Os agricultores do distrito de Chemba, em Sofala queixam-se de preços altamente baixos na venda do gergelim. Agora exigem ao governo local que intervenha.
Os produtores de gergelim apresentaram hoje, esta preocupação durante a visita da presidente da Assembleia Provincial de Sofala, Antónia Charles, a população do povoado de Ndango, interior de Chemba.
Informe-se na palma da tua mão pelo WhatsApp: https://chat.whatsapp.com/I7foQut2cKNBCTCImsPFjb
Os produtores apontam 60 meticais por quilograma de gergelim. Estes valores praticados no mercado local não compensam os custos de produção e desincentivam o cultivo do produto.
Na ocasião, o administrador de Chemba, Bento Conde Zeca, reconheceu o problema, explicando que o baixo preço do gergelim foi provocado pela desorganização entre os produtores. No entanto, assegurou que o Governo distrital já trabalhou com os principais compradores para corrigir o problema e promover maior equilíbrio na cadeia de comercialização.
A partir de amanhã, quarta-feira, o gergelim vai custar 70 meticais por quilograma, portanto, mais 10 meticais contra o preço anterior.
A expansão da rede de comunicação, a construção de um Centro de Saúde local e a extensão do fornecimento de energia eléctrica são outras preocupações de Ndango.
Donald Trump foi diagnosticado com insuficiência venosa crónica, anunciou a Casa Branca na quinta-feira (17.07), após dias de especulação a respeito de fotografias que mostram hematomas na mão do presidente dos Estados Unidos.
Depois de apresentar inchaço nas pernas recentemente, Trump foi submetido a um “exame abrangente” que incluiu testes vasculares, de acordo com a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt.
Leavitt disse que o hematoma na mão de Trump era consistente com “danos aos tecidos causados por apertos de mão frequentes” e pelo uso de aspirina — que, segundo ela, ele toma como “prevenção cardiovascular”.
Trump, de 79 anos, sempre elogiou sua boa saúde — e certa vez se descreveu como “o presidente mais saudável que já existiu”.
A insuficiência venosa crónica ocorre quando as veias das pernas não conseguem bombear o sangue para o coração, fazendo com que ele se acumule nos membros inferiores, que podem ficar inchados.
As veias e válvulas “impulsionam o sangue para cima e para fora da perna”, de volta para o coração, explica à BBC Meryl Logan, professora assistente de cirurgia vascular da Universidade do Texas em Austin, nos EUA.
O sangue que flui das pernas para o coração se move contra a gravidade, o que pode dificultar esse processo.
“Portanto, a insuficiência venosa crônica acontece quando essas veias e válvulas não funcionam, e o sangue volta descendo para as pernas”, diz ela.
O presidente mais velho dos EUA já empossado
Leavitt afirmou que não havia “nenhuma evidência de trombose venosa profunda ou doença arterial” — e que todos os resultados do exame estavam “dentro dos limites normais”.
De acordo com uma nota do médico da Casa Branca, Sean Barbabella, divulgada para a imprensa, a condição é “benigna e comum”, especialmente em pessoas com mais de 70 anos.
Exames adicionais não mostraram “nenhum sinal de insuficiência cardíaca, comprometimento renal ou doença sistémica” em Trump, afirmou Barbabella na nota, que confirmou as informações anunciadas por Leavitt.
Informe-se na palma da tua mão pelo WhatsApp: https://chat.whatsapp.com/I7foQut2cKNBCTCImsPFjb
De modo geral, Trump está em “excelente estado de saúde”, escreveu o médico.
Os fotógrafos capturaram o que pareciam ser as pernas inchadas de Trump durante a final da Copa do Mundo de Clubes da Fifa em Nova Jersey em 13 de julho, com fotos subsequentes tiradas no início desta semana mostrando hematomas em suas mãos durante uma reunião com o primeiro-ministro do Bahrein, Salman bin Hamad bin Isa Al Khalifa, na Casa Branca.
Um hematoma na mão do presidente já havia sido fotografado durante uma reunião com o presidente francês, Emmanuel Macron, em fevereiro.
