Quando a ciência se esgota: Juventude africana entre a resistência e o desespero

As lágrimas que nos caem diante das palavras desesperadas de jovens africanos não são apenas de tristeza — são também de alerta. Um alarme ensurdecedor de que algo está muito errado.

Quando adolescentes angolanos, como os de Moçambique começam a clamar por armas, a pedir confronto directo com as forças policiais, estamos diante de uma ruptura perigosa entre o Estado e a juventude, entre a esperança e a desistência, entre o sonho e o colapso.

A frase que ecoa, com brutalidade: “Eles misturam governação com corrupção, e nós vamos misturar manifestações com vandalismo”, resume uma geração esgotada, exausta de pedir paz onde só se recebe pancada, de sonhar em voz baixa enquanto os gritos do poder abafam qualquer tentativa de mudança. Esse tipo de declaração não nasce do acaso. É produto de anos de frustração, exclusão social, promessas quebradas e violência institucionalizada.

Esses jovens não estão falando apenas de governos ineficientes. Estão falando de sistemas que sequestraram a política para o benefício de uma elite, abandonando o povo. Quando dizem “eles se acham macho por causa dessa pistola, deixem só para vermos quem é homem. A quantidade vence a qualidade”, estão desafiando directamente o monopólio da violência do Estado, e isso é sintoma de algo muito mais profundo: a perda da legitimidade das instituições.

Angola e Moçambique, como vários outros países africanos, vivem uma crise civilizacional. O que está em jogo não é apenas a alternância de poder, mas a própria ideia de contrato social. A juventude — que representa a maioria da população nesses países — já não se vê representada nem protegida. Ao contrário: vê-se como inimiga do Estado. E quando o Estado vira inimigo do seu próprio povo, o abismo se instala.

Não é exagero dizer que, nesse ritmo, “se não houver golpe, assassinados haverá”. Golpe aqui não apenas no sentido militar — que em si já é trágico e antidemocrático —, mas no sentido de ruptura: a juventude está pronta para virar a mesa, ainda que isso signifique mergulhar no caos. O silêncio das instituições, a omissão das lideranças e a brutalidade das polícias estão gerando uma tempestade.

A mensagem que se lê nas entrelinhas desses gritos juvenis não é necessariamente uma apologia à violência. É, antes, um pedido desesperado por escuta, dignidade, justiça. Quando o diálogo é sistematicamente negado, quando a repressão é a resposta padrão, quando a corrupção e o nepotismo se tornam práticas banais de governo, não é surpreendente que os jovens passem a considerar o confronto como a única saída.

Por isso, cabe uma reflexão urgente: o que está sendo feito para escutar essas vozes antes que elas se armem? O que fazem os intelectuais, os religiosos, os artistas, os sindicatos, os políticos honestos (se restam)? O que fazem os que ainda acreditam na democracia como caminho? A omissão agora será cobrada com sangue depois. Não se constrói paz onde não há justiça.

A África, continente de riquezas imensas e juventude vibrante, não pode continuar sendo campo de batalha entre a paciência do povo e a arrogância dos poderosos. É preciso romper o ciclo de promessas vazias, de reformas cosméticas e de uma democracia apenas formal. Ou a fúria, como uma enxurrada, levará tudo. E não digam depois que não foram avisados.

Por isso, escutemos o choro antes que ele se transforme em grito.

 

O Povo, o MPLA e o mistério do vaso sanitário vandalizado

Lá estava eu, num domingo tranquilo, a saborear um funge com molho de peixe seco, quando de repente… PÁ! A televisão anuncia: “Mais um acto de vandalismo em Luanda. Bens públicos destruídos. Jovens não identificados envolvidos.”

Cocei a cabeça, olhei pro meu prato, depois olhei pro tecto — onde ainda resiste um pedaço do estuque colonial — e pensei: mas afinal, quem é esse misterioso “vândalo”? É gente ou entidade espiritual? Um espírito revolucionário, talvez?

