DADO MORTO POR ATAQUE DE CROCODILO: Jorgito é visto quase 10 anos depois noutro distrito, e mãe reage

O jovem Jorgito Mourinho foi considerado morto em 2017, após ser atacado e arrastado para as profundezas da lagoa Ntunga, margens do rio Zambeze, dentro da vila distrital. O seu corpo não foi achado como de tantas vítimas no distrito de Chemba, em Sofala.

A família realizou todas consideráveis funerárias de um corpo ausente, mas que segue o tradicionalismo. Quase 10 anos depois, Jorgito foi visto no distrito de Dondo, dentro da mesma província, aparentemente saudável, mas sem falar com perfeição.

O caso não apenas chocou a família, mas também aos que tiveram a informação por Redes Sociais, provocando interpretações de ser vítima de magia negra ou simplesmente feitiçaria, ou possível escapatória do jovem depois do ataque de crocodilo. Mas entre as duas hipóteses, a feitiçaria africana ganha peso.

O “Profundus” segue o caso com a respectiva equipa em Dondo e em Chemba, ao mesmo tempo, tanto que localizou a família de Jorgito, na pessoa da mãe em entrevista exclusiva.

A mãe do jovem, Lucinda Baera Makwiza, havia teria perdido todas as esperanças de voltar a ver o filho, mas recebeu uma chamada da ex-nora informando que lhe visto em Mutua, no distrito de Dondo.

Dondo e Chemba estão entre cerca de 300 quilómetros, separando-se de diferentes distritos. Além de que Dondo, vizinho da cidade da Beira – capital de Sofala, não se limita com o rio Zambeze. Contra todas as possibilidades de ser arrastado pelas águas depois do ataque de crocodilo.

A mãe confirmou a ocorrência de 2017. No entanto, a ex-esposa de Jorgito com quem teve filho em Chemba, quando o reconheceu, o levou para a actual residência em Dondo e o alimentou, depois da comunicação com a sogra.

A mãe de Jorgito apela às autoridades e à população para que, caso o vejam novamente, o informem sobre o seu paradeiro. O caso está a ser acompanhado pelas autoridades policiais e a família está a trabalhar para melhorar o jovem com ou sem tradicionalismo.

Em Chemba, o caso de Jorgito não é isolado. Outras pessoas consideradas mortas por ataque de crocodilos foram encontradas vivas noutras regiões. Com isso, a população local, com desespero, já pede às autoridades para investigarem esses casos e encontrem os responsáveis.

O “Profundus” acompanha o caso, com detalhes sempre que necessário.

Este caso assemelha-se ao que em Jornalismo considera-se faits divers – termo francês que significa, literalmente, factos diversos. O termo foi cunhado no jargão jornalístico para designar assuntos não categorizáveis nas editorias tradicionais da profissão. Ou por apresentarem casos inexplicáveis ou excepcionais e extraordinários. (Rosário Phoinde)

 

Dondo com 2,4 milhões de meticais para 65 iniciativas de auto-emprego

No âmbito do Fundo de Desenvolvimento Económico Local (FDEL), o distrito de Dondo conta com 2,4 milhões já entregues em cheques para financiar 65 projectos aprovados.

Os valores já entregues na última quinta-feira, variam de entre 20 mil e 150 mil meticais por projecto, com foco na promoção do auto-emprego e desenvolvimento comunitário, numa correspondência de 60% beneficiários jovens e 40% pertencem a outros grupos sociais.

Na ocasião, o administrador do distrito do Dondo, Adamo Ossumane, considerou tratar-se de uma iniciativa que reforça o compromisso do Governo em promover o desenvolvimento e a realidade económico local, com foco na juventude.

“É uma visão extraordinária, que vai dinamizar a economia do distrito e potenciar cada vez mais as famílias, permitindo que cada cidadão comece a concretizar os seus sonhos”, disse Adamo, encorajando os jovens a aproveitarem ao máximo a oportunidade de capitalizar o apoio concedido na governação de Daniel Chapo.

Em termos de áreas de actividade, os projectos aprovados distribuem-se por agricultura (18), comércio (22), pesca (5), avicultura (7), pecuária (3), serviços (9) e indústria.

