Hemofilia: Ainda sem cura e com raro tratamento em Moçambique

Anualmente, Moçambique celebra o Dia Mundial da Hemofilia, a 17 de Abril. Este ano comemorou sob o lema “Mulheres também sangram”, mostrando a preocupação pela doença. Por se tratar de uma enfermidade que afecta “tipicamente homens”, entretanto, surgem novos casos de mulheres com esta patologia, subindo de sete casos para 14, de 2023-2024.

Hemofilia é um distúrbio hemorrágico genético e hereditário que afecta a coagulação sanguínea, causando sangramentos, que podem ser internos, e sintomas como hemorragias na gengiva, nariz, urina ou fezes, ou hematomas pelo corpo, por exemplo.

Esse distúrbio é causado por deficiência ou diminuição da actividade dos factores de coagulação VIII e IX no sangue.

A médica pediátrica no Hospital Central de Maputo (HCM), Faizana Amoto, explicou que a hemofilia é caracterizada essencialmente por sangramento excessivo. Revelou ainda que Moçambique já conta com cerca de 50 pessoas diagnosticadas com essa patologia.

“O número poderia ser muito maior, mas o défice de hematologistas não permite o rastreio da doença noutros cantos do país, para além de Maputo, Beira e Nampula, onde se faz o diagnóstico”.

Apesar de não ter cura, a hemofilia tem tratamento a ser feito pelo hematologista com injecções periódicas com o factor de coagulação que falta no organismo, para prevenir sangramentos ou sempre que houver uma hemorragia, que precisa ser resolvida rapidamente.

Esta doença ainda não tem cura, porém pode ser tratada e apresentar resultados eficazes. Citou, por exemplo, o uso de “Emicizumab” (um anticorpo monoclonal biespecífico humanizado para o tratamento simples da hemofilia.

Entretanto, a redução da doação pela Federação internacional de hemofilia (WHF-sigla inglesa) fez com que o número de internamentos aumentasse em 2023 e 2024 no país.

Antes da introdução do tratamento com Emicizumab, os pacientes com hemofilia dependiam da profilaxia semanal tradicional. Nesse período, os números de internamentos foram de dez pacientes em 2018, 17 em 2019, sete em 2020 e 13 em 2021.

Em 2022, com a adopção do Emicizumab, houve uma redução de 11 casos em relação ao ano anterior, totalizando dois internamentos. Entretanto, em 2023 e 2024, devido aos atrasos na disponibilidade do medicamento, os números aumentaram de sete para 14 internamentos, respectivamente.

Os sintomas da hemofilia são as manchas roxas na pele após um pequeno trauma; sangramentos espontâneos, sem razão aparente, como na gengiva ou nariz; inchaço e dor nas articulações, como joelhos, cotovelos, tornozelos, ombros, punhos e quadris; sangramento durante o nascimento dos primeiros dentes; hemorragias difíceis de parar após um simples corte ou cirurgia; ferimentos que demoram muito tempo para cicatrizar, além de menstruação excessiva e prolongada.

O sangramento causado pela hemofilia pode ser leve, moderado ou grave, e afectar órgãos internos, como o cérebro e resultar em hemorragia cerebral ou sistema gastrointestinal, causando dor abdominal, sangue nas fezes ou vómito com sangue, por exemplo.

Os sintomas de hemofilia podem ser identificados nos primeiros anos de vida do bebé, no entanto, podem surgir durante a puberdade, adolescência ou na vida adulta.

 

A versão de quem vive com a doença

Jamina Sarita, mãe de Nazimo Abdala de 40 anos, contou ao “Profundus” sobre a situação do filho. Aos 3 anos, começou por apresentar inchaço nas articulações e sangramento espontâneo, tendo sido diagnosticado como hemofílico na África do Sul. “Ele chegou a usar cadeira de rodas, sempre teve problemas de inchar o joelho”.

