Gorongosa treina seu pessoal sobre Manual de Formação do Comité de Desenvolvimento de Mulheres

 

O Parque Nacional da Gorongosa (PNG) está a promover uma formação ao seu pessoal sobre o Manual de Formação do Comité de Desenvolvimento de Mulheres com conteúdos de Igualdade e Acção de Género no distrito de Cheringoma, província de Sofala.

A formação de três dias juntou 24 participantes (15 mulheres e 9 homens), entre representantes do Governo Distrital a nível da Saúde, Mulher e Acção Social e Educação, Directora do Sector de Relações Comunitárias, Supervisores Distritais e membros dos Comités de Desenvolvimento de Mulheres.

O Manual de Formação do Comité de Desenvolvimento de Mulheres com conteúdos de Igualdade e Acção de Género será usado na formação das mulheres nas comunidades, mas antes, na próxima semana poderão ser instruídos os formadores do Manual.

Na ocasião, a Oficial de Género no PNG, Helena Chicava, explicou que o treinamento sobre o Manual de Formação do Comité de Desenvolvimento de Mulheres tem o objectivo de reforçar a capacidade técnica dos envolvidos relativamente a abordagem de temáticas referentes à promoção da igualdade de género, direitos humanos e de mulheres, além de outros temas de interesse para impactar as comunidades.

A Gorongosa quer tornar as comunidades habilidosas “com ferramentas e capacidades técnicas para transmitirem conhecimentos que permitam promover a igualdade de género”, disse Helena Chicava.

Helena Chicava espera que os participantes façam a réplica da aprendizagem.

Na Zona de Desenvolvimento Sustentável do Parque Nacional da Gorongosa, a lista de violações de direitos inclui uniões prematuras, gravidez indesejada de menores, violência doméstica, violência baseada no género e abuso sexual. Contra estes males que afectam directamente as mulheres, o Parque viu-se obrigado a criar mecanismos de intervenção estratégica como capacitações, além de outras iniciativas para a mudança de comportamento das comunidades. (Manuel Gado).

Chemba em alerta de escassez de alimentos a partir de Novembro

O Governo de Chemba, através do Serviço Distrital de Actividades Económicas (SDAE), emitiu um alerta para a escassez de alimentos no distrito, a partir de novembro de 2025.

O comunicado oficial foi lido por Piter Mateus Jofrisse, em representação do director do SDAE, que alertou para um défice de 224 toneladas de cereais no distrito, o que poderá resultar numa bolsa de fome a partir de novembro.

O alerta foi apresentado durante a sua VII Sessão Ordinária, realizada na passada quinta-feira, 28 de agosto de 2025.

O governo de Chemba apelou à população para não vender os excedentes agrícolas.

Como medida de precaução, o Governo exorta as famílias a guardarem os seus produtos e a intensificarem a produção na segunda época agrícola, especialmente nas zonas baixas, para garantir a segurança alimentar local. (Rosário Phoinde).

Fundação de Caridade Tzu Chi entrega centros de Saúde e de formação vocacional em Nhamatanda

Nhamatanda, 31 agosto de 2025 – A Fundação de Caridade Tzu Chi Moçambique vai proceder amanhã, segunda-feira, a entrega oficial ao Governo provincial de Sofala de um Centro de Saúde e um Centro Formação Vocacional em Metuchira, infra-estruturas orçadas, no global, em 730 mil dólares (46 milhões de meticais) e que foram construídas pela Tzu Chi no âmbito do pacote de apoio às comunidades afectadas pelo ciclone Idai no centro de Moçambique em 2019.

“O Centro de Saúde de Metuchira, cujas obras arrancaram em 2024, está orçado em mais de 230 mil dólares (cerca de 15 milhões de meticais) e vai beneficiar cerca de duas mil famílias que vivem nas 410 casas do Centro de Reassentamento de Metuchira, habitações que foram também construídas pela Fundação de Caridade Tzu Chi Moçambique e já foram entregues, no ano passado, à comunidade local”. Lê-se no comunicado partilhado ao “Jornal Profundus”.

