PELA GORONGOSA: Mais de duas mil famílias já vão se beneficiar de água potável em Maringué

Comunidades de Catia, Nhabonbue, Mandire e Capimbe saem do sufoco

São mais de duas mil famílias que vão deixar de recorrer aos poços e rios, evitando longas distâncias ao se beneficiarem da água pelos fontanários em construção quase em simultâneo nas quatro comunidades. O Parque Nacional da Gorongosa (PNG), através do Programa de Água, Saneamento e Higiene, Water Sanitation and Hygiene  (WASH), traz o precioso líquido no conhecido distrito de insuficiência de água.

Nas seguintes escolas anexas de 05 de Outubro (Mandire), 08 de Março (Capimbi), 08 de Março (Nhabombue), e Patrício Lumumba (Catia), dentro do distrito de Maringué. Os alunos dessas escolas, incluindo comunidades, percorriam longas distâncias para o acesso ao precioso líquido.

O supervisor de WASH em Maringué, Mussagy da Silva explicou que pretende incutir uma responsabilidade de apropriação dos furos aos líderes comunitários e a comunidade em geral para a melhor conservação dos recursos hídricos colocados, neste caso os furos de água, fazendo manutenção rotineira das bombas e a gestão comunitária, através de capacitações aos comités de água e saneamento.

O Programa WASH, com a implantação desses novos furos tem como seus objectivos as escolas terem água potável e acessível para o uso diário, garantindo a higiene pessoal e colectiva.

Durante muitos anos, as comunidades de Maringué enfrentam sérias dificuldades para obter água limpa, sendo obrigadas a percorrer longas distâncias até rios e poços improvisados. Essa situação coloca em risco a saúde das famílias relativamente a doenças de origem hídrica.

Segundo Mussagy da Silva, além desses furos beneficiarem os alunos, mais de duas mil famílias daquelas quatro comunidades vão deixar de recorrer aos poços e rios, evitando longas distâncias pela água dos fontanários em construção quase em simultâneo nas quatro comunidades.

Os beneficiários dos quatro fontanários são 2.338 famílias distribuídas em Catia 480, Nhabonbue 943, Mandire462 e Capimbe 453, esclareceu o supervisor distrital de WASH, Mussagy da Silva.

O Programa WASH pretende reduzir doenças higiénicas e melhorar a saúde geral da comunidade escolar; promover hábitos de higiene entre alunos e funcionárias, incluindo lavagem das mãos e higiene corporal; diminuir ausências escolares associadas à busca de água e a problemas de higiene; fortalecer infra-estruturas básicas da escola, apoiando um ambiente de aprendizagem mais seguro e saudável; e promover igualdade de género ao oferecer recursos de higiene de forma acessível a raparigas e rapazes.

Os furos serão equipados de bombas manuais tipo (AFRIDEVS) sustentáveis e fáceis na aquisição de seus acessórios e substituição simples, reduzindo custos operacionais para as famílias e escolas.

Em geral, há planos de melhoria em toda a expansão das comunidades pelo Programa WASH na Zona de Desenvolvimento Sustentável, dependendo das necessidades financeiras e parcerias. Portanto, a execução do plano anual.

A procura de água nas comunidades leva longas distâncias, aumentando a taxa de desigualdade de género porque a falta desse precioso liquido sobrecarrega as mulheres na gestão doméstica, além de que limita as senhoras e principalmente as raparigas no acesso à educação e afecta negativamente a dignidade menstrual.

“Antes das construções dos furos de água era muito difícil. Tínhamos que caminhar longas distâncias, cerca de 2 a 3 km para chegar ao rio para tirar água que não era limpa e muitas vezes causava doenças”, Jeremias Amaral, na comunidade de Mandire.

“A ajuda do Programa WASH e o Parque Nacional da Gorongosa mudará tudo [ao fazer fontanários]. Teremos água limpa próxima das casas e as crianças não ficaram doentes como antes e as nossas mulheres terão mais tempo de trabalhar nas machambas porque a busca pelo líquido precioso levava muito tempo e prejudicava a nossa produção [agrícola] ”, disse o homem que assistiu os trabalhos do último fontanário.

