Comunidades de Nhabaua e Chidanga juntas na Conservação dos elefantes e leões da Gorongosa

Celebrados anualmente a 10 e 12 de Agosto, os Dias Mundiais, do Leão e do Elefante, respectivamente, o Parque Nacional da Gorongosa (PNG) juntou as comunidades de Nhabaua na Escola Básica de Chite e comunidade de Chidanga na Escola Básica de Dimba, no distrito de Cheringoma, para o plantio de árvores e sensibilização para a conservação destes animais em extinção. O evento envolveu 184 pessoas sendo 68 mulheres, entre membros da comunidade, membros de conselho de escolas, alunos do Clube Ambiental, líderes comunitários e pais encarregados de educação.

Na ocasião, o supervisor distrital do Programa de Educação para a Conservação no PNG, Lucumane Issufo Agy, explicou que o objectivo principal da celebração dessas datas é promover a conservação dos elefantes e leões e do seu habitat natural e aumentar a consciência global sobre os riscos que essas espécies enfrentam, como perda de território, caça ilegal e conflitos com humanos.

Lucumane Issufo Agy alertou sobre as ameaças que colocam o elefante e o leão em perigo, como queimadas descontroladas, abate indiscriminado de árvores e caça furtiva.

“Promovemos palestras de sensibilização e celebramos datas ambientais para difundir informação sobre a importância da preservação”, disse Lucumane Issufo Agy.

“Apelamos para que as novas gerações continuem a plantar árvores, participar em actividades comunitárias e evitar acções que degradam o meio ambiente”, disse Lucumane Issufo Agy.

Também presente, Lúcia Mabuleza, residente no bairro Chite, reforçou a importância de transformar o conhecimento em acção: “O Parque Nacional da Gorongosa ajuda a preservar estes animais, mas nós, como comunidade, também devemos aplicar as informações recebidas para proteger estas espécies. Agradecemos ao parque pelo apoio e pelos projectos que beneficiam a comunidade.”

“Estamos satisfeitos com o trabalho do Parque. Aqui [na zona de] Dimba não sofremos com a invasão de elefantes e conseguimos cultivar até à colheita,”, avaliou Domingas Sairosse Quirambe.

Já Luiz Francisco Sete, também residente em Dimba, elogiou a iniciativa e destacou o apoio recebido pela comunidade: “O Parque Nacional da Gorongosa construiu escolas e até nós, adultos, temos oportunidade de estudar. Vamos seguir as orientações para continuar a preservar os animais e o meio ambiente.”

O Dia Mundial do Elefante reforça a necessidade de unir esforços entre comunidades, autoridades e organizações para que estas espécies em extinção possam continuar a existir para as próximas gerações. (Manuel Gado).

Ele é teimoso (VENÂNCIO)

A coragem de Venâncio Mondlane anda fazendo mais barulho que panela de pressão em dia de apagão. Enquanto uns o chamam de herói da democracia, outros, especialmente os adversários com mais medo que gato em dia de fogos, preferem rotulá-lo de “agitador” ou até “ganancioso”. Pois é, meu amigo, quem não tem coragem de se expor nas redes sociais ou nas praças públicas, costuma inventar adjectivos, e não propostas.

Agora, a grande questão que paira sobre Moçambique é: será que o cenário político vai mudar? Alguns já colocaram o chá de lado e sentaram na cadeira só para acompanhar a novela, porque, convenhamos, ver a política local virou entretenimento de primeira. Entre discursos inflamados, reuniões estratégicas e pronunciamentos que parecem mais roteiro de série do que debate real, Mondlane segue causando aquele frisson que deixa o povo dividido entre “ufa, finalmente alguém ousa” e “socorro, até onde isso vai dar?”.

E, como em toda boa série, os personagens secundários não ficam atrás. Os adversários correm de um lado para o outro tentando desqualificar, mas acabam dando entrevistas tão contraditórias que mais parecem ensaios de comédia. É um verdadeiro festival de caretas, frases mal encaixadas e slogans que soam como trava-línguas. Enquanto isso, o cidadão comum observa, balança a cabeça e pensa: “Pelo menos agora a política está mais divertida!”

Entre apostas e palpites, não há dúvida: Venâncio Mondlane trouxe um ingrediente inesperado ao cenário moçambicano — a coragem que incomoda, diverte e atiça o debate. E se o país vai mudar ou não, só o tempo dirá. Mas, pelo menos, o espectáculo está garantido, e o povo está de camarote, pipoca na mão, rindo e se perguntando quem será o próximo a se tornar protagonista da política em versão comédia dramática.

Venâncio Mondlane chegou na política moçambicana como quem entra em um salão de festas com sapatos barulhentos: impossível de ignorar. Com suas “presidências virtuais”, onde pronuncia discursos pela tela e convoca seguidores das redes sociais como se fossem conselheiros de gabinete, ele virou um fenómeno. E a pergunta que não quer calar é: isso não está incomodando os adversários? Pois, convenhamos, nada deixa político mais nervoso que ver alguém fazendo barulho sem nem precisar sair de casa.

