Entregues 34 bicicletas e kit de trabalho a Agentes Polivalentes da Saúde em Chemba

O Ministério da Saúde (MISAU) procedeu à entrega de 34 bicicletas e kits de trabalho a igual número de Agentes Polivalentes da Saúde (APS) do distrito de Chemba, província de Sofala. O material vai dinamizar as actividades.

O kit entregue inclui calculadoras, batas, lanternas, mochilas, capacetes de protecção, coletes e outros materiais essenciais para o desempenho das actividades dos agentes.

A cerimónia foi testemunhada pelo administrador do distrito, Bento Conde Zeca, que enalteceu o papel fundamental destes profissionais nas comunidades.

Na sua intervenção, Bento Zeca reconheceu os desafios enfrentados pelos APE‘s, sobretudo a falta de meios de locomoção, e sublinhou que esta entrega representa uma resposta concreta do Governo às necessidades identificadas. “Acreditamos que, com estes meios, as condições estão criadas para uma assistência mais eficaz e contínua nas comunidades”, frisou o administrador.

Os beneficiários desta iniciativa são dos postos administrativos do distrito, nomeadamente Chiramba, Catulene, Mulima, Chemba-sede, entre outros. Muitos deles percorriam longas distâncias a pé para prestar cuidados básicos de saúde, mas usam o material há quase três semanas.

“Antes, andávamos a pé, de casa em casa, para atender as comunidades”, lembra Marcelino Vaine, beneficiário de Catulene.

“Passávamos noites fora de casa. Hoje, estamos felizes por ter finalmente meios adequados para o nosso trabalho”, disse Tabita João Colaço Gimo, de Chiramba.

Esta entrega reforça o compromisso do Governo de Moçambique na melhoria da saúde comunitária e na valorização dos profissionais que actuam directamente junto das populações mais remotas. (Rosário Phoinde).

Jovens beneficiam de kits para gerar auto-emprego em Dondo

São 11 jovens que receberam kits de autoemprego, no distrito de Dondo, numa iniciativa do Governo em parceria com o programa Mahlahle – Terra dos Homens, com o objectivo de estimular iniciativas empreendedoras locais.

A cerimónia de entrega teve lugar na última terça-feira na zona autárquica e foi dirigido pelo director dos Serviços Distritais das Actividades Económicas (SDAE), Miguel Rebeca, em representação do Governo do Dondo.

São jovens de entre 18 e 30 anos que receberam máquinas completas de corte e costura, como forma de criar oportunidades de geração de renda.

“O projecto tem um compromisso com as comunidades em melhorar a vida de muitos jovens e garantir que tenham ferramentas para o auto-emprego. Há jovens que vivem no interior e as prioridades provavelmente não seriam estas, queremos que seja do vosso alcance ajudar estas famílias”, disse Miguel Rebeca, na entrega do material.

Segundo o gestor provincial da Mahlahle, Adriano Maringula, disse que a entrega de 11 kits de máquinas de corte e costura visa incentivar jovens a criarem iniciativas de geração de renda.

“O jovem identifica a área de negócio, nós sentamos juntos com o Governo, autoridades locais e municipais para planificarmos como ele vai gerir o kit. Depois de aprovado, o projecto adquire os kits e entrega aos beneficiários, passando também à parte de monitoria para que não se sintam abandonados”, explicou Adriano Maringula.

“Estamos a receber kit de máquinas de costura. Estou feliz porque é uma mudança na minha vida. A partir dela vai me ajudar a conseguir ter o pão na mesa. Vivi muito tempo fazendo empréstimos de máquina de costura, agora o Governo nos ajudou com o projecto Malhahle. A alegria é tanta e com o dinheiro adquirido na costura de roupa vou poder comprar material escolar para as crianças. Assim já vou passar a coser camisas e uniformes”, projecta o beneficiário Jonas Campira, de 25 anos.

O kit completo está avaliado em 385 mil meticais, valor financiado pelo programa Mahlahle – Terra dos Homens da Suíça. (Narcísio Cantanha).

Assembleia-Geral da ONU vota a favor da solução de dois Estados para Israel e Palestina

A resolução apoia o reconhecimento de um Estado palestiniano independente e prevê uma solução de dois Estados. Condena tanto o ataque do Hamas ao sul de Israel em 7 de outubro como o cerco de Israel e a fome em Gaza, que produziu uma catástrofe humanitária.

Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou ontem, sexta-feira uma solução não-vinculativa que apoia a solução de dois Estados para Israel e Palestina, horas depois de o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu ter rejeitado a ideia de um Estado palestiniano.

