Moçambique está de luto de três dias pela morte de 98 pessoas em naufrágio

No último domingo, nas Ilhas de Moçambique, um acidente matou 98 pessoas, incluindo 55 crianças, 34 mulheres e nove homens, havendo registo de 16 sobreviventes e restantes desaparecidas das 130 pessoas que estavam a bordo. A embarcação artesanal tinha capacidade para 13 ocupantes.

Ontem terça-feira, “o Conselho de Ministros da República de Moçambique decidiu decretar luto nacional de três dias, a partir das 00:00 do dia 10 de abril de 2024 [a partir de hoje] até às 24 horas do dia 12 de abril de 2024”, disse o porta-voz do Governo, Filimão Suaze, depois da sessão semanal do executivo.

“Durante o período de luto nacional, a bandeira nacional e o pavilhão presidencial serão içados a meia haste, em todo o território nacional e nas missões diplomáticas e consulares da República de Moçambique”.

O Conselho de Ministros vai criar uma comissão de inquérito para aprofundar as circunstâncias, causas e responsabilidades em relação ao acidente e submeter recomendações ao Governo.

Em relação à desinformação sobre a cólera que levou a fuga das pessoas vítimas do naufrágio com destino à Ilha de Moçambique, o porta-voz do Governo defendeu a “intensificação” das campanhas de educação e sensibilização das comunidades sobre as causas e tratamento da doença.

“Uma equipa que inclui representantes das Nações Unidas foi enviada para a área, para apoiar os esforços de resposta das autoridades nacionais e para prestar apoio aos sobreviventes e às famílias afectadas por esta tragédia”, disse a coordenadora residente das Nações Unidas e coordenadora humanitária para Moçambique, Catherine Sozi, em comunicado divulgado ontem.

 

Detenções

A embarcação de pesca não estava autorizada a transportar passageiros e não tinha condições para o efeito. As pessoas a bordo fugiam do surto de cólera no continente, com destino à Ilha de Moçambique, tendo o naufrágio acontecido a cerca de 100 metros da costa.

O dono e um responsável pela embarcação estão detidos, disse à Lusa a porta-voz da Polícia da República de Moçambique (PRM) em Nampula, Rosa Chaúque.

Os dois “já tiveram atendimento médico e encontram-se, neste momento, sob custódia policial”.

O barco saía do posto administrativo de Lungo, no distrito de Mossuril, com destino a Nacala, tendo a bordo 130 pessoas. (Profundus).

O lado “B” do louvado projecto de água em Nhamatanda

Ainda sobre “Assunto do Dia” que dominou quase toda Sessão da Assembleia Municipal de Nhamatanda, o Movimento Democrático de Moçambique (MDM) trouxe o lado B do louvado projecto de água.

Em representação do MDM, Semedo Barreto apresentou os detalhes na quarta-feira passada.

Ainda sobre “municipais” em Nhamatanda: Frelimo responde Renamo

Sobre o “assunto antes do dia”, na Iª Sessão Ordinária Municipal de Nhamatanda que decorreu na semana passada, a Renamo afirmou que foram vários actores contribuintes de forma fraudulenta para a vitória do eterno rival, partido Frelimo.

A bancada da Frelimo respondeu:

Tribunal inocenta Manuel de Araújo nos dois processos judiciais

Foi lida hoje a sentença do segundo caso contra o edil de Quelimane. Nos dois processos, Manuel de Araújo é inocente por não haver provas de difamação e calúnia dos queixosos, o director da Comissão Distrital de Eleições (CDE), Zacarias Inácio Muheia e a docente da Universidade Católica de Moçambique (UCM), Telma Gonçalves da Silva Viegas.

Zacarias Inácio Muheia exigia 200.000 meticais e Telma Gonçalves da Silva Viegas esperava 250.000 meticais de indeminização vindos de De Araújo. Mas com a decisão do Tribunal, não haverá indeminização vindo do edil, pelo contrário, o autarca pode processar esses dois.

A leitura da sentença do caso de Zacarias Inácio Muheia foi feita na quarta-feira. A outra leitura foi feita hoje sexta-feira relativamente ao caso da Telma Viegas. Ambas inocentam o edil.

Lembre-se que, os depoimentos indicam que Telma, na altura observadora do processo eleitoral de 2023, foi flagrada com boletins. E existe vídeo onde ela aparece acompanhada por agentes da Polícia para Esquadra, sugerindo, momentos depois da tentativa de introdução dos votos a favor da Frelimo. Com isso, será julgada no próximo dia 25.

Enquanto Zacarias na qualidade de director da CDE era “procurado vivo ou..!” por fraude eleitoral.

De Araújo, ao partilhar essas informações, segundo a defesa apenas pretendia informar, não é o mentor dos conteúdos, pelo que não há provas para considerá-lo culpado. (Profundus).

