Karingani defende turismo sustentável como base para o crescimento a longo prazo na Conferência Internacional do Turismo

O equilíbrio entre o desenvolvimento económico e a conservação ambiental deve estar no centro das políticas de turismo de Moçambique, defendeu a Karingani Game Reserve na Conferência Internacional do Turismo que decorreu em Vilankulo, na província de Inhambane, dos dias 7 a 9 deste mês. A operar no país há mais de uma década, a Karingani apresentou a sua visão de turismo sustentável como a via estratégica para gerar valor económico a longo prazo sem comprometer os recursos naturais que sustentam o sector.

Com mais de 40 anos de experiência em projectos turísticos em vários continentes, o Director Executivo da Karingani, Paul Milton, afirmou que Moçambique tem agora uma oportunidade única de se posicionar como uma referência mundial em turismo de baixo impacto, conservação da biodiversidade e experiências de viagem exclusivas. Sublinhou que os recursos naturais estão a desaparecer a um ritmo acelerado, mas que, quando protegidos e geridos de forma responsável, se tornam na base de um turismo de alto valor, capaz de gerar benefícios económicos e sociais para as gerações futuras. Reforçou que o princípio central do turismo sustentável é maximizar os retornos preservando o próprio recurso.

A Karingani alertou para os riscos associados ao turismo de massas, que pode levar à degradação ambiental e à perda de identidade cultural, exigindo não raro grandes esforços, prolongados e dispendiosos, de recuperação. Como alternativa, a reserva reiterou a importância de parcerias público–privadas consistentes, de infra-estruturas de acesso estrategicamente planeadas, de quadros regulatórios que reforcem a confiança dos investidores e, ainda, de modelos de desenvolvimento que fortaleçam a educação, a formação e a inclusão das comunidades locais, garantindo que o turismo gera benefícios partilhados.

Durante a conferência, foram apresentados exemplos internacionais que demonstram o êxito de estratégias de turismo sustentável, incluindo o Ruanda, o Botswana e a Nova Zelândia, onde o turismo se tornou um verdadeiro pilar do desenvolvimento nacional.

A Conferência Internacional do Turismo contou ainda com Garry Harwood, fundador e director da HKLM, o qual reforçou a importância de desenvolver uma marca nacional forte e coerente, capaz de reflectir a identidade e o potencial de Moçambique, tanto a nível interno como internacional. Sublinhou que, se Moçambique não contar a sua própria história, outros o farão, e que uma marca nacional sólida promove o orgulho interno, atrai investimento, impulsiona o turismo e fortalece a reputação internacional do país.

Em paralelo à Feira Internacional de Turismo FIKANI 2025, a Karingani apresentou publicamente o modelo do primeiro hotel do grupo Aman na África Subsariana, a ser construído dentro da reserva, um marco significativo que reforça a entrada de Moçambique no circuito internacional do turismo de alto valor.

PENITENCIÁRIA: Corrupção que culminou com a fuga de prisioneiros leva à prisão de guardas da Penitência de Gorongosa

Foram condenados na passada quinta-feira (30.10) pelo Tribunal Judicial do distrito de Gorongosa, os guardas da Penitenciária local, Diogo José Miquitaio, Tendai José António e John Augusto Traquinho por corrupção. As penas variam entre seis e 18 meses de prisão, além de multas.

Tendai José António, de 33 anos foi condenado a pena de prisão efectiva de 18 meses e multa de seis meses comutada em taxa diária de 220 meticais pelo crime de corrupção passiva e cooperação com a esposa do prisioneiro, Diogo José Miquitaio de 41 anos e John Augusto Traquinho, de 26 anos, a pena de seis meses de prisão com direito a caução comutada em multa numa taxa diária de 220mt pelo crime de cooperação.

Tudo teria iniciado no dia 26 de maio de 2025, quando o chefe da permanência, Tendai José António, no exercício das suas funções, recebeu a senhora Celina Luís, tendo-lhe subornado com 100 meticais para ter acesso à visita do seu marido Baltazar Cipriano que na altura encontrava-se preso naquele estabelecimento.

Na altura dos factos, a direcção daquele estabelecimento penitenciário teria proibido visitas naquele período depois da fuga de cerca de 220 reclusos, ocorrida no dia 3 de fevereiro do ano em curso.

Já no interior do estabelecimento penitenciário, o prisioneiro Baltazar Cipriano teria orientado a sua esposa Celina Luís que nas próximas visitas colocasse pedaços de folhas de Serra dentro do pão para vir lhe entregar. Aconteceu, tal como instruiu.

