Polícia impede linchamento de dois civis por desinformação sobre atrofiamento de órgãos genitais em Chemba

A Polícia da República de Moçambique (PRM) recolheu às celas um jovem como forma de garantir segurança dele, escapando do pior nas mãos de populares, depois de alegado atrofiamento de órgãos genitais na noite da última quinta-feira.

Mesmo assim, os populares munidos com pedras, paus e bambus dirigiram-se ao Comando Distrital da PRM em Chemba, exigindo a soltura do visado. Entre gritos e insistências, lideres comunitários que conhecem o acusado partilharam o bom histórico do acusado, mesmo assim, as pessoas exigiam a soltura para supostamente explicar na primeira pessoa.

Em entrevista ao “Profundus”, o comandante da PRM, Filipe Majete Miquicene, explicou que o indivíduo está nas celas para evitar o pior, porque as pessoas estão para sacrificar o suspeito, mas não há indicação credível.

O comandante explicou que a equipa médica estava no Comando da PRM para avaliar o estado de saúde dos jovens que alegavam o encolhimento de órgãos genitais, mas “nada se tratava de magia, os jovens estão bem”

A mensagem contra a desinformação foi reforçada durante as comemorações do Dia do Trabalhador em Chemba. Para a PRM, a agitação do dia anterior no Comando distrital tratou-se de um boato organizado para desestabilizar o país.

Enquanto o comandante da PRM explicava sobre o boato, algumas pessoas agitavam-se, movimentando-se de um lado para outro e barulhando como quem contesta autoridade.

Na mesma ocasião, durante o discurso de representação à secretária permanente de Chemba, o director do Serviço Distrital de Saúde Mulher e Acção Social, Camilo Miguel, pediu aos presentes para que respeitassem o trabalho dos outros pelo esclarecimento das autoridades contra desinformação.

Camilo Miguel disse que um dos jovens que dizem ter atrofiado os seus órgãos genitais, já confirmou que se encontra bem. (Rosário Phoinde).

Grupo Letshego reforça foco na África Austral através da venda de operações na África Oriental e Ocidental

O Letshego Africa Holdings Limited anunciou a celebração de acordos vinculativos para a venda de algumas das suas operações na África Oriental e Ocidental à Axian Digital Venture Holding and Management Limited, numa acção estratégica que visa reforçar o foco do grupo nos seus principais mercados na África Austral, incluindo Moçambique.

A transação proposta abrange subsidiárias do Letshego em países como Gana, Tanzânia, Nigéria, Ruanda e Uganda, e insere-se na estratégia do grupo de optimização do seu portefólio, com o objectivo de melhorar a eficiência de capital, reforçar o balanço e concentrar recursos em mercados com maior escala e potencial de crescimento sustentável.

De acordo com a Directora Executiva do Grupo Letshego, Reinette van der Merwe, “Esta proposta de transacção representa um marco importante na execução da nossa estratégia para simplificar o Grupo e focarmo-nos nos mercados onde temos maior escala, posicionamento competitivo mais forte e as oportunidades mais apelativas para um crescimento sustentável”.

A responsável acrescenta que a reorganização permitirá à instituição “aumentar a eficiência do capital, fortalecer a sua posição financeira e oferecer valor sustentável a longo prazo para os accionistas”.

O grupo destaca ainda que a Axian Digital Venture Holding and Management Limited possui capacidade financeira, experiência operacional e conhecimento do mercado africano para assegurar a continuidade e o crescimento das operações a serem vendidas, mantendo o compromisso com a inclusão financeira.

O Letshego esclarece que as suas operações em Moçambique não fazem parte da transacção e continuarão a funcionar normalmente, sem qualquer impacto para clientes, parceiros ou colaboradores.

A instituição reafirma o seu compromisso com o mercado moçambicano, onde tem vindo a consolidar a sua presença e a expandir o acesso a serviços financeiros inclusivos.

Do ponto de vista financeiro, o Letshego espera que a transacção venha a reforçar a sua posição de capital regulatório, melhorar a liquidez e fortalecer a resiliência do seu balanço. A operação deverá ainda contribuir para uma utilização mais eficiente dos recursos financeiros e para a melhoria do retorno sobre o capital próprio ao longo do tempo, permitindo ao grupo maior foco em soluções de crédito de curto prazo escalonadas e expansão dos produtos transaccionais e de poupança.

As estrelas em ascensão da Grongosa

O Parque Nacional da Gorongosa (PNG) aponta estrelas em ascensão fruto de profissionalismo nos diversos sectores. São 12 figuras, na sua maioria jovens moçambicanos que aparecem no destaque de 2025.

