Dondo em risco de perder mais de 162 hectares da cultura de arroz

As autoridades municipais estimam uma perda de 162,5 hectares de arroz em Dondo, incluindo a área historicamente com potencial de produção, Vale de Madruzi, motivada pelas pragas e queda irregular das chuvas na presente campanha agrícola 2024/2025. Mesmo assim, existem reservas e a segurança alimentar está garantida.

O vereador das actividades económicas no Conselho Municipal do Dondo, Jorge Vilanculos, referiu que a seca que afectou a região não comprometeu a colheita de arroz, uma das culturas mais importantes para a dieta alimentar local e para a renda das famílias camponesas.

Os dados do sector da agricultura na autarquia de Dondo apontam 18.573 hectares de produção para a época 2024/2025, mas a colheita do arroz parou numa representação de 17.786,2 hectares, representando um défice considerável. São dados ainda em actualização, mas já existe uma estimativa de 162,5 de perdas.

“Essa área [perdida] é insignificante para nós conforme constam os dados, a produção este ano foi boa, existem reservas e a segurança alimentar está garantida”, garantiu Jorge Vilanculos.

O município de Dondo chama à consciência para que os produtores locais conservem a semente e coloquem parte da colheita no mercado, garantindo a sustentabilidade económica até março de 2026 – período crítico antes da segunda época de produção agrícola.

A Vereação das Actividades Económicas no Conselho Municipal do Dondo diz que tem feito o acompanhamento durante este período crítico, através de culturas de época fresca, em especial, hortícolas.

Em parceria com o governo distrital, através do Serviço Distrital das Actividades Económicas (SDAE), “temos criado algumas ideias para os produtores terem espaço de exposição dos seus produtos, tanto os da 1.ª e 2.ª época”, disse Vilanculos.

A queda irregular das chuvas motivou alguns produtores a semearem pela segunda vez nas várias culturas. Por exemplo, na primeira quinzena de outubro de 2024, os produtores já faziam transplante de arroz, sementeira de algumas culturas o deixa muitos deles na incerteza em relação ao período exacto de chuvas.

“A chuva só cai entre final de dezembro, janeiro e fevereiro o que complica o calendário agrícola dos produtores”. Portanto, exige dos produtores a adaptação deriva das mudanças climáticas, disse a autoridade municipal, reconhecendo que ainda “existe alguma resistência de produtores que ainda não assumiram” a realidade, “mudanças climáticas” e o trabalho do governo é de sensibilizar e fazer perceber que constitui uma realidade”. (Narcísio Cantanha).

Reclamações de empreiteiro levam a descoberta de saques indevidos de 5.278.678 no Município de Gorongosa

Apesar da aprovação das facturas, o empreiteiro continuava sem pagamentos do seu trabalho, levando-lhe às reclamações sucessivas. A situação motivou uma equipa técnica de monitoria do Projecto composta por peritos de Finanças e Infra-estruturas a deslocar-se ao Município de Gorongosa, em Sofala, onde descobriu saques indevidos de 5.278.678. meticais. A edilidade é obrigada a devolver os fundos.

O Governo de Moçambique celebrou com o Banco Mundial o acordo de financiamento para o financiar o Projecto de Desenvolvimento Urbano e Local (PDUL) no montante de USD117M. O objectivo do Projecto é o de fortalecer o desempenho institucional e prover melhores infra-estruturas e serviços às entidades locais participantes, com efectividade de outubro de 2020 até 2025.

O documento “Suspensão da disponibilidade de fundos financiados pelos SDMs ao Município de Gorongosa” revela que uma “parte do valor do financiamento no montante de USD52M é destinada às Subvenções de Desempenho Municipal (SDM‘s) no qual o Município de Quelimane é beneficiário.

Um único ofício junta outros documentos somando 14 páginas, com detalhes dos saques indevidos e regularizados, a partir de 1 de dezembro de 2022 a 04 de abril de 2025. São 39 movimentações da conta PDUL, com valores tirados que variam de 5.000 meticais a 1.200.000 meticais, criando o “buraco” de 5.278.678.00 meticais.