No dia 31 de maio, Celina Luís subornou novamente o guarda Tendai José António (chefe da permanência do dia) com 150 meticais como forma de mais uma vez facilitar a entrada dela. Assim, John Augusto Traquinho no exercício das suas funções deixou a cidadã entrar sem que fosse revistada contrariando a sua obrigação.

No mesmo dia, o recluso Baltazar Cipriano e seus seis companheiros de cela usaram as folhas de Serra para cortar as grades e fugir por volta das 19 horas.

Os três agentes que no dia estavam escalados para exercer as suas funções, só se aperceberam da fuga 1 hora da madrugada do dia seguinte, coincidentemente, 1 de Junho de 2025, Dia Internacional Criança.

Um dos fugitivos foi capturado, este que partilhou a informação segundo a qual os reclusos não fugiram no dia 1 de junho como alegaram os guardas, mas sim no dia 31 de maio. Esta informação foi lida na sentença, quando os guardas achavam que estava tudo combinado sobre os detalhes na tentativa de provarem a inocência.

O Ministério Público concluiu que os guardas agiram de forma livre, deliberada e consciente, sabendo que a sua conduta é proibida por lei, chegando a condenar.

O chefe de permanência alegou que recebeu o dinheiro para melhorar a dieta alimentar dos guardas.

O juiz presidente do Tribunal Judicial de Gorongosa, Benedito Nhança é o mesmo que condenou em setembro último o edil de Gorongosa e o seu antigo vereador das Finanças por abuso de cargo ou funções. (Ana Cleta Coimbra).

Gorongosa apresenta impacto do Projecto PEACE nas comunidades de Cheringoma

O Parque Nacional da Gorongosa (PNG), juntou representantes do governo provincial, através do Instituto Nacional da Saúde (INS) delegação de Sofala e chefe do departamento de Saúde Pública, na Direcção provincial de Saúde, em Sofala, além do director do Serviço Distrital de Saúde, Mulher e Acção Social de Cheringoma – distrito onde é implementado o Projecto PEACE, numa reunião de disseminação de resultados do Projecto implementado desde 2021.

No distrito de Cheringoma, o Projecto PEACE tem alterado a realidade de centenas de famílias. Graças a esta iniciativa apoiada pelo Governo do Canadá, jovens encontram acesso à escola, mulheres desenvolvem competências e poupanças, e mães recebem formação sobre nutrição e cuidados de saúde.

Também antigos combatentes e respectivos familiares encontram apoio nesta iniciativa, que procura reduzir a pobreza e consolidar a paz. Portanto, das salas de aula às explorações agrícolas, cada história representa um passo rumo a uma sociedade mais resiliente e inclusiva.

“É um projecto de paz, através de acção económica e empoderamento comunitário de mulheres e raparigas para garantir melhorias de educação, saúde e segurança alimentar e nutrição”, explicou o Director Associado da Saúde do Parque Nacional da Gorongosa, Pio Vitorino.

As intervenções do Projecto PEACE são “positivas”, avaliou o Director Associado da Saúde do PNG.

De 2021 a esta parte, em Cheringoma, o Projecto PEACE resume-se em “rapazes e raparigas com acesso a melhores serviços de saúde (1969) em 2021, (1970) em 2022, (1994) em 2023, (2018) em 2024 e (2042) em 2025; raparigas e mulheres jovens com acesso à saúde e saneamento (3630), (3674), (3718), (3763) e (3808); brigadas móveis (Catemo e Nhabaua) (4), (41), (150), (150) e (495); mães-modelo formadas anualmente (nutrição e Planeamento Familiar); (2), (13), (15), (15) e (15); Agentes Polivalentes da Saúde (APS) formados em questões-chave de saúde (Catemo regulado) (10), (10), (10), (10) e (10); crianças <5 alcançadas com intervenções nutricionais (428), (433) (438), (443) e (448)”, respectivamente.

Por exemplo, segundo o Director Associado da Saúde do Parque Nacional da Gorongosa, Pio Vitorino, as mulheres já adoptam o “planeamento familiar”, como resultado das intervenções do Projecto PEACE em Cheringoma em coordenação com outros parceiros locais como o Governo.

Cheringoma foi o distrito piloto para o Projecto PEACE. Nos próximos anos, pretende-se abranger os restantes cinco distritos considerados Zona de Desenvolvimento Sustentável do PNG, nomeadamente, Nhamatanda, Gorongosa, Muanza, Maringué e Dondo.