Dos 193 membros do organismo mundial, 142 países votaram a favor da Declaração de Nova Iorque, 10 votaram contra e 12 abstiveram-se.

A resolução, apresentada por França e pela Arábia Saudita, prevê que a Autoridade Palestiniana (AP) governe e controle todo o território palestiniano, com um comité administrativo de transição imediatamente estabelecido após um cessar-fogo em Gaza.

“O Hamas deve pôr fim ao seu domínio em Gaza e entregar as suas armas à Autoridade Palestiniana”, diz a declaração, acrescentando que deve também libertar todos os reféns.

A declaração sugere ainda o envio de uma missão apoiada pela ONU para proteger os civis palestinianos e dar garantias de segurança aos civis palestinianos e israelitas, apoiar a transferência pacífica do governo para a AP e controlar o cessar-fogo e um futuro acordo de paz.

O documento de sete páginas condena “os ataques cometidos pelo Hamas contra civis” no sul de Israel em 7 de outubro de 2023, quando militantes liderados pelo Hamas mataram cerca de 1200 pessoas, muitas delas civis, e fizeram 250 reféns. Destes, 50 ainda estão detidos, incluindo cerca de 20 que se acredita estarem vivos.

Condena igualmente os ataques de Israel contra civis e infra-estruturas civis em Gaza e o seu “cerco e fome, que produziu uma catástrofe humanitária devastadora e uma crise de protecção”. Após o dia 7 de outubro, a ofensiva israelita matou mais de 64.000 palestinianos, na sua maioria mulheres e crianças, de acordo com o Ministério da Saúde de Gaza, que não distingue entre combatentes e civis. Estes números são repetidamente citados por instituições internacionais, como a ONU.

Grandes extensões da Faixa de Gaza foram arrasadas e a maioria dos mais de 2 milhões de habitantes do território foi deslocada. A ONU declarou situação de fome na província de Gaza, que acredita poder estender-se a Deir al Balah e Khan Younis até ao final deste mês.

Estado palestiniano como “componente essencial e indispensável” para a solução de dois Estados

Por último, a declaração apela aos países para que reconheçam o Estado da Palestina, naquilo a que chama uma “componente essencial e indispensável” para alcançar uma solução de dois Estados.

Sem citar nomes, mas em clara referência a Israel, o documento diz que “as acções unilaterais ilegais constituem uma ameaça existencial à realização do Estado independente da Palestina”.

No início deste mês, a Bélgica anunciou que se juntaria ao Reino Unido e a França no reconhecimento de um Estado palestiniano na reunião anual da Assembleia Geral das Nações Unidas no final deste mês. Os palestinianos afirmam esperar que pelo menos mais 10 países reconheçam o Estado da Palestina, para além dos mais de 145 países que já o fazem.

O embaixador palestiniano na ONU, Riyah Mansour, afirmou que o apoio maioritário à resolução indica “o desejo de quase todos, da comunidade internacional, de abrir a porta à opção da paz”.

Sem nomear Israel, Riyah Mansour disse: “Convidamos uma parte que ainda está a insistir na opção da guerra e da destruição, e nas tentativas de eliminar o povo palestiniano e roubar as suas terras, a ouvir o som da razão, o som da lógica de lidar com esta questão pacificamente, e a mensagem esmagadora que ressoou hoje nesta Assembleia Geral”.

Israel rejeitou a resolução na sexta-feira, alegando que apenas beneficia o Hamas.

“Esta declaração unilateral não será recordada como um passo em direcção à paz, mas apenas como mais um gesto vazio que enfraquece a credibilidade desta assembleia”, afirmou o embaixador de Israel na ONU, Danny Danon.

Durante uma visita a um colonato israelita na Cisjordânia ocupada, Netanyahu confirmou que não queria um Estado palestiniano: “este lugar pertence-nos”, declarou.

O aliado mais próximo de Israel, os Estados Unidos, também se opôs à iniciativa, tendo Morgan Ortagus, conselheiro da missão dos EUA, considerado que se tratava de um “golpe publicitário mal orientado e inoportuno que prejudica os esforços diplomáticos sérios para pôr termo ao conflito”.

Além dos Estados Unidos e de Israel, outros oito países votaram contra a resolução – Argentina, Hungria, Micronésia, Nauru, Palau, Papua-Nova Guiné, Paraguai e Tonga.

