Júlia Wachave com Prémio Mulher de Coragem 2024 da Embaixada dos EUA

A Embaixada dos Estados Unidos em Moçambique atribuiu, na terça-feira (27.03), o Prémio Mulher de Coragem da Embaixada dos Estados Unidos da América (EUA) de 2024, a advogada, defensora dos direitos humanos com foco na Violência Baseada no Género (VBG) desde 2001, e activista social Júlia Wachave pelo trabalho que tem vindo a desenvolver para proteger e advogar pelos direitos das mulheres e das raparigas em Cabo Delgado.

Durante a entrega do prémio, o Embaixador dos EUA para Moçambique, Peter H. Vrooman, com uma voz carregada de admiração, detalhou a jornada incrível de Wachave e o papel que ela tem desempenhado na sensibilização sobre os desafios que as mulheres enfrentam naquela província. “Corajosamente, ela superou sérias ameaças à sua vida,” ele observou, “promovendo e protegendo os direitos humanos das centenas de milhares de mulheres e raparigas de Cabo Delgado. A sua dedicação ajudou a criar um futuro mais seguro e esperançoso para algumas das populações mais vulneráveis do mundo.”

Por sua vez, no acto da recepção do prémio, a Julia Wachave falou sobre as conquistas realizadas e a sua motivação ao longo da sua carreira, deixando uma mensagem emocionante de agradecimento e reconhecimento. “Antes de mais, partilhar este prémio com a minha mãe aqui presente. Estou a trabalhar em Cabo Delgado há mais de 14 anos, e durante estes anos hoje temos acompanhado realidades duras. Trabalhamos para hoje ter estratégias, políticas, e mudar vidas de muitas mulheres”, partilhou a Wachave. “Toda mulher que vem ao mundo vem para realizar os seus sonhos com os seus direitos. Então não podemos tirar o sonho de uma mulher!” Disse a Wachave.

Actualmente, Júlia Wachave é a Directora Executiva da Associação para a Protecção das Mulheres e Meninas (PROMURA) em Cabo Delgado e foi anteriormente coordenadora provincial de Cabo Delgado da Rede de Defensores dos Direitos Humanos de Moçambique.

Wachave esteve na vanguarda da prestação de assistência às mulheres deslocadas internamente nos distritos do norte de Cabo Delgado. Em parceria com a ONU Mulheres, Serviços Sociais Provinciais e outros parceiros, prestou uma primeira resposta às mulheres em centros de trânsito com kits de dignidade.

Wachave participou em vários fóruns realizados a nível central para relatar a situação crítica das mulheres e meninas deslocadas pelo conflito em Cabo Delgado.

Este prémio não é apenas um reconhecimento da coragem e resiliência da Júlia. É um farol de esperança para todas as mulheres e meninas em Cabo Delgado e um lembrete poderoso do impacto transformador que uma pessoa pode ter.

A história de Júlia Wachave é um chamado à acção, um grito por justiça, e um hino de esperança para as gerações futuras. (EUA/Profundus PDF).

Seca no vizinho Malawi: País declara desastre nacional

Malawi segue a Zâmbia ao declarar no fim-de-semana estado de calamidade devido à seca em 23 dos seus 28 distritos, enquanto o El Niño traz fome à África Austral. O presidente Lazarus Chakwera disse que o país precisa urgentemente de mais de 200 milhões de dólares em assistência humanitária, menos de um mês depois de a vizinha Zâmbia também ter pedido ajuda. Malawi é o último país da região a ter o seu abastecimento alimentar prejudicado por um grave período de seca que tem sido associado ao fenómeno climático El Niño.

O terceiro país, o Zimbabwe, também viu grande parte das suas colheitas dizimadas e está a considerar seguir o exemplo, sublinhando as preocupações levantadas pelo Programa Mundial da Alimentação no fim do ano passado de que numerosas nações da África Austral estavam à beira de uma crise de fome devido ao impacto do mesmo fenómeno. O PMA disse que já havia quase 50 milhões de pessoas no Sul e em partes da África Central enfrentando insegurança alimentar, mesmo antes de ocorrer um dos períodos mais secos em décadas.