As pernas inchadas e os hematomas geraram especulações e rumores online de que o presidente poderia estar sofrendo de uma doença que não havia sido divulgada.
Após um exame físico anual em abril, Barbabella escreveu que Trump “apresenta saúde cognitiva e física”.
Trump tinha 78 anos e sete meses de idade quando tomou posse para seu segundo mandato em janeiro, tornando-se o presidente mais velho a ser empossado nos EUA.
Factores de risco
Médicos disseram à BBC que concordam com a avaliação de Barbabella sobre a gravidade da insuficiência venosa crónica.
“Ela pode estar associada a condições graves, mas, por si só, não é uma condição grave, e é muito comum”, diz à BBC Matthew Edwards, presidente do Departamento de Cirurgia Vascular da Wake Forest University, nos EUA.
“Eu diria que, provavelmente, entre 10% e 35% das pessoas da faixa etária dele teriam essa condição.”
Os especialistas afirmam que outros factores de risco incluem excesso de peso, histórico de coágulos sanguíneos e empregos que exigem que os pacientes fiquem em pé por longos períodos.
O uso de meias de compressão feitas sob medida pode ajudar a controlar a condição, e os especialistas também recomendam que os pacientes elevem as pernas à noite.
“Digo aos meus pacientes que usem uma boa loção cremosa nas pernas e nos pés todos os dias, e que controlem outros factores de risco em potencial, como a obesidade”, explica Logan.
Os hematomas nas mãos são consistentes com danos causados por apertos de mão frequentes e uso de aspirina, segundo a Casa Branca
O hematoma na mão do presidente
A insuficiência venosa crónica afecta apenas a parte inferior do corpo, portanto, a condição não teria relação com o hematoma visto na mão do presidente, que gerou especulações nos últimos dias.
O médico do presidente afirmou que o hematoma foi resultado do aperto de mão e um efeito colateral do uso de aspirina, medicamento que pode ajudar a prevenir ataques cardíacos, coágulos sanguíneos e derrames.
Edwards diz que concorda com a explicação do médico da Casa Branca de que a ingestão de aspirina por Trump, aliada à sua idade, pode ser responsável pelos hematomas.
“Todos nós somos mais propensos a hematomas à medida que envelhecemos, e isso é muito comum em pessoas que tomam aspirina e outros agentes para afinar o sangue.”
“Tenho certeza de que, se alguém apertar sua mão com força suficiente, (você pode ter um hematoma)”, explica Edwards.
A presidência da União Africana (UA) deveria ser símbolo de unidade, progresso e compromisso com os valores democráticos. No entanto, quando esse cargo é ocupado por um chefe de Estado com histórico autoritário — como já ocorreu em diferentes momentos da história do continente — abre-se um abismo entre os ideais da organização e a realidade política dos seus membros. A pergunta que emerge com urgência é: Se o presidente da União Africana é um ditador, que futuro resta à África?
A resposta não é simples, mas exige coragem: o futuro da África corre risco de estagnação, retrocesso democrático e deslegitimação de instituições que deveriam protegê-la. A presidência da UA, mesmo que simbólica e rotativa, representa uma liderança moral e política perante o continente e o mundo. Um ditador nesse posto não apenas contradiz os princípios fundacionais da União — como a Carta Africana sobre Democracia, Eleições e Governação —, mas também compromete a sua capacidade de agir com legitimidade em crises de direitos humanos e instabilidade política.
A presença de líderes autoritários em posições de destaque no continente não é novidade. A título de exemplo, países como Uganda, Guiné Equatorial, Chade ou Camarões têm sido governados há décadas por regimes que restringem liberdades civis e controlam a imprensa. Quando figuras com esses perfis ocupam cargos representativos na UA, a mensagem que se transmite é ambígua: fala-se em democracia enquanto se pratica a repressão.
A contradição entre o discurso oficial da UA e as acções (ou omissões) diante de golpes de Estado, repressão de manifestações e perseguição de opositores escancara a fragilidade institucional do continente. Um presidente autoritário da UA não é apenas um problema moral — é um obstáculo prático. Como esse líder condenará, com credibilidade, a repressão em outro país quando ele próprio perpetua um regime semelhante? Como poderá mediar conflitos ou defender a alternância de poder, se sua própria trajectória é de perpetuação no cargo?
