Justiça Ambiental destaca dia internacional de acção contra as barragens, pelos rios, pela água e pela vida

Ontem, 14 de março de 2024, dia internacional de acção contra as barragens, pelos rios, pela água e pela vida, a Justiça Ambiental juntou-se às comunidades que vivem ao longo do Rio Zambeze para celebrar este que é o quarto rio mais longo de África!

Sabias que o dia 14 de Março foi celebrado pela primeira vez em 1997, em Curitiba – Brasil, durante o primeiro encontro internacional de pessoas afectadas por barragens? Desde então que é celebrado todos os anos em todos os continentes, por milhares de pessoas que defendem os rios e a vida no planeta.

Sabias que os rios são essenciais à sobrevivência das espécies e à manutenção dos ecossistemas? Os rios e seus deltas são os motores biológicos do planeta, são habitats ricos em biodiversidade. Abrigam uma variedade impressionante de espécies de plantas e animais aquáticos, muitos dos quais não são encontrados em nenhum outro lugar.

Sabias que os rios são a base de sustento de milhões de pessoas que vivem nas suas margens? A pesca e a agricultura nas margens dos rios são os principais meios de subsistência e de geração de renda de muitas famílias rurais em todo o mundo, com técnicas e tradições milenares que são passadas de geração em geração.

Sabias que os rios são uma das principais fontes de água doce do planeta? Fornecem água potável para biliões de pessoas em todo o mundo. Mas a água é um recurso vulnerável e finito, que deve ser protegido.

Sabias que os rios desempenham um papel crítico no controlo de cheias, ajudando a regular o fluxo de água durante períodos de chuvas intensas? Ao contrário do que algumas pessoas pensam, as barragens hidroeléctricas não ajudam a controlar cheias ou secas, pelo contrário, têm a tendência de exacerbá-las, como se verifica há anos a jusante da Hidroeléctrica de Cahora Bassa, no Rio Zambeze. Todos os anos, populações ribeirinhas perdem as suas culturas e bens, não pelo pulsar natural do rio que inclui períodos de secas e cheias, mas pelas descargas da barragem e o fluxo artificial que esta causa.

Sabias que os rios têm uma enorme influência no clima local? Ajudam a moderar a temperatura e a humidade ao longo das suas margens, não só em áreas selvagens e rurais, mas também em áreas urbanas. Os rios são um elemento chave também na mitigação dos efeitos das mudanças climáticas.

Sabias que os rios promovem o bem-estar humano, a cultura e a qualidade de vida? É perto dos rios onde povos e civilizações sempre se instalaram, onde celebramos os nossos rituais e práticas tradicionais, convivemos e relaxamos. Rios atravessam fronteiras, línguas, culturas. Os rios conectam-nos, as barragens dividem-nos!

Sabias que os rios são dos habitats naturais mais ameaçados no planeta? Os rios são ecossistemas frágeis e que devem ser protegidos. Um terço das espécies de água doce está em risco de desaparecerem para sempre. A poluição e as barragens são dois dos factores que mais contribuem para este declínio.

Sabias que a preservação dos rios é fundamental para manter viva a história e a cultura de muitos povos? Muitos povos têm a sua cultura intrinsecamente ligada ao rio que os banha, e os rituais tradicionais não só dependem da proximidade ao rio como são, muitas vezes, uma forma de reverenciá-lo e protegê-lo. Um destes povos ribeirinhos é o povo nyungwe, que vive nas margens do Zambeze em Moçambique.

Sabias que as barragens hidroeléctricas não são energia limpa? Ao contrário do que é promovido pela indústria de barragens, estas infra-estruturas emitem grandes quantidades de metano (um gás de efeito de estufa potente), devido à acumulação de matéria orgânica nos seus reservatórios, que acaba por se decompor. Sem a barragem, esta matéria orgânica fluiria livremente até ao delta, contribuindo para a sua fertilidade. Além das emissões, as barragens são também um meio de expansão progressiva de espécies invasoras (como algas tóxicas e parasitas), alterando o equilíbrio ecossistémico do rio.

Sabias que alguns dos países que mais construíram barragens, estão neste momento a demoli-las? Um total de 2.119 barragens já foram removidas nos Estados Unidos da América desde 1912, com 80 a serem removidas só em 2023! Esta iniciativa visa restaurar o fluxo natural dos rios e proteger o seu precioso ecossistema. Infelizmente, muitos dos países que estão empenhados em demolir barragens nos seus territórios, promovem a sua construção em outros países, como é o caso da França.

Sabias que os rios são um bem comum? Os rios fazem parte do património da humanidade. Não pertencem a ninguém, nem a nenhum Estado – os Estados são apenas guardiães desse património. Ao mesmo tempo, os rios pertencem a todas e todos nós!