Antes, o tratamento contra hemofilia apenas era possível na África do Sul e que, em casos urgentes, recorria ao tratamento com gelo. Já em Moçambique, o Hospital Central começou a tratar essa doença em 2011, porém ainda enfrenta desafios no diagnóstico e na medicação.

Adelina, mãe dos meninos Shelton Ernesto e Feliz Ernesto, de 13 e 6 anos, respectivamente, também, compartilhou a situação dos meninos que padecem da mesma doença.

Os filhos apresentam sangramento nas gengivas e inchaços nos joelhos, recorrendo à aplicação de gelo para atenuar a hemofilia.

Segundo dados da World Federation of Hemophilia (WHF), cerca de 450 mil pessoas vivem com hemofilia no mundo. Estima-se que cerca de 85% dos casos são do tipo “A”, caracterizada pela deficiência do “factor VIII”, e 15% são do tipo “B”, causada pela deficiência do “factor IX”. (Profundus).

Chemba precisa de 143,7 toneladas de culturas diversas

Este ano, o distrito de Chemba precisa de 143,7 toneladas de culturas diversas para garantir a segurança alimentar. São dados revelados durante a III Sessão Ordinária do executivo.

Na ocasião, o administrador de Chemba Bento Zeca, revelou que o distrito precisa de 143,7 toneladas de culturas, garantindo a segurança alimentar. Para tal, o executivo prevê a produção de 70.887 toneladas de diversas culturas numa área de 12.207 hectares para beneficiar um total de 11.263 famílias.

Lembre-se que o distrito de Chemba sofreu ciclicamente de estiagem nos últimos dois anos. De 2024 para 2025, a população viu-se obrigada a alimentar-se de frutas silvares, raízes de bananeiras, ervas daninhas, nenúfares e outros produtos que a natureza oferece.

Algumas famílias tiveram que vender todo o gado para comprar alimentos, outras até abandonaram a região à procura de melhores condições de vida. (Rosário Ntepa).

Gorongosa fortalece comunidades na garantia de florestas e alimentos

O Parque Nacional da Gorongosa (PNG) fortalece as comunidades para garantirem florestas e alimentos. A recente actividade envolveu centenas de pessoas mobilizadas como resultado de uma acção conjunta entre o Parque e Governo nos seis distritos nomeadamente, Nhamatanda, Gorongosa, Cheringoma, Maringué, Muanza e Dondo para juntos reflectirem sobre o Dia Internacional de Florestas, 21 de Março ao benefício da vida humana e animal, tendo a Serra da Gorongosa como exemplo.

Sob o lema “Florestas e Alimentos”, o PNG e os governos distritais nas comemorações do Dia das Florestas, envolveram comunidades desde o plantio, sensibilizações, actividades culturais sobre a importância das florestas na garantia de alimentos, premiações de crianças vencedoras de concursos de poesia e leitura das redacções sobre a necessidade de Conservar de forma sustentável – uma estratégia para garantir as boas práticas com as futuras gerações.

O “Profundus” posicionado nos distritos da Zona de Desenvolvimento Sustentável do PNG traz alguns momentos marcantes do evento.

 

Nhamatanda destaca lodge e apicultura

O supervisor de Relações Comunitárias, Chico Júlio Fagema, em palestra fez lembrar a importância de consciencializar os membros da comunidade a olhar a floresta com objectivos diários, “fazer com que eles percebam que os alimentos que tanto procuram a sua produção depende da existência da floresta. Dai optar por actividades que visam garantir o uso sustentável dos recursos naturais, deixando as actividades que prejudicam a floresta, tal é o caso de queimadas descontroladas, abate das árvores, optar o agroflorestamento, praticando agricultura e deixar árvores a servirem de estrume, garantindo maior produção das culturas”.

Supervisor de Relações Comunitárias, Chico Júlio Fagema

“Consciencializar a comunidade sobre os danos que pode causar a ausência da floresta; os animais dependem da floresta usando-a como habitação; as residências são protegidas pelas florestas em situações de ciclones, além da sua fácil reconstrução até mobiliários”, chamou atenção.