A recente aprovação do partido de Mondlane trouxe mais tempero ao cenário político. Uns comemoram como se o país tivesse ganhado na loteria da democracia; outros se agarram à cadeira, com os olhos esbugalhados, perguntando-se: “Será que agora ele vai ser preso?” E, se porventura acontecer, quem será seu sucessor? Imaginar a cena já é uma deliciosa ironia: a política moçambicana prestes a ter um herdeiro improvisado de coragem e irreverência, que certamente herdará não apenas seguidores, mas uma boa dose de confusão e risadas involuntárias.

A irreverência de Mondlane é, de facto, um prato salgado e açucarado ao mesmo tempo: corta, incomoda, mas também entretém e dá gosto à vida política do país. Ele mistura firmeza com ironia, coragem com provocação, e isso transforma cada pronunciamento em espectáculo. Entre adversários tentando desqualificar, comentaristas se atrapalhando nos palpites e cidadãos observando com pipoca na mão, a política moçambicana se torna, paradoxalmente, mais democrática e mais divertida.

O que mais impressiona é a capacidade de Mondlane de transformar tensão em espectáculo e adversidade em narrativa: cada crítica recebida vira combustível para engajamento; cada ameaça de repressão, motivo para mais visibilidade. E, enquanto uns choram sobre decretos e estatutos, outros se divertem com memes, posts virais e debates acalorados, todos orbitando em torno do mesmo nome.

Portanto, a pergunta que fica pairando no ar é a mais ácida: se a política fosse culinária, Mondlane seria o chef que mistura ingredientes que ninguém esperava combinar — e que provoca tanto suspiros de aprovação quanto caretas de indignação. A política em Moçambique nunca mais será a mesma, e talvez nem a coragem de Mondlane. Mas, por ora, o prato servido é saboroso, picante e irresistível, e o país, involuntariamente, participa desse banquete de humor, crítica e suspense político.

 

MP ALERTA EM SOFALA: Tráfico de menores para exploração sexual na vizinha África do sul

O Ministério Público (MP) em Sofala está a alertar a existência de casos de tráfico de menores para exploração sexual na vizinha África do Sul. Na sua maioria menores de 15 anos estão envolvidos, com destaque para os distritos localizados pela Estrada Nacional Número Seis (EN6).

Segundo o MP, na região central de Moçambique, Sofala, os traficantes atraem as suas vítimas e prometem oportunidades de emprego, formação e melhores condições de vida fora do país.

A magistrada do Ministério Público e coordenadora do Grupo de Referência para a Protecção da Criança e Combate ao Tráfico de Pessoas e Emigração Ilegal na Procuradoria Provincial, Clara Rodrigues, explicou que as vítimas na sua maioria são menores de 15 anos, recrutadas por pessoas próximas ou até mesmo membros da família.

A declaração foi feita no dia 30 de junho, na cidade do Dondo, por ocasião do Dia Mundial de Luta contra o Tráfico de Pessoas, onde se fazia acompanhar pela Procuradora-Chefe da Procuradoria Provincial de Sofala, Carolina Azarias.

“Até ao final do mês de julho deste ano, em termos de processos registados de tráfico de pessoas na província de Sofala, não tivemos nenhum. No entanto, há várias denúncias de focos de tráfico, e estas denúncias ainda estão a ser investigadas por forma a recolher elementos probatórios suficientes”, para posteriormente a respectiva responsabilização criminal, disse.

magistrada do Ministério Público e coordenadora do Grupo de Referência para a Protecção da Criança e Combate ao Tráfico de Pessoas e Emigração Ilegal na Procuradoria Provincial, Clara Rodrigues

Em Sofala, os distritos com denúncias de focos de tráfico de pessoas incluem, Chibabava, Nhamatanda, Muanza, Marínguè, Chemba, Machanga e Dondo.

“O nosso trabalho passa por investigar com profundidade e, caso haja provas suficientes, instaurar processos e levar os presumíveis traficantes ao banco dos réus,” explicou Clara Rodrigues.

Apesar da ausência de processos judiciais, a magistrada confirmou que existem sinais preocupantes em alguns distritos da província, onde foram reportadas situações suspeitas destacando como um dos exemplos o distrito Chibabava.

“Temos conhecimento de alguns casos possíveis de tráfico de pessoas. Daí que uma equipa do Grupo de Referência Provincial deslocou-se no dia 30 ao distrito [Chibabava] para realizar uma marcha de repúdio ao tráfico de pessoas e sensibilizar a comunidade,” explicou Clara Rodrigues.

Segundo Clara Rodrigues, “os distritos situados ao longo da EN6 são os que mais nos preocupam, exactamente por causa da questão do transporte. Chegam a ser distritos de passagem de possíveis pessoas traficadas,” reconhece, igualmente que há limitações logísticas e pouca denúncia, o que dificulta a intervenção imediata.

Embora o ano de 2024 não tenha registado casos formalizados, há histórico de tráfico de pessoas em Sofala, onde o último caso ocorreu no distrito de Marromeu em 2023, envolvendo duas menores.