Hoje e sempre, reiteramos a nossa luta em defesa de rios saudáveis e que fluem livremente: NÃO à barragem de Mphanda Nkuwa! Pela sobrevivência do Rio Zambeze, seus ecossistemas e suas gentes! (JÁ/Profundus).

Aurora Malene é nova Presidente do Projecto da Restauração da Gorongosa

 

A nomeação de Aurora Malene como Presidente do Projecto da Restauração da Gorongosa e outras pessoas para diversos cargos, são frutos da criação do Conselho de Administração Independente.

O Projecto de Restauração da Gorongosa (“PRG”) é uma parceria público-privada entre o Governo de Moçambique e a Fundação Carr, sem fins lucrativos, dos Estados Unidos da América (EUA), liderada por um Comité de Supervisão. O Sr. Mohamed Harun e o Sr. Greg Carr representam as partes no Comité de Supervisão.

O Comité de Supervisão endossou a criação de um Conselho de Administração para acrescentar uma estrutura de governação ao PRG em rápida expansão.

O Conselho realizou a sua primeira reunião na quarta-feira (06.03). Seis dos sete membros do Conselho são moçambicanos sendo quatro mulheres.

O Conselho seleccionou Aurora Malene como Presidente do PRG.

A impressionante carreira de Aurora abrange mais de 25 anos em Finanças de Desenvolvimento e Bancos Comerciais.

Ao longo de sua carreira, Aurora Malene ocupou diversos cargos de presidente de conselhos e comités, priorizando valores ambientais, sociais e de boa governança e uma gestão eficaz de riscos.

Aurora demonstra um histórico de sucesso em gestão de projectos e captação de recursos.

Aurora possui um Mestrado em Finanças de Desenvolvimento pela Universidade de Stellenbosch e certificação em Gestão de Projectos pela Universidade da Cidade do Cabo.

O PRG gere o Parque Nacional da Gorongosa (PNG) em colaboração com o Ministério da Terra e Ambiente e apoia os Ministérios da Educação, Saúde e Agricultura numa Zona de Desenvolvimento Sustentável (ZDS) que rodeia o Parque, cobrindo mais de 600.000 hectares.

A ZDS abriga uma população de mais de 200.000 pessoas.

 

Quem mais, além de Aurora Malene?

Greg Carr é membro do Comité de Supervisão e Presidente da ONG americana “Gorongosa Project”, anteriormente conhecida como Carr Foundation. A ONG moçambicana chama-se Projecto de Restauração da Gorongosa que passará a ser presidida por Aurora Malene.

Para além da Sra. Malene, os demais membros do Conselho do PRG são:

Directora Nacional da ONG Flora & Fauna, Claudia Sucá;

Administrador Executivo da Fundação Joaquim Chissano, Henrique Banze;

Administrador Executivo da Reserva de Karingani, Mateus Mutemba;

Ex-Directora do sector de recursos e desenvolvimento comunitário, Michelle Lawrence;

Administrador da Tensai Industria e Administrador Executivo da Inspired Orbit, Miguel Chaves;

Activista social e pesquisadora com foco em direitos humanos, Terezinha da Silva.

 

Responsabilidades do Conselho de Administração Independente

A responsabilidade do Conselho é garantir as melhores práticas dentro do PRG em termos de emprego, equidade de género, gestão ambiental, desenvolvimento comunitário e política financeira.

O Conselho ratificará o orçamento anual e o plano de acção do PRG, desenvolvidos pela equipa de gestão sénior. No final do exercício financeiro, o Conselho realizará uma análise abrangente dos resultados financeiros e outros documentos necessários, conforme exigido por lei, partilhando as suas conclusões com o Comité de Supervisão.

O relatório do Conselho deverá ser disponibilizado a todas as partes interessadas do PRG.

 

Missão e Visão

O PRG protege um dos mais importantes reservatórios de biodiversidade do mundo, o extremo sul do Grande Vale do Rift de África – do rio Zambeze ao rio Pungué – incluindo a Serra da Gorongosa e as margens leste e oeste do Rift. Esta região rica em biodiversidade é um tesouro mundial. Beneficiará os humanos durante séculos e milénios vindouros. Somos uma fonte de desenvolvimento económico baseado na natureza para as comunidades que partilham o grande ecossistema do Parque e somos um modelo para o desenvolvimento sustentável em África.

O Projecto de Restauração da Gorongosa procura integrar a conservação e o desenvolvimento humano com o entendimento de que um ecossistema saudável beneficiará os seres humanos, que por sua vez serão motivados a apoiar os objectivos do Parque Nacional da Gorongosa.

Chemba: De 2 para 5 crocodilos “problemáticos” abatidos

Finalmente, o Governo de Chemba deu aval para o abate de crocodilos supostamente problemáticos. A reacção surge depois da população amotinar-se em frente ao edifício do novo administrador do distrito, Bento Zeca.