Actualmente, o Município de Gorongosa está a implementar parte das actividades elegíveis e aprovadas pelo Governo de Moçambique e pelo Banco Mundial, esta entidade na qualidade de financiador do Projecto.

“No seguimento das reclamações sucessivas de não pagamento de facturas do empreiteiro (SL Engenharia, Lda) relativas aos Pontões de Nhataca 2 e Matucudur, aprovadas pela UGP, uma equipa técnica de monitoria do Projecto composta por Finanças e Infra-estruturas deslocou-se de 8 a 11 de abril de 2025, ao município de Gorongosa para verificar os processos administrativos e financeiros (no DAF), bem como o desenvolvimento das actividades de obras”. Lê-se no documento a que o “Profundus” teve acesso.

Na visita em referência, foram “constatadas infracções graves relacionadas aos saques indevidos de valores da conta das SDM‘s, num total de MZN 5.278.678.00, pelo qual lamentamos informar”, lê-se no documento, obrigando que “o município proceda à devolução do valor de MZN 5.278.678,00 (Cinco Milhões, duzentos setenta e oito mil, seiscentos setenta e oito meticais) para a conta das SDM‘s até dia 26 de maio de 2025, sob pena de não disponibilização de fundos, nem pagamentos das actividades em curso”.

Que o município apresente a pasta “alegadamente extraviada com os processos de despesas inelegíveis realizadas”.

O mesmo ofício n.º 63/MAEFP/GM/DNDA/2025 do Ministério da Administração Estatal e Função Pública, a que o “Profundus” teve acesso, inclui o acordo de participação, cópias do relatório de visita de monitoria e extracto bancário da conta designada SDM‘S de 1/1/2020 a 9/4/2025.

O relatório de visita ao município de Gorongosa expõe que do trabalho realizado “verificou-se que alguns processos não estão carimbados, alguns processos não têm o comprovativo original e sim cópias, mas o grave de todo o trabalho foi de identificar saques indevidos na conta bancária do PDUL para o financiamento de actividades inelegíveis do Projecto”.

“O Governo reitera que o Município proceda com o encerramento do processo em referência dentro do prazo estabelecido, por forma que seja autorizada a disponibilização de fundos para dar seguimento às actividades em curso”, lê-se no documento datado de 14 de abril de 2025. Mas até ao fim desta redacção, a edilidade não reagiu se teria devolvido ou não o dinheiro saqueado.

O apuramento dos saques está conforme uma tabela anexa ao relatório. Durante as movimentações bancárias houve algumas “regularizações (poucas), sendo que [o dia 09 de abril de 2025, dia da verificação] o saldo em aberto para a devolução à conta do PDUL [era] de 5.278.678,00”.

Houve necessidade de recorrer ao Banco, Millennium BIM para a obtenção de extractos bancários originais carimbados, uma vez que os extractos apresentados pelo município não têm o carimbo do banco, não apresentavam informação fidedigna e realística da situação financeira do PDUL no município e os mesmos foram viciados.

Todos os processos que constam na tabela dos saques indevidos até o fim dos trabalhos, não foi possível localizar nenhum deles, “a informação recebida é que a pasta foi extraviada e não se consegue localizar”.

O ofício da Unidade de Gestão do Projecto no Ministério da Administração Estatal e Função Pública recomenda “ao município que solicite extractos bancários originais e carimbados ao Banco desde o início do Projecto até ao fim do projecto e façam constar nas pastas esses extractos autênticos (mesmo que as pastas já tenham sido auditadas os extractos devem ser anexos) ”. Aliás, [De 9] a 25 de abril, foi solicitada a apresentação de uma carta formal do Município endereçada a Unidade de Gestão do Projecto com o plano de amortização para a devolução do valor em aberto.

