“A paz não é completa enquanto uns choram” – voz das igrejas de Sofala para Cabo Delgado

As igrejas da província de Sofala manifestaram profunda preocupação com a situação de instabilidade que se vive desde outubro de 2017, em Cabo Delgado. Para todos os moçambicanos, os crentes alertam que a paz não é completa enquanto uns ainda choram.

As igrejas posicionaram-se no último fim-de-semana no distrito de Dondo, por ocasião das celebrações do Dia da Paz, 4 de Outubro, data em que Moçambique comemorou 33 anos após a assinatura do Acordo Geral de Paz, em Roma, em 1992.

“Esta situação do terrorismo em Cabo Delgado é preocupante para nós, como igreja, porque compromete a paz. Os moçambicanos querem viver em harmonia e condenamos veementemente o que está a acontecer, porque a paz é um direito de todos”, disse o presidente da União das Igrejas em Sofala, Domingo Parafino, sublinhando que Moçambique assinou o Acordo Geral de Paz para todos os moçambicanos, não apenas para uma parte do país.

O líder religioso acrescentou que a violência tem travado o desenvolvimento das comunidades e das igrejas, afectando também a vida social e familiar dos cidadãos.

“Apelamos ao governo para olhar de perto esta situação antes que se alastre para outras regiões. É preciso identificar os autores desta confusão, promover o diálogo e a reconciliação. Queremos que Cabo Delgado seja livre e volte a contribuir para a economia de Moçambique”.

Na ocasião, Parafino exortou os partidos políticos a colocarem a mão na consciência e deixarem de lado as divergências e trabalharem juntos em prol da paz e do desenvolvimento do país.

“Os partidos políticos devem se unir, porque quem governa Moçambique são os próprios moçambicanos. É preciso ouvir as necessidades da população e promover o diálogo”.

As igrejas encorajam o governo a continuar a abrir espaço para o debate político e a corrigir o que não está bem, para que o país avance. (Narcísio Cantanha).

Beira: Detidos jovens por falsificarem documentos para ingressar na Polícia

Jovens estão a contas com a Polícia da República de Moçambique (PRM) na cidade da Beira, em Sofala, desde a última quinta-feira, depois de apresentarem documentos falsos no concurso público para o ingresso à corporação.

Dos três detidos, dois jovens são indiciados de adulterarem os dados nos seus documentos, através de uma reprografia da cidade da Beira. E a única mulher do grupo, a terceira detida e a mais velha de todos, é indiciada de tentar ocultar a sua verdadeira idade, não cumprindo assim os requisitos estabelecidos para o ingresso. Todos assumem a autoria do crime de falsificação de documentos.

“Estou aqui porque falsifiquei documentos para entrar na PRM”, confessou a jovem.

O porta-voz da PRM em Sofala, Dércio Chacate, explicou que os candidatos apresentaram documentos falsificados, o que levou à abertura de um processo de verificação e triagem envolvendo diversos sectores da corporação.

“Após a análise, constatou-se que os documentos apresentados eram falsos. Fizemos o devido acompanhamento e foi possível localizar os indivíduos envolvidos, que produziam as falsificações numa reprografia localizada no mercado Maquinono”, explicou Chacate.

A PRM repudia este tipo de comportamento e reafirma que a instituição não compactua com práticas de corrupção ou falsificação de documentos, sublinhando a necessidade de reflectir sobre o modelo de polícia que o país pretende.

“Assumimos que qualquer situação desta natureza será prontamente repelida, e os autores devidamente responsabilizados pelos seus actos”.

Os três jovens começaram tão cedo a ser ilegais antes de serem chefes para prender ilegais, mas terminaram nas celas. (Narcísio Cantanha).

Parque Nacional da Gorongosa junta comunidades para manter limpa a Vila de Inhaminga

Centenas de pessoas das comunidades e o Parque Nacional da Gorongosa (PNG) juntaram-se para limpar a Vila de Inhaminga, em Sofala, além de palestras para práticas sustentáveis, marcando as comemorações do Dia Mundial de Limpeza, no último sábado do mês de setembro.