Contudo, a reunião provincial, de dois dias, a terminar hoje, sexta-feira, serviu também de oportunidade para colher ideias do Governo e encontrar alavancar maneiras de intervenções para impactar mais as comunidades. Para tal, houve partilha de experiências e trabalhos em grupos na identificação de outros projectos comunitários com objectivos semelhantes que os do PEACE com possibilidades de futuramente colaborarem, afinal, as comunidades são as mesmas.

Hoje, sexta-feira, haverá apresentação de casos de sucesso e desafios enfrentados por cada parceiro, levantamento de estratégias de implementação de actividades em sinergia e recomendações para melhoria dos planos de actividades. (Muamine Benjamim).

Dondo: Vandalização de ferrovia leva ao descalirramento de comboio

Na sequência da informação anunciada que dá conta da ocorrência do descarrilamento na Linha de Sena (troço Dondo-Milha 8), por volta das 00h00 do último domingo, do comboio de carga n.º 1863, que reboca 36 vagões vazios com destino à Moatize, a Empresa Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) confirma que se tratou de um acto de origem criminosa, protagonizado por indivíduos ainda a monte.

“Os criminosos efectuaram corte da linha férrea bem como removeram os pandrois que servem para fixar a linha às travessas, tendo provocado danos no material circulante e da própria via, designadamente; 1) 2 Locomotivas e 3 vagões tombados, ii) 4 vagões atravessados; iii) 1 vagão semi-tombado e um vagão descarrilado; iv) diversas travessas e outros materiais danificados, traduzidos num prejuízo de cerca de 7 milhões de dólares norte-americanos.

Os membros da tripulação (2 maquinistas) sofreram ferimentos e foram prontamente socorridos e encaminhados ao hospital. Não foram registadas vítimas mortais”, lê-se no comunicado a que o “Profundus” teve acesso.

“O CFM condena e lamenta profundamente a atitude deste grupo de concidadãos que se visava atingir o comboio de passageiros. Felizmente, não houve vítimas nesta acção. Contudo, há avultados danos materiais que constituem património de todos os moçambicanos”.

O CFM apela à vigilância de todos e denúncia destes actos de sabotagem e vandalização ao longo das linhas férreas e outros locais de interesse público.

Decorrem trabalhos para a reposição da linha e circulação normal. Mas até que as condições de segurança sejam garantidas, fica cancelada a circulação do comboio de passageiros prevista para amanhã e depois de amanhã (quarta e quinta-feira). (Muamine Benjamim).

Mais um acidente: 3 óbitos e 9 feridos em Nhamatanda

Hoje de manhã, entre Tica e Lamego, no distrito de Nhamatanda, em Sofala, pela Estrada Nacional Número Seis (EN6), três pessoas morreram e outras nove contraíram ferimentos num acidente envolvendo um minibus e um camião parado.

A velocidade aliada a ultrapassagem irregular do minibus é apontada como a causa do acidente do tipo choque.

Segundo o director do Hospital Rural de Nhamatanda, Joaquim Botão, 12 pessoas deram entrada na unidade sanitária, sendo “três óbitos, quatro internados e cinco já receberam alta”.

É o segundo acidente mortal (10 óbitos) em menos de uma semana no distrito de Nhamatanda.

Karingani Game Reserve reforça parceria com Gorongosa através da translocação de leopardos

Um leopardo macho e uma fêmea foram recentemente capturados na Karingani Game Reserve e translocados para o Parque Nacional da Gorongosa, como parte do programa contínuo de reintrodução de leopardos em Gorongosa. A operação, realizada em coordenação com a TB Big Game Hounds e a Mozambique Wildlife Alliance (MWA), assinala mais um marco na crescente colaboração entre as principais áreas de conservação de Moçambique.

Com o uso de cães treinados, ambos leopardos foram localizados, devidamente sedados e monitorados pela equipa veterinária da Mozambique Wildlife Alliance antes de serem transferidos para um cerco seguro dentro da reserva. Após um período de observação para garantir a sua plena aptidão para a deslocação, os animais foram transferidos com sucesso para Gorongosa, onde contribuirão para a recuperação a longo prazo da população de predadores do parque e para o equilíbrio ecológico geral.

Esta iniciativa segue-se a outras translocações realizadas sob a orientação da Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC), incluindo a transferência de três hienas-malhadas da Karingani para Gorongosa em 2024, seis hienas-malhadas para a Coutada 11 em 2025, um par reprodutor de leopardos para o Parque Nacional de Zinave em 2022 e seis cães-selvagens para o Parque Nacional de Majete, no Malawi, em 2021. Em conjunto, estas operações ilustram a liderança de Karingani na promoção da restauração de espécies carnívoras-chave em Moçambique e na região em geral.