O PNG não apenas conserva, mas também motiva o desenvolvimento humano apoiando as iniciativas locais, por isso, Nhamatanda tem um exemplo concreto de lodge e apicultura.

O Comité de Gestão de Recursos Naturais de Matenga, à direita pela Estrada Nacional Número Um (EN1), no sentido Inchope-Gorongosa, foi o local estratégico para as comemorações do Dia Internacional de Florestas, 21 de Março.

Com o apoio do PNG, nesta fase inicial, o Lodge de Mucombezi conseguiu três tendas, instalou e respectivos colchões. As camas são feitas localmente pelos membros do Comité de Gestão de Recursos Naturais (CGRN). Agora, pretende-se abrir um sistema de abastecimento de água, construção de cozinha, casa de banhos e ter energia eléctrica, apesar de neste momento recorrer ao sistema de painel solar. Com a sustentabilidade do projecto, a visão é de aumentar o número de tendas e construir casas, usando o material local e reforçar a segurança.

O CGRN de Matenga é composto por 40 membros voluntários (27 homens e 13 mulheres), subdivididos em 15 fiscalizadores (oito mulheres e sete homens); dez facilitadores comunitários (duas mulheres e oito homens); 15 animadores ou produtores de plantas no viveiro (dez mulheres e cinco homens).

Em 2022, com cinco animadores, o CGRN iniciou 200 palestras, abrangendo 1.221 homens e 812 mulheres; 2023: 7, 280, 1.331, 861; 2024: 10, 400, 1.724 e 916, respectivamente. Portanto, um aumento de sensibilizações e abrangência, anualmente.

Em 2022, o CGRN apreendeu 11 armadilhas mecânicas, 12 ratoeiras, 16 serras de madeiras; oito cabos de aço e 21 redes de pesca; 2023; nove, oito, dez, quatro e 13; 2024: cinco, três, quatro, dois e seis, respectivamente. Portanto, há uma tendência de redução da caça furtiva em Matenga.

Enquanto a apicultura soma 400 colmeias para 200 beneficiários directos. Com esta actividade, pretende-se vender o mel para a Fábrica de Processamento e Extracção de Mel da Gorongosa, sustentando as famílias e, ao mesmo tempo, de forma prática, fazendo compreender as comunidades a essência da conservação sustentável dos recursos naturais escassos.

“Todos nós, temos a missão de reflectirmos para protecção da mesma floresta, melhorando os efeitos das mudanças climáticas”, exortou o secretário permanente de Nhamatanda, José Lopes, em representação do administrador do distrito.

Secretário Permanente de Nhamatanda, José Lopes

Nos “últimos três anos, a manutenção das florestas tem vindo a melhorar”, avaliou José Lopes, especificando “o abate de árvores a diminuir, particularmente com essa coordenação com os nossos parceiros [como a Gorongosa], a caça furtiva tende a diminuir”.

 

Portanto, “podemos dizer que [os membros] da comunidade de Nhamatanda com base no trabalho de sensibilização, a sua mentalidade tende a mudar [positivamente] eles são os primeiros defensores contra os males” da floresta, conclui o Governo de Nhamatanda.

 

Gorongosa com plantio para mais frescura em Canda

Já no distrito de Gorongosa, as comemorações decorreram num ambiente de proximidade com a Serra da Gorongosa – um destaque turístico, concretamente no Posto Administrativo de Nhamadzi -Canda.

Nesta data, devemos “reflectir a acção humana sobre a natureza, sobretudo as florestas”, lembra o supervisor distrital de Relações Comunitárias do PNG, Samuel Figueira.

Supervisor distrital de Relações Comunitárias do PNG, Samuel Figueira.

