Vai Rangel à tomada de posse em Moçambique, não o Presidente português

Pela primeira vez em anos, Portugal vai enviar um ministro, e não o Presidente da República, à cerimónia de tomada de posse do novo Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), na próxima quarta-feira. Será Paulo Rangel, chefe da diplomacia portuguesa, a representar Portugal. Escreve o Público Jornal Português.

Os resultados das eleições de outubro foram contestados, mantêm-se as dúvidas quanto à transparência do processo de contagem dos votos e tem sido muito violenta a resposta às manifestações de protesto contra o que a oposição diz ser “fraude eleitoral”. Neste contexto, e em concertação entre Belém e São Bento, foi decidido na manhã de hoje, uma “solução intermédia”.

A hipótese de ir o Presidente da República foi posta de lado nas últimas horas — chegou a ser pedida a autorização de sobrevoo em nome de Marcelo Rebelo de Sousa —, ficando a escolha a ser feita entre Rangel e, mais abaixo e na versão mais minimalista possível, o embaixador em Maputo, António Costa Moura. Outra hipótese seria o ministro da presidência, abaixo de Rangel, que é ministro de Estado e número dois do governo, mas esse cenário não terá estado em cima da mesa. Parece consensual que enviar um secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros seria visto por Maputo como um insulto.

Não é claro se haverá um sinal de condenação internacional geral ou parcial ao novo governo moçambicano, mas João Lourenço, Presidente de Angola, não vai à tomada de posse; outros países da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) vão enviar chefes de diplomacia e não de governo, e muitos países da União Europeia vão fazer-se representar pelos seus embaixadores em Maputo. “Há um grave problema interno em Moçambique, o que obriga a ser prudente”, disse ao PÚBLICO um diplomata. “Ir um ministro e não o Presidente é um gesto que mostra que Portugal reconhece e sinaliza que alguma coisa não está bem em Moçambique.” Rebelo de Sousa foi a todas as tomadas de posse da CPLP, excepto à da Guiné Equatorial, ausência que foi interpretada como “um sinal político”.
No fim de Outubro, duas semanas depois das eleições de dia 9, a Comissão Nacional de Eleições moçambicana anunciou a vitória de Chapo, com 70,67% dos votos, tendo o Partido Optimista para o Desenvolvimento de Moçambique (Podemos), pelo qual Venâncio Mondlane se candidatou à presidência, ficado em segundo lugar, com 20,32%. Na altura, a Missão de Observação Eleitoral da União Europeia disse que o anúncio “não dissipou as preocupações” com a “transparência” do “processo de contagem e apuramento” dos votos.

​⁠Com ou sem fraude, Chapo vai tomar posse e será Presidente, pelo que os próximos passos para resolver a crise em Moçambique vão ter nele o interlocutor central, sublinham diplomatas ouvidos pelo PÚBLICO. Enviar Rangel é mostrar abertura para trabalhar com ele, coisa que o primeiro-ministro, Luís Montenegro, já fez em conversa telefónica recente.

Rebelo de Sousa escolheu Moçambique para a sua primeira visita de Estado, em 2016, e, em 2020, foi à tomada de posse de Filipe Nyusi, cujo segundo mandato termina agora. É uma tradição com décadas e mantida mesmo nos momentos de crise institucional entre os dois países. O Presidente Mário Soares foi à cerimónia de tomada de posse de Joaquim Chissano, segundo Presidente de Moçambique; o Presidente Jorge Sampaio foi à de Armando Guebuza, e o Presidente Cavaco Silva foi à de Nyusi acompanhada por Paulo Portas, vice-primeiro-ministro.

Em 2020, Rebelo de Sousa disse que acompanha o país no dia-a-dia. “Comigo, Moçambique está em Belém. Acompanho as alegrias e as preocupações moçambicanas como acompanho o que se vive na minha família.” O Presidente conheceu Moçambique quando era jovem e ia de férias visitar o pai, Baltazar Rebelo de Sousa, governador-geral da então colónia.
Lembre-se que hoje deputados da Frelimo e da oposição – PODEMOS tomaram posse. Enquanto os do MDM e os da Renamo (oposição com história política) decidiram não tomar posse, alegando ainda não reconhecer os resultados fraudulentos anunciados pelo Conselho Constitucional. (Público e Profundus).

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Deputados da RENAMO e MDM não vão tomar posse amanhã

 

O Movimento Democrático de Moçambique (MDM) já disse que os seus deputados não vão tomar posse. Hoje, domingo, o partido Renamo, depois de uma reunião de quase 5h, também tomou a mesma decisão. Dos três partidos da oposição com assentos no parlamento moçambicano, o PODEMOS é o único que mantem a coragem de pretender tomar posse amanhã.