Por volta das 15 horas da segunda-feira (11.03), uma hora depois da reportagem do “Profundusmz.com”, uma equipa multissectorial fez-se ao vale Zambeze, ali próximo às comunidades do distrito de Chemba, local habitual de ataques de crocodilos.

Nas bermas do rio Zambeze, os representantes do Governo, a população de Chemba e imprensa estiveram diante dos quatro malawianos a tentarem capturar os supostos crocodilos supersticiosos. Mas resultou num fracasso à tarde, mesmo depois de um crocodilo ter engolido a isca por anzol. A caça continuou.

Por volta das 21 horas, os malawianos apresentaram dois crocodilos, tirando da água pelas iscas com anzóis para serem abatidos pela polícia. E no dia seguinte, terça-feira, mais dois foram abatidos.

 

Quem são os que abateram os crocodilos?

O jovem António Chinkhono, de 29 anos de idade, é o chefe do grupo de quatro homens, todos malawianos.

São os mesmos homens que há dias, foram reportados pela media que teriam matado um crocodilo em Tambara, na província vizinha de Manica. E eles contam “25 crocodilos” só naquele distrito, segundo António Chinkhono, aliás em Chemba, cinco.

Os quatro crocodilos abatidos foram despedaçados e incinerados. Os “especialistas em conhecimentos tradicionais”, dizem que na barriga dos animais, encontraram “chinelos, esferográfica, ossada e uma garrafa de Royal Gin”. Para eles, eram aquáticos “supersticiosos”. E o outro capturado ontem poderá seguir o mesmo processo.

Os tais chinelos tirados do Estômago

Os malawianos, segundo contam, já vinham fazendo este trabalho desde o país de origem, mas intensificaram as actividades em Moçambique.

Entrevistado pelo “Profundus”, António Chinkhono conta que o grupo consegue capturar os crocodilos através de “anzol com carne de cão”.

“Capturamos só os animais problemáticos supersticiosos”, disse António Chinkhono, avançando que trabalham nas noites ou pela madrugada, tanto que na primeira tentativa da segunda-feira em Chemba, foi um fracasso.

A sua deslocação para qualquer canto depende muito de quem está interessado. No distrito de Chemba por exemplo, os homens foram solicitados pela liderança comunitária.

Mas antes do abate de qualquer animal, na quinta-feira passada (07.03), um crocodilo aterrorizou a população local, ao tentar atacar, chegando até de arrancar uma botija vazia de 5 litros – recipiente usualmente para conservar água.

 

Braço-de-ferro

A cobrança habitual pelo trabalho varia de “20.000 a 25.000 meticais”, mas com quatro crocodilos, os malawianos cobraram 35.000 meticais.

Os malauianos, na quarta-feira não se fizeram ao rio porque o combino dos 35.000 meticais ainda não foram pagos, aliás, António Chinkhono conta que antes de fazerem os trabalhos, foram desafiados na sala de Sessões do Governo de Chemba, durante a qual, depois de estabelecer os preços, um agente económico local, prontificou-se em pagar todo valor sozinho. Era uma aposta, mas depois de capturarem os animais, saiu em defesa de não querer pagar, consequentemente, não foram pescar os crocodilos, um dia.

Para motivar, a população está a contribuir 50 meticais por cada residência para pagar. Esta informação animou, os malawianos, tendo ido ontem quinta-feira, mergulhar os anzóis.

Chinkhono explicou que o Governo também disponibilizou-se em apoiar com moedas.

Apesar de quase se fazer em segredo, os líderes comunitários já estão a cobrar os bairros, 1º,2 º,3 º,4 º, zona de Expansão e Nhachecha.

Habitualmente, segundo conta Chinkhono, sete dias depois abatendo os animais, saem para as respectivas residências fora de Moçambique. Depois aparecerem para dar continuidade dos trabalhos, depois do pagamento.

 

Governo em silêncio

O “Profundus” tentou sem sucesso contactar o respectivo administrador, por sinal, novo no cargo e no distrito. Bento Zeca ainda não reagiu. Mas na primeira entrevista, na semana passada, depois da população amotinar-se na residência daquele dirigente, garantiu que partilharia os contornos.

Enquanto isso, a população contribui os 50 meticais fruto de satisfação pelo abate de crocodilos.

O abate dos crocodilos levanta uma discussão. Uns pela falta de provas de se realmente se trata de animais problemáticos e supersticiosos e se só estes são apenas abatidos, outros, se matar seria a solução dos ataques recorrentemente reportados. Entretanto, a população exigiu abate porque as mortes por aqueles animais aquáticos não deixam sossegado o distrito com escassez de água e que recorre ao rio Zambeze. (Muamine Benjamim e Rosário Phoinde Ntepa).