Para Samuel Figueira, a prática de agricultura itinerante aliada a aspectos culturais locais, é um dos desafios para garantir florestas em Gorongosa, por isso, deve-se abandonar a “prática de agricultura itinerante para agricultura de conservação”, tornando cada vez mais o distrito de Gorongosa o celeiro da província.

“Devemos cuidar das nossas florestas, não praticar actividades nocivas, como, queimadas descontroladas [e] desmatamento, porque são elas que nos dão vida através deste ar puro que estamos a respirar, para termos boa vida; e também nos dão chuva no tempo certo, para o desenvolvimento das nossas culturas nas machambas onde produzimos”, exortou o administrador de Gorongosa, Pedro Mussengue.

(No meio), Administrador do distrito de Gorongosa, Pedro Mussengue

Pedro Mussengue apelou a “todos vocês, professores, alunos e aos líderes tradicionais, todos a juntarem-se numa única só mensagem [de] defender as nossas florestas e proteger as nossas florestas”.

Durante as comemorações do Dia de Florestas, Gorongosa plantou cerca de 700 árvores nativas.

 

Cheringoma envolve crianças em concursos sobre floresta

No distrito de Cheringoma, a Gorongosa envolveu crianças a concursos de poesia, redacção e leitura, na vila sede distrital.

“O distrito de Cheringoma está abençoado e deve congratular-se por ainda possuir florestas, por isso, a população deve ser ensinada a conservá-las”, chamou atenção o representante do PNG, Zondai Chunguani.

Zondai Chunguani apresenta os benefícios das florestas: “são uma barreira natural contra factores adversos da natureza; nos protegem da água das chuvas que podem provocar a erosão; reduzem o impacto dos ventos que destroem muitas vezes cidades ou aldeias inteiras; permitem que o ar que respiramos seja purificado continuamente; são a fonte da chuva que evita a desertificação”, entre outras vantagens.

Representante do PNG, Zondai Chunguani

 

Na ocasião, a administradora de Cheringoma, Maria Waite, enalteceu o esforço que o Parque e Governo fazem para educar a população a respeitar e a conservar os recursos naturais, exemplificando, como a floresta nos pode proteger referiu-se ao “ciclone IDAI que, em Cheringoma não teve grande impacto devido à defesa que a floresta exerceu”.

 

Maria Waite chamou atenção para a necessidade da população garantir a segurança alimentar, aprendendo a produzir sem destruir florestas como era prática comum no passado.

Administradora de Cheringoma, Maria Waite

Cheringoma submeteu crianças amigas do ambiente a um concurso de redacção, poesia e leitura sobre florestas. O vencedor ganhou uma pasta, canetas e cadernos. É uma forma prática de garantir a conservação sustentável contando com as futuras gerações. (Muamine Benjamim, Ancha Assane e Ricardo Mapoissa).

DESOBEDIÊNCIA AO TRIBUNAL? Vulcan volta a extrair carvão com detonações em Moatize

 

 

A Comissão dos Residentes do Distrito de Moatize Contra os Impactos Negativos das Actividades de Mineração e Extracção Mineral a céu Aberto e Justiça Ambiental (JA) denunciam numa carta a que o “Profundus” teve acesso, a continuação da Vulcan na extracção do carvão em Moatize em menos de um mês da decisão do tribunal e num silêncio dos que levaram o caso para a justiça.

No dia 19 de dezembro de 2024, moçambicanos por todo o país, e em particular os moradores da cidade de Moatize, na província de Tete, comemoraram a decisão tomada pelos juízes do Tribunal Administrativo da Província de Tete: a mineradora Vulcan deveria, num prazo de 72 horas, suspender todas as suas actividades de extracção mineral nas secções 4 e 6 da sua mina de Moatize, durante 90 dias. Esta decisão surgiu no âmbito de uma intimação interposta pela Associação dos Direitos Humanos de Tete, devido aos elevados níveis de poluição atmosférica que se verificavam na zona, e eram denunciados por inúmeros moradores da mesma.

