Posicionamento técnico-jurídico face à deliberação da CNE sobre a CAD

Desde o ano passado que o Consórcio Eleitoral Mais Integridade, constituído por sete organizações da sociedade civil moçambicana, designadamente CEJP, CIP, NAFEZA, SoldMoz, CESC, MISA e FAMOD, vem acompanhando o ciclo eleitoral 2023-2014. No quadro das eleições deste ano, o Consórcio observou o recenseamento eleitoral, as actividades de inscrição dos partidos políticos, coligações de partidos políticos e grupos de cidadãos eleitores proponentes e a apresentação e verificação das listas de candidatura na Comissão Nacional de Eleições (CNE).

No dia 19 de Julho de 2024, na sequência da apresentação pública da deliberação de rejeição e exclusão da candidatura da Coligação Aliança Democrática (CAD), o Consórcio convocou uma Conferência de Imprensa na qual emitiu o seu posicionamento preliminar sobre a decisão da CNE. No essencial, este grupo de organizações da sociedade civil manifestou o seu desagrado com o cariz legalista da deliberação da CNE, que primou por privilegiar o conflito e a instabilidade no lugar do diálogo e a paz social. O presente comunicado faz uma abordagem técnico-jurídica da referida deliberação de modo a sustentar o posicionamento do Consórcio Eleitoral Mais Integridade.

 

I. Princípio de aquisição progressiva dos actos e procedimentos eleitorais

O período de inscrição dos partidos políticos, coligações de partidos políticos e grupos de cidadãos eleitores proponentes decorreu de 22 de Abril a 7 de Maio de 2024. Relativamente a este período, não consta que, até ao encerramento da recepção dos pedidos de inscrição dos partidos políticos, coligações de partidos políticos e de grupos de cidadãos proponentes, tenha havido alguma rejeição, nem até ao dia 12 de Maio de 2024, dia anterior ao arranque da etapa de apresentação das listas de candidatura. Em virtude disso, considera-se a medida da CNE de rejeição da candidatura de intempestiva, porque foi tomada fora do prazo legal previsto no calendário eleitoral, 12 de Maio de 2024. O dia 13 de Maio de 2024 marcou o começo da fase seguinte prevista no calendário eleitoral, de apresentação das listas de candidaturas, dando assim por encerrada e consumada a fase de inscrição dos concorrentes. A própria CNE tratou de formalizar todos os actos praticados na fase de inscrição dos concorrentes em Boletim da República, o que configura nula e de nenhum efeito qualquer decisão de rejeição da candidatura da CAD.

 

II. Recepção e verificação das candidaturas

A CNE aponta ter criado equipas de trabalho de recepção das listas de candidatura, tendo definido, para o efeito, como dispositivo legal, o n.º 3 do artigo 41, da Lei n.6/2013, de 22 de Fevereiro, alterada e republicada pela Lei n. 30/2014, de 26 de Setembro, que regulou o funcionamento das equipas de trabalho e definiu os termos de referência, de acordo com a resolução n.º 38/CNE/2024, de 9 de Maio e a resolução n.º39/CNE/2024, de 9 de Maio. Paralelamente, a CNE fixou o período de 13 de Maio a 10 de Junho de 2024 para a entrega das candidaturas. Porém, a lista de candidatura do partido Revolução Democrática não foi recebida pela CNE por extemporaneidade. Entretanto, o Conselho Constitucional (CC), através do acórdão n.º 7/CC/2024, de 26 de Junho, ordenou, à CNE, para receber a candidatura e processá-la de acordo com o regime previsto no n.º 1 do artigo 180 da Lei n.º 8/2013, de 22 de Fevereiro, alterada e republicada pela Lei n.º 2/2019, de 31 de Maio.

Através de uma deliberação, a CNE decidiu que os concorrentes cujos processos tinham irregularidades por sanar seriam dados como não reunindo requisitos para se manter válidos, o que implica a nulidade da candidatura nos termos prescritos no artigo 181 da Lei n.º 8/2013, de 27 de Fevereiro, alterada e republicada pela Lei n.º 2/2019, de 31 de Maio, e artigo 24 da Lei n.º 3/20019, de 31 de Maio. A decisão da CNE refere que são rejeitadas as listas plurinominais fechadas de candidaturas da Coligação Aliança Democrática em decorrência de não reunir os requisitos legais estatuídos para a apresentação de candidaturas.

 

Princípio de aquisição progressiva dos actos e procedimentos eleitorais

Em 2019, este princípio fundamentou a decisão do Conselho Constitucional que não deu provimento ao recurso da Renamo por intempestividade. O objecto do recurso foi a manipulação dos dados do recenseamento eleitoral na província de Gaza. Quer significar que o recurso interposto foi sobre matéria de etapas anteriores, designadamente nos postos de recenseamento eleitoral, nas Comissões Distritais, Comissões Provinciais e na Comissão Nacional de Eleições, portanto, antes de recorrer ao Conselho Constitucional.