José Montinho, membro de longa data da equipa da Gorongosa, assumiu em 2025 um cargo de gestão, supervisionando as actividades turísticas em Chitengo (sede do Parque Nacional da Gorongosa). A sua humildade, ética de trabalho e vontade de aprender fizeram dele um elemento de confiança — lidera pelo exemplo e inspira quem o rodeia.

Sandra Fumo e Bachir Chimuaza, membros da equipa destacaram-se este ano pela dedicação e liderança excepcionais na divisão de Aviação.

Sandra Fumo demonstrou uma iniciativa notável na contabilidade, administração e controlo financeiro, assegurando estabilidade operacional durante a expansão da frota e a integração das turbinas. Enquanto Bachir Chimuaza assumiu responsabilidades crescentes em fases críticas de crescimento, mantendo elevados padrões profissionais.

Outros colegas moçambicanos, em operações de voo, manutenção e prontidão aeromédica, exemplificaram a cultura que a Air Gorongosa continua a construir — disciplinada, focada na segurança e comprometida com a excelência

Juvêncio António afirmou-se como um dos líderes agrícolas mais dinâmicos da Gorongosa. Começando na unidade de processamento de mel de Maçombique, reforçou o controlo de qualidade e a coordenação dos agricultores, ajudando a estabelecer o mel da Gorongosa como uma marca de confiança. Em 2025, liderou o desenvolvimento da cadeia de valor do piri-piri, mobilizando mais de 400 agricultores e orientando a produção do campo até ao molho acabado — incluindo a marca e o teste de mercado. Posteriormente, lançou uma iniciativa de fruta desidratada que compra produtos frescos a agricultores locais, os processa localmente e os vende directamente nos mercados moçambicanos.

A liderança de Juvêncio António combina competência técnica, espírito empreendedor e profunda confiança da comunidade, demonstrando como a agricultura sustentável pode capacitar os agricultores, reforçando simultaneamente a economia rural da Gorongosa.

Vanessa Mário Ramos é a estrela em ascensão no Programa de Saúde Materno-Infantil e Nutrição. Como gestora do programa, mantém o trabalho ancorado no que as famílias realmente precisam e assegura que o apoio em saúde sexual e reprodutiva e em nutrição chegue a crianças, adolescentes e mulheres em idade reprodutiva, através das activistas comunitárias mais próximas do quotidiano das comunidades.

A liderança de Vanessa Mário distingue-se pela disciplina: formação prática, acompanhamento regular no terreno e uma via de referência que funciona quando uma rapariga, uma grávida ou uma criança doente precisa de cuidados.

Arque Chirua como Gestor dos Clubes de Professores, motiva os formadores e professores. Dinâmico, colaborativo e orientado para soluções, cultiva uma cultura de aprendizagem contínua, trabalho em equipa e liderança ética, mantendo o programa adaptável, eficaz e ancorado nas necessidades da comunidade.

Richard João Pedro Vidamao promovido a supervisor Sénior de Envolvimento Comunitário, lidera o programa de Gestão Comunitária e Governação dos Recursos Naturais. Nos primeiros seis meses, demonstrou forte liderança, gestão de projectos e coordenação de equipa, sendo reconhecido pelo planeamento claro, pela execução eficaz e pelos relatórios de elevada qualidade.

Adérito Manjate, José Chimbote, Thais Glowacki, Jéssica Hamela, embora grande parte dos seus trabalhos seja visível em salas cheias de alunos, em clínicas a atender famílias e em cidades a planear um futuro mais forte, uma boa parte do que fazem é a infra-estrutura invisível dos bastidores.

Por trás de cada projecto está uma equipa colaborativa que reforçou a capacidade de gerir todo o ciclo de vida dos projectos de infra-estrutura, desde o planeamento e a articulação entre partes interessadas, comunidades e governo, até ao desenho, aprovisionamento, construção, monitorização e entrega. Pequena em dimensão, mas profunda em competência, a equipa entrega infra-estruturas complexas em escala, a tempo, com cuidado e com as comunidades no centro, apoiando, em simultâneo, projectos transversais em Educação, Saúde, Conservação, Ciência e Relações Comunitárias.

Gonçalves Semo Guia, Chefe-Adjunto da região de Chiwawa — onde se encontram as únicas comunidades situadas dentro do Parque, desempenha um papel crítico na prevenção da caça ilegal e da perda de habitat. Trabalhou com as autoridades locais para travar actividades ilegais e liderou mais de 33 patrulhas este ano. Facilitou ainda sessões comunitárias que incentivaram a entrega voluntária de instrumentos de caça ilegal, reforçando a cooperação e os esforços de protecção em toda a região.

João Coelho reconhecido pelas suas amplas contribuições ao Projecto Paleo-Primata, é um exemplo de profissionalismo, colaboração e profundo compromisso com a missão da Gorongosa.