O tribunal concluiu que a mineradora estava violando direitos fundamentais e ordenou a paralisação imediata das actividades.

Após a decisão do tribunal, a Vulcan chegou a suspender as actividades nas secções 4 e 6, mas apenas por alguns dias. No final de dezembro a mineradora já estava novamente a operar normalmente, desafiando a decisão do tribunal e mostrando, mais uma vez, que a saúde dos moradores da região ou o meio ambiente não podem prejudicar os seus lucros. Conforme as imagens e vídeos em anexo, bem como as próprias mensagens da Vulcan a avisar os moradores a respeito das detonações, este incumprimento da decisão do tribunal tem sido amplamente documentado por vários moradores de Moatize.

 

 

Silêncio estranho enquanto os moradores negam destruições

Estranhamente, a organização que interpôs este meio processual em nenhum momento denunciou ou agiu legalmente perante o referido incumprimento. Até ao momento, não houve manifestação pública sobre a interposição de um recurso por parte da Vulcan. Caso tal recurso tenha sido apresentado, as partes envolvidas devem ser notificadas formalmente.

De qualquer forma, até que o tribunal se pronuncie sobre o recurso, o Acórdão 47/TAPT/2024 deve ser integralmente acatado, sem reservas, conforme a decisão tomada pelo Tribunal Administrativo da Província de Tete. Lembramos que o descumprimento da decisão judicial configura o crime de desobediência qualificada, além de acarretar responsabilidade civil e disciplinar sobre a empresa.

“Os moradores de Moatize rejeitam veementemente a conduta da Vulcan e reiteram que a exploração de carvão a céu aberto tem causado danos significativos ao meio ambiente, poluindo o ar, o solo e os cursos de água, além de comprometer gravemente a saúde da população local. Diante da gravidade da situação, e no dia em que passam justamente três meses desde a decisão do Tribunal, apelamos ao Ministério Público para tomar as providências para garantir a aplicação das sanções cabíveis pela violação da decisão judicial e pela contínua infracção das normas ambientais. Recomendamos que sejam avaliadas medidas mais rigorosas, incluindo a suspensão temporária ou definitiva da licença de exploração mineira da Vulcan, em razão das reincidentes violações dos direitos das comunidades e dos compromissos internacionais assumidos pelo Estado, como o Acordo de Paris, bem como os artigos 20, 23 e 24 da Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos”.

Até ao fecho desta redacção, a Vulcan não reagiu, mesmo depois de contactá-la sobre o assunto por email de assessoria de imprensa. (Muamine Benjamim).

 

Professores ameaçam paralisar aulas em Mocuba

Professores da Escola Secundária Geral Samora Machel – Mocuba, distrito do mesmo nome ameaçam paralisar aulas a partir de hoje, segunda-feira, por motivos de não pagamento das horas extras referentes aos anos de 2023 e 2024 e faltando ainda por pagar o valor de 2022 para alguns colegas.

Uma nota a que o “Profundus” teve acesso indica que a “paralisação efectiva das aulas a partir do dia 31 de março até que se efective o pagamento na totalidade do valor da dívida”, escrevem os professores.

“Estamos cientes de que já fomos deveras pacientes, e que este posicionamento tem bases legais, de acordo com o artigo 51 CRM que prevê o direito à liberdade de reunião e de manifestação para a sua efectivação, na medida que o Estado não tem honrado com o seu papel em garantir o pagamento do trabalho extraordinário, dai que apelamos que se efective o pagamento do valor em dívida o mais breve possível, porque só assim iremos voltar a salas de aulas”, lê-se no documento datado de 26 de março, entregue ao Serviço Distrital da Educação, Juventude e Tecnologia (SDEJT) Mocuba. (Luísa Franque).