Foi então que me lembrei do velho slogan que já virou herança cultural: “O povo é MPLA e o MPLA é o povo.” Pronto. Mistério resolvido. O povo que destrói paragens de táxi, bancos de jardim e até os raros vasos sanitários dos mercados municipais… é o próprio MPLA! E vice-versa!

Quer dizer, se o vandalismo foi feito pelo povo, e o povo é MPLA, logo… é tudo em casa. Tipo briga de família: um quebra, outro varre, o outro finge que não viu e o último diz que a culpa é da oposição — mesmo que ela só tenha 3 cadeiras no Parlamento e uma vassoura.

Mas atenção, não se trata de matemática política. Isso aqui é álgebra emocional. Porque se você reclamar, vai ouvir: “Não! Isso foi feito por elementos infiltrados!” Claro. São sempre elementos. Nunca são pessoas com nome, morada e número de BI. São sempre “elementos não identificados”, como se o país fosse governado por fantasmas e sombras.

Certa vez, vi um grupo de jovens a pintar muros com palavras de ordem do partido, e horas depois, os mesmos jovens a arrancar os cartazes da oposição como se estivessem a lutar pela sobrevivência nacional. Um deles, suando tinta vermelha, gritou: “Isso é patriotismo!” Eu sorri. É isso. Em Angola, vandalismo às vezes é patriotismo mal traduzido.

E o mais curioso? Quando há eleições, os mesmos que quebraram os bancos públicos aparecem sorridentes na fila para votar, com a t-shirt do partido ainda meio rasgada da última manifestação.

Mas no fundo, somos todos inocentes. O partido diz que o povo fez, o povo diz que não fez, a polícia diz que investiga e no fim, a culpa cai em cima do… candeeiro público.

Portanto, da próxima vez que vir um bueiro destapado, uma escola com janelas sem vidro ou uma paragem destruída, não pergunte “quem fez isso?”, apenas recite em voz baixa, com um sorriso angolano:

“O povo é MPLA e o MPLA é o povo.”

E continue seu caminho, antes que digam que foi você.

DE 1960 A 2025: 65 anos da Gorongosa Conservando e impactando vidas

No dia 23 de julho de 1960, a Gorongosa foi declarada Parque Nacional. Decorridos 65 anos, hoje, resume-se na Biodiversidade e impacto de vida das comunidades ao seu redor, tornando-se amplamente reconhecido como uma das maiores histórias de recuperação da vida selvagem em África.

O PNG localizado na província de Sofala, zona centro de Moçambique, no distrito do mesmo nome do Parque e também nos distritos de Muanza e Cheringoma, limita-se com a zona sul do grande Vale do Rift Africano no centro do país.

O PNG celebrou no dia 23 de junho, 65 anos, com uma contagem aérea de fauna bravia surpreendente, depois de 16 anos de guerra que quase perdeu toda a sua fauna de grande porte. Agora, devido à “missão: proteger a biodiversidade e melhorar o nível de vida das pessoas; renaturalização e educação juvenil”, eis 65 anos de beleza selvagem, ideias ousadas e propósito partilhado”.

Dados detalhados surpreendem. De 2022, a Gorongosa documentou mais de 100.000 animais em 60 por cento do Parque; mais de 1.500 Bois-cavalos (ou Gnus); mais de 1.400 Búfalos; e mais de 900 Hipopótamos, um aumento de 10 por cento comparativamente aos períodos de entre 2018 e 2020. Já o cálculo de outubro de 2024 indicou um salto de 102.346 de 2022 para 110.513 indivíduos.

“A população do Parque Nacional da Gorongosa e das comunidades vizinhas estão a mostrar o que é possível quando as pessoas e o planeta prosperam juntos”, avalia o Parque.

Segundo a contagem de 2024, nos últimos dois anos, nenhum sinal de caça ilegal, incluindo animais capturados, foi observado; e mais animais foram contados do que nunca. Isso prova o comprometimento com acções de conservação envolvendo as comunidades.

