Chapo reduz 4 ministérios

Um dia depois da tomada de posse de Daniel Chapo como Chefe de Estado, começou a mexer os ministérios ao extinguir uns para criar outros.

Chapo começa por cumprir o que disse no discurso, reduziu o número de Ministérios e Secretarias de Estado equiparadas à Ministérios. Extinguiu dez ministérios e três Secretarias de Estado e criou nove Ministérios.

O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, determinou, através de Decreto Presidencial, extinguir os seguintes ministérios:

Ministério da Economia e Finanças; Ministério dos Transportes e Comunicações; Ministério da Cultura e Turismo; Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural; Ministério da Terra e Ambiente; Ministério do Mar, Águas Interiores e Pescas; Ministério da Indústria e Comércio; Ministério do Trabalho e Segurança Social; Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano; e Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.

Ao abrigo do mesmo Decreto Presidencial, o Chefe do Estado extinguiu as seguintes instituições: Secretaria de Estado da Juventude e Emprego; Secretaria de Estado dos Desportos; e Secretaria de Estado do Ensino Técnico-profissional.

Em conformidade com o mesmo Decreto Presidencial, o Presidente da República cria os seguintes Ministérios: Ministério das Finanças; Ministério da Economia; Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas; Ministério dos Transportes e Logística; Ministério da Educação e Cultura; Ministério do Trabalho, Género e Acção Social; Ministério das Comunicações e Transformação Digital; Ministério da Planificação e Desenvolvimento; e Ministério da Juventude e Desportos. (Profundus).

Funcionários Públicos anunciam paralisação de actividades por falta de 13.º Salário

Os Funcionários e Agentes do Estado de Moçambique anunciam a paralisação das actividades a partir de 20 de janeiro de 2025 até que se efectue o pagamento integral do 13.º salário. Esta decisão é representada pela Associação Nacional dos Professores (ANAPRO), Associação Nacional dos Enfermeiros de Moçambique (ANEMO), Associação dos Professores Unidos (APU) e Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Função Pública (SINAFP).

Para os Funcionários e Agentes do Estado, “o não pagamento do 13.º salário representa uma manifesta falta de respeito e desvalorização do corpo de funcionários públicos. Este direito encontra respaldo na legislação nacional, [designadamente] Lei do Trabalho (Lei n. 23/2007, de 1 de agosto): O artigo 108 estabelece a obrigação do pagamento de todas as remunerações e benefícios salariais devidos aos trabalhadores; Estatuto Geral dos Funcionários e Agentes do Estado (EGFAE, Decreto n. 14/2023, de 14 de Junho): No artigo 41, é reconhecido o direito dos funcionários públicos a remunerações e subsídios adicionais, incluindo o décimo terceiro salário como um benefício legítimo; e Constituição da República de Moçambique (CRM, 2004): O artigo 84 consagra o direito a uma remuneração justa e ao cumprimento de todas as obrigações salariais por parte do empregador, enfatizando o dever do Estado em respeitar os direitos laborais.

A carta, também dirigida ao Primeiro – Ministro de Moçambique, ao Ministro da Função Pública, e ao Director da Administração Pública, responde ao posicionamento do antigo Primeiro-Ministro, Adriano Maleiane, ao alegar que não havia possibilidades para pagar o 13.º salário, este ano.

“A justificativa para o não pagamento do 13.º salário foi apresentada no último dia previsto para o pagamento e somente veio à tona graças a uma pergunta feita pela Mídia. Neste contexto, reiteramos que, enquanto não houver o pagamento do 13.º salário, todas as actividades da função pública estarão paralisadas”.

“Sentimos, actualmente, que estamos a ser desvalorizados e desrespeitados na nossa função. A alegação de falta de disponibilidade financeira tem sido frequentemente utilizada como justificativa para a não resolução deste impasse”, lamentam os Funcionários e Agentes do Estado, alguns deles envolvidos em esquemas que levaram à fraude eleitoral.

“Reiteramos, portanto, a nossa demanda por respeito e valorização ao trabalho dos funcionários públicos, essenciais para o bem-estar da população”.