Assembleia-Geral da ONU vota a favor da solução de dois Estados para Israel e a Palestina

Gorongosa treina comunidades em matérias de saneamento

O Parque Nacional da Gorongosa (PNG), através do Programa de Água, Saneamento e Higiene, Water Sanitation and Hygiene (WASH)  juntou 26 pessoas em igualdade de género, nas comunidades de Muche, Nhadunco, Nhamacolomo, Mathir e Juchenje, interior do distrito de Maringué, em Sofala, num treinamento sobre higiene e a necessidade de ter latrina em casa.

O supervisor de WASH em Maringué, Mussagy da Silva explicou que o objectivo do treinamento é de melhorar a gestão local dos recursos hídricos e dos serviços de água e esgoto, fortalecendo capacidades técnicas e organização dos comités para garantir água potável às comunidades.

As capacitações decorreram entre os dias 24 e 29 de agosto, submetendo cinco grupos de Comités de Água e Saneamento (CAS) correspondentes a 60 participantes.

Com este treinamento Mussagy Da Silva antevê um fortalecimento de participação comunitária de homens e mulheres na melhoria do saneamento e higiene em Maringué.

A Gorongosa reconhece os desafios das comunidades de Maringué no acesso à água, por isso, as capacitações vão ajudar na mudança de comportamento, desde a gestão do precioso líquido a higiene e saneamento.

Do ponto de vista ambiental, o uso de latrinas evita a poluição de rios, poços e nascentes, garantindo que as comunidades tenham melhor acesso à água de qualidade.

Nestas capacitações, a Gorongosa envolve mulheres e homens porque quando trabalham juntos, todos são beneficiados.

Depois de uma tarde de treinamento no dia 26 de agosto do ano em curso, a comunidade de Muche louvou a Gorongosa por levar conteúdos para o bem-estar loca.

Terezinha Fidone não tinha latrina em casa, por isso, recorria à esquina por vezes a zonas não habitáveis para atender as suas necessidades. Mas com as capacitações da Gorongosa, agora ficou tudo fácil porque já tem casa de banho e evita doenças. Com isso, aconselha a comunidade a fazerem o mesmo.

Madalena Fernando aprendeu que para evitar doenças como a cólera e diarreia não basta apenas ter latrinas, é importante manter a higiene individual e manter limpo o seu o quintal.

Depois da comunidade de Muche, em Maringué, o Parque Nacional da Gorongosa capacitou as comunidades de Nhadunco, Nhamacolomo, Mathir e Juchenje. (Eugénia Carlos).

FRELIMO decide: “Devem ser repostas as bancas ou indemnizadas, não sei como”, em Nhamatanda

A destruição das cinco bancas pelas 2 horas de hoje, por uma máquina, prosseguiu sem aval do tribunal e sem passar pela assembleia municipal. A Polícia da República de Moçambique (PRM), polícia municipal e o município dizem que não sabiam da suposta decisão destruidora, souberam depois do crime cometido. Mas um advogado citado no caso contradiz a edilidade. Enquanto a Frelimo no distrito decidiu que deve haver reposição dos danos por indemnização ou novas construções seguidas de diálogo de sucesso, sem “máfia”.

Depois da destruição, o momento de tensão permaneceu em Nhamatanda. Hoje, quem passou atentamente até ao anoitecer naquela via não deixou de admirar negativamente pelo novo visual criado pela madrugada, depois das destruições. “Queremos justiça” – era simples ouvir esta frase várias vezes que qualquer outra, tentando-se assim uma geoestratégia local para manifestação.

A EDM, na pessoa do director, Mário Yule, absteve-se ontem, sexta-feira, quando se apercebeu de algo estava incorrecto. A mesma proposta de Azenha que a vereação de Saneamento e Meio Ambiente, através de Alfinar, no município recusou para propor o corte de energia. Mas hoje, tiveram a surpresa de bancas destruídas.

O nome de Azenha não escapou no processo, que motivou lamento do primeiro secretário da Frelimo em Nhamatanda.

Não se sabe exactamente sobre o papel de Azenha neste processo, mas é sabido que ele é do Instituto de Promoção e Assistência Jurídica (IPAJ) e membro da Assembleia Municipal de Nhamatanda pela Frelimo.

O município, a partir do sector de Desenvolvimento Local (Mercados), diz que apenas tem um comunicado de 2021-2022 que aponta a retirada de comerciantes em nome da Pipiline que ajudou a construir o mercado Nsavo entregue em 2023, mas que ninguém usa. Neste caso, a remoção dos visados seria para aquele local ainda em 2023, segundo a promessa da edilidade.