2022: O mundo desperdiçou mais de mil milhões de refeições por dia

As famílias de todos os continentes desperdiçaram mais de mil milhões de refeições por dia em 2022, enquanto 783 milhões de pessoas foram afectadas pela fome e um terço da humanidade enfrentou insegurança alimentar. O desperdício de alimentos continua a prejudicar a economia mundial e a alimentar as alterações climáticas, a perda da natureza e a poluição.

Estas são as principais conclusões de um relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) publicado hoje, na véspera do Dia Internacional do Desperdício Zero.

O Relatório do Índice de Desperdício Alimentar 2024 do PNUMA, em parceria com a organização não-governamental WRAP, indica a estimativa global mais precisa sobre o desperdício alimentar a nível do retalho e do consumidor. Dá também orientações aos países sobre a melhoria da recolha de dados e sugere melhores práticas para passar da medição à redução do desperdício alimentar.

Em 2022, foram gerados 1,05 mil milhões de toneladas de resíduos alimentares (incluindo partes não comestíveis), totalizando 132 quilogramas per capita e quase um quinto de todos os alimentos disponíveis aos consumidores.

 

Quem desperdiça?

Do total de alimentos desperdiçados em 2022, 60 por cento ocorreram ao nível familiar, sendo o sector da restauração responsável por 28 por cento e o retalho por 12 por cento. “O desperdício de alimentos é uma tragédia mundial. Milhões passarão fome hoje, à medida que há alimentos a serem desperdiçados em todo o mundo”, alerta Inger Andersen, directora executiva do PNUMA. “Esta não é apenas uma questão importante de desenvolvimento, mas os impactos desses resíduos desnecessários estão a causar custos substanciais para o clima e a natureza.

A boa notícia é que sabemos que se os países derem prioridade a esta questão, poderão reverter significativamente a perda e o desperdício de alimentos, reduzir os impactos climáticos e as perdas económicas e acelerar o progresso dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável.”

Desde 2021, tem havido um fortalecimento das infra-estruturas de dados com mais estudos que rastreiam o desperdício alimentar. Globalmente, o número de pontos de dados ao nível dos agregados familiares quase duplicou.

No entanto, muitos países de baixo e médio rendimento continuam a não ter sistemas adequados para acompanhar o progresso no cumprimento do Objectivo de Desenvolvimento Sustentável 12.3 de reduzir para metade o desperdício alimentar até 2030, especialmente no comércio retalhista e nos serviços alimentares.

Apenas quatro países do G20 (Austrália, Japão, Reino Unido, EUA) e a União Europeia têm estimativas de desperdício alimentar adequadas para acompanhar o progresso até 2030. O Canadá e a Arábia Saudita têm estimativas familiares adequadas, sendo a estimativa do Brasil esperada para o final de 2024. Neste contexto, o relatório serve como um guia prático para os países medirem e reportarem consistentemente o desperdício alimentar.

 

Impacto no clima

Os dados confirmam que o desperdício alimentar não é apenas um problema dos “países ricos”, com os níveis de desperdício alimentar doméstico a diferirem dos níveis médios observados nos países de rendimento elevado, médio-alto e médio-baixo em apenas 7 kg per capita. Ao mesmo tempo, os países mais quentes parecem gerar mais desperdício alimentar per capita nos agregados familiares, potencialmente devido ao maior consumo de alimentos frescos com partes substanciais não comestíveis e à falta de cadeias de frio confiáveis.

De acordo com dados recentes, a perda e o desperdício de alimentos geram 8 a 10 por cento das emissões anuais globais de gases com efeito de estufa (GEE) – quase cinco vezes mais do que o sector da aviação – e uma perda significativa de biodiversidade, ao absorverem o equivalente a quase um terço da produção mundial. O custo da perda e do desperdício de alimentos na economia global é estimado em cerca de mil milhões de dólares.

Espera-se que as zonas urbanas beneficiem particularmente dos esforços para reforçar a redução do desperdício alimentar. As zonas rurais geralmente desperdiçam menos alimentos, sendo as explicações prováveis um maior desvio de restos de comida para animais de estimação, gado e compostagem doméstica.

Em 2022, apenas 21 países incluíram a perda de alimentos e/ou a redução do desperdício nos seus planos climáticos nacionais (NDC). O processo de revisão dos CDN para 2025 proporciona uma oportunidade fundamental para aumentar a ambição climática, integrando a perda e o desperdício de alimentos. O Relatório sobre o Índice de Desperdício Alimentar sublinha ainda a urgência de abordar o desperdício alimentar, tanto a nível individual como sistémico. São necessárias linhas de base sólidas e medições regulares para que os países demonstrem mudanças ao longo do tempo.