Recentemente, o activista angolano Osvaldo Kaholo foi preso por expressar críticas ao regime, um episódio que simboliza o cerceamento da liberdade de expressão em muitos países africanos. Casos como esse tornam ainda mais insustentável a ideia de que ditadores possam falar em nome da democracia africana. A prisão de defensores de direitos humanos é não só um atentado à dignidade, mas um sintoma grave da normalização da repressão.
Essa realidade alimenta o cinismo político. Jovens africanos, cada vez mais conectados e críticos, percebem a hipocrisia e se afastam das instituições pan-africanas. O continente, que tem a juventude como maior força transformadora, corre o risco de ver suas esperanças minadas pela repetição de velhas práticas, agora recicladas sob capas diplomáticas.
Por outro lado, essa crise também pode ser oportunidade. A presença de ditadores em espaços de poder continental escancara a necessidade urgente de reformas profundas. A União Africana deve rever os critérios de liderança e reforçar os mecanismos de responsabilização e monitoramento democrático. Mais que uma rotatividade formal entre chefes de Estado, é preciso garantir que aqueles que representam a UA estejam alinhados com seus valores.
A África precisa de lideranças que espelhem o que há de mais promissor em seu povo: resiliência, criatividade, ancestralidade e desejo de mudança. Um presidente da UA que seja ditador é um sintoma — não a doença. A enfermidade é a complacência institucional com a autocracia, a normalização do autoritarismo, a ilusão de que estabilidade pode existir sem liberdade.
Se o futuro da África passa por mais integração e autonomia, ele não pode estar nas mãos de quem silencia vozes e sabota a cidadania. O caminho é longo, mas possível: passa por uma UA comprometida não só com o desenvolvimento económico, mas com a dignidade humana e a soberania dos povos.
A África merece mais. E começa por não aceitar menos.
O governo Trump se viu em um dilema na quarta-feira (16), após revelações da imprensa americana de que toneladas de alimentos destinados a 27 mil crianças desnutridas do Paquistão e Afeganistão serão incinerados por estarem vencidos, em um momento em que os Estados Unidos estão reduzindo drasticamente sua ajuda internacional.
Na quinta-feira (17), por esforços da Casa Branca e da comissão Doge criada por Elon Musk, o Senado dos EUA aprovou um projecto de lei que permitirá ao governo evitar gastos de cerca de US$ 9 bilhões em fundos públicos, principalmente destinados à ajuda internacional.
Michael Rigas, chefe de administração e pessoal do Departamento de Estado, foi questionado sobre esse assunto perante a Comissão de Relações Exteriores do Senado. Pressionado pelo democrata Tim Kaine, ele reconheceu que essa ajuda alimentar seria de fato destruída.
“Sabendo há meses que esses alimentos têm data de validade, por que o Departamento de Estado decidiu queimá-los em vez de distribuí-los a crianças famintas?”, criticou o senador. “Não tenho uma resposta satisfatória para essa pergunta, estou tão angustiado quanto você”, respondeu Michael Rigas.
US$ 130 mil serão gastos para incinerar US$ 800 mil em alimentos
O senador Kaine disse que havia levantado a questão com o secretário de Estado Marco Rubio já em março e lamentou o facto de que nada havia sido feito, com o governo “preferindo manter o depósito fechado, deixar os alimentos expirarem e depois queimá-los”, acusou.
Michael Rigas finalmente reconheceu que isso era uma consequência directa do fechamento da USAID. Diante dos senadores, ele prometeu investigar a polémica.
De acordo com a revista The Atlantic, os Estados Unidos compraram pacotes de biscoitos no final do governo de Joe Biden por cerca de US$ 800 mil. Por fim, os americanos gastarão mais US$ 130 mil para destruí-los. No total, serão 500 toneladas de alimentos estagnados em Dubai, antes destinados a alimentar 27 mil crianças com desnutrição aguda no Afeganistão e no Paquistão.
