Gorongosa junta comunidades para manter limpa a Vila de Muanza

Centenas de pessoas das comunidades e o Parque Nacional da Gorongosa (PNG) juntaram-se para limpar a Vila de Muanza, em Sofala, além de palestras para práticas sustentáveis, marcando as comemorações do Dia Mundial de Limpeza, 20 de setembro.

O destaque foi para a junção de quase 300 pessoas, entre autoridades locais, comerciantes e parceiros para promoverem uma jornada de limpeza no mercado Kuverana, além de palestras realizadas durante a semana, nas escolas localizadas na Zona de Desenvolvimento Sustentável do PNG.

Na ocasião, a supervisora do Programa de Educação para a Conservação no Parque Nacional da Gorongosa, Rosa Zimba, reforçou aos presentes para fazer da limpeza uma acção quotidiana, como acto de remoção física de sujidades, impurezas, detritos e microrganismos presentes em qualquer área ou local, corpo, material ou artigo, usando utensílios tais como: a vassoura, o sabão, soluções, detergentes, água, escovas, esfregão aspirador, esponjas, luvas máscaras, ancinho, enxadas, catanas, machados entre outros.

“O Dia Mundial da Limpeza é importante porque chama-nos a atenção a importância da limpeza e para consciencializar a população de que nós devemos evitar a sujidade, então fazendo a remoção do lixo, do resíduo e fazermos o depósito em lugares adequados”, recordou a supervisora do Programa de Educação para a Conservação no PNG.

Não esperem apenas fazer a limpeza em datas comemorativas, exortou Rosa Zimba.

“O que nós esperamos é ver nossas casas limpas, nossos bairros, nossas ruas limpas, e só assim que podemos evitar algumas doenças. Temos que levar esse exemplo aqui nas nossas casas, mantendo limpo nossos quintais, nossa casa de banho, fazemos copa, termos latrina” disse a moradora de Muanza, Maria Sandra Manuel, depois de uma limpeza colectiva.

“O que eu espero como residente da comunidade é que cada um seja exemplo em manter o seu redor ou seu ambiente limpo seguindo esta jornada que hoje foi organizada. O mercado Kuverana tem outro visual, esperamos que o mercado fique sempre desta maneira” foram palavras de Bacalhão Duas, outro participante da jornada de limpeza.

O Dia Mundial da Limpeza é celebrado desde 2007 sempre no terceiro sábado do mês de Setembro, através de um movimento ambientalista global fundado em Tallinn na Estónia, um País localizado no Nordeste Europeu.

Este ano, a data é celebrada sob o lema “Seja os 5% que transformam o mundo”, chamando à consciência de cada um para ser amigo do Meio Ambiente. (João Cipriano).

Dondo: Jovem encontrada morta com sinais de esfaqueamento no interior da sua residência

Anita Armando, de 29 anos, foi encontrada morta no interior da sua residência, no Reassentamento 2, bairro Mandruzi, na cidade do Dondo, província de Sofala.

O crime ocorreu no último domingo, sendo a vítima, mãe de quatro filhos, sido atingida com recurso a uma faca por indivíduos ainda não conhecidos.

O corpo foi descoberto por volta das 17 horas do último domingo, depois dos vizinhos notarem a porta aberta e a ausência de movimentos da jovem desde as primeiras horas do dia.

A vizinha, Teresa Joaquim, contou: “Encontrei o corpo estatelado na cama, os pés fora da rede mosquiteira. Comecei a mexer e percebi que já não tinha vida. Estava virado de barriga para baixo, nua, com uma almofada cheia de sangue, uma capulana no pescoço e uma faca ao lado”, descreveu, acrescentando que Anita nunca teve histórico de conflitos com vizinhos.

Outro vizinho, Jacob Paulo, relatou que no mesmo domingo convidou a vizinha da vítima, Teresa, para ir à igreja, mas ela recusou. “Disse-lhe vamos à igreja e ela respondeu que não se sentia bem. Mais tarde, uma senhora avisou-me que algo se passava na casa dela. Fui até lá, já havia uma multidão e encontrei o corpo sem vida. Tive que chamar a família”, contou.

Jacob Paulo recorda Anita como uma pessoa calma e reservada: “Era muito discreta, não tinha hábito de falar. Pedimos às autoridades que descubram quem fez isso e que se faça justiça.”

“Na sexta-feira estive com ela e com a mãe no mercado. Depois voltamos a conversar no sábado, mas nunca pensei que seria a última vez que a veria. No domingo, quando recebi a notícia, perdi as forças”, lamentou a prima da vítima, Micaela Pedro.

Até ao momento, as autoridades ainda não reagiram, mas continuam a investigar o caso para identificar os autores do crime.

O corpo da vítima foi enterrado na tarde desta quarta-feira. (Narcísio Cantanha).

Quando a vassoura ganha destaque, o Meio Ambiente ganha em Nhamatanda

Na vila municipal de Nhamatanda, as actividades de limpeza decorreram nos mercados, praças, escolas, principais vias de acesso e outros lugares de maior concentração de pessoas. Foi o marco das comemorações do Dia Mundial da Limpeza, 20 de Setembro, na Vila que sonha se tornar cidade.

O Dia Mundial da Limpeza é celebrado desde 2007 sempre no terceiro sábado do mês de setembro, através de um movimento ambientalista global “Vamos a isso, Mundo! Let’s Do It World!  Foi fundado em Tallinn na Estónia, um país localizado no Nordeste Europeu. Let’s Do It World!  é um membro credenciado do Programa das Nações Unidas para o meio Ambiente (PNUMA), onde limpou 10.000 toneladas de resíduos ilegais por mais de 50.000 voluntários num dia. Seguindo o exemplo da Estónia, muitos países também iniciaram os seus próprios eventos de limpeza.

A Cooperativa de Educação Ambiental Repensar liderada pelo Prof. Carlos Serra lidera o movimento Let’s Do It World! em Moçambique.

 

Lixo colectado em locais estratégicos

São cacos de vidro (20 sacos (de 50 kg); plástico e PET: 35 sacos; latas metálicas: 4 sacos; papel (caixas, papel normal): 20 sacos removidos em um dia, durante a limpeza na Vila Municipal de Nhamatanda.

Esta data é celebrada em todo o mundo e é uma acção social e global para chamar atenção de toda a sociedade sobre os cuidados necessários para manter um planeta livre de lixo e ambientalmente sustentável. Este movimento mobiliza as pessoas em todo o mundo para se juntarem a eventos de limpeza locais, nacionais e regionais, combatendo assim o problema global de resíduos sólidos, incluindo o lixo marinho.

No último sábado, entre jovens, adultos, idosos, instituições governamentais e privadas, em massa, confiaram na máscara, luva, bota, vassoura, ancinho, pá, contentores de lixo entre outros materiais para limparem Nhamatanda, numa iniciativa global “Vamos a isso, mundo!”, Let’s Do It! World!.

Apesar de não falarem sobre o dia (entrevista), os representantes do Governo e do Município participaram na limpeza, além de Organizações Não-Governamentais como o Parque Nacional da Gorongosa (PNG), Associação Juvenil Integrada para o Desenvolvimento (AJID) Associação Anjo da Guarda e Safeguard The Planet Moçambique, Hospital Rural de Nhamatanda, Clube de Jovens, Instituto Heróis da Pátria, Polícia de Protecção de Recursos Naturais e Meio Ambiente e munícipes.