“Recebemos muitos projectos e, devido ao capital disponível, tivemos de seleccionar aqueles com maior viabilidade para impulsionar o desenvolvimento do distrito. No entanto, teremos uma segunda fase, cujo processo organizativo será iniciado em breve, com uma comissão que irá garantir justiça e imparcialidade na selecção”, explicou o administrador.

“Estou na área de produção e venda de frangos há cinco anos. Com este financiamento, vou ampliar a minha actividade e aumentar a produção. Actualmente, já conto com um trabalhador”, disse Leonara Gonçalves, que actua na área de avicultura, também beneficiária do FDEL.

Por sua vez, Chico Pereira, ligado à pesca, mostrou-se satisfeito com o valor recebido. “Estou muito feliz. Vou investir na compra de redes e de uma embarcação, além de contratar mais duas pessoas para me ajudarem”, afirmou.

Outra beneficiária, Emília Joaquim, que pretende investir na agricultura, destacou que o financiamento vai permitir melhorar a sua produção. “Vou produzir e vender no mercado local para garantir o reembolso e dar continuidade a outros projectos. Para tal, pretendo adquirir enxadas, insumos e outros materiais necessários”, referiu.

Os beneficiários estão distribuídos por postos administrativos e localidades a nível do distrito do Dondo, nomeadamente: 23 em Mafambisse Sede, 14 em Savane Sede, 16 em Mutúa e 12 em Chinamacondo. (Narcísio Cantanha).

 

Com dificuldades visuais e amputação, última menor vítima de engenho explosivo já se encontra no convívio familiar em Dondo

Após 16 dias internada no Hospital Central da Beira, Zaidinha Duarte, a última integrante do grupo de crianças vítimas de engenho explosivo, recebeu alta, mas ainda apresenta sequelas, incluindo dificuldades visuais, visão reduzida (enxergando apenas com o olho direito) e amputação de dedos de um dos braços, além de recordar vagamente o ocorrido, em Dondo, província de Sofala.

As quatro crianças reunidas tentaram acender fogo num buraco feito no chão, colocando carvão e o objecto explosivo por cima para derreter. Depois de derreter, o ferro seria vendido na sucataria, com intuito de fazer dinheiro. Mas explodiu atingindo gravemente três vítimas que depois foram transferidas do Centro de Saúde de Dondo para o Hospital Central da Beira.

Rabio e Inês estão entre as crianças que também contraíram ferimentos graves no passado dia 4 de março, no bairro de Mafarinha, Unidade Comunal I (UC-I), no distrito do Dondo, nas proximidades do cemitério da Mozalite, numa residência. No dia 13 de março, os dois receberam alta hospitalar, após a equipa médica considerar que estavam fora de perigo, embora apresentem dificuldades visuais e lacrimejamento constante, além de limitações na leitura, o que dificulta o regresso à escola.

Uma semana depois, no dia 20 do mesmo mês, Zaidinha Duarte também foi considerada fora de perigo. No entanto, apresenta sequelas incluindo dificuldades visuais, visão reduzida (enxergando apenas com o olho direito) e amputação de dedos de um dos braços, além de recordar vagarosamente o ocorrido. A quarta vítima não sofreu danos graves.

“Estávamos a brincar quando vi meus amigos a cozinhar. Quando me aproximei, houve uma explosão. O objecto foi trazido pelo pai do José”, contou Zaidinha, acrescentando que tudo aconteceu de forma repentina.

Segundo Felisberto Duarte, pai de Zaidinha, o momento foi extremamente traumático. “Foi um momento muito difícil. Quando soube do ocorrido, fiquei abalado psicologicamente, pois não estava presente e tive de correr para ver de perto”, disse.

“Ela foi submetida a uma cirurgia no dia seguinte, devido aos ferimentos no braço”, acrescentou o pai, referindo que durante as duas semanas de internamento os médicos acompanharam de perto a evolução do estado clínico.

“Ver uma criança naquela situação foi muito doloroso. Rezei muito sem saber se voltaria para casa com vida. Graças a Deus, ela sobreviveu”, afirmou.

Apesar da alta, a recuperação continua a ser um desafio. A amputação de dedos da mão direita poderá comprometer a sua vida escolar. “Estamos a pensar em treiná-la a usar a mão esquerda para poder voltar à escola e não perder o ano lectivo”, explicou.

