui metas claras, cronogramas rigorosos e consequências para o descumprimento – garantindo que a assistência dos EUA produza resultados contra as principais ameaças de doenças e reduza a dependência de longo prazo da assistência americana.

Na Etiópia, os Estados Unidos assinaram um memorando de entendimento bilateral de cooperação global em saúde, totalizando US$ 1,466 bilhão. O acordo inclui US$ 1,016 bilhão em investimento dos EUA e US$ 450 milhões em co-investimento pelo governo etíope. Os programas prioritários incluem HIV/AIDS, tuberculose, malária, erradicação da poliomielite, saúde materno-infantil e preparação e resposta a doenças infecciosas, incluindo apoio contínuo à resposta ao surto de Marburg. O memorando de entendimento visa preservar e consolidar os avanços alcançados por meio de mais de US$ 5 bilhões em assistência dos EUA à saúde na Etiópia nas últimas duas décadas, garantindo a continuidade das funções essenciais de saúde sob a liderança etíope. (Total de mais de US$ 1,466 bilhão, sendo US$ 1,016 bilhão em assistência dos EUA e US$ 450 milhões em co-investimento do país beneficiário.)

No Botswana, os Estados Unidos firmaram um acordo bilateral que aumenta a responsabilidade do governo do país na prestação de serviços clínicos e comunitários relacionados ao HIV. Com os Estados Unidos fornecendo US$ 106 milhões em assistência direccionada e o Botswana contribuindo com mais de US$ 380 milhões de seus próprios recursos, o Memorando de Entendimento fortalece a auto-suficiência, apoia a reforma da força de trabalho e sustenta o controlo da epidemia de HIV além das metas 95-95-95. O Memorando de Entendimento modernizará os registros médicos electrónicos e os sistemas de vigilância de doenças, incluindo a infra-estrutura de rede apoiada pelos EUA, que poderá aproveitar tecnologias americanas baseadas em satélite para fortalecer a preparação para surtos, ao mesmo tempo que promove a liderança tecnológica dos EUA. (Mais de US$ 487 milhões no total, sendo US$ 106 milhões em assistência dos EUA e US$ 381 milhões em co-investimento do país beneficiário.)

Na Serra Leoa, os Estados Unidos investirão mais de US$ 30 milhões em 2026 para fortalecer rapidamente a vigilância epidemiológica, a capacidade laboratorial, a força de trabalho na área da saúde e os sistemas de dados, enquanto a Serra Leoa aumentará gradualmente suas próprias contribuições financeiras. Até 2030, a Serra Leoa assumirá a responsabilidade pela maior parte dos custos com insumos, mão-de-obra e despesas laboratoriais, reduzindo significativamente o ónus financeiro dos EUA a longo prazo. O acordo visa reduzir as mortes por malária em 75% e melhorar o diagnóstico de HIV, garantindo que 98% das pessoas conheçam seu status sorológico e estejam em tratamento até 2030, integrando milhares de profissionais de saúde à folha de pagamento nacional e estabelecendo um sistema nacional de vigilância de surtos capaz de detectar ameaças epidémicas e pandémicas de acordo com o padrão 7-1-7. (Mais de US$ 173 milhões no total, sendo US$ 129 milhões em assistência dos EUA e mais de US$ 44 milhões em co-investimento do país beneficiário.)

Em Madagascar, os investimentos dos EUA concentram-se na malária, na saúde materno-infantil e na segurança sanitária global, ao mesmo tempo que transferem a força de trabalho de saúde comunitária focada em doenças infecciosas para a gestão nacional.

O acordo visa aumentar a adesão ao pré-natal de 40% para 75% até 2030, manter zero novos casos de poliomielite, garantir que quase todos os casos confirmados de malária recebam tratamento de primeira linha e fortalecer a capacidade nacional de vigilância e resposta a surtos, em consonância com os parâmetros 7-1-7. (Mais de US$ 175 milhões no total, mais de US$ 134 milhões em assistência dos EUA e mais de US$ 41 milhões em co-investimento do país beneficiário.)