 

Exemplos de sucesso

Graças à implementação de políticas e parcerias, países como o Japão e o Reino Unido mostram que a mudança em grande escala é possível, com reduções de 31% e 18%, respectivamente. “Com o enorme custo para o ambiente, a sociedade e as economias globais causado pelo desperdício alimentar, precisamos de uma maior acção coordenada entre continentes e cadeias de abastecimento. Apoiamos o PNUMA no apelo a mais países do G20 para medirem o desperdício alimentar e trabalharem em prol do ODS12.3”, afirma Harriet Lamb, CEO da WRAP. “Isso é fundamental para garantir que os alimentos alimentem as pessoas e não os aterros sanitários.

 

Público e Privado

As parcerias são hoje uma ferramenta fundamental para a obtenção de resultados, mas requerem apoio: sejam filantrópicos, empresariais ou governamentais, os intervenientes devem apoiar programas que abordem o enorme impacto que o desperdício de alimentos tem na segurança alimentar, no nosso clima e nas nossas carteiras. O PNUMA continua a acompanhar o progresso a nível nacional para reduzir para metade o desperdício alimentar até 2030, com um foco crescente em soluções que vão além da medição em direcção à redução. Uma dessas soluções é a acção sistémica através de parcerias público-privadas. (ONU).

Nhamatanda: Administrador “infeliz e infantil”

São palavras de Semedo Barreto durante a intervenção na 1ª Sessão Ordinária Municipal de Nhamatanda. O único membro do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Semedo Barreto, na Assembleia avaliou o actual administrador de Nhamatanda como “infeliz e infantil”.

Naquele crítico, apesar do seu casaco, era possível ver uma camisa com símbolo do partido MDM, na sessão da Assembleia. Mas a lei não permite.

Em reacção, o representante do administrador, Sérgio Raposo, por sinal director do Serviço da Educação, Juventude e Tecnologia (SDEJT), exortou para que a “casa do povo” fosse o local para discussão de assuntos de interesse de munícipes. Chamou atenção pela camisa do partido que o representante do MDM usou no dia. Esta reacção foi reforçada pela bancada da Frelimo.

Pelas várias intervenções, algumas das quais “engasgavam” o lado da Frelimo, Raposo por análise discursiva, foi defensor.

Na sessão municipal, houve troca de palavras, chegando até a se fazer medir quem melhor interpreta as leis, além de pedidos insistentes de mais tempo de intervenções. O MDM dizia que deviam-lhe aproveitar pela “bagagem” que tem, mas para a Frelimo só pode aprender o que é positivo, admitindo pontos positivos.

Dos 23 membros da Assembleia, 18 são da Frelimo, quatro são da Renamo e um do MDM. Com isso, alguns votaram a favor, outros contra, enquanto uns abstiveram-se, mesmo assim a maioria é que venceu (a favor) das propostas trazidas pela bancada da Frelimo. Mais detalhes na próxima edição do semanário Profundus.

Há dificuldades de salários no município de Nhamatanda

É uma denúncia feita pela oposição durante a 1ª Sessão Ordinária Municipal de Nhamatanda. O único membro do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Semedo Barreto, na Assembleia descreveu os factos lamentando na frente dos presentes.

Na ocasião, não houve resposta satisfatória aos olhos de funcionários que vivem a situação. As queixas de atraso de pagamento de salários não são novidades na autarquia de Nhamatanda.

Julgamento de Chang a iniciar em julho

O Governo norte-americano apresentou a acusação contra o ex-ministro das Fianças, Manuel Chang, mas rejeita todas as acusações, apontando o actual Presidente moçambicano, Filipe Nyusi como quem o mandou assinar as garantias bancárias que viabilizaram as dívidas ocultas.

O juiz do caso, Nicholas G. Garaufis, decidiu que o Governo norte-americano pode fazer buscas no telemóvel de Chang, que foi confiscado pelas autoridades sul-africanas em 2018, averbando a primeira grande derrota à defesa de Chang nos EUA.

O Governo norte-americano, através do Departamento de Justiça (DOJ), apresentou uma nova acusação contra Manuel Chang (a quem também designa “Pantero” e “Chopstick) datada de 21 de dezembro de 2023.

O documento de 24 páginas, “Acusação de Substituição (Superseding Indictment)” apresentado enquanto Manuel Changa já se encontrava sob custódia nos Estados Unidos da América, é designado não inclui outros réus do caso.

O julgamento está previsto para iniciar no dia 29 de julho de 2024, coincidindo com o período da campanha eleitoral para as eleições gerais em Moçambique.

Neste momento, a acusação (DOJ) e a Defesa do Chang, que é o escritório de advogados Ford O’Brien Landy LLP, discutem questões preliminares conhecidas no direito criminal dos Estados Unidos da América como Motions in Limine.

Chang está desde julho do ano passado preso em Nova Iorque, Estados Unidos da América (EUA), depois que foi extraditado da África do Sul. Aguarda pelo decurso do processo de selecção do Júri no Tribunal do Distrito Oriental de Nova Iorque (U.S. District Court for the Eastern District of New York), em Brooklyn, o mesmo onde foi julgado e absolvido Jean Boustani em 2019.