Estas “vasculhas” no Município de Gorongosa envolveram também funcionários da edilidade como o sector das finanças e obras. (Muamine Benjamim).

Sofala: Fundação Tzu Chi vai entregar mais de 840 casas e 10 escolas a vítimas de Ciclone Idai

A Fundação de Caridade Tzu Chi Moçambique vai entregar no próximo dia 03 de setembro, 840 de um total de 2.067 casas sendo construídas no Centro de Reassentamento de Guara-Guara, no distrito de Búzi, além de dez escolas entre Nhamatanda e Beira.

As 840 habitações fazem parte do pacote de apoio às comunidades afectadas pelo ciclone Idai em 2019 no centro de Moçambique e, à luz de memorando que a Tzu Chi tem com o Governo de Moçambique,

Em Sofala, a Tzu Chi vai entregar, até abril de 2026, ao todo, 3.023 construções, sendo 3 mil habitações e 23 escolas, nos distritos de Búzi, Beira, Dondo e Nhamatanda.

Das mais de 3 mil construções, neste momento, já foram entregues 1.611 casas às comunidades de Sofala, depois do início das obras em 2021.

Ontem, o Presidente da Fundação de Caridade Tzu Chi, Dindo Foi, revelou que ainda em setembro, também serão entregues dez escolas.

As construções de 840 casas que serão entregues em setembro próximo, iniciaram em março deste ano em curso. Enquanto as “10 escolas” das 13 iniciaram (Nhamatanda e Beira) começaram a ser “erguidas em 2024”, esclarece Dino Foi.

Em 2024, o Presidente nacional da Tzu Chi, em mensagem na ocasião de inauguração da maior escola secundária pós-independência no país, em Mafambisse – Dondo, disse:

“Quando o ano de 2025 estiver a terminar, a Fundação de Caridade Tzu Chi, através do Projecto de Reconstrução Pós Idai, estará também a chegar ao fim da sua execução, com a edificação de raiz, de 23 escolas e 3000 casas convencionais, na província de Sofala, num investimento de 108 milhões de dólares americanos (cerca de 6.912.000.000 de meticais).

”Quando falamos de 23 escolas, incluímos a reabilitação da Universidade Católica de Moçambique, Delegação da Beira, que foi a primeira a ser intervencionada pela nossa Fundação, bem como, o Centro de Formação de Técnicos de Saúde de Nhamatanda, que esperamos e acreditamos que com o esforço de todos, e a Fundação fará o seu papel, para que esse respeito se transforme em instituto”.

O período chuvoso de 2018/2019 foi dos mais severos de que há memória no País, ao matar 714 pessoas, incluindo 648 vítimas dos ciclones Idai e Kenneth, dois dos maiores de sempre a atingir Moçambique. (Muamine Benjamim).

Comunidade de Chibundo já tem vedação eléctrica móvel pela Gorongosa

O Parque Nacional da Gorongosa (PNG) entregou a vedação eléctrica móvel à comunidade de Chibundo no posto administrativo de Inhamitanga, distrito de Cheringoma, em Sofala. São 5km² para proteger os campos agrícolas da população local contra a invasão de animais bravios, minimizando os problemas de conflito da fauna bravia.

Há duas semanas que a comunidade de Chibundo, sente os impactos da vedação eléctrica móvel.

No dia da entrega, os régulos, líderes comunitários, representantes da Gorongosa e a comunidade realizaram uma cerimónia tradicional, simbolizando o respeito a cultura local para o sucesso das actividades locais, em destaque para a entrega da vedação de 5km², sendo a primeira em Cheringoma, Zona de Desenvolvimento Sustentável do Parque Nacional da Gorongosa.

Na ocasião, o gestor do Programa de Coexistência Homem-Fauna Bravia do PNG, Piano Jantar, destacou que o objectivo fundamental do programa é identificar as comunidades que sofrem com ataques de animais bravios e implementar estratégias de protecção agrícola.