Depois de mais de seis décadas, a USAID deixou de existir oficialmente em 1º de julho como parte dos enormes cortes orçamentários buscados pelo governo Trump, que considerou que a USAID não estava atendendo aos interesses dos Estados Unidos.
A agência foi incorporada ao Departamento de Estado. O seu fechamento repentino causou uma crise nos círculos de distribuição de ajuda humanitária.
São 133 países do mundo afectados pelo encerramento definitivo da USAID. Resultados desses países estimam que o financiamento da USAID evitou 91 milhões de mortes nos países em desenvolvimento entre 2001 e 2021.
Um estudo coordenado pelo Instituto de Saúde Global de Barcelona (ISGlobal) e publicado na última edição da prestigiada revista médica “The Lancet” alertou que a destruição da USAID poderá interromper, e até mesmo reverter, “duas décadas de progresso na saúde entre populações vulneráveis”.
Os cortes podem levar a mais de 14 milhões de mortes evitáveis até 2030, segundo as projecções. Este número inclui mais de 4,5 milhões de crianças com menos de cinco anos, ou cerca de 700 mil mortes de crianças por ano.
Na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Moçambique foi o mais beneficiado da ajuda do governo americano, ao receber mais de 329,4 milhões de USD através da USAID.
Moçambique não tem ainda solução imediata, mas assegurou que vai criar novas oportunidades de emprego para os mais de 2.500 moçambicanos que ficaram desempregados devido ao encerramento definitivo da USAID.
O governo de Moçambique não está a contratar para a função pública até 2028.
Enquanto a Organização Não-Governamental, Fundação Greg Carr, através do seu Projecto de Restauração da Gorongosa, enquadrou os profissionais que trabalhavam na USAID aos diversos Programas existentes, impactando vidas nas comunidades consideradas Zona de Desenvolvimento Sustentável, como o distrito de Nhamatanda, Gorongosa, Dondo, Cheringoma, Muanza e Maringué.
Um jovem de 22 anos está detido no Comando Distrital da Polícia da República de Moçambique (PRM) em Dondo, província de Sofala por rapto de menor de 6 anos. Confessa o crime enquanto aguardava pelos trâmites legais para a sua responsabilização criminal.
A PRM deteve, na última sexta-feira o jovem em conexão com o crime.
O indiciado é vizinho da criança, que na manhã de quinta-feira raptou o menor no bairro Consito enquanto brincava. Colocou o miúdo em cativeiro na zona de expansão, vulgarmente 3 tanques, arredores da cidade do Dondo.
O raptor exigia uma quantia de 250 mil de resgate.
Após a denúncia, a PRM iniciou de imediato diligências operativas que culminaram com a localização do suspeito, através do rastreio do número de telefone usado para contactar o pai da vítima.
O caso foi apresentado ontem, sábado, no Comando Distrital da PRM em Dondo.
Na ocasião, o porta- voz da PRM em Sofala, Honório Chimbo, contou que “o indiciado utilizou um número de telefone para exigir dinheiro em troca da libertação da criança. Usando os nossos meios de investigação, conseguimos rastrear a origem das chamadas, o que nos permitiu localizar o indivíduo numa zona afastada”, explicou.
Durante a noite, o indivíduo que téria levado a criança ia efectuando várias chamadas e mensagens para a família, exigindo 250 mil meticais para libertar a criança.
De acordo com as autoridades, “o suspeito foi surpreendido e detido na posse da criança por volta das 10 horas do dia seguinte. A detenção ocorreu sem resistência e o menor foi resgatado em segurança”.
A PRM garante que os autos estão a ser lavrados e que o caso seguirá para o Ministério Público para os devidos trâmites legais. “Foi uma operação rápida e eficaz que evitou consequências mais graves”, sublinhou a fonte policial.
O indiciado é confesso. Diz que concebeu o plano de rapto para poder pagar uma vaga de emprego com o dinheiro do resgate.
“Eu queria pagar uma vaga de emprego, que alguém havia-me prometido, que custa 85 mil meticais. Como resgate pedi 250 mil meticais”, conta o jovem nas mãos da Polícia, acrescentando que se poderia descontar o dinheiro inicial.