“Esta translocação bem-sucedida reflete o profundo compromisso de Karingani em promover a conservação colaborativa em Moçambique”, disse Mateus Mutemba, Director Executivo da Karingani Game Reserve. “Ao trabalharmos de mãos dadas com Gorongosa e os nossos parceiros de conservação, estamos não apenas a ajudar a restaurar predadores de topo aos seus habitats naturais, mas também a fortalecer a resiliência ecológica que sustenta o desenvolvimento sustentável e o bem-estar das comunidades. Cada um destes marcos reforça a liderança de Moçambique em matéria de conservação inovadora e cooperativa.”

A Presidente do Projecto de Restauração de Gorongosa, Aurora Malene, partilhou o mesmo sentimento, destacando o poder simbólico de tais esforços de conservação. “Esta parceria com Karingani é uma bela expressão do espírito de Moçambique, onde a conservação se constrói sobre a união, a coragem e a esperança. Cada animal que regressa a Gorongosa conta uma história de resiliência e de pessoas que se unem para curar a terra que todos partilhamos. Lembra-nos que proteger a natureza é também proteger o nosso futuro.”

A cooperação contínua entre Karingani e Gorongosa não só reforça a restauração dos ecossistemas e das populações de predadores, como também contribui para uma visão partilhada de um modelo sustentável de conservação em Moçambique, um modelo que alia a preservação da biodiversidade ao desenvolvimento económico e social através do turismo baseado na natureza.

A Karingani Game Reserve (KGR) está situada no sul de Moçambique e partilha limites com o Parque Nacional do Limpopo (PNL) e com o Parque Nacional Kruger da África do Sul (KNP). A Karingani Game Reserve (KGR) é uma reserva reconhecida como uma importante área de conservação ambiental para protecção da história e das espécies de mamíferos terrestres, empenhada em promover o turismo, a conservação, o desenvolvimento socioeconómico e em fomentar relações sólidas com a comunidade. Actualmente emprega acima de 423 pessoas, sendo 86.29% provenientes das comunidades vizinhas a Reserva nas províncias de Maputo e Gaza, onde está́ localizada, 11.11% Moçambicanos provenientes de outras províncias e os restantes 2.26% dos trabalhadores são de nacionalidade estrangeira. Karingani, que significa “contar estórias” em changana, refere-se a uma prática tradicional do povo local da região da reserva. A iniciativa Karingani é mais do que uma simples narrativa; ela evolui continuamente e é inspirada no espírito do respeitado contador de histórias que preserva tradições antigas. Este costume faz parte da cultura moçambicana, sendo valorizado e respeitado pelo projecto. A iniciativa combina essa rica herança cultural com a modernidade da África contemporânea, criando um ambiente inovador para o desenvolvimento do projecto.

“Pretendo viver até os 99 anos, então tenho mais 33 anos” em Moçambique – Greg Carr

O Presidente do Projecto de Restauração da Gorongosa, pretende viver apenas até os 99 anos em Moçambique, impactando vidas. Greg Carr reagiu recentemente em resposta sobre o seu lado humanitário, empreendedor e filantropo ambiental que em novembro próximo vai merecer reconhecimento internacional ao Hall da Fama da Filantropia de Idaho, durante o Gem Ball inaugural e o Hall da Fama da Filantropia de Idaho no Boise Centre East.

Greg Carr será induzido ao Hall da Fama da Filantropia de Idaho em 20 de novembro de 2025, durante o Gem Ball inaugural e o Hall da Fama da Filantropia de Idaho no Boise Centre East.

O Hall da Fama da Filantropia de Idaho homenageia aqueles cuja vida de generosidade e visão transformou vidas, instituições e comunidades em todo o estado de Idaho. O impacto de Carr, tanto em Idaho quanto no mundo, exemplifica esse legado.

Nascido e criado em Idaho Falls, Carr construiu uma carreira marcada tanto pela inovação quanto pela compaixão.

Greg Carr começou em 1965 a fazer o ensino primário. Em 1978 terminou o secundário, mais seis anos de ensino superior e foi à renomada Universidade de Harvard.

Ainda em Harvard, em 1986, Carr e um amigo criaram uma empresa chamada Boston Technology, voice email que oferecia maneiras digitais de conectar sistemas telefónicos a computadores. Uma tecnologia de sucesso que hoje ainda é usada diariamente.

Ken Carr, irmão penúltimo dos seis, o último é o Greg, fala em entrevista ao “Profundus”, da biografia do seu irmão mais novo.

“Desde criança, foi muito generoso, sempre lia os livros que os professores recomendavam e lia outros sobre o assunto”.