Nesses lugares, os contentores do Município de Nhamatanda passavam a recolher o lixo.

O PNG tem implementado actividades rotineiras para consciencializar as comunidades locais sobre os recursos escassos e a sua gestão sustentável, protegendo o Meio Ambiente. Só no último sábado, por exemplo, nos seis distritos considerados Zonas de Desenvolvimento Sustentável, nomeadamente, Nhamatanda, Gorongosa, Dondo, Cheringoma, Dondo e Maringué, mobilizaram comunidades para limparem os seus arredores, servindo de exemplo como mensagem prática focada a conservação do meio ambiente.

O supervisor da Educação Ambiental em Nhamatanda pelo PNG, Gonçalves Albino, espera que as comunidades tenham “uma consciência limpa das pessoas”. Em cada acto, temos que nos recordar que estamos a agredir o ambiente”.

Naquele dia, foi possível perceber que “muito lixo estava disperso ao redor do município de Nhamatanda, por isso, “a consciência deve ser trabalhada de forma repetida para mudanças”, disse o presidente da AJID, João Alfândega, reconhecendo a data como oportunidade para reflexão conjunta sobre as “práticas ambientais sustentáveis”.

Em grupos divididos, a limpeza passou do ponto de partida, a Praça dos Namorados; da Typoia para o Instituto Heróis da Pátria; da escolinha a zona do partido Frelimo; da administração até lixeira do Hospital Rural de Nhamatanda, incluindo a zona de Autoridade Tributaria; da passagem do nível até a zona da residência do edil; da igreja católica para o troço da Praça dos Namorados e dali passando pelo Notariado, campo municipal e Praça dos Heróis.

Entretanto, 24 horas depois, coincidentemente no domingo, final de semana, só o ponto de partida, a Praça dos Namorados já estava suja (vasilhames) pelo consumo habitual de bebidas alcoólicas no habitual “coração” da Vila, o que reforça a consciencialização com acções concretas e repetidas para o bom ambiente.

A limpeza é o acto de remoção física de sujidades, impurezas, detritos e microrganismos presentes em qualquer área ou local, corpo, material ou artigo, usando utensílios tais como: a vassoura, o sabão, soluções, detergentes, água, escovas, esfregão aspirador, esponjas, luvas, máscaras, ancinho, enxadas, catanas, machados e outros. Portanto, em datas comemorativas é preciso que as comunidades se unam em massa, porém o que se viu no último sábado foi uma redução de participantes, comparativamente aos períodos anteriores que atingiam 500 pessoas, diferente dos recentes 263 participantes.

A redução, segundo o presidente da AJID, João Alfândega, foi pela coincidência de uma marcha da Frelimo cancelada na última hora de sexta-feira, o que influenciou na decisão pronta das pessoas para a limpeza. Houve erro de comunicação, consequentemente, a limpeza não foi tão abrangente na Vila de Nhamatanda.

 

O perigo do lixo nas comunidades

Poluição dos oceanos e rios: O plástico contamina ecossistemas aquáticos, sufocando e enredando animais marinhos, além de transportar espécies invasoras e poluentes químicos.

Poluição do solo: O acúmulo de plástico no solo prejudica a capacidade de sustentar a vida vegetal e animal, afectando a agricultura e a biodiversidade.

Degradação dos ecossistemas: A poluição plástica interfere na cadeia alimentar, reduz a disponibilidade de luz e oxigénio para organismos fotossintéticos e afecta o ciclo bioquímico da flora marinha.

Aquecimento global: A produção e decomposição do plástico liberta gases de efeito estufa, contribuindo para o aquecimento global.

Problemas respiratórios: A queima de plástico libera gases tóxicos que podem causar irritações na pele, náuseas, dores de cabeça e agravar doenças respiratórias, como a asma.

Doenças cardíacas: A exposição a poluentes liberados na queima de plástico pode aumentar o risco de doenças cardíacas.

Impactos no sistema endócrino: Algumas substâncias químicas presentes nos plásticos podem interferir no sistema endócrino, afectando o equilíbrio hormonal e contribuindo para o desenvolvimento de obesidade e distúrbios metabólicos.

Contaminação da cadeia alimentar: Animais marinhos e terrestres consomem plástico, que pode entrar na cadeia alimentar humana, acumulando-se em tecidos e órgãos.

Emaranhamento e asfixia: Animais marinhos e aves podem se emaranhar em plástico, levando à asfixia ou morte por afogamento.

Ingestão de plástico: Animais podem confundir o plástico com alimento, causando bloqueios no trato digestivo, fome e desnutrição.

O coordenador da Anjo da Guarda, André Zuada, disse que vai continuar a recolher o lixo de forma a minimizar este “impacto [negativo] causado pelo Homem”.

“Conseguimos [avaliar] que as comunidades percebem a importância de Conservar o meio ambiente. Por exemplo, na campanha de plantio de árvores na nova zona de expansão no Ramos – Eduardo Mondlane, os munícipes aderiram-na massivamente, explicou o coordenador da Anjo da Guarda.

 

Contra lixo

A poluição plástica ou poluição por plástico é o acúmulo de objectos e partículas provenientes de plásticos, por exemplo, garrafas, sacolas e microesferas no meio ambiente da Terra que afecta negativamente os seres humanos, a vida selvagem e o seu ‘habitat’. Os plásticos são baratos e duráveis, tornando-os muito adaptáveis para diferentes usos; como resultado, os fabricantes optam por usá-los em vez de outros materiais. No entanto, a estrutura química da maioria dos plásticos os torna resistentes a muitos processos naturais de degradação. Juntos, esses dois factores permitem que grandes volumes de plástico entrem no meio ambiente como resíduos mal administrados e que persistem no ecossistema.

O coordenador distrital da Safeguard Planet, Mairosse Mairosse fala de insuficiência de gestão de resíduos sólidos e contentores em locais estratégicos em Nhamatanda.

“Como advogados do meio ambiente vimos a responsabilidade de fazer diferente neste distrito [limpando], não só esperar do município de Nhamatanda. “Que a comunidade abrace esta causa de deixar o nosso planeta limpo”, chamou atenção o coordenador da Safeguard Planet.

Nhamatanda precisa de redução do consumo de plásticos descartáveis, como sacolas plásticas, copos, talheres, garrafas e embalagens descartáveis.

Optar por alternativas reutilizáveis: Utilizar sacolas de tecido, garrafas de água reutilizáveis, recipientes de armazenamento de alimentos reutilizáveis, e evitar o uso de copos, pratos e talheres descartáveis.

Reciclar correctamente: Separar o lixo reciclável e garantir que os materiais plásticos sejam descartados para a reciclagem.

Comprar a granel e evitar embalagens: Priorizar a compra de alimentos e produtos a granel, evitando embalagens plásticas desnecessárias.

Estar atento aos microplásticos: Evitar o uso de cosméticos com microesferas de plástico e utilizar filtros de microfibra ao lavar roupas para reduzir a libertação de microplásticos no meio ambiente.