Esta é a essência da liderança “América Primeiro”: os Estados Unidos liderando a agenda global de saúde, protegendo seu povo de ameaças de doenças infecciosas, exigindo responsabilidade dos países que recebem assistência dos EUA e entregando resultados para os contribuintes americanos. Os Estados Unidos permanecem comprometidos em assinar Memorandos de Entendimento Bilaterais plurianuais sobre Cooperação Global em Saúde nas próximas semanas com dezenas de países que recebem assistência americana na área da saúde, promovendo a Estratégia Global de Saúde “América Primeiro” . (Muamine Benjamim).

PESSOAS E CULTURAS EM RISCO: Comunidades da localidade de Bebedo parcialmente inundadas

PELA GORONGOSA: Mucombezi inaugura o primeiro Lodge Comunitário da Zona Tampão 

Há uma semana que hóspedes desfrutam do Lodge Comunitário de Mucombezi, no distrito de Nhamatanda, uma iniciativa do Comité de Gestão dos Recursos Naturais de Mucombezi (CGRN), com o apoio do Parque Nacional da Gorongosa (PNG) e financiamento do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) oficialmente aberto na última terça-feira. Trata-se do primeiro estabelecimento do género a entrar em funcionamento entre os seis distritos que integram a Zona de Desenvolvimento Sustentável do Parque, nomeadamente, Nhamatanda, Gorongosa, Maringué, Dondo, Cheringoma e Muanza.

Inserido num ambiente natural e tranquilo, o lodge surge como uma alternativa sustentável de geração de renda para a comunidade de Mucombezi, promovendo o ecoturismo, a conservação da biodiversidade e a melhoria das condições de vida das famílias.

A cerimónia de inauguração foi dirigida pelo administrador do distrito de Nhamatanda, Manuel Jardim Texeira, acompanhado por representantes do PNG, membros do Governo distrital, do CGRN e da comunidade local.

Na ocasião, o dirigente apelou à boa gestão e preservação do empreendimento, sublinhando que o lodge deve ser cuidado para crescer e atrair turistas nacionais e internacionais.

Numa fase inicial, o lodge dispõe de três tendas, cozinha, casas de banho para ambos os géneros, alpendre para passar refeições, camas produzidas localmente, privilegiando o uso de material local, parque de estacionamento para viaturas e espaço para campismo.

Segundo o presidente do CGRN, Amade Pita Cadeado, o lodge resulta de um sonho antigo da comunidade, inspirado pela paisagem natural e pela montanha de Muxúrue, um importante símbolo histórico e cultural da região. O empreendimento já desperta interesse de visitantes em trânsito entre Inchope e a Vila da Gorongosa, dada a sua localização estratégica ao longo da Estrada Nacional Número Um (EN1).

Paralelamente ao ecoturismo, o CGRN implementa projectos comunitários de elevado impacto social, com destaque para a apicultura, acções de apoio às escolas locais e aos postos de saúde, iniciativas de sensibilização ambiental, fiscalização e actividades de reflorestamento das áreas degradadas, contribuindo para a redução da exploração ilegal dos recursos naturais.

Segundo o supervisor de Relações Comunitárias do PNG, Chico Júlio Fagema, “este sonho tornou-se realidade graças ao esforço conjunto das comunidades locais, ao apoio técnico e institucional do PNG e ao financiamento do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), no valor de 1.299.000,00 MT”.

O responsável destacou ainda que o lodge representa “um marco histórico para o desenvolvimento sustentável do distrito de Nhamatanda”, sendo um símbolo de inclusão, esperança e novas oportunidades económicas para as comunidades da zona tampão. Com isso, “enaltecemos profundamente o GEF, cujo apoio demonstra que juntos podemos transformar desafios em conquistas. Este Lodge é um espaço de integração, turismo sustentável e geração de renda, promovendo a harmonia entre a conservação e o bem-estar das pessoas”. “Parabéns a todos os envolvidos! Este é apenas o começo de um futuro promissor para Mucombezi”.

Com a inauguração do Lodge Comunitário de Mucombezi, a comunidade demonstra na prática que a conservação da natureza, aliada à boa gestão comunitária, pode gerar benefícios duradouros para as pessoas e para a biodiversidade. (Muamine Benjamim).

Nampula: Tzu Chi vai doar 80 toneladas de arroz para famílias afectadas pelo terrorismo

A Fundação de Caridade Tzu Chi Moçambique vai disponibilizar 80 toneladas de arroz, 9 mil pares de sapatos e 30 mil peças de roupa para pessoas afectadas pelos ataques terroristas na província de Nampula, no norte de Moçambique.