“O último caso de que temos conhecimento ocorreu em 2023, e envolvia duas crianças do distrito de Marromeu que foram traficadas para a África do Sul. Graças à intervenção coordenada do Grupo de Referência a nível nacional, provincial e distrital, as crianças foram resgatadas e reunificadas com as suas famílias”.

O mais recente caso aconteceu em 2025. “Em junho deste ano, conseguimos reunificar na cidade da Beira uma moçambicana que havia sido traficada para a África do Sul, onde era explorada em trabalho forçado” sublinhou que foi reintegrada com o apoio das instituições competentes. (Narcísio Cantanha).

 

Gorongosa capacita agricultores em teste de poder germinativo das sementes

O Parque Nacional da Gorongosa (PNG) capacitou na última segunda-feira 25 agricultores da Associação MANJHA ASA PETZA em práticas para teste de poder germinativo de sementes agrícolas, no distrito de Dondo, região central de Moçambique.

No âmbito das acções de apoio à produção agrícola no povoado de Samba Nhou, posto administrativo de Savane, na província de Sofala, a técnica do sector de agricultura do PNG, tem vindo a promover formações práticas com agricultores, destacando a importância do teste de poder germinativo antes da sementeira.

As iniciativas do PNG visam garantir que os agricultores conheçam a qualidade das sementes que utilizam, prevenindo perdas e assegurando melhores colheitas.

As culturas abrangidas nesta prática de avaliação do poder germinativo são o gergelim, o milho, o feijão nhemba, o feijão vulgar, o amendoim e o feijão-bóer.

Na ocasião, a técnica de agricultura no PNG, Albertina Juga, explicou que o teste de poder germinativo é um procedimento fundamental para assegurar a qualidade das sementes utilizadas pelos produtores. “Serve para avaliar a capacidade que uma semente tem de germinar”, permitindo ao agricultor tomar decisões mais informadas sobre o momento e a viabilidade da sementeira.

“O processo [avaliativo do poder germinativo] é realizado 100 % para que o agricultor saiba, antes de semear no campo definitivo, se a semente irá germinar e, caso positivo, qual a percentagem de germinação que apresenta”, disse Albertina Juga.

Este teste não é apenas útil quando as sementes são oferecidas pelos programas de apoio [do PNG], mas também quando o produtor as adquirir no mercado.

“Hoje nós estamos a oferecer a semente, mas amanhã o produtor vai comprar na loja. Quando for comprar, antes de semear, ele deve saber qual é a percentagem de germinação. Se não germinar, terá base para reclamar ao vendedor”.

O procedimento é relativamente simples num pacote de 5 kg de milho, por exemplo, retiram-se 100 sementes que representam 100% da amostra e procede-se à germinação em condições controladas. “Se 70 dessas sementes germinarem, conclui-se que o lote apresenta 70% de poder germinativo”. Esta técnica é aplicada a todas as culturas, respeitando o tempo específico de germinação de cada espécie. “Dependendo do tipo de semente, contamos a partir do primeiro dia e fazemos o controlo da germinação. Por exemplo, o milho leva apenas três a quatro dias para começar a emergir”.

Ainda explica no processo germinativo, “no primeiro dia, contamos quantas sementes saíram e assim por diante, o que também nos ajuda a perceber quanto tempo a semente leva para germinar”, explicou Juga.

Para as áreas de sequeiro, recomenda-se a produção de milho, amendoim, feijão-bué e feijão-nhemba, culturas adaptadas às condições locais. E para as zonas irrigadas, as culturas mais indicadas são cebola e tomate, enquanto o repolho tem apresentado baixos rendimentos devido aos solos arenosos.

No campo experimental onde decorrem as actividades, “já se verificam bons resultados no feijão-nhemba e no milho”.

O amendoim continua em avaliação, aguardando os resultados do teste de germinação nos próximos dias.

Segundo, Arlindo Mucacana afirmou ter aprendido sobre a importância de avaliar as sementes antes da plantação. “Aprendi que é uma forma de avaliar a semente que nos é dada. Então, a primeira coisa é avaliar o poder que a semente pode trazer no campo e ver que tipo de semente corresponde com a nossa terra”, explicou.

Antes desta capacitação, a prática era diferente. “Recebíamos as sementes e lançávamos na terra. É aí onde havia dificuldades de não germinar, afinal de contas, era a falta desta avaliação que não trazia uma colheita satisfatória. Já passamos a conhecer qual semente lançar”, concluiu.

Antónia José, outra agricultora, afirmou que a formação representou um ganho importante, permitindo-lhe aprender a avaliar a qualidade das sementes antes da sementeira. “Já tivemos muitos prejuízos ao lançar sementes nas nossas machambas e não nascer nada. Agora conheço algumas das vantagens desse processo”, disse.

Antónia José lembrou antes de conhecer a técnica, lançava as sementes directamente aos campos de produção agrícola, uma ou outra germinava, o que resultava em perdas, sobretudo na produção de milho. (Narcísio Cantanha).