A USAID, a agência de ajuda do governo dos EUA, disse que mais de 20 milhões de pessoas na África Austral precisariam urgentemente de ajuda alimentar no início de 2024, em parte devido ao efeito El Niño. O mês passado foi o Fevereiro mais seco dos últimos 40 anos na Zâmbia e no Zimbabwe, de acordo com o monitor sazonal do PMA, enquanto Moçambique, Malawi e partes de Angola registaram “graves défices de precipitação”.

Milhões de pessoas na África Austral dependem dos alimentos que cultivam para sobreviver. O milho, alimento básico da região, foi gravemente afectado pela seca. El Niño é um fenómeno climático natural e recorrente que envolve o aquecimento da superfície do mar em partes do Oceano Pacífico. Tem impactos no clima global, incluindo a causa de chuvas abaixo da média na África Austral. Alguns cientistas afirmam que as alterações climáticas estão a tornar os El Niños mais fortes e os seus impactos mais extremos.

Entre  os anos 2015 e 2016, o El Niño também trouxe uma grave seca para a África Austral, a pior da região em 35 anos, de acordo com o Gabinete das Nações Unidas para os Assuntos Humanitários. Os seres humanos não são os únicos afectados, com autoridades de conservação no Zimbabwe a relatarem a rara ocorrência de pelo menos 100 elefantes que morreram num parque nacional no fim do ano passado devido à secagem de poços de água durante a seca.

Antes dos anúncios nacionais de catástrofe por parte do Malawi e da Zâmbia, o PMA e a USAID já tinham lançado um programa para alimentar para 2,7 milhões de pessoas nas zonas rurais do Zimbabwe que enfrentavam escassez de alimentos – quase 20% da população daquele país.

A instituição de caridade britânica Oxfam afirmou este mês que mais de 6 milhões de pessoas na Zâmbia, 30% da sua população, enfrentam agora uma grave escassez de alimentos e desnutrição, faltando um ano para a próxima época de cultivo.

O Presidente do Malawi, Lazarus Chakwera, disse que viajou pelo país para inteirar-se do impacto da seca, e uma avaliação preliminar do governo concluiu que cerca de 44% da colheita de milho falhou ou foi afectada, e 2 milhões de famílias foram directamente afectadas. Ele disse que o país, de 20 milhões de habitantes, precisa de cerca de 600 mil toneladas métricas de ajuda alimentar e apelou à ajuda da comunidade internacional.

Malawi tem sido repetidamente atingido por extremos climáticos nos últimos anos, enfatizando como alguns dos países mais pobres e vulneráveis do mundo estão a sentir os piores efeitos das alterações climáticas, apesar de serem os que menos contribuem para as emissões globais. O ciclone Freddy matou centenas de pessoas no Malawi no ano passado, um de uma sucessão de fortes ciclones que devastaram várias partes da África Austral nos últimos cinco anos.

No início de 2022, tempestades tropicais e inundações contribuíram para o pior surto de doença transmitida pela água, a cólera, no Malawi. Mais de 1.200 pessoas morreram devido ao surto que durou meses, segundo a Organização Mundial da Saúde. A Zâmbia também vive, actualmente, um grande surto de cólera. (The Independent).

Oposição “venceu”: Senegal elegeu o mais novo Presidente da sua história

Depois de o seu principal adversário, Amadou Ba, ter aceitado a derrota, Bassirou Diomaye Faye já fala como Presidente eleito e para dizer que o Senegal continuará a ser “um aliado seguro e fiável”.

O nome do partido é, por si só, um bilhete de identidade: PASTEF – Patriotas Africanos do Senegal pelo Trabalho, Ética e Fraternidade. O seu candidato presidencial, Bassirou Diomaye Faye, de 44 anos, era relativamente desconhecido há menos de um ano, agora vai suceder a Macky Sall como Presidente do Senegal, depois de vencer as eleições de 24 de Março na primeira volta.

Os resultados definitivos da votação de domingo ainda não foram divulgados, mas o seu principal rival na corrida, o ex-primeiro-ministro Amadou Ba, congratulou-o pela vitória na segunda-feira.

Mesmo sem resultados finais oficiais, Diomaye Faye, o principal candidato da oposição no Senegal, discursou na segunda-feira (2.03), como o novo Presidente do Senegal, dizendo que “o povo senegalês escolheu romper com o passado, para dar corpo às imensas esperanças suscitadas pela nossa visão da sociedade.”