O caso já segue trâmites na procuradoria distrital. Um dado que levanta preocupação, segundo a família, é o facto de o homem apontado pelas crianças como responsável pelo objecto explosivo ter mudado de residência há cerca de duas semanas, coincidentemente na altura da alta hospitalar da última vítima.

Entretanto, o miúdo que não sofreu tanto e foi quem trouxe o objecto defende o pai, alegando que apanhou ao lado de um cemitério quando regressava da escola e não o pai que teria o dado. Afinal, o pai trabalha numa das empresas de limpeza contratadas pela empresa Caminhos de Ferro. Em entrevista ao “Profundus” negou todas as alegações. (Narcísio Cantanha).

Air Gorongosa lançado como novo capítulo na aviação até regiões remotas em Moçambique

A última quinta-feira marcou o lançamento oficial da Air Gorongosa, uma marca de aviação reinventada, criada para ligar as pessoas, as paisagens e as oportunidades de Moçambique, reforçando a confiança no país como um destino turístico de classe mundial.

A companhia aérea Safari Air adoptou a marca Air Gorongosa. A empresa moçambicana mudou, assim, de nome e passou a operar sob a designação Air Gorongosa, numa alteração de marca associada à parceria com o Parque Nacional da Gorongosa e a Gorongosa Safaris.

A Air Gorongosa representa mais do que uma simples mudança de marca. É um serviço de aviação com propósito, que apoia o turismo, a conservação, as operações comerciais e o acesso à saúde em todo o Moçambique.

Com uma frota modernizada, incluindo aeronaves a turbina como o Cessna Grand Caravan e o King Air 200, a Air Gorongosa está equipada para operar de forma segura e eficiente em ambientes remotos e desafiantes. Os serviços incluem voos charter privados e regulares, acesso a lodges remotos e destinos costeiros, apoio operacional a Organizações Não-Governamentais (ONG’s) e à indústria, e serviços aeromédicos.

A Air Gorongosa não se limita ao Parque Nacional da Gorongosa. A companhia opera em todo o país, ligando importantes centros como Maputo, Beira e Pemba com destinos costeiros, áreas de conservação e regiões remotas de todo o país.

O lançamento da Air Gorongosa ocorre num momento crucial, à medida que Moçambique continua a reformular a sua narrativa turística global e a aproveitar o impulso crescente.

A Air Gorongosa surge num momento em que a operadora se apresenta como uma das empresas de charter mais diversificadas do país, com diferentes aeronaves disponíveis e capacidade para voar a partir de várias localizações, consoante as condições das pistas.

“A Air Gorongosa é mais do que aviação. Trata-se de facilitar o acesso, desbloquear oportunidades e apoiar o crescimento a longo prazo de Moçambique”, afirmou o CEO da Air Gorongosa, David Svendsen.

“Estamos a construir um serviço de aviação fiável e de classe mundial que dá aos viajantes e parceiros a confiança para se ligarem a destinos em todo o país”, disse David Svendsen.

Com raízes no Projecto de Restauração da Gorongosa, a companhia aérea desempenha um papel fundamental no apoio à conservação e ao crescimento económico sustentável. A sua relação de longa data com o Parque Nacional da Gorongosa já provou ser uma solução de acesso fiável para os visitantes.

Os voos ligam os viajantes a uma vasta gama de destinos, desde o Parque Nacional da Gorongosa ao Arquipélago de Bazaruto e à extensa costa de Moçambique, permitindo itinerários perfeitos que combinam “selva e praia”.

“O turismo é um dos motores mais poderosos do crescimento e da conservação em Moçambique”, afirmou Doug Flynn, CEO e Director de Turismo da Gorongosa. “O acesso fiável é fundamental, dado que a Gorongosa Safaris continua a expandir o mercado turístico do Parque, e a Air Gorongosa já provou ser uma solução fiável. De uma forma mais ampla, desempenha um papel importante na construção da confiança em Moçambique como destino.”