Chang apesar de ter fortes advogados nos EUA, o seu telemóvel continua com as autoridades que lhe acusam no caso de dívidas ocultas.

Chang diz que assinou a papelada a mando do actual Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi como ministro da Defesa na altura dos factos. Nyusi ainda não foi ouvido em nenhum tribunal porque goza de imunidade presidencial, mas o seu mandato vai terminar em janeiro de 2025.

 

Chang acusado de 3 crimes pelo projecto de fachada

O Governo dos EUA defende que o projecto do Sistema Integrado de Monitoria e Protecção (SIMP) do espaço marítimo moçambicano, que deu a origem às dívidas ocultas, não foi pensado pelo Governo moçambicano nem concebido para proteger o espaço marítimo de Moçambique. Para o Governo norte-americano, o SIMP é um projecto de “fachada criado pelos réus e co-conspiradores para ganhar dinheiro”. A acusação sustenta a tese através de informação obtida nas correspondências entre os réus.

“Na realidade, os projectos marítimos Proindicus, EMATUM e MAM foram usados pelo arguido MANUEL CHANG e os seus co-conspiradores para desviar partes do produto do empréstimo a fim de pagar milhões em subornos e comissões a si próprios, a outros funcionários do Governo moçambicano e a banqueiros”, lê-se na acusação.

A acusação do Governo norte-americano contra Manuel Chang é de que este fez parte do esquema que defraudou investidores norte[1]americanos. Serviu-se do sistema financeiro norte-americano para ganhar dinheiro de subornos e comissões e ainda fez a lavagem do dinheiro do crime praticado, usando, igualmente, o sistema financeiro dos EUA.

“Em ligação com o seu esquema fraudulento, os co-conspiradores basearam-se no sistema financeiro dos Estados Unidos, procurando e assegurando investidores e potenciais investidores fisicamente presentes nos Estados Unidos, fazendo com que as vendas de investimentos nos empréstimos fossem efectuadas por vendedores fisicamente presentes nos Estados Unidos e enviando e recebendo transferências que passavam pelos Estados Unidos, inclusive através do Distrito Leste de Nova Iorque”, lê-se na acusação.

“…os co-conspiradores desviaram parte destes valores (de empréstimos) para efectuar pagamentos de subornos e comissões, em dólares americanos, utilizando o sistema financeiro dos Estados Unidos através de transacções transferidas através de contas bancárias nos Estados Unidos, incluindo pelo menos 5 milhões de dólares para o arguido MANUEL CHANG através do Distrito Leste de Nova Iorque”, explica-se na acusação.

Na acusação, que entre 20 de outubro de 2013 e 4 de dezembro de 2013, Jean Boustani fez com que a Privinvest efectuasse pagamentos de subornos, num valor aproximado de 5 milhões de dólares, a partir da conta bancária da Privinvest nos Emirados Árabes Unidos. Esta transacção foi feita através do Distrito Leste de Nova Iorque, em benefício do arguido MANUEL CHANG, para uma conta bancária domiciliada na Espanha.

Nestes termos, o Governo dos EUA acusa Chang de ter cometido três tipos legais de crimes, nomeadamente, conspiração para cometer uma fraude electrónica, conspiração para cometer fraude em valores mobiliários e conspiração para cometer branqueamento de capitais.

 

Chang nega tudo

Chang defendeu-se rejeitando todas as acusações dos três crimes, usando vários argumentos, incluindo que nunca esteve nos EUA ou que nunca manteve contacto com pessoas e entidades localizadas nos EUA para cometer os crimes de que é acusado.

No dia 21 de fevereiro de 2024, o escritório de advogados contratado por Chang submeteu ao Tribunal o documento da defesa, de 69 páginas, que no essencial nega todas as acusações, usando vários argumentos, e pede ao tribunal para “rejeitar a acusação” e, “em alternativa, o tribunal deve retirar todas as alegações relacionadas com a Conspiração Eurobond”.

O documento de defesa de Chang é assinado por 4 advogados do escritório FORD O’BRIEN LANDY LLP, nomeadamente o próprio Adam C. Ford (líder e que dá nome ao esritório), Jamie H. Solano (uma antiga funcionária do Departamento de Justiça, por 8 anos, mas que deixou o cargo para se tornar advogada de Chang), Anjula S. Prasad e Arthur Kutoroff. A FORD O’BRIEN LANDY LLP é um escritório de luxo, dos mais caros dos EUA, e que se diz especializado em defender crimes de colarinho branco.

Chang nega pára por ai, também apontou o responsável pelas dívidas ocultas, Filipe Jacinto Nyusi, que era colega do ex-ministro no Governo (de Armando Guebuza), ocupando a pasta de ministro da Defesa Nacional.