“A situação das pessoas afectadas por estes episódios nos comoveu e, face ao nosso compromisso com as comunidades moçambicanas, decidimos apoiar. Trata-se de uma resposta específica face a uma emergência”, explicou o Presidente da Fundação de Caridade de Tzu Chi Moçambique, Dino Foi, momentos após anunciar os donativos durante uma reunião, em Maputo, com a presidente do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), Luísa Meque.

Os apoios são destinados às comunidades de Memba, um distrito do norte da província de Nampula que foi assolado por uma série de incursões armadas em novembro.

Dados tornados públicos pelo governo local no início deste mês estimam que mais 12.580 que tinham abandonado as suas casas devido aos ataques no distrito de Memba voltaram às zonas de origem em resultado da melhoria das condições de segurança.

“Esta movimentação, de certeza, desestabilizou a vida de diversas famílias e, nós como fundação de caridade, queremos ajudar as autoridades nos esforços para minimizar o impacto do sofrimento destas comunidades”, declarou Dino Foi.

Por sua vez, a presidente do INGD agradeceu pela iniciativa e reconheceu o trabalho da Fundação de Caridade Tzu Chi Moçambique no apoio às comunidades em Moçambique, destacando a importância do trabalho conjunto no apoio às populações que mais precisam.

“Nós temos acompanhado a intervenção da Tzu Chi no terreno (…) Estamos muito agradecidos porque, de facto, nós vemos o que vocês estão a fazer pelas comunidades”, declarou Luísa Meque, durante uma reunião entre as direcções das duas entidades em Maputo.

Nampula está entre as três províncias beneficiárias dos projectos da Fundação de Caridade Tzu Chi Moçambique. Só para 2026, a fundação prevê disponibilizar sementes para apoiar a produção agrícola de 2.700 famílias afectadas por ciclones naquela província.

Esta será a segunda distribuição de sementes disponibilizada pela fundação para comunidades afectadas por desastres naturais em Nampula, província que conta com 286 voluntários da Tzu Chi de um universo de mais de 10 mil que existem em Moçambique.

Nos últimos três anos, só em Nampula, a Fundação de Caridade Tzu Chi Moçambique apoiou, com alimentos, capacitação e bens essenciais, mais de 14 mil famílias afectadas por dois ciclones.

Além de passar em revista a cooperação, durante a reunião com o INGD, a Tzu Chi disponibilizou cinco máquinas para purificação de água para reforçar a capacidade resposta do INGD face a inundações.

“A nossa fundadora, a venerável Mestre Cheng Yen, deu-nos uma missão: ajudar e amar ao próximo. Isso é o que estamos a fazer em Moçambique”, frisou o Presidente da Tzu Chi.

Fundada no país em 2012, a Tzu Chi tem reforçado a sua actuação em Moçambique desde 2019, após o ciclone Idai, tendo já apoiado mais de 100 mil famílias em projectos ligados aos sectores de educação, reassentamento, saúde e segurança alimentar, sobretudo na região centro.

À luz de um memorando assinado com Governo moçambicano, esta fundação de princípios budistas com representações em mais de 60 países tem, desde o ciclone Idai, um pacote de apoio específico para as comunidades afectadas por este desastre natural na província de Sofala, com um financiamento total de 108 milhões de dólares, inteiramente disponibilizados pelos mais de 10 milhões de voluntários da organização espalhados pelo Mundo.

No âmbito do projecto, a Tzu Chi comprometeu-se a entregar, até 2026, três mil casas, 1.678 das quais já prontas e entregues às comunidades, e 23 escolas, 17 das quais já concluídas, infra-estruturas construídas no sistema `Build Back Better, capazes de resistir a ciclones do tipo 4, de eventos de cerca 250 quilómetros por hora.

Tzu Chi Moçambique vai doar 80 toneladas de arroz para famílias afectadas pelo terrorismo em Nampula – Tzu Chi Mozambique

Dondo: Achado jovem morto em circunstâncias estranhas

Um jovem moçambicano, de 27 anos, foi achado morto na manhã da última quarta-feira, numa mata no bairro de Mafarinha, Quarteirão 3, no distrito do Dondo, província de Sofala. Em vida, já foi visto várias vezes prestando serviços de ajudante em transportes de passageiros na rota Beira e Dondo.

