Assembleia municipal discute preocupações locais em Nhamatanda

Hoje, decorre a IV Sessão Ordinária da Assembleia Municipal da vila de Nhamatanda, juntando cerca de 20 membros da Assembleia, para discutirem as preocupações e propor soluções de munícipes.

Entre as preocupações a serem discutidas na IV Sessão Ordinária da Assembleia Municipal da vila de Nhamatanda, consta “antes da ordem do dia; apresentação da acta da terceira sessão ordinária; apreciação dos relatórios das comissões de trabalho; apresentação e aprovação do plano de acção de prevenção e combate a corrupção; apresentação e aprovação de proposta de implementação de novas taxas no ramo de transporte; apresentação e aprovação de propostas de subsídio de comunicação; apresentação e apreciação do informe do presidente do Conselho Municipal da Vila de Nhamatanda, [António Charumar João] ”. (Muamine Benjamim).

Sociedade Civil submete providência cautelar para reposição imeadiata da Internet

O Centro para Democracia e Desenvolvimento Humano (CDD), o Centro de Integridade Pública (CIP) e o Centro de Aprendizagem e Capacitação da Sociedade Civil (CESC), através de um comunicado conjunto fazem saber uma acção cautelar contra as operadoras de telefonia móvel em Moçambique, nomeadamente, Tmcel –Moçambique TeleCom, S.A; Movitel S.A; e Vodacom Moçambique S.A, para o restabelecimento imediato da Internet.

Esta medida visa o restabelecimento imediato do acesso à internet, em resposta a restrição desde o dia 24 de outubro de 2024, limitando o direito ao acesso à informação, consagrado no artigo 48 da Constituição da República de Moçambique.

“As restrições ao acesso à internet têm tido um impacto directo e significativo na vida dos moçambicanos, prejudicando o direito ao trabalho, à comunicação e à livre expressão. Num período de alta tensão, as limitações impostas têm agravado a insegurança e restringido o acesso a informações verídicas e actualizadas sobre os eventos nacionais e internacionais”, está escrito no comunicado a que o “Profundus” teve acesso.

A providência cautelar sustenta-se pela constituição da República de Moçambique e na Lei de Telecomunicações que impõem às operadoras de telecomunicações a responsabilidade de garantirem serviços contínuos e ininterruptos aos seus usuários. O Código de Processo Civil também permite a concessão de medidas cautelares em situações de urgências para prevenir danos irreparáveis que ameaçam direitos fundamentais. (Muamine Benjamim).

VIOLAÇÃO DE DIREITOS HUMANOS: Moçambicanos na Europa exigem “responsabilização urgente”

Numa carta, endereçada ao Presidente da Comissão Europeia, Vice-presidente da Comissão Europeia e Alto Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, Secretário-Geral do Partido Frelimo, Presidente Saída da República de Moçambique, Procuradora-Geral da República de Moçambique e Presidente da Comissão da União Africana, os moçambicanos na diáspora reivindicam as acções do Governo da Frelimo, contra os Direitos Humanos, por isso, exigem responsabilização urgente.

No documento de três páginas a que o “Profundus” teve acesso, os cidadãos moçambicanos residentes em vários países da Europa, sentiram a necessidade de expressar a “profunda indignação e preocupação em relação aos recentes [fraude eleitoral, assassinatos e manifestações]…”.

Continuam os moçambicanos:

As instituições responsáveis por garantir um processo eleitoral justo, incluindo a Comissão Nacional de Eleições (CNE) e o Secretariado Técnico para a Administração Eleitoral (STAE), não apenas mostraram incompetência, mas também cumplicidade ao falhar em manter um processo eleitoral transparente que protegesse as aspirações do povo moçambicano. Assistimos a evidentes violações da legislação eleitoral, como cédulas pré-preenchidas, acesso negado às cabines de voto para os delegados da oposição e intimidações generalizadas contra os eleitores, todas as circunstâncias que minaram gravemente a credibilidade do nosso processo democrático.