Esta é a primeira greve no Aparelho de Estado, no início do mandato do Chefe de Estado empossado na última quarta-feira, Daniel Chapo. (Profundus).

MISA insta autoridades a investigarem desaparecimento do jornalista e político Arlindo Chissale

O MISA Moçambique manifesta preocupação com o desaparecimento do jornalista do portal online “Pinnacle News”, Arlindo Chissale, que se encontra fora do convívio familiar desde o dia 7 de janeiro de 2025.

Segundo informações fornecidas pela família, Chissale saiu de sua residência em Pemba, na província de Cabo Delgado, com destino a Nacala em Nampula, mas nunca chegou ao seu destino. A família formalizou a queixa de desaparecimento no dia 16 de janeiro, e até agora, a situação do jornalista permanece desconhecida.

Ao que o MISA-Moçambique apurou junto do seu irmão Macário Chissale, a situação de desaparecimento de Arlindo Chissale ainda carece de informações concretas que esclarecem o que terá acontecido, dado que surgiram nos últimos dias notícias nas redes sociais que dão conta do seu desaparecimento físico, entretanto, sem nenhuma evidência.

Nesse sentido, o MISA-Moçambique apela às autoridades competentes para que usem todos os meios disponíveis para localizar o jornalista e restituí-lo à liberdade, caso tenha sido vítima de algum tipo de sequestro ou detenção arbitrária.

O MISA Moçambique destaca que a liberdade de imprensa e a segurança dos profissionais de comunicação são pilares fundamentais para a democracia e o estado de direito. Qualquer ameaça ou violação contra esses princípios é inaceitável e contraria os princípios consagrados na Constituição da República de Moçambique, particularmente no que diz respeito à liberdade de expressão e à liberdade de imprensa.

O MISA Moçambique reafirma o seu compromisso com a defesa dos direitos dos profissionais de comunicação e continuará a acompanhar de perto o caso, pressionando para que medidas concretas sejam tomadas até que este caso seja devidamente esclarecido.

 

Mais preocupante ainda

A preocupação sobre Chissale aumentou desde quinta-feira, com a informação do activista, Joaquim Pachoneia, publicada na sua conta Facebook.

“…O nosso querido Chissale foi assassinado pelo regime [da Frelimo] em Cabo Delgado, juntamente com mais um delegado do podemos”, escreveu Joaquim Pachoneia, por volta das 12 horas.

“Fiz esse suspense todo porque estamos a envidar esforços para ter o corpo a entregar a família que não vai ser tarefa fácil porque se calhar já mandaram para a vala comum”, continuou a explicar.

Pachoneia aponta uma fonte [do Serviço Nacional de Investigação Criminal] pela qual negociou informações depois de conseguir “identificar o corpo de Chissale e mais outra vítima”.

O activista da Associação Mentes Resilientes que procurou informações em Pemba, diz que já faz tempo que soube, incluindo alguns activistas de renome no país. “Fiquei esse todo tempo à procura de formas [de] como informar-vos porque não tenho o corpo para entregar [aos] seus familiares, tornando-me difícil confirmar se a notícia é verdadeira ou não porque será minha palavra contra de algumas figuras”.

Contudo, as buscas por Chissale permanecem e agora com mais actores nacionais e internacionais que igualmente precisam de apoio.

Ainda há esperança, considerando que outras informações apontam a detenção de Chissale em Silva Macua por agentes do SERNIC e da Unidade de Intervenção Rápida (UIR) que o prenderam para a cidade de Pemba, segundo testemunhas que vivenciaram o acto e fontes internas da polícia paramilitar. (Profundus).

Em 2 anos e meio: Manuel Chang será libertado e deportado para Moçambique

O ex-ministro das Finanças de Moçambique Manuel Chang foi ontem, sexta-feira, condenado nos Estados Unidos (EUA) a oito anos e meio de prisão, incluindo os cerca de seis anos que já cumpriu, no âmbito do caso das dívidas ocultas. Em dois anos e meio será libertado e deportado para Moçambique.

A pena foi aplicada por aceitar subornos no processo que lesou o Estado moçambicano em cerca de dois mil milhões de dólares.