O Centro Vocacional de Metuchira, por seu turno, está orçado em cerca de 500 mil dólares (32 milhões de meticais), prevendo-se que forme, por ano, cerca de 1000 pessoas, sobretudo jovens, em áreas práticas orientadas para o autoemprego.

A cerimónia de inauguração das duas infraestruturas contará com a presença da Vice-Presidente da Tzu Chi a nível global, Pi Yu Lin, que visita Moçambique desde quinta-feira, bem como com o Governador da Província de Sofala, Lourenço Bulha, além de outras figuras da administração local.

Esta é a segunda visita da Vice-Presidente da Tzu Chi Global a Moçambique. Em 2024, Pi Yu Lin esteve no país, tendo, na altura, mantido um encontro de cortesia com o actual Presidente da República, Daniel Chapo, onde foram debatidos assuntos ligados aos projectos que a Tzu Chi possui em Maputo, Sofala e Nampula.

A delegação liderada por Pi Yu Lin integra também Simon Ming Shyong, Administrador Executivo e Director para Religião e Assuntos Humanitários, Lin Su- Yun, Directora de Finanças e Cheng- Chu, Director do Departamento de Construção, quadros seniores da fundação a nível global.

Além de diversas actividades ligadas ao cotidiano da fundação, a delegação da Tzu Chi Global vai ainda testemunhar, no dia 03 de Setembro, a entrega oficial de 840 casas no Centro de Reassentamento de Guara-Guara, no distrito de Buzi, e a 10 escolas no distrito de Nhamtanda.

As habitações e as escolas fazem parte do pacote de apoio da Fundação de Caridade Tzu Chi Moçambique às comunidades afectadas pelo ciclone Idai em 2019 no centro do país e, à luz de memorando que a Tzu Chi tem com o Governo de Moçambique, a fundação vai entregar, até Abril de 2026, mais de três mil habitações e um total de 23 escolas.

O pacote de apoio da Tzu Chi às comunidades moçambicanas está orçado em mais de 100 milhões de dólares, inteiramente disponibilizados pelos mais de 10 milhões de voluntários da organização de fundamentos budistas espalhados pelo Mundo.

A Tzu Chi é uma instituição de caridade global fundada em 1966 pela Venerável Mestre Cheng Yen, religiosa budista. O “Tzu Chi” significa “compaixão e alívio” e a missão da fundação é aliviar o sofrimento humano, através de actos de bondade e serviço desinteressado. Presente em mais de sessenta nações, a Tzu Chi presta apoio a todos quantos necessitam, sem distinção de credo, raça ou nacionalidade, sendo movida por elevados princípios morais e espírito de abnegação.

Em Moçambique, a Tzu Chi opera desde 2012 no apoio às comunidades em diversas áreas, com destaque para educação, agricultura, saúde e assistência às populações, sobretudo em períodos de emergência face às cíclicas calamidades naturais que têm afectado o país.

Com as contribuições de mais de 10 milhões de voluntários espalhados por todo mundo e com o esforço de cerca de 10 mil voluntários em Moçambique, a Tzu Chi promove uma cultura de paz, solidariedade e respeito mútuo, levando consolo e esperança às populações. (Muamine Benjamim).

Dr. Marc Stalmans: Morreu Director do Departamento de Ciência da Gorongosa

“É com profunda tristeza e pesar que vos informo do falecimento do nosso estimado Director do Departamento de Ciência do Parque Nacional da Gorongosa, Dr. Marc Stalmans, ocorrido” ontem, sexta-feira, “na sua residência dentro do Parque”, escreve o Director de Comunicação da Gorongosa, Vasco Galante.

O legado de Marc Stalmans na conservação e investigação científica deixa uma marca em todos nós e no futuro da Gorongosa. A sua dedicação e paixão inspiraram várias gerações de profissionais, estudantes e estagiários, tendo contribuído de forma notável para a protecção da biodiversidade e o desenvolvimento da ciência em Moçambique e internacionalmente.