A palestra foi realizada na Escola Primária de Bawa e na Vila sede de Inhaminga, juntando alunos e comunidades em geral, e abordando matérias que possam inspirar mudanças de comportamentos locais para garantir um ambiente mais limpo no distrito de Cheringoma.

Na ocasião, o supervisor distrital do Programa de Educação Ambiental, supervisor distrital do Programa de Educação Ambiental, Lucumane Agy, chamou atenção para a redução do lixo plástico.

“O principal objectivo é de chamar atenção às comunidades sobre a importância de conservar o meio ambiente, tendo em conta que este ano estamos focalizados na redução do lixo plástico por ser dificilmente degradado” disse Lucumane Agy.

No caso do plástico, o supervisor recomenda o uso de cestos feitos à base de palhas, pastas de panos ou até mesmo fazer a reciclagem das garrafas plásticas e outros resíduos plásticos.

“Estamos a trabalhar no sentido de intensificar as jornadas de limpeza, porque sabemos que só com elas podemos reduzir o lixo plástico junto das sensibilizações comunitárias” disse o supervisor.

“Existe a necessidade de garantirmos lugares públicos limpos, porque isto acaba afectando a saúde individual e colectiva. Sabemos que o lixo é o vector de transmissão de várias doenças com enfoque para doenças diarreicas”, disse o presidente do Conselho Distrital da Juventude, Marcos Mazonda.

“Esta intervenção garantiu a beleza da própria vila e percebemos que houve uma mensagem de sensibilização importante para a construção de uma sociedade cada vez mais preocupada com o meio ambiente e mais preocupada com o bem-estar colectivo” , avaliou Mazonda.

A aluna da 12 Classe na Escola Secundária de Inhaminga falou da limpeza que deve “fazer parte de nós e que é importante na comunidade e na sociedade”, sem esperar dias de comemorações.

A limpeza “ajuda a prevenir muitas doenças” nas nossas comunidades, disse a aluna. (Manuel Gado).

 

 

Chapo exonera 2 reitores e 3 vice-reitores de universidades públicas

O Chefe de Estado, Daniel Chapo exonerou, hoje, em despachos separados e nomeou outros reitores e vice-reitores de universidades públicas moçambicanas, mexendo as três regiões do País, Norte, Centro e Sul.

Trata-se da reitora da UniLúrio, Leda Florinda Hugo, substituída por Eusébio Victor Macete; reitor da UniZambeze, Bettencourt Preto Sebastião Capece, no seu lugar está Luís Miguel Estêvão Cristóvão; vice-reitora da Universidade Joaqum Chissano (UJC), Ana Maria Nhampule, para entrar Carlos Shenga; vice-reitora da Unizambeze Anabela Matangue Zacarias da Silva, substituída por Alexandre Hilario Monteiro; vice-reitor da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), Maurício das Neves Tembe, substituído por Mogsin Mahomed Sidat. Lê-se no comunicado de imprensa da Presidência da República, emitido hoje, a que o “Profundus” teve acesso.

Os nomeados vão tomar posse amanhã, quarta-feira. (Muamine Benjamim).

Vila de Nhamatanda: Frelimo e Renamo exigem transparência à comissão do FDEL

A Frelimo e a Renamo exigem transparência dos 13 membros que fazem parte da comissão para o Fundo de Desenvolvimento Económico Local (FDEL) na Vila autárquica de Nhamatanda. Os indicados são os responsáveis pela seleção de melhores projectos a serem implementados localmente.

As exigências foram apresentadas durante a declaração de voto na II Sessão Extraordinária da Assembleia Municipal de Nhamatanda.

Na última quarta-feira, depois da apresentação da comissão do FDEL, o chefe da Bancada da Renamo, Francisco Manuel reconheceu que os seleccionados representam “os nossos munícipes, são caras conhecidas, algumas até idóneas apesar de terem saído de um único lado [Frelimo] ”.