“O programa de vedação eléctrica já foi implementado com sucesso nos distritos de Gorongosa e Nhamatanda. A comunidade de Chibundo no posto administrativo de Inhamitanga é a pioneira a beneficiar deste Programa no distrito de Cheringoma”, disse Piano Jantar.

Piano Jantar apelou à comunidade para fazer o bom uso da vedação eléctrica para a sua durabilidade.

A vedação eléctrica móvel funciona com um sistema de painel solar.

A comunidade mostrou-se satisfeita com a entrega da vedação eléctrica, destacando que agora poderão cultivar as suas machambas sem o risco de invasão por animais bravios.

“Queremos agradecer ao Parque Nacional da Gorongosa por nos ajudar a proteger as nossas machambas. Devemos conservar esta cerca para proteger as nossas machambas por muitos anos”, disse Maria Nunes Marques.

A comunidade antevê redução de conflitos de fauna bravia, produção e produtividade agrícolas, sendo que também é apoiada com sementes e técnicas de agricultura.

“Antigamente, sofríamos muito com a invasão por parte dos animais bravios nas nossas machambas. Agora, com esta vedação eléctrica, vamos fazer uma boa produção nas nossas machambas”, disse José Mines Tesoura.

A comunidade quando avaliar que na zona vedada já não há invasão de animais, poderá mover a vedação eléctrica para outro lugar que regista o problema.

Desde a protecção do ambiente natural, de fontes de alimentos ou de pessoas até a contenção segura de animais – o sucesso de uma cerca eléctrica está comprovado. (Manuel Gado).

Mais de 100 alunos deixam de estudar em “salas-tendas” na Vila de Nhamatanda

A Escola Primária 10 de Junho no 11. ° Bairro – Filipe Samuel Magaia recebeu novas duas salas de aulas construídas pelo Conselho Municipal da Vila de Nhamatanda. Os 124 alunos deixam de percorrer longas distâncias à procura de escolas em condições condignas para aprender o A, B e C.

Trata-se de uma escola independente que começou a funcionar este ano em curso, com a 1.ª Classe. Em tendas improvisadas, o processo de ensino-aprendizagem era influenciado pelas chuvas, mas agora, os alunos estudam em condições condignas.

O edil de Nhamatanda, António Charumar João disse que entregou “duas salas de aulas com 50 carteiras”, reiterando que “o custo foi de 2.000.700 meticais”.

As construções incluem dois balneários, sendo um para os alunos e o outro para os professores.

O edil apelou aos “munícipes a cuidarem das nossas salas, fazendo o bom”.

Segundo o director da Escola Primária 10 de Junho, receber as infra-estruturas representa um “ganho para as comunidades e para os próprios alunos””.

Os alunos estudavam debaixo de tendas improvisadas, o que colocava em risco não apenas a saúde dos futuros gestores de Moçambique, mas também de quem lhes ensina.

“É um ganho porque os alunos do bairro já não vão percorrer longas distâncias [à procura de escola] em condições condignas”.

Ali, o A, B e C é entre as paredes e janelas, sem exposição ao sol, chuva e muito pouco influenciado pelo ambiente externo das ruas limítrofes da escola.

A escola foi entregue durante as celebrações de 87 anos da Vila de Nhamatanda, a 10 de Junho do ano em curso. (Muamine Benjamim).

Dondo: Madrasta detida indiciada de envenenar enteado de 7 anos

Uma mulher de aproximadamente 30 anos de idade, madrasta de um menor de 7 anos, encontra-se detida no Comando Distrital da Polícia da República de Moçambique (PRM) no distrito de Dondo, em Sofala, indiciada de ter causado a morte da criança por envenenamento.

Osvaldo vivia com o pai, a madrasta e um irmão de 2 anos, no bairro Consito em Dondo. Perdeu a vida na tarde da última quinta-feira, sendo transportado para o Centro de Saúde local, depois de encontrado deitado no chão.