No caso em apreço, a diferença é que no caso do recenseamento de Gaza foi a oposição que ficou penalizada pela violação do princípio de aquisição progressiva dos actos, enquanto para este caso foi a CNE que violou o mesmo, em virtude de rejeitar a CAD em virtude de matéria referente à fase anterior.

 

III. Declaração de nulidade a todo o momento:

De acordo com a CNE, por força do n.º 1 e da alínea b) do n. 2 da Lei n.º 14/2011, de 10 de Agosto, os actos a que falte qualquer dos elementos essenciais ou para os quais a lei imponha expressamente ou que careçam, em absoluto, de forma legal, são nulos. No entender do Consórcio Eleitoral Mais Integridade, o pensamento do Conselho Constitucional sobre a noção de aquisição progressiva dos actos e procedimentos eleitorais significa que os actos praticados numa determinada fase do processo eleitoral, já encerrada, consideram-se adquiridos e consolidados, desde que não tenham sido impugnados no prazo legal, não podendo vir a sê-lo numa fase posterior, salvo em casos extraordinários.

Sobre esta matéria, certos autores, como Teodato Hunguana, defendem que, em certas circunstâncias, pode-se derrogar a este princípio. Para este autor, as nulidades absolutas, como são as que consistem no voto de cidadãos já falecidos, não abatidos nos cadernos de recenseamento eleitoral, podem e devem ser conhecidos a todo o tempo, até o encerramento do processo eleitoral.

A CNE fundamentou que a medida de rejeição da CAD baseou-se no instituto segundo o qual, «qualquer nulidade pode ser invocada a todo o momento», nos termos do artigo 286 do Código Civil. Este instituto não passa de um equívoco, porque tal como o princípio do contraditório, o princípio da nulidade não se aplica em todos os casos do processo eleitoral. De contrário, haveria o risco de cometer-se inconstitucionalidades, como de extravasamento do tempo de duração de mandatos em prejuízo dos novos eleitos.

O Consórcio Eleitoral Mais Integridade entende que a decisão de nulidade invocada pela CNE é intempestiva porque a rejeição foi feita fora do prazo legal, depois de 12 de Maio de 2024. Ao rejeitar as listas plurinominais fechadas de candidaturas da Coligação Aliança Democrática, na fase em o que fez, a CNE apenas demonstrou problemas na sua organização interna ao fazer passar a inscrição da CAD, e ultrapassado o prazo legal, cerca de dois meses depois, excluir a inscrição da mesma CAD.

Ademais, com a deliberação de rejeição da CAD, a CNE faz confusão entre matérias distintas, que concorrem para a inscrição dos partidos políticos, coligações de partidos políticos e grupos de cidadãos eleitores proponentes, e as matérias que concorrem para a apresentação e a verificação de candidaturas. O Consórcio Eleitoral Mais Integridade manifesta-se preocupado com os procedimentos inconsistentes da CNE, que tendem a ser em prejuízo da CAD e a favor de outros. Espelha isso a própria deliberação da CNE, que visa apenas a Coligação Aliança Democrática. Esta situação traduz o impacto negativo da postura controversa da CNE. Por isso, o Consórcio Eleitoral Mais Integridade sugere uma auditoria às deliberações da CNE sobre as candidaturas. Mais ainda, neste momento em que a sociedade aguarda pela decisão do CC, o Consórcio Eleitoral Mais Integridade apela a este órgão de soberania e última instância para dirimir os processos eleitorais, a não dar provimento à deliberação de rejeição da candidatura da CAD. Para isso, o CC tem a sua própria jurisprudência de 2019, quando não deu provimento ao recurso da Renamo exactamente por intempestividade. Além dos aspectos legais, o Consórcio Eleitoral Mais Integridade insta ao CC a tomar uma decisão que garanta maior participação dos partidos políticos e dos cidadãos nas eleições, ao invés de restringir a participação política. Permitir maior participação nas eleições é uma forma também de evitar possíveis abstenções nas próximas eleições, o que é crítico na história eleitoral do país. Mas permitir maior participação nas eleições de Outubro próximo é, igualmente, uma forma de consolidar a democracia no país, o que pressupõe justamente um maior envolvimento dos cidadãos nos processos de tomada de decisão, incluindo eleger e fazer-se eleger. O que o CC não deve fazer é seguir a via da CNE de privilegiar o conflito e a instabilidade no lugar do diálogo e da paz social. (Mais Integridade).