Há suspeitas de que a vítima apresentava sinais de delírio momentos antes da sua morte.

Antes da morte, na manhã daquele dia, o jovem foi visto a circular na zona da rotunda.

A vítima aparentava estar confusa. Chegou a questionar-se sobre qual caminho seguir no bairro. Optou pela via que dá acesso à Escola Primária dos Combatentes na cidade do Dondo.

“Parou durante 45 minutos a falar e a gritar sozinho deixa-me, eu vou morrer, vai-me matar, está a me apertar muito e aproximou a mata”, explicou Adolfo Azarias, um serralheiro que assistiu quase tudo enquanto reparava uma motorizada. Após quase 6 horas, o jovem foi achado morto.

O jovem sem chinelos parecia estar “possuído”. Chegou a tirar toda a roupa naquele bairro onde não era conhecido sendo que não era residente.

“Quando cheguei à oficina de motorizada ouvi barulho de pessoas e aproximei-me para ver o que acontecia. O jovem encontrava-se em estado grave, com dificuldades para respirar. Fomos chamar o líder comunitário, quando regressamos ao local, a pessoa já estava morta.

O líder do bairro de Mafarinha, Felipe Tapera Sumbe, confirmou telefonicamente o sucedido e esclareceu que não havia sinais evidentes de violência.

“Confirmamos que um jovem morreu naquele local, numa mata, sem sinais visíveis de agressão. É uma situação estranha, tratando-se de um jovem com muita vida. Fizemos o que nos competia, que foi chamar as autoridades para a remoção do corpo.”

As autoridades locais ainda não se pronunciaram oficialmente sobre o caso, nem sobre as causas exactas da morte.

Ainda no bairro de Mafarinha, na zona do Thundane, na última terça-feira, um operador de táxi-mota morreu, num caso que culminou no furto da motorizada. Está sendo investigado e o caso ainda não foi esclarecido pelas autoridades. (Narcísio Cantanha).

Dois crocodilos encontrados em Maputo são provenientes dos mangais da Katembe

Os crocodilos encontrados nas duas últimas semanas numa artéria da cidade de Maputo foram removidos pela Mozambique Wildlife Alliance (MWA) e eram provenientes dos mangais da Katembe.

Os répteis foram identificados durante os trabalhos de limpeza associados às obras de drenagem em curso na Baixa da capital moçambicana, Maputo.

Os avistamentos aos crocodilos ocorreram no box-culvert da Avenida Samora Machel, no troço compreendido entre esta artéria e a Avenida Guerra Popular.

“As condutas de escoamento de águas residuais naquela área ligam-se à baía de Maputo, tendo ligação próxima aos mangais da Katembe, habitat natural de crocodilos, o que poderá explicar a presença dos animais no local”, lê-se na Kambuku – uma plataforma do mundo natural.

Entretanto, existe já um plano do Município de Maputo para bloquear as saídas de acesso à baía, com o objectivo de prevenir novas ocorrências semelhantes. As autoridades asseguram que continuam a trabalhar de forma coordenada para garantir a segurança de todos e evitar qualquer incidente.

Dois crocodilos encontrados em Maputo eram provenientes dos mangais da Katembe – Kambaku

Reflexão sobre conflito Homem-Fauna Bravia junta Governo, Parque da Gorongosa e comunidades em Nhamatanda

O Governo do Distrito de Nhamatanda convidou o Parque Nacional da Gorongosa (PNG), chefe dos postos administrativos de Tica e Nhamatanda sede, chefes das localidades de Siluvo, Bebedo, Nhampoca, Matenga e Metuchira, chefe do Departamento do Serviço Provincial de Ambiente (SPA), Agência Nacional para o Controlo da Qualidade Ambiental (AQUA, IP), e líderes comunitários, além de líderes religiosos para juntos reflectirem relativamente às preocupações sobre a actuação dos fiscais do Parque durante as suas actividades nas comunidades; prática agrícola nas margens dos rios, que contribui para a atracção de animais para a Zona Tampão; ocorrência de caça furtiva por membros das comunidades; e incidência de conflito Homem-Fauna Bravia, afectando a segurança e os meios de subsistência das famílias.