“Se o pai tivesse pago o resgate, iria deixar a criança num lugar público”, contou o indiciado.
Em declaração, afirmou igualmente que esta foi a primeira vez que cometeu um crime do género e que, por isso, não se sentiu confortável com a situação. “O plano era de devolver a criança no segundo dia. Levei-a para o bairro da Expansão, numa casa abandonada, e fiz tudo sozinho”, mas mal terminou.
As autoridades alertam a sociedade em geral para se precaver destas atitudes, por isso, apela para a denúncia e colaboração conjunta como forma de ajudar na mitigação de crimes.
O menor já se encontra no convívio familiar e de boa saúde. (Narcísio Cantanha).
O caso recente de estupro colectivo envolvendo adolescentes na Escola Básica do Quilómetro 15, na periferia de Maputo, causou justa comoção pública. Mas se limitar a esse episódio é correr o risco de ignorar uma realidade mais ampla e estrutural: a violência sexual, quando enraizada na fome, na desigualdade e no abandono, é apenas o sintoma de uma doença social mais profunda. E essa doença tem nome: omissão estatal.
Enquanto jovens de 14 e 15 anos riam, brincavam e tentavam viver o que ainda lhes resta de infância, o cotidiano brutal do país se infiltrava nos corredores da escola. O monstro não chegou de repente – ele foi sendo alimentado, dia após dia, pela precarização da vida, pelo colapso dos serviços públicos e pela indiferença institucionalizada. No mesmo país onde meninas trocam o próprio corpo por um pedaço de pão, o governo ostenta aviões presidenciais e carrega uma “tocha da unidade nacional” por estradas que não levam alimento nem segurança às comunidades.
Não é apenas um problema de segurança pública. É um projecto político fracassado – ou perverso. Crianças não são violadas apenas por agressores individuais, mas também por um sistema que permite (ou mesmo estimula) a normalização da miséria. Quando não há merenda, quando não há professores, quando não há luz eléctrica nas escolas, o crime se apresenta como única forma de poder visível.
A resposta da sociedade costuma ser imediata: punição. E sim, é necessário que os responsáveis pelo crime do Quilómetro 15 sejam identificados e julgados. Mas será suficiente? Quantos outros crimes sexuais acontecem diariamente sem vídeo, sem denúncia, sem escândalo público? Quantas meninas permanecem invisíveis, exploradas nas sombras, vítimas não só de indivíduos, mas da fome e da negligência?
É preciso ir além da punição. É preciso perguntar por que, em pleno século XXI, ainda temos crianças estudando em salas sem tecto, em comunidades onde o Estado só chega em época de campanha ou com solenidades. É preciso denunciar o absurdo de um país que gasta milhões em desfiles e jantares de gala, mas não consegue alimentar suas crianças.
O Quilómetro 15 não é um caso isolado. É a expressão de uma política pública que prioriza o espectáculo à sobrevivência, a propaganda à protecção social. A “unidade nacional” não pode ser construída sobre os escombros da infância, sobre a carne violada de meninas que o Estado insiste em não enxergar.
A jovem do Quilómetro 15 carregará suas cicatrizes. Mas há outras, sem nome, sem rosto, sem justiça. O silêncio que paira sobre essas histórias é tão violento quanto o ato em si. Ou assumimos, como sociedade, a responsabilidade por essa tragédia cotidiana, com políticas concretas que alimentem, protejam e dignifiquem a vida, ou continuaremos a fingir surpresa cada vez que a barbárie bater à nossa porta.
A fome é política. A violência é consequência. E a indiferença é escolha.
“Não esconde o que você sabe fazer’’. É a frase de encorajamento do jovem Elias António Jasse, um dos poucos alunos da Escola Secundária 03 de Fevereiro de Muanza, concorrente ao Prémio Jovem Criativo, a partir do distrito de Muanza, província de Sofala.
O jovem falando no lançamento da XI Edição do Programa Prémio Jovem Criativo, ontem, sexta-feira, espera ver vários jovens a mostrarem aquilo que sabem fazer, não apenas na criação artística, mas também noutras categorias como de Empreendedorismo e Inovação Tecnológica.