FALSO: Director-executivo do MISA não está morto e nem foi processado

A ALEGAÇÃO

Uma publicação feita no dia 26 de Julho, numa página do Facebook denominada “Poli News”, anuncia suposta morte do director-executivo do MISA-Moçambique, Ernesto Nhanale. “Dizemos adeus a Ernesto Nhanale. Todo o Moçambique está de luto…”, lê-se na legenda sobre uma fotografia do director-executivo do MISA Moçambique. A publicação inclui uma ligação (link) para um site supostamente da Televisão de Moçambique (TVM), com uma informação segundo a qual Ernesto Nhanale foi processado pelo Banco de Moçambique devido a declarações feitas na televisão. O suposto site da TVM inclui uma entrevista supostamente concedida por Ernesto Nhanale ao presidente do MISA, Jeremias Langa.

OS FACTOS

Entretanto, a informação divulgada tanto pela página “Poli News”, como pelo suposto site da TVM, é completamente falsa. O Misacheck, que tem contacto permanente com o director-executivo do MISA, está em condições de assegurar que Ernesto Nhanale está vivo e não foi processado pelo Banco de Moçambique – até porque não tem nenhum caso com o Banco Central. Uma verificação básica, tanto a página como ao site, permite constatar que se trata de fontes duvidosas, usadas para disseminar desinformação falsa.

O suposto site da TVM, por exemplo, não passa de uma invenção. É, na verdade, um site falso, que apenas se apropria da identidade visual do site oficial da estação pública de televisão para enganar o público. Mas o endereço do link é falso. Ao invés de https://www.tvm.co.mz, conforme o site oficial da TVM, o suposto site usado para difundir desinformação usa um link diferente, que pode ser acessado aqui.

Sucede que, ao longo do texto, há um link repetidamente partilhado para leva a uma plataforma de apostas, denominada EthereonEdge, que também tem espalhado informações enganosas, utilizando nomes de figuras públicas para atrair usuários, prometendo-lhes riqueza instantânea.

Aliás, na suposta entrevista concedida a Jeremias Langa, Ernesto Nhanale é citado a referir que o EthereonEdge é a solução certa para quem quer ficar rico rapidamente. Por sua vez, a página “Poli News” tem, desde a sua criação, a 27 de Junho, uma única publicação, exactamente sobre a suposta morte do director executivo do MISA.  (MISA).

Gorongosa habilita mães e pais-modelo em matérias de Saúde

O Parque Nacional da Gorongosa capacitou em dois dias, 25 pais e mães modelos, no distrito de Nhamatanda, em Sofala, cujo foco é a mudança comportamental nas comunidades da Zona de Desenvolvimento Sustentável.

De sexta-feira a sábado últimos, o Parque Nacional da Gorongosa, através do Programa de Saúde Materno Infantil (SMI) e Nutrição, capacitou as mães-modelo e pais-modelo em Estratégias de Comunicação para Mudança Social e de Comportamento sobre Nutrição, Água e Saneamento (Wash) e Saúde Sexual Reprodutiva ao nível familiar.

Com esta capacitação, espera-se segundo Adelina Zeca Manonga, supervisora de Saúde Materno Infantil (SMI) e Nutrição do Parque Nacional da Gorongosa, em Nhamatanda, “melhorar o estado nutricional das crianças, mulheres e adolescentes através da [adopção] de boas práticas alimentares, saneamento, higiene e acesso aos serviços de saúde materna e sexual”.

A capacitação vai acontecer nos seis distritos em dias diferentes, designadamente, Gorongosa, Muanza, Cheringoma, Maringué, Dondo e especificamente, Nhamatanda teve 25 capacitados, subdivididos em 14 pais-modelo e 11 mães-modelo. (Muamine Benjamim).

STOP BRANQUEAMENTO: Na “escuridão” já estão a arrastar alguns “tubarões”

O documento “Busca e Apreensão” a mando do juiz de Direito da Secção de Instrução Criminal do Tribunal da Cidade de Maputo, Eusébio Lucas, baseia-se nos artigos 17, 19, 216, 313 e 314, todos do Código de Processo Penal.

O documento do Tribunal, datado de 02 de Julho corrente, indica que a maioria dessas empresas está localizada na província de Nampula.

Segundo o documento a que o “Profundus” teve acesso, o juiz manda através do Processo n° 1374/SIC/22 e 3/GCCCOT/2022, para a busca e apreensão na sede e agências do Banco Millennium BIM, SA, de “valores, documentos de suporte usados para a abertura de contas; extractos bancários com histórico de movimentos desde a abertura das contas até 01 de Julho de 2024 (data, hora, descritivo de movimentos, referencia, condutor da transacção, conta de origem e de destino, valores creditados e debitado); cópias de talões de depósito, cópias de cheques; todas as operações para o estrangeiro e respectivos documentos de suporte; relação nominal de colaboradores do banco que intervieram em todas as operações ao estrangeiro e respectivos documentos de suporte; relação nominal de colaboradores do banco que intervieram e todas as operações ao estrangeiro e nas operações de depósito em numerário; que estiveram na posse do Banco”, pertencentes às empresas abaixo indicadas. “Que os apreenderá e conduzirá ao Gabinete Central de Combate à Criminalidade organizada e Transnacional ”.