Parecia um dia normal, mas mudou na tarde do dia. “De manhã, preparei a comida que havia sobrado da noite anterior, xima, e dei ao pai e às duas crianças para o pequeno-almoço depois de comer, saiu para a Beira”, após a partida do marido, decidiu dar banho aos dois meninos porque as roupas estavam a cheirar a urina.

“Lavei primeiro o mais velho e depois o mais novo, vesti-os o mais velho disse-me que queria ir brincar. Eu autorizei, mas alertei que deveria brincar perto de casa e estar atento à hora, porque o pai voltaria em breve”, relatou.

A indiciada, disse que o menino saiu a jogar bola e minutos depois até que vizinhos deram o alerta.

“Três rapazes que passavam viram o corpo, logo me chamaram dizendo que o Osvaldo estava deitado lá dentro [casa de banho] aproximei e percebi que a criança estava no chão. Chamei a vizinha, dona da casa que também notou um cheiro estranho, que parecia ser de ratex”, descreveu.

Já o pai da vítima, Augusto Peranhe, relatou em lágrimas os instantes de aflição que viveu ao encontrar o filho em agonia. “Quando saí de casa deixei o meu filho bem. No meu regresso, a minha irmã — que é dona da casa —, ao me ver entrar no quintal, disse: ‘Mano, corre lá, a criança está mal na casa de banho’. Fiquei sem entender, porque tinha deixado a criança saudável. Ela disse que tinha sido envenenada. Corri até à casa de banho e encontrei o meu filho deitado no chão, com a roupa molhada e já com sinais de despedida. Peguei nele e levei de [moto-taxi] até ao hospital. Lá recomendaram-me comprar leite, mas quando regressei já estava sem vida.”

“De manhã havia uma xima que tinha sobrado. Eu comi a minha parte e saí de casa. O meu filho também comeu. Agora não sei o que aconteceu depois da minha saída”, o exame de autópsia veio trazer novos contornos ao caso. O relatório médico aponta que a causa da morte foi ingestão de água envenenada, descartando a hipótese de intoxicação alimentar.

Diante do desfecho, o pai levanta suspeitas sobre as tensões que marcavam a convivência familiar. “Resta saber quem fez isso. A convivência já não era fácil, sempre vivíamos em constantes desentendimentos. Mas saber que, no coração dela estava a pensar em fazer uma coisa destas, eu não sei”, desabafou o pai da vítima.

Falando na última sexta-feira à imprensa, o porta-voz do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) em Sofala, Alfeu Sitoe, apontou a madrasta da vítima como suspeita do momento.

“É natural que ninguém assuma de imediato a prática de um crime desta natureza, mas se olharmos para o contexto e histórico, a primeira responsabilidade recai sobre a madrasta. Mesmo que não tenha administrado directamente a substância, houve no mínimo negligência” sublinhou ainda que todo menor exige cuidado e atenção.

Segundo o porta-voz, a suspeita teria percebido que a criança passava mal antes do regresso do pai, mas não tomou qualquer medida para levá-la ao hospital.

“Ela [madrasta] limitou-se a esperar o regresso do pai [do menor], em vez de procurar ajuda médica, isso reforça os indícios contra si. Além disso, há um antecedente grave: o filho biológico desta senhora também perdeu a vida em circunstâncias semelhantes, supostamente por envenenamento, na ausência do pai”, acrescentou Alfeu Sitoe.

A autópsia realizada ao corpo da vítima revelou a presença de uma substância tóxica, vulgarmente conhecida por ratex, usada habitualmente para matar ratos, confirmando a hipótese de envenenamento.

As investigações continuam, porém, o porta-voz do SERNIC destacou que as evidências recolhidas são fortes e justificaram a detenção imediata da madrasta.

“As diferenças não podem transformar-se em raiva ou violência. Crianças não devem ser vítimas de conflitos conjugais, nem alvo de substâncias tóxicas administradas de forma intencional. Precisamos cultivar a harmonia dentro das famílias para evitar tragédias como estas”, apela Alfeu Sitoe.