Tempestade Filipo já entrou em Moçambique e é severa

A tempestade tropical moderada Filipo entrou no país através da província de Inhambane, pelo distrito de Inhassoro, às 5 horas de hoje. O fenómeno evoluiu para tempestade tropical severa.

O Instituto Nacional de Meteorologia alerta que nas próximas 24 horas, o sistema continuará a deslocar-se progressivamente na direcção sudoeste, o que vai afectar as temperaturas com chuvas muito fortes, vento máximo de 90 Km/h e rajadas até 120 Km/h nas províncias de Inhambane, Gaza e Maputo.

Em Inhambane, o alerta vai para os distritos de Homoine, Funhalouro, Inharrine,Jangamo, Mabote, Massinga, Zavala, Morrumbene, Massinga, Vilankulo, Inhassoro, Govuro, Panda e Cidades de Maxixe e Inhambane.

Já em Gaza, serão afectados os distritos de Massingir, Chókwe, Chongoene, Bilene, Limpopo, Mandlakazi, Chicualacuala, Mapai, Mabalane, Chigubo, Chibuto, Guijá, Chongoene e cidade de Xai-Xai.

Manhiça, Marracuene, Boane, Magude, Matutuine, Moamba, Namaacha, Cidades da Matola e Maputo serão os fustigados pela intempérie.

Face à  ocorrência de ventos fortes, trovoadas e chuvas muito fortes, recomenda-se a tomada de medidas de precaução e segurança. (O País).

Chemba: Já mataram dois crocodilos “problemáticos”

Por volta das 15 horas de ontem segunda-feira, uma hora depois da reportagem do Profundus Online, uma equipa multissectorial fez-se ao vale Zambeze, ali próximo às comunidades do distrito de Chemba, local habitual de ataques de crocodilos.

Nas bermas do rio Zambeze, os representantes do Governo, a população de Chemba e imprensa estiveram diante dos quatro malauianos a tentarem capturar os supostos crocodilos supersticiosos. Mas resultou num fracasso à tarde, mesmo depois de um crocodilo ter engolido a isca por anzol. A caça continuou.

Por volta das 21 horas de ontem, os malauianos apresentaram dois crocodilos, tirando da água pelas iscas. Os homens continuam a caçar, já lançaram anzóis na mesma lagoa Ntunga.

Neste momento, os malauianos, segundo dizem, tratando-se de animais supersticiosos, os dois crocodilos capturados estão a ser espedaçados “para ver o que tem na barriga”. Num evento em forma de círculo feito pela população para ver de perto.

O abate dos crocodilos levanta uma discussão. Uns pela falta de provas de se realmente se trata de animais problemáticos e supersticiosos e se só estes são apenas abatidos, outros, se matar seria a solução dos ataques recorrentemente reportados. (Rosário Phoinde Ntepa).

Há risco de ocorrência de inundações no Centro de Moçambique

Face às previsões meteorológicas que apontam para a ocorrência de chuvas fortes e localmente muito fortes, devido à aproximação de Tempestade Tropical, a ARA Centro emitiu ontem segunda-feira, um aviso para as próximas 48 horas com a subida dos níveis de água nas bacias dos rios Namacura, Zambeze, Púngue e Búzi.

Bacia do rio Namacura (risco de inundações moderadas a alto): província da Zambézia (distritos de Namacurra e Nicoadala);

Bacia do rio Zambeze (região do baixo Zambeze) –risco de inundações moderado e alto: província de Sofala (distritos de Chemba, Maringué, Caia e Marromeu); província da Zambézia (distritos de Morrumbala, Nicoadala, Luabo, Chinde, Mopeia, Inhassunge e Quelimane);

Bacia do rio Púngue (risco de inundações moderado a alto): província de Sofala (distritos de Muanza, Gorongosa, Cheringoma, Nhamatanda, Dondo Beira) e província de Manica (distritos de Bárue, Gondola e Macossa);

Bacia do rio Búzi (risco de inundações moderado a alto): província de Sofala (distritos de Búzi e Chibabava);

Igualmente, prevê-se inundações urbanas com destaque para a cidade da Beira, nos bairros Mungassa, Vaz, Ndunda,  Munhava, Matope, Chota, Manganhe 1 e 2, Manga Mascarenhas, Chingussura, Inhamizua e Matadouro.

Também, na cidade de Quelimane, nos bairros 7 de Abril, Coalane II A, Coalane II B, Icidua, Ivagalane, Miranzane, Inhangome, Filipe Samuel Magaia, Aeroporto, Liberdade, Chabo Dembe, Piloto, Manhaua A, Manhaua B, Micajune A e Micajune B.

O público em geral deve retirar-se das zonas de risco de inundações e evitar a travessia dos rios, como medidas de precaução. (Muamine Benjamim).