O registo de 2024 foi de um total de 110.513 indivíduos de 20 espécies de animais de grande porte (107.765 herbívoros e 2.748 crocodilos). Estas são reais contagens, não estimativas.

Esta mudança de comportamento das comunidades resulta de programas integrados do Parque Nacional da Gorongosa, impactando vidas.

 

Programa integrados

Os programas integrados do PNG resumem-se em Conservação, Educação, Saúde e Agricultura, além de construção de infra-estruturas nos seis distritos considerados Zona de Desenvolvimento Sustentável, nomeadamente, Nhamatanda, Gorongosa, Cheringoma, Dondo, Muanza e Maringué.

Em 2024, existiam mais de 1.800 pessoas empregadas no Parque, sendo 1.086 funcionários a tempo inteiro e mais 721 trabalhadores sazonais e a tempo parcial, cuja maior parte é de jovens filhos da Zona de Desenvolvimento Sustentável, Gorongosa. Alguns desses já fazem parte de grandes organizações internacionais pelas oportunidades internas.

Mais de 300 homens e mulheres do Departamento de Conservação  (99% dos quais moçambicanos) trabalham incansavelmente para proteger a Gorongosa, usando uma variedade de abordagens: fiscalização da conservação, rastreio e gestão da fauna bravia, cuidados veterinários para animais, reintrodução de espécies, gestão de queimadas, estabelecimento de contactos com os governos provinciais e locais e representantes legais, e trabalho com as comunidades locais para alcançar a coexistência humana com a fauna bravia.

Ainda no emprego pela Conservação, em muitas áreas, o facto de seres humanos e animais selvagens viverem lado a lado apresenta desafios para ambos. Os elefantes podem ser particularmente problemáticos porque por vezes destroem colheitas e silos de cereais tradicionais. O Parque utiliza diversas estratégias para facilitar a coexistência pacífica entre seres humanos e vida selvagem. Esta unidade emprega actualmente 22 funcionários.

Existem programas que visam melhorar o acesso à água potável, a cuidados de higiene (clínicas móveis) e serviços de saneamento nas comunidades da Zona de Desenvolvimento Sustentável.

Este ano, a Gorongosa vai entregar 26 infra-estruturas escolares e sanitárias, além de continuar a capacitar professores e proporcionar clubes extracurriculares para raparigas e rapazes, com um enfoque adicional nas raparigas em risco de uniões prematuras, em colaboração do Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano.

A Gorongosa tem mais de 100 Clubes de Raparigas onde as meninas aprendem sobre os seus direitos e deveres, saúde sexual e reprodutiva, se inspiram sobre a vida.

Do outro lado, existe o Programa Clube da Paz para a integração dos ex-guerrilheiros e os seus familiares em iniciativas de formação para o emprego e autoemprego.

Existem tantos projectos, como o de café cultivado, de mel, e na agricultura o destaque vai para o Programa de Desenvolvimento de Meios de Vida para melhorar a vida de 30 mil produtores agrícolas familiares até 2027, no qual os beneficiários recebem sementes, são instruídos sobre a produção e produtividade, comercialização e conservação da colheita.

Até 2023, o Parque e parceiros querem tornar a Vila de Gorongosa modelo.

Em 1960, a Gorongosa não apenas mudou o nome para Parque Nacional, mas passou a assumir a ideia de equilibrar a conservação e desenvolvimento humano das comunidades. (Muamine Benjamim).

65 years wild: Gorongosa National Park’s… – Gorongosa National Park | Facebook

Entre seguranças e crocodilos: Uma história bem guineense

Por Júnior Rafael

Bissau, 2025. Calor, poeira e política — os três elementos que não falham nunca. Esta semana, um novo ingrediente foi jogado na panela de pressão da nossa realidade nacional: o corpo de Mamadu Tano Bari, segurança presidencial, foi encontrado boiando no Rio Mansoa. E cá entre nós, o que tem boiado ultimamente na Guiné-Bissau não é só cadáver — é também a nossa paciência, a nossa esperança e, claro, a ideia de que vivemos num país sério.