Falhado 2023, no dia 7 de maio de 2025, a edilidade emitiu um comunicado que aponta a partir do dia 20 do mesmo mês a ocupação de Nsavo. Azenha alega o tal documento, enquanto os comerciantes ainda sonhavam no diálogo antes de qualquer despejo, mas veio a destruição incluindo produtos.

Que fique claro, não passou da assembleia e nem foi decisão do tribunal, o que preocupa mais a FRELIMO ao saber que o assunto envolve homem que sabe interpretar as leis que mesmo estando com o partido não comunicou.

Ainda hoje, depois da destruição, a Frelimo decidiu solicitar a todos visados, Governo, vereadores do município, polícia municipal, os lesados, excepto o chinês – o patrão do momento. Ali, cada um devia contar sem “curvas” diante de todos e do “Profundus”.

Os moçambicanos lesados explicaram que têm noção da Papline querer remover as bancas na berma da estrada. Mas se é o caso, não é daquela forma. Aliás, mesmo se fosse para dar espaço ao chinês que comprou o talhão do falecido Nobre, ainda entendiam que precisavam de uma comunicação efectiva que envolveria o diálogo com o patrão do momento ou o dono do espaço – filho do Nobre.

Pedro Filipe explicou que o falecido Nobre sabia onde era o limite, por isso, ninguém ousou entrar na margem.

Mas tudo começou quando o mercado Nzero estava cheio. Então, antes da vila tornar-se município, em 2002, no tempo do administrador Francisco Natal, os comerciantes foram ditos que deveriam ocupar o mesmo, mas sem garantir permanência. Com o tempo, cada um apetrechou com tempo, afinal precisava de garantir a segurança dos produtos, tanto que nenhuma obra destruída era de material precário.

Pedro Filipe que é porta-voz dos lesados, é natural que não “treme”. Tem detalhes de Nhamatanda, desde o tempo da administração da vila municipal. Como comerciantes dali, “nunca” tiveram problemas com o falecido Nobre, dono do espaço porque os limites eram respeitados.

Destruíram as nossas bancas para dar espaço de entrada ao chinês que comprou o talhão e fez o muro dele.

Mas continua a dúvida, se a tal decisão de tirar os comerciantes seria apenas para os cinco lesados ou para todos os comerciantes que vendem na berma da estrada, alegadamente por orientação da Papline.

Para a Frelimo não tem lógica. Se a ideia era seguir a orientação da Papline, a destruição deveria afectar todos os que estão ao lado da estrada para manter o distanciamento de 50 metros. Mas ficou claro com a atitude demonstrada hoje que a destruição apenas afectou aqueles cinco edifícios porque devem dar espaço de entrada ao chinês que está a construir atrás das bancas. A ser assim, conclui o primeiro secretário da Frelimo em Nhamatanda, deveriam antes dialogar com os munícipes visados, não improvisar decisão de destruir os edifícios com os respectivos produtos. E agora, “onde vão ficar? Onde vão vender? Questiona Alberto Semente, que tem história de Nhamatanda desde 1993.

Pergunta que todos se colocam: “Quem destruiu as bancas com a máquina? A resposta continua um mistério. Todos dizem que não sabem.

Entretanto, naquela reunião, os lesados não deixaram de questionar a exclusão na reunião do chinês comprador do terreno. Enquanto Frelimo luta para a transparência e recuperar a confiança dos lesados, aliás, de muitos que aguardam motivos de manifestação.

Então o município deve decidir, como autoridade, paralisar as obras do chinês até que haja solução desses lesados. Quero relatório desse assunto até na segunda-feira”, “carimbou” o número um da Frelimo em Nhamatanda.

É um assunto que ainda vai mover muita tinta. Em actualização. (Muamine Benjamim).

Famílias choram: Destruídas 5 bancas e respectiva mercadoria pela madrugada para dar espaço a “um investidor chinês” em Nhamatanda – Jornal Profundus

Nhamatanda: Frelimo vai reunir com todos visados sobre a destruição de bancas

A Frelimo, através do primeiro secretário de Nhamatanda, Alberto José António Semente, disse que “não tem informação nem verbal ou oral”, por isso, vai reunir hoje, com todos, incluindo o município.

O primeiro secretário disse que evita ser mal interpretado o seu partido, afinal “servimos ao povo”. Alguém deve ser responsabilizado pelas destruições.

Cada um lança a “batata quente” para o outro. Com isso, a Frelimo quer juntar todos visados para uma comunicação efectiva e solução.

