Nhamatanda: Procura de salvação espiritual ou negócio em nome de Deus?

Em Moçambique, se a intenção é ao menos registar as igrejas, muitas ainda são ilegais e “vendem” milagres a preços exorbitantes para os mais carenciados. É uma realidade típica de Nhamatanda, província de Sofala.

O conflito no norte do país tem também ligações com a religião. A proliferação das igrejas em Moçambique é uma questão que tem vindo a ganhar espaço na sociedade, cujo fim não se advinha para breve, aliás, o país é laico, porém a grande preocupação do momento está na violência, supostamente, em nome de Deus.

Nos bairros, em cada quarteirão é possível encontrar uma ou mais igrejas e, estranhamente, número insignificante de vizinhos rezam ali, os restantes vão noutras distantes.

Enquanto nas cidades, são os centros de diversão pública, nomeadamente, cinemas e teatros que vão sendo transformados em centros de culto.

Algumas igrejas provavelmente são espirituais malignamente, outras até confusas para o materialismo económico, mas antes apresentadas com projectos em nome de espírito santo para o bem comum. Aliás, algumas diferentes pelo nome, no fundo são iguais, e com a proliferação, se tem facilmente a confusão de se saber em qual delas confiar.

Maioritariamente, as igrejas de Nhamatanda são representações, em que certos pastores, além de outras actividades, devem fotografar os cultos – forma de “contagem de enchente”. Isso motiva o apoio do responsável não residente localmente, alguns até estão noutros países.

A equipa do “Profundus” já participou cultos de diversas igrejas, as quais diferem. Para algumas, basta ter aparelhagem não interessam as condições do lugar para o adorar a Deus, outras já condicionadas até com álcool e gel, outras ainda em construção de uma residência, a sala já é a “casa do Senhor”.

As que se sentem sem condições justificam “que tudo começa assim, havemos de evoluir”. Pata tal, “irmãos, temos que fortificar o dízimo e oferta, havemos de construir uma que Nhamatanda vai render”. Em algumas igrejas, os “dizimistas” já são visivelmente conhecidos, um dia sem a tal “responsabilidade” se sentem estranhos.

“Quem não trouxe oferta deve sair”, dizia um “irmão” ao microfone de uma igreja, para depois justificar que apenas estava a experimentar o equipamento – o habitual “microfone experiência” nos cultos que envolve aparelhagem. A comunicação seguiu-se de risos, mas a informação chegou. E este tipo de discurso é perceptível no fim das missas, no tempo de informações diversas e ofertas. Os momentos ou cargos mais cobiçados são de tesouraria.

Varandas, cabanas, salas ou até o pátio de casa são improvisados a modo igreja. São “hospitais”, onde já fazem operações cirúrgicas de milagre. Milagre à venda por 1 litro de água mineral entre 250- 300 meticais, roupa intima entre 750 e 1000 meticais. “Comprei uma garrafa de água”, mas continuo doente. Está a me dar outras orientações, afinal não basta comprar e medicar? Questiona-se sem saber a próxima orientação, “não sei dessa vez o que vai-me dizer”, contou Mariana M, nome fictício para preservar a identidade.

Em conversa com jornalista. “Dão-te orientações e coisas esquisitas”. Mesmo com as coisas que dizes serem esquisitas, por que continuas naquela igreja? Continuo lá porque não quero dar motivos. Estou a seguir aquilo que me dizem, para não dizerem que abandonei medicação”. Então confirma que a igreja dá medicação sem receita? “Não encontro outra explicação, às vezes faz-nos usar coisas”, hesitou especificar.

Quem também mostra-se inquieto é Pedro P. “Há tantos que agora estudam com uma mente apenas para ser pastor e criar uma igreja, só para comer”. A consequência disso “é ganância a ser alastrada aos possíveis crentes”. Isso piora porque a obrigação de legalizar as igrejas não está a ser levada a sério. Qualquer pessoa pode ser pastora e criar igreja sem papel legal onde quiser e como quiser, basta ter amigos confiantes que vão-lhe apoiar“.

“Há tanta falsidade que já motiva os vizinhos rezarem noutra igreja distinta”, revelou o motivo de poucos vizinhos das igrejas rezarem noutras.

O continente africano é invadido por movimentos religiosos que exploram comunidades pobres e sem esperança, através de promessas de um futuro risonho. A proliferação de seitas de certa forma é uma ameaça. A proliferação de seitas faz pairar uma ameaça. Por exemplo, o movimento de rebelião mais activo na Uganda, converteu-se numa espécie de “messianismo armado com a cruz lançada pela líder Alice Lakwera, conhecida como a “mensageira”. O respectivo “Movimento do Espírito Santo” misturava cristandade e crenças tradicionais e, mais tarde militarmente em 1986 ameaçava o poder presidencial.

Já em Moçambique, em certas mesquitas em Cabo Delgado, antes de 2017, já se falava de condutas estranhas de visitantes. E hoje, a zona resume-se no extremismo, supostamente em nome de Allah.