Nyusi é o actual presidente da República de Moçambique, eleito em 2014 e reeleito em 2019. O seu mandato termina em janeiro de 2025, assim que um novo presidente a ser eleito este ano, tomar posse.

Chang apresentou dois documentos ao Tribunal de Brooklyn, ambos preparados pelo Gabinete de Filipe Nyusi, na altura ministro da Defesa Nacional, e por si assinados. O primeiro ofício é um Memorando de Implementação do Sistema de Monitoria e Protecção (SIMP) da Zona Económica Especial (ZEE), datado de 21 de dezembro de 2012 e assinado pelo próprio Filipe Nyusi (ministro da Defesa Nacional), por Alberto Mondlane (ministro do Interior) e por Gregório Leão (Director do Serviço de Informações e Segurança do Estado – SISE).

Sem ter assinado o memorando, estiveram presentes na reunião, Basílio Monteiro, na altura vice-Comandante Geral da Polícia, Victor Bernardo, presidente do Conselho de Administração da Monte Binga (uma empresa do Ministério da Defesa), Raufo Irá, administrador da GIPS (uma empresa do SISE), Teófilo Nhangumele e António Carlos do Rosário.

Do Rosário é quadro do SISE e Nhangumele e foi apresentado como estando em representação da Presidência da República. Os dois estão profundamente envolvidos no desenho do projecto que deu origem às dívidas ocultas. Ambos estão condenados a 12 anos de prisão pelo Tribunal Judicial da Cidade de Maputo, que julgou o processo das dívidas ocultas. São igualmente co-arguidos do Chang no processo criminal de Nova Iorque.

O Memorando foi celebrado no Gabinete do Ministro da Defesa Nacional e Filipe Nyusi é o primeiro assinante. Todos os presentes na reunião em que este Memorando foi elaborado estiveram em Tribunal que julgou o primeiro processo-crime das dívidas ocultas em Maputo, uns como réus (Gregório Leão, António Carlos do Rosário, Teófilo Nhangumele) e outros como declarantes (Alberto Mondlane, Raufo Irá, Victor Bernardo)). Nyusi é o único que não esteve no julgamento por decisão do juiz Efigénio Baptista, que julgou o caso. O principal argumento para o afastamento de Nyusi do julgamento de Maputo é que é Presidente da República em exercício.

O segundo documento apresentado por Chang ao tribunal norte-americano é uma conhecida carta de Filipe Nyusi dirigida a Manuel Chang a solicitar que este assinasse os Termos do Acordo de Financiamento do Projecto de Monitoria e Protecção da Zona Económica Exclusiva. A carta tem a Ref.n°005 /GAB/MDN/2013 e é datada de 14 de Janeiro de 2013.

Com os dois documentos, Chang procura demonstrar que Nyusi é a figura central tanto da concepção assim como do financiamento do projecto SIMP que deu origem às dívidas ocultas e que ele (Chang) foi um mero cumpridor de ordens emanadas de Nyusi, na altura ministro da Defesa Nacional.

 

Telemóvel de Chang com autoridades desde 2018

Quando Chang foi detido, o seu telemóvel foi confiscado pelas autoridades sul-africanas e depois que Chang doi extraditado aos EUA, o telemóvel foi entregue às autoridades norte-americanas. O DOJ requereu ao tribunal que emitisse mandado para autorizar buscas no telemóvel de Chang.

A defesa contestou alegando que o pedido do Governo chegou tarde (mais de 30 dias após o confisco do telemóvel) e que o telemóvel é pessoal e contém informações pessoais de Manuel Chang. A defesa argumentou, ainda, que quando Chang foi detido já não era ministro das Finanças e passavam[1]se vários anos (cerca de 5) desde que tinha cometido os crimes de que é acusado. Pelo que, a probabilidade de encontrar alguma informação relacionada com o caso em julgamento no telemóvel era mínima. Por isso defendia que o telemóvel devia ser devolvido a Chang, através dos seus advogados.

Por sua vez, a acusação defendia que apesar de o telemóvel ter sido adquirido por Chang após ter deixado o Governo, há probabilidade de que Chang tenha transferido informação dos telemóveis anteriores para o actual e nisso interessava ao Governo (norte-americano) verificar a existência de possível informação que pudesse ajudar a constituir provas contra Chang nos casos em que é acusado.

O Procurador Jonathan Siegel, que apresentou os argumentos do DOJ na sessão de audiência do dia 25, explicou especificamente que Chang mantinha comunicações com Jean Boustani mesmo após ter deixado o cargo e que ao fazer buscas no telemóvel, poder-se-ia encontrar mais evidências do envolvimento de Chang com os outros co-conspiradores.

No dia 27 de março, o Juiz Nicholas G. Garaufis decidiu que o Governo norte-americano podia fazer buscas no telemóvel de Changa, negando, desta forma, dar provimento ao pedido da Defesa. Assim, todas as comunicações mantidas no telemóvel de Manuel Chang até ao dia 29 de dezembro de 2018, quando foi detido em Joanesburgo, estão na posse do Governo dos EUA.