Tano Bari era segurança do Presidente. Isso mesmo, da pessoa que teoricamente é a mais protegida do país. Agora veja bem: se até o segurança do chefe do Estado é perseguido e depois aparece morto, imagine você, caro leitor, que não guarda nem a porta da sua casa direito porque a fechadura está com defeito desde 2002.

Mano Bari, vítima do sistema ou sistema da vítima?

A família fez uma conferência de imprensa — o que já é um feito heróico por aqui. Disse que Tano vinha sendo ameaçado por colegas. Veja que refinamento! Nem precisaram chamar os inimigos. Em Bissau, parece que o perigo mora mesmo é na copa do lado, na sala ao lado, no carro da frente. Um tipo de “amizade letal” que só as instituições do Estado conseguem cultivar com tanto talento.

E antes que alguém diga que estamos a exagerar, basta olhar o contexto: o irmão dele, Tcherno Bari, está detido há mais de um mês no Estádio Maior. Sim, isso mesmo: estádio. Onde outros países jogam bola, nós jogamos gente. Não se sabe se é prisão preventiva ou apenas um retiro espiritual forçado com vista para arquibancadas vazias.

A pergunta que fica no ar é: quem será o próximo? Porque nesse país parece que há mais rota para desaparecer do que para ser promovido. Entrar no serviço do Estado hoje em dia é como entrar num daqueles reality shows de sobrevivência, só que sem câmara, sem prémio e, às vezes, sem volta.

Claro, tudo isso seria trágico, se não fosse cómico. Ou melhor: é trágico e cómico ao mesmo tempo — como uma peça mal escrita que já passou do terceiro ato, mas ninguém se levanta para aplaudir porque está todo mundo cansado, assustado ou preso.

Afinal, qual é o recado que o Estado nos passa quando um dos seus próprios homens de confiança vira estatística flutuante num rio? Que devemos continuar a confiar? Que tudo está sob controlo? Se isso é controlo, então os crocodilos do Mansoa estão a coordenar melhor do que muitos ministros.

Mas vamos manter o optimismo: talvez essa morte, como tantas outras, seja só mais um “acidente” inexplicável, desses que acontecem quando o sistema escorrega e cai em cima das pessoas erradas. Ou certas. Depende do ponto de vista de quem está no topo da cadeia alimentar estatal.

Resta rir. Porque o riso, cá entre nós, é uma das poucas liberdades que ainda não foi detida. Pelo menos, não por enquanto.

E a memória de Tano Bari? Que sirva para nos lembrar que nesta nossa Guiné, onde os peixes grandes nadam livres e os pequenos são engolidos pelo silêncio, a verdadeira segurança ainda está por ser inventada.

Descanse em paz mano Bari, brevemente nos vemos. Se fizeste seu trabalho certo ou errado, cabe a Deus julgar.

Quando a colonização do pensamento substitui a soberania

Júnior Rafael

Vocês não conseguem pensar e viver sozinhos. Essa frase soa como insulto, mas é um diagnóstico. Um país que abdica do pensamento crítico, que aceita com naturalidade a imposição de modelos externos como se fossem verdades absolutas, caminha não apenas para a dependência económica, mas para a negação da própria existência como sujeito histórico. Moçambique não sofre apenas com a dívida externa, a pobreza ou a corrupção – sofre com a incapacidade de imaginar-se fora das estruturas de dominação impostas, antes pelo colonizador europeu, agora por agências multilaterais, corporações transnacionais e lógicas neoliberais de dependência infinita.