‘’A primeira coisa é coragem, quando tem coragem, tem mais força de você fazer suas obras. Eu posso dizer que não esconde o que você sabe. Pois, são essas coisas que nos fazem avançar. Praticamente, não pode esconder a sua arte. Estou muito inclinado na criação artística, tenho contemplado para a natureza – ela é bonita e eu tenho contemplado também a sociedade moçambicana’’, disse o concorrente experiente.
Em Muanza, Elias Jasse é um jovem que se destaca na criação artística. No contexto do Prémio Jovem Criativo, em 2024, chegou à fase provincial, mas não foi apurado para nacional.
Elias quer levar o prémio com a sua arte, expressão, promoção e valorização da criatividade juvenil.
A XI Edição do Prémio Jovem Criativo decorrerá entre 14 de Julho e 17 de Outubro deste ano, abrangendo os 161 distritos do país, incluindo os sete distritos municipais da cidade de Maputo, com fases distritais, provinciais e nacional.
Podem concorrer os jovens de entre os 15 e os 35 anos, que se destacam na criatividade e inovação nas áreas de empreendedorismo, inovação tecnológica e criação artística.
As candidaturas são aceites através de um formato híbrido, que inclui uma plataforma online oficial do Ministério da Juventude e também presencialmente nos Serviços Distritais de Educação, Juventude e Tecnologia. (João Cipriano).
No distrito de Gorongosa, pessoas com deficiência locomotora beneficiaram-se de muletas. A iniciativa traz esperança a 50 beneficiários dos cerca de 4.500 existentes naquele ponto da região central de Moçambique.
Na ocasião, o administrador de Gorongosa, Pedro Mussengue, disse que as muletas vão ajudar na locomoção dos beneficiários.
Mussengue pediu aos parceiros e pessoas de boa-fé para continuarem a apoiar essas pessoas que vivem com deficiência no distrito de Gorongosa.
Manuel Francisco disse ter recebido as muletas num momento em que não tinha esperança que um dia o gesto aconteceria para lhe ajudar a locomover-se, por isso, pede que essa união dos doadores continue.
Outro beneficiário, Domingos Semo agradeceu pela doação e pede para que a iniciativa abranja todas as zonas do distrito de Gorongosa porque ainda existem pessoas que precisam da ajuda.
As muletas entregues na última quarta-feira, foram doadas pela Light For The World, em parceria com a Amavida, Organizações Não-Governamentais. . (Ana Cleta Coimbra).
Dez indivíduos ainda desconhecidos tentaram assassinar um pastor de 55 anos, no bairro de Nhamaiabwe, quarteirão 2, unidade comunal “C”, na cidade do Dondo, província de Sofala.
A vítima é Mateus Alfândega, pastor da igreja Mistério Juliate no Dondo.
Por volta das 0h00, da última quarta-feira, Mateus Alfândega recebeu uma chamada telefónica de indivíduos não identificados, supostamente mandados por um grupo religioso rival, também não identificado, que afirmaram estar no interior do seu quintal com o objectivo de tirar-lhe a vida, mas não matá-lo devia pagar 300 mil meticais.
“Viemos aqui para cumprir uma missão. Fomos contratados para executar o senhor [Mateus Alfândega] ”, conta o pastor.
Segundo o pastor, os indivíduos exigiam que ele escolhesse entre a vida e a morte: “Se quer viver, nos entregue os 300 mil meticais. Se não tiver, vamos te matar”.
Os suspeitos insistiram para que a vítima abrisse a porta voluntariamente. “Estamos a pedir que abra a porta sozinho, para entrarmos e conversarmos melhor. Caso se recuse, vamos arrombar e entrar à força”.
Mateus Alfândega relatou que, ao perceber o perigo, tentou de imediato pedir ajuda. “Telefonei para o meu colega pastor, que por sinal é também meu vizinho e para a polícia. Enquanto isso, a minha esposa já gritava por socorro na sala, o que levou vários homens e mulheres da vizinhança a dirigirem-se até à minha casa”, contou.