 

Nicholas G. Garaufis: um juiz de 75 anos, com 50 de experiência

O juiz que vai julgar Manuel Chang (caso não ocorram mudanças) nasceu a 28 de setembro de 1948, em Nova Jersey, do outro lado da margem do Hudson River que separa este Estado de Nova Iork. Tem 75 anos e pode completar 76 durante o julgamento de Manuel Chang. Começou a carreira na área de direito há 50 anos (em 1974) e desempenhou várias funções antes de ser nomeado Juiz Distrital.

O resumo do seu currículo está disponível no sítio da Internet do Tribunal onde trabalha, no qual se pode ler que “Nicholas G. Garaufis tornou-se juiz Distrital dos Estados Unidos no Distrito Oriental de Nova Iorque a 28 de agosto de 2000, nomeado pelo Presidente Clinton, a 28 de fevereiro de 2000, sob recomendação do senador Daniel Patrick Moynihan (Democrata, Nova Iorque).

A 24 de maio de 2000, o Senado dos Estados Unidos confirmou o juiz Garaufis por unanimidade. O Juiz Garaufis assumiu o estatuto de sénior a 1 de outubro de 2014”. (CIP).

EUA com US$ 22 milhões para paz no Norte de Moçambique

A Secretária Adjunta do Gabinete de Operações de Conflitos e Estabilização do Departamento de Estado dos Estados Unidos da America (E.U.A), Anne A. Witkowsky interagiu com uma ampla gama de parceiros moçambicanos sobre os esforços em curso para promover a paz em comunidades afectadas por conflitos.

Anne A. Witkowsky esteve em Maputo e na cidade de Nampula de 17 a 21 de março de 2024. Durante a visita, a Secretária Adjunta destacou um financiamento adicional para programas para ajudar Moçambique com esforços de estabilização e construção da paz nas províncias do Norte.

Programas em curso dos E.U.A. estão a fornecer treinamento para funcionários do governo local para prestação de serviços, apoia a rádios comunitárias, promoção da coesão social por meio de clubes de paz, desportos e artes, e aumentar as oportunidades educacionais e de emprego para jovens, incluindo, por exemplo, através da construção da nova escola secundária na cidade de Pemba.

“O progresso de Moçambique rumo a uma paz sustentável é essencial para a prosperidade económica de todos os moçambicanos e para a segurança da região”, disse Anne A. Witkowsky.

“Os Estados Unidos estão comprometidos em apoiar os parceiros moçambicanos para avançar num esforço integrado para a paz e estabilidade em Cabo Delgado e nas províncias circundantes – enfatizando a protecção civil, o acesso à justiça, o desenvolvimento económico inclusivo e a governação transparente e democrática”, disse a Secretária Adjunta Witkowsky.

Durante a visita, a Secretária Adjunta Witkowsk reuniu-se com a Ministra da Justiça, Helena Kida; o Vice-Ministro dos Negócios Estrangeiros, Manuel José Gonçalves; líderes da sociedade civil, jornalistas, representantes do sector privado, ONGs internacionais e outros parceiros diplomáticos que trabalham pela paz no norte de Moçambique.

Em abril de 2022, o Presidente Biden anunciou a selecção de Moçambique como um país prioritário para a Estratégia para Prevenir Conflitos e Promover Estabilidade. Com parceiros, os EUA estão a mobilizar apoio diplomático, assistência ao desenvolvimento e envolvimento do sector de segurança para prevenir a violência, promover a estabilidade e construir resiliência por meio de soluções lideradas localmente em Cabo Delgado e nas províncias vizinhas.

Os Estados Unidos pretendem fornecer US$ 22 milhões (mais de 1.408.000.000 de meticais) em novos fundos em 2024, mediante aprovação pelo Congresso, para ajudar Moçambique nos esforços de estabilização nas regiões do Norte. Com este investimento, os americanos terão dedicado quase US$ 100 milhões (mais de 6.400.000.000 de meticais) em assistência focada em estabilidade para o norte de Moçambique desde 2022. Este financiamento complementa a assistência ao desenvolvimento e humanitária mais ampla fornecida pelos Estados Unidos em todo o país. (EUA/Profundus PDF).

Ganizane: Do drama aos sonhos

Para poucos é Ganizane Marcelino Melo Quembo. A maioria o conhece de Amazinh Boy, na música. Não só canta e encanta, mas também ensina inglês, além de ler e escrever em braille. A deficiência visual já não é barreira para ele e quer fazer sonhar aos outros independentemente da condição física.