“De acordo com os desejos da família, o corpo do Dr. Stalmans será transportado para a África do Sul, sua residência, e onde se encontra a sua esposa, para que familiares e amigos possam prestar as suas últimas homenagens. Deixamos aqui as nossas sinceras condolências à família, amigos e colegas do Dr. Marc Stalmans”.

Dr. Marc Stalmans nasceu e cresceu no Congo, na África Central. Aos 15 anos, família voltou para a Bélgica, onde terminou o ensino médio e foi para a universidade.

Depois de se formar como engenheiro florestal e completar um ano de pós-graduação em saúde e produção de animais tropicais, emigrou para a África do Sul em 1984. Desde então, trabalhou em organizações de conservação da natureza e concluiu um mestrado em Botânica e um doutoramento em Ecologia da Paisagem.

Desde 2001 trabalhava como consultor independente em conservação. Em 2006, pediram-lhe para avaliar a capacidade de carga dos herbívoros do novo santuário da Gorongosa. Isso o levou a vários outros estudos ao longo dos anos, incluindo um mapa das paisagens do Parque. No início de 2012, foi nomeado Director dos Serviços Científicos do Parque.

O papel do Dr. Marc Stalmans era de coordenar a pesquisa científica que acontece no Parque, quer pela equipa quer pelos outros cientistas e estudantes. Os resultados destes estudos são utilizados para orientar a gestão do Parque tanto a curto como a longo prazo. Uma pequena divisão, mas interactiva com muitos outros cientistas e estudantes, de Moçambique e de outros países.

O departamento também aconselha sobre o planeamento do turismo usando informações que colectadas sobre a ecologia e a biodiversidade do Parque para aumentar o turismo, minimizando os impactos negativos sobre o meio ambiente.

Outra prioridade é documentar a tremenda biodiversidade do Parque, um esforço que é conduzido pelo Laboratório de Biodiversidade E.O. Wilson em Chitengo. O programa de Educação Científica, destinado a desenvolver a próxima geração de especialistas em biodiversidade e ecologistas moçambicanos, é uma das áreas prioritárias.

Tendo estado envolvido no projecto de restauração desde 2006, Dr. Marc Stalmans começou a apreciar o tremendo dinamismo na Gorongosa e no projecto de conservação. A própria natureza está a voltar de forma espantosa. O parque e a sua fauna bravia são extremamente produtivos. Gorongosa é também um Parque Nacional extraordinariamente diverso, abrangendo uma vasta gama de habitats desde os picos da Serra da Gorongosa até à bacia do Lago Urema.

“É um grande projecto para estar envolvido porque, como equipa, acreditamos no que estamos a fazer. Pessoalmente, acredito que o programa de BioEducação é uma das coisas mais importantes que fazemos na Ciência. É imensamente gratificante ver os jovens Moçambicanos a descobrir a sua paixão e a desenvolver as suas competências como cientistas”, avaliou quando estava em vida.

 

Nhamatanda: Assembleia municipal discute proposta de isenção de taxa a 100 talhões de jovens

Decorre a III Sessão da Assembleia Municipal da Vila de Nhamatanda. Entre as propostas do dia, consta a proposta de isenção de taxa para 100 talhões para jovens, relatórios das comissões de trabalho, Plano e Orçamento de 2026 e o informe do edil.

Se aprovada a proposta, a isenção de taxas será isenta aos talhões para jovens fazerem seus projectos na zona de expansão do 9º bairro – Eduardo Mondlane ou vulgarmente no Ramos.

Recentemente, a autarquia fez abertura de ruas no Ramos.

 

Para o mesmo bairro, a edilidade projectou o plantio de árvores, valas de drenagem, condutas de água, postes de iluminação pública, centro de saúde, escola e parque. (Muamine Benjamim).

 

Beira: Pai indiciado de abusar sexualmente os próprios filhos

Um moçambicano de 47 anos encontra-se detido na cidade da Beira, indiciado de ter abusado sexualmente os próprios filhos, uma menina de 4 anos e um menino de 7 anos.

Segundo a queixa apresentada, o pai dos menores aproveitava-se do regresso das suas viagens, para ameaçar os menores a manterem com ele actos de natureza sexual.