 

Exortação do Governo de Sofala

No país, a obrigatoriedade de registar e regular as igrejas ainda é um dilema. Especificamente, em Nhamatanda, nas visitas de julho de 2022, o governador de Sofala, Lourenço Bulha, exortou a população de Nhamatanda a registar as respectivas igrejas. E chegou de mostrar disponibilidade através do respectivo Departamento Jurídico para ajuda sobre legislação.

Moçambique possui mais igrejas ou mesquitas do que indústrias que colmatam o desemprego; possui tecnologias do progresso substituídas por seitas. E a interpretação das seitas ganha mais destaque, a reclamação de desemprego apenas para quem sabe escrevinhar, por isso, até aos 40 anos, nota-se maior dedicação a religião que na juventude – como de quem não teve oportunidade de não pensar apenas na futura “salvação”.

Na proliferação de seitas, os pastores assumem o papel de professores e que influenciam as massas, mas com requisitos subentendidos, pelo menos ao nível científico. Uns falam de “chamado espiritual” para ser homem de Deus, enquanto uns acordaram no espírito para tornarem-se pastores e outros alegam ter a formação no vizinho Zimbabué por exemplo. Consequentemente, alguns discordam com a ideia de usar vacinas ou remédios oficializados, supostamente por serem coisas do diabo, quando na verdade outros morrem temendo a imunização. (Muamine Benjamim).

Aprovado regulamento que dá poderes aos partidos para substituírem edis sem voto

O Conselho de Ministros em Moçambique, apreciou e aprovou na terça-feira (05.03), o decreto que aprova o Regulamento da Lei número 12/2023, de 25 de Agosto que estabelece os princípios e normas que definem as bases gerais de criação, organização e funcionamento das Autarquias Locais.

Este novo instrumento legal que revoga a Lei número 6/2018, dá poderes aos partidos políticos para substituírem os presidentes dos municípios sem precisar de eleições. Em outras palavras, este novo dispositivo legal dá poderes aos partidos políticos para tirarem os votados colocando as suas “máquinas” sem recorrer ao voto.

Ora, há “máquinas” sem popularidade nas autarquias e há “sucatas” que já convenceram o terreno popular. A esses, sob ponto vista de chefia dependem da confiança interna da base para não ou serem ou até permanecerem como edis. E aqueles com ideais contrárias dos seus partidos estarão ainda mais em risco. O partido é “casa mãe” antes de tudo.

O porta – voz do Conselho de Ministros, Filmão Suaze, esclarece que pretende-se com o decreto que aprova o Regulamento da Lei número 12/2023, de 25 de Agosto, envolver, no mesmo instrumento, matérias relacionadas à gestão municipal, que constam de dispositivos legais e aperfeiçoar os aspectos resultantes da aplicação pratica da Lei, nomeadamente, a criação, organização e funcionamento das subunidades territoriais, os procedimentos para a eleição da mesa, os requisitos para a designação de vereadores, as comissões de trabalho, as bancadas e o secretariado técnico da Assembleia Autárquica.

Analiticamente, com o decreto que aprova o Regulamento da Lei número 12/2023, de 25 de Agosto, os edis “rebeldes” sob ponto de vista de não concordarem com as jogadas internas, já estarão possibilitados de não criticarem, isso para manter o cargo para o qual foram eleitos.

Com o decreto que aprova o Regulamento da Lei número 12/2023, de 25 de Agosto, a estrutura administrativa municipal fica composta por distritos municipais, postos administrativos municipais, bairros e quarteirões. Assim, os administradores representarão o Estado nos municípios. (Profundus).

Maputo: Mais um rapto em plena luz do dia

Um cidadão cuja identidade ainda não foi confirmada foi vítima de rapto, a luz do dia por volta das 7h, desta quinta-feira (07.03), à porta da sua casa, na rua Augusto Macamo, na cidade de Maputo, Sul de Moçambique.

Testemunhas disseram que o motorista da família estacionou o veículo próximo ao portão, como de costume. Enquanto a vítima aproximava-se do carro, dois homens armados emergiram de um veículo estacionado nas proximidades e dispararam para o alto.

Diante do pânico gerado naquele local, os sequestradores levaram a vítima e fugiram em alta velocidade em direcção à Avenida Maguiguana ainda nos arredores de Maputo.

Após o ocorrido, as autoridades policiais foram accionadas (Miramar).

ADRN desmente informações sobre possível envenenamento de água em Metuge

A Águas da Região do Norte -AdRN, SA, diz não constituir a verdade, as informações que circulam nas redes sociais dando conta de possível envenenamento de água potável por parte dos insurgentes no distrito de Metuge, província de Cabo Delgado, norte de Moçambique

Em uma nota de esclarecimento emitida hoje, quinta-feira, a ADRN, garante que o ataque não foi feito na captação/ETA e que a qualidade de água fornecida à população continua dentro dos padrões de potabilidade recomendados pela Organização Mundial da Saúde. E que as mensagens feitas por indivíduos de má-fé, são todas falsas.

“A Estação de Tratamento de Água de Pemba, capital de Cabo Delgado é guarnecida pelas Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), incluindo a Unidade de Intervenção Rápida (UIR) e pelas Forças Armadas de Ruanda, garantindo deste modo a segurança do local” lê-se na nota que o “Profundus Online teve acesso. (Alfredo Armando).