“Esqueçam de onde as senhoras e senhores vieram, trabalhem nos melhores projectos dos nossos munícipes; não reparem nas caras; reparem no projecto que mais dará emprego aos nossos jovens para que haja alívio de desemprego no nosso município”.

Na lista da comissão do FDEL constam cinco técnicos da autarquia nomeadamente, Isabel Vasco Cufa Caravina, Vicente de Alcides Cônsul Vieira, Félix António Cassene Sanga, Luís Samuel Naene e Ruth Cardoso Manuel, como membros da comissão e selecção de projectos.

Na mesma lista integram dois agentes económicos, Tomás Abílio Cherenge e Rosita Maite; líderes comunitários (Mário Alberto António Juma e Zinho Creva Chapo); instituição académica (Carlos Rui Sanga); sociedade civil (Manuel Carimo Joaquim e Lino Madeira). Portanto, nenhum projecto vai escapar das mãos dessa comissão.

As secretarias, Municipal e Distrital recebem a partir de hoje as propostas de projectos para serem avaliados e implementados em Nhamatanda.

Enquanto a Frelimo foi simplista. “Queremos aconselhar para que estes membros [comissão] possam exercer as suas funções com zelo, humildade, respeito, dedicação e sobretudo com aquela imparcialidade que o nosso munícipe deseja e quiçá aquela transparência”, disse o chefe da Bancada, Joaquim Zano Chiambiro. (Muamine Benjamim).

 

PARA IMPACTAR COMUNIDADES: Noruega e Gorongosa renovam parceria com 4,4 milhões de dólares

O Governo da Noruega anunciou cerca de 4,4 milhões de dólares para investir nos próximos 3 anos, no fortalecimento do sector de educação e os meios de subsistência, conservação e restauração do Parque Nacional de Gorongosa (PNG), província de Sofala, centro de Moçambique.

Um comunicado de imprensa da Embaixada da Noruega indica que o acordo para o investimento foi rubricado recentemente entre o Presidente da Fundação Carr, Greg Carr, e o Embaixador da Noruega acreditado em Moçambique, Egil Thorsas.

O acordo vai alavancar a educação como uma das preocupações do PNG, sendo que neste momento já conta com cerca de 100 Clubes de Raparigas.

Clubes de Raparigas são espaços onde as crianças aprendem o A, B e C, conteúdos de numeracia, Saúde Sexual e Reprodutiva, aprendem a sonhar desde cedo e a dizer não as uniões prematuras diante dos pais, preservando-se para um futuro próspero.

“Este acordo é uma prova do nosso compromisso comum com um futuro melhor para Gorongosa e o seu povo, e, através de contribuições como esta, podemos deixar o passado sombrio para trás e construir, pedra por pedra, um novo dia para cada moçambicano”, diz Carr em comunicado.

Ao mesmo tempo, o apoio da Noruega vai impactar no sector da agricultura ao envolver os produtores em actividades de melhoria de vida, incluindo jovens no acesso a oportunidades de aprendizagem tal como o caso de Clube de Jovens e Clube Ambiental nas comunidades.

A Gorongosa também implementa actividades integradas como as de Saúde Materna Infantil, Água, Saneamento e Higiene, Water Sanitation and Hygiene (WASH), além da educação focada no agroflorestamento nas comunidades.

“Com o apoio da Noruega, essas oportunidades irão crescer, oferecendo a mais jovens as competências e ferramentas para construir futuros ligados à conservação, e no conjunto, esses esforços mostram que proteger a biodiversidade também pode oferecer trabalho digno e fortalecer os ecossistemas dos quais as comunidades dependem e prosperam”, refere a nota citada. (Profundus).

Sociedade Civil condena aceleração de projectos de gás em Moçambique

Apesar dos crescentes riscos à segurança e aos direitos humanos e das queixas não resolvidas da comunidade, grandes empresas de petróleo e gás, estão a avançar com projectos multimilionários de gás em Moçambique. As Organizações da sociedade civil, nomeadamente, Justiça Ambiental!, Reclaim Finance, Amigos da Terra França, Urgewald, BankTrack, alertam urgentemente as instituições financeiras contra o apoio a esses projectos, dados os elevados riscos associados aos direitos humanos, ao clima e ao ambiente, escrevem em comunicado a que o “Profundus” teve acesso.