A recente tese de João Coelho sobre detecção remota de sítios fósseis usando inteligência artificial e dados de satélite tem o potencial de preencher lacunas no registo fóssil de hominídeos, avançar a paleoantropologia espacial e colocar questões intrigantes para o futuro.

O trabalho de campo do Coelho como membro da equipa do Projecto Paleo Primata Oxford-Gorongosa está a lançar luz sobre os ecossistemas antigos e as espécies extintas do Parque. Além de trabalhar como paleoantropólogo, João é um brilhante músico, fotógrafo.

Diolinda Mundoza homenageada pelo seu rigor científico e resiliência no terreno, foi seleccionada para um estágio internacional competitivo nos Estados Unidos em 2026 – reflectindo o seu talento e potencial de liderança.

Mundoza desempenha um papel activo no PNG, contribuindo significativamente para a conservação da Biodiversidade, participando em programas de conservação das aves e captura de abutres.

Edson Carneiro, o Gabinete de Programas o reconhece pela sua liderança na coordenação de algumas das iniciativas mais complexas e multiparticipadas do Projecto de Restauração da Gorongosa.

Como Gestor de Impacto em apoio ao Programa de Desenvolvimento de Meios de Subsistência Sustentáveis, ao Gorongosa Business Club e aos programas agrícolas, Edson reforçou o alinhamento entre departamentos, distritos e parceiros externos, assegurando a implementação coordenada de funções transversais de programa.

Com a expansão do SLDP a seis distritos, ajudou a consolidar a presença operacional do GRP, incluindo visibilidade ‘Online’ com diferentes idiomas por uma equipa de jornalistas comunitários (Jornal Profundus e Boletim Informativo PROGRESSUS), orientando processos-chave de gestão do conhecimento e de monitorização e avaliação, incluindo o plano anual de trabalho e orçamento, a revisão intercalar, avaliações e enquadramentos temáticos de implementação.

Quando o SLDP foi lançado num ano de El Niño que perturbou a execução do primeiro ano, Edson liderou os esforços de recuperação e de recuperação de atrasos para restabelecer o ritmo e manter a confiança dos parceiros.

Com o aumento do envolvimento da Embaixada do Reino dos Países Baixos no corredor da Beira, Carneiro desempenhou ainda um papel central na articulação do trabalho do GRP com iniciativas conexas, reforçando a colaboração e o impacto colectivo. A sua gestão serena da complexidade e o seu foco nos resultados fazem dele um pilar da eficácia do Gabinete de Programas. (Muamine Benjamim).

Dois jovens escapam linchamento em Gorongosa por desinformação sobre atrofiamento de órgãos genitais

O distrito de Gorongosa viveu ontem, sábado de manhã, momentos de agitação devido a desinformação sobre o famoso “toque mágico” que alegadamente faz desaparecer os órgãos genitais. A Polícia da República de Moçambique (PRM) teve que disparar para o ar como forma de garantir ordem e tranquilidade públicas, ao mesmo tempo segurança aos acusados, em dois casos.

Um dos visados depois de escapar das mãos populares, contou ao “Profundus” como tudo teria acontecido: “Encontrei o acusado numa barraca, nos saudamos. Ele comprou um ovo para mim, comi e comecei a sentir tontura, pensando no que tenho lido e ouvido nas redes sociais, comecei a chorar, acreditando que fosse mesmo o desaparecimento dos meus órgãos genitais. Mas não foi o toque mágico, os meus órgãos não desapareceram e estou bem”, disse Jhon.

Já o acusado contou que encontrou o jovem “na barraca a beber”. Ao se aproximarem, saudaram-se. Pediu ovo, comprei como alguém que conheço, depois de comer, começou a chorar, acusando-me de ter extraviado os seus órgãos genitais”.

O director do Serviço Distrital de Saúde, Mulher e Acção Social, Tatos Benate, esclareceu que ninguém “desapareceu” órgãos genitais. Observamos e está tudo bem, as vítimas admitiram acreditar nas informações das redes sociais”.

O comandante da PRM Isidro Nhamusua, confirmou ter disparado por volta das 10h de ontem, sábado, depois de receber uma denúncia da desordem pública, onde um “suposto atrofiador dos órgãos estava a ser apedrejado pela população e para salvá-lo, tivemos que responder com tiros para dispersar a população. Desencorajamos essa desinformação para a nossa população, porque corremos o risco de matar pessoas inocentes, pedimos que haja partilha dessas informações com a PRM”.

Enquanto no vizinho distrito de Cheringoma, há relatos de morte do jovem, José Paulino Sande, professor licenciado em Ensino de Química com habilidades em Biologia. (Ana Cleta Coimbra).