Convenceram-nos de que a dívida seria o motor do desenvolvimento. Acatamos, celebramos, endividamo-nos em nome de projectos que em nada transformaram a vida concreta do povo. Bilhões de dólares foram emprestados, desviados, enterrados em projectos faraónicos sem retorno social. Quando o FMI nos aplaude, a fome aumenta. Quando o Banco Mundial elogia a “governança”, os hospitais colapsam. Fomos convencidos de que o tractor resolveria o transporte rural, e corremos a aceitá-lo como solução – mesmo diante do absurdo de usar maquinaria agrícola para mover pessoas. Importamos tudo: comida, medicamentos, papel higiénico, como se a ausência de autonomia produtiva fosse um selo de prestígio. Agora, querem que penhoremos a Hidroeléctrica de Cahora Bassa, um dos poucos activos estratégicos ainda sob domínio nacional, em troca de mais um empréstimo, e aceitamos. Não por hipocrisia – mas por inexistência. A hipocrisia ainda exige consciência de si e dissimulação; a inexistência é pura ausência: de projecto, de memória, de soberania.

Esse não é apenas um problema económico ou técnico: é uma tragédia epistemológica e existencial. Perdemos a capacidade de questionar os discursos que nos subjugam. A colonização deixou de ser apenas territorial para tornar-se mental. Quando um povo acredita que só será reconhecido se importar tudo, endividar-se, ou submeter-se a programas impostos por instituições financeiras globais, é sinal de que já não se vê como protagonista da própria história. O problema não é o tractor, o dólar ou o empréstimo – é o modo como naturalizamos o absurdo, como nos ajoelhamos diante da norma externa, como aplaudimos nossa própria submissão com entusiasmo televisivo e comunicados oficiais.

Por isso, dizer que o país vive uma crise é pouco. Moçambique atravessa uma fase de negação radical de si mesmo, onde a elite dirigente age como caixeiro-viajante de interesses alheios, e o povo, cansado, sobrevive entre a descrença e a apatia. Não se trata mais de reconstruir a economia, mas de reerguer o pensamento – recuperar o direito de imaginar, duvidar, recusar. Sem isso, não haverá soberania, apenas gestão da ausência. Porque quem não pensa por si, quem não planta o que come, quem não decide o seu caminho, não é pobre. É inexistente.

 

Dondo: Presidente do policiamento comunitário assaltado em casa

Desconhecidos, em número de 12 invadiram a residência do presidente do policiamento comunitário no bairro de Nhamaiabwe, unidade comunal “G”, na cidade do Dondo, província de Sofala. Durante o crime, os indivíduos agrediram-no fisicamente enquanto apoderavam-se de vários bens materiais.

Trata-se de José Tomocene, de aproximadamente 50 anos, assaltado por volta das 2 horas e mantido refém por cerca de 2 horas, quando estava com a família, em casa, na última terça-feira.

A vítima conta que vieram 12 indivíduos desconhecidos mascarados, transportando-se por uma viatura. Arrombaram as portas das duas entradas para o acesso ao quarto e à sala.

“Entraram, e um deles segurou meu braço esquerdo, enquanto outro perguntava ‘o que você tem?’, ao que respondi que não tinha nada”, contou a vítima.

“Começaram a retirar materiais, como varões de ferro e cadeiras. Do lado de dentro, só ouvíamos os barulhos dos objectos sendo arrastados e levados para fora”.

Durante a acção, um dos criminosos ameaçou: “Quem gritar vai levar alguma coisa no corpo”. Com medo, ninguém reagiu, deixando um clima de terror na casa.

Os assaltantes levaram um congelador, televisor plasma, amplificadores, colunas de som e outros bens electrónicos. No quarto, ainda se apoderaram de uma pasta contendo documentos pessoais e um computador portátil.

Apesar da tensão, a esposa da vítima conseguiu escapar durante a acção, enquanto o marido foi mantido como refém.

Os criminosos exigiam ainda a chave de uma motorizada.

A vítima suspeita que se trata de um acto de retaliação, uma vez que havia participado na detenção de jovens envolvidos em roubos no bairro, que posteriormente foram libertados.

Antes do ataque, os malfeitores teriam deixado uma mensagem ameaçadora escrita na parede da casa: “Vamos-te vandalizar, você, presidente dos malandros”.

O chefe da unidade comunal G, Alberto Pedro, confirmou o caso e apelou por mais policiamento comunitário.

Segundo Alberto Pedro, há indivíduos que, mesmo detidos por roubo, são libertos após pagamento de caução e voltam a delinquir. “Estão a formar grupos para continuar com estas acções”, alertou. (Narcísio Cantanha).