A descoberta do crime começou quando os menores apresentaram dores de barriga, o que levou a mãe a conduzi-los a uma unidade sanitária onde os exames médicos revelaram a ocorrência via anal. Consequentemente, a mãe apresentou a queixa a um posto policial contra o pai das crianças.

O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) confirmou a detenção de um cidadão suspeito de abusar sexualmente dos próprios filhos menores. O indivíduo foi localizado e detido no dia 25 de agosto, no seu local de trabalho, após cumprimento de mandado de detenção emitido pelo tribunal.

“Uma vez que o cidadão não se encontrava na sua residência, na cidade da Beira, todas as diligências foram feitas no sentido de localizá-lo. Porém, para cumprir normas legais, fomos obrigados a solicitar um mandado de detenção, o qual foi concedido pelo tribunal”,

O porta-voz do SERNIC em Sofala, Alfeu Sitoé, explicou que o processo já se encontra nos autos, e foi lavrada a devida participação com todos os fundamentos necessários para que ele seja ouvido em interrogatório pelo juiz de instrução criminal. “Tendo em conta os factos arrolados, irá decidir se o arguido ficará em prisão preventiva ou responderá em liberdade provisória”, acrescentou.

A ser verdade isso, “trata-se de um acto condenável, visto que ele é o progenitor das crianças. Olhando para as idades avançadas, seria esperado cuidado e protecção, não a violência que o caracterizou”, disse Alfeu Sitoé.

O episódio chocou a comunidade local, não apenas pelo envolvimento do progenitor, mas também pela gravidade dos actos denunciados. “Não podem ser toleradas, principalmente quando se trata de menores que dependem de protecção e amparo de quem deveria cuidar deles”, chamou atenção.

A coragem da mãe das crianças recebeu destaque. “Queremos enaltecer a coragem da mãe dessas crianças, que não se esqueceu de que se tratava de alguém com quem compartilha o tecto, a cama e a mesa, mas colocou em primeiro lugar o direito à salvaguarda da integridade dos menores e denunciou o caso”, afirmou a mesma autoridade. (Narcísio Cantanha).

Mais de 300 famílias já têm acesso da água potável em Savane

Mais de 300 famílias no posto administrativo de Savane, distrito do Dondo em Sofala, estão desde o último sábado a consumir água potável, através de um sistema de abastecimento do precioso líquido entregue no âmbito da responsabilidade social em celebração dos 130 anos de existência do Standard Bank Moçambique.

Trata-se de um sistema de abastecimento de água, com a capacidade de 10 mil litros, muito aguardado pela comunidade do bairro Savane-Sede 2.

Na ocasião, o administrador do distrito do Dondo, Adamo Ossumane disse que o distrito já soma 19 sistemas de abastecimento de água potável, beneficiando 23.700 habitantes dos mais de 250 mil, segundo o Censo de 2017.

Ossumane revelou o aumento de 9,45% da cobertura que está actualmente em 66.39%, reconhecendo a necessidade de mais água nas comunidades de Dondo.

Com aquele sistema de abastecimento de água, o governo de Dondo já antevê uma “redução de doenças diarreicas, melhoria da higiene e o combate à má nutrição, já que a água é essencial para a dieta das famílias”.

A obra financiada pelo Standard Bank mostra que o desenvolvimento do país não é responsabilidade apenas do governo, mas de todos, incluindo parceiros, disse Adamo Ossumane, exortando que “não vai fazer sentido ouvir que, depois de dois meses, já não existem painéis, torneiras ou chapas de zinco porque a própria comunidade desmontou. Este investimento é nosso, não só do Standard Bank”.

A presidente da Comissão Executiva da Standard Bank Moçambique, Esselina Macome, destacou que a nova infra-estrutura, composta por quatro tanques, vai beneficiar mais de 300 famílias, que passam agora a ter acesso à água potável próxima das suas residências.

A PCA afirmou que esta iniciativa contribuirá de forma significativa para a melhoria do bem-estar social da comunidade.

Sem mencionar o orçamento das infra-estruturas, Esselina Macome esclareceu que a construção e entrega da fonte de abastecimento de água, em Sofala, insere-se no quadro da responsabilidade social do Standard Bank Moçambique.