Apoiar iniciativas locais: Pesquisar e apoiar iniciativas de reciclagem e combate à poluição plástica na sua comunidade.

Conscientizar e educar: Compartilhar informações sobre a poluição plástica e incentivar outras pessoas a adoptarem práticas mais sustentáveis.

Reutilizar e reciclar itens de plástico: Antes de descartar, avaliar se o ‘item’ pode ser reutilizado de alguma forma ou destinado à reciclagem.

O Dia Mundial da Limpeza oferece ao mundo a oportunidade de empreender esforços de limpeza em todo o planeta.

Contudo, “Seja os 5% que transformam o mundo”, que não sirva apenas como lema a entoar na sua comunidade. Quando pelo menos 5% da população adere a uma nova prática, essa mudança pode se espalhar como norma social. (Muamine Benjamim).

Dondo remove cerca de 5 toneladas no Dia Mundial de Limpeza

Estima-se que mais de cinco toneladas de lixo foram recolhidas no último sábado, na localidade de Mútua, distrito do Dondo, província de Sofala, durante a campanha do Dia Mundial de Limpeza, numa acção conjunta promovida pelo Governo Provincial em parceria com Parque Nacional da Gorongosa e outras Organizações Não-Governamentais.

A iniciativa juntou moradores, Governo, parceiros, líderes comunitários, estudantes e organizações da Sociedade Civil, com objectivo de melhorar as condições de higiene e reduzir os riscos ambientais causados pelo acúmulo de resíduos.

Em um dia, foram removidos plásticos, vidros, restos de construção e outros tipos de lixo que colocavam em risco a saúde pública e o meio ambiente., evento testemunhado pela directora provincial do Desenvolvimento territorial e Ambiente de Sofala, Beatriz Dias.

Na ocasião, a directora provincial do Desenvolvimento Territorial e Ambiente de Sofala, Beatriz Dias, destacou a importância da participação massiva da população onde a efeméride vem ganhando destaque, envolvendo milhões de cidadãos. “Cada um de nós tem a responsabilidade de manter nossa casa, bairro, zona, país e província limpos.” Ao fazer isso, estaria a evitar doenças e outros problemas derivados do lixo.

“É essencial educar as crianças sobre como gerir o lixo correctamente, ensinando desde cedo a importância da separação e reutilização baseado no processo de organizar o lixo plástico, metálico e orgânico, e até mesmo criar oportunidades de reciclagem”. Devendo passar por adoptar os métodos de “3R: Reduzir, Reciclar e Reutilizar.”

O supervisor distrital de educação ambiental do PNG e Dondo, Valdemiro Ozobra, destacou os riscos do lixo inorgânico e apelou à mudança de comportamento.

“A actividade de limpeza deve virar hábito nas nossas casas, mercados e em qualquer local onde é possível a vida humana”, sublinhando que o lixo é um vetor de doenças e pode gerar benefícios económicos. “Já é comercializado e não há motivo de o lixo plástico estar disperso, há necessidade de recolher e dar o seu devido destino”, garantiu que tem valor económico e pode ser reaproveitado, sendo comprado por fábricas no distrito do Dondo para transformação.

Vários participantes partilharam a sua satisfação e consciência sobre a importância de manter os espaços limpos e tratar o lixo de forma adequada.

Palmira Pacule afirmou estar muito feliz com o trabalho desenvolvido, sublinhando que “quando negarmos fazer limpeza na zona ou nos bairros, iremos provocar muitas doenças. O que devemos é prevenir e manter limpos locais como mercados, hospitais, bairros e comunidades”.

“O plástico deve ser deixado separado, o lixo de manga e comida pode servir de estrume, as garrafas devem ser separadas, e ao deitar não se joga no mesmo sítio, para prevenir doenças como cólera, diarreia e mosquitos”, disse a residente de Mutua, Palmira Pacule.

Domingos Simbe, outro residente de Mutua, referiu que a limpeza trouxe novos ensinamentos. “Aprendemos que cuidar do lixo é varrer, guardando no saco e, se for garrafa, podemos vender, enquanto outro tipo de lixo serve de adubo para as machambas ou campos de produção agrícola”, disse. (Narcísio Cantanha).

 

Técnica de farmácia enfrenta processo-crime por desvio de medicamentos em Gorongosa

Rosilene António de 27 anos de idade, técnica da farmácia, actualmente desempenhando a função de fiel de depósito de medicamentos há 3 anos no distrito de Gorongosa, está detida desde dia 19 de setembro de 2025, depois de interpelada pela Polícia da República de Moçambique (PRM) na posse de uma quantia significativa de medicamentos diversificados.

Trata-se de seis frascos de Fluconazol  de quinhentas cápsulas, 75 frascos de azitromicina suspensão, 100 caixinhas de doxiciclina que contém 10 lâminas de comprimidos cada, 10 frascos de Cotrimoxazol, 80 frascos de depo-medrol, e 90 lâminas de Coartem. São medicamentos usados para combater a malária, combater infecções do tracto urinário, infecções de pele, diarreias, pneumonia, micoses, infecções do trato respiratório e cólera, entre outros, portanto doenças que preocupam Gorongosa.

Os hospitais não têm medicamentos por conta de acções como as de desvio. O problema é antigo, mas as denúncias são raras.

Em tribunal, a acusada confirma o facto e alega ter feito por conta das necessidades que tem passado, e por desespero optou no desvio dos medicamentos.

Os fármacos são do sistema nacional de medicamentos.

O difícil ainda é concluir se este crime envolve outros agentes (rede). Neste caso, como saiu o medicamento do depósito, quem compraria e como seria para o comprador até chegar ao doente aflito. Afinal, os hospitais ficam sem medicamentos, enquanto as farmácias têm à venda, sempre.

O julgamento estava marcado para ontem, terça-feira, mas o dossier passará a ser um processo comum por causa da complexidade do caso, deixando assim para uma data a anunciar.

Mesmo assim, Rosilene António alegou que não existem terceiros envolvidos nessa acção. Os medicamentos seriam vendidos a terceiros, disse a jovem de 27 anos, acrescentando que não tinha ainda nenhum cliente., sendo a primeira vez neste tipo de crime.

A mãe de bebé, entre choro e olhar triste, arrepende-se desta atitude.

Este é um assunto que pode envolver chefes.

Por causa da complexidade do caso e questões de segurança, o juiz presidente do tribunal judicial do distrito de Gorongosa, Benedito Marques, decidiu que a acusada deve continuar detida até que se reúnam elementos suficientes para o julgamento e a decisão final do caso, sem direito a liberdade condicional.

Benedito Marques é o mesmo juiz que leu a sentença do edil de Gorongosa, Sabete Morais, condenando-o à pena de quatro meses de prisão e multa de dois meses, e o antigo vereador das Finanças, Zeca Manuel José – três meses de prisão e multa de dois meses, respectivamente esta última computada em taxa diária de 200 meticais, por ter ficado provado o abuso de cargo ou função”. (Ana Cleta e Muamine Benjamim).