Na escola secundária, [Greg] foi presidente de todos os alunos. Já no ensino superior, onde estudou com o “irmão mais velho, com cerca de 10.000 estudantes, Greg era o mais destacável em matérias e notas”, disse Ken sugerindo que Greg, depois tenha feito o curso de Gestão de Empresas Internacionais, noutra Universidade.

O pai de Greg faleceu quando tinha 92 anos de idade. Os pais tinham sete filhos, destes restaram seis, sendo Greg o mais novo. “Cada filho escolheu a sua área, todos foram bem-sucedidos. E todos estão orgulhosos de Greg por ajudar outras pessoas”. A mãe, grande amiga, faleceu em 2023,com mais de 100 anos.

“Greg não é casado e não tem filhos, mas considera os sobrinhos como se fossem filhos próprios. A família Greg também inclui a Gorongosa”, revelou o irmão.

Após alcançar sucesso nos negócios como co-fundador da Boston Technology, uma das primeiras empresas de correio de voz, e como presidente da Prodigy, pioneira em serviços Online iniciais, Carr voltou seu foco para os direitos humanos globais e a restauração ambiental.

Greg Carr nasceu e cresceu em Idaho Falls, Idaho, uma pequena cidade nas montanhas rochosas do oeste dos Estados Unidos, sendo o mais novo de sete filhos.

Mais próximo de casa, a filantropia de Carr moldou profundamente o panorama cultural e educacional de Idaho. Ele se juntou a outros líderes comunitários para ajudar a restaurar o Teatro Colonial Histórico, trazendo nova vida a um marco que agora é o ponto central da vibrante comunidade artística da cidade. Ele desempenhou um papel fundamental na criação de O Memorial dos Direitos Humanos Anne Frank em Boise e o Centro Wassmuth de Direitos Humanos, espaços dedicados à reflexão, educação e à defesa da dignidade humana.

Segundo o comunicado a que o “Profundus” teve acesso, em um de seus actos mais simbólicos de restauração, Carr comprou o antigo complexo da Aryan Nations perto de Hayden Lake em 2001, após ele ser apreendido em decorrência de um processo de direitos civis. Ele doou o terreno para o North Idaho College, onde foi transformado em um parque público pacífico — transformando um lugar antes definido pelo ódio em um de esperança. Carr também co-fundou o Museu de Idaho, garantindo que as ricas histórias e o património científico do Estado sejam preservados para as próximas gerações. Além de Idaho, sua doação para o Carr Center for Human Rights Policy na Universidade de Harvard continua sua missão de toda a vida de promover compaixão, justiça e direitos humanos ao redor do mundo.

“O trabalho de Greg Carr demonstra que a filantropia é tanto local quanto global — que os mesmos valores que constroem comunidades fortes em Idaho também podem curar ecossistemas e sociedades em todo o mundo”, disse Steve Burns, Presidente e CEO da Idaho Community Foundation. “Sua visão de como a filantropia pode elevar pessoas e o planeta é exactamente o tipo de liderança que buscamos celebrar no Hall da Fama da Filantropia de Idaho.”

A indução de Carr será reconhecida por meio de um tributo em vídeo e comentários do filantropo, que agora divide seu tempo entre Idaho e Moçambique.

A história de Greg será celebrada junto com os demais integrantes, Alice Hennessey e a Fundação Laura Moore Cunningham, assim como a líder de Organização Sem Fins Lucrativos do Ano de Idaho, Tricia Swartling, e a voluntária do Ano, Carrie Getty Scheid.

O Hall da Fama da Filantropia de Idaho foi criado pela Fundação Comunitária de Idaho para homenagear aqueles cuja generosidade transformadora moldou a cultura de doação de Idaho. Por meio de seu exemplo, os homenageados inspiram outros a investir tempo, talento e recursos nas comunidades que amam — garantindo que continue sendo um lugar de possibilidades, onde todos contribuem para comunidades prósperas.

A Fundação Comunitária de Idaho por quase 40 anos tem sido uma parceira confiável na filantropia, ajudando os generosos moradores a investirem nas pessoas, lugares e causas que mais lhes importam. Agora, unida ao Centro de organizações sem fins lucrativos de Idaho, está a se fortalecer comunidades por meio da filantropia, elevando o impacto das organizações sem fins lucrativos e conectando os habitantes de Idaho ao coração de suas comunidades.

A visão é simples: Idaho é um lugar de possibilidades onde todos contribuem para comunidades prósperas.

 

Carr não comparecerá à cerimónia

A indução iminente de Carr o surpreende um pouco. Ele enviou por e-mail respostas a perguntas do Post Register enquanto viajava em Moçambique.