Relatórios alarmantes de irregularidades já estão surgindo de todos os observadores nacionais e internacionais, incluindo a missão europeia (EU EOM). Estes incluem casos de eleitores com cédulas múltiplas, preenchimento de urnas com cédulas falsas e seções de votação fechadas com cidadãos esperando para votar. Sem dúvida, apreciamos a posição da missão EU EOM, que reconhece que o anúncio dos resultados pela CNE “não dissipou as preocupações da UE quanto à transparência do processo de contagem e classificação” e o pedido à CNE para “publicar os resultados desagregados por secção eleitoral”.

No entanto, a constante presença de forças armadas e tanques nas ruas amplifica os nossos medos de mais violências políticas e traz à tona as trágicas memórias da guerra civil que devastou Moçambique de 1975 a 1992.

Um evento particularmente chocante foi o assassinato de Elvino Dias, advogado do candidato presidencial Venâncio Mondlane, e de Paulo Guambe, representante do partido PODEMOS, ocorrido em 19 de outubro. Esses assassinatos não são apenas ataques a quem luta por justiça e transparência, mas também tentativas claras de silenciar as vozes que se opõem ao regime autoritário da Frelimo, que viola direitos fundamentais há 50 anos.

Estamos cansados! É por isso que nos sentimos compelidos a denunciar o que está acontecendo. Em 21 de outubro, sob ordens da Frelimo, Maputo e os principais pontos de aglomeração em todo o país, foram cercados por veículos blindados e unidades da polícia antimotim, armados até os dentes. A Polícia disparou balas reais e gás lacrimogéneo contra jornalistas e cidadãos desarmados, causando feridos e mortes, para impedir uma marcha pacífica convocada pelo candidato presidencial Venâncio Mondlane em protesto contra as fraudes eleitorais e os assassinatos simultâneos de Elvino Dias e Paulo Guambe.

Matar o povo tornou-se a prioridade do regime para impedir que a voz e a vontade do povo sejam afirmadas. Não podemos aceitar que o medo se torne o nosso futuro. É imperativo que a comunidade internacional, especialmente a União Europeia, tome medidas decisivas. A missão de observação da UE documentou e denunciou evidentes irregularidades; no entanto, apesar disso, a condenação dessas práticas antidemocráticas foi totalmente insuficiente.

Para que as instituições moçambicanas e a comunidade internacional sejam credíveis aos olhos dos moçambicanos e do mundo, exigimos uma condenação forte e inequívoca contra as anomalias eleitorais em Moçambique e contra as violências perpetradas por forças militares e de segurança nacional contra cidadãos que exercem o seu direito de reunião e manifestação pacífica.

Exigimos acções imediatas e decisivas de todos os líderes e instituições competentes. É essencial que a União Europeia, que se proclama guardiã dos direitos humanos e da democracia, tome uma posição clara e firme. Queremos eleições transparentes, justas e livres, não apenas em palavras, mas por meio de acções concretas que garantam os direitos do povo moçambicano.

 

Em particular, pedimos à União Europeia que:

Não reconheça os resultados anunciados pela CNE;

Insista na convocação de novas eleições livres, transparentes e justas à luz dos resultados fraudulentos e das tensões sociais e violências eleitorais dos últimos dias;

Exija a restauração dos serviços de conexão à ‘internet’ em todo o país, para garantir os direitos fundamentais de liberdade de expressão e informação reconhecidos pelo Artigo 48 da Constituição da República;

A todos os outros atores institucionais nacionais e internacionais pedimos:

Adoptar medidas concretas para garantir que as eleições sejam genuinamente livres e justas, respeitando a vontade do nosso povo;

Garantir transparência e responsabilidade das instituições eleitorais para restaurar a confiança na democracia;

Condenar publicamente as violações eleitorais e as intimidações enfrentadas por eleitores e membros da oposição, assim como o uso violento da força por parte da polícia e dos serviços de segurança nacionais contra uma população desarmada;

Conduzir uma investigação aprofundada sobre os assassinatos de Elvino Dias e Paulo Guambe, para garantir que os responsáveis sejam levados à justiça.