Trata-se de uma reunião distrital, incluindo representantes da Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC), disse o administrador de Nhamatanda, Manuel Teixeira.

Segundo o administrador, pretendia-se com vários intervenientes, “discutir em conjunto os problemas de ataques constantes de animais a pessoas que algumas vezes resultam em morte, também de invasão constantes dos animais às machambas da população. E encontrar formas de como mitigar este conflito Homem-Fauna Bravia”.

A reunião da passada quarta-feira (03,12), juntou 41 participantes, partilhando experiências colaborativas, intervenções de fiscais, boas práticas para a conservação e benefícios directos e indirectos comunitárias resultantes da inclusão local em projectos integrados da Gorongosa.

Na reunião, os representantes das comunidades, partilharam experiências colaborativas, mas também admiráveis, como alguns fiscais que vasculham até panelas, suspeitando que as comunidades estejam a consumir carne dos animais conservados no Parque (contra a caça furtiva). E do outro lado, os próprios fiscais enfrentam ameaças – o caso recente (2024) aponta a morte de dois em Mueredzi – Muanza por furtivos.

“Ficou claro que quando há invasão dos animais, destruição ou morte, devemos colher evidências no terreno pontualmente (fotos, áudios) e mandar para aqueles que têm poder de decisão para responsabilizar as partes”, apelou o administrador do distrito de Nhamatanda, Manuel Teixeira, em entrevista depois da reunião.

Na ocasião, foram apresentadas as acções em curso nas comunidades implementadas como forma de minimizar o conflito Homem–Fauna Bravia. Estas iniciativas abrangem desde medidas preventivas e reactivas a acções de desenvolvimento comunitário, incluindo a construção de infra-estruturas que facilitam o acesso a serviços básicos, bem como iniciativas de negócios como alternativas às práticas ilegais. Recentemente, o PNG entregou 26 escolas aos seis distritos que fazem parte da sua Zona de Desenvolvimento Sustentável, incluindo Nhamatanda.

“É um encontro que penso ser de aconselhamento. Gostei porque [os participantes] não só estavam a apontar problemas na comunidade, como também apontaram problemas no Parque, quando reconheceram que temos os nossos membros na comunidade que têm ido ao interior do Parque para caça furtiva”, descreveu o administrador do PNG, Pedro Muagura.

“Se se recorda na pessoa do administrador do distrito disse ter sobrevoado o Parque e notou que havia pessoas que até fugiam do interior do Parque para as comunidades – caçadores furtivos”.

“É um encontro para a nossa consideração de todos os problemas levantados. O conflito é uma realidade não só no PNG, como também noutras regiões de conservação”, avaliou Pedro Muagura, apelando para a “máxima comunicação. Quando não há boa comunicação, inventam-se elefantes brancos” nas comunidades.

O líder do segundo escalão da localidade de Matenga, Alberto Sabonete sugere “uma vedação ou translocação dos animais”.

Para Alberto Sabonete, abater animais não pode ser algo normal.

O Governo tem que fazer esforço para informar ao Parque (diálogo) na garantia de vedação.

“A comunidade necessita de ajuda do Governo. Quando o Governo não repara, a comunidade fica sem acolhimento”, disse o líder, reconhecendo que o Parque é de moçambicanos, mas que está a ser restaurado por uma Organização Não-Governamental – o Projecto de Restauração da Gorongosa, através da Fundação Greg Carr.

 

Acções de mitigação

Contra todo o mal para ambas partes, foram definidas acções concretas a serem realizadas a curto e longo prazo como:

Reforçar a capacitação dos membros das comunidades em matérias de gestão e mitigação de conflitos Homem–Fauna Bravia, promovendo conhecimentos e práticas adequadas de prevenção;

Reduzir a presença de animais problemáticos nas comunidades, através do abate controlado ou translocação para outras áreas de conservação, sempre em coordenação com as autoridades competentes;

Melhorar os canais de comunicação entre todas as partes envolvidas — Governo Distrital, Parque Nacional da Gorongosa e comunidades, garantindo fluxo rápido e eficaz de informação sobre incidentes e medidas de resposta;

Estabelecer sistemas de vedação e /disponibilização de foguetes para protecção das áreas de conservação ou das machambas, visando reduzir a entrada de fauna bravia em zonas agrícolas;