Um morto e nove alunos raptados em ataque terrorista em Metuge

Um grupo de terroristas invadiu ontem, quarta-feira (06.03) a comunidade de Pulo, distrito de Metuge, na província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, provocando pelo menos um morto e raptando nove estudantes, o que levou à fuga das populações,
Segundo disseram à Lusa fontes locais, citado pela RTP Noticias, o ataque começou por volta das 09:00 locais e prolongou-se durante a tarde, tendo como resultado, além da morte, nove alunos raptados da escola secundária local.
“Entraram de manhã, começaram a disparar, mataram um velho que vinha da machamba [campo agrícola] e raptaram um número de nove alunos que saia da escola secundária de Metuge”, disse uma fonte na sede distrital de Metuge, onde se refugiou.
Os alunos raptados regressavam às suas aldeias, depois das aulas.
A mesma fonte, relatou ainda “Eles saiam da escola, em direcção a Chauli, outros Nacuta e Pulo, mas não chegaram”.
Os insurgentes incendiaram diversas casas da população, disse outra fonte da população: “Queimaram muitas casas, tudo isso em Pulo e não sei se não chegaram noutras comunidades. Porque Pulo, Nacuta e Ponto A são comunidades próximas”.
As populações de Pulo, Nacuta, Ponto A e Chauli abandonaram, nas últimas horas, as suas comunidades em direcção à sede distrital de Metuge, a sensivelmente 30 quilómetros, onde procuram refúgio, a maioria fugindo com crianças.
“Estão a chegar, a situação é realmente difícil e estão todos com crianças e mulheres grávidas. É triste ver”, lamentou uma fonte a partir de Metuge, onde acolheu familiares da esposa.
A presença das Forças de Defesa e Segurança alimenta agora a expectativa entre os moradores.
Após vários meses de relativa normalidade nos distritos afectados pela violência armada em Cabo Delgado, a província tem registado, há algumas semanas, novas movimentações e ataques de grupos rebeldes, que têm limitado a circulação para alguns pontos nas poucas estradas asfaltadas que dão acesso a vários distritos.
A nova vaga de ataques terroristas em Cabo Delgado, no norte de Moçambique, provocou 99.313 deslocados em Fevereiro, segundo estimativa divulgada esta semana pela Organização Internacional das Migrações (OIM), sobretudo (62%) crianças (61.492).
O ministro da Defesa Nacional moçambicano, Cristóvão Chume, confirmou em 29 de Fevereiro ataques de insurgentes em quatro distritos da província de Cabo Delgado, mas garantiu que não se trata do “recrudescimento” das actividades terroristas no norte.
“Eu quero dizer que não é isso que está a acontecer, porque se fosse efectivamente isso, estaríamos a dizer que há distritos ou sedes distritais que estão ocupadas, sem acesso das populações. O que aconteceu é que há grupos pequenos de terroristas que saíram dos seus quartéis, lá na zona de Namarussia que temos dito que é a base deles, foram mais a sul, atacaram algumas aldeias e criaram pânico”, disse Cristóvão Chume. (RTP Notícias).

Prof. E.O. WILSON: A Gorongosa e o pioneiro da biologia evolutiva

Edward O. Wilson, biólogo e autor que efectuou um trabalho pioneiro sobre biodiversidade, insectos e natureza humana – e ganhou dois prémios Pulitzer ao longo da sua caminhada – morreu num domingo (26.12.2021) em Burlington, Massachusetts, Estados Unidos da América (EUA), mas as suas obras o imortalizam na Gorongosa e no mundo.

Profissionalismo

O. Wilson foi Professor em Harvard durante 46 anos. Um especialista em insectos, explorou como a selecção natural e outras forças podem influenciar o comportamento animal. Posteriormente, aplicou as suas investigações aos seres humanos.

A directora executiva e presidente da E.O. Wilson Biodiversity Foundation, Paula J. Ehrlich, disse num comunicado. “Um implacável sintetizador de ideias, o seu corajoso enfoque científico e a sua voz poética transformaram a nossa maneira de compreender a nós mesmos e o nosso planeta.”

Quando o Prof. Wilson começou a sua carreira em biologia evolutiva na década de 1950, o estudo de animais e plantas parecia a muitos cientistas um “hobby” antiquado e obsoleto. Os biólogos moleculares estavam a ter os seus primeiros vislumbres de DNA, proteínas e outras bases invisíveis da vida.

O Prof. Wilson tornou no trabalho da sua vida colocar a evolução em pé de igualdade. “Como é que os nossos assuntos, aparentemente, antiquados poderiam alcançar um novo rigor intelectual e originalidade em comparação com a biologia molecular?” Wilson relembrou em 2009 e respondeu à sua própria pergunta sendo pioneiro em novos campos de investigação.

Sendo um especialista em insectos, o Prof. Wilson estudou a evolução do comportamento, explorando como a selecção natural e outras forças poderiam produzir algo tão, extraordinariamente, complexo como uma colónia de formigas. Então defendeu este tipo de investigação como uma forma de dar sentido a todo o comportamento – incluindo o humano. E como parte da sua campanha, o Prof. Wilson escreveu uma série de livros que influenciaram seus colegas cientistas, ao mesmo tempo que conquistaram um amplo público.