Esta semana, a ENI anunciou a decisão final de investimento para o seu projecto Coral North FLNG, lançando oficialmente o desenvolvimento. A TotalEnergies e o governo moçambicano confirmaram planos para reiniciar em breve o projecto GNL Moçambique, enquanto a ExxonMobil sinalizou progressos no projecto GNL Rovuma.

Estas medidas surgem num momento em que Cabo Delgado continua a ser assolado pela instabilidade. A actividade insurgente intensificou-se desde julho de 2025, com ataques frequentes a viajantes, ataques a aldeias perto da cidade de Palma e dois ataques no mês passado à importante cidade portuária de Mocímboa da Praia. A “estratégia de fortaleza”da TotalEnergies e as novas medidas de segurança em torno do complexo de gás de Afungi dão prioridade à protecção dos projectos de gás, isolando completamente as operações e concentrando as tropas dentro do local, deixando as comunidades vizinhas vulneráveis a ataques.

As queixas relacionadas com o reassentamento continuam por resolver-se, enquanto as comunidades têm uma capacidade limitada para exercer as suas actividades de subsistência. Continuam a existir sérias preocupações quanto aos riscos económicos e à erosão da soberania de Moçambique associados a estes projectos.

Os analistas alertaram que o reinício do projecto TotalEnergies Mozambique LNG poderia alimentar o recrutamento para a insurgência e que a zona de segurança exclusiva que está a ser criada poderia alienar ainda mais a população local.

Este é um projecto que tem custado caro a Moçambique e ao seu povo, e promete piorar.

Anabela Lemos, Justiça Ambiental!: “Levantar a força maior sem resolver as questões sociais e de direitos humanos pendentes demonstra falta de responsabilidade e cuidado com as pessoas directamente afectadas e só tornará mais difícil encontrar soluções significativas a longo prazo. Esses projectos devem ser interrompidos, as terras e o mar devem ser devolvidos às comunidades locais e as empresas de gás devem ser responsabilizadas pelos danos já causados.”

Antoine Bouhey, da Reclaim Finance, afirma: “O avanço deste projecto depende da aprovação de mais de 30 instituições financeiras, incluindo o Crédit Agricole, a Société Générale e o Standard Chartered. Dada a falta de progressos no apelo a uma investigação internacional independente sobre o alegado massacre de 2021, os financiadores do projecto não devem passar um cheque em branco para um empreendimento tão perigoso.”

Sonja Meister, da Urgewald, afirma: “As empresas e os bancos alemães são cúmplices da pressão imprudente da TotalEnergies para reiniciar rapidamente este projecto desastroso. A Siemens Energy poderá em breve entregar turbinas a gás e outros equipamentos que irão impulsionar a produção, enquanto o Deutsche Bank já ajudou a TotalEnergies a angariar novos fundos que poderão financiar o GNL de Moçambique. É escandaloso que a Siemens Energy e o Deutsche Bank estejam a apoiar este projecto, apesar das graves violações dos direitos humanos e das investigações em curso.”

Lorette Philippot, da Friends of the Earth France, afirma: “A estratégia agressiva da Total para reiniciar o projecto GNL Moçambique a qualquer custo não só não oferece uma solução, como ameaça causar mais desastres humanos e ambientais. Durante anos, as comunidades têm pago com as suas vidas pelo estrangulamento em que a gigante petrolífera francesa as deixou, presas entre as forças de segurança públicas e os grupos insurgentes. A Total recusa-se a ouvir, mas os direitos humanos devem estar acima dos lucros. Os bancos públicos e privados que decidiram depositar a sua confiança na Total em 2020, não podem mais fechar os olhos aos seus repetidos fracassos. Devem recusar-se a ser cúmplices, ou também terão de enfrentar as consequências.”