Manuel Chang foi detido no dia 29 de dezembro de 2018, quando a justiça americana pediu às autoridades sul-africanas a prisão de Manuel Chang quando estava em trânsito de Maputo para Dubai.

Já nos Estados Unidos, ontem, antes da leitura da sentença, através de um intérprete, segundo a “VOA”, Chang dirigiu-se ao juiz para expressar “estar envergonhado” com as suas acções. “Lamento profundamente os danos que causei, sinto muito”.

O antigo ministro também implorou ao juiz que tivesse “compaixão” e que tivesse em conta na sua sentença os quase seis anos que já cumpriu na prisão, dos quais quatro anos e meio, segundo ele, em condições deploráveis na África do Sul.

“Não gostaria de morrer aqui, numa prisão de um país estrangeiro, longe da minha família”, conclui Chang, escreve a imprensa americana.

Ao ler a sentença, o juiz Nicholas Garaufis disse que considerou os seis anos que ele está preso e que dentro de dois anos e meio será libertado e deportado para Moçambique.

”As vítimas confiaram no Sr. Chang para gerir os seus investimentos e o desenvolvimento do seu país de uma forma livre de corrupção”, disse Garaufis na sentença de Chang no tribunal federal de Brooklyn.

Os procuradores acusaram Manuel Chang em subornos da empresa de construção naval Privinvest em troca da sua aprovação de uma garantia do Governo de Moçambique para empréstimos de bancos, incluindo o Credit Suisse, a três empresas apoiadas pelo Estado.

O advogado de defesa, Adam Ford disse que planeia recorrer da sentença porque acreditava que o ex-ministro Manuel Chang poderia ser libertado porque “ele já foi suficientemente castigado”.

Este é outro capítulo no caso de dívidas ocultas. Assim que Filipe Nyusi perdeu imunidade ao sair da Presidência de Moçambique, o caso poderá ser reactivado, ao olhar para a recente recusa de indulto presidencial e a pressão internacional. (Profundus).

Cheringoma: Gorongosa e DELPAZ entregam 775 kg de sementes a desmobilizados do DDR e camponeses

Um total de 150 desmobilizados no âmbito do programa de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR) dos ex-guerrilheiros da Renamo e camponeses receberam 775 quilogramas de sementes de diversos produtos para a presente época de produção agrícola, no distrito de Cheringoma, província de Sofala. O apoio resulta da coordenação entre o Governo distrital, o Parque Nacional da Gorongosa, através do respectivo sector de Agricultura e o Programa de Desenvolvimento Local para a Consolidação da Paz (DELPAZ).

Trata-se de cinco quilogramas de sementes de milho dados pelo Parque Nacional da Gorongosa a cada desmobilizado do DDR. Enquanto o DELPAZ entregou a semente de milho, de feijão e de gergelim a outro grupo (camponeses), em Cheringoma.

As sementes foram dadas em dois momentos separados aos dois grupos diferentes.

Na recente ocasião de entrega simbólica dos produtos, (última quarta-feira), a administradora de Cheringoma, Maria Waite, louvou o apoio da Gorongosa e do DELPAZ, por isso, apelou à população para usar a semente aos fins a que se destinam.

A distribuição da semente abrangeu aos beneficiários dos bairros próximos da sede da vila de Inhaminga e dos bairros de Dimba e Tsotse.

Maria Waite reconhece o cenário de Cheringoma. Apesar de a insegurança alimentar ser mais visível, a administradora desafiou à população a “não usar a semente para alimentação”. E em jeito de crítica, referiu-se ao facto de os produtos serem entregues tardiamente, pois, segundo ela, deviam ser distribuídos muito antes para que os camponeses tivessem a possibilidade de semear no início da época chuvosa, em outubro passado.

A administradora apontou os esforços que o Governo empreende na assistência com produtos alimentícios à população durante a insegurança alimentar em Cheringoma.

A insegurança alimentar no distrito de Cheringoma tornou-se mais preocupante com o término da época de frutas de mangas que eram recorridas pelos mais carenciados.

José Farnela Juliasse, do bairro Tsotse é um dos beneficiários da semente, em Cheringoma.