Outro morador lembra que dependia da água das chuvas, rios e poços. Mas ciclicamente secavam. “Agora teremos água todo o ano”, explicou Ricardo Armindo.

Com esta ajuda da Gorongosa “conseguiremos dar água aos nossos animais, regar pequenas produções de hortícolas, e isso ajudará na alimentação das nossas famílias”.

As iniciativas do Programa WASH têm contribuído significativamente para melhorar as condições de vida das comunidades, reduzir o tempo gasto na busca do precioso líquido e promover boas práticas de higiene e saneamento. Além disso, a disponibilidade de água potável tem fortalecido actividades agrícolas e de criação de animais, impulsionando o desenvolvimento local.

O Parque Nacional da Gorongosa, através dessas acções, demonstra o seu compromisso não apenas com a preservação ambiental, mas também com o desenvolvimento humano e social das comunidades. (Eugénia Armando).

Dondo e Nhamatanda acolhem Feira de Saúde

Os distritos de Dondo e Nhamatanda, na província de Sofala, acolheram no último sábado, a Feira de Saúde promovida pela Rede Viária de Moçambique (REVIMO).

A Feira de Saúde realizada num só dia nos dois distritos tinha como objectivos, levar serviços básicos de saúde às comunidades ao longo dos corredores rodoviários Estrada Nacional Número Seis (EN6) e reforçar o bem-estar dos trabalhadores e das populações vizinhas usuárias das infra-estruturas sob a sua gestão.

Entre as actividades do dia, destacam-se rastreios de malária, medição da tensão arterial, doação de sangue, testes de glicemia, consulta de vista, vacinação, aconselhamento sobre prevenção de doenças e entrega de material desportivo.

O Presidente do Conselho de Administração (PCA) da REVIMO, Constantino Gode, destacou a importância da acção para a comunidade:

“Hoje estamos no Dondo, com foco principal na área da saúde. Realizamos a Feira de Saúde e entregamos equipamentos desportivos para que os jovens possam, através do desporto, adoptar um estilo de vida saudável. A comunidade é nossa prioridade, e procuramos cuidar das pessoas através da formação, promoção da saúde e de um ambiente saudável no trabalho.”

O PCA explicou que a empresa também apoia a educação: “Entregamos material escolar e, em Vanduzi [Manica], iremos realizar acções semelhantes. Já realizámos outras iniciativas, como a entrega de material de construção em escolas primárias e a melhoria de infra-estruturas de saúde em Gondola [província de Manica].”

Azarias Manhenje, representante do administrador do distrito e director do Serviço Distrital de Saúde, Mulher e Acção Social (SDSMAS), disse: “Com o apoio da REVIMO, conseguimos levar serviços de saúde às comunidades, incluindo alguns que não estão disponíveis em todas as unidades sanitárias”.

Das 21 unidades sanitárias de Dondo, algumas oferecem apenas determinados serviços.

“Obtive serviços de observação de vistas. Não consigo ver bem as letras e, por vezes, sai lágrima num dos olhos. O atendimento foi bom, mostraram-me os óculos que servem para mim e informaram que o preço é de 300 meticais para compra”, disse Mário Sande, munícipe beneficiário da consulta oftalmológica.

A Feira de Saúde enquadra-se nas acções de responsabilidade social da REVIMO, que contou com o envolvimento de equipas médicas locais e parceiros do sector da saúde, que disponibilizaram consultas médicas gerais. (Narcísio Cantanha).

Chemba reduz casos de tuberculose

O distrito de Chemba registou um total de 81 casos de tuberculose, dos quais oito são de crianças, nos últimos seis meses deste ano. São dados que constam no comunicado do Governo distrital.

Comparativamente ao igual período anterior, verificou-se uma redução significativa de casos, passando de 132 para 81, de junho de 2024 a junho de 2025, respectivamente.

A informação foi partilhada pelo Director do Serviço Distrital de Educação, Juventude e Tecnologia (SDETJ) de Chemba, João Fernando Sadique Paulino, durante a leitura do comunicado, marcando o encerramento da VIII Sessão Ordinária do Governo, realizada na última sexta-feira.

Esta redução de casos de tuberculose representa o progresso nos esforços de controlo da doença, segundo as autoridades de Chemba.