Diogo Silva, da BankTrack, afirma: “A TotalEnergies está novamente a avançar com mais um projecto destrutivo, maximizando os seus lucros já avultados à custa da vida de muitas pessoas. Agora é o momento dos bancos comerciais cumprirem o que dizem sobre a protecção do clima, dos direitos humanos e da natureza. Exortamos o Standard Chartered, o Crédit Agricole, a Société Générale, o Mizuho, o MUFG, o SMBC, o Standard Bank e todos os bancos comerciais envolvidos a retirarem o seu apoio a este projecto; e a sociedade civil no Reino Unido, França, Japão e África do Sul a pressionar estes bancos para que façam a única coisa razoável e possível: retirar-se do GNL de Moçambique”. (JA!).

Fundo do Desenvolvimento Económico Local já em Nhamatanda

Na região centro de Moçambique, a província de Sofala também já acolheu a iniciativa “Fundo do Desenvolvimento Económico Local” (FDEL), um mecanismo de governação descentralizada de incentivo às comunidades locais no aumento da produção, geração de renda e criação de emprego. Nhamatanda não é excepção, a submissão de projectos começou hoje, segunda-feira e vai até ao final de outubro.

O FDEL é destinado a nacionais desde que apresente uma cópia de Bilhete de Identidade (BI); Número Único de Identificação Tributária (NUIT); não seja devedor de algum fundo público como, por exemplo (FARE, FDD); ser residente de onde pretende implementar o projecto, confirmado pelas autoridades locais; e ser considerado idóneo pelas autoridades administrativas e comunitárias locais (ex: qualidades relacionadas com a integridade, honestidade, capacidade de implementar o projecto) e ter idade não inferior a 18 anos.

Constam, também como critérios de elegibilidade para associações e micro e pequenas empresas constituídas por cidadãos nacionais; possuir NUIT; não ser devedor de algum fundo; estar legalmente registadas e com estrutura de organização e gestão consolidada; e os membros devem ser residentes na unidade territorial onde se pretende implementar o projecto e com a residência confirmada pelas autoridades locais.

Serão financiadas iniciativas que concorram para a geração de emprego permanente e/ou sazonal, para a produção de alimentos e geração de renda para os empreendedores nacionais, através de agricultura, pecuária, agro-processamento, pesca, piscicultura, industria, comercio e serviços, e turismo.

Agricultura: produção e comercialização agrícola, infra-estruturas de apoio à produção e ou comercialização, inovação e tecnologias de produção;

Pecuária: produção de animais de pequeno porte, avicultura;

Agro-processamento: moageiras, maquinetas de processamento de produtos agrícolas (cana-de-açúcar, frutas, amendoim, coco, piri-piri, mel, etc);

Pescas: piscicultura, aquacultura;

Industria, comércio e serviços: artes criativas, comércio geral, estaleiros, empreiteiros locais, transporte de pequeno porte, tracção animal, carpintaria, alfaiataria, reprografia, ‘internet’ café, entre outros ofícios geradores de renda e emprego;

Turismo: hotelaria, turismo e restauração.

São projectos não ilegíveis a produção de bebidas alcoólicas e tabaco; de estudo; construção de infra-estruturas sociais (postos de saúde, escolas, residências, estradas, igrejas); reuniões, seminários e workshops e aquisição de mobiliário); kits para casa; materiais de informação e propaganda; e aquisição de vestuário para uso dos beneficiários, fardamento e outros produtos afins.

A taxa de juro é de 5% do valor a ser reembolsado em períodos diferentes com o mínimo de 12 meses e máximo 24 meses, dependendo do sector a investir.

Especificamente na Vila de Nhamatanda, a edilidade apresentou na última quarta-feira, a comissão composta por 13 membros.

Uma lista do Gabinete do Presidente do Conselho Municipal da Vila de Nhamatanda, a que o “Profundus” teve acesso indica cinco técnicos da autarquia nomeadamente, Isabel Vasco Cufa Caravina, Vicente de Alcides Cônsul Vieira, Félix António Cassene Sanga, Luís Samuel Naene e Ruth Cardoso Manuel, como membros da comissão e selecção de projectos.