José Juliasse louvou o apoio pelo qual vai completar a semear em todo o campo de produção agrícola, uma vez que a quantidade que lhe restava não cobria a área lavrada. Mas, o produtor lamentou pela entrega tardia dos produtos, analisando que os que conseguiram semear em outubro (milho) já apresentam um aspecto vegetativo bastante promissor.

Enquanto isso, a Gorongosa, através do coordenador distrital de agricultura em Cheringoma disse que esta é a primeira acção do ano, visando dotar os camponeses de ferramentas que lhes garantem alcançar a segurança alimentar e nutricional das suas famílias.

Em Cheringoma, esta acção da Gorongosa enquadra-se num plano maior que o Parque tem de distribuir mais de 14 toneladas de sementes de milho aos camponeses. (Ricardo Mapoissa – Cheringoma).

UE reúne-se com líderes da oposição para abordar actual situação de Moçambique

O Embaixador da União Europeia e os Embaixadores dos Estados-Membros da União Europeia reuniram hoje, terça-feira, com os líderes dos partidos da oposição, Albino Forquilha, do Podemos; Ossufo Momade, da Renamo; Lutero Simango, do MDM; e Salomão Muchanga, da Nova Democracia, a pedido destes.

A União Europeia escreve em comunicado que “os líderes destes partidos apresentaram o ponto de situação do diálogo político em curso com vista a superar a actual situação em Moçambique e trocaram impressões sobre o modo como a União Europeia e os Estados-Membros poderão apoiar esse processo”.

Este encontro pode ser interpretado como mais um capítulo da “novela mexicana” por não envolver o actor principal das manifestações Venâncio Mondlane.

Enquanto isso, Daniel Chapo prepara-se para tomar posse, amanhã, como Chede de Estado moçambicano. Ontem, segunda-feira, foi a vez dos deputados tomarem posse.

Neste exacto momento, decorre a conferência de imprensa Online da União Pan-Africana dos Avogados, Pan African Lawyers Union (PALU), sobre o caso submetido pela Sociedade Civil ao Tribunal Africano sobre a violação de Direitos Humanos em Moçambique. (Profundus).

CDD leva Forquilha para Gabinete de Combate à Corrupção por suposta “recepção de 219 milhões de meticais”

 

 

Em meio a tensões que apontam ao presidente do partido PODEMOS, Albino Forquilha como “traidor” ao ser único partido da oposição a aceitar logo na primeira “isca” a tomada de posse como deputado, mais informações aparecem para descredibilizar a pessoa do homem de Chimoio, Manica, que o respectivo partido não era conhecido antes da união com Venâncio Mondlane. Desta vez, o posicionamento contra a imagem é do director do Centro de Democracia e Direitos Humanos (CDD), Adriano Nuvunga.

Adriano Nuvunga, ontem, dia de tomada de posse dos 43 deputados do PODEMOS e dos 171 da Frelimo, escreveu na sua conta Facebook, que “Forquilha recebeu 219.000.000, mt” para vender a luta pela justiça eleitoral.

“Este é um suborno de natureza política é punido severamente no âmbito da Constituição da República e da lei de combate a corrupção”.

Hoje, terça-feira, Nunvunga deixou claro que baseou-se numa “ denúncia de pessoas que se dizem próximas ao processo [com] elementos que indicam como o pagamento foi feito”.

A intenção do CDD é a responsabilização de Albino Forquilha e a recuperação do dinheiro dado pela Frelimo aos cofres do Estado, se provado o crime. (Profundus).

Daniel Chapo apela ao parlamento à manutenção da paz e estabilidade

Daniel Chapo, com previsão de tomar posse amanhã, como Presidente de Moçambique apontou a necessidade de manter a paz e a estabilidade no país, pedindo a colaboração do novo parlamento, investido ontem, segunda-feira.

Daneil Chapo, falando antes da investidura dos deputados, aproveitou a ocasião “para fazer [apelo] realmente a necessidade de mantermos a paz, a estabilidade social, económica, política ao nível do nosso país, de forma que possamos continuar a desenvolver o nosso país”.