ELEFANTE E LEÃO: Gorongosa envolve comunidades na protecção dos gigantes da Natureza

Anualmente, é celebrado o Dia Mundial do Leão, 10 de Agosto. O Parque Nacional da Gorongosa comemorou o evento juntando com a data 12 de Agosto, Dia Mundial do Elefante, com as comunidades da sua Zona de Desenvolvimento Sustentável, envolvendo-lhes em acções concretas de Conservação como um chamado urgente para proteger estes dois gigantes da Natureza.

O PNG pretendia na sua Zona de Desenvolvimento Sustentável, mobilizar os munícipes, membros do governo, a comunidade escolar e as comunidades locais a participarem nas acções de preservação ambiental; consciencializar e sensibilizar a população para aderir às boas práticas conservacionistas do meio ambiente; promover acções focadas a mudanças de comportamentos em relação a conservação do meio ambiente para o bem-estar comum, reduzindo os impactos nocivos resultantes da sua degradação contra a vida dos elefantes e dos leões do Parque. Para tal, nas comemorações foram envolvidas mensagens práticas de Conservação, através de teatro, canções e plantio de árvores.

Segundo o gestor do Programa de Educação para Conservação do PNG, Dáglasse Massuinar, estas datas são dedicadas a consciencialização e a protecção dos animais que enfrentam inúmeras ameaças, incluindo a caça ilegal, perda do habitat e conflitos com os humanos.

O PNG levou as mensagens de conservação de elefantes e leões para as comunidades do distrito de Gorongosa (EPCs de Nhandemba, Nhanguco, Nhambita); Nhamatanda EPC Bebedo e Chiguedea; Muanza (EPC –sede); Dondo (EPC Chissange); Cheringoma (Escolas Básicas de Shiti e deDimba); Maringué (EPC 25 de Outubro), abrangendo centenas de pessoas.

“As celebrações visam aumentar a conscientização sobre os desafios que os leões e elefantes enfrentam e promover acções para garantir a sua sobrevivência”, reitera Dáglasse Massuinar, em mensagem sobre o Dia Mundial do Elefante e o Dia Mundial do Leão.

Leão e Elefante, dois gigantes da Natureza

Os elefantes são espécies-chave que desempenham um papel crucial na manutenção da saúde dos ecossistemas, eles espalham semente, abrem caminhos facilitando a passagem e circulação de animais de pequeno porte, fertilizam o solo através dos seus excrementos, quando se alimentam das folhas das árvores, quebram galhos facilitando a alimentação a outros animais e permitindo a penetração dos raios solares na selva para o crescimento de outras espécies.

Em muitas culturas, os elefantes são símbolos de sabedoria, força e longevidade, em algumas comunidades da África e em Moçambique em particular este animal é considerado como totem. Um totem representa uma força da natureza, um animal ou uma planta espiritual que não se deve matar ou cortar, que é a conexão das pessoas com o mundo natural.

O elefante é um dos maiores atrativos turísticos e que pela visita dos turistas contribuem para a economia nacional e para o desenvolvimento das comunidades locais.

A importância do leão para a natureza e para o Homem é a mesma de todo grande predador, que é de manter o ecossistema de onde vive equilibrado entre as espécies, para que nenhuma população se sobreponha à outra. Os leões são predadores que se encontram no topo da cadeia alimentar, controlam a população de presas, abatem os indivíduos mais vulneráveis, eliminam portadores de doenças e são essenciais para a manutenção de um ecossistema saudável.

Em algumas comunidades da África e em Moçambique em particular este animal é considerado como totem. Um totem representa uma força da natureza, um animal ou uma planta espiritual que não se deve matar ou cortar, que é a conexão das pessoas com o mundo natural. “O Leão é um animal muito importante na nossa cultura, porque se acredita que grandes líderes transformam-se em leões espirituais após a sua morte, como é o caso de alguns leões do PNG”, no famoso Chitengo, tanto que merece cerimónia tradicional anualmente, envolvendo as comunidades para que tudo corra bem na Gorongosa.

O leão é um dos maiores atractivos turísticos que pela visita dos turistas contribuem para a economia nacional e para o desenvolvimento das comunidades locais.

Ameaças dos elefantes e leões

As causas mais frequentes do declínio dos Leões são as mortes indiscriminadas em defesa da vida humana e do gado; a perda de habitat e de esgotamento da base de presas; isto ocorre em áreas onde as pessoas e leões convivem. Quando há chuvas fortes, por exemplo, os herbívoros selvagens – as principais presas dos leões – fogem das áreas inundadas e, por isso, os felinos podem acabar matando o gado e outros animais de criação, tornando-se alvos de retaliações das pessoas.

A caça furtiva e o comércio de carne de animais selvagens: os leões são perseguidos, envenenados, encurralados, caçados para serem vendidos em mercados clandestinos para a comercialização dos seus crânios, peles, dentes ou da sua gordura, bem como das suas garras como elementos de joalharia e para a produção de medicamentos;

Uma das coisas que mais contribuíram para o desaparecimento dos leões na natureza, além da caça furtiva, é a diminuição territorial deles. Como esses felinos possuem um senso de territórios muito fortes, quando perdem o seu habitat, ficam desnorteados, e mais vulneráveis.