Chapo exonera inspector das FADM e Comandante do Ramo do Exército

O Presidente da República, Daniel Chapo exonerou hoje por despachos presidenciais separados, Messias André Niposso, do cargo de Inspector das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM); e Tiago Alberto Nampele, do cargo de Comandante do Ramo do Exército.

Chapo exonerou Ezequiel Isac Muianga do cargo de Comandante do Serviço Cívico Moçambique. E igualmente, exonerou Brigadeiro André Rafael Mahunguane, do cargo de Chefe do Estado-Maior da Casa Militar.

Como uma senha fraca permitiu que hackers falissem empresa de 158 anos

Acredita-se que uma única senha tenha sido suficiente para que uma gangue de ataque cibernético do tipo ransomware destruísse uma empresa de 158 anos — e deixasse 700 pessoas sem emprego.

A KNP, empresa de transportes de Northamptonshire, é apenas uma das dezenas de milhares de empresas do Reino Unido que foram alvo de ataques deste tipo.

Grandes companhias, como M&S, Co-op e Harrods, foram atacadas nos últimos meses. O CEO da Co-op confirmou na semana passada que todos seus 6,5 milhões de usuários tiveram seus dados roubados.

No caso da KNP, acredita-se que os hackers conseguiram entrar no sistema de computador adivinhando a senha de um funcionário e, em seguida, criptografaram os dados da empresa e bloquearam seus sistemas internos.

O director da KNP, Paul Abbott, diz que não contou ao funcionário em questão que sua senha comprometida provavelmente levou à destruição da empresa.

“Você gostaria de saber se fosse você?”, ele pergunta.

“Precisamos que as organizações tomem medidas para proteger seus sistemas, para proteger seus negócios”, afirma Richard Horne, CEO do Centro Nacional de Segurança Cibernética do Reino Unido (NCSC, na sigla em inglês), onde a reportagem do programa Panorama, da BBC, teve acesso exclusivo à equipe que combate gangues internacionais de ataques do tipo ransomware.

 

Um pequeno erro

Em 2023, a KNP estava operando 500 caminhões — a maioria sob a marca Knights of Old.

A empresa afirmou que sua TI estava em conformidade com os padrões do sector, e que havia contratado um seguro contra ataques cibernéticos.

Mas uma gangue de hackers, conhecida como Akira, entrou no sistema, deixando a equipe incapaz de acessar os dados necessários para administrar a empresa. A única maneira de obter os dados de volta, disseram os hackers, era pagar um resgate.

“Se você está lendo isso, significa que a infra-estrutura interna da sua empresa está total ou parcialmente inoperante. Vamos guardar todas as lágrimas e ressentimentos para nós mesmos e tentar construir um diálogo construtivo”, dizia a nota sobre pagamento de resgate.

Os hackers não indicaram um valor, mas uma empresa especializada em negociação em ataques do tipo ransomware estimou que a quantia poderia chegar a 5 milhões de libras (cerca de R$ 37 milhões). A KNP não tinha esse dinheiro. No fim das contas, todos os dados foram perdidos, e a empresa foi à falência.

O NCSC afirma que seu objectivo é “tornar o Reino Unido o lugar mais seguro para se viver e trabalhar online” — e diz que lida com um grande ataque todos os dias.

A organização faz parte da Agência de Comunicações do Governo (GCHQ, na sigla em inglês), um dos três principais serviços de segurança do Reino Unido, ao lado do MI5 e o MI6.

Os hackers não estão fazendo nada de novo, diz “Sam” (nome fictício), que lidera uma equipe do NCSC que lida com ataques diários. Eles estão apenas à procura de um elo fraco, diz ele ao Panorama.

“Estão sempre encontrando organizações em um dia ruim e tirando proveito delas.”

Por meio de fontes de inteligência, os agentes do NCSC tentam detectar ataques e expulsar os hackers dos sistemas de computador antes que eles possam implantar o software malicioso.