“Comprometo-me a governar com humildade e transparência e a lutar contra a corrupção a todos os níveis. Comprometo-me a dedicar-me plenamente à reconstrução das nossas instituições e ao reforço das bases do nosso modo de vida em comum”, prometeu Diomaye Faye.

Com mais de 90% dos votos contabilizados, Faye, o candidato antissistema, soma cerca de 54% da preferência dos 7 milhões de senegaleses chamados a votar no passado domingo, deixando para trás o maior rival nesta corrida presidencial, Adamou Ba, que obteve 36%.

 

Quem é Bassirou Diomaye Faye

De inspector fiscal, passando por recluso, agora Presidente do Senegal. Este foi o percurso de Bassirou Diomaye Faye. Nascido na década de 80, em Ndiaganiao, no centro-oeste do Senegal.

Antes de entrar na política, Faye trabalhou como inspector fiscal no Departamento de Impostos e Propriedades do Governo, onde foi fundamental para a formação de um sindicato e onde conheceu Ousmane Sonko, o rosto da oposição senegalesa.

Em abril de 2023, Faye foi detido sob a acusação de difundir notícias falsas, desacato ao tribunal e difamação de um organismo constituído, por causa de uma publicação nas redes sociais. Três meses depois, foi a vez de Sonko ser detido por um crime sexual, mas também por incitamento à insurreição, associação criminosa no âmbito de um projecto terrorista e atentado à segurança do Estado.

Faye e Sonko foram libertados no dia 14 de março, dias antes da votação, após a aprovação de uma lei de amnistia este mês.

Bassirou Diomaye Faye apresentou-se como uma figura antissistema, tendo sido a escolha do Patriotas Africanos do Senegal para o Trabalho, a Ética e a Fraternidade, para representar a oposição, perante a impossibilidade de Sonko concorrer às eleições presidenciais.

Quis a ironia do destino que Faye, no dia em que celebrou 44 anos de vida, fosse pré-anunciado como o novo Presidente do Senegal. Ao discursar na segunda-feira ao país, fez questão de lembrar o nome de Sonko e não esqueceu o fardo social, causado pela crise política nos últimos meses:

“Esta eleição teve lugar num contexto marcado por uma crise pré-eleitoral que custou vidas, deixou muitos feridos e viu muitos patriotas serem presos. Pretendemos virar esta página, reconciliar os corações, reconciliar o povo senegalês, e começar a trabalhar sem descanso para marcar e realizar as esperanças suscitadas pela minha eleição e pelo projecto que levo por diante. Reservo uma menção especial para um homem. Acho que não preciso de o mencionar. É o Presidente Ousmane Sonko.”

 

Mundo saúda novo presidente

Diomaye Faye aproveitou também para se dirigir à CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental) e à comunidade internacional, afirmando que o Senegal será um “amigo e aliado seguro e fiável” para os países dispostos a estabelecer uma “cooperação virtuosa, respeitosa e mutuamente produtiva.”

Um pouco por todo o mundo vão chegando reacções à eleição de Faye. O Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, felicitou Faye pela vitória, desejando votos de sucesso para o seu mandato. Da Europa, chegou a felicitação do Presidente de França, Emmanuel Macron, que através das redes sociais manifestou estar ansioso por trabalhar com o novo Presidente do Senegal. Já os Estados Unidos da América reagiram a esta eleição como uma vitória da democracia no país africano.

Aconteça o que acontecer, fez-se história nestas presidenciais do Senegal. Bassirou Diomaye Faye tornar-se-á no mais jovem Presidente do Senegal, o quinto da história deste país da África Ocidental com 18 milhões de habitantes. E a confirmar-se os resultados provisórios, será a primeira vez, em 12 eleições presidenciais por sufrágio universal, que um candidato da oposição vence à primeira volta no Senegal. (Profundus, Público/Estamos Juntos).

EUA projectam inclusão de pessoas com deficiência na acção climática

Os Estados Unidos da América (EUA), através da sua Agência para o Desenvolvimento Internacional (USAID, sigla inglesa), anuncia um novo programa destinado a fornecer informações sobre ferramentas de defesa contra as mudanças climáticas para pessoas com deficiência em Moçambique.