“Eu tenho síndrome do impostor, que é a sensação de que eu realmente não pertenço a pessoas importantes”, disse Carr. “Eu sou apenas uma criança que cresceu perto de batatas fora de Idaho Falls.”

“Estarei em Moçambique, onde passo a maior parte do meu tempo”, disse.

Carr é mais conhecido por sua filantropia e compartilhou seu sistema de crenças.

“Muitas pessoas neste mundo têm mais dinheiro do que precisam”, disse Carr. “Eu, por exemplo. Muitas pessoas neste mundo têm muito menos dinheiro do que precisam para viver uma vida digna.

“No entanto, a melhor filantropia não é simplesmente ‘dar dinheiro de graça para as pessoas’. A melhor filantropia é arregaçar as mangas e trabalhar lado a lado com comunidades com poucos recursos para ajudá-las a criar mudanças permanentes. Em Moçambique estamos a criar empregos no turismo (dentro do Parque da Gorongosa) e na agricultura (fora do Parque) e isso cria um desenvolvimento económico sustentável.

“No entanto, para ter uma força de trabalho saudável e educada para que o capitalismo tenha sucesso, precisamos de boas escolas e hospitais”, disse Carr. “Portanto, retiramos os lucros de nossos negócios de turismo e agricultura e doamos para escolas locais e cuidados de saúde locais. Isso, por sua vez, beneficia as empresas com uma força de trabalho melhor. É um ciclo virtuoso.

“Mas aqui está um ponto importante que deve ser adicionado a todos os itens acima”, disse Carr. “É divertido, satisfatório e enriquecedor fazer este trabalho. Adoro estar na Gorongosa. Gosto de ver crianças de 3 anos na pré-escola. Gosto dos rostos sorridentes de pessoas simpáticas com empregos. A filantropia me deixa feliz.”

Como defensor da compaixão, justiça e direitos humanos em todo o mundo, ele compartilhou sua visão da crescente polarização na América.

“Em vez de demonizar as pessoas que têm uma visão diferente, podemos dedicar um tempo para conhecê-las e entender por que elas se sentem assim”, disse Carr. “É preciso mais esforço, mas você pode conseguir um novo amigo. E mesmo que você ‘concorde em discordar’ no final, pelo menos saberá por que eles têm sua visão de mundo. Talvez eles mudem você 5% e talvez você os mude 5% e isso é um progresso.”

Carr disse que as pessoas que se sentem deprimidas com a agitação política nos Estados Unidos têm opções.

“Pense globalmente e aja localmente”, disse Carr. “Sempre há coisas que você pode fazer em sua própria comunidade para promover os valores da democracia, dignidade e carácter. Quanto à parte de pensar globalmente, você pode escrever para seus representantes eleitos com suas preocupações com o estado de nossa democracia. Não estou exagerando quando digo que escrevi mais de 100 dessas cartas este ano.

De sua parte, Carr está contente com o que está fazendo.

“Estou feliz”, disse Carr. “Eu faço amigos fazendo o que faço. Estou sentado agora ao lado de uma arquitecta brasileira que supervisiona a construção de nossas escolas e clínicas de saúde aqui na zona rural de Moçambique. Ela é uma pessoa interessante. Cerca de uma vez por mês eu vou visitar uma de nossas pré-escolas. Espero que eles me deixem formar um desses anos.”

Greg quer estar envolvido em Moçambique por muitos mais anos.

“Pretendo viver até os 99 anos, então tenho mais 33 anos”, disse Carr. “Nosso grande novo projecto na zona rural de Moçambique é que estamos construindo um hospital com nosso colega de equipe, a Faculdade de Medicina da Universidade de Pittsburgh. Nosso objectivo é criar o melhor hospital deste país.

“Na verdade, o reitor da faculdade de medicina disse: ‘Queremos fazer de Moçambique a nação mais saudável da África'”.

Sua esperança para seu próprio legado duradouro é simples.

“Espero que minhas sobrinhas e sobrinhos digam que eu era um bom tio, ou pelo menos um tio pateta e divertido.”

 

Do outro lado do Mundo: Moçambique

Ele estabeleceu a Fundação Gregory C. Carr em 1998 para apoiar o avanço dos direitos humanos, da educação e das artes, bem como para conservar a biodiversidade. O projecto mais conhecido da fundação, a restauração do Parque Nacional da Gorongosa em Moçambique, tornou-se um modelo de conservação sustentável, combinando renovação ecológica com desenvolvimento comunitário, educação e empoderamento económico.