O lançamento apoia um esforço mais amplo para promover uma narrativa positiva e orientada para o futuro de Moçambique como um país aberto, acessível e pronto para receber visitantes internacionais. Com o seu princípio orientador de “aviação com propósito”, a Air Gorongosa está a ajudar a reformular percepções, ao mesmo tempo que liga os principais destinos turísticos e comerciais do país.

A Air Gorongosa é uma empresa de aviação sediada em Moçambique que oferece voos fretados privados, voos regulares e serviços operacionais de aviação em todo o país, apoiando o turismo, a conservação, a logística e o acesso à saúde.

A actividade da empresa passa a assentar em três pilares centrais: aviação, conservação e comunidade para alinhar o transporte aéreo com a projecção internacional da Gorongosa enquanto referência de recuperação ecológica e desenvolvimento local. (Muamine Benjamim).

 

ENI não revelou a verdadeira extensão das emissões de gases que mudam o clima em Moçambique – relatório da ReCommon

A partir da análise de dados públicos e imagens de satélite examinadas pela associação e seus consultores, pode-se observar que a planta para extracção e liquefacção do gás do cão de seis patas tem sido protagonista de inúmeros fenómenos de queima desde o início da sua actividade em 2022, não sendo adequadamente relatada pela companhia petrolífera.

A queima consiste na prática de queimar gás excedente extraído junto com outros hidrocarbonetos, o que tem impactos significativos no clima, no meio ambiente e – nas proximidades de centros populacionais – nas pessoas, revelou o mais recente relatório da associação ReCommon, “Chamas Ocultas” sobre os impactos climáticos da usina Coral South da ENI, na costa de Moçambique.

ReCommon é uma organização europeia de política e advocacia.

Somente entre junho e dezembro de 2022, as operações de queima teriam resultado no desperdício de 435.000 metros cúbicos de gás, equivalente a cerca de 40% das necessidades anuais de Moçambique. Mas os episódios também foram represados em vários outros dias nos anos seguintes. Por exemplo, em 13 de janeiro de 2024, quando, segundo estimativas da ReCommon baseadas em dados da NASA, para cada hora de flare ocorrida naquele dia, a ENI teria liberado fumaça tanto gás quanto uma família italiana média consome em oito anos e meio. Segundo o relatório de 16 páginas, publicado em 26 de março de 2025.

No entanto, a multinacional italiana assegurou em documentos públicos que “os investimentos foram feitos, garantindo total conformidade com os padrões da Corporação Financeira Internacional (IFC) e dos Princípios Equatoriais (sic)”. No entanto, a “conformidade total” exibida pela ENI se traduz em emissões totais de Coral South FLNG subestimadas em até sete vezes. No estudo de impacto ambiental, que deu pouca importância ao flaring, as emissões totais da plataforma foram avaliadas como “desprezíveis”, estimadas em apenas 150.000 toneladas de CO2e por ano.

No entanto, a partir dos dados do Banco Mundial, apenas aqueles associados ao flaring ocorrido entre junho e dezembro de 2022 somam 1.098.188 tCO2e. Considerando que as emissões totais de Moçambique em 2022 foram de 10.028.180 tCO2e, em seis meses, as emissões crescentes da plataforma representaram apenas 11,2% das emissões anuais de Moçambique, um aumento de 11,68% em comparação a 2021.

Em geral, as emissões totais associadas a toda a cadeia de valor da Coral South FLNG e do seu projecto irmão Coral North FLNG – que ainda não foi implementado e para o qual a ENI está se preparando para captar capital no mercado – durante os 25 anos planejados de operação seriam equivalentes a 1 bilhão de toneladas de CO2e, ou seja, mais do triplo das emissões da Itália só em 2023.

Na assembleia de accionistas da ENI em 2024, a uma pergunta feita pela ReCommon sobre possíveis episódios de queima relacionados à Coral South FLNG, a empresa respondeu da seguinte forma: “Eles foram limitados à fase inicial de testes e aos casos esporádicos de reinício da planta“.

Uma declaração em flagrante contradição com a constatada em setembro de 2023 pela GALP, contraparte portuguesa da ENI, que na época detinha participação accionária no projecto Coral South.