O objectivo deste projecto é facilitar o acesso a informações sobre sistemas de preparação para emergências e mudanças climáticas para pessoas cegas, surdas ou com outras formas de deficiência. Intitulado Resiliência e Capacitação para Acção contra as Mudanças Climáticas por Organizações de Pessoas Portadoras de Deficiência (RECADO).

O programa é liderado pela Associação TV SURDO em consórcio com o Fórum das Associações Moçambicanas de Deficientes (FAMOD), Associação dos Cegos e Amblíopes de Moçambique (ACAMO), Associação dos Deficientes de Moçambique (ADEMO), entidades governamentais e outros agentes de desenvolvimento.

Moçambique é um dos países mais vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas, com eventos climáticos cada vez mais frequentes tais como ciclones, secas e cheias.

De acordo com o UNICEF, as pessoas com deficiência são geralmente deixadas à margem das discussões sobre políticas, planos e programas que preparam as comunidades para responderem a estes eventos climáticos a nível nacional e subnacional.

RECADO defende a integração dos direitos das pessoas com deficiência no trabalho das entidades estatais e de outros actores-chave.

O projecto irá aumentar o acesso à informação que inclui as pessoas com deficiência e promoverá o envolvimento da comunidade para melhorar a sua capacidade de tomar medidas preventivas contra os choques climáticos. O programa conduzirá investigação e desenvolverá sistemas de recolha de dados para informar as intervenções governamentais no domínio das alterações climáticas e melhorar as técnicas de identificação de pessoas com deficiência consideradas mais vulneráveis aos efeitos das alterações climáticas.

RECADO irá também investir em actividades de capacitação para garantir que as entidades governamentais, organizações de pessoas com deficiência e outras partes interessadas adquiram conhecimentos sobre acções climáticas inclusivas para a deficiência.

O programa, também, criará laços sustentáveis entre estas entidades e as pessoas com deficiência para as incluir activamente nos processos de tomada de decisão, fazendo assim jus à expressão “nada para nós, sem nós”.

A Directora da Missão da USAID, Helen Pataki disse: “Os Estados Unidos estão empenhados em ajudar todas as pessoas com deficiência a participar activamente na vida pública de Moçambique. A inclusão melhora a tomada de decisões e fortalece as comunidades”.

A USAID irá investir 1,1 milhões de dólares ao longo de três anos. O apoio aos direitos das pessoas portadoras de deficiência é uma componente crítica da assistência mais alargada do Governo dos E.U.A. em Moçambique.

Em estreita colaboração com o Governo da República de Moçambique e a sociedade civil, o Governo dos E.U.A. fornece mais de 700 milhões de dólares em assistência anual para melhorar a qualidade dos cuidados de saúde, educação, promover a prosperidade económica e a estabilidade, em apoio ao desenvolvimento geral da nação.

A USAID lidera o desenvolvimento internacional do Governo dos EUA e a assistência em caso de catástrofe através de parcerias e investimentos que salvam vidas, reduzem a pobreza, reforçam a governação democrática e ajudam as pessoas a sair de crises humanitárias. (EUA/Profundus).

Gorongosa conectando raparigas locais com modelos inspiradoras

Apoiar as mulheres é essencial para a construção de um mundo pacífico, próspero e sustentável. Quando as raparigas vulneráveis vêem e podem aceder a modelos de comportamento relacionáveis, abre-se um mundo de oportunidades, promovendo o crescimento sustentável, economias mais saudáveis e maiores benefícios para o ambiente, a sociedade e a humanidade em geral.

Concebida para inspirar, uma brochura actualizada de mulheres-modelo da Gorongosa traz as histórias de 30 mulheres para os nossos Clubes de Raparigas, despertando pensamentos sobre possibilidades e inspirando as raparigas a explorar os diversos caminhos de carreira disponíveis para elas no mundo de hoje.

Liderados por 238 jovens de ambos os sexos e orientados por 1.200 madrinhas, estes clubes são uma fonte de empoderamento e inspiração, um lugar onde as raparigas são encorajadas a sonhar alto, alcançar as estrelas e, como jovens mulheres, emergirem como líderes moçambicanas do futuro. (PNG/Profundus PDF).

Chemba: Cerca de 60 beneficiários de insumos agrícolas

A maior parte da população da província de Sofala, vê os seus sonhos reduzidos em más espectativas através do fenómeno El Niño, em Chemba, mas o projecto Sustenta tentar devolver o sorriso a uma parte da população, reforçando-lhe com insumos agrícolas.