Está marcada a tomada de posse para amanhã. O partido Renamo entende que esta cerimónia está desprovida de qualquer valor solene, por isso, constitui um ultraje social no que diz respeito à vontade dos moçambicanos, pelo que não fará parte desta cerimónia de tomada de posse, disse o porta-voz da perdiz, Marcial Macome.

A Renamo diz que é preciso respeitar a vontade do povo, passando “necessariamente por realização de eleições livres, justas e transparentes e não em eleições administrativas”.

A Renamo entende que a melhor via de pacificação passa “necessariamente por anulação de resultados”, por isso, “não faz sentido que se aproprie de assentos administrativos [tomada de posse]”, explicou Marcial Macome.

A Renamo exorta para a continuação de luta pacífica para que a justiça seja reposta e que juntos possam caminhar para a construção de um Moçambique livre, justo e transparente. Com isso, igualmente, não vai participar da investidura na tomada de posse de Daniel Chapo, como Chefe de Estado.

Até ao momento, o partido PODEMOS é o único que confirmou a tomada de posse dos respectivos 43 deputados.

Lembre-se que o presidente do PODEMOS, Albino Forquilha foi membro da Frelimo que preferiu junto de outros criar PODEMOS. E já partilhou um comunicado cuja referência é SCI/25-01/011, indicando vice-presidente da Assembleia da República – Fernando Tomé Jone; chefe da bancada – Sebastião Avelino Mussanhane; vice-chefe da bancada – Rute Venâncio Manjate; relator da bancada – Elísio Calisto Muaquina; porta-voz da bancada – Ivandro Jordão Almeida Franco Massingue. E para membros da Comissão Permanente (CP), o partido indicou Carlos Tembe, Atija Momade Abacar Mussa e Almério de Jesus Gomane Tchambule.

Todos os quatro partidos mais influentes em Moçambique (MDM, Frelimo, Renamo, PODEMOS e Nova Democracia) já estiveram na mesa do diálogo, sem o autor das manifestações Venâncio Mondlane.

A Nova Democracia diz que na mesa de diálogo pretende contribuir com esforço genuíno para a verdade e integridade eleitoral; não reconhecimento dos resultados eleitorais fraudulentos, exigir a cessação imediata das hostilidades contra opositores políticos, libertação incondicional de todos os presos políticos e reconhecimento de Venâncio Mondlane como actor fundamental no processo que busque genuinamente a paz e a reconciliação entre os moçambicanos.

A Nova Democracia encoraja os moçambicanos a continuarem na luta pelos seus direitos e pela construção de um país livre, democrático e inclusivo.

Enquanto isso, os deputados da Frelimo estão prontos para a tomada de posse. Alguns deles já saíram neste final-de-semana para a cidade capital moçambicana para a cerimónia que vai decorrer amanhã de manhã.

As eleições gerais de 2024 fizeram a Frelimo garantir (171 deputados), PODEMOS (43 deputados) Renamo (28 deputados) e MDM (8 deputados), no parlamento moçambicano.

Também, continua a previsão para a investidura do Chefe de Estado, Daniel Chapo (Frelimo), na próxima quarta-feira. (Muamine Benjamim).

CDD: “Chefe de Operações da BO e dois reclusos entre prováveis autores do assassinato de Elvino Dias e Paulo Guambe”

O Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD) apresentou ontem, quarta-feira, 8 de janeiro de 2025 uma denúncia à Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Roque Xavier, Chefe do Departamento de Operações Penitenciárias (DOP) da Cadeia de Máxima Segurança, vulgo BO, e dois reclusos, nomeadamente Julião contra Ruben Munguambe e Edson Cassiano Lacerda Sílica, por haver indícios de envolvimento no assassinato, na madrugada de 19 de outubro de 2024, de Elvino Dias, advogado e assessor do candidato presidencial Venâncio Mondlane, e Paulo Guambe, mandatário do partido Povo Optimista para o Desenvolvimento de Moçambique (PODEMOS).

Em 16 de outubro de 2024, o chefe do DOP, Roque Xavier, facilitou a saída irregular dos reclusos Julião Ruben Munguambe e Edson Cassiano Lacerda Sílica da BO. No dia 19 de Outubro de 2024, enquanto estavam fora do estabelecimento prisional, foram bárbara e cobardemente assassinados Dias e Guambe.