A lista das empresas visadas é extensiva a 51 empresas, designadamente:

FDA IMPORT & EXPORT, Sociedade Unipessoal, Lda com sede em Nacala-Porto – bairro Mutiva e Maiaia;

MAS COMÉRCIO E SERVIÇOS, Sociedade Unipessoal LDA, com sede em Nacala-Porto, bairro Ontupaia e Cidade de Maputo, bairro Central;

SV Societe Sociedade Unipessoal Lda, com sede em Nacala-Porto, bloco 1 e Cidade de Maputo, Avenida 25 de Setembro;

Mars Trading Sociedade Unipessoal Lda; com sede em Nacala-Porto, bairro Maiaia, bloco 1;

MGH COMERCIO DE MOÇAMBIQUE, LDA, com sede em Nacala-Porto, bairro Ontupaia Cidade de Maputo – bairro Central;

SADI SOCIEDADE UNIPESSOAL LDA, com sede na Cidade de Nampula, Urbano Central;

MARYAH IMOBILIARIA, E.I, com sede na Cidade de Maputo, bairro Central;

NR INVESTIMENTOS LDA, com sede na Cidade de Maputo, bairro Central;

MAS COMÉRCIO E SERVIÇOS SOCIEDADE UNIPESSOAL LDA, com sede em Nacala-Porto, bairro Maiaia;

H & G GROUP SOCIEDADE UNIPESSOAL LDA, com sede em Nacala-Porto, bairro Triângulo;

COMÉRCIO DO NORTE DE MOÇAMBIQUE LDA, com sede na Cidade de Maputo, bairro Central;

SOCIEDADE INDUSTRIAL DO NORTE LDA, com sede na Cidade de Nampula, bairro de Namicopo;

PARAISO RESIDENCIAL SOCIEDADE UNIPESSOAL LDA, com sede na Província de Maputo, bairro da Machava;

RESIDENCIAL FÉNIX LDA, com sede na Cidade de Nampula-Urbano Central;

NS TRADING SOCIEDADE UNIO.,LDA;

SUBLAB TRADING SOCIEDADE UNIPESSOAL, LDA;

SHK TRADING, LDA;

LA VIVA COMERCIAL SOCIEDADE UNIPESSOAL, LDA;

RAM TRADING, LDA;

MAPUTO EXECUTIVE HOTELL LIMITADA;

AKJ TRADING SOC. UNIPESSOAL, LDA;

BUSINESS TRADING SOC. UNIP, LDA;

SG TRADING, EI;

FIABSA TRADING, LDA;

SACAFIR IMPORT & EXPORT, LDA;

LIFEPACK, LIMITADA;

AUTO PAC, LIMITADA;

TRANSPACK SERVIÇOS, LDA;

MIA EXECUTIVE HOTEL, LDA;

ZAS TRADING SOCIEDADE UNIPESSOAL, LDA;

TOGETHER IN PALMA LODGE, LDA;

SOUTHERN EMPORIUM, LIMITADA;

DAKISHONGA SOCIEDADE UNIPESSOAL, LDA;

AYGATE TRADING SOCIEDADE UNIPESSOAL, LDA;

UB-UNIVERSAL BUSINESS SOCIEDADE UNIPESSOAL, LDA;

HOME PRICE, LDA;

SV SOCIETE SOCIEDADE UNIPESSOAL LDA,

MARS TRADING SOCIEDADE UNIPESSOAL, LDA;

HEALTHSCIENCE FARMACEUTICA;

SONHO REAL, LIMITADA;

PREMIUM, SU, LDA;

HOME PRICE, SU, LDA;

NAS TRADING, LDA;

TITANIUM IMPORT AND EXPORT, LDA;

CREATIVE, SU, LDA;

AL AIN, SU, LDA;

HIPER MOÇAMBIQUE, LDA;

MAG WHOLESALLER, LDA;

GRAND VIEWS, LDA;

DIAMANTE MARISCO, LDA;

FRAM CONSTRUÇÕES

A busca será feita das 7 horas às 19 horas, na presença do seu representante e se possível, de duas testemunhas, salvaguardando-se, contudo, as demais formalidades.

 

Já há arguidos e apreensão de bens de alto valor

Com o Processo 3/GCCCOT/2022, o Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC) já apreendeu vários activos, entre os quais empreendimentos, luxuosas mansões e carros de alta cilindragem.