É um lote de 4.012 de insumos agrícolas de diversas espécies para agricultores locais.

Cerca de 60 produtores de agricultura familiar já são beneficiários de sementes de milho, enxadas, feijão – nhemba, pulverizadores, sementes de hortaliças e pesticidas.

Na ocasião, o administrador de Chemba, Bento Zeca instou aos beneficiários a valorizarem os esforços do sector da agricultura. (Rosário Phoinde Ntepa/Profundus PDF).

Paróquia Imaculada Conceição – Nhamatanda: Monumento distrital que muitos desconhecem

A Paróquia Imaculada da Conceição de Nhamatanda é um momento no distrito. Ali está reservada uma realidade passada que tantos desconhecem e as visitas não são apenas no contexto religioso. O coordenador paroquial recorda, em detalhes, os tempos desde 1985.

De “Bambu Crick” a“Nhamatanda” Historicamente, Nhamatanda teve muitos nomes. No início de sua cronografia, era conhecido como “Bambu Crick”. No dialecto local de Chisena, significa “Senhor Crick” – uma referência a um britânico, proprietário de terras na área.

Falantes de inglês, no entanto, se referem ao lugar como “Bambu Creek”, uma referência a um pequeno rio, perto da vila. Que nome primeiro é desconhecido, e muitos moradores da área referem-se variavelmente a essas diferentes histórias. Nova Fontesvila, o nome dado para o lugar pelos portugueses (que habitavam na região, juntamente, do britânico).

Os nomes da Nova Fontesvila e Bambu Crick existiam, simultaneamente. Na década de 1920, foi oficialmente, renomeada para “Vila Machado”, uma referência ao engenheiro português responsável pela construção da estrada de ferro da Beira para Harare. Refere-se ao facto de que a ferrovia foi construída por meio de um grande bosque de árvores que precisaram de ser cortadas por machados.

O nome actual “Nhamatanda” foi dado em 1975, pós-independência de Moçambique. Deriva do nome do rio local.

Em língua local chisena, a palavra Nhamatanda, pode ser derivada a partir de palavras com o significado de “grandes troncos”. É dito que o rio era forte o suficiente para passar grandes troncos de seu comprimento, antes da construção de barragens.

Nos tempos de “Bambu Crick”, era antes de existir o edifício da Paróquia Imaculada da Conceição.

 

Paróquia Imaculada da Conceição além da religião

A Paróquia Imaculada da Conceição – Nhamatanda, está localizada a Norte com o distrito de Gorongosa, a Leste com o distrito do Dondo, a Sul com o distrito do Búzi, a Noroeste com os distritos de Chibabava e a Oeste com o distrito de Gondola da vizinha província de Manica.

O catequista, vulgarmente, chamado por coordenador Paroquial, Pedro Janela, está naquele estabelecimento desde 1985 e recorda os tempos em detalhes.

“Em 1931, construiu-se a igreja e nascia também a evangelização” disse Janela, para proliferar a fé no distrito de Nhamatanda.

O edifício histórico da Igreja Católica de Nhamatanda é o fruto da colonização portuguesa, como tantas instituições existentes no distrito. Depois da independência de Moçambique, as obras portuguesas passaram a ser nacionalizadas. Aquela igreja teve a mesma “sorte”, mais tarde passou a exercer duplas funções: uma de servir de sala de aulas em meios de semana, e a outra de casa de culto nos finais de semana.

Até 1983, a Paróquia Imaculada da Conceição não tinha padre residente. Um ano depois, “já vinham os padres de Dondo, pois, a igreja já pertencia à Comunidade Santa Ana de Dondo.

Segundo Pedro Janela “até 1985, nós estávamos a depender do distrito de Dondo, porque na altura que me referi antes, a Paróquia Imaculada da Conceição pertencia à missão de Amatongas”, na província vizinha de Manica, onde era controlada por padres franciscanos.