“On Human Nature” ganhou o Prémio Pulitzer de não ficção geral em 1979. “As formigas”, que o Prof. Wilson escreveu com seu colega de longa data Bert Hölldobler, ganhou o seu segundo Pulitzer em 1991.

O Prof. Wilson também se tornou um pioneiro no estudo da diversidade biológica, desenvolvendo uma abordagem matemática para questões sobre por que diferentes lugares têm diferentes números de espécies. Mais tarde na sua carreira, tornou-se uma das principais vozes do mundo para a protecção da vida selvagem em extinção.

O Prof. Wilson era famoso pelo seu comportamento tímido e gentil charme sulista, mas escondia uma determinação feroz. Como ele mesmo admitiu, ele foi “despertado pela anfetamina da ambição”.

Essas ambições também lhe renderam muitas críticas. Alguns condenaram o que consideraram relatos simplistas da natureza humana. Outros biólogos evolucionistas atacaram-no por inverter os seus pontos de vista sobre a selecção natural na parte final da sua carreira. Mas embora o seu legado possa ser complicado, continua profundo. “Ele foi um visionário em várias frentes”, disse Sarah Blaffer Hrdy, ex-aluna do Prof. Wilson e professora emérita da Universidade da Califórnia, Davis, numa entrevista em 2019.

 

Da veia à formação

Primeira descoberta Edward Osborne Wilson nasceu em Birmingham, Alabama, em 10 de junho de 1929. O seu pai, Edward Osborne Wilson Senior, trabalhava como contabilista. A sua mãe, Inez Linnette Freeman, era secretária. Divorciaram-se quando o seu filho tinha 8 anos. Quando o casamento dos seus pais se desintegrou, o menino encontrou consolo em florestas e lagoas. “Animais e plantas com os quais eu poderia contar”, escreveu o Prof. Wilson nas suas memórias de 1994, “Naturalist”.

“As relações humanas eram mais difíceis.” Um dia, enquanto lançava uma linha de pesca, Edward Osborne Wilson pegou o olho direito com o anzol, deixando-o, parcialmente, cego. “A atenção do meu olho sobrevivente voltou-se para o solo”, escreveu o Prof. Wilson. E desenvolveu uma obsessão por formigas que duraria toda a sua vida.

Para Wilson, descobrir troncos e formigueiros foi como expor um estranho mundo subterrâneo. Na escola secundária, descobriu a primeira colónia de formigas de fogo importadas dos Estados Unidos – uma espécie que se tornou uma das principais pragas do Sul. Na época, também estava passando por uma transformação espiritual. Criado como baptista, entrou em conflito com a oração. Durante o seu baptismo, percebeu que não sentia nenhuma transcendência. “E algo pequeno em algum lugar rachou”, escreveu Wilson. E afastou-se da igreja.

“Eu descobri que o que eu mais amava no planeta, era a vida no planeta, fazia sentido apenas em termos de evolução e a ideia de selecção natural”. Disse Wilson mais tarde ao historiador Ullica Segerstrale, “e que isso era uma explicação muito mais interessante, rica e poderosa do que os ensinamentos do Novo Testamento.”

O Prof. Wilson obteve o bacharelado e o mestrado em biologia na Universidade do Alabama, onde estudou formigas dacetinas, uma espécie nativa do Sul dos Estados Unidos. “Sob o microscópio estão entre os insectos mais, esteticamente, agradáveis”, escreveu Wilson, posteriormente, nas suas memórias.

Em 1950, Wilson foi para Harvard para obter o seu Doutoramento. Para continuar o seu trabalho de graduação, embarcou numa longa jornada em 1953 para explorar a diversidade global das formigas, começando em Cuba e seguindo para o México, Nova Guiné e ilhas remotas no Pacífico Sul.

Entre outras coisas, o Prof. Wilson estudou a distribuição geográfica das espécies de formigas, procurando pistas de como elas se espalharam de um lugar para outro e como espécies antigas deram origem a novas. “A biologia evolutiva sempre produz padrões se olharmos com atenção”, escreveu o Wilson. Retornando das suas viagens, Wilson conheceu Irene Kelley de Boston com quem se casou em 1955.

O Prof. Wilson ingressou no corpo docente de Harvard em 1956. Como um novo professor, rapidamente, começou a buscar uma série de questões científicas de uma só vez. Numa linha de investigação, ele buscou uma teoria que pudesse fazer previsões sobre a diversidade da vida.