Alguns já são arguidos, outros fugitivos por branqueamento de capitas, falsificação de documentos, fraude fiscal, abuso de confiança fiscal, associação criminosa e uso de documento falso.

Já somam 33 elevando para 48 empresas localizadas na uma maioria nas Cidades de Nampula, Nacala-Porto e Maputo.

Segundo o comunicado do GCCC, “das diligências até então efectuadas resulta que o valor de USD 330.241.242,39, anteriormente, indicado como tendo sido expatriado, entre os anos 2019 e 2023, com alegação de importação de diversas mercadorias, subiu para USD 802.413.755,32, equivalente a 50.752.670.023,99 meticais, sem que contudo as supostas mercadorias importadas tenham dado entrada no País”.

No âmbito deste Processo, até ao momento, “foram apreendidos 54 imóveis, designadamente de hotelaria e turismo, estabelecimentos comerciais, instalações de empresas, residências, edifícios em construção e outras propriedades pertencentes aos arguidos. Foram igualmente, apreendidos diversos bens imóveis, dentre os quais 13 viaturas. Dos 40 arguidos até agora constituídos, seis estão em prisão preventiva, três em liberdade provisória mediante caução e os restantes encontram-se foragidos”.

Outro processo 34/BC/GCCCOT/2022 já soma sete arguidos, dos quais três estrangeiros. E desses sete, quatro, em sede do Tribunal foram restituídos à liberdade, mediante pagamento de caução e três mantidos em prisão preventiva.

Nos mesmos autos, foram aprendidos 54.143.364,03 transferidos para Conta Única do Tesouro (CUT).

Só no primeiro semestre deste ano, o Estado acumulou um prejuízo de 405 milhões de meticais, resultantes de actos de corrupção em várias entidades. Segundo o GCCC, este valor é fruto de 1.328 Processos tramitados, dos quais 705 do período em referência, acrescidos 623 de 2023.

Do total dos Processos tramitados, terminaram apenas 475, tendo recaído 346 em despacho de acusação e 129 de arquivamento da instrução.

Os crimes mais praticados são a corrupção passiva para acto ilícito com 236 casos, seguido de corrupção activa com 169, abuso de cargo ou função com 95, peculato com 70 e simulação de competências com 65.

No mesmo âmbito foi apreendido um valor de 277.617,00 meticais depositados n CU, e apreendidos quatro imóveis avaliados em mais de 39 milhões de meticais e uma viatura orçada em 1,3 milhão de meticais. (Profundus PDF).

 

Chemba: Jovens capacitados em Plano de Negócios

Esta capacitação de 70 jovens em Planos de Negócios resulta da primeira formação em diversos cursos de saber fazer, com financiamento da Solidar Suisse, no distrito de Chemba, em Sofala.

Dos 70, 28 são mulheres. São jovens oriundos do Posto Administrativo de Mulima, Posto Administrativo de Chiramba, Localidade Administrativa de Catulene, Povoado de Cado e Localidade Administrativa de Goê.

A capacitação de três dias foi feita pela Agro-Incumbadora em matérias de Gestão Financeira e Empregabilidade (Plano de Negócios).

Na ocasião, o Director executivo de Agro-Incumbadora em Sofala, Elísio Luís Miguel explicou que a capacitação visa munir as capacidades práticas aos jovens formados recentemente (conhecimentos técnico profissionais).

Miguel falava numa quinta-feira (11.07.2024), na sala de Sessões do Governo de Chemba, local acolhedor da capacitação.

Segundo o Director, o financiador vai acompanhar os jovens na implementação dos seus projectos, tendo em conta os kits que recentemente receberam após a sua formação.

Já os capacitados dizem estar preparados para a implementar as suas iniciativas. Mas, numa primeira fase vão implementá-las de forma colectiva, para dai obter-se a experiência para cada um avançar com seu projecto. (Rosário Phoinde Ntepa).

A experiência que amedronta MMV’s

Olhando pela massa dos últimos anos, 2024 é raro, primeira vez, o Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE) ficou com insuficiência de Membros de Mesa de Votos nas vésperas de eleições. A votação municipal de 2023 deixou até juízes ajuizados, chegando a arrastar membros da Organização da Mulher Moçambicana (OMM), Organização da Juventude Moçambicana (OJM), directores, professores ao tribunal, na Zambézia.

OJM e OMM são clones da Frelimo para fins altamente políticos até para inventar informações.

Em Moçambique, o STAE ainda não conseguiu completar o número necessário, por isso, aumentou mais 25 dias o prazo de submissão de candidaturas, depois de terminar o processo no dia 3 de Julho corrente.

“Nós esperamos que a resposta seja célere. Que as pessoas se dirijam ao STAE distrital para poderem fazer a inscrição. Há sim uma necessidade urgente”, disse Regina Matsinhe, porta-voz do STAE.