Gorongosa vai apoiar 3.500 famílias com produtos alimentares e higiénicos

 

 

O Parque Nacional da Gorongosa (PNG) distribui kit de alimentação e higiene a cada família, além de assisti-las com técnicas de produção e sementes. São 3.500 famílias que vão se beneficiar de farinha de milho, arroz, feijões, óleo alimentar, sal, peixe seco, sabão e leite em pó contra a insegurança alimentar.

“Os agricultores que vivem perto do Parque Nacional da Gorongosa são trabalhadores, inteligentes e resilientes. Com muito pouca tecnologia, cultivam milho, sorgo, gergelim, legumes, frutas e culturas arbóreas como o cajú. Alimentam as suas famílias e cobrem as necessidades domésticas”. Lê-se num comunicado a que o “Profundus” teve acesso.

“O Parque da Gorongosa apoia-os com ferramentas e formação e, por vezes, sementes melhoradas. Mas todo o mérito do seu sucesso vai para eles. À medida que continuam a aumentar os rendimentos todos os anos, sairão da pobreza”.

“Este ano as chuvas chegaram tarde e as colheitas não cresceram. Isso criou insegurança alimentar. Por conseguinte, o Projecto da Gorongosa está a implementar um programa de distribuição de alimentos com um donativo suplementar da Fundação Greg Carr, “lê-se no documento.

O Programa apoiará um total de 3.500 famílias. Neste momento, “a nossa colega de equipa do Projecto da Gorongosa, Gabriela Curtiz, está a liderar este esforço, em coordenação com o governo local”, adianta o comunicado.

“Estamos a fornecer um “kit” de alimentação a cada família composto por [um saco de] farinha de Milho – 25 Kg; [um saco de] arroz Mariana– 25 Kg; feijões – 5 Kg; óleo alimentar – 2 litros; sal – 1Kg; peixe seco – 2 Kg; sabão – 2 barras e leite em pó”, escreve a Gorongosa.

A Gorongosa prevê que “em qualquer ano pode haver uma crise de curto prazo. A solução a longo prazo é que estas famílias sejam capazes de desenvolver reservas de alimentos e dinheiro. Alguns poderão algum dia conseguir implementar a irrigação para corrigir chuvas imprevisíveis”.

“Estamos juntos, com os nossos vizinhos”, o PNG.

O Projecto de Restauração da Gorongosa procura integrar a conservação e o desenvolvimento humano com o entendimento de que um ecossistema saudável beneficiará os seres humanos, que por sua vez serão motivados a apoiar os objectivos do Parque Nacional da Gorongosa. (Profundus).

Gorongosa capacita professores para incluir matérias de Conservação nas aulas

 

 

O Parque Nacional da Gorongosa, através do sector da educação capacitou nos dias 15 e 16 de março corrente, 19 profissionais entre coordenadores das Zonas de Influência Pedagógica (ZIPs) e professores, em Abordagem de Análise Reflexiva de Aulas (ARA) em Cheringoma, cujo objectivo é reforçar a aprendizagem, principalmente em Literacia e Numeracia fazendo ligação com a Conservação, aos alunos da Zona de Desenvolvimento Sustentável do Parque.

Durante a capacitação, houve simulação de implementação das matérias aprendidas, facilitando a troca de experiências entre professores de Cheringoma e do distrito vizinho Maringué, ainda na província de Sofala. Esta aprendizagem é alinhada à estratégia nacional de formação contínua em Abordagem de Análise Reflexiva de Aulas (ARA).

Supervisor do Clube de Professores, em Cheringoma, Algés Guerreiro

“Esperamos melhorias no desempenho dos professores na sala de aulas de modo que esses conduzam da melhor forma as aulas para que as crianças consigam aprender principalmente na leitura, escrita e na contagem básica de matemática”, disse o supervisor do Clube de Professores, Algés Guerreiro, em Cheringoma.

Segundo o Ponto Focal do Clube de Professores em Cheringoma, Estrela Nicolao Gimo “a educação em Cheringoma está mais avançada porque o nosso parceiro Parque Nacional da Gorongosa tem envidado muitos esforços no que diz respeito ao processo de ensino e aprendizagem, através de várias estratégias, técnicas de como os professores podem leccionar as aulas com base nas matérias que aparecem nos planos temáticos”.