Na mesma lista integram dois agentes económicos, Tomas Abílio Cherenge e Rosita Maite; líderes comunitários (Mário Alberto António Juma e Zinho Creva Chapo); instituição académica (Carlos Rui Sanga); sociedade civil (Manuel Carimo Joaquim e Lino Madeira). Portanto, nenhum projecto vai escapar das mãos dessa comissão.

As secretarias, Municipal e Distrital recebem a partir de hoje as propostas de projectos para serem avaliados e implementados em Nhamatanda. (Muamine Benjamim).

PELA GORONGOSA: 15 mil alunos beneficiam de 156 salas condignas

O Parque Nacional da Gorongosa (PNG) já entregou as 26 escolas básicas construídas na sua Zona de Desenvolvimento Sustentável, além de carteiras escolares a beneficiar 15 mil alunos. Foram construídas com fundos disponibilizados pela USAID, geridos pelo Projecto de Restauração da Gorongosa, com assistência técnica da UN-Habitat e parceiros implementadores como OIKOS e AVSI (ONG’s com experiência em construção civil envolvendo as comunidades).

Antes do ciclone Idai, cerca de 68% das 100 escolas primárias da Zona de Desenvolvimento Sustentável do Parque Nacional da Gorongosa eram construídas com material precário, como barro e madeira não tratada, tornando-as vulneráveis a danos e oferecendo condições de ensino inadequadas.

Agora, as comunidades não apenas ganharam escolas, mas também abrigos. Os edifícios foram projectados para, igualmente, funcionarem como refúgios seguros para abrigar os locais no caso de ocorrências de eventos extremos (ciclone) na região.

As 26 escolas construídas utilizando tecnologias de construção sustentável e resilientes (material misto, fabricado e não fabricado), como sapatas isoladas e massa de cimento para fazer a base onde estarão as carteiras, para paredes, tijolos, rede de galinheiro, ancoragem com madeira, bambu pregado e por cima a massa de cimento.

Ao todo, são 156 novas salas de aula já entregues nos distritos de Gorongosa, Nhamatanda, Maringué, Gorongosa, Muanza, Cheringoma e Dondo.

Com o apoio da Fundação Carr, foram também fabricadas 3.744 carteiras, todas seguindo as especificações técnicas do Ministério da Educação de Moçambique para as novas salas já entregues.

Estas escolas são consideradas de ecossistemas educacionais, compostas por seis salas de aula, uma sala administrativa, latrinas separadas para meninas e meninos, duas casas para professores e sanitários masculinos e femininos para professores e um furo de água em cada escola.

Estas construções envolveram as comunidades dos seis distritos para futuramente conseguirem dar suporte e assistir na manutenção dessas escolas, garantindo a qualidade do ambiente para as crianças e comunidades por mais tempo.

As comunidades também foram envolvidas no fabrico de blocos de tijolos queimados que preenchem as paredes das escolas.

Segundo a directora do Departamento de infra-estruturas sociais e desenvolvimento urbano no PNG, Thais Glowacki, as construções envolveram 250 pessoas das comunidades, das quais 108 mulheres nas funções de pedreiras e ajudantes de carpinteiro e nove como técnicas de construção e mobilizadoras.

A inclusão de mulheres em actividades como a de construção de escolas é a primeira a registar-se na Zona de Desenvolvimento Sustentável do PNG. Pretendia-se, com esta estratégia, incutir nos homens e mulheres a ideia de igualdade de género, mesmo nas obras. Hoje, as mulheres e jovens saíram com noções de como intervir nas construções em comunidades ciclicamente afectadas por ciclones.

Os envolvidos nas obras de construção também tinham equipamentos (fardamentos) e recebiam subsídios como qualquer contratado nas obras de construção.