“Espero uma excelente colaboração [com o novo parlamento]. Como sabe muito bem para além do partido Frelimo temos também o Podemos, vamos ter a Renamo, o MDM, todos estes partidos ou bancadas parlamentares representam os anseios dos moçambicanos. Daí que é muito importante haver um debate aberto, franco ao nível deste órgão”, precisou Chapo.

Lembre-se que a tomada de posse dos deputados foi caracterizada pela ausência dos membros do Movimento Democrático de Moçambique e os da Renamo (oposição histórica), não impedindo a investidura da Frelimo e do PODEMOS – oposição conhecida recentemente e a mais votada. (Profundus).

Sociedade Civil submete recurso ao Tribunal Administrativo para impedir destruição do material das eleições gerais

O Centro de Integridade Pública (CIP), através do Consórcio Mais Integridade já submeteu no dia 08 de janeiro de 2024, um recurso ao Tribunal Administrativo para impedir que a Comissão Nacional de Eleições (CNE) destrua o material de votação das eleições de 9 de outubro de 2024.

O recurso submetido pelo CIP junto do Tribunal Administrativo assenta nos pressupostos legais previstos nos termos do artigo 132 da Lei n.° 7/2014, de 20 de Fevereiro3, conjugado com os termos previstos da alínea a) do n.° 1 do artigo 50 da Lei n.° 7/2015, de 6 de Outubro4, designadamente pelo facto de que a execução do acto seja susceptível de causar prejuízo irreparável ou de difícil reparação para o requerente, ou para os interesses que com o recurso pretenda acautelar a suspensão não represente grave lesão do interesse público e prosseguido pelo acto do processo não resultem fortes indícios de ilegalidade do recurso.

Segundo o Consórcio Mais Integridade “olhando para todo o intrincado e problemático processo eleitoral que resvalou numa crise político pós-eleitoral e na busca da verdade material, o Consórcio Mais Integridade pretende lançar mão ao mecanismo da União Africana com vista a, pelo menos, obter a decisão que obrigue o Estado Moçambicano (CC e CNE) a proceder com a recontagem dos votos das últimas eleições”. Portanto, “a destruição do material elimina qualquer possibilidade de auditoria ou investigação criminal visando aferir a autenticidade dos editais e das actas usados para a alteração dos resultados. Ficou provado, através da alteração dos mandatos, que houve viciação de documentos”.

“O CIP não encontra justificação plausível que a CNE corra para destruir um material que ainda é objecto de contestação, que pode levar a que seja fundamental como prova de testemunho em casos criminais”.

Lembre-se que a CNE aprovou, através da Resolução n.º 87/CNE/2024, de 30 de Dezembro, a data para a destruição do material de votação atinente às eleições gerais – VII eleições presidenciais e legislativas e IV eleições dos membros das Assembleias Provinciais e de Governador de Província – do passado dia 9 de Outubro de 2024.

A aprovação da Resolução resulta das injunções dispostas nos termos do disposto no n.º 2 do artigo 97 da Lei n.º 8/2013, de 27 de Fevereiro, alterada e republicada pela Lei n.º 15/2024, de 23 de Agosto, e no n.º 2 do artigo 116 da Lei n.º 3/2019, de 31 de Maio, alterada e republicada pela Lei n.º 14/2024, de 23 de Agosto, que determinam que após a validação e proclamação dos resultados eleitorais pelo Conselho Constitucional (CC), o presidente da comissão de eleições distrital ou de cidade procede à destruição dos boletins de voto à sua guarda perante os intervenientes do processo eleitoral, designadamente representantes de candidatos, partidos políticos, coligações de partidos políticos, grupos de cidadãos eleitores proponentes concorrentes, observadores, jornalistas e cidadãos eleitores em geral.

A destruição do material de votação funda-se no pressuposto de que após a validação e proclamação dos resultados eleitorais, por meio do Acórdão do n.º 24/CC/2024, de 22 de Dezembro, conforme é de lei, esgotou-se toda e qualquer possibilidade de se desencadear recursos com vista à alteração dos dados eleitorais na ordem jurídica interna moçambicana.