Gorongosa leva palestra para comunidade de Nhaufo sobre protecção de abutres

O Parque Nacional de Gorongosa (PNG) levou palestras na protecção de abutres na comunidade de Nhaufo, distrito de Dondo, envolvendo dezenas de crianças.

O encontro que juntou mais de 40 crianças visava explicar os alunos a importância do animal na natureza e especialmente para a Gorongosa e respectiva Zona de Desenvolvimento Sustentável.

Os abutres, são aves necrófagas que se alimentam de animais mortos em decomposição, são fundamentais para a saúde pública e para o equilíbrio ambiental.

Na ocasião, o supervisor de Educação para Conservação do PNG, Valdemiro Ozobra, garantiu que presença do abutre evita a propagação de doenças nas comunidades.

“Quando um animal morre perto de um rio e entra em decomposição, a chuva pode arrastar aquela sujidade para a água que a população consome. Isso pode provocar diarreias e outras infecções”. O abutre faz a limpeza natural e impede esse risco.

O supervisor de Educação para Conservação do PNG, destacou que a redução da ave na comunidade e florestas resulta das acções humanas.

“O envenenamento de carcaças, as queimadas descontroladas e o abate de árvores têm contribuído para diminuir drasticamente os abutres. Infelizmente, muitas vezes eles acabam por morrer quando a intenção era afastar outros animais”, afirmou.

Para Ozobra, a protecção desta espécie é também uma forma de proteger a própria população. “Proteger o abutre é proteger a nossa saúde, eles eliminam as carcaças e evitam doenças”. Sem estas espécies o risco para a comunidade aumenta muito.

Igualmente, o pedagógico da Escola Primária de Nhaufo, Arnaldo Dause, destacou o papel da educação da conservação nas escolas, comunidades como forma de dar resposta sobre a preservação das espécies, porque muitas delas estão em risco de extinção.

“O caso do abutre é um exemplo concreto, a comunidade deve reflectir sobre as suas acções em relação à fauna, pois o abate descontrolado dos animais poderá trazer enormes dificuldades às gerações vindouras”.

O sector da Educação, em colaboração com o PNG, procura sempre transmitir esta mensagem, incentivando as comunidades a reflectirem para garantir o bem-estar das futuras gerações.

Durante a iniciativa, os alunos demonstraram compreensão de como proteger o abutre, segundo Rocha João, aluna da 6ª classe, de 15 anos:

“Aprendemos como preservar o abutre, que é uma espécie que nos protege das doenças porque se alimenta de animais mortos. Para evitar que ele morra, não devemos fazer queimadas descontroladas, nem cortar árvores ou envenenar animais mortos”

A actividade reforçou a importância da educação ambiental na formação de cidadãos conscientes, capazes de proteger espécies em risco e o meio ambiente. (Narcísio Cantanha).

EXTRACÇÃO ILEGAL DE RECURSOS FLORESTAIS: Ministro de agricultura no tribunal de Chemba

O actual ministro da Agricultura, Ambiente e Florestas, Roberto Mito Albino, está no centro de um escândalo de exploração ilegal de madeira em Chemba, província de Sofala. A Procuradoria Distrital acusa-o de ter ordenado à empresa Ecofarm Moçambique, Lda., de capitais estrangeiros, o corte de 18 metros cúbicos de madeira, numa área de 50 hectares da sua concessão de 500 hectares.

Segundo a Procuradoria, o acordo firmado entre o então concessionário e a Ecofarm constitui crime ambiental, ao abrigo do artigo 77 da Lei n.º 17/2023, de 29 de Dezembro, uma vez que nenhuma das partes possuía licença de corte. Como consequência, a Agência Nacional para o Controlo de Qualidade Ambiental (AQUA) aplicou à Ecofarm uma multa de 1,2 milhão de meticais. A empresa, porém, contesta a decisão, defendendo que a responsabilidade cabe ao proprietário da concessão – o próprio ministro – que teria autorizado o abate.

Roberto Albino, a Ecofarm e outros arguidos respondem em tribunal por crime de extracção ilegal de recursos florestais, punível com penas que variam entre 12 e 16 anos de prisão. Num despacho de 4 de Julho de 2024, a Procuradoria Distrital de Chemba declarou não ter conseguido ouvir Albino, alegando que as chamadas feitas para os seus contactos eram atendidas por terceiros que negavam conhecê-lo.

A polémica ganhou novo fôlego em Julho deste ano. A 21 de julho, apenas uma semana antes da data inicialmente marcada para o julgamento (29 de Julho), o ministro determinou a cessação de funções de Ermelinda Maquenze, então directora dos Serviços Provinciais de Ambiente de Sofala. Foi ela, como directora, que ordenara a apreensão da madeira e desencadeara o processo-crime. A proximidade temporal entre a exoneração e o julgamento levanta suspeitas de retaliação política e lança dúvidas sobre a imparcialidade do processo.

O contrabando de madeira em Moçambique é altamente referido como um negócio que envolve indivíduos politicamente expostos e com o poder de influência sobre as instituições do Estado, o que as tornam incapazes de agir contra eles. Este caso é exemplo de como a PDR de Chemba foi incapaz de localizar e ouvir o director geral da Agência de Desenvolvimento do Vale do Zambeze, actual ministro da Agricultura, Ambiente e Pesca, cuja instituição está localizada em Tete, mas com delegação provincial em Sofala.

O CIP teve acesso a dezenas de documentos, cuja autenticidade foi aferida, que permitiram produzir esta investigação. Igualmente, realizou algumas entrevistas com pessoas envolvidas no caso para obter melhor informação e esclarecimentos adicionais.

Como tudo iniciou?

O documento do CIP assinado por Lazaro Mabunda, expõe que em fevereiro de 2024, Roberto Albino solicitou os serviços da EcoFarm Moçambique, Lda, para o desmatamento de apenas 50 hectares de um total de 500 hectares no distrito de Chemba para os quais possuía um Direito de Uso e Aproveitamento de Terra (DUAT), na província de Sofala. Alegou que no espaço restante queria construir um acampamento de um campo agrícola que iria abrir futuramente. A EcoFarm aceitou a proposta e sugeriu que o espaço fosse atribuído às comunidades para produção agrícola, uma vez que estavam a passar por crise alimentar. As árvores que seriam derrubadas seriam usadas para a produção de carvão para reduzir a crise alimentar devido ao fenómeno El Nino.

A Ecofarm, uma empresa vocacionada à produção e comercialização de cana e outros produtos agrícolas, contactou a empresa TCT Indústria Florestal (TCT IF), uma empresa de exploração florestal, para esta cortar e quantificar a madeira com valor comercial para posteriormente exportá-la dado que tinha licença de exploração florestal, diferentemente da Ecofarm e Roberto Albino.

Em audição, a 14 de março do ano passado, na Procuradoria Distrital de Chemba, em Sofala, Albano Leite, um dos administradores da Ecofarm, declarou que “o senhor Roberto Mito pediu a EcoFarm para adiantar a limpeza numa área de 50 hectares para a montagem de um acampamento para trabalhos agrícolas”.

A 27 de fevereiro, o plano de desmatação dos 50 hectares para a produção de carvão e plantio de feijão foi apresentado, em carta, ao administrador e ao director dos Serviços Distritais das Actividades Económicas (SDAE) do distrito de Chemba.