 

O que está por trás da disputa entre os ex-amigos Elon Musk e Sam Altman, do ChatGPT, nos tribunais dos EUA

A amarga rivalidade entre Elon Musk e o CEO da OpenAI, Sam Altman, já dura anos, mas tem-se manifestado principalmente nas redes sociais na forma de acusações, respostas e provocações.

Na segunda-feira (27/04), Musk voltou a atacar Altman em uma publicação no X, chamando-o de “Scam Altman” (Altman golpista, em tradução livre).

Contudo, desde a terça-feira (28/04), o confronto entre os bilionários da tecnologia passou a ganhar um palco de maior repercussão: um tribunal federal na Califórnia, onde a disputa deve concentrar atenções em um julgamento com duração de um mês.

O tribunal vai analisar a acção movida por Musk, que acusa Altman — com quem cofundou a OpenAI — de tê-lo enganado em milhões de dólares e de ter traído a missão original sem fins lucrativos da empresa responsável pelo ChatGPT.

O próprio Musk e Altman estão entre os que devem depor em um caso no qual o futuro da inteligência artificial pode estar em jogo. E, embora um deles deva sair vencedor, é bem possível que nenhum dos dois saia ileso.

A batalha já foi comparada a dois boxeadores pesos-pesados subindo ao ringue. Um observador, inclusive, a descreve como um confronto entre King Kong e Godzilla.

“Musk e Altman são figuras gigantescas, colossais e tão distantes da realidade cotidiana”, afirma Sarah Federman, professora da Universidade de San Diego e especialista em resolução de conflitos.

“E é justamente isso que torna tão fascinante assistir enquanto entram em choque.”

Um júri composto por nove pessoas, que prestaram juramento na segunda-feira, ajudará a definir o desfecho do caso sob a supervisão da juíza Yvonne Gonzalez Rogers.

A magistrada afirmou que a enorme riqueza, o poder e a fama que Musk e Altman levam ao tribunal federal de Oakland não lhes garantirão “nenhum tratamento especial”.

Musk também entrou com acções contra a OpenAI, seu cofundador e presidente Greg Brockman, além da Microsoft, que, segundo ele, ajudou no plano de monetizar a empresa.

A Microsoft, no entanto, nega as acusações.

Musk pede bilhões de dólares no que seus advogados chamam de “ganhos indevidos”, valor que ele quer destinar ao financiamento do braço sem fins lucrativos da OpenAI, além de mudanças na empresa, incluindo a saída de Altman.

A OpenAI, por sua vez, afirma que Musk é movido por inveja e arrependimento por ter deixado a empresa.

E, com a corrida rumo à inteligência artificial geral (AGI) avançando a todo vapor, a empresa acusa Musk de tentar atrapalhar um de seus principais concorrentes.

 

A origem da briga

Musk e Altman cofundaram a OpenAI em 2015 como uma organização sem fins lucrativos, com a missão de garantir que a AGI beneficiasse toda a humanidade.

A AGI é, em termos gerais, definida como uma inteligência artificial capaz de superar a inteligência humana.

Na época da fundação da OpenAI, Musk já era uma figura de enorme destaque. Era visto como um tecnólogo incansável que, à frente da Tesla, ajudou a popularizar os veículos eléctricos, enquanto desenvolvia tecnologias inovadoras de foguetes reutilizáveis na SpaceX.

Altman, por sua vez, era bastante conhecido dentro do Vale do Silício, embora ainda pouco fora dele. Como líder da influente incubadora Y Combinator, suas opiniões — frequentemente publicadas nas redes sociais, em tom quase oracular — eram acompanhadas de perto por fundadores de startups.

Os dois foram apresentados por um investidor do Vale do Silício em 2012. Altman, então na casa dos 20 anos, e 14 anos mais jovem que Musk, acabou apresentando a ideia da OpenAI ao empresário.

O desenvolvimento responsável da inteligência artificial era um dos pilares centrais da proposta.

Dentro da OpenAI, os dois mantiveram uma relação cordial, unidos pela crença no potencial da tecnologia.

Durante uma participação conjunta em uma conferência em 2015, Musk afirmou que a IA era a tecnologia que “mais poderia transformar a humanidade”, mas alertou que também era “realmente obscura” e “repleta de desafios”.

Mas o que começou como uma organização sem fins lucrativos acabou sendo transformado em uma entidade com fins lucrativos — de forma ilegal, segundo Musk.

Já a OpenAI afirma que, em 2017, houve um acordo entre Musk e os demais envolvidos de que a criação de uma estrutura com fins lucrativos seria o próximo passo lógico “para avançar a missão”.

A empresa diz que rejeitou a proposta de Musk de assumir o cargo de CEO com “controle absoluto”.

Musk deixou a OpenAI em 2018, após uma disputa de poder com Altman.