O CIP, líder do Consórcio Mais Integridade, uma plataforma de Observação Eleitoral que comporta sete Organizações da Sociedade Civil, acompanhou de perto, através da Observação Eleitoral, todo o processo que conduziu às eleições realizadas no dia 9 de Outubro.
A Sociedade Civil quer a suspensão da eficácia do acto administrativo da Resolução da CNE que determina a destruição do material de votação, acto a suceder, segundo o citado documento, a partir do dia 17 de janeiro de 2024.

O CIP entende que apesar de com o Acórdão n.° 24/CC/2024, de 22 de Dezembro, ter findado o processo eleitoral e ter-se esgotado na ordem jurídica moçambicana qualquer recurso, porquanto aqueles não são passiveis de recurso, como o n.° 2 do artigo 247 da CRM, no plano externo ainda se vislumbra o recurso ao Tribunal Africano dos Direitos do Homem e dos Povos, por força da Resolução n.° 27/2005, de 13 de Dezembro, com a qual Moçambique ratificou o Protocolo sobre o Tribunal de Justiça da União Africana.

Não é razoável que a CNE apure os seus resultados e o CC venha, posteriormente, alterá-los, sem que isso tenha consequências directas no processo eleitoral como um todo. É, por isso, questionável a contagem paralela protagonizada por este órgão de soberania de Estado, sem mandatários e observadores, usurpando, até certo ponto, os poderes próprios da CNE.

A alteração dos resultados, feita de forma secreta e com base nos editais e actas de apuramento fornecidos pela CNE e pelos partidos políticos concorrentes, sem a abertura das urnas, não se mostra convincente e nem credível. Não se mostra como um procedimento transparente e legal e viola as regras básicas de reconstituição de factos, fixadas no âmbito processual.

Tendo em consideração o quadro acima, o material de votação na posse de vários intervenientes do processo eleitoral, incluindo a CNE, que é o principal órgão responsável pela administração eleitoral (conjuntamente com o STAE), poderá ser útil para a reconstrução da história do pretérito processo eleitoral. Poderá servir, inclusive, de base para possíveis situações de responsabilidade administrativa, civil e penal de possíveis envolvidos.

Havendo esta pretensão de intercedência do Tribunal Africano de Direitos do Homem dos Povos, na perspectiva de que o direito do voto é um direito fundamental inerente ao exercício da cidadania e reconhecido de forma igual a todos os cidadãos, e na convicção da procedência deste pedido, ou seja, a intimação de Moçambique a recontar os votos, denota-se oportuno e urgente que a CNE seja intimada a não destruir os votos como o pretende. (Profundus).

 

Sobre Moçambique: União Pan-Africana dos Avogados anuncia hoje a submissão do caso ao Tribunal Africano

Através de um comunicado “urgente” da União Pan-Africana dos Avogados, em língua inglesa, Pan African Lawyers Union (PALU), a que o “Profundus” teve acesso, indica que a instituição vai anunciar hoje virtualmente, a deposição de um caso junto à Comissão Africana dos Direitos Humanos e dos Povos, com a finalidade de encaminhá-la ao Tribunal Africano.

A Pan African Lawyers Union (PALU), o principal fórum continental de e para advogados africanos, convida jornalistas para conferência de imprensa virtual que ocorrerá hoje, terça-feira, às 14:30.

A “PALU fará o anúncio oficial sobre a deposição de um caso junto à Comissão Africana dos Direitos Humanos e dos Povos, com a finalidade de encaminhá-la ao Tribunal Africano. Este esforço é a manifestação de solidariedade ao povo moçambicano, com o apoio da sociedade civil, com vista a assegurar que a vontade popular expressa nas urnas seja respeitada, os direitos fundamentais dos cidadãos sejam salvaguardados e que os responsáveis por abusos sejam levados a julgamento, reforçando a luta pelos direitos humanos e justiça em Moçambique e em toda a Africa”, le-se no documento.

A PALU estará representada virtualmente a partir de Arusha, Tanzania, compartilhando detalhes sobre o processo jurídico e a importância desta acção ao nível continental. (Profundus).

Jornal Profundus

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