A fragmentação e destruição de habitats, tráfico de marfim, a caça-furtiva, conflitos armados e secas intensificadas pelas alterações climáticas estão no topo da lista das principais ameaças à conservação dos elefantes-africanos, especificamente, na Gorongosa.

Um chamado urgente para protecção

Educação ambiental: consciencializar as pessoas sobre a importância do leão e da necessidade de protegermos o seu habitat;

Fiscalização eficiente – os agentes fiscalizadores devem continuar a ser rigorosamente seleccionados e treinados, inclusive em leis de conservação e direitos humanos;

Denúncias. As pessoas devem ser encorajadas a denunciar qualquer caso de caça furtiva e de comercialização de partes dos animais selvagens na comunidade;

Punição exemplar dos infractores: As pessoas envolvidas em casos de caça furtiva e comercialização devem ser capturadas e processadas criminalmente;

Cada família deve proteger o seu animal totem, isso cria uma harmonia entre as pessoas e a fauna bravia

Combate a caça furtiva: Fortalecimento das leis contra caca ilegal e aumento da vigilância nas áreas protegidas;

Protecção de habitats: Conservação e restauração dos habitats naturais dos elefantes;

Convivência pacífica: desenvolvimento de estratégias para reduzir os conflitos entre humanos e elefantes, como cerca de protecção e programas de compensação (construção de celeiros melhorados, currais melhorados), sensibilizar as comunidades a evitarem fazer campos de produção agrícola nos locais considerados como travessia dos elefantes. (Muamine Benjamim).

Gorongosa capacita tutores em gestão administrativa e pedagógica para ensino à distância

O Parque Nacional da Gorongosa (PNG), através do Programa Clube dos Professores, capacitou em cinco dias, 13 professores das Escolas Básicas de Mazamba e de Chite, além da Escola Secundária de Inhaminga, em matérias de Gestão Pedagógica e Administrativa dos Centros de Apoio e Aprendizagem (CAA’s), com o objectivo de garantir melhor aprendizagem dos alunos do segundo ciclo do ensino à distância.

Na ocasião, o gestor do programa de ensino e apoio à formação de professores no PNG, Arque Chirua, disse que a indução dos professores tem por objectivo contribuir para maior e melhor aprendizagem dos alunos do segundo ciclo do ensino à distância.

“Já graduamos cerca de 53 estudantes dos quais 18 são mulheres e isso nos alegra porque já temos mulheres que pelo menos já fizeram o primeiro ciclo do ensino secundário, explicou Arque Chirua, reiterando que “esta é uma acção que é consequência de outra anterior que tem sido feita pelo Parque Nacional da Gorongosa em parceria com Serviço Distrital de Educação e Juventude e Tecnologia (SDEJT) de Cheringoma, financiada pelo governo do Canadá”.

O supervisor Provincial do Ensino à Distância, Victor Nginga, louva a iniciativa do Parque Nacional da Gorongosa para garantir a qualidade da educação.

Para Sofala, Victor Nginga apontou os desafios do ensino à distância como a fraca divulgação da nova Lei do Sistema Nacional de Educação 18/2018 de 28 de Dezembro aos professores, dificuldades na impressão e multiplicação dos novos módulos do ensino à distância que até agora só circulam em formato electrónico, por isso, apela à busca de condições locais para multiplicação dos módulos.

“As comunidades precisam de ter informações que existem esta modalidade de ensino”, reiterou o supervisor provincial do ensino à distância.

Aos alunos à distância, o supervisor provincial motiva-lhes pela “decisão de terem abraçado os estudos. As nossas escolas estão abertas para receber os alunos” disse Vitor Nginga.

A capacitação também permitiu a troca de experiências em matérias de Conservação do Meio Ambiente, no distrito de Cheringoma, por isso, envolveu palestra sobre a missão e actividades do PNG.

Entre as matérias discutidas, consta a partilha de documentos normativos do programa de ensino secundário à distância, apresentação do regulamento, organização e estruturação, objectivos do programa de ensino secundário à distância.

Na ocasião, o representante do SDEJT, Marcos Macuengere, exortou “aos capacitados que levam a sério aquilo que aprenderam” para implementarem nas escolas.

Dos 13 professores participantes da capacitação, cinco são mulheres e oito homens.

“Os conteúdos abordados na capacitação foram bons e de extrema relevância para o processo de ensino–aprendizagem, concretamente o ensino secundário à distância, disse o professor da Escola Secundária de Inhaminga, Jordão Zondo.

“Saio daqui com muita bagagem e o que mais me deixou feliz neste programa é a inclusão das mulheres. Se colocarmos em prática tudo o que aprendemos, iremos trazer melhorias para o programa”, disse.

O distrito de Cheringoma passará a contar com dois centros de ensino secundário à distância, nomeadamente, Escola Secundária de Inhaminga e o recém-criado Centro na Escola Básica de Mazamba. (Manuel Gado).