Argentina Zito, membro residente, mostrou-se satisfeito com a entrega do sistema, uma vez que vai ajudar a aliviar a falta de água potável na comunidade, onde muitas vezes, as mulheres eram obrigadas a percorrer cerca de dois quilómetros à procura do escasso líquido precioso, até riachos ou poços caseiros.

“As mamãs passavam mal nas maternidades. Depois do parto recorriam à água dos poços. Agora com esse furo [de água] é um benefício para nós”, disse Tomé Luís, outro residente.

Vale frisar que esta é a primeira fonte de abastecimento de água potável das 130 que serão construídas em todo o País. (Narcísio Cantanha).

Gorongosa leva palestras contra o uso de plásticos em Cheringoma

O Parque Nacional da Gorongosa (PNG), através do Programa de Educação para Conservação, mantem as sensibilizações contra a poluição plástica. A recente actividade decorreu nas comunidades de Inhamitanga e Mazamba, no distrito de Cheringoma.

Há dez anos, Moçambique implementou o Regulamento de Gestão e Controlo de Sacos Plásticos, que estabelece normas para a sua produção, importação e comercialização, com o objectivo de reduzir os impactos negativos deste material na saúde e no ambiente. Mas a realidade é outra.

Uma das principais fontes de poluição plástica são os produtos mais comuns como garrafas de água, recipientes dispensadores, sacos de takeaway, talheres descartáveis, sacos de congelamento e embalagens de esferovite. Este material de uso único não circula na economia, sobrecarregam os sistemas de gestão de resíduos e acabam por chegar ao ambiente.

O objectivo da Gorongosa é promover acções educativas sobre a gravidade do problema da poluição plástica e os seus impactos no meio ambiente e na saúde humana.

Segundo o supervisor distrital do Programa de Educação para Conservação, Lucumane Agy, “a reciclagem de resíduos sólidos ajuda-nos a prevenir a poluição. Precisamos de saber evitar a poluição plástica, quando reduzimos o uso de plásticos descartáveis, quando reciclamos e quando participamos em jornadas de limpeza”.

Lucumane Agy apresentou medidas consoante a realidade das comunidades: “para minimizar o uso de sacos plásticos, pode-se optar pelo uso de sacolas de pano, cestos artesanais e cestos produzidos a partir da reciclagem de resíduos sólidos”.

As comunidades já cientes das suas acções que impactam negativamente o meio ambiente prometem mudanças de comportamento.

Na ocasião, Lurdes Fernando destacou a importância do que aprendeu. “O que aprendi hoje é muito importante. Eu não sabia que o uso excessivo de plásticos prejudicava o meio ambiente. Agora, vou mudar o meu estilo de vida e reduzir o uso de plásticos”, disse.

Felipe Caetano, outro membro da comunidade de Mazamba, é de opinião diferente. “Eu não vejo a comunidade como um problema, para mim, o problema é das fábricas que fazem os plásticos. O Governo deveria diminuir o número de fábricas para combater a poluição plástica”.

A forma de combater a poluição por plástico é ir além da reciclagem e encontrar formas de limitar os impactos ambientais e de saúde causados por esta poluição. Isto implica analisar todas as fases da vida dos produtos – produção, concepção, consumo e eliminação – através de uma abordagem de ciclo de vida. Na prática, significa reduzir a dependência de plásticos de uso único, redesenhar produtos para serem mais duradouros, seguros, reutilizáveis e recicláveis, procurar alternativas e evitar que estes escapem para o ambiente. (Manuel Gado).

DesaparecidosNãoEsquecidos: CPJ e MISA Moçambique pedem investigação sobre o desaparecimento de dois jornalistas

Antecipando o Dia Internacional das Vítimas de Desaparecimentos Forçados, a 30 de agosto, o Comité para a Proteção dos Jornalistas e o capítulo moçambicano do Instituto de Comunicação Social da África Austral (MISA Moçambique) apelam às autoridades para que forneçam respostas credíveis sobre o paradeiro de dois jornalistas, Ibraimo Abú Mbaruco e Arlindo Chissale, ambos desaparecidos em circunstâncias semelhantes na região em conflito de Cabo Delgado, no nordeste de Moçambique.