Greg Carr estabeleceu a Fundação Carr, uma entidade filantrópica, antes de saber ao certo qual seria o seu propósito. Mas as obras de Edward O. Wilson despertaram nele um grande interesse pela conservação. Ao mesmo tempo, mergulhava no estudo dos direitos humanos e de seus grandes profetas e defensores, incluindo Nelson Mandela. Estas duas linhas de estudo convergiram mais tarde quando Carr soube que Mandela, então Presidente da África do Sul, estava a colaborar com o seu colega Presidente Joaquim Chissano, do outro lado da fronteira em Moçambique, para criar “parques da paz” – parques nacionais transfronteiriços para a conservação de vida selvagem e o benefício da população local.

“O Presidente Chissano adorava os parques nacionais”, disse Carr, e durante a primeira visita de Carr, em 2004, “convidou-me a restaurar a Gorongosa”.

Quatro anos depois, Carr assinou um acordo de longo prazo com o Governo. Traria ao desafio não apenas os seus recursos financeiros e perspicácia de gestão, mas também uma visão partilhada de que a Gorongosa poderia tornar-se um “parque de direitos humanos”. Isso significava gerar benefícios tangíveis para a população local ao seu redor – em saúde, educação, agronomia, desenvolvimento económico bem como proteger a sua paisagem, as suas águas e a sua diversidade biológica em todas as formas.

A dimensão temporal é reconhecida em um acordo de longo prazo entre a Fundação Carr e o Governo, renovado em 2018 por 25 anos. Mesmo 25 anos, é apenas um começo em termos ecológicos. Um orgulho para a família Carr.

“O PNG em geral é muito grande, em si já é um desafio. Tem que ajudar muitas pessoas, cada pessoa tem a sua necessidade, deve tentar desenvolver os programas sustentáveis, a exemplo da produção de café e de caju. Para gerir a Gorongosa precisa de encontrar bons trabalhadores, que saibam o que fazem para ajudar no sustento das comunidades em redor e controlar o conflito Homem e fauna bravia”, avaliou Ken Carr na condição de Greg.

“A paciência e gentileza” são os segredos do sucesso, por isso, uma das mensagens que Ken deixava para Greg era: “você é fantástico”.

“Tudo está melhor. Tem uma equipa fantástica. O sítio em si é 5 estrelas, a partir dos pratos”, avaliou o irmão que esteve pela terceira vez no PNG, em 2023. “Continuem fazendo o que estão a fazer agora e que os trabalhadores do PNG sejam integrados e trabalhem como uma família para uma imagem maior”.

“Nós como PNG, somos o guião para outras áreas de Conservação. Estamos a desenvolver algo que os outros possam implementar”, disse o irmão.

“Greg co-gere um parque, construiu museus, teatros, entre outras iniciativas e às vezes ao conversar, fica a pensar noutras coisas”. Tem um coração grande no sentido de ajudar pessoas. Se não gostou de algo, ele vai explicar-te de uma maneira positiva”, contou o irmão.

Os objectivos de Carr estão ainda longe, mas se o limite do possível se concretizar, será no Parque Nacional da Gorongosa. Hoje, o PNG é um destaque da África.(Muamine Benjamim).

O Estado veste terno, mas calça coturno

Na Faria Lima, o Brasil é Suíça. Nenhum helicóptero sobrevoa o asfalto caro, nenhum policial mascarado grita “perdeu!”. Os crimes são discretos, sofisticados, com gravatas de grife e planilhas offshore. Lá, quando o Estado chega, é de terno — e sempre com hora marcada.

Mas nas favelas do Alemão e da Penha, o mesmo Estado troca o terno por coturno. A operação começa ao nascer do sol, termina com o pôr da esperança, e o noticiário chama de “sucesso”. São mais de 130 vidas interrompidas, mas o verbo usado é “neutralizar”. A linguagem também mata — e com menos barulho.

Dizem que é guerra ao tráfio, mas o inimigo nunca tem sobrenome francês nem conta nas Ilhas Cayman. É sempre o menino preto de chinelo, o corpo caído no beco, o sangue escorrendo para o ralo — porque no Brasil até o sangue segue o curso da desigualdade.

Enquanto isso, o mesmo crime organizado que controla a economia não precisa se esconder. Ele patrocina campanhas, financia consultorias, constrói torres de vidro. Chama-se “mercado”. E o mercado é tão poderoso que nem a bala perdida se atreve a atravessar a Marginal Pinheiros.

No Rio, o Estado parece uma empresa de segurança terceirizada. Protege o que tem valor de mercado e elimina o que não tem. A cada operação, uma estatística nova; a cada corpo, uma justificativa antiga. Chama-se “segurança pública”, mas soa mais como “higienização social”.