Antes das construções, o Projecto de Restauração da Gorongosa, a UN-Habitat e parceiros implementadores como OIKOS e AVSI (ONGS com experiência em construção civil envolvendo as comunidades colheram opiniões. Mesmo depois de entregar as infra-estruturas, de novo fizeram a monitoria com as comunidades. Uma melhor maneira de perceber o antes e depois para as próximas intervenções estratégicas, desde o planeamento ao sucesso planificado. Este processo aconteceu em todas as escolas construídas.

Na sexta-feira (25.09), de todos os seis distritos, Nhamatanda foi anfitriã ao marcar o fim dessas actividades que iniciaram em 2021 (planificação, consulta com o Governo, selecção de escolas prioritárias, desenho do projecto, operacionalização e entrega), culminando com a entrega de certificados de participação às pessoas das comunidades que participaram nas construções.

Esta entrega não apenas dá importância às comunidades na participação activa, mas também o respeito mútuo na partilha de conhecimentos locais e técnicos.

 

O caso de Nhamatanda

Na manhã da última sexta-feira, todos os parceiros envolvidos nas construções das 26 escolas na Zona de Desenvolvimento Sustentável da Gorongosa, e comunidades estiveram em posição de mesa-redonda, incluindo pais e encarregados de educação também envolvidos nas construções e os respectivos alunos beneficiários.

Houve a entrega de certificados aos artesãos que participaram nas construções, colectar dados dos beneficiários, desde professores, directores das escolas aos alunos, dando-lhes voz como foi a implementação desse projecto.

Segundo Thais Glowacki, “sempre há uma maneira de fazer melhor que antes”, por isso, “essa colecta de dados vai nos ajudar a criar evidências [e] ao mesmo tempo, compensar em como fazer melhor” nas próximas intervenções.

Naquele dia, a Escola Básica de Mutundo e Armando Guebuza, dentro da localidade de Bebedo, em Nhamatanda juntou as comunidades locais, e as da vizinha localidade de Nhampoca, como Mutamba, Nhaminimine, Chiguideia, Momba e Dutuma. Não era apenas celebração por terem escolas, mas também uma maneira de partilha de histórias entre os implementadores do Projecto e as comunidades sobre os resultados alcançados em todo o processo das obras.

Na ocasião, os participantes partilharam as experiências, desde como era nas construções e melhores maneiras de preservar as escolas e as respectivas carteiras.

As comunidades, por exemplo, sugerem para uma vigilância das escolas em coordenação com a liderança comunitária, de modo a não destruir as paredes, carteiras ou mesmo não quebrar os vidros das janelas do único edifício com este material naquela comunidade, portanto, infra-estrutura de destaque localmente.

Contudo, o Projecto de 26 escolas já evidencia, três aspectos fundamentais desse projecto, do antes e depois da sua implementação, nomeadamente:

Primeiro, o número de escolas que estão a ser construídas na Zona de Desenvolvimento Sustentável do PNG, que funcionam como refúgios seguros (melhores ambientes educacionais mesmo em tempos extremos de mudanças climáticas, o caso de habituais ciclones);

Segundo, a valorização da contribuição e da participação que os membros da comunidade tiveram (todos ganharam novas experiencias. Que sirvam de fonte conhecimento no tipo de construção com técnicas melhoradas e que haja melhoria para a construção de edifícios resilientes);

Terceiro, nunca tinha visto mulheres trabalhando em projectos de construção. Este Projecto trouxe esta oportunidade. Esta inclusão, no começo, parecia estranha, mas com o tempo, todos passarem a se orgulhar.

Já o técnico do Serviço Distrital de Educação, Juventude e Tecnologia (SDEJT) e ponto focal de construções e equipamento escolar em Nhamatanda, Aleixo Saíde João José, reconhece o “encontro promovido pelo PNG, como forma de trocar impressões em relação ao Projecto de construção de resiliência em material misto, avaliando desde a sua implementação, troca de experiências entre os envolvidos ao impacto para as comunidades”.

Aleixo José “tem uma visão positivista enquanto os parceiros vêem diminuir o encargo do Governo” – este que deve “proporcionar melhores condições no ensino-aprendizagem”, especificamente.