 

Sonhos alterados

Ganizane sonha em terminar os estudos em melhores escolas. “Na vida eu tive um drama. Comecei a estudar em 2015, pré-classe; 1ª classe em 2016; e 5ª classe em 2020, onde a nossa escola [Instituto de Deficientes Visuais] teve que parar aproximadamente 4 anos. Isto quer dizer que querendo como não, tivemos que reprovar e somente foi em julho de 2023 que as actividades retomaram no IDV”.

“Tive que fazer algo, estudar para passar de classe porque tinha perdido muita matéria. Conclui a 6ª classe no dia 21 de novembro de 2023. E faço coisas que as pessoas negam às vezes”.

“O conhecimento pode não depender do nível mas sim, da dedicação. Tenho provas de alunos normovisuais que ainda não conseguem fazer ditado”, defende Ganzane.

 

A prova da dedicação

Ganizane escreve o texto a seguir:

Vinte e dois de Julho de 1969 foi fundado o Instituto de Deficientes Visuais da Beira. “I-D-v”, por Acis Milto como ensino particular.

Sua finalidade, obter que os deficientes visuais em Moçambique consigam estudar, ler, e escrever e, afastar a tristeza de que não somos nada no mundo.

Hoje, os deficientes visuais em Moçambique conseguem ler, escrever, jogar futebol, manejar telefone e computador.

Temos bola especializada para pessoas com a deficiência visual. A bola tem guizos por dentro e quando a bola está a movimentar, ela produz um som e é possível seguir o rasto.

Antes de aprender o computador, desactivamos todos serviços, mas deixamos o sistema nvda “leitor da tela”, para nos dizer o nome de cada tecla e somos obrigados a decorar na mente. Nenhuma tecla está escrita em braille no computador mas, com a ajuda do sistema, conseguimos fazer tudo aquilo que nós precisamos.

No telemóvel, o sistema talkback que é também leitor da tela, lê tudo o que está no ecrã e diz como entrar naquela pasta.

 

As letras:

Como nós soubemos que no computador, as letras estão organizadas em fila, ao querer escrever nós já temos conhecimento que, Q, W, E, R, T, Y, U, I, O, P, estão na mesma fila. A, S, D, F, G, H, K, L, estão na mesma fila. Z, X, C, V, B, N, M, estão na mesma fila e, ao tocar em cada letra, o sistema talkback lê o nome daquela letra.

 

Braille:

Para começar, são letras formadas por código e o braille possui seis pontos e dentro desses seis pontos encontramos todas letras de A até Z.

 

Como aprender o braille?

Como em Moçambique está com falta de materiais para aprender o braille, o favo de ovo também vai servir.

Vamos cortar ela e deixemos seis buracos. Depois de termos favo de seis buracos apenas, vamos levar seis bolinhas e vamos preencher aqueles buracos.

Do lado esquerdo começamos a contar por um no primeiro buraco de cima.

A seguir, dois.

Por baixo de dois, três. Portanto, no lado esquerdo temos:

1, 2, 3.

No lado direito temos:

4, 5, 6.

Exactamente são seis pontos. No favo começamos a contar do lado esquerdo para direito.

Na pauta, as coisas já vão mudando. Começamos a contar do lado direito para esquerdo.

No lado direito. 1, 2, 3 e no lado esquerdo 4, 5, 6. Isso na pauta, e não no favo.

Porquê tem sido desta forma?

Na pauta, escrevemos começando do lado direito, pois no término viramos o papel. Logo, o que escrevemos no lado direito vai para o lado esquerdo.

Letra A, ponto 1; B. Ponto 1 e 2; C. Ponto 1 e 4; D. Ponto 1 4 e 5; E. Ponto 1 e 5; F. Ponto 1; 2 e 4; G. Ponto 1; 2 4 e 5; H. Ponto 1; 2 e 5; I. Ponto 2 e 4; J. Ponto 2; 4 e 5; K. Ponto 1 e 3; L. Ponto 1; 2 e 3; M. Ponto 1; 3 e 4; N. Ponto 1; 3 4 e 5; O. Ponto 1; 3 e 5; P. 1; 2; 3 e 4; Q. Ponto 1; 2; 3 4 e 5; R. 1; 2; 3 e 5; S. Ponto 2; 3 e 4; T. Ponto 2; 3; 4 e 5; U. Ponto 1; 3 e 6; V. Ponto 1; 2; 3 e 6; W. Ponto 2; 4; 5 e 6; X. Ponto 1; 3; 4 e 6; Y. Ponto 1; 3; 4; 5 e 6; Z. Ponto 1; 3; 5 e 6.

Este é um texto feito depois que Ganizane confirmou em 2023 regressar a estudar no IDV fechado em 2020 por dívidas acumuladas.

 

Canta e encanta, mas também reflecte

“Quando eu era miúdo, fazia viola de garrafa e linha para produzir qualquer som semelhante ao da viola. Quero eu dizer, o sonho de ser cantor começou quando criança”.

Hoje, Ganizane soma 11 músicas gravadas.