O primeiro padre foi Manuel Chuanguira Machado, depois, transferido o bispo de Gurúe. Mais tarde os padres, assistente Fernando Peres Perieto- missionário da África; Gama, da Companhia de Jesuítas; José Augusto Alves de Sousa, de Jesuítas; José Manzenza, dos Sagrados dos Corações; padre Odilo, missionário da África; João Maria Vanden Boche, dos Sagrados dos Corações, sucessivamente, além de irmãs. Depois veio o Padre Matias Mulumba Kyimba-do Clero Diocesano da Beira, que foi o primeiro Pároco, aquando da criação da Paróquia Imaculada Conceição e era Coadjuvado pelo Pe. Júlio Joaquim Muendoassua-Diocesano e o seminarista António José Ticaqui Augusto em experiência pastoral naquela comunidade Paroquial. Depois destes, a igreja passou a ter padres residentes. O primeiro pároco residente foi Pe. Lourito António Chingore Cabeque, depois Pe. Adelino Fernandes Correia Fernandes, seguiu o Pe. Justino, Alexandre e passou a ter padres assistentes ou administradores paroquiais em linguagem católica, Jorge Joaquim Pinho, Meque e desde janeiro de 2024, está o Padre António José Ticaqui Augusto, como Pároco residente a assistir a Paróquia Imaculada Conceição – Nhamatanda.

Para os católicos, por um lado, a igreja faz lembrar aos mais velhos o que, exactamente, significou e significa na “formação de muitos cristãos, alguns destes podem estar a exercer funções ao nível da Diocese” a partir da Paróquia Imaculada da Conceição. E para a sociedade, aquele património faz lembrar aos mais velhos o que, exactamente, aquele lugar representa, e fazer com que a nova geração saiba”, avaliou o professor reformado Pedro Janela.

Na independência de Moçambique, não há como não falar do papel da igreja católica.

Entretanto, “sendo um edifício histórico e que não está a ser usado para missas, [a Paróquia Imaculada da Conceição] enfrenta desafios. O primeiro desafio é não apagar a imagem desse edifício. Não podemos deixá-la cair”, exortou.

“Apesar da Diocese nos apoiar [financeiramente], o cristão, também é responsável pela manutenção e conservação. Nas nossas missas, reservamos ofertório para apoiar à renovação [do património], mas os fundos não são suficientes”, disse Janela, para convidar “quem quiser visitar, estamos de portas abertas”, preferivelmente aos sábados.

A camada juvenil, independentemente, de religião, também é convidada a ouvir a história da Paróquia Imaculada da Conceição, pois falar dela é mexer Nhamatanda. “E aquele que tiver força pode nos dar mão [ajuda], incluindo sugestões, está bem-vindo. A igreja é de todos”.

Há previsão de se mudar de nome da Paróquia Imaculada da Conceição de Nhamatanda para Paróquia Imaculada de Maria de Nhamatanda.

No dia Internacional de Monumentos e Sítios, 18 de Abril, a Paróquia Imaculada da Conceição de Nhamatanda não escapa visitas.

Além da Paróquia Imaculada da Conceição de Nhamatanda, o distrito tem outros locais históricos, nomeadamente, Base Mucuzi-Zambassira, na localidade de Chirassicua; Base Kufa Kulipo, na localidade de Metuchira, Quartel Subterrâneo, vila sede; e Águas quentes de Mucuzi. (Muamine Benjamim).

Ilha de Moçambique: Antigo vice-presidente da Assembleia Municipal violentado supostamente por discordar liderança de Ossufo Momade

Segundo denuncia o Centro para Democracia  e Direitos Humanos (CDD), um vídeo amador posto a circular nas redes sociais da internet desde a manhã de sexta-feira, 15 de março, mostrando  pelo menos dois membros da Renamo, um dos quais tratado por general, numa sessão de violência colectiva  a Issufo Mussa Matano, um antigo vice-presidente da Assembleia Municipal da Ilha de Moçambique pela Renamo, está a chocar os amantes da democracia e dos direitos humanos e todas as pessoas de bem.

No vídeo, com aproximadamente quatro minutos, um homem,   que aparenta ter mais de 50 anos de idade, aparece sentado no chão e descalço, com sinais de agressão. No fundo ouvem-se, pelo menos, três vozes, incluindo de quem está a filmar, a ameaçarem o homem por razões políticas, nomeadamente por alegadamente estar a organizar reuniões com jovens na sua residência e por desrespeitar a chefe dele (presume-se que se trata de Abiba Aba, delegada política da Renamo em Nampula).