Num documento preparado para o Climate Disclosure Project  (CDP), uma organização sediada no Reino Unido e uma das vozes internacionais mais reconhecidas na área de reporte de impactos ambientais e sociais também no mundo corporativo, a GALP relata o impacto ambiental das suas operações usando tons diferentes dos da ENI: A fase de comissionamento da Coral FLNG, em Moçambique, envolveu um intenso flare, resultando num aumento temporário nas emissões do Escopo 1 durante a segunda metade de 2022”. Ou seja, o período já mencionado é um dos mais caracterizados pelo fenómeno do flare.

“A principal multinacional italiana está se preparando para bater à porta de financiadores públicos e privados para a construção da Coral North FLNG, com os italianos SACE e Intesa Sanpaolo na primeira fila, aos quais se somam KEXIM e K-Sure na Coreia do Sul. Ficamos nos perguntando como essas instituições, após financiarem a Coral South FLNG devido à diligência ambiental inadequada, podem fazer o mesmo com o seu projecto irmão Coral North FLNG, independentemente dos impactos associados ao flareing“, disse Simone Ogno, da ReCommon.

“O tão elogiado ‘navio-capitânia’ da cooperação entre Itália e Moçambique nunca foi assim: a ENI tentou ocultar as dificuldades operacionais e subestimou os efeitos da queima da Coral South FLNG, um projecto que não traz segurança energética nem para a Itália, nem para Moçambique. Num país onde a violência sistémica e os impactos ambientais também estão ligados às actividades da indústria de mineração, a contribuição da ENI vem na maioria na forma de emissões que mudam o clima. Um cenário que corre o risco de se deteriorar com o novo projecto Coral North FLNG”, acrescentou Eva Pastorelli, do ReCommon. (PROFUNDUS).

 

Dondo: 67,6% da população tem acesso à água potável

A disponibilidade de água potável continua a ser um dos principais desafios em Moçambique, com maior incidência nas zonas urbanas onde a taxa de cobertura é quase insignificante. O distrito de Dondo, por exemplo, conta com 67,6% de taxa de cobertura, com 502 fontonários para uma população estimada em 250.766 habitantes.

Em Dondo, o abastecimento depende da distribuição através de 423 fontanários de captação do precioso líquido, 20 sistemas de abastecimento de água com redes elevadas e 59 fontanários ligados à empresa Fundo de Investimento de Património de Abastecimento de Água (FIPAG).

Comparativamente ao ano passado, Dondo aumentou 87 fontanários, dos 415. Mesmo assim, o distrito precisa de cerca de 300 fontanários de abastecimento de água para uma cobertura desejada.

Na qualidade de água, em Dondo acontece o inverso entre fontanários e torneiras.

Alguns residentes manifestam satisfação com a qualidade da água fornecida através do fontanário, destacando ser mais limpa e segura para o consumo em comparação com a água canalizada. “A água do fontanário é saudável e limpa. Toda a minha família bebe esta água por ser a melhor. Já a água da torneira sai suja, pior ainda com a chuva nos últimos dias”, afirmou Amina Marcelino.

Eduarda Marcolino também depende de fontanários para o acesso à água para consumo doméstico. “Vim buscar água, estou a sair do campo e estou a tirar água no fontanário porque bebemos desta água. É boa e agradecemos ao Governo por termos água”, disse.

Sob o lema “Promover a equidade de género para garantir água e saneamento para todos”, o Dia Mundial da Água, 22 de Março, serviu também para sensibilizar as comunidades sobre a importância do uso racional deste recurso essencial à vida.

“Quando a água não é bem cuidada e não tratada é vector de doenças diarreicas”, disse o administrador do distrito do Dondo, Adamo Ossumane, exortando para a boa gestão do precioso líquido.

Apesar dos constrangimentos aliados ao pleno funcionamento, devido a avarias e outras limitações de operação a taxa de cobertura situa-se em cerca de 67%, enquanto o município do Dondo apresenta um nível mais elevado numa percentagem de 87% nos dez bairros, com 8 mil ligações domiciliárias com maior concentração na sede.

Mas nem todos os 502 fontanários estão a operar. “Isso faz com que, neste momento, tenhamos uma taxa de 67% no abastecimento. E o acesso à água potável continua limitado em zonas mais afastadas, como postos administrativos, localidades e povoações.