Quatro dias depois, a 3 de março, justamente num domingo, ainda sem autorização do governo distrital, a Ecofarm iniciou os trabalhos na concessão de Roberto Albino. O trabalho consistia na “limpeza do mato e na cubagem e enumeração dos pedaços”.

No quinto dia, 8 de março, os fiscais da AQUA foram à concessão de “Dr. (Roberto) Albino, interromperam a operação e confiscaram o equipamento da Ecofarm” constituído por quatro motosserras e um tractor, refere uma carta da Ecofarm enviada ao delegado da AQUA em Sofala. Na mesma carta, a Ecofarm diz que lhe foi aplicada uma multa de 1.275.475 MT por extracção ilegal de recursos florestais.

 

“A Ecofarm apenas disponibilizou meios ao Dr. Albino”

Em carta onde pede que se reconsidere a multa, a Ecofarm contesta a penalização sob argumento de que “as actividades foram conduzidas dentro da concessão do Dr. (Roberto Albino” e não nas suas concessões, razão pela qual defende que a multa deve ser aplicada ao dono da concessão, que é quem ordenou o corte da madeira e a desmatação dos 50 hectares.

E atira a culpa para o concessionário que pediu a limpeza dos 50 hectares da sua concessão: “A Ecofarm apenas disponibilizou as ferramentas e os meios ao Dr. Albino”.

A Ecofarm reconhece, na mesma carta, que “Dr. Albino deveria ter obtido a licença de corte e desmatamento dentro da sua concessão” e finaliza que “instruímos do Dr. Albino a encetar o contacto imediato com as autoridades provinciais” e pede o cancelamento da multa, sob justificação de que a empresa estava a atender a uma “situação de emergência” visando apoiar as comunidades assoladas pela fome, que já se estavam a alimentar da sua cana-de-açúcar.

“Entendemos que o Dr. Albino irá de imediato seguir os procedimentos legais emanados pela AQUA para que esta acção social possa ser concluída o mais breve possível”, refere a carta da Ecofarm.

 

Projecto diferente do que foi apresentado ao governo distrital

O argumento de fome para o corte ilegal da madeira é antigo e geralmente envolve operadores furtivos e empresários nacionais e estrangeiros sem concessões florestais ou com concessões florestais, mas sem licença de corte de madeira. Estes empresários convencem as comunidades locais a efectuarem o corte de madeira para posteriormente a venderem a preços acessíveis a quem detém licença, geralmente cidadãos chineses.

Aliás, em junho de 2018, a TCT IF foi das poucas empresas que obteve licenças para recuperar diversa madeira preciosa e com valor para exportação, abandonada por operadores furtivos. Na altura, o director da TCT IF, James White, recebeu das mãos do ministro da Terra Ambiente e Desenvolvimento Rural, Celso Correia, um “Certificado de Exportador”, que autorizava esta empresa a exportar madeira de espécies nativa. A decisão permitiu a TCT IF recuperar muita madeira desperdiçada por piratas.

“O chanate preto e mopani são espécies que durante muitos anos foram derrubadas ineficientemente, daí a existência de enormes quantidades de troncos e cepos não processados abandonados no terreno, criando um impacto ambiental muito negativo”, acrescentou Rui Amaral, director-adjunto da TCT-IF, nessa altura.

O pedido do então director da Agência do Desenvolvimento do Vale do Zambeze, actual ministro da Agricultura, Ambiente e Pesca, Roberto Albino, está dentro do quadro de argumentação que tem sido apresentada sobre madeira supostamente cortada e abandonada pelos furtivos, que depois é atribuída a empresas licenciadas para exportação. Aliás, Cândido Patrocínio Zeca, director do SDAE de Chemba, disse, em audição na PDR, que: i) no projecto não vinha especificado que iriam proceder com o corte de madeira numa área diversa da mencionada, concretamente na área do “senhor Roberto Mito”, com DUAT, mas “sem licença de derrube”, ii) o projecto que lhes foi apresentado diverge do que foi encontrado no terreno, e iii) quando os trabalhadores da Ecofarm e da fazenda TCT IF foram flagrados declararam que iriam usar a parte dos ramos das árvores para produzir carvão, “entretanto não foi encontrado nenhum indício no local”.

O outro elemento indiciário de que se teria usado a fome como argumento para a exploração de madeira é a contradição entre a justificação apresentada pelas empresas que efectuaram os cortes e as declarações das autoridades locais.

Por exemplo, a Ecofarm afirma, na sua carta, que os cortes ou desmatação foram realizadas pela população que “estava motivada pela iniciativa e tínhamos motivos para acreditar que seriam capazes de ter o material para depois produzir carvão num curto espaço de tempo e assim obterem algum rendimento para se alimentarem”. No entanto, esta justificação não apenas contrasta com o que as autoridades governamentais constataram no terreno, de que não existia indícios de que seria produzido carvão, como também com o Despacho de Acusação Pública da Procuradoria Provincial de Sofala, que refere que “feitas as investigações preliminares, os indivíduos surpreendidos a procederem o corte de madeira esclareceram que faziam parte das duas empresas, nomeadamente a Ecofarm Moçambique Limitada e a TCT – Floresta Industrial (Fazenda de Bravios TCT – Catapú), representados por Rademan Janse Van Rensburg e James Anthony White, de nacionalidades sul africana e inglesa, respectivamente.

O contra-argumento das autoridades governamentais de Chemba é consistente com a justificação da TCT IF, de que os troncos cortados seriam utilizados por si para “recuperar os custos directos e para apoiar uma encomenda de exportação, eliminando assim a necessidade de derrube de árvores adicionais em outras áreas”. Na mesma carta, a TCT IF assume que após a verificação iria pagar uma taxa, uma licença concedida para a extracção, transporte e eventual exportação de um produto acabado. Ou seja, a TCT IF assume, desta forma, que a intenção era posteriormente comercializar a madeira.

Em termos concretos, não havia, no terreno, população a realizar cortes, senão trabalhadores das duas empresas. Da acusação pública da Procuradoria Provincial consta que os arguidos aceitaram que praticaram ilícitos criminais, mas defendem-se que o fizeram porque foram contactados por Roberto Mito Albino, através do seu intermediário, Xadreque Muanza.

“Os arguidos, nas suas respostas (…), aceitam a prática de ilícito criminal, defendendo Rademan Janse Van Rensburg. Afirmam que foi o senhor Xadreque Muanza, intermediário do senhor Roberto Mito Albino, director geral da Agência de Zambeze, que os solicitou para fazer limpeza de 50 hectares a ele pertencentes”, lê-se na acusação do processo.

O outro elemento é que a Ecofarm, sem licença de corte e exportação de madeira, à semelhança do concessionário Roberto Albino, contactou a TCT IF, representada por James Anthony White, para operacionalizar a “limpeza”. Prova disso é a audição de Albano Leite, na PDR, que declarou que “fazendo a limpeza, cortaram árvores que não sabiam do seu valor (comercial), mas tinham como parceiro a TCT, uma empresa que entrou nessa actividade de desmatação, e estes ficariam com a parte comercial da madeira. A Ecofarm, junto do governo local, iria juntar a parte (de madeira) que não serve para o comércio e produzir carvão para a comunidade”. Ou seja, a TCT é detentora de licença e, por isso, é contactada no negócio para permitir o transporte e comercialização da madeira sem qualquer constrangimento.