Posteriormente, a vítima voltou a ser contactada pelos mesmos indivíduos e disseram: “Olha, senhor Mateus, nós estamos aqui a assistir tudo, mas vamos nos afastar uns 50 metros”.
Ainda assim, insistiram para que eu mandasse os 300 mil meticais”, conta o pastor.
Diante da pressão, Mateus respondeu: “Nem 300 mil tenho. Só tenho 3 mil”. Imediatamente, um dos ameaçadores respondeu “envia para eu mandar a foto da pessoa [mandante]”. Segundo a vítima, esta exigência foi repetida quatro vezes, mesmo após explicar que não tinha o valor pedido.
Enquanto aguardava pela chegada da polícia, vizinhos armados com paus, catanas, flechas e outros instrumentos improvisados saíram à rua em defesa do pastor.
Os suspeitos, ao se aperceberem da aproximação da vizinhança da vítima, reagiram com força, obrigando a dispersão dos populares. Momentos depois, com a chegada da polícia, os indivíduos fugiram em debandada.
A vítima diz que os indivíduos são a mandos de um pastor, sem mencionar nome.
A esposa da vítima, Rosa Francisco, relatou o clima de medo instalado desde então: “Até agora estamos com medo. Não é normal alguém ligar prometendo matar o meu marido. Não sabemos se essas pessoas vão parar ou se continuarão a nos perseguir. À noite, já não conseguimos dormir com tranquilidade”.
Segundo Rosa, a rotina da família mudou drasticamente: “O meu marido nunca deveu a ninguém, nem tem problemas com outras pessoas. Antes, ficávamos fora de casa até às 22 horas, mas agora, às 18 ou 19 horas, estamos dentro, trancados e com medo de sair”. (Narcísio Cantanha).
O Parque Nacional da Gorongosa (PNG) e o Governo de Nhamatanda firmaram um memorando de entendimento com o objectivo de actualizar o Plano de Estrutura de Desenvolvimento Urbano e Territorial (PEDUT). Este acordo visa alinhar as estratégias de desenvolvimento sustentável da Zona de Desenvolvimento Sustentável do Parque, promovendo uma gestão sustentável, prevenindo conflitos de terra e assegurando o equilíbrio entre conservação ambiental e desenvolvimento comunitário.
Este acordo estabelece uma base de cooperação formal entre as partes envolvidas, incluindo autoridades distritais e provinciais, organizações como o Centro Terra Viva (CTV) e líderes comunitários.
A actualização do PEDUT é essencial para garantir que o crescimento urbano e as actividades humanas na área sejam compatíveis com a preservação do ecossistema único do Parque Nacional da Gorongosa, reconhecido por sua rica biodiversidade e importância ecológica.
A recente assinatura do memorando decorreu no distrito de Nhamatanda, depois de Gorongosa, envolvendo o Parque, governos distritais e o Centro Terra Viva.
Em Nhamatanda, o administrador do PNG, Pedro Muagura, disse que a intenção do Parque através do PEDUT, resume-se em quatro palavras, nomeadamente, bússola, sustentabilidade, resiliência e futuro.
“Esperamos que o PEDUT venha servir de bússola, quando querermos viajar, construir escolas, construir hospitais. Então, este Plano vai nos indicar se é viável para onde vamos construir; a sustentabilidade dessas infra-estruturas será obedecida. Significa que tudo que for feito na base desse Plano, servirá também para as futuras gerações; quando o PEDUT for bem desenhado, a resiliência do distrito será obedecida; e que o PEDUT sirva para as actividades que o distrito pretende fazer, futuramente. Essas actividades serão observadas pelas comunidades – contribuindo em palavras e práticas sobre o que pensam para o futuro”, disse Muagura, no dia 20 de junho do ano em curso.
A colaboração entre as partes envolvidas reflecte um compromisso conjunto em equilibrar desenvolvimento e conservação, beneficiando tanto a natureza quanto as comunidades. (Muamine Benjamim).
Jornal Profundus
Stay informed with curated content and the latest headlines, all delivered straight to your inbox. Subscribe now to stay ahead and never miss a beat!