“Pessoal, já me cansei disso”, escreveu Musk em um e-mail alguns meses antes de sua saída.

“Ou vocês seguem por conta própria ou continuam com a OpenAI como uma organização sem fins lucrativos. Não vou mais financiar a OpenAI até que haja um compromisso firme de vocês em permanecer assim, ou então serei apenas um tolo basicamente bancando gratuitamente a criação de uma startup.”

Em 2022, a OpenAI deu início à revolução da IA voltada ao consumidor com o lançamento do ChatGPT, que rapidamente ganhou popularidade e alcançou 100 milhões de usuários activos mensais em poucos meses.

Desde então, Musk criou sua própria startup de inteligência artificial, a xAI, responsável pelo chatbot Grok, que ficou atrás dos concorrentes.

Ao entrar com a acção em 2024, Musk alegou que a OpenAI havia se desviado de sua missão original e passado a priorizar a “maximização de lucros” para a Microsoft.

Ele afirmou ter doado cerca de US$ 40 milhões à OpenAI, após ter sido manipulado pelos envolvidos, que, segundo ele, o traíram ao tentar transformar a organização em uma entidade maioritariamente com fins lucrativos.

 

Batalha de titãs da tecnologia

Desde que a acção foi movida, a animosidade entre Musk e Altman tem vindo a público com frequência.

No ano passado, Musk e um consórcio de investidores ofereceram US$ 97,4 bilhões para comprar os activos da OpenAI.

A empresa havia sido avaliada em US$ 157 bilhões em uma rodada recente de financiamento (e agora se aproxima de uma possível abertura de capital, ou IPO, com valor estimado em cerca de US$ 850 bilhões).

A OpenAI rejeitou a oferta, e Altman respondeu na plataforma X — rede social de Musk, anteriormente conhecida como Twitter —: “não, obrigado, mas compramos o Twitter por US$ 9,74 bilhões, se você quiser”.

“Vigarista”, retrucou Musk em um comentário na publicação.

Mensagens privadas com Mark Zuckerberg também mostram Musk perguntando ao chefe da Meta se ele estaria “aberto à ideia de fazer uma oferta pela propriedade intelectual da OpenAI comigo e outros?”.

O interesse de Musk em comprar a empresa pode acabar confundindo o cenário do julgamento, afirma Dorothy Lund, professora da Faculdade de Direito da Universidade de Columbia.

“Musk já tentou assumir o controle da OpenAI várias vezes. Foi rejeitado”, disse à BBC.

“Por isso, não é absurdo pensar que suas motivações possam ser um pouco questionáveis neste caso. A própria juíza responsável pelo processo, Yvonne Gonzalez Rogers, já chamou atenção para isso.”

 

Detalhes pitorescos

Também é esperado que o tribunal ouça o depoimento do CEO da Microsoft, Satya Nadella, dos ex-cientistas da OpenAI Mira Murati e Ilya Sutskever, e da ex-integrante do conselho da OpenAI Shivon Zilis, que é mãe de quatro dos filhos de Musk.

Nos preparativos para o julgamento, vieram à tona detalhes curiosos da vida privada dos bilionários envolvidos, enquanto seus advogados travam disputas acaloradas sobre quais provas e testemunhos devem ou não ser apresentados ao júri.

Por exemplo, a juíza decidiu que não será permitido mencionar no tribunal o suposto uso, pelo chefe da Tesla, de “rhino ket” — como a ketamina é chamada na gíria do Vale do Silício.

A equipe jurídica de Musk também virou notícia. Um de seus advogados tem trabalhado como palhaço nas horas vagas, segundo o Business Insider.

Outro, que também actua como produtor em Hollywood, teve o perfil publicado recentemente pela revista Vanity Fair.

 

O que está em jogo

O que está em jogo neste caso é de grande magnitude para Musk e para a OpenAI — e, potencialmente, para todos nós.

No fim de 2023, Musk defendia uma pausa no desenvolvimento da inteligência artificial.

Em meio a essa onda de preocupação com o ritmo acelerado dos avanços tecnológicos, Altman chegou a ser afastado temporariamente do cargo de CEO da OpenAI, após suspeitas de que teria enganado membros do conselho.

Agora, com a xAI — empresa que foi recentemente adquirida pela SpaceX, sua companhia de foguetes que se prepara para abrir capital —, Musk está profundamente envolvido na corrida rumo à inteligência artificial geral (AGI).

“Se Musk vencer, isso pode significar a derrota de um concorrente-chave na corrida pela AGI”, afirmou Rose Chan Loui, diretora executiva do Centro Lowell Milken de Filantropia e Organizações Sem Fins Lucrativos da UCLA.

“Quem vencer essa corrida terá um enorme poder.”