Talvez devêssemos parar de chamar essas chacinas de tragédias. Tragédia tem destino e acaso; aqui há método e endereço certo. E como lembrou alguém lúcido, quando o CEP é nobre, o Estado negocia; quando é favela, ele executa.

O Brasil é um país onde o mapa da violência coincide com o mapa da pobreza. Onde a cor define o calibre que te alcança. Onde a vida vale menos que a manchete. E, no fim, os mesmos que mandam atirar posam de gestores da ordem, com discursos sobre meritocracia e “cidadão de bem”.

Enquanto isso, nas vielas de um país partido, mães choram filhos que nunca tiveram chance de ser suspeitos de colarinho branco.

Essa é a falência do Rio — e, por tabela, do Brasil: um Estado que se acha civilizado demais para o diálogo e bárbaro demais para a justiça.

 

A Democracia de um só

Na Tanzânia, a eleição foi tão tranquila que nem o vento ousou soprar contra a candidata. Afinal, pra quê barulho, se já estava tudo decidido? A oposição foi convidada — mas para o cárcere, não para o debate. Alguns opositores simplesmente “desapareceram”, como facturas de obras públicas. Outros, mais sortudos, apareceram de novo, mas sem a ousadia de abrir a boca.

E lá estava ela: a única candidata. Uma eleição tão limpa que parecia um quarto recém-varrido — só ficou quem interessava. O povo, coitado, compareceu às urnas com a empolgação de quem vai pagar imposto. Afinal, o voto era livre: livre pra escolher o que já estava escolhido.

Chamaram de “festa da democracia”. De facto, havia música, bandeiras, aplausos e discursos. Faltaram apenas os convidados com opinião contrária. Era uma festa de aniversário sem aniversariante — mas com bolo, balões e muita propaganda estatal.

O MC, com voz de estádio vazio, anunciou: “Mais uma vitória da vontade popular!”. A plateia respondeu com o mesmo entusiasmo de quem ouve o resultado de um exame médico: “Ah, foi isso, né?”.

A democracia africana, em certas zonas, anda com febre. Não é que esteja morta — apenas delirando. Em alguns países, virou uma espécie de teatro político: o povo paga o ingresso, a elite escreve o roteiro e os “candidatos” fazem de conta que há suspense. Spoiler: nunca há.

Enquanto isso, nós, vizinhos, assistimos a tudo com aquela mistura de vergonha alheia e resignação: “Pelo menos não foi golpe… ainda”. E o continente segue, com sua mania de reinventar os conceitos: eleições sem eleitores, liberdade sem livre-arbítrio, e democracia sem demos.

No final, resta-nos a dúvida filosófica que faria rir até Aristóteles: quando só há um candidato, o voto é um ato político ou um teste de obediência civil?

A Tanzânia respondeu à sua maneira — com 100% de paz e 0% de oposição. Uma harmonia tão perfeita que só pode ser doença.

Moral da história: em certas democracias, o único perigo é votar errado — e o “erro” é achar que existe escolha. Aguardemos as escaramuças que os marginalizados irão engendrar nos próximos dias.

Nhamatanda: 7 mortos e 9 feridos por acidente de viação

Hoje de manhã, na zona de Haluma em Nhamatanda pela Estrada Nacional Número Seis (EN6), sete pessoas morreram e outras nove contraíram ferimentos num acidente envolvendo um camião basculante e minibus, Hiace.

A velocidade aliada a ultrapassagem irregular do camião basculante (Nhamatanda -Beira), arrastando-se com o Hiace, que vinha no sentido contrário (Beira-Nhamatanda), são apontadas como causas do acidente.

Saindo de Nhamatanda para Beira, o basculante tentou fazer ultrapassagem irregular. Raspou outro camião do lado oposto da EN6, que também era seguido pelo Hiace, atrás. O camião do sentido inverso carregado de pedra grossa de construção civil arrastou o Hiace para o seu lado oposto (no capim), causando sete óbitos no local.

O Hiace transportava 16 pessoas. Destes, sete morreram no local, nove deram entrada ao Banco de Socorros do Hospital Rural de Nhamatanda.

“Dos nove, quatro pessoas foram transferidas para o Hospital Central da Beira em estado estável e com fraturas, incluindo o cobrador”, explicou o director do Hospital Rural de Nhamatanda, Joaquim Botão.

Na lista dos mortos, está a bebe de 3 meses,

Uma recém-nascida, de 3 meses, e um casal de jovens que contraiu o matrimónio recentemente fazem parte dos sete mortos pelo acidente. (Muamine Benjamim).

Jornal Profundus

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