Em 1961, ele encontrou o parceiro perfeito para este trabalho: Robert MacArthur, biólogo então na Universidade da Pensilvânia. Juntos, desenvolveram equações para prever quantas espécies numa determinada ilha deveria ter. As ilhas maiores podem abrigar mais espécies do que as menores. Também argumentaram que as ilhas mais próximas do continente receberiam um influxo de mais espécies. Para testar a ideia, Wilson e um dos seus alunos de graduação, Daniel Simberloff (agora professor na Universidade do Tennessee), realizaram uma experiência em pequenas ilhotas de mangal, algumas com apenas alguns metros de largura, em Florida Keys. Os cobriram as ilhotas com tendas e pulverizaram-nas com pesticidas de acção curta e, em seguida, colheram os caracóis com as mãos. As ilhotas logo voltaram aos seus equilíbrios anteriores, com mais espécies retornando às ilhotas próximas à costa do que as mais distantes. Wilson e MacArthur publicaram um livro sobre a sua ideia, “The Theory of Island Biogeography”, em 1967. Este tornou-se, indiscutivelmente, o trabalho publicado mais influente em ecologia. “É um verdadeiro marco entre os marcos históricos”, escreveu o ecologista Robert May em 2009. “A ideia tem muita vitalidade”, disse Stuart Pimm, biólogo conservacionista da Duke University, numa entrevista de 2019.

“Existem muitos tipos de coisas interessantes que podemos testar, inspirados por esta ideia.” O Dr. Pimm e outros investigadores descobriram que poderiam usar a teoria da biogeografia de ilhas para fazer previsões sobre a diversidade em lagos, florestas e outros habitats. E a destruição de habitats, com efeito, criou fragmentos semelhantes a ilhas. A teoria de Wilson e de MacArthur permitiu aos pesquisadores preverem quantas extinções se seguiriam.

O Dr. Pimm chamou o seu trabalho de “um princípio fundamental da biologia da conservação”. Mergulhando na controvérsia Enquanto Wilson estava a desenvolver a teoria da biogeografia de ilhas, também investigava outra questão profunda: como os comportamentos de diferentes espécies evoluíram? As formigas foram um bom lugar para começar a abordar esta questão. Wilson e seus colegas estudaram como as formigas liberavam produtos químicos das suas glândulas para fazer com que outros membros de sua colónia assumissem novas tarefas.

Wilson achou difícil explicar o comportamento das formigas em termos de selecção natural, que altera uma espécie porque alguns indivíduos têm mais descendentes do que outros.

As formigas são, profundamente, cooperativas – tanto que as filhas de uma formiga rainha são, tipicamente, estéreis, sacrificando o seu próprio sucesso reprodutivo pelo dela.

Wilson encontrou uma resposta – por algum tempo, pelo menos – no trabalho de William Hamilton, um estudante britânico de pós-graduação. Hamilton argumentou que os biólogos precisam concentrar-se menos em animais individuais e mais nos seus genes. As fêmeas numa colónia de formigas eram todas filhas da rainha. Ao cuidar da prole da rainha, poderiam transmitir mais genes que compartilhavam em comum.

Hamilton descreveu a “aptidão inclusiva”, como esse conceito veio a ser conhecido, num artigo de 1963. Wilson leu o artigo numa longa viagem de comboio de Boston a Miami. No início da viagem, estava céptico; no final, estava convencido. “Eu fui convertido e coloquei-me nas mãos de Hamilton”, escreveu o Prof. Wilson. Wilson, um autodescrito “sintetizador congénito” – começou a reunir o trabalho teórico de investigadores como Hamilton com o seu vasto conhecimento do comportamento dos insectos num único livro, “The Insect Societies”, publicado em 1971.

Se pudesse explicar o comportamento das formigas, raciocinou Wilson, deveria ser capaz de explicar o comportamento de outros animais: iguanas, tritões, gaivotas – talvez até pessoas. Wilson e colegas com ideias semelhantes passaram a referir-se a esse projecto com uma palavra que vinha flutuando no mundo do comportamento animal desde os anos 1950: sociobiologia. Em 1975, Wilson publicou “Sociobiology: The New Synthesis”. Seria o seu livro mais polémico.

“O organismo é apenas a forma do ADN de produzir mais ADN”, declarou em vida Wilson, impetuosamente. Então explorou uma vasta gama de comportamentos, mostrando como podem ser produto da selecção natural.

“Ele mostrou como isso se aplica, praticamente, tudo o que vemos lá no mundo do comportamento animal, de uma forma que nada chegou nem, remotamente, perto de fazer”, Lee Dugatkin, biólogo evolucionista da Universidade de Louisville e autor de “ Princípios de Comportamento Animal ”, um livro-texto amplamente utilizado, disse numa entrevista de 2019. No início, “Sociobiologia” foi inundada de elogios e atenção. Um artigo sobre isso apareceu na primeira página do The New York Times em 28 de maio de 1975.

Na Scientific American, o biólogo de Princeton John Tyler Bonner chamou de “um começo extraordinário”.

O Dr. Bonner escreveu que o Prof. Wilson “identificou e reuniu num tomo todos os elementos que serão os ingredientes da sociobiologia no futuro”. “Então, tudo ficou fora de controlo”, Wilson lembrou mais tarde nas suas memórias.

Wilson teve problemas por estender a sociobiologia aos humanos. Convidou os seus leitores a considerarem como a natureza humana pode ser moldada por pressões evolutivas. Advertiu-os de que isso não seria fácil: seria difícil separar os efeitos da cultura humana dos da selecção natural. Para piorar as coisas, ninguém na época havia ligado qualquer variante genética a qualquer comportamento humano em particular.