Chan Loui avalia que Musk tenta se posicionar como a pessoa mais adequada para representar, de forma justa, os interesses da OpenAI enquanto organização sem fins lucrativos.

“Embora eu reconheça que ele trouxe visibilidade ao tema, há preocupação de que não seja imparcial, já que lidera sua própria e grande empresa de IA”, disse.

Para Sarah Federman, autora do livro Corporate Reckoning, a credibilidade de quem move esse tipo de acção é um factor central.

O julgamento entre Musk e Altman ocorre justamente no momento em que o público começa a compreender melhor como a inteligência artificial está sendo integrada ao dia-a-dia.

Ambos foram pioneiros em levar essa tecnologia ao grande público.

O processo pode lançar nova luz sobre suas ambições e intenções em relação ao desenvolvimento de uma tecnologia que já é utilizada por uma parcela crescente da população mundial.

Em King Kong contra Godzilla, “todos os mortais lá embaixo tentam escapar enquanto esses gigantes se enfrentam”, diz Federman.

“No fim, um vence, mas o que fica é um rastro com o qual o resto de nós terá de conviver.”

Elon Musk x Sam Altman: o que está por trás da disputa entre os ex-amigos nos tribunais dos EUA – BBC News Brasil

Gorongosa garante água nas comunidades de Divinhar, Mucharuenhe, Tchiro e Nhamacaza

O Parque Nacional da Gorongosa (PNG), através do Programa de Água, Saneamento e Higiene, Water Sanitation and Hygiene (WASH), está a construir quatro fontanários em quatro comunidades, nomeadamente, Divinhar, Mucharuenhe, Tchiro e Nhamacaza, interior do distrito de Nhamatanda. São mais de 1.500 pessoas que vão deixar de recorrer aos poços e rios, evitando longas distâncias ao se beneficiarem da água pelos fontanários em construção.

No âmbito do Programa WASH, que visa melhorar o acesso à água potável e saneamento na Zona de Desenvolvimento Sustentável do Parque Nacional da Gorongosa, foram realizadas actividades de aberturas de furos de água, especificamente, nas localidades de Matenga e Nhampoca, cujo objectivo é fornecer água segura e de qualidade às comunidades escolares e residenciais, promovendo saúde pública, higiene e bem-estar.

A supervisora de WASH, em Nhamatanda, Carmelinda Mapisse, pretende, através das iniciativas do PNG, incutir uma responsabilidade de apropriação dos furos aos líderes comunitários e a comunidade em geral para a melhor conservação dos furos de água, fazendo manutenção rotineira das bombas e a gestão comunitária, através de capacitações aos comités de água e saneamento. Para tal, recomenda, igualmente, a criação de Comité de Água e Saneamento (CAS) e monitoramento da qualidade da água, garantindo a sustentabilidade das fontes a longo prazo.

Destaca-se, em particular a situação da comunidade do Bairro Macaza, onde a falta de fontes seguras de água obriga os moradores a usarem diariamente a água do rio para as suas necessidades. Esta situação empurra a população a vulnerabilidade a doenças de origem hídricas, além de ataques de crocodilos.

A abertura do furo na comunidade de Macaza representa, portanto, não apenas uma melhoria no abastecimento de água, mas também como intervenção essencial de protecção da vida e redução de riscos.

Os furos já foram feitos entre 12 de novembro a 13 de dezembro de 2025, através de uma empresa especializada.

Na Escola Primária Completa (EPC) Divinhar, já foi feito o revestimento do furo, limpeza e ensaio de caudal, para beneficiar 360 pessoas.

Na EPC Mucharuenhe, já foi feito o revestimento do furo, limpeza e ensaio de caudal, para beneficiar 467 pessoas.

No 3.º Bairro Tchiro, já foi feito o revestimento do furo, limpeza e ensaio de caudal, para beneficiar 317 pessoas.

No 4.º Bairro Nhamacaza, já foi feito o revestimento do furo, limpeza e ensaio de caudal, para beneficiar 397 pessoas.

A supervisora do WASH, em Nhamatanda, avaliou que nos quatro furos, após a conclusão da perfuração e limpeza, foram realizados ensaios de caudal com o objectivo de avaliar a capacidade de produção de água, estabilidade do nível dinâmico e viabilidade das fontes para abastecimento comunitário. Os testes consistiram em bombagem contínua, observando-se a estabilidade da vazão, o comportamento do nível da água e a recuperação após interrupção da bombagem. Portanto, os quatro furos apresentaram resultados satisfatórios, com produção estável de água e boa recuperação do nível freático, indicando que possuem capacidade suficiente para instalação de bombas manuais e abastecimento regular das comunidades beneficiadas.