Aumentar o número de fiscais de afugentamento destacados pelas comunidades reforçando a capacidade de resposta imediata aos incidentes com fauna bravia:

Utilizar meios de mobilização alternativos aos furtivos, respeitando a vida das pessoas e assegurando os direitos humanos fundamentais;

Disponibilizar ou alocar ao distrito meio de transporte para responder a casos de emergência envolvendo pessoas afectadas por incidentes com elefantes;

Melhorar a distribuição dos fiscais do Parque Nacional da Gorongosa, de forma a responder às necessidades imediatas das comunidades e criar uma brigada de emergência a ser instalada em pontos estratégicos;

Realizar as cerimónias tradicionais envolvendo os líderes comunitários;

Realizar encontros de auscultação e coordenação com os líderes comunitários;

Partilhar informações em tempo real sobre incidentes, utilizando evidências documentadas por meios audiovisuais e sistemas de monitoria;

Criar brigadas de resposta rápida para actuação imediata em casos de conflito;

Realizar encontros imediatos entre o Serviço Distrital de Actividades Económicas (SDAE) e o PNG para tratar de questões relacionadas aos limites da área de produção agrícola em Mucharuenhe na localidade de Nhampoca.

O próximo encontro do género está marcado para abril de 2026. (Luísa Franque)

EUA vão disponibilizar até US$ 1,8 bilhão contra malária e HIV/SIDA em Moçambique

Ontem, segunda-feira, em Washington, D.C., o Secretário de Estado Adjunto Christopher Landau e a Ministra dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação de Moçambique, Maria Manuela dos Santos Lucas, acompanhados pelo Ministro da Saúde Ussene Hilário Isse, assinaram o Memorando de Entendimento (MOU) de cooperação bilateral em saúde com duração de cinco anos entre os Estados Unidos e Moçambique (EUA).

“O Departamento de Estado, em colaboração com o Congresso, pretende disponibilizar até US$ 1,8 bilhão para expandir soluções de ponta, como o medicamento Lenacapavir para a prevenção do HIV/AIDS, e impulsionar avanços nos esforços de prevenção da malária. Por meio do Memorando de Entendimento, a República de Moçambique se compromete a aumentar seus gastos internos com saúde em quase 30% do orçamento governamental nos próximos cinco anos. Esses recursos serão utilizados para melhorar a saúde materna, neonatal e infantil, além de intensificar os esforços nacionais para eliminar a transmissão vertical do HIV/AIDS”, lê-se num comunicado recebido na Redacção do “Profundus”.

A assinatura do Memorando reforça o compromisso compartilhado de tornar o sistema de saúde de Moçambique duradouro, resiliente e um instrumento eficaz para proteger tanto americanos quanto moçambicanos. Enquanto o Departamento de Estado continua a alcançar conquistas no âmbito da Estratégia Global de Saúde “América Primeiro” e a impulsionar avanços cruciais na saúde global, demonstrando o impacto da inovação e da liderança americanas na segurança sanitária global.

Os Estados Unidos mantêm o compromisso de assinar memorandos de entendimento bilaterais plurianuais sobre cooperação global em saúde com dezenas de países que recebem assistência médica dos EUA nas próximas semanas, a fim de promover a estratégia de saúde global “América Primeiro”. (Profundus).

Guiné-Bissau: Expandem-se para a diáspora iniciativas pró retorno do Presidente cessante

Em Lisboa (Portugal), um grupo de cidadãos guineenses sai às ruas, hoje, sábado, em prol do regresso de Sissoco Embaló à Presidência da Guiné-Bissau. A manifestação visa igualmente reivindicar o retorno da ordem constitucional, após o aparente golpe de Estado de 26 de novembro.

Movimento semelhante também foi lançado recentemente na Guiné-Bissau. Contudo, Sissoco Embaló era apenas Presidente cessante, pois o país estava a terminar um processo eleitoral quando supostamente foi tirado do poder pelos militares próximos a si.

Compreendemos muito bem que ele já tinha cessado o período do mandato. Nós não poderíamos pedir a uma outra pessoa que continuasse para poder acabar aquilo que se começou ou fazer as eleições livres e justas para se poder determinar concretamente quem poderá depois vencer essas eleições. Pelo facto de ser um presidente cessante não descarta que a pessoa que tem o seu mandato acabado continuasse para poder realizar eleições”, disse o ex-candidato às eleições legislativas no círculo da diáspora Europa pela Plataforma Republicana, e mentor do Movimento pró-Sissoco em Portugal, José Balé.