A Frelimo condena a destruição das bancas que sustentavam as famílias em Nhamatanda.

Ao telefone com “Profundus”, Alberto Semente partilhou que não ouviu dizer, mas viu o cenário de destruição das bancas, na manhã de hoje, quando tentava usar a entrada do Mercado Nzero.

A reunião com todos os visados está marcada para breve, às 11:45, hoje, na Sede distrital do partido.

O primeiro secretário da Frelimo em Nhamatanda reagiu após a publicação:

Famílias choram: Destruídas 5 bancas e respectiva mercadoria pela madrugada para dar espaço a “um investidor chinês” em Nhamatanda – Jornal Profundus (Muamine Benjamim).

Famílias choram: Destruídas 5 bancas e respectiva mercadoria pela madrugada para dar espaço a “um investidor chinês” em Nhamatanda

Na madrugada de hoje, os respectivos cinco investidores receberam telefonemas de conhecidos informando a destruição de suas bancas e respectivos produtos, sem antes uma comunicação efectiva ou ao menos decisão do Tribunal, apontam os lesados. A situação obrigou os munícipes comovidos pela situação a bloquearem a rua que dá acesso, saindo da EN6 ao mercado grossista da Vila de Nhamatanda, Nzero.

Os munícipes entrevistados dizem que não foram comunicados que a destruição seria feita ainda hoje. Apesar de antes disso haver tentativas de diálogo por iniciativa dos investidores, mas que não foi possível porque o edil está fora de Moçambique (missão).

Os munícipes dizem que estão a destruir as bancas para dar espaço ao chinês que comprou o talhão que pertencia ao falecido Nobre.

Por conta dessa situação, a rua do Nzero ficou parcialmente bloqueada. Os munícipes, comovidos pela situação, criaram barricadas. Precisou da famosa intervenção de “não pisa pneu, Mahindra”, da Polícia da República de Moçambique (PRM).

“O município não tem informação de destruição dessas bancas. [Só ouviu hoje], o município não entra nesse assunto”, disse o vereador de infra-estrutura e urbanização, Lucas Calenga, em representação do edil de Nhamatanda, abrindo destaque do responsável do talhão.

No terreno, até jornalista do “Profundus” foi confundido como trabalhador do Município, recebendo ameaça de “porradas”, ainda que identificável por usar colete.

Um dos lesados esteve tão nervoso que ficou inconsciente temporariamente, impossibilitando-o de locomover-se. Precisou de amigos para andar.

Ainda não sabem os custos equivalentes aos produtos e as bancas destruídas, mas as famílias perderam uma oportunidade de investimentos, num ambiente de desconfiança entre poder e diálogo.

Alguns munícipes lesados apontam que estão naquele espaço desde 2002, antes da vila tornar-se município. Mas de lá para cá, o vizinho falecido Nobre, de trás das bancas, sabia da colaboração dos investidores que faziam limite com o seu espaço. Mas após falecer, a gestão ficou nas mãos dos familiares. Detalhes no semanário “Profundus”, incluindo outros intervenientes.

Em actualização. (Muamine Benjamim).

 

O que acontece com nosso corpo momentos antes da morte?

Sonolência, falta de fome ou de sede, pele seca e azulada, respiração barulhenta… A chegada da morte pode ser marcada por uma série de sinais — e saber identificá-los é uma das chaves para um fim mais suave e tranquilo.

Se a morte é a única certeza que temos na vida, chama a atenção uma generalizada falta de conhecimento sobre o que realmente acontece quando o fim está próximo.

Especialistas em cuidados paliativos ouvidos pela BBC News Brasil dizem que até mesmo médicos e outros profissionais de saúde muitas vezes não sabem como agir nesse momento e apelam a procedimentos que são supérfluos, que mais atrapalham que ajudam.

O processo conhecido como fase activa da morte acontece durante os últimos dias, ou as últimas horas, de uma pessoa.

Obviamente, ele não é igual para todo mundo — e está geralmente relacionado às enfermidades de longo prazo, como o câncer e a demência, em que a pessoa passa meses, ou até anos, fazendo tratamentos, até chegar ao ponto em que os órgãos e sistemas que constituem o organismo não são mais capazes de manter a vida adiante.

Entenda a seguir quais são as manifestações mais comuns de uma morte iminente, por que elas acontecem e o que pode ser feito para que esse evento seja suave, com poucos incómodos e significativo para que vai (e também para quem fica).