Por agora, as intervenções para a finalização das actividades onde estão os furos, estão paralisadas devido à quase intransitabilidade das vias de acesso, motivada pelas chuvas.

O presidente do Comité de Gestão de Recursos Naturais de Matenga, Cadeado Pita, apontou impactos do furo ao estar disponível na comunidade. Por um lado, por fazer mais sentido na sensibilização para a conservação dos recursos florestais porque existem também benefícios nas comunidades com o fontanário; e, por outro lado, por evitar ataques de crocodilo às pessoas na tentativa de tirar água nos rios.

Segundo o presidente do CGRN de Matenga, no dia de fevereiro deste ano, o 1.º bairro de Matenga registou um ataque de crocodilo. E no fim do mesmo mês, mais um ataque em Nhamacaza.

“Quando tivermos um fontanário por perto, a nossa política de sensibilização vai fazer mais sentido ao vermos as vantagens de não destruir o meio ambiente porque o Parque nos ajuda de diferentes formas. E, ao mesmo tempo, contra os ataques de crocodilo”. E quando alguém é atacado por qualquer animal, a comunidade também repara ao CGRN.

O Programa WASH reforça o seu compromisso com a promoção da saúde e do bem-estar, proporcionando acesso seguro à água potável e contribuindo para a melhoria das condições de vida das populações locais. (Muamine Benjamim).

 

Incêndio de combustível numa residência deixa jovem hospitalizado em Dondo

Dino Jhone, jovem de 24 anos, está agora com gesso, depois de uma explosão que o deixou em estado debilitado, na noite da última terça-feira. A vítima, operador de moto-táxi, sofreu queimaduras dentro da sua residência, na zona de TZR no bairro de Mafarinha, no distrito do Dondo em Sofala.

Na altura, estando sozinho em casa, o jovem, na tentativa de acender fogo para preparar o jantar, levou uma vela à procura de plásticos. Por descuido, aproximou-se do combustível e imediatamente a residência pegou fogo. Dino Jhone conseguiu arrastar-se para fora de casa em busca de ajuda.

Os bens materiais do jovem dentro da residência foram reduzidos a cinzas.

“Esqueci, eu sabia que tinha combustível. Ao inclinar com a vela para ver plástico, logo explodiu o combustível”, contou Dino Jhone, que o combustível se encontrava debaixo de estante.

Boaventura Santos, vizinho da vítima, contou que ouviu gritos e veio prestar apoio embora o fogo fosse de grandes proporções. “De repente ouvi, meu vizinho a gritar, pedindo ajuda e quando cheguei, o fogo já estava a arder na casa, e nos deparamos na esquina da casa. Corremos em busca de água e areia”.

A médica no Centro de Saúde do Dondo, Cátia Marisa Simone assegurou que as queimaduras não constituem perigo, embora classificadas do primeiro grau com maior incidência nas costas.

Na quarta-feira, Dino Jhone teve alta hospitalar.

As autoridades recomendam que o combustível deve ser armazenado apenas em locais adequados e com recipientes certificados, evitando colocar em cozinhas, quartos ou espaços sem ventilação.

Ainda sobre combustível nesta fase da sua escassez, um casal morreu carbonizado em Tete, dentro da residência.

A população é igualmente chamada a denunciar situações de risco e a adoptar medidas preventivas para proteger vidas e bens, uma vez que um pequeno descuido pode resultar em morte. (Narcísio Cantanha).

 

Desinformação sobre “encolhimento” de órgãos genitais causa 39 mortos em Moçambique

Ontem, sexta-feira, marcando a abertura do ano lectivo da Escola de Sargentos das Polícia (ESAPOL) Tenente General Oswaldo Assahel Tazama, que coincidiu com os 10 anos de existência da instituição em Metuchira, o Ministro do interior 39 mortes por desinformação sobre atrofiamento de órgãos genitais masculinos no País. Paulo Chacine apontou as províncias de Cabo Delgado, Nampula, Zambézia e Niassa, com maior incidência dos crimes.

Relacionada a desinformação de atrofiamento de órgãos masculinos, segundo Paulo Chacine, Moçambique soma 93 casos, resultando em 39 mortes, 74 feridos e 132 detidos.

“Esses dados nos preocupam. São muitas vidas inocentes perdidas por algo que não existe”, disse o Ministro do Interior, apelando à união para combater o mal relacionado a manipulação da informação que está a gerar pânico e desconfiança entre as pessoas.

“Denunciemos às autoridades toda ou qualquer manifestação tendente a perturbar a ordem. As autoridades policiais devem tudo fazer para tempestivamente abordar qualquer tentativa de difusão de informação que propicie a desordem pública”.

Iniciada na segunda semana de abril, a desinformação espalhou-se rapidamente em Moçambique. Portanto, em menos de um mês, são contabilizados 39 óbitos.