Outra madeira cortada e cubicada estava coberta de capim para não ser vista pelos fiscais, conforme se pode ver na foto abaixo.

A quantidade de madeira cortada é superior a 10m3, segundo declarações de Cândido Patrocínio Zeca, director do SDAE de Chemba. No primeiro acto de apreensão, os fiscais distritais efectuaram, a 8 de março, a cubicagem de madeira, o que resultou em erro de apuramento de 10m3. No entanto, a 9 de março, uma equipa de fiscais de nível provincial foi ao local realizar novas medições e o resultado foi de que a quantidade de madeira cortada “estava acima de 10m3.

As quantidades reais cortadas correspondem a 18,4 m3, dos quais 16.3 m3 de chanate e os restantes 2.2 m3 de mecungo, segundo consta do auto de notícia da AQUA, datada de 8 de março de 2024, assinada por Albano Leite e Alberto Remane, da AQUA. Cândido Patrocínio Zeca assina como testemunha.

 

Procuradoria declara não ter conseguido localizar Roberto Mito Albino

A PDR de Chemba declarou não ter conseguido localizar Roberto Mito Albino para ser notificado.

Em certidão narrativa, o escriturário judicial comunica à PDR ter cumprido, a 3 de junho de 2024, com todas as formalidades legais, emitindo uma notificação ao Roberto Mito Albino, director geral da Agência do Zambeze e contactando-o telefonicamente pelos seus respectivos dois números, mas sem sucesso: “…não foi possível notificar o cidadão acima citado por via telefónica porque a pessoa com quem entrei em contacto (…) disse não conhecer o cidadão acima citado e que houve engano no número”.

No dia seguinte, 4 de junho, a PDR comunicou ter realizado diligências no sentido de “notificar o cidadão Roberto Mito Albino de modo a fornecer a sua localização à procuradoria” para o envio da carta precatória para possibilitar a sua audição em torno do caso.

O escriturário judicial escreveu à PDR que entrara em contacto com Xavier Muanza para obter a localização exacta de Roberto Mito Albino. Em resposta, Xavier Muanza, intermediário de Roberto Albino no processo de limpeza dos 50 hectares, disse “por ser uma pessoa na qualidade de director geral da Agência do Zambeze, primeiro tenho que entrar em contacto com o senhor Roberto Mito (Albino) para ver se pode autorizar as informações pertinentes e posteriormente daria a resposta”.

O tempo foi passando e a resposta de Xavier Muanza após o contacto com Roberto Albino não chegava à PDR: “…tentei entrar em contacto de novo, mas sem sucesso”, lê-se na informação partilhada à PDR pelo escriturário judicial.

O processo foi remetido à Procuradoria Provincial e posteriormente ao Tribunal Judicial da província de Sofala, sem que Roberto Albino tivesse sido ouvido.

 

Quem é Xadreque Muanza, intermediário de Roberto Mito Albino?

Xadreque Muanza foi delegado provincial da Agência de Desenvolvimento do Vale do Zambeze (AdZ), na província de Sofala, até junho de 2023, altura em que foi indicado Charles Parreirão em sua substituição.

A partir de junho de 2023, Xadreque Muanza passou a desempenhar a função de Coordenador de Monitoria e Avaliação da mesma instituição.

 

Penas podem chegar a 16 anos de prisão

Na acusação, a PDR de Chemba confirma que “o indivíduo de nome Roberto Mito Albino tem, de facto, o DUAT provisório, mas nos autos não apresenta licença de exploração de madeira”. Ademais, acrescenta: “a quantidade de madeira apreendida e as declarações de Rademan Rensburg sugerem que a madeira era para a produção de carvão, que não era destinada para o consumo próprio”.

Para a procuradoria, a conduta praticada pelos envolvidos suscita a concretização do crime de extracção ilegal de recursos florestais, cuja moldura penal varia de 12 a 16 anos.

Coincidência ou articulação de argumentos?

O julgamento deste caso tinha sido marcado pelo Tribunal Judicial da Província de Sofala (6a secção criminal) para 15 de abril, mas a data viria a ser alterada para 17 de julho. Curiosamente, no dia 16 de julho, um dia antes do início do julgamento, Cândido Patrocínio Zeca, director do SDAE de Chemba, que foi responsável pela apreensão e a abertura do processo-crime contra os infractores, solicitou o adiamento do julgamento para a partir de 29 de julho. Cândido Zeca justificou o pedido por “razões de saúde e aliado à falta de dinheiro para custear as despesas com o transporte e acomodação na cidade da Beira”. Disse ainda, na carta de pedido de adiamento, que ele ainda não tinha “salários por se estar ainda no meio do mês”

Justamente no mesmo dia, 16 de julho, James Anthony White, gestor de empresa TCT – Florestal Industrial, que supostamente deveria usar a sua licença para o transporte e comercialização da madeira, também manifestou, em carta, a sua impossibilidade de estar presente no julgamento com argumentos semelhantes aos de Cândido Patrocínio: problemas de saúde e de transporte para a Cidade da Beira.

James Anthony White disse que estava a “enfrentar problemas de saúde com constantes febres e tensão alta”, o que o obrigava ao repouso, por recomendação médica. Mas também havia problemas de transporte do distrito de Cheringoma para a cidade da Beira, devido às distâncias aliadas aos problemas de saúde. Ele teria de recorrer ao comboio, o que o levaria a chegar à Beira por volta das 12 horas, quando o julgamento iniciava às 9 horas. Com viatura particular teria de conduzir durante 12 horas em estradas degradadas, o que poderia agravar os seus problemas de saúde.

Um outro dado importante é que não só os dois documentos deram entrada no mesmo dia, como também em horas seguidas, daí possuírem também números seguidos. O primeiro documento a ser recebido no tribunal foi de Cândido Patrocínio Zeca, tendo sido atribuído o número 535, e a seguir foi de James Anthony White, ao qual foi atribuído o número 536.

A coincidência de datas de submissão de pedidos, os números seguidos atribuídos pela recepção dos documentos pelo tribunal e os argumentos de saúde e de transporte para solicitar o adiamento, podem sugerir que houve articulação entre o director do SDAE, que vai ser testemunha no processo, assim como o arguido James White.

Cândido Patrocínio Zeca é hoje, na qualidade de director distrital do SDAE, subordinado de Roberto Mito Albino, ora ministro de Agricultura, Ambiente e Pesca, o que pode estar, não apenas a criar desconforto e medo de testemunhar contra o seu superior hierárquica, como o receio de represálias após o julgamento. É que quando Cândido liderou o processo, em defesa do Estado, em fevereiro de 2024, Roberto Mito Albino era director geral do Agência do Desenvolvimento de Zambeze e não ministro.

Neste contexto, a transparência do julgamento deste processo pode estar em causa, dada a posição ocupada actualmente por Roberto Mito Albino e a sua relação de subordinação com Cândido Patrocínio.