Wilson argumentou que a espécie de pessoa tinha uma propensão a se comportar de certas maneiras e formar certas estruturas sociais. Chamou essa propensão de natureza humana.

A selecção natural pode ajudar a explicar a psicologia, em outras palavras. A agressão humana, por exemplo, pode ter sido adaptativa para os primeiros humanos. “A lição para o homem é que a felicidade pessoal tem muito pouco a ver com tudo isso”, escreveu.

“É possível ser infeliz e muito adaptável.” Os críticos do Wilson ignoraram estas ressalvas. Numa carta à The New York Review of Books, alguns denunciaram a sociobiologia como uma tentativa de revigorar velhas teorias do determinismo biológico, afirmaram que “forneceram uma base importante para a promulgação de leis de esterilização e leis restritivas de imigração pelos Estados Unidos Estados entre 1910 e 1930 e também para as políticas eugénicas que levaram ao estabelecimento de câmaras de gás na Alemanha Nazista.”

No seu livro de 2000, “Defenders of the Truth”, a Dra. Segerstrale escreveu que os críticos do Wilson demonstraram “um espantoso desprezo” pelo que ele havia escrito, argumentando que haviam usado “Sociobiologia” como uma oportunidade para promover as suas próprias agendas.

Quando Wilson participou de um debate em 1978 sobre sociobiologia, os manifestantes correram para o palco gritando: “Racista Wilson não se esconda, nós o acusamos de genocídio!” Uma mulher atirou água gelada nele, gritando: “Wilson, você está todo molhado!” Depois de se enxugar com toalhas de papel, Wilson foi em frente e fez o seu discurso.

Nesse discurso e em outros lugares, declarou que a sociobiologia não oferecia desculpa para o racismo ou sexismo. Rejeitou os ataques contra ele como “vigilantismo hipócrita”. E continuou a aprofundar ainda mais a evolução do comportamento humano.

O legado da “Sociobiologia” foi profundo para investigadores que estudam animais. “Foi libertador”, disse Karen Strier, primatologista da University of Wisconsin-Madison e presidente da International Primatological Society, numa entrevista. “Podemos estudar todos os animais com a mesma perspectiva básica.”

O comportamento animal hoje é “95 por cento sociobiológico”, disse a Dra. Hrdy, que, depois de estudar com o Prof. Wilson em Harvard, passou a publicar estudos influentes sobre como as fêmeas primatas se comportam de maneiras subtis e complexas para aumentar o seu sucesso reprodutivo. “Ninguém poderia ter dado mais apoio do que Wilson a essas coisas”, disse ela. Mas alguns cientistas descobriram, exactamente, o oposto, incluindo Deborah Gordon, uma importante especialista em formigas da Universidade de Stanford.University. “A visão de Wilson de como funciona uma colónia de formigas tinha todas as formigas, geneticamente, programadas para fazer uma determinada coisa”, disse a Dra. Gordon numa entrevista de 2019. “Ele queria que todas fizessem o que deveriam fazer sem criar confusão.”

Na sua própria pesquisa, a Dra. Gordon descobriu que as formigas podem mudar de uma tarefa para outra. E elas não respondem a nenhum sinal químico específico como pequenos robôs; em vez disso, eles responderão de maneira diferente em diferentes circunstâncias. “O processo é confuso”, disse Gordon.

O Prof. Wilson atacou, vigorosamente, o trabalho da Dra. Gordon, tanto na versão impressa quanto, pessoalmente. Quando a Dra. Gordon estava em Harvard em meados da década de 1980 com uma bolsa, lembrou-se do Prof. Wilson se levantar no meio de uma das suas palestras para gritar as suas objecções. “Ele realmente fez um grande esforço para me impedir de conseguir um emprego”, disse ela.

O legado do Prof. Wilson para o estudo da natureza humana é uma história inacabada. Nas décadas desde a “Sociobiologia”, os pesquisadores identificaram milhares de genes que influenciam as variações do comportamento humano.

Os humanos compartilham muitos desses genes em comum com outras espécies e também influenciam o comportamento desses animais. Alguns investigadores tentaram construir relatos evolutivos elaborados de como os genes individuais ajudaram a dar origem à natureza humana. Mas, repetidamente, muitas dessas explicações se mostraram simplistas a ponto de cometer erros.

Os cientistas estão muito longe do sonho do Prof. Wilson de um relato da natureza humana baseado na evolução.

 

Uma reforma ocupada

Na década de 1980, o Prof. Wilson deu início ao terceiro grande projecto de sua carreira, como um campeão dos lugares selvagens do mundo. Naquela época, o seu trabalho anterior com biogeografia de ilhas estava a assumir uma nova importância aterrorizante. À medida que a humanidade reduzia as florestas tropicais e outros habitats a fragmentos, inúmeras espécies estavam a ser levadas à extinção.

O Prof. Wilson abordou os perigos de extinção no seu “best-seller” de 1992, “The Diversity of Life”. E elaborou relatos das suas viagens aos trópicos com a compreensão mais recente sobre o impacto da humanidade na riqueza biológica do planeta “A Terra finalmente adquiriu uma força que pode quebrar o cadinho da biodiversidade”, escreveu.