Recentemente, foram entregues dois fontanários em Mafambisse, no Bloco 9. Afinal, “é preocupação do Governo do Dondo satisfazer as necessidades das nossas populações nesta componente de água. Contudo, tudo passa necessariamente pela boa conservação das fontes existentes, incluindo os pequenos sistemas. Se não garantirmos a sua manutenção, continuaremos a enfrentar dificuldades”, admite o administrador distrital.

“Temos escolas, unidades sanitárias que não têm fontes de água, sabemos que a água é muito importante numa maternidade e na escola porque às vezes, crianças saem de casa depois de pequeno-almoço, vulgarmente, matabicho e quando correm à escola chegam com sede”. Estas situações colocam em risco a qualidade dos serviços básicos, particularmente em locais sensíveis como maternidades, onde é essencial garantir condições adequadas de higiene e atendimento.

Por outro lado, as autoridades defendem a necessidade de empoderar a mulher no uso e gestão sustentável da água. Nas zonas rurais, por exemplo, as mães percorrem diariamente entre 300 a 500 metros em busca deste líquido precioso, para lavar, regar a horta e cozinhar. (Narcísio Cantanha).

 

Gorongosa leva palestras sobre florestas e economia para Mafambisse

O Parque Nacional da Gorongosa (PNG) mantem palestras sobre “floresta e economia” no posto administrativo de Mafambisse, povoado do Milha 8, bairro Nhamachatera, interior do distrito de Dondo, alusivas ao Dia Mundial das Florestas, 21 de Março, sob o lema “Florestas e Economia”. O objectivo do evento é chamar à consciência da comunidade para melhores práticas, garantindo florestas e economia.

No último sábado, o PNG, o Governo e a comunidade, juntaram-se para o plantio de cerca de 730 mudas de diferentes espécies, simbolizando um acto que deve ser contínuo nas comunidades.

O Sector de Relações Comunitárias, através do Programa de Educação para a Conservação do PNG e o Serviço Distrital de Planeamento e Infra-estruturas do Dondo (SDPI), organizaram o evento para consciencializar sobre a importância da floresta para o ambiente e do ser humano, promovendo mudanças de comportamento no uso dos recursos naturais escassos.

“As florestas desempenham um papel essencial na segurança alimentar, na nutrição e na sobrevivência de diversas espécies, sendo também fonte de rendimento para muitas comunidades”, explicou o supervisor do Programa de Educação Ambiental, Valdemiro Ozobra, em Dondo.

No entanto, essas espécies continuam ameaçadas por práticas como queimadas descontroladas, abate indiscriminado e exploração ilegal de recursos. “As comunidades locais são chamadas a participar activamente neste processo educativo, através do plantio de árvores nativas, da protecção das florestas e do uso responsável dos recursos naturais”, contou Ozobra.

Segundo a coordenadora da Repartição de Gestão Ambiental no SDPI no Dondo, Graça de Oliveira, devastar florestal continua a ser um grande entrave, sobretudo devido ao corte de madeira para o fabrico de carvão vegetal.

“O Dia Mundial das Florestas remete-nos a uma reflexão profunda sobre a necessidade da preservação da floresta no geral. Precisamos de ter a consciência colectiva de que cada árvore plantada é um investimento para nós actualmente e para as futuras gerações”. A prática, muitas vezes feita de forma descontrolada, inclui o abate de árvores ainda em crescimento, contribuindo significativamente para a degradação do meio ambiente.

A residente, Maria João defende que a preservação das árvores é essencial para a vida. “As árvores ajudam-nos a ter ar puro e sombra, além de protegerem o solo. Se continuarmos a cortar sem plantar outras, no futuro vamos sofrer com calor intenso e falta de chuva. Precisamos de cuidar melhor a natureza.”.

Sob o lema “Florestas e Economias”, os participantes destacaram a importância de equilibrar o desenvolvimento económico e a preservação ambiental. (Narcísio Cantanha).

 

 

Chemba precisa de assistência para 6.359 famílias vítimas de inundações

O número de casas destruídas e famílias afectadas pelas inundações no distrito de Chemba aumentou, incluindo as famílias assoladas, mas a situação está controlada, segundo informações o Governo.