INCM desmente subida de “tarifas das telecomunicações”

A Autoridade Reguladora das Telecomunicações diz o contrário das notícias segundo as quais haverá aumento de tarifas das telecomunicações, vão manter, apenas serão colocadas “balizas”.

A informação foi partilhada pelo porta-voz do INCM. Massingue Apala falando ontem, domingo (10.03) no Telejornal da Televisão de Moçambique, disse que “na verdade, as tarifas não foram revistas em alta, elas mantêm-se como estão”.

“A tarifa actual do serviço de voz por exemplo custa seis meticais, e dados um metical então o que o regulador fez foi colocar balizas”.

“Há percepção de que o preço subiu, o preço não subiu porque hoje em dia não sabemos, (por exemplo) quanto custa um megabyte, voz por minuto, estas tarifas estão todas nas páginas dos operadores e INCM, então as tarifas não subiram”, disse.

O porta-voz do INCM diz a título de exemplo, que um minuto de voz custa 6,5 meticais, mas os operadores não praticam o preço por estarem focados na estratégia de retenção e atracção de clientes com a redução de tarifas. Aliás, “as tarifas praticadas agora estão abaixo do custo de serviço”.

O INCM tranquiliza: “O mercado é saudável, continuamos sem subir os preços, eles vão continuar os mesmos, o que vai acontecer daqui para frente é que os operadores vão desenvolver pacotes e esses pacotes são aprovados pelo INCM”.

Esta reacção do INCM visa esclarecer a nova Resolução n° 1/BR/CA/INCM/2024 que determina os limites mínimos nas tarifas dos serviços das telecomunicações. (Profundus).

O paraíso fiscal nos EUA que virou ‘capital mundial das empresas fantasmas’

Elon Musk está em pé de guerra com o estado americano de Delaware.

“Nunca registre sua empresa no Estado de Delaware”, escreveu o bilionário americano em mensagem no X, antigo Twitter, em 30 de janeiro.

E ele mostrou que lidera pelo exemplo: duas de suas empresas, Neuralink e SpaceX, anunciaram que não teriam mais sede fiscal no Estado americano.

Em meados de fevereiro soube-se que a Neuralink – que trabalha para conectar cérebros humanos a computadores – registraria seu endereço legal em Nevada (onde X, outra empresa de Musk, já tem sede), e a empresa aeroespacial SpaceX, no Texas.

Resta saber o que acontecerá com a Tesla, motivo pelo qual Musk quer cortar qualquer vínculo com Delaware.

No no final de janeiro, uma juíza de Delaware anulou o pacote salarial que Musk receberia da empresa, de US$ 56 bilhões, o maior pagamento concedido a um CEO de uma empresa de capital aberto na história.

A decisão veio após uma acção judicial movida por accionistas que consideraram o pagamento excessivo. A juíza concordou com eles.

Foi a partir daí que Musk iniciou sua campanha para convencer outras empresas a não estabelecerem domicílio legal no Estado.

Uma batalha difícil, no entanto, pois o Estado há décadas é considerado bastante atraente pelo sector empresarial.

Mais de 60% das empresas que compõem o índice Fortune 500, que inclui as 500 maiores empresas americanas, estão registadas em Delaware. Gigantes como Google, Amazon, Facebook, LinkedIn, Visa, MasterCard ou Walmart, entre muitas outras.

Na verdade, mais de 1,6 milhão de empresas de todo o planeta têm sede legal no Estado.

Mas por que esse pequeno Estado de apenas um milhão de habitantes tornou-se a “capital mundial das empresas de fachada”?

Com uma área de apenas 5 mil quilómetros quadrados (semelhante a Trinidad e Tobago), Delaware nunca se destacou pelo seu potencial económico.

“Assim como agora, o Delaware do início do século 20 não era muito conhecido. O estado manteve um pequeno sector de serviços e uma base industrial ainda menor. Sem recursos naturais reais ou atracções turísticas, o estado sobreviveu tentando absorver negócios daqueles que viajavam entre Nova York e Washington, DC”, diz Casey Michel no livro American Kleptocracy: How the US Created the World’s Greatest Money Laundering Scheme in História (“Cleptocracia Americana: Como os Estados Unidos criaram o maior esquema de lavagem de dinheiro da história mundial”, em tradução livre).

A sorte deste Estado mudou, no entanto, no início do século XX, quando o então governador de Nova Jersey (e depois presidente dos EUA) Woodrow Wilson pôs fim às políticas de desregulamentação que tinham tornado o Estado o mais atraente para se abrir uma empresa no país devido, entre outros motivos, ao facto de não ter que operar no território.

“Delaware estava em uma posição perfeita para tirar proveito da decisão de Nova Jersey.” O Estado desfrutava de muitas das mesmas vantagens geográficas que Nova Jersey, localizado entre as capitais financeira (Nova York) e política (Washington, DC) dos Estados Unidos”, observa Michel, que é director do Programa de Luta Contra a Cleptocracia da Human Rights Foundation.