O desligar da terra

A médica Ana Cláudia Quintana Arantes, referência nos estudos sobre o envelhecimento, os cuidados paliativos e a morte no Brasil, faz uma analogia didáctica, quase poética, entre os estágios finais da vida e os quatro elementos clássicos da natureza: terra, água, fogo e ar.

Seguindo a linha de raciocínio dela, a primeira etapa da morte ativa é simbolizada pela terra, uma representação do material, do físico, daquilo que a gente toca e pisa.

“A terra é o primeiro elemento que vai embora. Dá um cansaço estranho, que pesa nos olhos”, diz a especialista, autora do livro A Morte é um Dia que Vale a Pena Viver (Editora Sextante).

“Há também um peso no corpo. Por mais magrinho que esteja, você não consegue movimentar um braço, não consegue se virar na cama. Você precisa de ajuda, e quando essa ajuda vem, ela percebe que esse corpo, mesmo que frágil, mesmo que pequenino, pesa muito, pesa tanto quanto o mundo”, complementa Arantes, que também atua no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.

É comum então que a pessoa fique mais reclusa, sonolenta e entre num estado de inconsciência por alguns momentos.

Aqui, o corpo dela está começando a se desligar aos poucos, então alguns órgãos ou sistemas funcionam mais devagar e deixam de ser relevantes.

O médico Arthur Fernandes, secretário-geral da Academia Nacional de Cuidados Paliativos, compara esse momento ao apagar das luzes de um prédio, ou ao desligamento das máquinas que compõem uma fábrica.

Uma das primeiras partes do corpo a entrar nessa marcha lenta é o sistema digestivo.

A pessoa que entrou na fase activa da morte tem naturalmente menos necessidade de comer ou beber água. E ela não sente mais fome ou sede como antes.

Com isso, a necessidade de ir ao banheiro também diminui aos poucos.

Outro sinal típico nesse momento é a alteração da pele, que se torna cada vez mais pálida e gelada, além de sofrer eventuais inchaços.

A pele também pode ganhar um tom azulado ou arroxeado, principalmente nas extremidades, como mãos e pés, além dos lábios. Isso é normal e indica que a circulação sanguínea também entrou num ritmo mais lento.

Mesmo que a pessoa esteja sonolenta, os médicos encorajam que familiares e amigos tenham momentos para conversar e tocar suavemente nas mãos e nos braços do ente querido.

Estudos indicam que sentidos como a audição e o tato continuam activos, e esse contacto pode representar uma fonte de conforto.

 

A água que se esvai

Seguindo a linha de raciocínio de Arantes, a segunda onda de transformações que acontece no corpo está relacionada à água.

“O corpo resseca, então os olhos, os lábios e a boca ficam secos. A saliva, escassa”, lista a médica.

Segundo a especialista, na maioria das vezes não há necessidade de aplicar soro na veia para reidratar o corpo.

Mas é possível aumentar o conforto e o bem-estar da pessoa prestes a partir com algumas medidas básicas, como molhar os lábios com algodão ou pano umedecido, aplicar colírio nos olhos e passar hidratantes na pele.

É importante que esses cuidados sejam sempre discutidos com os profissionais da saúde, para que todos estejam a par do que está sendo feito.

Outra preocupação comum durante a morte activa tem a ver com a dor. Será que morrer dói?

Os especialistas dizem que, sim, algumas pessoas têm uma piora nos incómodos físicos, e alguns dos remédios usados deixam de funcionar como antes.

“Nas últimas horas de vida, essa dor pode descompensar e o paciente fica agitado. Além do desconforto, também pode acontecer falta de ar, enjoo, vómitos…”, responde Fernandes.

Mas os profissionais de saúde podem prescrever medicamentos mais fortes, como a morfina, que dão alívio.

Ou seja, a dor é uma possibilidade no fim. Mas a medicina tem caminhos para lidar com ela.

“Tanto os profissionais da saúde quanto a família precisam saber dessas possibilidades e deixar tudo organizado, como ter por perto as doses de medicações e saber as melhores formas de aplicá-las, para evitar sintomas muito desagradáveis”, complementa o médico.

 

A melhora da morte

Há também uma etapa da morte ativa que pode ser simbolizada pelo fogo.

Esse é o momento em que a chama da vida ganha o seu último fôlego.

Trata-se de um período comumente chamado de “melhora da morte” ou “a visita da saúde”.

Aqui, os sintomas que a pessoa estava sentindo costumam melhorar, para a surpresa de quem acompanha a situação.