As autoridades de saúde manifestaram preocupação com a persistência da tuberculose, sobretudo em crianças, por isso, continuam com as sensibilizações, rastreio e tratamento ao nível comunitário. (Rosário Phoinde).

Chuvas fazem destruições em Chemba

Uma família ficou desalojada e algumas residências e vedações destruídas na sequência de chuvas acompanhadas por ventos fortes e granizo, no distrito de Chemba, província de Sofala.

Segundo os relatos de moradores, as destruições iniciaram por volta das 14 horas da última quarta-feira, quando ventos fortes começaram a arrancar chapas dos telhados e derrubar vedações.

Dona Nelifa, uma das vítimas, contou que, ao tentar escapar dentro da residência com o apoio do seu filho, sofreu uma lesão no pé esquerdo, enquanto a criança ficou com ferimentos na testa provocados por destroços.

Já à noite, a família dormiu ao relento e, na manhã seguinte, procurou abrigo temporário com ajuda de vizinhos.

Elsa Luís Nota é outra residente que viu a sua vedação a ser destruída, incluindo a morte de alguns animais.

A vítima apelou à comunidade para reforçar as suas infra-estruturas, sobretudo as de construção precária, antecipando-se à época chuvosa.

Segundo o director Distrital do Planeamento e Infra-estruturas de Chemba, Vánio António Mujaide, ainda não há dados oficiais sobre o número de famílias afectadas e que o caso, por enquanto, não é considerado alarmante.

Nos próximos dias, o Governo Distrital poderá reunir-se com os sectores envolvidos na gestão de desastres naturais para definir medidas de prevenção.

Na sede distrital de Chemba, o 4.º Bairro ficou às escuras sem corrente da energia eléctrica por conta das chuvas acompanhadas por ventos. (Rosário Phoinde).

 

POUPANÇA IMPULSIONA AGRICULTURA: Dois membros de cada grupo poupança conseguem pagar insumos pela Gorongosa

O Programa “Desenvolvimento Sustentável de Meios de Subsistência para as Comunidades da Zona de Desenvolvimento Sustentável”, em inglês Sustanaible Livelihoods Development Program  (SLDP), através do respectivo Gestor de Impacto e Director de Programas do Parque Nacional da Gorongosa (PNG) foram ao campo para ver em loco os impactos das acções implementadas no sector de agricultura, na localidade de Bebedo, interior do distrito de Nhamatanda. Edson Carneiro e Simião Mahumana respectivamente ouviram e anotaram as preocupações das comunidades para soluções estratégicas.

Nas visitas do dia 9 de Setembro último, a equipa da Gorongosa reuniu-se com diferentes grupos de agricultores em Bebedo.

Os grupos de agricultores, normalmente são compostos por 25 membros das comunidades assistidos por técnicos do PNG, Resilience e técnicos do Governo.

Cada grupo recebe 10 quilogramas de sementes de milho, 1 kg de gergelim, 50 plantas de cajú e 2 kg de feijão bóer (1.ª época). Na hortaliça, 5 kg de quiabo, 100 gramas de cebola, 10 gramas de repolho, seis pacotes de tomate (6X1000 sementes) para aplicarem no campo de demonstração ou machamba escola no qual aprendem as técnicas agrárias a aplicarem nas machambas individuais.

Cada grupo de 25 membros agricultores é composto por um líder, geralmente um residente experiente na agricultura, com espírito de produzir e incentivar os outros.

Os líderes, ocasionalmente, são levados a participarem em diferentes capacitações, desde a sementeira (técnicas), colheita e armazenamento dos produtos.

Existem líderes dos grupos agricultores que já servem de patrões locais ao comprarem sementes com a produção individual. António Henriques é um deles.

Por exemplo, no ano passado e este ano, António Henriques produziu, comprovou e revendeu de milho.

As comunidades também são instruídas a produzirem adubo com material local para evitar pragas às culturas, além de serem apoiadas com sistema de regadio solar e debulhadoras com uma comparticipação.

António Henriques, por exemplo, já completou o pagamento de (70%) 39.900 dos cerca de 57.000 meticais referente a uma máquina de debulhar milho.