O Prof. Wilson aposentou-se de Harvard em 2002 aos 73 anos, embora seja difícil reconhecer essa transição no seu currículo. Depois de deixar o cargo, ele publicou mais de uma dúzia de livros, incluindo um livro didáctico de biologia digital para iPad.

A reforma não o impediu de defender novas ideias, incluindo algumas que indignaram muitos dos seus colegas. Em 2010, ele voltou-se contra a aptidão inclusiva, publicando um artigo atacando o conceito com Martin A. Nowak de Harvard e Corina E. Tarnita, agora em Princeton. O Prof. Wilson, posteriormente, popularizou o seu argumento no seu livro de 2012, “The Social Conquest of Earth”. “Os fundamentos básicos da teoria da aptidão inclusiva não são sólidos”, disse o Prof. Wilson numa entrevista de 2012. Em vez disso, argumentaram que Wilson e os seus colegas, os biólogos deveriam olhar para outras formas de evolução para explicar o altruísmo e outras formas intrigantes de comportamento.

A selecção natural agindo sobre os indivíduos poderia explicar alguns; era possível que grupos de animais também pudessem ser seleccionados. Para muitos cientistas que foram, profundamente, influenciados pelo trabalho anterior do Prof. Wilson, sua reversão foi decepcionante. “Não era a maneira como as coisas deveriam ser feitas e não era uma boa ciência”, disse Dugatkin.

Ele e quase 150 outros biólogos evolucionistas assinaram uma carta declarando que os argumentos do Prof. Wilson foram “baseados num mal-entendido da teoria evolucionária e uma deturpação da literatura empírica.”

Richard Dawkins, um dos principais expoentes da aptidão inclusiva, atacou, impiedosamente, o Prof. Wilson numa resenha de “The Social Conquest of Earth”, que ele disse estar cheia de “mal-entendidos perversos”.

O Prof. Wilson rejeitou os seus críticos, comparando-os aos primeiros astrónomos que apresentaram explicações elaboradas para apoiar sua ideia de que o sol e os planetas giravam em torno da Terra.

Dawkins chamou a resposta do Prof. Wilson de “um acto de arrogância desenfreada”. Durante a sua reforma, o Prof. Wilson continuou a usar sua fama para chamar a atenção para a biodiversidade. Em 2008, lançou a Enciclopédia da Vida, um site que acabará por abrigar informações sobre todas as espécies conhecidas.

 

Wilson na Gorongosa

O Prof. Wilson continuou a alertar sobre os perigos de uma iminente extinção em massa, mas não considerou o planeta condenado. “Estou optimista”, disse ele numa entrevista em 2012. “Acho que podemos passar de conquistadores a administradores”. Para chamar a atenção para o sucesso em salvar espécies, o Prof. Wilson viajou para partes distantes do mundo na casa dos 80 anos.

Em 2014 publicou “Uma Janela para a Eternidade”, sobre a sua viagem ao Parque Nacional da Gorongosa (PNG) em Moçambique. Para salvar a biodiversidade, o Prof. Wilson apelou a um mundo de Gorongosas.

No seu livro de 2016, “Half-Earth: Our Planet’s Fight for Life”, ele argumentou que a única maneira de evitar uma extinção em massa seria deixar metade da terra para a natureza. “É uma aspiração grandiosa e maravilhosa”, disse Pimm. Como muitas das ideias do Prof. Wilson, isso estimulou outros cientistas a fazer mais investigações por conta própria.

Em 2018, o Dr. Pimm e os seus colegas publicaram um estudo mostrando que um plano cuidadoso para decidir quais locais preservar poderia tornar a visão do Prof. Wilson uma realidade. “Estamos a pegar na ideia do Ed e coloca-la em prática”, disse Pim. É tão simples como isso”.

O biólogo norte-americano afirmava possuir “um vínculo especial” com o PNG, que ajudou a salvar, e onde um laboratório com o seu nome foi inaugurado para estudar e proteger a biodiversidade da região.

Considerado pela National Geographic Society “o maior naturalista do nosso tempo”, o cientista documentou a história do parque moçambicano e publicou-a em livro, com fotografias de Piotr Naskrecki.

O Wilson descreveu as maravilhas daquele que considerou ser o parque mais rico do mundo, do ponto de vista ecológico, e, na obra, falou da recuperação do ecossistema do PNG, após vários anos de uma guerra civil que dizimou muitos dos animais selvagens que ali habitavam.

Edward O. Wilson faleceu aos 92 anos, depois de precedido da morte da esposa, Irene K. Wilson. O casal deixou uma filha, Catherine. Ele e a Gorongosa continuam no centro das atenções. (Profundus PDF).

Cultura: “Bazar na Noite” será lançado hoje em Maputo

A Galeria, no Porto de Maputo, em Moçambique, vai lançar hoje, quinta-feira (07.03), a partir das 16 horas, o projecto “ Bazar na Noite”, uma iniciativa multicultural que vai acomodar no espaço da galeria, ao mesmo tempo, diversos fazedores de artes e cultura, operadores turísticos e homens de negócios para uma noite de “network”, exposição e entretenimento.