Ela sai daquele estado de letargia e inconsciência, volta a se comunicar, quer comer e parece mais animada, como se o quadro tivesse melhorado de forma repentina.

Mas Fernandes pondera que essa mudança não é uma coisa da água pro vinho: um paciente acamado por muito tempo não vai andar de novo, por exemplo.

Mas a volta de uma chama um pouco mais forte pode representar uma oportunidade única.

“O paciente que comia muito pouco pode agora comer mais. Ele pode experimentar uma comida que gosta muito, pra sentir o sabor. Ele sai daquela sonolência para rever uma pessoa querida”, destaca o especialista.

“Esse pode ser o momento em que ele consegue se despedir, dizer que ama, receber perdão e pedir desculpas para alguém”, complementa ele.

Não raro, os familiares e a própria equipe de saúde querem usar esse momento para fazer exames ou intervenções, numa tentativa de ampliar o tempo de vida daquela pessoa.

Mas, segundo Arantes, essas medidas geralmente são supérfluas — e ocupam o tempo valioso que seria usado para encontros e despedidas.

“Esse tempo deveria ser utilizado para exercer a autoridade, a autonomia de deixar a sua marca, a forma de estar no mundo, para as pessoas que você ama”, aponta ela.

“Esse é o momento de fazer declaração de amor. De pedir perdão, de perdoar. E reconhecer que nem sempre foi possível fazer o que se queria ter feito.”

“Essa é a chance expressar a sua essência, sem nenhuma reserva”, reflecte ela.

A melhora da morte costuma durar pouco tempo — e logo a chama volta a ficar fraca de novo.

 

O sopro da vida

Para fechar a lista dos elementos elaborada por Arantes, chegou a hora de entender como o ar se encaixa nessa história.

E ele simboliza uma das alterações mais aparentes do corpo na hora da morte.

A respiração sai do padrão que estamos acostumados. Às vezes, ela fica rápida e curta. Depois, longa e pausada. Às vezes, até parece que a pessoa deixou de respirar.

Outros eventos comuns nessa etapa é permanecer com a boca aberta, pelo relaxamento dos músculos que seguram a mandíbula, e uma respiração bem barulhenta, como se a pessoa estivesse roncando alto.

Isso acontece porque, naquele processo de desligamento das funções vitais, o corpo acumula alguns fluidos na garganta, que geram um ruído quando o ar passa por ali.

Esse sinal pode até ser incómodo para quem está vendo aquela cena, mas, segundo os médicos, não representa necessariamente uma aflição para quem está à beira da morte.

Em alguns casos, os profissionais da saúde podem indicar uma aspiração desses fluidos ou usam remédios que melhoram esse fluxo de entrada e saída do ar.

Arantes reflecte que, quando nascemos, a primeira coisa que fazemos é respirar, ou puxar a primeira leva de ar que enche nossos pulmões.

E um de nossos últimos actos em vida é fazer justamente o movimento contrário: devolver o ar, numa expiração final.

“Você pode entregar esse sopro sagrado que te foi dado quando nasceu. Se você fez bom uso desse sopro, se você teve uma vida que valeu a pena ser vivida, essa última expiração é um presente”, acredita ela.

“Daí esse fôlego cessa. E você tem um silêncio”, relata a médica.

Nos segundos depois da última expiração, o coração para de bater. O cérebro apaga. E as células do corpo que ainda estavam activas desligam aos poucos.

A vida daquele indivíduo chegou ao fim.

Arantes orienta às pessoas que testemunharam esse momento que informem os profissionais de saúde, caso eles não estejam por perto, mas não há necessidade de fazer tudo com pressa.

“Permaneça por um momento nesse instante sagrado, que parece até fora do tempo normal”, sugere ela.

“Aquela pessoa que você ama parou de respirar, está livre da matéria. Ela deixa de existir naquele corpo e passa a viver no coração de todo mundo que a ama.”

Já para Fernandez, a porção final da vida não deveria ser tratada como algo tão extraordinário — e é vital que a gente fale mais sobre isso.

“É importante que as pessoas conversem sobre esse assunto em casa, para que a gente construa cada vez mais uma cultura que abraça a vida sem excluir a morte”, pensa ele.

“Até porque a morte não é o contrário da vida. A morte é o antónimo de um processo que a gente chama de nascimento.”

“Já a vida é tudo aquilo que está incluído dentro desse tempo bonito que a gente tem pra viver”, conclui ele.