“Comecei a construir a minha casa [melhorada na Vila] de Nhamatanda com o dinheiro que ganhei no ano passado. Continuo a investir na educação dos meus cinco filhos, além de garantir alimentação e outras despesas de casa”, revelou António Henriques. “Este ano 2025, vou terminar a minha casa, falta apenas cobertura”, garantiu.

Teresa António explicou a diferença do Programa com outras iniciativas. Não sabia quais as vantagens de semear o milho em linhas, feijão, amendoim e gergelim (compasso), aprendeu com o SLDP.

Uma das principais vantagens de semear em linha é a economia de sementes, já que as sementes são distribuídas de forma mais uniforme e controlada. Além disso, o plantio em linha facilita a aplicação de fertilizantes e pesticidas verdes, garantindo uma nutrição adequada e protecção contra pragas e doenças.

Naquelas comunidades, o gergelim rende mais dinheiro quando é vendido.

Apesar de todo o esforço multissectorial e terra fértil para garantir a produção e produtividade, os agricultores ainda se queixam de invasão de animais aos campos agrícolas, dificultando os rendimentos previstos, principalmente pelo elefante, além dos impactos de mudanças climáticas (fenómeno El Ñino).

Nas reuniões, foi constatado que pelo menos dois membros dos grupos de agricultores, que também fazem parte de grupos de poupança de dinheiro nas comunidades, conseguem comprar sementes, pesticidas verdes e garantir apoio nas necessidades diárias da família. Diferente daqueles que não poupam, não conseguem e são os que mais correm risco de insegurança alimentar.

Por exemplo, Joana Francisco é uma das poucas mulheres agricultoras que também poupam dinheiro num grupo. Este ano conseguiu comprar pesticidas contra pragas no seu campo de produção. Este facto evidencia a necessidade de incentivar o envolvimento local em grupos de poupança.

As visitas do campo não apenas evidenciaram os ganhos, mas também os desafios de agricultores e oportunidades para novas ou o reforço de abordagens integradas para comunidades diferentes”. (Muamine Benjamim).

 

 

Dondo: Mais de 40 crianças com deficiência beneficiam de material escolar

Um total de 42 crianças com deficiência beneficiou-se, de material escolar no distrito do Dondo, província de Sofala, no âmbito do Programa de Reabilitação Baseada na Comunidade (RBC).

O material entregue ontem, quinta-feira, é composto por cadernos, esferográficas, lápis, borrachas e mochilas, entre outros artigos essenciais para o processo de ensino-aprendizagem.

A iniciativa visa incentivar a frequência escolar e melhorar as condições de aprendizagem das crianças com necessidades especiais, muitas das quais pertencentes a famílias em situações de vulnerabilidade social e económica.

Este tipo de apoio é realizado uma vez por ano, envolvendo esforços do Governo e parceiros de educação.

“Qualquer criança sonha em estudar, porque tem projecção do seu futuro, independentemente da sua condição social ou física. Todas as crianças são iguais e têm sonhos a realizar”, disse o administrador Adamo Ossumane, ao entregar o material escolar, encorajando os beneficiários a focarem-se na escola.

“Em vez de ajudar quem realmente necessita, muitas vezes o apoio vai para quem não precisa. Estes meninos, pela sua condição, não conseguem desenvolver actividades comerciais ou locomover-se com facilidade”, reconheceu Ossumane, um dos erros de muitos quando se trata de apoio, estas “precisam do nosso suporte para poder estudar e ter as mesmas oportunidades que os outros”.

“Não podemos sentir-nos isolados, não somos diferentes e todos somos iguais e os direitos também o são. Devemos estudar em igualdade de circunstâncias com os outros meninos, e como Governo, estamos aqui para vos apoiar”.

Blande Manuel é um dos beneficiários. “Estou feliz porque recebi uma pasta, régua, caderno e uniforme. Antes ia à escola sem uniforme e, ao ver os meus colegas vestidos, também queria ter um. Agora posso ser como eles e cuidar bem do meu uniforme, lavando e conservando,” disse com um sorriso.

“Recebemos mochilas, uniformes, cadernos, lápis e canetas. Estamos muito gratos ao Governo pelo apoio. Assim vai mudar a maneira de as crianças estudarem, porque terão mais ânimo. Nós, os mais velhos, também devemos esforçar-nos para continuar a estudar e escrever o nosso nome, para um dia escolhermos o nosso curso,” louvou a mãe, Júlia Jorge.