Delaware não apenas pegou o posto, mas logo começou a implementar novas e ousadas reformas que transformaram o estado num verdadeiro imã para as empresas.

O Estado liberou as empresas do pagamento de impostos estaduais e autorizou-as a reembolsar seus directores pelas despesas incorridas ao terem que se defender legalmente das exigências de um accionista.

Mas, além disso, de acordo com Michel, Delaware contava com uma vantagem essencial para manter sua liderança como centro extraterritorial global até hoje: o Corte de Chancelaria, “tribunal de equidade” de Delaware.

Tribunal comercial mais antigo dos Estados Unidos, foi criado em 1792 e desde então tem sido uma fonte inesgotável de jurisprudência especializada em direito societário.

“O tribunal revelou-se uma arma fundamental no arsenal pró-corporativo de Delaware, uma ferramenta que nenhum outro Estado poderia igualar .”

Como descobriram académicos americanos, o tribunal a nível estatal proporcionou “poder judicial especializado e capacidade para resolver rapidamente disputas comerciais complexas”, dando a Delaware uma fonte de jurisprudência empresarial muito mais forte do que qualquer outro Estado do país,” explica Michel.

Como se isso não fosse o suficiente, as facilidades oferecidas pelo Estado para registar uma empresa são difíceis de serem superadas.

É possível abrir uma empresa em apenas uma hora, por US$ 1 mil. E esse tempo pode cair pela metade se você tiver disposto a pagar mais US$ 500.

Além disso, o registo pode ser feito Online, sem que seja necessário pisar em Delaware.

Assim, não surpreende que uma média de 683 empresas se registem em Delaware todos os dias, gerando uma renda anual de US$ 1,5 bilhão para o Estado.

 

Um pequeno e exótico paraíso fiscal

Entre as facilidades oferecidas por Delaware para a criação de empresas há uma, em particular, que tem tornado o Estado alvo de inúmeras críticas: a possibilidade de constituir uma empresa de forma anónima.

“Não precisamos dizer que somos os donos da empresa. Podemos criar anonimamente uma sociedade de responsabilidade limitada (LLC). E não precisamos mostrar nenhum tipo de identificação para estabelecê-la”, explicou Hal Weitzman no podcast Big Brains da Universidade de Chicago.

Weitzman é professor da universidade e autor do livro “O quê que há com Delaware? Como o primeiro Estado favoreceu os ricos, os poderosos e os criminosos – e como isso custa a todos”.

A maioria (70%) das empresas que se registam em Delaware a cada ano são LLCs e, segundo Weitzman, o que influencia a política do Estado de não solicitar informações que identifiquem os proprietários “porque essas LLCs não precisam relatar nada a ninguém”.

Essa possibilidade de anonimato fez com que Delaware se tornasse um local muito atraente para registar empresas que depois são utilizadas em todos os tipos de operações ilegais no mundo todo.

E as consequências disso repercutem em muitos outros lugares. Segundo especialistas, quem quer lavar dinheiro de actividades ilícitas anonimamente muitas vezes cria uma empresa de fachada em Delaware e, depois, através dela adquire ou investe em outras empresas em outro Estado e /ou país sem que no final seja possível saber quem são os verdadeiros proprietários ou beneficiários.

“Os exemplos são numerosos demais para serem contados. Criminosos internacionais e autoridades estrangeiras corruptas, contrabandistas de armas e caçadores de rinocerontes, traficantes de seres humanos… Todos olham para Delaware”, diz Michel, que chama Delaware de “a maior fonte de empresas fantasmas anónimas que o mundo já viu”.

Entre as pessoas de reputação duvidosa que já recorreram a Delaware está o russo Viktor Bout, conhecido como “o mercador da morte”, um dos traficantes mais conhecidos de armas do mundo.

“Encontrando clientes e sócios da América Central à Ásia Central, desde senhores da guerra na África Subsariana até pessoas que trabalham em estreita colaboração com o Talibã, Bout realizou pelas sombras quase todas as principais transferências ilícitas de armas durante a década de 1990 e início dos anos 2000. Aviões de combate e armas antiaéreas, metralhadoras e facões: os produtos não importavam. A única coisa que importava era transportar a mercadoria para os clientes que as esperavam e garantir que aqueles que o investigavam, incluindo autoridades americanas, nunca descobrissem as redes financeiras que facilitaram o trabalho de tráfico de armas de Bout”, diz Michel.

Duas das empresas de fachada utilizadas por Bout estavam registadas em Delaware.

Mas não são apenas os grandes criminosos internacionais que recorrem a empresas de fachada em Delaware para ocultar operações questionáveis.