 

Vingança? Roberto Albino manda cessar directora Provincial de Sofala

O Julgamento do caso de corte ilegal da madeira estava marcado para 29 de julho do ano em curso. Oito dias antes (21 de julho), Roberto Mito Albino mandou cessar funções à diretora dos Serviços Provinciais do Ambiente de Sofala, Ermelinda Xavier Maquenze, com a justificação de que a decisão pretende “imprimir maior dinâmica no cumprimento dos objectivos e metas do sector, tendo em vista os desafios da nova governação”. Para o seu lugar nomeou Maquias dos Santos Miguel Cornélio Chiutano, que exercia as funções de chefe do Departamento de Florestas e Plantações Agroflorestais nos Serviços Provinciais do Ambiente de Manica.

Aquando da apreensão da madeira ilegalmente cortada na concessão de Roberto Albino, Ermelinda Xavier Maquenze, na qualidade de directora dos Serviços Provinciais de Ambiente de Sofala, mandou uma equipa de fiscais provinciais para irem avaliar a quantidade, o tipo e o valor da madeira cortada. Os fiscais concluíram que a madeira era superior a 10 m3 (foram 18.4m3), conforme as declarações de Cândido Patrocínio, director de SDAE de Chemba, na PDR e no auto de notícia da AQUA.

A destituição de Ermelinda Maquenze, em vésperas de julgamento, poderá levantar suspeitas de se tratar de vingança do actual ministro.

O negócio de corte ilegal de madeira tem sido uma das maiores preocupações de Governo desde os tempos de governação de Joaquim Chissano até hoje. Paradoxalmente, estes negócios sempre envolveram figuras com ligações políticas à governação, quer como actores principais, quer como facilitadores do negócio. O caso de corte de madeira sem licença na concessão do actual ministro de Agricultura, Ambiente e Pesca, com o argumento de que se pretendia reduzir a crise alimentar, é mais um, dentre vários casos, que envolvem empresas de capital estrangeiro e figuras políticas moçambicanas.

Elementos da elite política no poder usam da sua influência para explorar ilegalmente os recursos florestais para benefícios individuais dentro de um Estado em crise financeira há décadas. São milhões de meticais que o Estado, fragilizado pelas respectivas elites, perde a favor destes indivíduos.

Roberto Albino, hoje ministro, é acusado de ordenar corte ilegal de madeira em Chemba. A acção viola a Lei 17/2023, além de configurar crime de extracção de recursos florestais (Lei 05/2017). A falta de audição de Roberto Albino, com a alegação de que não foi possível localizá-lo, representa exemplo da fraqueza do Estado em relação às elites governantes.

Enquanto arguido, o ministro exonerou a responsável provincial que esteve a orientar o processo e apreendeu a madeira, o que gera suspeitas de interferência.

O caso de Chemba expõe uma contradição grave: um governante acusado de ordenar corte ilegal de madeira, em clara violação da legislação ambiental, ao mesmo tempo em que exerce funções de tutela sobre o sector. A dificuldade da Procuradoria em localizá-lo, aliada à destituição da funcionária que liderou a apreensão, levanta sérias dúvidas sobre a independência das instituições e o risco de captura do Estado por interesses privados. O desfecho judicial deste processo será, por isso, um teste à credibilidade do sistema de justiça e ao compromisso de Moçambique com a boa governação e a gestão sustentável dos seus recursos naturais. (CIP).

 

 

 

Chegada da Aman a Karingani e Pomene marca nova era para o turismo de luxo em Moçambique

A Aman, marca líder mundial em hotelaria e estilo de vida, marca a sua estreia em Moçambique através de uma parceria inovadora com a Impact Preservation Partners (IPP), na Karingani Game Reserve e na Reserva Nacional de Pomene. Fiel ao espírito pioneiro da Aman, dois resorts únicos serão erguidos na Karingani Game Reserve e na proposta Reserva Nacional de Pomene, visando redefinir o turismo de alto nível em Moçambique, consolidando o país como um destino de turismo de luxo.

A Karingani Game Reserve, que se estende por 150.000 hectares e partilha 84 quilómetros de fronteira com o icónico Parque Nacional do Kruger, oferece um ecossistema diverso e de grande valor. A dimensão única deste ambiente permite que Karingani rivalize com alguns dos destinos de safári mais célebres de África.

A Reserva tem desempenhado um papel crucial na reabilitação ambiental, protecção, conservação da vida selvagem e desenvolvimento de infraestruturas comunitárias essenciais, tendo levado mais de 400 pessoas das comunidades vizinhas ao emprego e à criação de serviços básicos como abastecimento de água, energia, telecomunicações e transportes.

Estes êxitos estabeleceram as bases para que a Impact Preservation Partners e a Aman pudessem alargar o seu interesse pelo turismo baseado na natureza. A Reserva de Pomene, uma proposta de parceria público-privada, a ser regida por um acordo de co-gestão com a ANAC, abrange 695.000 hectares de ambiente marinho e terrestre. Os 97.000 hectares de terreno terrestre incluem zonas húmidas costeiras preservadas, florestas indígenas, mangais e habitats estuarinos, todos destinados a acolher um hotel Aman único no seu género.

Representando um passo autêntico para a marca, ambos os resorts irão promover o ecoturismo, contribuindo de forma significativa para o plano global de investimento combinado na Karingani e na proposta Reserva de Pomene, elevando a nação a uma posição de destaque como destino global de turismo de luxo.

Espera-se que os resorts criem mais de 600 empregos diretos e 4.800 empregos indirectos, tendo um impacto substancial na economia local e nacional.

Além disso, o efeito transformador deste projeto já se faz sentir, com um programa de formação de 46 membros das comunidades locais de Karingani na South African College for Tourism. As comunidades circundantes à Karingani já beneficiam das infraestruturas recentemente estabelecidas. Este amplo plano de investimento monumental foi possível graças ao inabalável apoio do Governo de Moçambique, que tem promovido activamente políticas de proteção ambiental e conservação da vida selvagem, tornando estas reservas destinos de referência para investimentos em turismo de natureza de baixo impacto e elevado valor, sob a gestão da Reserva de Fauna de Karingani e da Reserva Marinha de Pomene.

Com a chegada da Aman a Moçambique, particularmente a Karingani, será a segunda localização da AMAN em África, após Amanjena, localizada na cidade de Marraquexe, em Marrocos, protegida pela UNESCO, a nação está destinada a tornar-se num destino global de turismo de luxo. Com a esplêndida beleza natural do país, a diversidade e dimensão destes locais, e o reconhecido compromisso da Aman com a excelência, Moçambique está preparado para se tornar no destino preferido de viajantes exigentes. Mais detalhes sobre os resorts serão divulgados oportunamente.

A Karingani Game Reserve (KGR) está situada no sul de Moçambique e partilha limites com o Parque Nacional do Limpopo (PNL) e com o Parque Nacional Kruger da África do Sul (KNP). A Karingani Game Reserve (KGR) é uma reserva reconhecida como uma importante área de conservação ambiental para protecção da história e das espécies de mamíferos terrestres, empenhada em promover o turismo, a conservação, o desenvolvimento socioeconómico e em fomentar relações sólidas com a comunidade.