Agora, o Governo de Nhamatanda quer “perpetuar com a ideia de construção de escolas de construção mista, usando material resiliente”.

O técnico do SDEJT lembra o passado da Escola Básica de Mutondo. “Antes, os alunos estudavam em condições deploráveis. Tínhamos salas ao relento, além de alguns alpendres construídos pelas comunidades em colaboração com a escola, além do apoio do SDEJT em chapas para cobertura.

Já com as “novas obras, mudamos de cenário. As crianças passarão a estudar em salas condignas por cima de uma carteira. E isso traz mais conforto, mais conforto [e] abre mais a possibilidade de termos o aproveitamento pedagógico positivo”, louva o técnico do SDEJT –Nhamatanda, agradecendo pela resiliência das obras para abrigar também as comunidades em situações extremas.

Nhamatanda tem 130 estabelecimentos de ensino (ensino geral e técnicas). Quase “50 por cento” são de construções “condignas”, enquanto “as restantes são de construções mistas ou precárias”. (Muamine Benjamim).

Loyd Segurança gradua 88 Agentes de Segurança Privada

Um total de 88 novos agentes da Loyd Segurança concluiu, na última terça-feira, o IV Curso de Segurança Privada, cuja cerimónia de graduação teve lugar no distrito de Macate, província de Manica.

O evento juntou representantes do governo local, dirigentes da empresa, familiares e convidados, marcando a incorporação dos formandos ao serviço de protecção de pessoas e bens, com colocações previstas para as províncias de Sofala e Manica.

Durante um mês de formação intensiva, os candidatos foram submetidos a um programa que abrangeu matérias de defesa pessoal, ordem e disciplina, técnicas de patrulhamento, além de noções fundamentais sobre direitos humanos e cidadania.

O director geral da Loyd Segurança, Francisco Joaquim, defendeu a necessidade de o Governo apoiar muito mais as empresas privadas nacionais que estrangeiras no sector.

“Estamos a observar a entrada de estrangeiros, em particular, chineses, que abrem empresas de segurança no país. No Zimbábue ou na China eu, como moçambicano, não conseguiria abrir uma empresa de segurança, mas aqui eles conseguem. Isso retira oportunidades de emprego aos nacionais e precisa ser revisto”, denunciou Francisco Joaquim.

A criação de empresas nacionais de segurança contribui para a geração de postos de trabalho e garante maior protecção aos empresários, sobretudo em situações de raptos, vandalismo e outras ameaças. “Quando existe uma equipa bem treinada a proteger o empresário e os seus estabelecimentos, é uma mais-valia, já que a polícia não está para guarnecer os espaços privados, mas sim para manter a ordem pública”, acrescentou.

A Loyd Segurança vai continuar empenhada em investir na capacitação dos seus recursos humanos, garantindo que cada agente esteja preparado para actuar com profissionalismo, ética e respeito pela lei, além de garantir a paz na sociedade.

Os novos agentes, após o juramento de compromisso, foram encorajados a pautar-se por valores como a disciplina, o respeito, a integridade e o sentido de responsabilidade no exercício das suas funções.

“Estou preparada para servir como agente de segurança. A formação foi marcada por muita garra, sacrifício e superação. Passamos por momentos de dor, não foi nada fácil. Houve punições, e alguns colegas não conseguiram concluir, acabando por desistir devido à intensidade dos treinamentos”, contou Ivone Joaquim.

Rodrigues Mundial outro finalista, afirmou que a desistência de alguns colegas está relacionada ao abalo psicológico provocado pelos treinamentos. “No início, todos nós pensamos em desistir, mas decidimos continuar. Hoje, sinto-me plenamente preparado para desempenhar as minhas funções”, declarou

Para muitos, a conclusão desta etapa representa não apenas uma oportunidade de inserção no mercado de trabalho, mas também a possibilidade de contribuir directamente para a paz social e para a protecção da comunidade.

A cerimónia encerrou com demonstrações práticas das habilidades adquiridas pelos graduados. (Narcísio Cantanha).

Jornal Profundus

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