É tempo de agir! Não podemos ficar de braços cruzados enquanto a nossa pátria é arrancada das mãos do seu povo. Estamos unidos no nosso apelo por justiça e não nos deteremos até que os direitos de todos os moçambicanos sejam respeitados. (Profundus).

Esta carta surge num contexto de manifestações pós-eleições em que a vitória foi atribuída a Frelimo, partido no poder há 49 anos, desde independência de Moçambique.

Há um olhar impávido em meio de detenções, mortes pelas mãos da polícia controlada pelo partido ainda que também reivindiquem atraso de salários repetitivos, acusações às instituições da justiça pela “inércia”. (Profundus).

Subiu de 13 para 24 vítimas mortais pelas balas da Polícia nas manifestações

Durante a primeira e segunda fases das manifestações, foram assassinadas 13 pessoas, sendo 5 (cinco) em Nampula, 3 (três) em Manica, 4 (quatro) na província de Maputo e 1 (uma) na cidade de Maputo. Nesta que é a terceira fase dos protestos que deve terminar na quinta-feira, 7 de novembro, foram assassinadas 11 pessoas por agentes da Polícia. Deste número 7 (sete) pessoas foram assassinadas no sábado, 2 de Novembro, na província de Nampula, sendo 3 (três) na cidade de Nampula e 4 (quatro) no distrito de Namialo. Ontem, a Polícia matou 4 (quatro pessoas): 3 (três) na província de Maputo e 1 (uma) na cidade de Maputo.

Pela primeira vez na história recente, o povo decidiu assumir as despesas de uma luta contestatária diante de um sistema que, para além de impedir o exercício do direito à manifestação, está a usar os meios que deviam estar ao serviço da segurança do povo para violentar e matar o mesmo povo que jurou proteger.

Na sua actuação, a Polícia deteve cerca de mil pessoas, parte das quais já em liberdade, e feriu centenas. Nem sempre as vítimas da Polícia são manifestantes. Temos casos de agentes da Polícia invadindo residências para jogar gás lacrimogénio e efectuar disparos. Neste momento, o país está mergulhado num caos sem precedentes.

As manifestações começaram no dia 21 de Outubro, essencialmente como forma de protestos contra os resultados eleitorais. Para além de se protestar contra a fraude, exige-se a reposição da verdade e justiça eleitoral.

A Comissão Nacional de Eleições (CNE) declarou a Frelimo (o partido governamental desde 1975) e Daniel Chapo como vencedores de uma eleição contestada pela oposição e descrita pela socie dade civil, e não só, como a mais fraudulenta desde 1994, quando foram realizadas as eleições instaladoras da democracia.

A forma como a Polícia actua sugere que os direitos e liberdades fundamentais dos cidadãos estão suspensos. (CDD).

Cheringoma: PODEMOS marcha contra assassinatos e fraude eleitoral

O Povo Optimista para o Desenvolvimento de Moçambique (PODEMOS), saiu ontem, à rua, em Inhaminga, “na casa do Daniel Chapo”, para, segundo o seu Delegado do partido mostrar a sua indignação face aos últimos acontecimentos em Moçambique.

O Delegado do PODEMOS, Zacarias Fombe, em Cheringoma, declarou que a primeira razão da marcha é repúdio ao derramamento de sangue do advogado Elvino Dias e do mandatário do Partido Paulo Guambe. A segunda é: “exigimos que a Comissão Nacional de Eleições [CNE] bem como o Conselho Constitucional [CC] reponham a verdade que o povo colocou nas urnas pois, nós não obtivemos 20% dos resultados. Assim, iremos marchar por 25 dias equivalendo às 25 balas descarregadas sobre os nossos Membros.”

Em Cheringoma, a marcha pacífica do PODEMOS decorreu pelas principais artérias da vila sede de Inhaminga, acompanhada pela Polícia da República de Moçambique (PRM), com a participação considerável dos membros e simpatizantes do partido.