Durante os cerca de quatro minutos, o homem é ameaçado com recurso a um pau, num exercício que parece de busca de alguma confissão, que remete a “modus operandi” de grupos mafiosos que recorrem à tortura para obtenção de informação.

O acto bárbaro tem lugar numa altura em que a direcção do maior partido da oposição é acusada  de perseguição a todos os membros da Renamo que não concordam com a liderança do actual presidente, Ossufo Momade, tido como um dirigente fraco.

As cenas do vídeo, para além de violarem bens jurídicos, como a vida e integridade física, direitos humanos e fundamentais, revelam uma postura anti-democrática por parte da actual liderança que parece ter a tendência de recorrer à violência, sevícias, ameaças e abuso de poder para afastar opositores internos.

“…você sabe muito bem do que a gente está a falar. Na sua casa fazem-se reuniões e nós temos conhecimento. Você pode tentar criar mecanismos de se defender ”, diz um dos homens no vídeo.

“Na minha casa não se faz reunião. Ontem à tarde é que passaram quatro pessoas porque estava a chover e mais nada. Walai (juro), eu fico sempre na zona continental nas obras”, retorquiu a vítima que veste calças jeans azuis e uma camisete branca.

“…você percebe muito bem que nós estamos a sofrer por sua causa?”, questiona um dos agressores, apontando a vítima com um pau que, desesperada, volta a dizer que não faz reuniões na sua residência.

Só que a resposta não convenceu o homem que exibe o pau. “O senhor faz. Aquelas pessoas com as quais o senhor colabora são pessoas que pelo menos percebem o ponto de situação que o senhor sempre tem aprontado”, diz. E a seguir dá ordens para a vítima se deitar.

“Pode-se deitar mais um pouco, queremos lhe saborear mais”, ordena. “Estou a pedir desculpas. Walai bilai”, suplica a vítima.

“Senhor, não me obrigue a lhe bater onde eu não gostaria. Eu vou-lhe bater na cabeça”, diz um dos agressores. E o outro pergunta: “Você vai aceitar ser batido na cabeça?”

“Deite-se aí, deite-se. Eu quero ter uma lembrança minha”, ordena aquele que parece ser o chefe do grupo perante os pedidos de desculpas da vítima ignorados.

“Se não está a acontecer [porrada] é porque sabemos que o senhor é de idade. Por que é que não respeita a sua chefe que quando fala uma coisa o senhor contraria?”, Pergunta um dos agressores tratado por general.

“A minha casa na praia do Chocas Mar vou dar ao partido”, declara o homem visivelmente apavorado devido ao ambiente de violência a que era submetido.

O vídeo não mostra cenas de violência física, mas no desenrolar do mesmo, principalmente na parte onde o homem tratado por general diz “Pode-se deitar mais um pouco, queremos lhe saborear mais”, fica claro que antes da filmagem o homem foi submetido a violência física. Segundo apurámos, o assunto já é de conhecimento das autoridades, mas Issufo Missa Matano está em parte incerta por temer o pior.

 

Momento sombrio na Renamo de Ossufo Momade

A cena do vídeo tem lugar numa altura em que a Renamo vive uma das piores fases da sua existência que começou com a contestação a Ossufo Momade por parte da ala militar, que alega que o actual presidente tinha abandonado a linha de negociação do falecido líder da “Perdiz”, Afonso Dhlakama, no que tange ao processo de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração. A crise agravou-se a seguir às eleições autárquicas de 2023, em que a Renamo perdeu cinco dos nove municípios que governava, não obstante ter havido uma fraude monumental.

A forma como Ossufo Momade geriu a crise pós-eleitoral é que agudizou a crise interna. Lembre-se que depois de convocar manifestações para todo o país contra a fraude, o presidente da Renamo foi visto por duas vezes nas ruas e depois sumiu, tendo de seguida abandonado a contestação sem qualquer declaração pública.

Numa entrevista recente ao semanário “Canal de Moçambique”, o ex-edil de Nacala-Porto, Raul Novinte, disse que Ossufo Momade deu ordens às vozes mais contestatárias da fraude, nomeadamente Paulo Vahanle, Venâncio Mondlane e o próprio Novinte para pararem com as manifestações. No pico das manifestações, Raul Novinte e Paulo Vahanle foram alvos de processos judiciais que culminaram com prisões domiciliárias para os dois, na altura, edis de Nacala e Nampula, respectivamente.