Há quatro dias, o administrador do distrito fez um apelo urgente à população para abandonar imediatamente as zonas propensas a inundações, no início do transbordo da lagoa n’tunga, invadindo as principais vias de acesso da sede de Chemba.

Além de n’tunga, na vila de Chemba e restantes zonas, a situação passou para fase crítica com o aumento das águas do rio Zambeze.

De acordo com os dados, o número de casas de construção precária destruídas subiu de 20 anunciadas após 24h, para 24, em quase 48h, afectando 95 famílias. A destruição inclui duas casas de construção convencional parcialmente afectadas, além de outras 172 casas inundadas, 11 estabelecimentos comerciais, um armazém e uma estância hoteleira inundada.

O administrador de Chemba, Bento Conde Zeca, informou, igualmente, o distrito está isolado dos vizinhos, Caia, dentro da província de Sofala, e Tambara – província de Manica. Portanto, a única via de acesso possível é por Marínguè.

Na ocasião, Zeca assegurou que não há necessidade de criar centros transitórios, pois muitas famílias afectadas estão a ser acolhidas por familiares e as águas estão a baixar gradualmente.

Durante as inundações, foram resgatadas 16 pessoas no âmbito das operações.

As inundações também afectaram uma área de 5.674 hectares de culturas diversas, colocando num perigo de insegurança alimentar a 6.359 famílias.

O receio da insegurança alimentar apontada pelo administrador de Chemba, é também aliado a invasão de elefantes nas zonas de Tchola e Chawawa nessas inundações.

Os elefantes têm-se aproximado de áreas habitacionais e campos de produção agrícola, destruindo culturas e colocando em risco a segurança das famílias. A circulação dos animais é mais frequente durante a noite.

Neste momento, Chemba precisa de um pouco de tudo: 14 toneladas de arroz, sete toneladas de farinha, 1.425 litros de óleo, duas toneladas de feijão, 285 quilogramas de sal, 1.425 kgs de açúcar para assistência trimestral às famílias afectadas pelas inundações. Além disso, o distrito carece de 79,5 toneladas de sementes de milho, 47,7 toneladas de semente de feijão Nhemba, e 63,6 toneladas de semente de feijão.

A assistência deve envolver produtos de higiene, pelo menos 100 mantas, 100 baldes, 30 tendas entre outros produtos necessários.

O governo local está a trabalhar para garantir a segurança das comunidades afectadas e reabrir as estradas. A situação está a ser monitorada de perto, e as autoridades apelam à população para que se mantenha calma e siga as instruções de segurança. (Rosário Phoinde).

Gorongosa leva palestras sobre floresta para comunidade de Derunde- Oliveira

O Parque Nacional da Gorongosa (PNG) mantem palestras sobre “floresta e economia” na comunidade de Derunde-Oliveira, interior do distrito de Muanza, alusivas ao Dia Mundial das Florestas, 21 de Março, sob o lema “Florestas e Economia”. O objectivo do evento é chamar à consciência da comunidade para melhores práticas, garantindo florestas e economia.

No último sábado, o PNG, Governo e a comunidade, numa estimativa de cerca de 170 participantes, juntaram-se para o plantio de mudas de cajueiros, simbolizando um acto que deve ser contínuo. O evento também foi marcado por um momento de redacção, poesia e cânticos sobre o impacto das florestas e como conservá-la.

“Então, vamos todos cuidar muito bem deste nosso recurso. Vamos cuidar bem destas árvores, desta floresta que Deus nos deu; vamos fazer valer aquilo que Deus fez para nós; vamos usar muito bem aquilo que Deus nos deu. Esta floresta está repleta de árvores medicinais, é preciso que a gente cuide muito bem, porque quando a gente corta essas árvores, estamos a matar a nossa saúde, não vamos ter onde podemos tirar a planta, as folhas ou as raízes, as partes do caule, para tratar a nossa doença”, disse a administradora de Muanza, Maria Pulseira, terminando com a frase que mais dominou o evento, “eu sou árvore, por favor não me queimem”.

Maria Pulseira apelou para a partilha de melhores práticas ambientais nas comunidades, principalmente, a partir dos participantes do evento.