“Não tenho marido. As duas crianças órfãs de pai e com deficiência iam assim mesmo para a escola, [sem uniforme]. Era difícil comprar mochilas e cadernos. Agora estamos felizes,” contou a mãe que também enfrenta dificuldades para o sustento familiar.

O material entregue enquadra-se numa iniciativa do Governo e parceiros para anualmente apoiarem as crianças com deficiência. (Narcísio Cantanha).

 

 

O lado B de Matalane?

Olá, me chamo Anita, tenho 27 anos, sou casada, e sempre quis ser útil à sociedade.

Quando fui chamada para a formação policial em Matalane, achei que Deus finalmente estava me abrindo uma porta. Mal sabia eu que estava entrando no inferno mascarado de disciplina.

A fome em Matalane não era só de comida era fome de respeito, de humanidade, de justiça. Lá dentro, o que nos mantinha de pé não era esperança, era sobrevivência animal.

Dormíamos no chão duro, tremíamos de frio com cobertores rotos, e se ousássemos reclamar… castigo. Treinos até o corpo sangrar.

Mas havia um “atalho” cruel: entregar o corpo para garantir o mínimo de dignidade.

Instrutores. Homens com farda, com poder.

Vinham sorrindo à noite, com promessas sujas:

“Queres comida quente? Deita comigo.”

“Queres descanso? Faz silêncio e me obedece.”

Eu resisti até onde pude. Mas quando a fome começou a queimar meu estômago, quando meus ossos doíam de frio, quando a pele já não aguentava mais os castigos… eu cedi.

Não uma vez. Não com um só.

Cada “sim” que eu dava não era escolha era desespero.

Cada noite vendida deixava um pedaço da minha alma para trás.

E no fim, quando recebi o certificado, a farda e os parabéns… eu já não me reconhecia mais.

Na última semana de formação, algo me derrubou por completo: grávida.

A única coisa que eu sabia com certeza… era que não fazia ideia de quem era o pai.

A vergonha queimava mais que o sol no treino.

Como vou dizer isso ao meu marido?

Um homem digno, que confiou em mim, que me esperou.

Como vou encarar a corporação, que proíbe recém-formadas de engravidarem? Onde só existe punição, nunca escuta.

Estou em silêncio. Carregando uma farda que pesa mais que meu corpo. Carregando uma criança que veio do meu sofrimento. Uma vida que não pedi, mas que agora depende de mim.

Eu não falhei. Eu fui quebrada.

Fui usada, calada, descartada.

E o pior? Ainda sou tratada como culpada.

Esta história não é só minha. É de muitas. Mas quase ninguém fala. Porque a vergonha é nossa. A culpa é nossa.

E eles? Seguem livres.

Preciso do seu conselho, não sei o que fazer.

Chemba: Projecto de Segurança Alimentar beneficia mais de duas mil famílias

Mais de duas mil famílias estão a ser beneficiadas pelo Projecto de Segurança Alimentar implementado da ForAfrika, no Posto Administrativo de Mulima, no distrito de Chemba. A informação foi partilhada ontem, terça-feira, durante o encontro do Observatório de Desenvolvimento Distrital, realizado na sala de sessões do Governo Distrital.

De acordo com o coordenador do projecto, Daniel Jeremias Gundana, as acções desenvolvidas em parceria com o Programa Mundial de Alimentação (PMA) e o GTNS têm como foco principal a promoção da segurança alimentar, com especial atenção às mulheres grávidas e crianças menores de idade.

Entre as actividades realizadas em Chemba, destaca-se o treinamento em criação de aves, agricultura de conservação e outras práticas sustentáveis.

A escolha do Posto Administrativo de Mulima deve-se à elevada vulnerabilidade alimentar registada nos últimos anos.

Gundana sublinhou que, no passado recente, algumas famílias chegaram a consumir ervas daninhas devido à escassez de alimentos.

O encontro contou com a participação de líderes comunitários, religiosos, representantes da sociedade civil e membros do executivo local.

O líder comunitário de Mulima, Bartolomeu Zeca, avaliou positivamente as intervenções do Projecto, destacando aceitação local.