Mbaruco, repórter e apresentador de notícias da Rádio Comunitária de Palma, foi visto pela última vez a sair do seu escritório em 7 de abril de 2020, por volta das 18h. Pouco depois, enviou uma mensagem de texto a um colega dizendo que estava «cercado por soldados».

Em 7 de janeiro de 2025, Chissale, editor do site Pinnacle News, estava na aldeia de Silva Macua quando um grupo de oito homens, alguns vestidos com uniformes das Forças de Defesa e Segurança Nationais, lhe ordenou que saísse de um miniautocarro público. Desde então, não se sabe nada sobre ele.

«As famílias dos jornalistas Ibraimo Abù Mbaruco e Arlindo Chissale estão devastadas com o desaparecimento dos seus familiares e com a incapacidade do governo de investigar devidamente os seus casos. A sugestão de cumplicidade militar é mais um sinal condenatório de que Moçambique não é um país seguro para jornalistas», afirmou Angela Quintal, diretora regional do CPJ para África. «O governo do presidente Daniel Chapo deve fornecer respostas sobre o paradeiro de Mbaruco e Chissale, como parte de um esforço mais amplo para tranquilizar os jornalistas moçambicanos quanto à sua segurança e liberdade.»

«É estranho e não faz sentido que o desaparecimento de um jornalista tenha sido arquivado sem esgotar todas as linhas de investigação técnica e independente. Esta decisão revela a falta de interesse do Estado moçambicano em esclarecer crimes contra jornalistas, incluindo o caso de Arlindo Chissale, sobre o qual, após oito meses, as autoridades permanecem em silêncio e indiferentes», afirmou Ernesto Nhanale, diretor executivo do MISA Moçambique.

Nos dias que se seguiram ao desaparecimento de Mbaruco, a família e os colegas enviaram-lhe repetidamente mensagens de texto e tentaram ligar para o seu telemóvel, mas este estava desligado. O telemóvel de Mbaruco foi ligado novamente em 8 de junho de 2020, de acordo com o MISA Moçambique. A organização informou as autoridades sobre este desenvolvimento e apelou-lhes para que utilizassem tecnologia de geolocalização para rastrear os movimentos do jornalista.

Um agente da polícia, que falou sob condição de anonimato, disse ao MISA Moçambique que os soldados levaram Mbaruco para Mueda, uma cidade a cerca de 300 quilómetros (186 milhas) de Palma, para interrogatório.

Quanto a Chissale, ele recebeu uma dica de que estava em risco e numa «lista de alvos a abater» oficial horas antes do seu desaparecimento. Nos meses que antecederam o seu desaparecimento, ele publicou comentários políticos sobre as contestadas eleições de outubro de 2024 em Moçambique, expressando notavelmente apoio à oposição e acusando o partido governante Frelimo de fraude eleitoral. O CPJ e o MISA Moçambique documentaram significativas violações da liberdade de imprensa durante a crise pós-eleitoral.

Chissale já tinha enfrentado ameaças e assédio relacionados com o seu trabalho anteriormente. Em novembro de 2022, foi preso e detido durante seis dias, inicialmente acusado de terrorismo, mas posteriormente acusado de trabalhar sem acreditação jornalística.

Cabo Delgado tem sido palco de uma insurgência ligada ao Estado Islâmico desde 2017. O CPJ e o MISA Moçambique têm documentado assédio e prisões de jornalistas enquanto operam na região.

Durante uma visita em fevereiro à cidade moçambicana de Pemba, o presidente Chapo apelou aos jornalistas para que «continuassem a fazer o seu trabalho com excelência».

Numa carta enviada ao presidente em março, o CPJ afirmou que seria «difícil» para os repórteres cumprir a diretiva presidencial enquanto houver um ambiente de medo e o seu governo não tomar «medidas significativas para investigar e responsabilizar os responsáveis pelo desaparecimento dos jornalistas Ibraimo Mbaruco e Arlindo Chissale».