“Jake” (nome fictício) era o agente de plantão nocturno durante um incidente recente em que hackers foram detidos.

“Você entende a dimensão do que está acontecendo e quer reduzir os danos”, diz ele. “Pode ser emocionante, especialmente se formos bem-sucedidos.”

Mas o NCSC só pode oferecer uma certa camada de protecção, e o ataque do tipo ransomware é um crime crescente e lucrativo.

“Parte do problema é que há muitos hackers”, diz Sam. “E não somos muitos.”

As estatísticas são difíceis de obter porque as empresas não precisam denunciar ataques ou se pagaram resgates. No entanto, estima-se que houve 19 mil ataques do tipo ransomware a empresas do Reino Unido no ano passado, de acordo com o levantamento de segurança cibernética do governo.

Pesquisas do sector indicam que o valor do pedido de resgate típico é de cerca de 4 milhões de libras (aproximadamente R$ 30 milhões) no Reino Unido, e que cerca de um terço das empresas simplesmente paga.

“Temos visto uma onda de ataques cibernéticos criminosos nos últimos anos”, observa Richard Horne, CEO do NCSC. Ele nega que os criminosos estejam vencendo, mas diz que as empresas precisam melhorar sua segurança cibernética.

Se a prevenção não funcionar, outra equipe de agentes da Agência Nacional de Combate ao Crime (NCA, na sigla em inglês), tem a tarefa de capturar os criminosos.

Os ataques estão em alta porque são muito lucrativos, diz Suzanne Grimmer, que chefia uma equipe da NCA.

A unidade dela realizou a avaliação inicial do ataque à M&S, rede de varejo britânica.

Os incidentes quase dobraram para cerca de 35 a 40 por semana desde que ela assumiu a unidade há dois anos, diz Grimmer.

“Se continuar assim, prevejo que este será o pior ano já registrado para ataques do tipo ransomware no Reino Unido.”

A invasão está se tornando mais fácil, e algumas das tácticas não envolvem nem sequer um computador — como, por exemplo, ligar para o suporte de TI para obter acesso.

Isso reduziu a barreira para possíveis ataques, explica Grimmer. “Esses criminosos estão se tornando muito mais capazes de acessar ferramentas e serviços para os quais você não precisa de um conjunto de habilidades técnicas específicas.”

Os hackers da M&S invadiram o sistema da empresa por meio de manipulação ou truques. Isso causou transtornos para os consumidores, como atrasos nas entregas e algumas prateleiras vazias, e os dados dos clientes também foram roubados.

James Babbage, diretor geral da área de ameaças da NCA, diz que essa é a característica de uma geração mais jovem de hackers, que agora está “entrando no crime cibernético provavelmente por meio de games”.

“Eles estão reconhecendo que esse tipo de habilidade pode ser usado para enganar as centrais de suporte de TI e afins para que tenham acesso às empresas.”

Uma vez lá dentro, os hackers podem usar um software para ataque do tipo ransomware, comprado na dark web, para roubar dados e bloquear sistemas de computador.

De acordo com Babbage, o ataque do tipo ransomware é a ameaça de crime cibernético mais significativa que enfrentamos.

“É uma ameaça à segurança nacional por si só, tanto aqui quanto no mundo todo.”

Outros chegaram à mesma conclusão.

Em dezembro de 2023, o Comité Conjunto do Parlamento sobre a Estratégia de Segurança Nacional alertou que havia um alto risco de um “ataque catastrófico do tipo ransomware a qualquer momento”.

No início deste ano, o Serviço Nacional de Auditoria elaborou um relatório que dizia que a ameaça ao Reino Unido era grave e estava avançando rapidamente.

As empresas precisam “pensar na segurança cibernética em todas as decisões que tomam”, diz Richard Horne, do NCSC.

Babbage afirma que também não aconselha as vítimas a pagar resgates.

“Cada vítima precisa fazer sua própria escolha, mas é o pagamento de resgates que alimenta esse crime”, diz ele.