Em 2016, Michael Cohen, então advogado de Donald Trump, registou em Delaware as duas empresas usadas para processar pagamentos feitos à actriz de filmes adultos Stormy Daniels e à modelo Karen McDougal para evitar que ambas falassem publicamente sobre os relacionamentos íntimos que supostamente mantiveram com o ex-Presidente.

O conhecido lobista americano Paul Manafort também foi acusado de usar empresas registadas em Delaware para lavar cerca de US$ 75 milhões recebidos do governo do ex-Presidente pró-Rússia da Ucrânia, Viktor Yanunkovych (2010 – 2014).

No caso de Bout, Cohen e Manafort, só foi possível saber que eles recorreram a empresas criadas em Delaware depois que as investigações contra eles avançaram.

Durante a primeira década deste século, uma empresa de Delaware também foi utilizada, segundo Weitzman, pela companhia aérea chilena LAN (hoje Latam) para pagar subornos a sindicalistas argentinos com o objectivo de facilitar as operações da empresa no mercado local.

O especialista destacou que, embora quando se pensa em paraísos fiscais a imagem que vem seja a de lugares “exóticos” como Bermudas, Ilhas Virgens Britânicas ou Chipre, Delaware é, na prática, um paraíso fiscal dentro dos Estados Unidos.

Diversos especialistas apontaram para a chamada “brecha de Delaware” (ou vazio legal de Delaware), um detalhe técnico jurídico que permite às empresas evitar o pagamento de impostos corporativos gerados em outros estados.

Como funciona? As empresas criam uma subsidiária em Delaware para a qual transferem seus activos intangíveis (tais como patentes e marcas comerciais) porque não há imposto sobre esse tipo de rendimento no Estado.

Além disso, obrigam as suas subsidiárias sediadas em outras partes do país a pagarem à empresa em Delaware pela utilização desses bens intangíveis. Esses pagamentos entram como despesas nos Estados onde operam. O resultado é que conseguem reduzir, assim, a quantidade de imposto pago.

 

Por que isso é permitido?

Mas como é possível que as autoridades dos Estados Unidos não tenham tomado medidas não só contra o funcionamento de Delaware como paraíso fiscal, mas também contra a possibilidade de estabelecer empresas anonimamente?

“A resposta curta é que não há nada de ilegal no que acontece lá em termos da lei dos EUA ou da lei daquele Estado. Não há nada de ilegal em Delaware”, explica Casey Michel em entrevista à BBC Mundo.

“Todas as estruturas de sigilo corporativo, todas as ferramentas que tradicionalmente se entende que ajudam à evasão fiscal no exterior, todas seguem sendo legais”, acrescenta.

Além disso, o especialista explica que as autoridades federais nunca foram responsáveis ​​pelo registo, fiscalização e regulação de empresas – inclusive de empresas fantasmas. A tarefa sempre coube aos Estados.

Michel afirma que, paradoxalmente, embora nos últimos 15 ou 20 anos os EUA tenham tido grande sucesso na luta contra os paraísos fiscais em outras partes do mundo, outros governos não conseguiram tornar o país mais receptivo a suas exigências de reformas pedindo maior transparência na criação e fiscalização de empresas.

Esta situação, no entanto, pode estar começando a mudar.

Em janeiro passado, entrou em vigor a Lei de Transparência Corporativa, que exige que as empresas americanas, ou que operam nos EUA, informem as autoridades sobre a identidade dos beneficiários dessas empresas, entendidos como aqueles que possuem 25% ou mais das acções.

Michel destaca que outro factor que garantiu que esse tipo de controlo não fosse estabelecido antes foi o lobby em Washington feito não apenas pelo Estado de Delaware, mas também por outras instituições como a American Bar Association ou a Federação Nacional de Empresas Independentes (sindicato que representa as pequenas empresas).

“Havia toda uma série de organizações cujos membros e apoiantes se beneficiavam de todo este segredo ”, observa.

Mas poderá Delaware continuar a ser a “capital mundial das empresas de fachada” se o mecanismo que permite às empresas serem registadas anonimamente for eliminado?

“Delaware oferece muitas coisas que beneficiam as empresas. Permite-lhes reduzir seus impostos, proporciona protecções legais e muito mais”, diz Michel.

“Mesmo com os novos requisitos de transparência, Delaware ficará bem e continuará atraindo clientes corporativos. Em teoria, simplesmente não poderá mais permitir a criação de empresas de fachada anónimas”, conclui. (BBC).

 

Chemba: Aguarda-se pela reacção do Governo para o abate de crocodilos “problemáticos”

Os animais considerados problemáticos que mais estão na memória da população de Chemba, são os elefantes, hipopótamos e crocodilos – como se tem o histórico.

De 2022 a 2023, Chemba registou aumento de um caso, passando de 11 para 12 mortes por ataques.