Nos próximos 25 dias de marcha, Zacarias Fombe garantiu ao “Profundus“ que  “todas as marchas serão pacíficas e com acompanhamento policial”.

Estas marchas poderão não se efectivar em 25 dias sucessivos.

Lembre-se que, em Cheringoma, desde que terminou a votação, esta é a primeira manifestação pública de um partido político concorrente que sai à rua para marchar por um propósito relacionado ao processo eleitoral. (Ricardo Mapoíssa – De Cheringoma para Profundusmz.com).

Manifestação: De pacíficas passaram para autênticas violações de Direitos Humanos

Em Moçambique, continuam as manifestações anunciadas pelo candidato a Presidente da República de Moçambique (PRM), Venâncio Mondlane, pela oposição partido PODEMOS, principalmente nas grandes cidades. Nas restantes regiões do País, o ambiente já não é aquele ou pelo menos há um receio, tanto que há circulação da Polícia mascarada não como antes.

Cumpre-se a palavra de Venâncio Mondlane: manifestação pacífica contra a fraude eleitoral, duplo homicídio e outros males que afectam a sociedade moçambicana.  Mais uma vez a Polícia, agora com o auxílio do Exército moçambicano e de outras forças que se acredita que sejam ruandesas, se destacou pelas piores razões.

Logo cedo, no primeiro dia da manifestação, um pouco por todo o país via-se um movimento desusado de agentes da Polícia, militares e tanques de guerra, cuja missão era impedir o exercício do direito à manifestação e violentar o povo, uma acção contrária à democracia e violadora dos direitos humanos, que nos remete para ditadura, o que se consolida com o facto de o Governo do dia ter ordenado o bloqueio da internet para as redes sociais, sobretudo o WhatsApp e o Facebook enquanto instrumentos de mobilização para as manifestações, mas também de denúncia e exposição das   atrocidades que a Polícia comete contra o povo.

No primeiro dia da manifestação, por conta da actuação sempre injustificada e desproporcional, uma pessoa foi assassinada no dia 31 de outubro, em Pebane, Zambézia. Um Advogado foi agredido e ameaçado de morte em Mecanhelas, província de Niassa. Através de denúncias e de informação recolhida pelos representantes do Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD) em todo o país, há 90 detidos, dos quais 43 em Murrupula, e 27 feridos.

A Polícia, no Distrito de Murrupula, em Nampula efectuou 43 detenções arbitrária nas residências das pessoas na noite da última sexta-feira, segundo dia da manifestação.

O presidente do Conselho Provincial da Ordem dos Advogados de Moçambique, Celso Mendonça, foi agredido pela PRM em Mecanhelas.

Em Mecanhelas, província de Niassa, a Polícia deteve ilegalmente seis pessoas quando se preparavam para uma marcha pacífica naquele ponto do país. Aliás, o advogado foi agredido quando trabalhava para assegurar a libertação dessas seis pessoas.

Em Pebane, os manifestantes, que circulavam pelos arredores da vila, escalaram o edifício do Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE) para protestar contra os resultados eleitorais, tendo a Polícia os impedido. Enfurecidos, invadiram a Sede Distrital da Frelimo. A Polícia respondeu lançando gás lacrimogéneo e fez disparos, o que resultou no baleamento de três pessoas, sendo que uma delas perdeu a vida a caminho do hospital.

No primeiro dia, Maputo, a capital do país, para além de ter acordado fantasma, não tinha internet e estava fortemente armada com militares e polícias, alguns transportados em tanques de guerra, no centro da cidade e nos bairros como Maxaquene, Xiquelene,  Polana Caniço, Ferroviário, Hulene, Laulane e Magoanine, cujo objectivo era de intimidar os manifestantes e violentá-los em caso de protestos. A missão incluiu a Polícia e o Exército, mas também há informações de que estavam e continuam na capital homens do exército ruandês.