Ponto Focal do Clube de Professores em Cheringoma, Estrela Nicolao Gimo

 

A Gorongosa consegue estimular aos professores a fazerem “ligação dos planos temáticos com a realidade no terreno porque um dos objectivos do Parque é a Conservação da Biodiversidade”, então, deve haver ligação “entre a Conservação do Meio Ambiente e a aula em destaque que vai ser leccionada naquele dia”.

“Nesses últimos dias, estamos a ver muita aderência da rapariga às escolas, pelos Clubes das raparigas, mantendo-lhes nas escolas; Clubes ambientais nas escolas onde aprendem o facto de a escola ser importante para o futuro melhor deles”, avalia Estrela Nicolao Gimo, o impacto dos programas da Gorongosa nas comunidades. “É uma grande valia ter o Parque Nacional da Gorongosa como parceiro na educação”, reiterou.

Já o Serviço Distrital de Educação, Juventude e Tecnologia (SDEJT) de Maringué representando pelo respectivo técnico David Albino faz uma descrição das acções do Parque, pedindo uma abrangência dos programas, comparando os resultados nas áreas implementadas com as não abrangidas.

Representante do SDEJT-Maringué, David Albino

 

“Esperamos resultados positivos porque as escolas na Zona Tampão com a intervenção do Parque Nacional da Gorongosa, estão sempre na linha da frente em relação às que não estão contempladas. Com isso, gostaríamos [como sector da educação] que esse acto [de capacitação] fosse contínuo e se possível abranger mais escolas de modo a alcançar resultados melhores. É mais um aprendizado para mim e para os demais colegas que estiveram no treino”, descreveu o técnico do SDEJT de Maringué.

A capacitação de professores decorre em todos os distritos da Zona Tampão ou Zona de Desenvolvimento Sustentável do Parque Nacional da Gorongosa.

O Clube de Professores tem a missão de promover uma abordagem integrada de parcerias para a conservação e um desenvolvimento centrado na população. Para tal, este Programa foca-se no investimento de formação de professores, em coordenação com os serviços distritais de Educação e o Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano, pela educação formal. (Lucas Singale – Cheringoma).

Pontes no 5.º bairro e 9.º-4.º bairros na Vila Municipal de Nhamatanda em construção

 

A construção da ponte estava prevista para de 10 de outubro de 2024 a 10 de janeiro de 2025. Foi “construída” apenas no papel até fevereiro. No dia 04.03, materialmente iniciaram as edificações com o lançamento da primeira pedra nas duas pontes, designadamente ponte do 5.º bairro −25 de Junho e ponte de ligação entre 4.º bairro-25 de Setembro e 9.º bairro-Eduardo Mondlane.

 

A “carapuça” serviu

A recente actualização das datas para a construção da ponte 4.º bairro-25 de Setembro e 9.º bairro-Eduardo Mondlane, até abril é o resultado de uma reportagem do “Profundus” na edição do “Profundus212.24.01.2025” a qual descreve o incumprimento do tempo e consequências, principalmente para alunos da Escola Secundária Geral de Nhamatanda que recorrem aquela via. Sucede que após a publicação, a autarquia reagiu de forma prática e estratégica, alterando as datas anteriores de 18 de outubro de 2024 – 18 de janeiro de 2025, para 24 de janeiro de 2025 – 24 de abril de 2025.

Com a alteração, já novo fiscalizador das obras. No lugar da COTOP está a Stange Consult.

Já na entrevista depois da 1ª Sessão da Assembleia Municipal de Nhamatanda, o edil de Nhamatanda, António Charumar João, explicou sobre o atraso da construção das pontes.