Novo Podcast “Futuro de África” amplifica vozes da juventude africana que redesenha o mundo

Nova Iorque, 12 de Agosto de 2025 – A Fundação das Nações Unidas anunciou na última terça-feira, o lançamento de “Futuro de África”, uma nova série de podcasts que amplifica as vozes de jovens africanos em questões globais relacionados à políticas públicas. Futuro de África é co-apresentado pelo Enviado da Juventude da União Africana, pela Fundação das Nações Unidas e por The Elders, em colaboração com o podcast Global Dispatches.

O Novo Podcast foi lançado pelo Enviado da Juventude da União Africana, pela Fundação das Nações Unidas e por The Elders, em colaboração com o The Global Dispatches Podcast.

Esta série limitada, apresentada pela personalidade mediática queniana Adelle Onyango, juntamente com Mark Leon Goldberg, reúne jovens agentes de mudança e líderes globais, explorando os desafios e oportunidades globais que moldam o mundo de hoje — e a África de amanhã.

Por meio de uma combinação de narrativas pessoais e diálogos sobre políticas, o podcast aborda questões que vão desde a justiça climática e o financiamento para o desenvolvimento até à confiança nas instituições democráticas e o futuro da educação. Num momento em que o multilateralismo enfrenta uma crise de confiança e de relevância, Futuro de África propõe um modelo inovador. Ao promover conversas entre líderes globais e jovens africanos transformadores, a série explora como as histórias humanas podem desafiar o pensamento convencional, gerar empatia para além das fronteiras e criar um propósito comum em torno de desafios globais urgentes.

“Como o continente mais jovem do mundo, África detém a chave para moldar o futuro global”, afirmou Harshani Dharmadasa, Directora-Geral da Fundação das Nações Unidas. “O podcast Futuro de África eleva as ideias ousadas, as experiências vividas e a liderança de jovens africanos que já impulsionam mudanças, desde a base até às plataformas globais.”

O podcast é um dos principais produtos do Painel do Futuro, uma iniciativa do Enviado da Juventude da União Africana que reúne jovens líderes defensores de políticas inclusivas e centradas na juventude. Cada episódio coloca estas vozes emergentes lado a lado com estadistas e especialistas em políticas globais, em conversas intergeracionais concebidas para partilhar ideias inovadoras e soluções práticas com os ouvintes.

“Tenho visto ideias poderosas ficarem enterradas em relatórios que poucas pessoas irão ler. Este podcast serve para amplificar as vozes de jovens africanos que estão a construir um novo futuro para o nosso continente e para o mundo”, afirmou Chido Mpemba, Conselheira do Presidente da Comissão da União Africana. “Esta série recorda-nos que as histórias, especialmente quando 2 conduzidas por jovens, podem humanizar desafios globais, questionar pressupostos e ajudar a reinventar a forma como a cooperação internacional funciona para a próxima geração.”

Entre os convidados ao podcast, estão Juan Manuel Santos, ex-Presidente da Colômbia, laureado com o Prémio Nobel da Paz; Chido Mpemba, ex-Enviada Especial da Juventude da União Africana e actual Conselheira do Presidente da Comissão da União Africana para as áreas da Mulher, Género e Juventude; Ministro Serigne Mbaye Thiam, Presidente da Parceria Global para a Educação (GPE) e Ministro da Educação do Senegal; Tina Muparadzi, Directora-Executiva da plataforma Education and Transitions da equipa Education, Learning & Youth Livelihood da Fundação Mastercard; e Graça Machel, primeira Ministra da Educação de Moçambique independente e cofundadora de The Elders;

Esta primeira temporada destaca “Foco em Vozes Globais de África Lançada no Dia Internacional da Juventude, 12 de Agosto de 2025, a primeira temporada de Futuro de África apresenta sete episódios:

O Papel de África no Palco Global (12 de Agosto). Conversa de alto nível sobre o crescente poder diplomático de África, governação inclusiva e como uma nova geração está a moldar as relações internacionais;

Nexo Clima, Paz e Segurança (19 de Agosto). Explorando como as pressões climáticas alimentam a insegurança — e de que forma o conhecimento indígena, a diplomacia e a equidade de género podem promover a paz;

Parcerias Globais e Financiamento para Resultados (26 de Agosto). O que significa, na prática, um financiamento significativo para África após a IV Conferência Internacional sobre Financiamento para o Desenvolvimento? Os convidados analisam compromissos reais, o protagonismo juvenil e um sistema financeiro global equitativo;

O Défice de Confiança (2 de Setembro). Abordagem à erosão da confiança na governação, destacando como a liderança inclusiva, a integridade eleitoral e a renovação cívica liderada por jovens são essenciais para reconstruir a confiança;

Educar a Próxima Geração (9 de Setembro). Desde os sistemas escolares até às startups, este episódio examina como África pode dotar os jovens das competências necessárias para moldar a economia futura;

Mulheres em Ascensão (16 de Setembro). Em homenagem aos 30 anos da Conferência de Pequim, este episódio celebra mulheres e raparigas que lideram mudanças, explorando políticas e investimentos como ferramentas para desbloquear o seu potencial;

Vacinas, Progresso, Potencial (18 de Setembro). Este episódio destaca como as vacinas transformaram a saúde pública em África e analisa o futuro da produção regional, da equidade e da liderança juvenil na imunização.