Maxaquene, Xiquelene e Polana Caniço foram os bairros onde mais se notava a presença policial, no primeiro dia da manifestação. É que havia entre os chefes das Forças de Defesa e Segurança o entendimento de que jovens daqueles bairros pretendiam marchar até à Presidência da República. Devido ao bloqueio do exercício do direito à manifestação, os jovens ficaram nas suas residências usando uma técnica que foi muito famosa na segunda fase dos protestos: vencer a Polícia pelo cansaço. E dito e feito: quando, no fim do dia, a Polícia já estava cansada e convencida de que não haveria manifestações, os jovens começaram a sair à rua, facto que levou a confrontos até noite adentro. Até às 21h00 de 31 de outubro, circulavam informações de que a Polícia continuava a espalhar gás lacrimogéneo nas residências.

Em Tete, a Polícia prendeu um jovem e disparou balas verdadeiras na Cidade de Tete contra os manifestantes, tendo atingido um jovem moto-taxista de 19 anos, quando este se encontrava no seu posto de trabalho.

Em Nametil, na província de Nampula, a população foi até à sede do partido Frelimo e retirou o banner com a imagem de Daniel Chapo, como resposta ao impedimento do exercício do direito à manifestação.

Ainda no primeiro dia, em Nampula, a Polícia espalhou granadas de gás lacrimogéneo, tendo afectado a saúde de uma recém-nascida que se encontra neste momento hospitalizada. Ainda em Nampula, a Polícia atropelou e não prestou assistência a uma criança e deteve vários manifestantes.

Mais de 50 pessoas foram detidas logo no primeiro dia, no comando da PRM, em Marracuene, quando pretendiam entrar na cidade de Maputo. Neste momento não se conhece o paradeiro dessas pessoas.

Mais de 50 pessoas foram detidas, no primeiro dia da manifestação, no comando da PRM, em Marracuene, quando pretendiam entrar na cidade de Maputo. Neste momento não se conhece o paradeiro dessas pessoas. Os principais pontos de acesso à cidade de Maputo estão sob vigilância apertada, o que lembra os tempos das famosas “guias de marcha” dos tenebrosos tempos do partido único.

O número de mortos pode subir, tendo em conta que a Polícia está a invadir bairros, principalmente de Maputo e Nampula, numa verdadeira caça ao homem.

Lembre-se que as manifestações em curso que começaram no dia 21 de outubro fazem parte da terceira fase de protestos contra fraude, duplo homicídio e outros males que afectam a sociedade. A chamada terceira fase começou na última quinta-feira e vai terminar no dia 7 de Novembro. As manifestações foram convocadas pelo candidato presidencial Venâncio Mondlane que reclama vitória nas eleições de 9 de outubro. A repressão às manifestações e os bloqueios à internet mostram um regime que suspendeu os direitos humanos e a democracia e activou o modo ditadura. (CDD).

Manifestações em Nampula: Violência policial faz sete mortos e mais de 30 feridos graves

As incursões policiais marcadas por detenções arbitrárias e uso indiscriminado de força, incluindo gás lacrimogéneo, balas de borracha e munição real, têm como alvo a população civil de forma indiscriminada, incluindo crianças. A província de Nampula, no norte de Moçambique, já soma sete mortos e mais de 30 feridos.

A situação actual em Nampula transcende uma simples crise local: trata-se de uma grave emergência de direitos humanos que revela a profunda fragilidade das garantias civis em Moçambique. Nos últimos dias, a cidade e a província de Nampula tornaram-se palco de uma repressão alarmante e brutal, com sinais de agravamento em praticamente todos os seus 23 distritos.

Na região de Faina, próxima à entrada da rodovia N1, um forte contingente policial armado percorre os bairros, realizando detenções sem qualquer base legal ou mandato judicial.