O dia de apresentação do novo administrador, Bento Zeca, à população de Chemba, coincidiu com ataque mortal de crocodilo a uma mãe de quatro filhos. E sendo que já havia plano de solicitar profissionais para abaterem os animais, a ideia foi reforçada com o novo dirigente.

Os homens de abate de animais problemáticos e supostamente supersticiosos, chegaram no distrito de Chemba, na semana passada. Mas na terça-feira (05.03.2024), não fizeram as actividades porque aguardavam pela autorização do executivo local.

A situação obrigou a população a amotinar-se em frente ao edifício do novo administrador para exigir resposta. Mas Bento Zeca estava na cidade da Beira de missão e aguardando pela resposta dos superiores para o abate. Ali foi possível ouvir “o Governo não nos quer, porque não é família dele que está a morrer… Crocodilo é que tem valor, não nós”… Era a forma de descarregar a fúria.

Já na sexta-feira, um dia depois de um crocodilo falhar uma mãe ainda no rio Zambeze, uma informação reanimou a população ao ouvir que o Governo já aceitou para o abate dos animais, ficando na ideia de se esperar pelo regresso de Bento Zeca, da Beira. Esta reacção surgiu depois de uma reportagem do semanário “Profundus”.

 

Quem são os que querem abater os crocodilos?

O jovem António Chinkhono, de 29 anos de idade, é o chefe do grupo de quatro homens, todos malauianos.

São os mesmos homens que há dias, foram reportados pela media que teriam matado um crocodilo em Tambara, na província vizinha de Manica. E eles contam “25 crocodilos” só naquele distrito, segundo António Chinkhono.

Já vinham fazendo desde o país de origem, mas intensificaram as actividades em Moçambique.

Esses dados criam outro debate na Conservação ambiental.

Entrevistado pelo “Profundus Online”, António Chinkhono conta que o grupo consegue capturar os crocodilos através de “anzol com carne de cão”.

“Capturamos só os animais problemáticos supersticiosos”, disse António Chinkhono, avançando que trabalham nas noites ou pela madrugada.

O grupo não chegou de revelar os detalhes do trabalho, mas garantem que só capturam os animais problemáticos e supersticiosos. E isso é o que chama muita atenção ao Governo local, perspectivando o futuro.

A sua deslocação para qualquer canto depende muito de pessoas interessadas. No distrito de Chemba por exemplo, os homens foram chamados pelos líderes comunitários.

A cobrança pelo trabalho varia de “20.000 a 25.000 meticais”.

Na quinta-feira passada, um crocodilo aterrorizou a população de Chemba pelas margens do rio Zambeze, ao tentar atacar, chegando até de arrancar uma botija vazia de 5 litros – recipiente usualmente para conservar água.

Esta reportagem dá segmento a publicada no semanário Profundus-PDF, edição nº Profundus166.08.03.2024, na qual o Governo de Chemba garantiu “sinergia” por uma equipa multissectorial para o abate dos animais. (Rosário Phoinde Ntepa).

Ali Bongo: Afastado do partido depois do Golpe de Estado em Gabão

Quase um ano depois do ex-Presidente do Gabão Ali Bongo, ser deposto por um golpe de Estado em agosto de 2023, foi demitido do cargo de presidente do Partido Democrático Gabonês (PDG) e já existe nova liderança para o processo de transição pós-golpe.

Segundo a agência noticiosa estatal gabonesa AGP, o PDG acrescentou que a reestruturação conduziu à nomeação de Paul Mba como primeiro vice-presidente e de Angelique Ngoma como secretária-geral.

O PDG indicou que uma delegação se deslocou à residência de Bongo, onde este se encontra em prisão domiciliária desde o golpe de Estado, para lhe comunicar a sua demissão devido à sua “incapacidade multiforme” para exercer as suas funções.

O antigo presidente foi colocado em prisão domiciliária na sequência do golpe, no qual os militares denunciaram “falsos” resultados eleitorais, nos quais Bongo obteve 64,27% dos votos contra 30,77% do seu principal rival, Albert Ossa.

Todas as vitórias eleitorais de Bongo, que chegou ao poder após a morte do seu pai, Omar Bongo, em 2009, foram marcadas por alegações de fraude.

Ali Bongo sofreu um AVC em 2018 que o afastou da esfera pública durante quase um ano, embora tenha recusado sair da ribalta.

Poucos meses depois, em janeiro de 2019, um grupo de oficiais militares organizou uma revolta que foi reprimida pelas autoridades. Já em 2023, Bongo foi derrubado por um golpe de Estado liderado pelo general Brice Oligui Nguema, que criou o Comité de Transição e de Restauração das Instituições (CTRI), nome oficial da junta militar criada após a revolta. (AGP).

Jornal Profundus

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