O Podcast foi co-criado pelo Enviado da Juventude da União Africana e pela Fundação das Nações Unidas, e produzido em colaboração com The Elders e Global Dispatches, Futuro de África é um novo modelo de diálogo intergeracional e intercontinental. Traduz questões complexas de políticas públicas para formatos acessíveis, guiados por histórias, que ressoam junto de audiências jovens e, ao mesmo tempo, informam os decisores globais. Lê-se no comunicado partilhado ao “Profundus”.

Rádio Comunitária de Chemba: 15 anos comunicando com desafios

A Rádio Comunitária de Chemba festejou os seus 15 anos de existência com desafios. No âmbito da celebração de mais um aniversário, os profissionais da Rádio Comunitária de Chemba reafirmaram o compromisso de informar, educar e entreter as comunidades locais, destacando o papel essencial da comunicação social no desenvolvimento humano e comunitário.

Fundada a 12 de Agosto de 2010, a rádio tem servido como uma ponte entre o cidadão e as instituições, promovendo a participação cívica, a valorização da cultura local e a consciencialização sobre temas chave como saúde, educação, agricultura e cidadania, considera o coordenador António Choa.

Hoje, a Radio conta com 32 comunicadores voluntários.

Como parte das celebrações, realizou-se uma marcha pelas artérias da vila-sede de Chemba, simbolizando a ligação entre a rádio e a comunidade, marcando o dia com uma transmissão especial ao vivo na zona de Lamanne, promovendo debates comunitários, música local e testemunhos de ouvintes sobre o impacto social da rádio.

A Rádio Comunitária de Chemba continua com necessidade de parceiros para apoiar financeiramente os comunicadores; alargamento do sinal da antena, funcionando também como repetidora nacional; a criação de projectos comunitários sustentáveis; a melhoria dos equipamentos e aquisição de reguladores.

Contudo, a Rádio Comunitária de Chemba mantem o símbolo de resistência ao serviço das comunidades. (Rosário Phoinde).

Comunidades expectantes na transformação de Inhaminga como modelo de urbanização

O Parque Nacional da Gorongosa (PNG), através de parceiros como UN Habitat, Governo do distrito de Cheringoma, Direcção Provincial de Desenvolvimento Territorial e Ambiente e líderes comunitários, mantiveram um encontro de quatro dias para discutir o componente quadro de desenvolvimento sustentável: assistência Técnica ao PNG na Redução do Risco de Catástrofes e Reconstrução Resiliente na Zona Tampão da Gorongosa para tornar a Vila de Inhaminga num modelo de urbanização do Futuro. As comunidades e participantes da reunião dizem estar “juntos na transformação de Inhaminga no modelo de urbanização do Futuro”.

Entre as matérias abordadas, constaram as preocupações como, mapeamento das áreas de urbanização; planeamento participativo; elaboração de quadro de desenvolvimento sustentável; exposição do enquadramento e perfil de riscos da Vila de Inhaminga; assistência técnica da UN Habitat ao PNG; o Programa de apoio na Zona de Desenvolvimento Sustentável; o Projecto para a reconstrução resiliente; e o componente do quadro do desenvolvimento sustentável; incluindo objectivos e os resultados esperados.

Com a execução deste programa, pretende-se trazer a melhoria no modelo de urbanização da Vila, criação de mecanismos e vias de acessos mais acessíveis, construção de infra-estruturas resilientes e outros pontos de desenvolvimento.

O técnico da Direcção Provincial de Desenvolvimento Territorial e Ambiente de Sofala, no Departamento de Ordenamento Territorial, Porfilio António Pergil Marange, reitera que houve, na verdade, um planeamento participativo. “Planeamento participativo, estamos a falar de envolver todas as forças da Vila ou comunidade a fazer parte de um processo que vai servir para o futuro, é o que vimos neste treinamento”, avaliou.

“A província abraça este projecto, porque vai contribuir na redução de assentamentos informais” disse, alertando para a continuidade da iniciativa:  “este plano não pode parar por aqui, se houver necessidade de elaborar os planos mais micros para sua execução, seria de mais-valia, mas este plano deve ir até a componente dos beneficiários que é a população”.

O projecto vai ser implementado nos 13 bairros, designadamente, Dak, 25 de Junho, Matadouro, Kankhomba, Dimba, Chide, Santa Fé, Aeródromo, Maguiguane, Chite, 11 de Novembro, 3 de Fevereiro e Ceta.

“A avaliação é positiva. Os conteúdos foram bons, senti-me dentro do assunto e esperamos que o plano venha a ser implementado, porque se for implementado, Inhaminga estará desenvolvido” disse o técnico do Serviço Distrital de Actividades Económicas de Cheringoma, Evaristo Laiton.

Evaristo Laiton sugere para a inclusão de mais participantes das áreas de desenvolvimento sustentável como “aquacultura e criação de frangos de corte e entre outros”.

“Acredito que o projecto bem aplicado, Inhaminga vai desenvolver” antevê a oficial de Educação Ambiental na Fundação Concessão Levas-Flores e técnica de Campo do Projecto cultiva na mesma Organização, Anabela Raul Diniz Malemia.