A ForAfrika prevê, para breve, instalar lojas para venda de produtos agrícolas e pecuários em Chemba. (Rosário Phoinde).

 Fragilidade de APE’s leva à recapitulação de matérias em Cheringoma

O Parque Nacional da Gorongosa (PNG) e a Direcção Provincial de saúde juntaram 32 Agentes Polivalentes Elementares (APE’s) do distrito de Cheringoma para recapitulação de matérias de uso das tecnologias de informações para aplicação de dados, controlo de stock’s e elaboração de inventários.

Os APE’s desempenham um papel crucial nos cuidados primários de saúde nas comunidades, desde a promoção, prevenção, tratamento de infecções ligeiras e referenciação de casos graves para unidades sanitárias.

Na ocasião, a coordenadora dos APE’s, Nádia Maria João Manga, apontou a fragilidade notada no envio dos dados pelos Agentes e submissão de dados no aplicativo, por isso, o objectivo principal do refrescamento é a recapitulação dos conhecimentos de matérias que os mesmos já adquiriram nas capacitações anteriores.

“O refrescamento calhou, porque algumas actividades que os APE’s fazem, notamos alguma fragilidade no envio dos dados, na submissão dos dados no aplicativo apskile. Com isso achamos certo fazermos o refrescamento a todos para podermos sanar as dificuldades que eles têm e assim continuar a fazer o trabalho na comunidade” disse a coordenadora dos APE’s em Sofala.

O supervisor distrital dos APE’s do PNG, em Cheringoma, Castigo Banguene, avaliou positivamente a ideia do refrescamento no distrito. “Avaliamos de forma positiva o refrescamento dos APE’s. Estamos a falar de 32 APE’s que o distrito de Cheringoma tem”.

“O que se pretende [com esta recapitulação] é o desenvolvimento da capacidade dos actores comunitários de Cheringoma. Com isso, “esperamos que os APE’s tenham uma capacidade melhorada para exercer as suas funções e actividades a nível do distrito” disse Castigo Banguene.

A APE da localidade de Nhansoswe, Sara João Augusto reconhece as dificuldades.

“Na minha comunidade sou visto como banco de socorro. Quando existe qualquer situação, a comunidade corre para mim. E quando são casos difíceis, mando para as unidades sanitárias, por isso, este refrescamento veio mesmo na hora certa, porque eu tinha muita dificuldade de usar as ferramentas tecnológicas para fazer o controlo de stock dos medicamentos e equipamentos no meu kit de trabalho” disse Sara João.

A recapitulação de matérias para APE’s decorreu de 15 a 19 de setembro último no distrito de Gorongosa, envolvendo, igualmente, técnicos da Direcção Provincial de Saúde e do distrito. (Manuel Gado).

 

Beira: Detido jovem flagrado com 483 gramas de Cannabis Sativa

O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) deteve na cidade da Beira, um jovem de 24 anos, em flagrante delito com 483 gramas de Cannabis Sativa, vulgo “suruma”, na cidade da Beira, na região centro de Moçambique.

É “suruma” proveniente da Suazi.

“Fui encontrado na posse de Cannabis Sativa. Eu estava em casa quando fui aprendido, uso para o consumo e adquiro nas ruas por via de contacto” é um dos trechos declarantes do jovem detido na última quinta-feira, dia 2 de outubro.

O porta-voz do SERNIC em Sofala, Alfeu Sitoe, confirmou que a detenção ocorreu na residência do jovem, onde foram igualmente apreendidos os cigarros, outros produtos processados para a venda, além de dinheiro.

“O indiciado confessa ser consumidor e vendedor. Compra a 8 mil e depois de vender, tem lucro de 4 mil ou por outra o valor total dá 12 mil meticais o que lhe faz ter esse lucro. Cada cigarro custava 50 mts”. É uma actividade ilícita e condenável pela legislação moçambicana.

O SERNIC continuará a trabalhar para travar o consumo e venda de drogas na província.

“Queremos apelar à população para colaborar com as autoridades, denunciando todo e qualquer envolvimento em práticas de venda e consumo de drogas”, destacando que muitos jovens têm perdido o futuro por causa destas substâncias.

O caso foi encaminhado às instâncias competentes para a responsabilização criminal. (Narcísio Cantanha).

Jornal Profundus

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