O caso choca a comunidade e reabre debates sobre os níveis de violência doméstica e segurança infantil em ambientes familiares conflituosos.

Noutra abordagem, o SERNIC anunciou a detenção de um cidadão na cidade da Beira, indiciado de burla agravada. Teria burlado pessoas com a promessa de venda de terrenos, arrecadando 103 mil meticais.

“A terra em Moçambique pertence ao Estado e não pode ser vendida. Este cidadão recolheu valores de pessoas, mas nunca disponibilizou qualquer parcela, ficando com o dinheiro em seu poder”, explicou Sitoe.

Ainda em Sofala, no distrito de Nhamatanda, foi detido outro cidadão, indiciado de homicídio agravado. O caso está em fase de instrução preparatória, após a investigação ter revelado fortes indícios contra o acusado.

O porta-voz do SERNIC apela para uma convivência saudável nas famílias e na sociedade em geral. “As diferenças não podem transformar-se em raiva ou violência”. (Narcísio Cantanha).

 

Gorongosa leva palestras contra o uso de plásticos em Muanza

Há dez anos, Moçambique implementou o Regulamento de Gestão e Controlo de Sacos Plásticos, que estabelece normas para a sua produção, importação e comercialização, com o objectivo de reduzir os impactos negativos deste mate rial na saúde e no ambiente. Mas a realidade mostra outra preocupação, levando o Parque Nacional da Gorongosa a desenvolver acções para mitigar o problema.

Na Zona de Desenvolvimento Sustentável do PNG, por exemplo, evidências são visíveis de sacos plásticos espalhados nas comunidades.

Enquanto a proposta para o banimento total do plástico não avança para aprovação, e o mercado segue inundado por sacos descartáveis, a Gorongosa sensibiliza as comunidades para práticas sustentáveis.

Para a supervisora da Educação para Conservação no PNG, Rosa Zimba, embora se saiba que as comunidades estão informadas na gestão de resíduos sólidos, o distrito de Muanza continua com os descuidados com o plástico. “Por esta razão, reforçamos esta informação, se não tiver contentor de lixo, então tenha algumas alternativas para não criar problemas ambientais”.

Rosa Zimba reconhece que as comunidades estão desprovidas de meios económicos financeiros, por isso, aconselha para que “faça a reutilização do plástico, uma vez que adquiriu com muito sacrifício”, disse.

Além da reutilização do plástico, existe uma alternativa que é uma sacola feita a capulana.

A forma de combater a poluição por plástico é ir além da reciclagem e encontrar formas de limitar os impactos ambientais e de saúde causados por esta poluição. Isto implica analisar todas as fases da vida dos produtos – produção, concepção, consumo e eliminação – através de uma abordagem de ciclo de vida. Na prática, significa reduzir a dependência de plásticos de uso único, redesenhar produtos para serem mais duradouros, seguros, reutilizáveis e recicláveis, procurar alternativas e evitar que estes escapem para o ambiente.

A recente palestra da Gorongosa decorreu na última quarta-feira, no distrito de Muanza, na vila sede distrital, envolvendo 42 participantes entre membros do Governo e liderança comunitária.

“Aprendemos sobre a poluição plástica. Exemplo, alimentos que compramos e guardamos no plástico, depois, consumimos podem estar contaminados e prejudiciais a saúde”, revelou Torge Silva Djequecene, reiterando que “as pessoas por não terem conhecimento deitam de qualquer maneira os plásticos”.

“Vamos levar esta mensagem para outros” que não participaram na capacitação, “de modo a evitarmos a poluição plástica”, garantiu Torge Silva Djequecene.

O ciclo de vida do plástico também contribui para as alterações climáticas. A produção de plástico, um processo com elevada exigência energética, foi responsável por mais de 3% das emissões globais de gases com efeito de estufa em 2020, segundo estimativas.