Anabela Malemia disse:  “que tenham mais capacitações como estas e que convidemos mais parceiros, não só estes que estiveram presentes. E acho que faltou um bocado de prática foi mais teoria que prática”.

Já o líder do bairro 25 de Junho da Vila sede, Alberto Nsona reconheceu ser importante a criação de mecanismos que possam trazer o desenvolvimento para o distrito de Cheringoma.

“O que nós queremos é ver a nossa Vila e o nosso distrito desenvolvido, por isso, queremos agradecer ao Parque Nacional da Gorongosa pela iniciativa de criar este treinamento de quadros para o desenvolvimento sustentável da nossa Vila”.

O bairro 25 de junho da Vila sede reúne a maioria das infra-estruturas privadas e públicas. (Manuel Gado).

FORCOM acusa Governo de Cabo Delgado de usurpar Rádio Comunitária Mocímboa da Praia

O FORCOM manifestou hoje com maior surpresa e estranheza a decisão tomada pelo Governo da Província de Cabo Delgado por revogar o despacho 17 de fevereiro de 2025, que autoriza ao FORCOM a instalar equipamento na Rádio Comunitária Mocímboa da Praia, sua filial, que foi destruída pelos terroristas, em 2017.

O documento em apreço concedeu prazo de dez dias para a remoção de todo o equipamento em total violação do exercício da liberdade de imprensa, numa intenção inequívoca de usurpação daquela Rádio.

Em comunicado a que o “Profundus” teve acesso, aponta que “neste processo de montagem da rádio, o FORCOM seguiu todos os trâmites legais que culminaram com a autorização formal para instalar-se o equipamento, uma decisão tomada pelo cessante secretário de Estado da província de Cabo Delgado. Foi feito no âmbito da implementação do projecto “Restabelecimento da Rádio Comunitária Mocímboa da Praia, destruída pelos terroristas”, contemplando uma infra-estrutura adequada e com equipamentos necessários, em parceria com a Embaixada dos Estados Unidos da América (EUA) em Moçambique, através da Sessão Diplomacia Pública, com objectivo de contribuir para que as comunidades do distrito, tenham acesso à informação, uma vez que ficaram muito tempo sem meios de comunicação ao nível local.

Facto curioso, e surpreendente, é que, o documento revogatório, foi enviado ao FORCOM após o término da instalação do equipamento na rádio, um processo que foi acompanhado, em todas as etapas, pelo administrador e secretário permanente de Mocímboa da Praia. Este processo desde início foi em estreita colaboração e parceria com o Governo local, que sempre esteve com a responsabilidade de manter o equipamento, desde setembro de 2024, como fiel depositário.

O outro aspecto curioso e preocupante foi o facto de o Governo local ter desmontado o equipamento da rádio, na ausência de um representante do FORCOM e ter montado outro equipamento na mesma rádio, passando esta a pertencer ao Instituto de Comunicação Social (ICS), que pela génese, são rádios tuteladas pelo Governo de Moçambique, caracterizadas por serem parciais.

A “perseguição” das rádios membros do FORCOM para se filiarem ao ICS, tem sido frequente. A concessão do Alvará para a exploração de serviço da rádio e a frequência 105.8, pertence à Associação dos Amigos e Simpatizantes do Distrito de Mocímboa da Praia, que é membro do FORCOM, desde a sua criação e foi emitida pelo regulador, Gabinete de Informação de Moçambique (GABINFO).

Não se percebe esta compostura do Governo local, uma vez que o estabelecimento da Rádio Comunitária Mocímboa da Praia, surge como uma solução crucial para o distrito de Mocímboa da Praia, e uma vez a rádio já montada, outro equipamento o Governo poderia priorizar outros distritos afectados pela guerra que não têm rádios comunitárias e que precisam de ter informações e acompanhar o processo de desenvolvimento do País.

Nestes termos, o FORCOM condena veementemente este acto e sublinha que a liberdade de imprensa constitui um dos princípios incondicionais no quadro da materialização dos direitos humanos e está consagrada na Constituição da República de Moçambique, no seu artigo 48, como um direito intransponível.

“Apoderar-se da rádio Comunitária Mocímboa da Praia é um retrocesso para a democracia, tratando de um meio de comunicação social imparcial”, escreve o FORCOM, avisando que “já está a avançar com um processo judicial contra o Governo da província de Cabo Delgado pela usurpação da Rádio Comunitária Mocímboa da Praia”.

Enquanto isso, a Embaixada dos EUA em Moçambique, já escreveu antes mesmo da tal usurpação: Restabelecer o funcionamento normal da Rádio Comunitária de Mocímboa da Praia em Cabo Delgado, através da compra e restauração de equipamento de radiodifusão, formação de jornalistas e criação de programas de rádio”.

“O programa [de apoio] está a fornecer uma plataforma para os cidadãos acederem a informações sobre assistência humanitária, alertas de segurança, oportunidades de emprego e educação, e informações sobre outras questões sociais e políticas”, lê-se na plataforma da Embaixada.

Jornal Profundus

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