A instituição prevê formar cerca de 197.569 candidatos a MMV’s, entre os quais serão contratados 180.075 candidatos para as mesas de voto.

Enquanto, já iniciou na terça-feira (09.07), o julgamento de 39 presidentes de mesas das assembleias de voto, com destaque para os que negaram assinar actas e editais. Consta que os arguidos com contratos do STAE falsificaram as actas a favor da Frelimo, trabalhando em todas as 39 mesas, durante as eleições autárquicas de 9 de Outubro do ano passado.

Este histórico amedronta os experientes e aqueles que pretendem se tornar MMV’s.

Dos 39, 12 arguidos estiveram em sede do Tribunal Judicial da Cidade de Quelimane, marcando, assim, a primeira fase do processo. Na ocasião, Quiara Sozinho, assistente da acusação, disse que os arguidos “desencadearam fraude eleitoral para prejudicar o processo, favorecendo a Frelimo. Na sequência, prejudicaram números de mandatos”.

Já a defesa dos arguidos, Abílio António, renunciou à audiência, alegando que precisava de compulsar os documentos da acusação para melhor defender os 39 arguidos, uma vez que, no seu entender, não foram previamente notificados.

Coube ao juiz da causa, Crimpelho António, indeferir o pedido da defesa com “fundamento de que não foram notificados não procede, pois os arguidos primeiro, refutavam ser notificados. Fizemos diligências pela primeira vez às instituições e, a dado momento, tentaram-nos obstruir aquilo que é a actuação da administração da justiça, não fornecendo os reais dados. Aí advertimos que os mesmos iriam incorrer no crime de desobediência.”

Lembre-se que foi na Zambézia onde prenderam com pena de prisão efectiva de seis meses a um jovem da OJM e Secretária Provincial da OMM, flagrados com boletins de votos pré-votados a favor da Frelimo, partido no poder, em 2023.

O jovem perdeu emprego que tinha e perdeu outro para o qual tinha concorrido e aprovado numa ONG, em virtude da condenação. Enquanto a secretária da OMM, perdeu o cargo. Portanto, a fraude eleitoral passou a ser de alto risco até para as famílias dos infractores.  (Profundus).

MANDELA WASHINGTON FELLOWSHIP 2024: Nove moçambicanos seleccionados

A Embaixada dos Estados Unidos da América (EUA) em Moçambique tem o orgulho de celebrar dez anos de sucesso do Mandela Washington Fellowship. O grupo deste ano, composto por nove participantes, representa sete províncias distintas de Moçambique, reflectindo a rica diversidade do país.

A representação dos nove moçambicanos não só destaca o compromisso da Fellowship com a inclusão, mas, também enfatiza a variedade de perspectivas e experiências que estes participantes trazem de todo o país. Actualmente, estes jovens líderes moçambicanos estão nos Estados Unidos, envolvidos em várias actividades relacionadas com as suas respectivas áreas de programa: Liderança em Engajamento Cívico, Negócios, e Gestão Pública.

Mandela Washington Fellowship, o programa emblemático da Iniciativa para Jovens Líderes Africanos (YALI), capacita jovens líderes africanos através de formação académica, formação em liderança, mentoria, networking, oportunidades profissionais e envolvimento comunitário local.

O esforço principal do governo dos EUA para investir na próxima geração de líderes africanos, apoia jovens africanos enquanto estimulam o crescimento económico e a prosperidade, reforçam a governação democrática, e aumentam a paz e a segurança em toda a África.

Desde o seu início em 2014, quase 6.500 jovens líderes de todos os países da África Subsariana participaram do Mandela Washington Fellowship.

Numa percentagem de 91% dos ex-alunos relatam que participar do Mandela Washington Fellowship os motivou a assumir um papel de liderança nas suas comunidades.

O coorte deste ano de Fellows de Moçambique faz parte de um grupo de 700 Mandela Washington Fellows acolhidos em 28 instituições educacionais nos Estados Unidos.

Os Fellows foram seleccionados entre mais de 50.000 inscrições recebidas em todo o continente.