“Hoje tivemos conhecimento sobre o plástico preto que é muito perigoso, mas é o que tem demais no mercado moçambicano. É “perigoso porque demora tempo para se decompor”, pode levar 20 anos. Com isso, através desta palestra que o parque organizou saímos com conhecimento de como fazer bom uso do plástico”, disse Tomé Sainda, depois da capacitação.

Se nada for feito para travar este fluxo, estudos científicos e estatísticas da Organização das Nações Unidas (ONU) prevêem que, em 2050, haverá mais plástico do que peixe nos oceanos. É por isso que é tão importante tomar medidas e colocar os resíduos no seu lugar e chamar à consciência de cada um para ser vigilante e responsável pela limpeza do ambiente em que se encontra inserido. (João Cipriano).

Centenas de pessoas plantam árvores para protecção de elefantes e leões da Gorongosa

O Parque Nacional da Gorongosa (PNG), através do Programa Clube Ambiental, sensibilizou as comunidades de Mucodza e Nhandar no distrito de Gorongosa, durante as celebrações do Dia Mundial do Leão e Dia Mundial do Elefante, 10 de Agosto e 12 de Agosto respectivamente.

Mais 500 pessoas participaram no plantio de árvores e na sensibilização por teatro para a conservação destes animais em extinção.

Na ocasião, a supervisora distrital do Programa Educação para a Conservação, Narcísia Alberto Farneira, avaliou o abandono de algumas práticas antigas, com destaque para a queimada descontrolada e o abate das árvores. A comunidade tende a reduzir estas práticas “nocivas pelos trabalhos desenvolvidos pelos Clubes Ambientais da Gorongosa”.

Narcísia Farneira apelou às comunidades a abandonarem as más práticas para evitar a extinção desses animais, e optar pelas boas práticas para que esses animais continuem realizando as suas actividades.

Eliza Languitone, membro da comunidade descreve que vivia queimando de qualquer maneira, como a queimada descontrolada. Com as actividades do Parque Nacional da Gorongosa, a sua comunidade já conhece e segue as boas práticas.

Segundo explicou Emílio Tomé Cadeado, um dos participantes, a data representa o reconhecimento da existência desses dois animais.

As comunidades desenvolviam atividades de caça furtiva, abate das árvores como um acto normal por falta de conhecimento sobre a conservação e a biodiversidade. Mas agora, Emílio Tomé Cadeado não apenas avalia a mudança de comportamento na Conservação, mas também no desenvolvimento humano: “já se nota um crescimento na comunidade desde conservação dos animais (Biodiversidade) à eliminação das uniões prematuras”, através de outros programas integrados. (Ana Cleta Coimbra).

 

Crianças activistas do Ambiente e Gorongosa juntos na protecção dos elefantes e leões

Em outras ocasiões, estas crianças são chamadas de “sodjas”, literalmente “soldado” em língua cysena nas comunidades ou simplesmente crianças activistas do ambiente, pelo seu carácter de educação ambiental. Não foram diferentes ao se unirem nas celebrações do Dia Mundial do Leão e o Dia Mundial do Elefante, com o Parque Nacional da Gorongosa, na localidade de Bebedo, interior do distrito de Nhamatanda.

Na ocasião, a palestras e o teatro marcaram as comemorações, envolvendo mais de 200 participantes.

As crianças activistas do ambiente como são chamadas na Zona de Desenvolvimento Sustentável do Parque Nacional da Gorongosa (PNG), não faltam em eventos de renome sobre a Conservação. Estes miúdos existem nos seis distritos, nomeadamente, Gorongosa, Nhamatanda, Maringué, Muanza, Dondo e Cheringoma.

O supervisor do Programa de educação para Conservação no PNG, Gonçalves Albino Maringuire, fala das características do elefante.