Segundo a nota que o “Profundus Online”, teve acesso, “Bazar na Noite” é um conceito inovador com o qual pretende-se promover marcas e representações e venda de produtos diversos de arte e cultura e do sector de turismo, incluindo livros, discos, vestuário, gastronomia tipicamente moçambicana que poderão satisfazer e preencher algumas lacunas existente na cidade de Maputo.

O “Bazar na Noite” procurará desenvolver, no mesmo espaço, actividades culturais variadas que promovam as interacções humanas entre pessoas de todas as idades e origens, incluindo turistas. (Alfredo Armando).

Novos golpes contra serviços financeiros móveis em Moçambique

Nos arredores de Maputo tem-se verificado alguns indivíduos vestidos a rigor, disfarçados de clientes, para burlar agentes de carteiras móveis, nomeadamente Mpesa, Emola e Mkesh. Estes tendem a se mostrar “peritos” quando o assunto é golpe.

Há dias acompanhei um caso de um agente que foi burlado por um jovem de terno e gravata, muito bem afeiçoado. O facto curioso é que o malfeitor usou uma mensagem para supostamente comprovar o acto de levamento e nela aparecia o nome do agente. Longe de pensar e num acto de boa-fé o agente entregou o dinheiro ao burlador e ficou à espera da mensagem de confirmação que nunca chegou.

Só depois de esperar por um tempo é que o agente percebeu que tinha caído numa burla, já era tarde demais.

O malfeitor tinha sumido. Situações como estas são comuns nos últimos tempos. Pelo que percebi tanto os agentes como os usuários destes serviços estão susceptíveis.

É preciso ter em conta que estes indivíduos tampouco importam o seu género, estão acima de qualquer suspeita. Poucos são trabalhadores, porém em quase todo arredor da capital do país estão lá indivíduos bem trajados de pessoas idóneas, com tendência de aterrorizar “ambulantes” de carteiras móveis.

Muitos são os jovens que se dedicam ao serviço financeiro como fonte de rendimento. Mas sempre existem aqueles que não medem esforço para sugar e tirar o pão dos outros.

Perante esta situação, os agentes que trabalham com este serviço se deparam com enormes prejuízos financeiros nas suas actividades. Consequentemente, várias são as queixas de burla que a Polícia da República de Moçambique (PRM) tem recebido.

Mas a polícia nada pode fazer para impedir o exercício uma vez que, a maioria dos mafiosos, usualmente, arranja forma de despistar a neutralização.

Já existem falsos agentes e falsos clientes. É só estar de olho até que a mensagem e o dinheiro sejam confirmados na conta. (Alfredo Armando).

Matutuíne: Um morto e 9 desaparecidos em naufrágio de barco

Em comunicado, o Instituto Nacional do Mar (Inamar) confirma o naufrágio, ontem, da embarcação denominada “Roberto”, no distrito de Matutuíne, na localidade da Ponta Malongane.

“A embarcação envolvida no sinistro encontrava-se a exercer ilegalmente a actividade de pesca à linha e levava a bordo 12 tripulantes, dos quais nove são dados como desaparecidos, um morto e dois sobreviventes”, refere o Inamar.

O instituto acrescenta que “dados preliminares apontam como prováveis causas do acidente” a entrada de água na embarcação.

“Sendo que alguns tripulantes ao se aperceberem da situação entraram em pânico, fazendo a embarcação guinar para o estibordo, acabando por naufragar”, descreve o Inamar, que convocou para hoje quinta-feira uma conferência de imprensa para dar mais detalhes da ocorrência. (Lusa).

Professor terá disparado sobre aluno durante exame oral no Bangladesh

Suspeito foi detido. Era conhecido por andar armado pela faculdade. Foi apreendida outra arma e várias munições, facas e adagas.

Um professor no Bangladesh terá disparado sobre um aluno durante um exame oral na segunda-feira, acabando detido. Nesta quarta-feira, foi suspenso pela faculdade de Medicina em Sirajgani, no noroeste do país asiático, ao passo que o aluno está ainda numa unidade hospitalar, após ter sido submetido a uma cirurgia.

Segundo a BBC, o caso aconteceu quando professor e aluno começaram a discutir durante um exame oral. O docente terá então apontado uma arma ao aluno, alvejando-o no joelho direito.

A bala terá, no entanto, atingido o telemóvel do aluno, poupando-o de ter ferimentos mais graves.

O jornal Dhaka Tribune, citado pela BBC, diz que havia 45 alunos na sala quando se deu o incidente, que acudiram a vítima, trancaram o professor numa sala e contactaram as autoridades.

Num comunicado, a polícia disse que o professor, que foi detido, “disparou sobre o estudante com uma pistola ilegal”. A arma foi apreendida, bem como uma segunda pistola, 81 munições, quatro carregadores, duas facas e 10 adagas que terão sido encontradas na sua mala.

As autoridades alegaram que era sabido pelos alunos que o professor em questão andava armado pela faculdade, exibindo as armas durante as aulas.

Pelo país ecoaram protestos contra o caso, principalmente porque a suspensão da faculdade só foi oficializada dois dias após a detenção do professor. Foi aberta uma investigação para apurar os contornos do incidente. (NM).

Jornal Profundus

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