No domingo, 1 de outubro de 2017, compraram-me uma viola com pessoas de boa-fé, a mamã. Helena Freitas e o papá. Vasco Galante“, como os considera pelo apoio. “Não consigo encontrar palavras certas para os agradecer o suficiente por terem lutado para sempre me virem feliz e para alcançar os meus sonhos. Agradeço. A deficiência não me deixa triste graças a eles e outros amigos portugueses que também têm lutado”.

Ganizane conta que tem “cicatriz na mente devidos os anos perdidos. O plano era terminar 12ª classe em 2017. Mas o sonho é o sentido da vida. Não parei de sonhar. Sonho em ser o professor de inglês e construir uma escola de inglês. Se os homens da tecnologia quisessem-me ouvir, gostaria que fizessem um quadro branco para ajudar o deficiente visual na sala de aula”.

“O quadro deve estar conectado com um computador para que quando eu escrever, as letras estejam no quadro para evitar que alguém venha escrever para mim”.

“Na verdade, eu gostaria também que no futuro fosse eu a representar os deficientes visuais no meu país e eliminar essa mentalidade que não somos nada na sociedade e lutar para educação inclusiva. Pois, é um direito de todos”.

Para o futuro professor de Inglês, a educação inclusiva é realmente importante e “devemos sempre lutar para criar um ambiente onde todos se sentem acolhidos e respeitados”.

Actualmente, Ganizane aprende piano na Casa Cultura, na cidade da Bera. “O objectivo que me levou aprender o piano é de querer dar atenção à nossa sociedade. Eu gosto de viola, e não muito piano. E se existir outras oportunidades para aprender. Somos capazes. Me deixam muito frustrado quando pensam que a deficiência é sinónimo de demência”.

Além do inglês, “amo a História. Muitos estudantes não querem saber sobre a História, dizem que ali há muitos nomes e datas por lembrar. Mas a História é importante porque nos permite conhecer o passado. Apesar de não podermos ver o que ela estuda, ela é importante”.

 

Primeiros passos de chefia

No IDV, Ganizane já é chefe geral dos alunos. “Fui nomeado como chefe geral dos alunos no sábado, 16 de março”.

“Talvez é o resultado da dedicação dos estudos e foi possível as pessoas me descreverem e me votaram. Me sinto orgulhoso como a minha primeira experiência política”.

Ganizane representa “mais de 65 alunos. Apresentando-lhes o regulamento interno: Direitos e deveres”.

 

Mas como tudo começou?

Tudo começou com a família Baltazar Bonjesse Franque, camponês, pai de oito filhos e avó de 13 netos.

Através de sua produção e produtividade de culturas de milho e hortaliças e auxílio do PNG, teve uma iniciativa de ajudar crianças órfãs, deficientes e as que se encontram em condições mais desfavorecidas. Ganizane Quembo órfão de pai, na altura com 5 anos, foi uma das 99 crianças beneficiárias da iniciativa de Baltazar Franque.

A iniciativa “cabeça, coração e mão” que para Baltazar Franque significa “saber pensar, praticar com amor tudo que se aprende e pegar com firmeza os instrumentos usados na aprendizagem. Mas parou há mais de 6 anos por falta de fundos”.

As crianças viviam na residência de Baltazar Franque e aprendiam matérias de educação cívica, Língua Portuguesa, Desenhos e Pintura, Higiene Pessoal, Artesanato, e entre outros aprendizados.

Baltazar Franque e sua esposa Maria Duli, considero-os de meus pais. Me educam, me cuidam, lavam minhas roupas desde criança, não consigo mencionar, mas me olham como um filho legítimo, por isso, peço-lhes que continuem com esse coração puro e que Deus os conceda amor para sempre, avaliou Ganizane Quembo.

Em 2016, aquando da “tensão-política-militar, achei melhor que cada família tomasse conta de sua criança. Cada pessoa fugiu para onde achasse seguro. Eu fui à Nhamatanda-sede”. Desde aquela fuga, Baltazar Franque não conseguiu reiniciar a “cabeça, coração e mão”. Aliás, a iniciativa contava com o lucro de sua hortaliça que deixou de ser comprada pela vizinha e maior estância turista, Gorongosa.

 

A sensação de ter iniciado a projecção

Ganizane Quembo é o único que continua nas mãos da família Baltazar e em tempos de férias, regressa para Nhamatanda.

A confirmação de ter iniciado o sonho de Ganizane, começou com o convite especial para participar a celebração do 246º Aniversario da Independência dos Estados Unidos da América, na Embaixada americana, em Moçambique, em 2022. Ali, o adolescente foi a primeira voz da festa ao entoar o Hino Nacional de Moçambique, para depois sua música, “Todos somos diferentes com os mesmos direitos”, deixando lembranças aos presentes. (Muamine Benjamim e Ganizane Quembo).

Jornal Profundus

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