O empreiteiro mobilizou o material dele [para o terreno], não recebeu nenhum fundo sequer, depois ele vai facturar, é assim que funciona com ANE [Administração Nacional de Estradas] ” como financiadora, mas as pessoas estão a entender mal e “pensam que o empreiteiro já recebeu o fundo e usou”. Enquanto a ponte do 5.º bairro, o empreiteiro já recebeu adiantamento”, disse Charumar sem revelar a quantia de dinheiro.

Anualmente, o Município de Nhamatanda é alocado a 7.000.000 meticais”. Este valor foi adicionado ao do próprio município, somando 13.143.144,42 meticais para a construção da ponte que liga o 4.º bairro-25 de Setembro e 9.º bairro-Eduardo Mondlane. Enquanto a ponte do 5.º bairro −25 de Junho conta com o fundo do Banco Mundial, um total de 29.758.938,23 meticais.

A ponte 4.º bairro-25 de Setembro e 9.º bairro-Eduardo Mondlane poderá ser entregue no dia 10 de Junho, dia da Vila Municipal de Nhamatanda de 2025, já que o edil tem histórico de inaugurações nesta data. Enquanto a outra ponte, vai durar sete meses de construção.

Lembre-se que em 2024, das várias actividades previstas, estava a abertura de valas de drenagem; construção de casa de Cultura; construção de aquedutos nos bairros; demarcação de talhões nos bairros; manutenção de estradas terraplanadas da vila; construção de muro de vedação do Campo Municipal incluindo bancadas de sombra; e a construção das pontes sobre o rio Nhamatanda conectando os três bairros. (Muamine Benjamim).

Beira-Moatize: Descarrilamento de “grande magnitude” leva à suspensão de comboios

O descarrilamento de grande magnitude levou à suspensão de comboios na Linha Beira-Moatize, região central de Moçambique. A empresa Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) já avança para a manutenção em cerca de 100 metros.

A empresa CFM comunica que “ocorreu no dia 9 de março em Mazamba e Cundue, na Linha de Sena, o descarrilamento de grande magnitude de um comboio transportando 43 vagões de carvão de Moatize ao Porto da Beira”, lê-se num comunicado da instituição emitido um dia depois do incidente.

“Como consequência [desse descarrilamento de grande magnitude]”, explica o CFM, “está suspensa a circulação dos comboios de passageiros Beira-Moatize e vice-versa para dar lugar aos trabalhos de reparação da Linha, em cerca de 100 metros”.

“Do descarrilamento, não se registou vítimas humanas, senão danos no material circulante e na Linha”.

Sem data para a reabertura, o CFM diz que as equipas de manutenção já estão no terreno.

O comboio chegou à estação de Inhaminga – Cheringoma às 05:56, saiu do local em direcção a cidade da Beira. No meio, descarrilou às 14:30 e só saiu do local às 18h com ajuda de outro comboio para aquela cidade provincial de Sofala, tendo chegado às 23 horas. Mas normalmente, a viagem leva 13 horas. (Rosário Phoinde).

Governo de Chemba reforçado com quatro meios circulantes

 

 

Os serviços distritais das Actividades Económicas, (SDAE); e de Planeamento e Infra-estrutura (SDPI) e a Secretaria Distrital de Chemba contam com três motorizadas entregues pelo Programa “Desenvolvimento Local para a Consolidação da Paz em Moçambique (DELPAZ).

Estas três motorizadas foram entregues para dinamizar as actividades dos sectores, por isso, no acto de entrega, o administrador de Chemba, Bento Conde Zeca, exigiu o bom uso dos meios circulantes para os motivos pelos quais foram entregues para garantir uma boa durabilidade.

Castigo Jorge, em representação do DELPAZ, disse estar ciente de que estas motorizadas vão apoiar no dinamismo das actividades rumo ao desenvolvimento de Chemba.

Chemba, além das três motorizadas, recentemente, acolheu uma viatura para o Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE). (Rosário Phoinde -Chemba).

Jornal Profundus

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