 

Sobre o Comité para a Proteção dos Jornalistas (CPJ)

O Comité para a Proteção dos Jornalistas é uma organização independente e sem fins lucrativos que promove a liberdade de imprensa em todo o mundo. Defendemos o direito dos jornalistas de reportar as notícias com segurança e sem medo de represálias.

 

Sobre o Instituto de Comunicação Social da África Austral (MISA)

A missão do Instituto de Comunicação Social da África Austral é promover uma comunicação social plural, independente e diversificada que garanta que os cidadãos estejam bem informados e exijam transparência na governação.

Beira: Dez indivíduos indiciados do seu envolvimento na morte de uma cidadã acusada de feitiçaria

Dez indivíduos encontram-se detidos nas celas da 4.ª Esquadra da Polícia da República de Moçambique (PRM), no bairro da Munhava, cidade da Beira, indiciados de estarem envolvidos no ritual que culminou com a morte de Helena Chutale, de 43 anos, acusada de feitiçaria.

Alguns indiciados na morte de Helena, são irmãos dela que a submeteram ao ritual tradicional (bafo), supostamente por ser a responsável do sofrimento da familiar, incluindo doenças constantes e falta de sorte.

A curandeira com mais de 30 anos de experiência contou que foi chamada pela família da vítima para realizar um ritual, mas antes advertiu que “o trabalho não iria cair bem”, mas os familiares insistiram. “Concluí que o problema afectava toda a família e disse que todos deviam entrar no bafo, incluindo a vítima. Expliquei que o sofrimento poderia resultar em doenças ou paralisia, mas não apontei ninguém em particular”, afirmou.

Para a curandeira, se tratasse os espíritos malignos, poderiam passar para outra pessoa. E no tratamento, “foi-lhe dito que deveria abandonar todos os instrumentos, porque eram os mesmos espíritos que estavam a trazer azar à família e até a alguns vizinhos”, explicou.

O irmão da vítima contou que a família procurou pela curandeira para compreender as doenças que vinha enfrentando. “Durante a consulta, foi citado o nome da minha irmã”, a qual reconheceu o seu envolvimento espiritual. “Ela [Helena] disse-me: mano, o que podemos fazer para ultrapassar essa doença? Porque eu sei que estou a fazer isso’”, contou.

O porta-voz da PRM em Sofala, Honório Chimbo, falando ontem, terça-feira , em conferência de imprensa explicou que o caso foi denunciado pela própria filha da vítima. “A Polícia tomou conhecimento do homicídio agravado quando a filha da vítima nos deu a conhecer. Do trabalho realizado, conseguimos perceber que os irmãos submeteram a sua irmã a um tratamento tradicional para aferir se era feitiçaria ou não. Durante este ritual, a vítima não resistiu, passou mal, foi socorrida ao Hospital Central da Beira, onde infelizmente perdeu a vida”, explicou.

O porta-voz da PRM acrescentou que todos os envolvidos foram neutralizados. “Foi possível a localização e neutralização da curandeira envolvida, tal como dos demais irmãos”, somando “dez pessoas [que] detidas” sobre o caso.

A PRM apelou à sociedade para que casos de conflito não sejam resolvidos com violência. “Alguém foi tirado a vida, e o mais grave é que foram os próprios irmãos que deveriam cuidar e preservar a vida dela”, mas foi ao contrário, optaram por meio de tortura que levaram à morte da vítima, horas depois.

“Quando tivermos problemas, devemos procurar resolver de forma amigável. Caso não seja suficiente, podemos pedir ajuda a vizinhos, padrinhos”, se for também necessário, recorrer a outras entidades competentes para resolver o caso.

“Os autos que justificam a privação da liberdade dos indiciados já foram lavrados e encaminhados ao Ministério Público”, disse a PRM, assegurando que cada um responderá pelo grau da sua participação e terá a pena correspondente. (Narcísio Cantanha).

Jornal Profundus

Stay informed with curated content and the latest headlines, all delivered straight to your inbox. Subscribe now to stay ahead and never miss a beat!

Skip to content ↓