O governo propôs a proibição do pagamento de resgates por parte de órgãos públicos.

As empresas privadas podem ter que denunciar ataques com pedido de resgate e obter permissão do governo para pagar.

Em Northamptonshire, Paul Abbott, da KNP, agora dá palestras alertando outras empresas sobre a ameaça cibernética.

Ele acredita que as empresas deveriam ter que provar que possuem protecção de TI actualizada, uma espécie de “vistoria veicular cibernética”.

“É preciso haver regras que tornem as empresas muito mais resilientes a actividades criminosas”, diz ele.

No entanto, muitas empresas estão optando por não denunciar o crime, e simplesmente pagar os criminosos, diz Paul Cashmore, um especialista em cibernética contratado pelas seguradoras da KNP.

Diante da possibilidade de perder tudo, as empresas cedem às gangues.

“Isso é crime organizado”, ele afirma. “Acho que há muito pouco avanço na captura dos criminosos, mas é devastador.”

Ransomware: como uma senha fraca permitiu que hackers falissem empresa de 158 anos – BBC News Brasil

Gorongosa: Comunidades de Monequera, Chitunga e Cudzo terão energia este ano

No distrito de Gorongosa, em Sofala, as comunidades de Monequera, Chitunga e Cudzo vão ter energia eléctrica este ano, beneficiando 327 consumidores. São dados revelados pelo director do Serviço Distrital de Planeamento e Infra-estruturas (SDPI).

José Chigarire Armando disse que Gorongosa vive momentos de avanço no que diz respeito a expansão da rede eléctrica nacional, porque já estão em curso as actividades de expansão para as localidades. Também, decorre actividades de alocação de Posto de Tensão (PT).

José Chigarire Armando, falando na última sexta-feira, disse que, já está em curso a expansão da rede eléctrica, numa extensão de 30 quilómetros para a localidade de Cudzo, além das zonas de Monequera e Chitunga.

Esta expansão da energia da rede eléctrica enquadra-se na iniciativa Presidencial “Energia para Todos” ate 2030, beneficiando mais de 28 milhões de pessoas.

Espera-se que o Programa “Energia para Todos” chegue a todo o país de forma faseada, com o envolvimento da empresa Electricidade de Moçambique (EDM). São cerca de 80 milhões de euros (mais de 5.120 milhões de meticais), um investimento da União Europeia, do Banco Mundial e de parceiros de cooperação do sector da energia. (Ana Cleta Coimbra).

Eswatini acolhe “perigosos cadastrados” estrangeiros deportados por EUA

Cinco estrangeiros condenados por violação sexual de menores e homicídio estão presos em Eswatini, deportados na última semana pela administração Trump, no contexto da controvérsia política de expulsões em massa por ilegalidade. São cidadãos do Vietnã, Jamaica, Cuba, Iêmen e Laos.

Numa publicação, na madrugada da última terça-feira, a Secretária Assistente de Segurança Interna, Tricia McLaughlin, afirmou os cinco “indivíduos tão singularmente bárbaros que seus países de origem se recusaram a aceitá-los de volta”, cita a Associated Press. Um deles era membro de gangue, acrescenta a dirigente.

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O governo de Eswatini afirmou que vai colaborar com os Estados Unidos da América e a agência de migração da Organização das Nações Unidas (ONU) para facilitar o retorno deles e garantir que “o devido processo legal e o respeito aos direitos humanos sejam seguidos” como parte de sua repatriação.

Segundo AP, quatro dos cinco países de onde os homens são oriundos têm historicamente resistido a aceitar de volta alguns cidadãos quando são deportados dos Estados Unidos.

O governo de Eswatini disse que os prisioneiros estavam a ser mantidos em unidades isoladas em instalações correccionais não identificadas, mas eram considerados em trânsito e seriam enviados aos seus países de origem.

Os americanos já deportaram oito homens para outro país africano, o Sudão do Sul, depois que a Suprema Corte suspendeu as restrições ao envio de pessoas para países com os quais não têm vínculos.

Jornal Profundus

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