“Os elefantes são animais que vivem em grupos liderados pelas fêmeas. Os machos são observados sozinhos ou vivendo em grupos menores. Esses animais são capazes de realizar comunicação por meio da produção de sons, os quais são variados e podem ser produzidos vocalmente ou por meio de batidas. Destacam-se, ainda, por sua inteligência e por apresentarem um grande cérebro. Apresentam alta expectativa de vida, sendo capazes de viver entre 60 e 70 anos”, disse Gonçalves Maringuire.

Gonçalves Maringuire apela às comunidades para não matarem os animais da Gorongosa.

Um dia antes das celebrações, as crianças activistas do ambiente de Nhamatanda fizeram safari na Gorongosa conhecendo de perto os leões e elefantes.

Mateus Filipe Jossefa, disse que aprendeu tantas matérias que não sabia sobre elefante, pensava que o elefante é um animal que apenas destrói. “Mas com aquilo que aprendi, percebi que o elefante é um animal de muito valor, se não fosse elefante não teríamos algumas frutas no mato, não teríamos certas plantas de valor. Ele come qualquer fruta com semente. Quando defecar é aí onde germina de acordo com as sementes que engoliu”.

Outro membro do Clube Ambiental em Bebedo é Florência Manuel que disse que através dos elefantes, “a Gorongosa nos ajuda muito. Os turistas quando visitam o Parque e fazem safari para ver elefantes, pagam uma quantia de dinheiro para ver esses animais, é esse dinheiro que é usado para as construções das infra-estruturas e lanche nas escolas”.

Florência apela às comunidades para não matarem os elefantes porque eles também têm direito à vida.

Uma criança saudável é capaz de sonhar e perseguir os sonhos. Para tal, os miúdos activistas do Ambiente são apoiados em matérias relacionadas a Saúde, Conservação, Nutrição, Higiene, Saúde Sexual e Reprodutiva, Educação através de vários programas da Gorongosa. (Luísa Franque).

 

Comunidades focadas na protecção de elefantes e leões em Muanza

O Parque Nacional da Gorongosa (PNG) juntou 268 pessoas sendo 173 homens e 95 mulheres das comunidades do distrito de Muanza, em Sofala, para comemorar o Dia Mundial do Leão e o Dia Mundial do Elefante, 10 e 12 de Agosto de 2025, respectivamente. Os participantes garantiram estar focadas na protecção desses animais em extinção.

A celebração destas datas visa aumentar a consciencialização sobre os desafios que os Leões e Elefantes enfrentam. Ao mesmo tempo promover acções para garantir a sua sobrevivência, lembrou a supervisora do Programa de Educação para Conservação, Rosa Zimba, no PNG.

Segundo Rosa Zimba, estes animais enfrentam inúmeras ameaças, incluindo a caça furtiva, perda do habitat e conflitos com os humanos.

Rosa Zimba, os elefantes são espécies-chave que desempenham um papel crucial na manutenção da saúde dos ecossistemas. Eles espalham sementes, abrem caminhos, facilitando a passagem e circulação de animais de pequeno porte, fertilizam o solo através dos seus excrementos, quando se alimentam das folhas das árvores, quebram galhos facilitando a alimentação a outros animais e permitem a penetração dos raios solares na selva para o crescimento de outras espécies.

“Temos conhecimento de que estes animais estão em vias de extinção e é preciso redobrar o esforço de como os conservamos e evitar a caça furtiva para que se multipliquem. Alias, o meio ambiente é o abrigo dos animais”, reconheceu Tomé Sainda.

Durante o evento, “aprendi o quanto esses animais são importantes, eu não sabia”, reconheceu Rosa Andrade Augusto, apelando aos outros para não abaterem esses animais”.

“Para conservar esses animais é crucial combater o comércio ilegal da vida selvagem, proteger e restaurar seus habitats e aumentar consciencialização sobre a importância dessas espécies”, disse Jacinta Manuel.

Os cânticos, dança e teatro promovidos por membros do Clube Ambiental da Escola primária de Muanza-sede descreveram a importância de preservar os elefantes e leões. (João Cipriano).

Jornal Profundus

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