O que acontece com nosso corpo momentos antes da morte? – BBC News Brasil

Agentes Polivalentes da Saúde recebem meios circulantes em Muanza

São 30 Agentes Polivalentes Elementares da Saúde (APES) que receberam o igual número de bicicletas após a formação, no distrito de Muanza, em Sofala. A intenção é de dinamizar as actividades no atendimento às comunidades.

Dos 30 beneficiários das bicicletas, 28 são homens e apenas duas mulheres.

Na ocasião, a responsável dos APES no Serviço Distrital de Saúde, Mulher e Acção Social de Muanza, Nádia Manga, apelou aos beneficiários para a boa conservação das bicicletas durante os cinco anos garantidos.

Os APES trabalhavam com apenas livro e medicamentos. Mas desde o dia 7 de setembro, já usam as bicicletas, caixotes para guardar medicamentos e pastas recebidos na ocasião.

Como mudança, Nádia Manga, espera que com o material recebido, os APES consigam fazer devidamente as visitas domiciliárias, visto que as distâncias são longas entre uma casa e a outra nas comunidades.

“Estes APES são novos que foram formados e começaram a trabalhar agora. Trabalhavam apenas com livros e medicamentos e não tinham meios. Agora estão a ser atribuídos bicicletas para diminuírem as distâncias”, disse Nádia Manga, garantindo que já “podem ajudar a comunidade no que diz respeito a área de saúde, promoção [de cuidados sanitários] e prevenção de doenças”.

Sousa Domingos Gimo  é um dos APES de Nhanjiri do Centro de Saúde da Pedreira. Aponta que uma das grandes dificuldades que ele enfrentava era a falta de transporte para deslocar-se entre as comunidades e Unidade Sanitária. “Agora eu posso fazer o meu trabalho num sítio normalmente e voltar para outro sítio sem demora como antes acontecia”.

“O meu trabalho na zona é fazer palestra, identificar e diagnosticar as doenças.  Com este meio estou muito facilitado, acredito que na minha comunidade haverá mudança”, disse Elias Evaristo Gustavo.

O material foi doado pela Unicef, segundo revelou Nádia Manga, apesar da instituição não presenciar o acto de entrega. (João Cipriano).

Encerramento do único supermercado desemprega 23 jovens em Nhamatanda

O Supermercado do Povo encerrou, alegadamente por insuficiência de lucros. Os 23 trabalhadores estão a terminar de arrumar todos os produtos para serem transportados a outras sucursais de Manica e Sofala.

Trata-se do mesmo Supermercado localizado ao lado do antigo terminal de Nhamatanda, que no dia 7 de maio de 2024, motivou queixas de maus-tratos do patrão chinês, consequentemente, os seus colaboradores marcharam no dia 15, do local do trabalho ao Conselho Municipal de Nhamatanda (CMVN) pela Estrada Nacional Número 6 (EN6) como quem pede socorro.

Depois de uma intervenção do administrador, do edil, do “Profundus”, advogado, sindicato e inspecção de trabalho, parecia funcionar normalmente, ou pelo menos era a imagem criada por quem passava daquele Supermercado. Um ano depois, a loja está a fechar, alegadamente por não atingir os lucros.

Dos 23 trabalhadores, 12 apontados a dedo pelo chinês iriam trabalhar noutras sucursais (Sofala e Manica). Outros 11 perderiam o emprego, mas todos decidiram indeminizações, temendo que noutros estabelecimentos pudessem ser expulsos uma vez que se trataria de novas pessoas e nova gestão. Todos perderam o emprego.

Depois de um “braço-de-ferro” entre o chinês e os trabalhadores, finalmente tiveram as indeminizações, variando de 9.500 a 14.250 meticais. Mas este sucesso dependeu da intervenção do advogado da empresa.

Desde o início de Setembro, uma vez extinguido o contracto os trabalhadores fazem “jackpot” para receberem 350 meticais, arrumando diariamente os diversos produtos.

Uma fonte confidenciou que até segunda-feira próxima, os trabalhos poderão terminar de arrumar os produtos.

A loja continua fechada há duas semanas, mas dentro do edifício estão a organizar os produtos.

Alguns jovens são formados em diferentes áreas de saber, mas pela falta de emprego, viram-se acolhidos naquele Supermercado.

O chinês fechou a loja, famílias ficaram desempregadas e Nhamatanda perdeu o único supermercado que o abastecia com diferentes produtos de alimentação, construção, vestuários, calçados e electrodomésticos. Enquanto a empresa soma prejuízos nas indeminizações e transporte dos produtos para outras sucursais. (Muamine Benjamim).

Jornal Profundus

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