“Temos que plantar muito e apelar a nossa comunidade para que cuidemos da floresta como nós temos que cuidar das nossas casas. Cada árvore que preservamos e cada queimada que evitamos, ajudamos a garantir água, bom clima e melhores colheitas agrícolas para todos”, disse o supervisor do Clube de Professores, Luscídio Meque, em representação da supervisora do Programa de Educação para Conservação do PNG.

Segundo Luscídio Meque, a floresta é vida e protegê-la é proteger o futuro das nossas famílias. Juntos, podemos construir um distrito mais verde e mais forte. Com a perda das florestas os animais selvagens vão desaparecer, também teremos a erosão do solo que vai destruir as vias de acesso e inundar as aldeias. As florestas continuam a ser um elemento fundamental aos seres humanos e desempenham um papel importante na segurança alimentar e nutricional”.

“Conhecimento sobre a conservação do meio ambiente eu já tinha, mas que hoje é o Dia Mundial da Floresta não sabia, mas de tudo que ouvimos aqui vamos implementar plantando mais árvores para mantermos a nossa floresta viva”, disse o líder comunitário de Derunde-Oliveira, Carlitos João Missasse, reconhecendo que continuam as práticas nocivas ao ambiente como queimadas descontroladas, abate de árvores.

Muanza tem uma cobertura florestal de cerca de 4.998.453 hectares.

Através do lema deste ano “Florestas e Economia” entende-se que o verdadeiro desenvolvimento só é possível quando a prosperidade financeira anda de mãos dadas com a preservação ambiental. É um chamado para transformar a relação entre a sociedade e natureza em algo equilibrado, duradouro e justo. (João Cipriano).

Agente da carteira móvel morto depois de baleado e assaltado 40 mil meticais em Mafambisse

Zaqueos Constantino, de 26 anos, residente no bairro Munhonha, posto administrativo de Mafambisse, no distrito do Dondo, província de Sofala, morreu na última sexta-feira, depois de transferido para o Hospital Central da Beira, vítima de baleamento na região de abdómen. A família confirmou a morte.

O jovem esteve hostilizado depois de dar entrada na última quarta-feira, quando foi alvejado por quatro indivíduos armados.

Suspeita-se que os quatro indivíduos se dirigiram à banca do jovem no Mercado Pioneiros, na Estrada Nacional Seis (EN6) às 20 horas, agrediram-no recorrendo à arma de fogo e fugiram com 40.000 meticais.

“Às 20 horas, um dos amigos dele veio com telefones da conta móvel e pessoal, dizendo que seu irmão está estatelado onde exerce actividades e que levou tiro no abdómen. Saímos a correr para o local, já não estava ali, foi levado à unidade sanitária de Mafambisse”, relatou o irmão da vítima, Luís, reiterando que “os profissionais de saúde fizeram de tudo para mantê-lo em vida”.

Devido à gravidade dos ferimentos, foi transferido ao Hospital Central da Beira. As observações médicas indicaram concentração de sangue no corpo, e que a gravidade da situação afectou os intestinos, resultando em estado de reanimação por três dias, até morrer.

Os colegas suspeitam que os criminosos tenham se aproximado de forma discreta, simulando interesse em serviços normais, mas depois questionaram sobre a existência de valores elevados disponíveis para levantamento.

“Trabalhamos com dinheiro todos os dias e, neste momento, vivemos com medo, porque já não sabemos quem é quem. O mais preocupante é que esses bandidos se aproximam disfarçados de clientes. Se a pessoa não estiver atenta, começam a perguntar se há depósitos de valores elevados, como 50 a 70 mil meticais, para levantamento”. É um acto que também já levanta suspeitas entre os agentes, relatou Castro Juiz, agente de carteira móvel em Mafambisse.

Há relatos de que este é o terceiro crime visível aos agentes que movimentam dinheiro através de carteira móvel em Mafambisse.

A situação está a gerar um clima de insegurança entre os operadores, que apelam ao reforço de medidas de protecção e maior vigilância por parte das autoridades, de modo a prevenir possíveis assaltos e garantir a continuidade segura dos serviços financeiros na comunidade.

As autoridades ainda não se pronunciaram, enquanto diligências decorrem para neutralizar os criminosos para responsabilizá-los judicialmente. (Narcísio Cantanha).

Jornal Profundus

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