Actualmente, a KGR emprega acima de 423 pessoas, sendo 86.29% provenientes das comunidades vizinhas a Reserva nas províncias de Maputo e Gaza, onde está́ localizada, 11.11% Moçambicanos provenientes de outras províncias e os restantes 2.26% dos trabalhadores são de nacionalidade estrangeira. Karingani, que significa “contar estórias” em changana, refere-se a uma prática tradicional do povo local da região da reserva. A iniciativa Karingani é mais do que uma simples narrativa; ela evolui continuamente e é inspirada no espírito do respeitado contador de histórias que preserva tradições antigas. Este costume faz parte da cultura moçambicana, sendo valorizado e respeitado pelo projecto. A iniciativa combina essa rica herança cultural com a modernidade da África contemporânea, criando um ambiente inovador para o desenvolvimento do projecto.

A Reserva Nacional de Pomene é dotada de uma biodiversidade excepcional, que abrange uma combinação única de ambientes marinhos e terrestres. A reserva está localizada na costa sudeste de Moçambique, na província de Inhambane. O limite norte da reserva encontra-se aproximadamente 25 km a sudeste da vila de Vilanculos, ao sul do globalmente importante Arquipélago do Bazaruto, onde partilha a fronteira com o Parque Nacional do Bazaruto.

A Reserva Marinha de Pomene é o lar de uma vasta gama de espécies marinhas e, em particular, de megafauna marinha icónica, como tubarões-baleia, raias-manta, baleias-jubarte migratórias, cinco das sete espécies de tartarugas marinhas do mundo e uma das maiores populações remanescentes de dugongos no Oceano Índico Ocidental.

A Aman foi fundada em 1988 com a visão de construir uma coleção de retiros íntimos, oferecendo a hospitalidade discreta e calorosa de uma casa privada elegante. O primeiro hotel, Amanpuri (lugar de paz), em Phuket, Tailândia, introduziu o conceito e, desde então, a Aman expandiu-se para 35 hotéis, resorts e residências de marca, combinando serenidade e sofisticação, desde ambientes urbanos a locais remotos, em 20 destinos globais. A Aman possui um sólido portfólio de projetos futuros em construção.

Nos últimos anos, o Grupo Aman expandiu o seu estilo de vida para além dos limites dos seus refúgios, incluindo Aman Skincare (2018), linha de suplementos SVA (2020), Aman Fine Fragrance (2020), coleção prêt-à-porter The Essentials by Aman (2021), linha de cuidados de pele de alto desempenho Aman Essential Skin (2023) e Aman Interiors (2023), oferecendo mobiliário personalizado inspirado no mundo Aman.

Com a inovação como pilar da filosofia da marca, em 2020 a Aman lançou uma nova marca hoteleira, Janu – que significa “alma” em sânscrito. Janu oferece uma abordagem única à hospitalidade, em que a interação humana genuína, a expressão lúdica e o bem-estar social estão no centro da experiência. Janu visa equilibrar mente e coração e reacender a alma. Em março de 2024, abriu o primeiro hotel Janu, o Janu Tokyo, e vários outros hotéis Janu estão já em construção.

Gorongosa leva palestras para Inhaminga na protecção de abutres

O Parque Nacional da Gorongosa celebrou o Dia Mundial do Abutre no distrito de Cheringoma, com uma palestra na Escola Básica 3 de Fevereiro, na Vila de Inhaminga. A data é celebrada anualmente no primeiro sábado de setembro para consciencializar a comunidade sobre a importância ecológica dos abutres e os perigos de extinção que enfrentam.

A supervisora do Programa de Educação para a Conservação, em Cheringoma, Marta Chissico, destacou a importância dos abutres no meio ambiente, afirmando que eles ajudam a limpar o ecossistema e controlam a disseminação de doenças.

“Os abutres são aves muito importantes para o nosso meio ambiente. Eles ajudam a limpar o nosso ecossistema e a identificar locais onde há animais mortos”, disse Marta Chissico.

Marta Chissico alertou sobre as ameaças que os abutres enfrentam, como a caça ilegal e o envenenamento. Com isso, exortou a comunidade a não aderir às práticas que colocam em risco a existência dessas aves.

Os participantes da palestra mostraram satisfação com a iniciativa e agradeceram ao Parque Nacional da Gorongosa por celebrar essa data.

“Eu agradeço ao Parque Nacional da Gorongosa por celebrar esta data junto à comunidade. Agora aprendi muito e irei levar esta mensagem para os outros na comunidade”, avaliou Lázaro Constantino.

Eva Lourenço acrescentou que a celebração do Dia Mundial do Abutre ajuda a comunidade a perceber a importância dessas aves no meio ambiente. Afinal, “os abutres ajudam a fertilizar a terra e a limpar o nosso ecossistema”, disse.

A palestra contou com a participação professores, alunos da Escola Básica 3 de Fevereiro e comunidades em geral. (Manuel Gado).

“Ciclo de aprendizagem que segura uma caneta está segurando um futuro” – Gorongosa

São palavras do supervisor do Clube dos Professores e Clube da Rapariga do Parque Nacional da Gorongosa, Luscídio Luís Meque, durante a cerimónia do Dia Internacional de Alfabetização na Escola Primária 13 de Janeiro na vila sede de Muanza, em Sofala.

Para Luscídio Meque, a alfabetização é o processo de aprender a ler e escrever. Ou seja, é quando o adulto reconhece letras, forma palavras, lê frases e compreende regras da escrita. Essa etapa é essencial para a entrada no universo da linguagem escrita. “É aprender a se expressar, é aprender a conhecer os vossos direitos, é aprender a ter interesse com a educação. Cada criança, adulto, pai e encarregado de educação faz parte dessa aprendizagem.

“O ciclo de aprendizagem que segura uma caneta, também está segurando o seu futuro, que será muito brilhante”, disse Luscídio Meque, encorajando a alfabetização em Muanza.

Um dos programas introduzidos pelo governo de Moçambique é Alfabetização e Educação de Jovens e Adultos (AEA). Muanza não escapa.

A directora do Serviço Distrital de Educação, Juventude e Tecnologia (SDEJT), Materide Charia revelou que Muanza tem 13 Centros de alfabetização, seis núcleos pedagógicos de base e 31 turmas, somando 696 educandos, destes, 492 são mulheres em 2025, o que corresponde uma redução de 12,8% quando comparativamente a 2024 com 799 inscritos.

A cerimónia contou com alfabetizandos que descreveram o impacto da AEA, em Muanza.

“Nós, os analfabetizandos, estamos satisfeitos porque já estamos a ler e escrever os nossos nomes, nomes dos nossos filhos e familiares. Também, fazemos cálculos, reconhecemos os sinais matemáticos, os direitos, locais públicos, sinais que indicam locais perigosos, etc”, avaliou Isac Cabaço Bonde, em representação dos outros.

O Dia Internacional de Alfabetização celebrou-se sob o lema, “Promovendo a Alfabetização na Era Digital”.

A dança cultural, teatro e o plantio de árvores de sombra no recinto escolar – uma das características da Gorongosa na sua Zona de Desenvolvimento Sustentável não escaparam nas celebrações do Dia Internacional de Alfabetização. (João Cipriano).

Jornal Profundus

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