Os seguintes líderes estão a participar do Mandela Washington Fellowship de 2024:

Nilza Zandamela (Feminino), Inhambane – Curso de Liderança em Envolvimento Cívico, Universidade da Geórgia, GA;

Aldovanda Djive (Feminino), Maputo – Curso de Liderança em Envolvimento Cívico, The Presidential Precinct, Charlotteville, VA;

Alfredo Zunguze, (Masculino), Beira – Liderança em Gestão Pública, Universidade da Califórnia-Davis, CA;

Francisco Panguana, (Masculino), Tete – Curso de Liderança em Envolvimento Cívico, Universidade do Estado de Michigan, MI;

Yuri Fumo (Masculino), Pemba – Curso de Liderança em Negócios, Universidade Lehigh, Bethlehem, PA;

Cleide Caetano (Feminino), Maputo – Curso de Liderança em Negócios, Universidade Drake,  Des Moines, IA;

Bucheche Muhamad (Masculino), Maputo – Liderança em Gestão Pública, Universidade da Califórnia, Davis;

Lucas Mungondo (Masculino), Manica – Curso de Liderança em Gestão de Empresas, Universidade Purdue, West Lafayette, IN;

Victoire Olemba Kayobo (Masculino), Nampula – Liderança em Gestão Pública, Universidade Estadual de Boise, ID.

Os 9 seleccionados

Após os Institutos de Liderança nos Estados Unidos neste verão, os Fellows participarão na Cimeira do Mandela Washington Fellowship, que começa a 29 de julho em Washington, D.C. Lá, terão a oportunidade de fazer networking e participar em discussões em painéis com outros Fellows e líderes americanos dos sectores público, privado e sem fins lucrativos.

Após a Cimeira, até 100 Fellows seleccionados de forma competitiva terão quatro semanas de experiência de desenvolvimento profissional com Organizações Não-Governamentais (ONGs) americanas, empresas privadas e agências governamentais. (Profundus PDF).

Gorongosa e parceiros constroem Centro das Áreas de Conservação Comunitárias em Cheringoma

Como parte da parceria com o Fundo Global para o Ambiente (GEF) através do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o Projecto de Restauração da Gorongosa (PRG), no âmbito dos esforços para envolver as comunidades locais no processo de gestão de recursos naturais e proporcionar benefícios tangíveis às comunidades locais, está a facilitar o processo de estabelecimento e operacionalização de Áreas de Conservação Comunitárias (ACCs) na Zona de Desenvolvimento Sustentável (Zona Tampão) do Parque Nacional da Gorongosa.

Como resultado do apoio prestado, foram oficialmente criadas e aprovadas quatro ACCs, sendo uma na zona norte do Parque Nacional da Gorongosa denominada Área de Conservação Comunitária de Cheringoma envolvendo as comunidades de Catemo, Nhabaua, Muanandimai, Maciambosa e Chidanga; e três ACCs na zona sul do Parque, envolvendo as comunidades de Nhamacuenguere no Distrito de Dondo, Bebedo e Nhampoca no Distrito de Nhamatanda, totalizando uma área de aproximadamente 77 mil hectares.

As Áreas de Conservação Comunitárias representam um marco muito importante na delegação de poderes para que as comunidades possam por si só promover acções que contribuam para a melhoria do estado de conservação dos recursos naturais, incluindo o zoneamento das áreas e elaboração de planos de uso terra, planos de maneio de recursos naturais, através da promoção de práticas sustentáveis de uso dos recursos e de igual modo servirem de recursos para a geração de rendimentos tangíveis às comunidades através do financiamento directo aos projectos comunitários, com potencial para geração de rendimentos para as famílias abrangidas, através do uso sustentável dos recursos existentes.

As Áreas de Conservação Comunitárias incluem a promoção de acções que irão contribuir para a redução das ameaças aos recursos naturais, tais como, desmatamento para efeitos de abertura de novas machambas, habitação, produção ilegal de carvão, redução da frequência e intensidade dos incêndios, caça furtiva e bem como a promoção de medidas que irão contribuir para restauração das florestas degradadas.

Para que as comunidades possam estar prontas para gerirem de forma eficaz as ACC estabelecidas, devem passar por um processo rigoroso e sistemático de avaliação das suas necessidades para a gestão e de criação de capacidades internas em várias áreas com destaque para a gestão de recursos naturais, governação, identificação de oportunidades de negócios, gestão financeira e de negócios baseados na natureza, agricultura sustentável, turismo, para além de estabelecimento e gestão de parcerias com diversas entidades para o apoio nesta gestão.

Foi no âmbito desta necessidade de criação destas capacidades no seio das comunidades detentoras das Áreas de Conservação Comunitárias e circunvizinhas que o Projecto de Restauração da Gorongosa, através do apoio do Fundo Global para o Ambiente (GEF) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), está a construir um Centro das Áreas de Conservação Comunitárias (CCC) na vila sede de Inhaminga, Distrito de Cheringoma.

O projecto arquitectónico do Centro das Áreas de Conservação Comunitárias inclui alojamento para 30 pessoas, uma sala de treinamentos com capacidade para 50 pessoas, escritório, refeitório para 70, um anfiteatro aberto, centro de produção e venda de produtos de artesanato fabricados com base em produtos florestais madeireiros e não madeireiros e incluindo produtos de cerâmica.