A residência de Venâncio Mondlane foi cercada pela Polícia. Ossufo Momade não se pronunciou sobre esses eventos. Quando o Conselho Constitucional ordenou a repetição das eleições em algumas mesas em Nacala-Porto, Raul Novinte não aceitou aderir ao processo, desrespeitando uma ordem de Ossufo Momade que era acusado de ter recebido dinheiro da Frelimo para aceitar os resultados fraudulentos. A partir daí, Ossufo Momade sentiu-se ferido e ordenou a destituição do delegado político em Nacala-Porto e de outros pontos do país onde sentia que não tinha controlo, principalmente, depois das críticas que se seguiram às declarações do porta-voz deste partido, José Manteigas, segundo as quais, Momade é a única figura, na Renamo, com perfil para ser candidato a Presidente da República.

Na mesma entrevista, Raul Novinte denunciou a tortura de jovens por ordens de Abida Aba (delegada política em Nampula), alegadamente por desobedecerem ordens da liderança da Renamo e por manifestarem apoio à intenção de Venâncio Mondlane de se candidatar à presidência da “Perdiz”. Disse ainda que entre dezembro de 2023 e janeiro de 2024 foi forçado a uma renúncia antecipada da gestão municipal por ordens de Abiba Aba.

Neste momento, a Renamo está mergulhada num caos autêntico, com a liderança a ser mais uma vez contestada por não mostrar interesse em organizar o Congresso que deve eleger a nova liderança partidária. Visto o contexto, a violência praticada contra Issufo Missa Matano não parece um acto isolado, mas uma tendência da actual liderança que parece estar a fazer de tudo para se manter no poder à margem das regras democráticas Ossufo Momade é tido como um dirigente fraco que não reúne condições para dirigir a Renamo enquanto uma força que se diz ser alternativa ao poder.

A aproximação de Momade ao Presidente da República, Filipe Nyusi, que é também presidente da Frelimo, está a levantar suspeitas de que para além de ter sido corrompido para desistir da luta contra a fraude, criou condições para a Renamo ser controlada pela Frelimo

As cenas do vídeo, para além de violarem bens jurídicos, como a vida e a integridade física, direitos humanos e fundamentais, porque inscritos na Constituição da República, revelam uma postura anti-democrática por parte da actual liderança que recorre à violência, sevícias, ameaças e abuso de poder para afastar opositores internos. (CDD).

Nhamatanda: Mulher escapa morte por linchamento em Mafufo

Uma mulher de aparentemente 30 anos de idade foi espancada e queimada, chegando a escapar à morte depois de uma intervenção de um agente policial que controla o processo de recenseamento eleitoral na zona de Mafufo, posto administrativo de Siluvo, em Nhamatanada.

Hoje, por volta das 14 horas, uma parte da população de Mafufo, com paus, bambus, gasolina e fogo, agrediram brutalmente, a jovem no Mercado Limpo, por alegadamente, fazer parte de quadrilha de bandidos que aterrorizam o local.

A população alegava que tratava-se de uma senhora conhecida no posto administrativo de Muxúngue, vizinho distrito de Chibabava, por sequestrar pessoas. Mas depois de espancarem-na, começaram a contradizer.  Ninguém assume que realmente é ou não é ela.

Ao acudir, o agente era visto como alguém que cooperava com a suspeita, quando tratava-se de acto de heroísmo para garantir “a ordem e tranquilidade públicas”.

Pelas imagens que o “Profundus” teve acesso, é possível ver a mulher despida, no chão a clamar, com partes do corpo queimadas, depois com roupas sentada e sinais de sangramento na cara, sendo guarnecida pelo agente da PRM, em circulo da população .

Chegaram até de estragar a viatura da senhora, aliás, bateram no marido.

O reforço da Polícia da República de Moçambique (PRM) apareceu depois da comunicação e a situação já estava amenizada.

A vítima foi encaminhada ao hospital para receber cuidados médicos.

A agressão coincide com a comemoração de 51 anos de fundação da Organização da Mulher Moçambicana (OMM), sob lema ”Mulher Moçambicana pela Unidade Nacional, Paz e Desenvolvimento”. (Muamine Benjamim).

Jornal Profundus

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