A Professora Susana Carvalho que desempenhava as funções de Directora Interina desde agosto de 2025, passou a ser Directora de Ciência do Parque Nacional da Gorongosa, desde a última quarta-feira, sucedendo ao falecido Dr. Marc Stalmans. O anúncio é do Projecto de Restauração da Gorongosa (PRG), uma parceria público-privada entre o Governo de Moçambique e a Fundação Carr.
Aurora Malene, Presidente do PRG, declarou “a Professora Susana Carvalho traz uma liderança científica excepcional, um profundo compromisso com Moçambique e uma comprovada capacidade de ligar a investigação, a educação e a conservação. O seu trabalho reflecte a própria essência daquilo que a Gorongosa representa: a ciência ao serviço das pessoas e da natureza.”
Histórico
Susana Carvalho é paleoantropóloga, primatóloga e arqueóloga com duas décadas de experiência de investigação em África, incluindo os últimos 11 anos na Gorongosa. Antes de se dedicar integralmente à Gorongosa, foi professora de Paleoantropologia na Universidade de Oxford. É licenciada em Arqueologia (Universidade do Porto), mestre em Evolução Humana (Universidade de Coimbra) e doutorada em Antropologia Biológica (Universidade de Cambridge).
Susana Carvalho é autora de 100 publicações científicas com revisão por pares e recebeu prestigiadas distinções, incluindo o Prémio Philip Leverhulme em 2016 e a Bolsa de Meio de Carreira da Academia Britânica em 2021. A sua carreira tem sido reconhecida pelo seu foco na melhoria das oportunidades de educação através de acções locais e globais.
Na Gorongosa, Susana Carvalho liderou iniciativas científicas pioneiras, entre as quais o Projecto Paleo-Primata (2016- 2025), um programa de investigação interdisciplinar que envolveu aproximadamente 40 investigadores de todo o mundo.
O trabalho de Susana Carvalho aprofundou a compreensão das origens, ecologia e comportamento dos primatas, além de abrir novas fronteiras na descoberta de fósseis e na investigação evolutiva em Moçambique.
Para além da investigação, Carvalho contribuiu de forma significativa para a educação e o desenvolvimento de capacidades. Fundou a Escola de Campo Interdisciplinar da Gorongosa em 2018, tendo formado até à data cerca de 100 alunos, metade deles de Moçambique. A sua filosofia educacional tem sido “equilibrar e conectar”. Ao dirigir a escola de campo, promoveu a proporção de 50% de alunos de Moçambique e 50% de outros países do mundo (equilíbrio), com alunos de diferentes origens a trabalhar para alcançar objectivos comuns com a mentoria de colegas e investigadores (conexão). Tem supervisionado pesquisas estudantis, pioneiras em novas abordagens para o estudo das origens humanas com temas que integram a ecologia, o comportamento e a evolução.
Entre 2016 e 2025, a Professora Carvalho orientou 11 doutorandos e 15 mestrandos. Actualmente, orienta oito jovens investigadores de Moçambique, incluindo quatro estudantes de pós-graduação com bolsas de estudo na Europa. Alguns destes estudantes são pioneiros nas suas áreas (por exemplo, o primeiro primatologista moçambicano). Os alunos de Carvalho são autores ou co-autores de cerca de 30 publicações científicas revistas por pares, baseadas na investigação sobre a Gorongosa.
Desde 2018, Susana Carvalho orientou 24 teses ou dissertações sobre investigação relacionada com a Gorongosa e obteve grande sucesso na angariação de fundos para estas iniciativas de investigação e educação junto de uma vasta gama de instituições financiadoras, incluindo a Academia Britânica e a Fundação Leakey.
A Professora Carvalho dedica a sua carreira à mentoria de estudantes de países de baixo rendimento e à construção de ligações impactantes entre a educação, a ciência, a conservação e o desenvolvimento humano. Com a sua experiência como investigadora de campo, coordenadora de museu, professora e directora de investigação que desvenda o património natural da região da Gorongosa, está a desenvolver a ideia de “Safaris em Tempo Profundo” para destacar a história dinâmica do ecossistema da Gorongosa e para chegar às comunidades locais, aos visitantes do parque e aos cientistas de todo o mundo.
A investigação científica é parte integrante do plano a longo prazo para a restauração do ecossistema da Gorongosa. Um conhecimento aprofundado do ecossistema da Gorongosa ajudará a gestão do Parque a tomar melhores decisões sobre a sua conservação.
O Laboratório de Biodiversidade E.O. Wilson, inaugurado em março de 2014, posicionou a Gorongosa como um dos centros de investigação mais avançados da África Austral. O laboratório atraiu a atenção nacional, regional e internacional. Cientistas de mais de 70 instituições realizaram investigação no Parque, incluindo a Universidade Eduardo Mondlane e a Universidade Lúrio, em Moçambique; as Universidades de Coimbra e de Lisboa, em Portugal; as Universidades de Oxford e Kent, no Reino Unido; e a Universidade de Harvard, a Universidade de Princeton e a Universidade da Califórnia, Berkeley, nos Estados Unidos.
Uma das funções do Departamento de Ciência é formar a próxima geração de cientistas moçambicanos no Parque e encaminhá-los para as universidades para a obtenção de títulos académicos avançados. Os jovens das comunidades vizinhas e das escolas técnicas regionais recebem apoio financeiro total ou parcial do Departamento de Ciência e estudam em universidades e escolas secundárias, preparando-se para carreiras como veterinários, ecologistas e técnicos de laboratório. (Muamine Benjamim).
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