Para a construção do CCC, foi investido um valor de aproximadamente 1.040.000 dólares americanos, correspondentes a 65,520,000 Mt e se espera que esteja em funcionamento dentro de quatro meses. (Profundus PDF).

Nhamatanda: Rapariga morreu depois de medicar na casa de curandeiro

O outro caso que chama atenção no distrito de Nhamatanda, está relacionado ao de uma menina de 17 anos de idade que perdeu a vida no último domingo, diante do seu “especialista em raízes e plantas”. O curandeiro está livre, enquanto o corpo da menor encontra-se na morgue, aguardando pela perícia do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC).

Segundo José, a sua esposa, como ele carinhosamente a tratava, queixava-se de dores de barriga em períodos de menstruação. Foi ao curandeiro e passou a seguir as orientações, durante um mês. Já no domingo passado, deveria tomar a medicação na casa do tal “especialista” em raízes e plantas.

Segundo contam os pais da vítima, o caso é do conhecimento das autoridades de Nhamatanda. Mas, chegados aos homens de lei e ordem, soltaram o curandeiro. Agora não devem fazer o funeral antes do SERNIC fazer a sua perícia, enquanto o corpo encontra-se na Morgue do Hospital Rural de Nhamatanda.

José, de 22 anos de idade, uniu-se este ano, prematuramente, com a menor de 17 anos de idade. Contrariamente aos que queriam frutos da relação, os pais admiraram ao ver o corpo chegar a casa.

José conta que ao ver a situação piorar, o curandeiro tentou recorrer a outros colegas da área, porém, já era tarde. Morreu diante de mais de dois curandeiros que tentaram socorrer.

“Depois de dar o medicamento (folhas), vomitou várias vezes. Fizeram papas, mas nada resultou.

Segundo José, antes de morrer, a parceira pediu-lhe “água”. Quando fui buscá-la, encontrei-a morta“.

A família admira pela soltura do curandeiro que até ao momento do “Profundus” no terreno, estava com telemóvel desligado e duvidava-se que estivesse ainda no Mutondo, localidade de Bebedo – sua residência.

Contudo, espera-se que com a investigação do SERNIC, se descubra o que realmente levou à morte da menor.

A família exige justiça e das várias alegações com choros, apontou a inoperância das autoridades nos vários crimes de Nhamatanda. “Estamos a morrer como se fossemos cabritos”. Mais detalhes na edição do semanário Profundus. (Muamine Benjamim).

Nhamatanda soma 2 assassinatos de mulheres em 3 dias

O distrito de Nhamatanda soma assassinatos de mulheres. Quando parecia sucesso das autoridades com a apresentação de um jovem, na semana passada, que disse ser autor de 8 vítimas de 2020-2024, eis que os assassinos provam que ainda existem na vila municipal.

Casos recentes

No último sábado, foi descoberto um corpo de uma jovem. Júlia fazia parte de um grupo de três mulheres que saíram de Muda para “vender” prazeres na vila Municipal de Nhamatanda.

De prostituição não deu certo. Júlia deixou quatro filhos sob custódia dos avós.

Coincidentemente, no dia do funeral de Júlia, foi descoberto outro corpo, ainda no 1° bairro, vila municipal.

Mais um corpo de uma jovem foi encontrado em estado de decomposição, o que tornou mais difícil identificar a cara de quem se tratava.

Délcia é uma das jovens do primeiro bairro que ficou apavorada com a situação.

Crianças estavam a brincar “mata-mata”, brincadeiras da Zona, quando uma delas lançou a bola foi cair na obra abandonada. A outra quando foi buscar a bola, regressou traumatizada ao ver o corpo” da jovem em decomposição e moscas, além de sentir o cheiro que até obrigou máscaras aos que retiraram-no.

Délcia é uma das várias jovens que anda à noite porque estuda neste turno. Agora já tem medo no distrito.

Existem muitos agentes da Polícia da ESAPOL, SERNIC E PRM, para que? Questinona a jovem.

Já o chefe da Unidade C – 1 bairro, Filipe Francisco, lamenta o facto de não existir policiamento comunitário.

O 1° bairro inclui a maioria das instituições do Estado, em Nhamatanda. Ali está o Comando da PRM, Procuradoria, SERNIC, Tribunal, Gabinete do Administrador, Secretaria Distrital, Registo Civil, Hospital, DIC. É bastante movimentado.

Nhamatanda entrou no mapa de assassinatos em 2022, até finais de 2023, parecia um sucesso das autoridades. Já neste 2024, os assassinos não escolhem, arrombam inclusive portas de residências vitimando todos que encontram. (Muamine Benjamim).

Jornal Profundus

Stay informed with curated content and the latest headlines, all delivered straight to your inbox. Subscribe now to stay ahead and never miss a beat!

Skip to content ↓