A desinformação aponta que com simples toque de alguém, o tocado encolhe os órgãos genitais, alegadamente por magia negra ou feitiçaria. Consequentemente, nenhuma explicação convence os populares, levando-lhes a agredir fisicamente as vítimas até à morte, em alguns casos com intervenção das autoridades para manter a ordem e segurança. (Narcísio Cantanha).

Novo Posto de atendimento de Mafambisse reforça presença do INSS em Sofala

O Instituto Nacional de Segurança Social abriu novas portas com o novo Balcão de Atendimento em funcionamento há uma semana, no contexto de aproximação de serviços públicos de segurança social aos cidadãos. Trata-se de um empreendimento de raiz no posto administrativo de Mafambisse, que custou 11 milhões de meticais, financiado pelo orçamento do Estado.

A construção do edifício iniciou em dezembro de 2024. Tem uma área de 61 m², sala de atendimento aos utentes, gabinetes, alpendre, um gerador de emergência, reservatório de água, balneário e parque de estacionamento de viaturas.

A cerimónia de inauguração foi dirigida pelo secretário de Estado em Sofala, Manuel Rodrigues.

Na ocasião, Manuel Rodrigues reiterou que o novo edifício visa facilitar o acesso aos serviços de aposentadoria, inscrição e esclarecimento de benefícios, reduzindo a necessidade de deslocações para a cidade do Dondo.

A infra-estrutura integra copa, atendimento, análise, sanitários no interior e fora do edifício. Também possui condições para atender pessoas com deficiência, passando a contar com atendimento mais próximo, rápido e eficiente.

Em Mafambisse, o INSS passa a abranger mais de 96 empresas, 3.521 trabalhadores por conta de outrem e 349 trabalhadores por conta própria, que já estão inscritos.

Ainda em Mafambisse, incluindo a localidade de Mutua, o INSS passa a assistir um total de 2.148 beneficiários, sendo 736 por velhice, dois por invalidez e 1.410 de sobrevivência.

O secretário de Estado na província de Sofala, Manuel Rodrigues, considera que a presença dos serviços do INSS em Mafambisse vai agregar valor ao atendimento dos trabalhadores, incluindo os da Açucareira de Mafambisse, agentes económicos e comerciantes por conta própria, abrangendo também a localidade de Mutua.

Segundo o governante, “não só os que já estão inscritos, também outros irão aderir ao Sistema de Segurança Social, tendo em conta os benefícios que este oferece aos trabalhadores”, destacando o número de postos de atendimento do INSS na província de Sofala com o apoio da Delegação do Dondo.

Na província de Sofala, estão inscritos 20.077 contribuintes (empresas), 355.021 beneficiários (trabalhadores), 8.703 trabalhadores por conta própria e 24.249 pensionistas, subdivididos em 6.162 de velhice, 274 por invalidez e 17.813 de sobrevivência. Com isso, “acreditarmos que Mafambisse é um pólo de desenvolvimento e conta com uma economia vibrante que alimenta Sofala”, sublinhou como acção estratégia do governo de Moçambique. (Narcísio Cantanha).

Pai detido por maltratar filho de 9 anos em Dondo

Um pai está a contas com a Polícia da República de Moçambique (PRM) em Dondo por maltratar o filho de 9 anos, no bairro de Mandruzi, cidade do Dondo, em Sofala. Em imagem chocante, o miúdo aparece com braços amarados para atrás com um atador de sapatos.

No último sábado, o menor teria feito necessidades biológicas no interior da casa. O pai reagiu alegadamente para servir de punição.

“Também fui usado [por espíritos malignos]. A medida era para disciplinar. E assumi o erro”, disse o pai, confirmando o acto depois de deixar o filho amarado por mais de uma hora.

O miúdo amarado, pela dor, recorreu a vizinhança que tratou de o socorrer, desatando.

As imagens sensíveis do miúdo postas a circular pelas Redes Sociais culminaram com a detenção do pai pelo Serviço de Investigação Criminal (SERNIC) na última quarta-feira. E mais tarde, retiraram a guarda do filho incluindo outros menores.

“Com alegações fúteis, nada justifica como pai contra um menor daquela idade. Mas as autoridades não só limitaram-se em responsabilizar este indivíduo criminalmente, mas também retiraram a guarda dos seus filhos”, contou o porta-voz do SERNIC em Sofala, Alfeu Sitoe, em conferência de imprensa dada na última quinta-feira, na cidade da Beira.

As autoridades em Sofala condenam o comportamento dessa natureza, apelando não ser a melhor maneira de educar os filhos, ainda que estejam errados ou tenham praticado algo que não vai de acordo com as regras da casa. (Narcísio Cantanha).

 

 

 

 

Jornal Profundus

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