Em meio a essa escalada de violência, o Hospital Central de Nampula tornou-se um cenário de luto e desespero. Profissionais de saúde relatam exaustão e profundo choque diante do crescente número de casos graves. Um médico local observou que os disparos feitos pela polícia parecem visar não a dispersão, mas a letalidade, já que a maioria das vítimas foi atingida em órgãos vitais, como abdómen e tórax. Até o momento, o hospital já recebeu mais de 30 pessoas com ferimentos graves, incluindo 28 vítimas de tiros provenientes de Namialo, distrito de Meconta. Além disso, 7 mortes já foram confirmadas 3 na cidade de Nampula e 4 em Namialo.

Relatos de violência chegam de outros distritos, como Mecuburi, Mugincual e Muecate, onde a repressão policial se intensifica a cada dia. A polícia, agora armada com armamento pesado, realiza incursões à paisana, invadindo residências e prendendo arbitrariamente moradores, incluindo crianças, duas das quais foram baleadas.

A gravidade da situação reflecte-se na migração forçada de famílias inteiras em busca de segurança nos distritos de Murrupula, Mugovolas, Angoche, Nacala e Ilha de Moçambique, onde o medo tomou conta. Esse ambiente de terror levou ao fechamento de lojas e serviços públicos, um retracto da paralisia que acomete uma província aterrorizada.

O que testemunhamos em Nampula é uma violação flagrante dos direitos humanos, uma crise que exige atenção urgente e acção imediata da comunidade internacional. Este cenário desolador de repressão e abuso de poder demanda uma resposta firme e imediata em defesa dos direitos humanos e da dignidade dos moçambicanos.

A protecção da população e a preservação dos direitos constitucionais devem ser prioridades inadiáveis. Este é um chamado para que a comunidade global e as organizações de direitos humanos actuem com urgência, pressionando por medidas concretas que garantam a protecção de todos aqueles que, hoje, lutam por justiça e dignidade em Moçambique. (CDD).

Mais de 17 universidades visitam a Gorongosa por ano

Em Moçambique, cerca de 17 universidades visitam o Parque Nacional da Gorongosa. São dados avançados pelo administrador do Parque, Pedro Muagura, durante um safari oferecido a jornalistas da província de Sofala.

Existem universidades fora da África que visitam a Gorongosa, “mensalmente duas”, por exemplo, a “Universidade de Oxford consegue fazer duas semanas com cerca de quatro estudantes no Parque; universidades de África, no mínimo quatro mensalmente; as universidades moçambicanas estão a ganhar a maior pontuação, com o mínimo de 17 universidades que visitam a Gorongosa”.

Estas visitas de universidades motivam um intercâmbio entre profissionais de diferentes ramos para a solução de preocupações das mais de 250 mil pessoas existentes na Zona de Desenvolvimento Sustentável. Recentemente, o Parque Nacional da Gorongosa (PNG), através da sua iniciativa SPARK GORONGOSA, esteve reunido com especialistas em Chitengo (coração da Gorongosa), para identificar, discutir e propor soluções na área de Saúde, ao mundo. O evento de cinco dias juntou especialistas jovens e universidades de Saúde, da Nigéria, Austrália, Estados Unidos da América, África do Sul, Etiópia, Camarões, Benin, Gana, Marrocos, Chade, Zâmbia, Tanzânia, Quénia, além de 12 estudantes moçambicanos.

Administrador do PNG, Pedro Muagura

No País, a implementação do único curso de mestrado de Biologia da Conservação num Parque natural (Gorongosa) também conta com universidades.

Enquanto para o turismo normal, Pedro Muagura sem precisar de números, comparando o ano passado com o presente ano, o número de moçambicanos que visitam a Gorongosa “aumentou”, justificadamente pelo acesso à informação e boas condições de vias de acesso.

Ao nível do país, “no mínimo 27 jovens da vizinha província de Manica visitam mais o Parque Nacional da Gorongosa, especificamente nos finais de semana; seguido da Beira e Maputo”, avaliou o administrador Pedro Muagura, sugerindo aos jornalistas o reforço de comunicação objectiva sobre o “Parque de todos”. (Muamine Benjamim).