“Nós todos ainda estamos em dúvidas. Imagina que se tratava de uma coisa que você não sabia se era ou não um golpe, mas lhe deram a entender pela sua segurança como Presidente que você deveria estar num sítio [mais seguro]. E se vê que tem acesso ao seu próprio telefone e tem tudo como deve ser, você não poderia imaginar que aquilo se tratava de um golpe. Essa é a minha lógica, não estou a dizer que foi que se passou, mas estou a ver os factos. Porque até agora, como disse, estamos surpreendidos, não sabemos o que aconteceu”.

As entidades competentes dizem que não estão em condições de divulgar os resultados das eleições, aí nos questionamos: E amanhã, quem pode confiar nos resultados que podem ser alcançados? E outras entidades quiserem divulgar os resultados, a própria entidade responsável disse que não tinha condições, aí é que está a nossa dúvida. Entendo que se deveria continuar todo o processo. Não era pedir a um grupo de gente para vandalizar. Se isso fosse num país bem desenvolvido, imagina que os resultados saiam mesmo das sessões e províncias iam directamente para a central, não era dentro de um computador ou dentro de malas ou urnas. Cada resultado seria inserido num sector central. Aí seria evidente que a gente vai recorrer para retirar todos os resultados. Agora, atas que as pessoas levam nas mãos e entregam-se uns aos outros, não sei se depois isso dignificaria a pessoa que ganhou”.

O que motiva movimento de regresso de Sissoco à Presidência? – DW – 12/12/2025

 

 

Dondo: Filha confirma que matou a mãe por feitiçaria

Uma jovem moçambicana de 28 anos, localmente conhecida como curandeira no bairro Mafarinha, no distrito de Dondo, em Sofala, tirou a vida da própria mãe na última quarta-feira, alegando feitiçaria.

Segundo a indiciada, há dias enfrentava dificuldades relacionadas ao seu bem-estar físico (necessidades biológicas) e, acredita, tratar-se de um problema espiritual. Por causa disso, procurou ajuda junto de 14 curandeiros colegas.

Os colegas teriam apontado a mãe como a suposta responsável pelo seu sofrimento, o que a levou ao acto extremo, esfaqueando-a no braço e no pescoço.

“Matei a minha mãe. Já há meses sentia dores e procurava ajuda em curandeiros. Sempre me diziam que ela era a causa dos meus problemas. Fui tomada pela raiva e acreditei no que disseram”, declarou a suspeita, que diz estar arrependida.

O porta-voz da Polícia da República de Moçambique (PRM) em Sofala, Honório Chimbo, confirmou a detenção da mulher, que se apresentou voluntariamente numa das subunidades policiais após o ocorrido. O caso é classificado pela corporação como “profundamente preocupante e associado a crenças supersticiosas”.

Segundo a polícia, a mulher relatou que procurou vários médicos tradicionais devido às dores persistentes e que, após ouvir sucessivas acusações contra a mãe, deslocou-se à residência da progenitora, onde ocorreu uma discussão familiar que terminou na tragédia. Depois disso, decidiu entregar-se às autoridades.

Chimbo considerou o caso um exemplo extremo dos riscos relacionados à manipulação e práticas supersticiosas. “Estamos perante um caso de superstição que terminou numa tragédia familiar. É grave quando uma filha chega ao ponto de tirar a vida da própria mãe.

Apelamos à sociedade para procurar o diálogo, a compreensão e o recurso a instituições formais”.

A PRM informou ainda que decorrem diligências para identificar os 14 curandeiros mencionados pela suspeita, a fim de apurar eventuais responsabilidades criminais.

“As nossas equipas estão a trabalhar para perceber quem são esses médicos tradicionais, que tipos de orientações lhe deram e podem-se ser responsabilizados. Se for provado que incentivaram ou manipularam a cidadã, poderão responder criminalmente”, disse o porta-voz.

Os autos já foram remetidos ao Tribunal Judicial do Dondo, a autora do crime permanece detida e aguarda pelo julgamento. (Narcísio Cantanha).

Jornal Profundus

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