MISA apela ao diálogo para a solução da crise pós-eleitoral

MISA Moçambique acompanhou atentamente a comunicação feita pelo candidato Presidencial Venâncio Mondlane, realizada ao final do dia 29 de Outubro, apelando à manifestações de nível nacional nas instalações dos órgãos de gestão eleitoral e sedes do Partido FRELIMO e à realização de uma marcha nacional rumo à cidade de Maputo que deverá iniciar no dia 31 de Outubro a 07 de Novembro.

O MISA mostra a sua preocupação com a convocação da manifestação que vai durar sete dias, sem uma estrutura organizacional formal num contexto de elevados níveis de polarização política antecedidos de uma outra manifestação que foi caracterizada por elevados níveis de violência entre os manifestantes e as autoridades de defesa e segurança.

Sublinhando o compromisso com as liberdades fundamentais e direitos humanos, o MISA entende que o contexto e os moldes da convocação das manifestações, pode propiciar violações de direitos fundamentais dos que delas poderão participar, assim como a privação dos cidadãos residentes nas cidades de Maputo ao direito de circulação para fins de exercício de diversas actividades profissionais, sociais, culturais e religiosas devido ao receio da violência; gerando, desta forma, danos maiores.

Existe um conjunto de esforços que estão a ser levados a cabo pelo MISA Moçambique, a nível nacional e internacional, para esclarecer as violações dos Direitos Humanos perpetrados pela Polícia, durante as manifestações passadas. Parte destes processos foram finalizados e submetidos nas entidades competentes e outros ainda estão em processo de formulação. O MISA tem o plano de comunicar sobre os passos realizados no dia de amanhã, sendo que uma onda de manifestações desordenadas, podem agudizar mais a situação e colocar em causa estes esforços em curso.

Por isso, o MISA Moçambique convida a todos os actores políticos implicados na crise pós-eleitoral a aderirem ao convite feito pelas diversas forças sociais a aderirem ao diálogo, assim como a aguardarem pelos recursos interpostos ao Conselho Constitucional sobre as fraudes eleitorais; apelando a serenidade enquanto estes processos decorrem e têm o seu desfecho junto das entidades legais. (MISA).

Há boas novas para Chemba

O distrito de Chemba vai beneficiar de uma viatura, material informático, furos de água e sementes. São novidades anunciadas pelo técnico do Ministério das Obras Públicas, Alcídio Cumbi, que chefiou a equipa do Programa de Desenvolvimento Integrado de Adaptação às Mudanças Climáticas (PIDACC), no distrito.

Na última terça-feira, a equipa do PIDACC estava no distrito de Chemba para uma reunião de indução de um dia aos técnicos do Serviço Distrital de Actividades Eco nómicas (SDAE) e de Serviço Distrital de Planeamento e Infra-estruturas (SDPI).

Na ocasião, Alcídio Cumbi disse que a viatura será alocada ao SDAE, enquanto o mate rial informático será para o SDPI, furos de água para as comunidades carentes e sementes aos produtores.

Alcídio Cumbi garantiu que existe um fundo para a capacitação dos técnicos e assistência aos produtores agrícolas.

O PIDACC é implementado em quatro províncias, nomeadamente, Zambézia, Tete, Ma nica e Sofala. Apesar de não garantir os dias específicos para a chegada deste apoio a Chemba, o distrito acolhe a informação com esperança numa al tura em que se fala de insegurança ali mentar, insuficiência de água potável, insuficiência de meios de transporte e de equipamento informático.

Já a secretária permanente, Maria do Céu Chamussora, em representação do administrador de Chemba, louvou a iniciativa para ajudar na redução dos impactos das mudanças climáticas que forte mente têm assolado o distrito.

Maria do Céu Chamussora garantiu que vai monitorar o apoio para o sucesso das actividades.

Refira-se que, desde finais de 2023, o distrito de Chemba tem sofrido de in segurança alimentar motivada pelo fenómeno El Niño. (Rosário Phoinde Ntepa – Chemba).

Jornal Profundus

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