Continua a denúncia do CDD “no dia 21 de outubro de 2024, o chefe do DOP ordenou a eliminação dos registos de entrada e saída dos dois reclusos”.

Segundo informação na posse do Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD), por ordens de Roque Xavier, no dia 16 de Outubro de 2024, Julião Ruben Munguambe e Edson Cassiano Lacerda Sílica foram retirados da BO sem escolta nem autorização formal, alegadamente para realizarem trabalhos agrícolas em Moamba, tendo permanecido durante três dias fora das instalações prisionais, em clara violação ao artigo 90 da Lei n.º 26/2019, de 27 de Dezembro, que proíbe pernoitas fora das prisões sem supervisão.

 

Manipulação dos registos e assassinato de Dias e Guambe

No dia 21 de Outubro de 2024, o chefe do DOP ordenou a eliminação dos registos de entrada e saída desses reclusos, facto que revela uma aparente tentativa de encobrir as irregularidades.

Na madrugada de 19 de Outubro de 2024, Elvino Dias e Paulo Guambe foram bárbara e cobardemente assassinados. O duplo homicídio de Elvino Dias e Paulo Guambe acontece exacta mente no mesmo período em que o chefe do DOP autorizou a saída irregular e ordenou a destruição dos registos dessa saída assim como da entrada dos dois reclusos.

Informações preliminares sugerem que Julião Ruben Munguambe e Edson Cassiano Lacerda Sílica, ambos reclusos com histórico de envolvimento em crimes graves, teriam sido liberados e armados para executar os assassinatos. As vítimas foram atingidas por 25 disparos à queima-roupa, em uma execução que demonstra planificação e uso extremo de violência.

 

Má gestão dos estabelecimentos penitenciários facilita o cometimento de crimes

Essa conexão entre as irregularidades cometidas pelo Chefe do DOP e os crimes hediondos evidencia uma séria problemática de gestão dos Estabelecimentos Penitenciários e uma possível conivência com acções que colocam em causa o Estado de Direito.

 

Chefe do DOP com passado sombrio

Historicamente, Roque Xavier não é estranho a controvérsias. Fontes do CDD apontam que o Chefe do DOP tem um passado de má conduta, incluindo denúncias de envolvimento no aluguer de armas para actividades ilícitas, com relatos similares provenientes de outras províncias, como Cabo Delgado. Apesar disso, nenhuma medida efectiva foi tomada para afastá-lo de funções estratégicas no sistema penitenciário.

Diante da gravidade dos factos, na sua denúncia o CDD exige a abertura de um inquérito rigoroso e independente para apurar as responsabilidades de Roque Xavier e os dois reclusos, devendo, em caso de confirmação, ser responsabilizados disciplinar e criminalmente. O CDD insta que reformas profundas no sistema penitenciário sejam operadas, estabelecendo-se medidas que impeçam o abuso de poder e a corrupção. Outrossim, o CDD solicita que a PGR conceda protecção às testemunhas que possam contribuir para o esclarecimento do caso, garantindo a sua segurança e integridade.

Edson Cassiano Lacerda Sílica, um dos possíveis assassinos de Dias e Guambe, faz parte do grupo dos esquadrões da morte que assassinou o activista social e defensor de direitos Humanos, Anastácio Matavel, em 7 de Outubro de 2019, também no contexto eleitoral como aconteceu com Guambe e Dias.

As evidências apresentadas mostram um claro padrão de abuso de poder e violações graves à lei. As acções de Roque Xavier com prometem a integridade do sistema penitenciário e facilitam a prática de crimes hediondos, como o homicídio de Elvino Dias e Paulo Guambe.

Nesta senda, o CDD exige que as autoridades actuem com rigor e urgência para garantir justiça às vítimas, responsabilizar os envolvidos e prevenir futuros abusos no sistema penitenciário. A PGR tem o dever de agir com celeridade e transparência, mostrando que ninguém está acima da lei. (CDD).

DE AFUNGI À GORONGOSA: Mais quatro hienas para reintrodução

Recentemente, o Parque Nacional da Gorongosa recebeu quatro hienas provenientes de Afungi com ajuda do projecto Mozambique LNG da TotalEnergies e da Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC) e da Mozambique Wildlife Alliance. Este número eleva para 19 reintroduzidas desde julho de 2022.

Trata-se de dois machos e duas fêmeas hienas que vão equilibrar o ambiente na Gorongosa. “As hienas são os melhores trituradores de ossos da natureza, utilizando as suas poderosas mandíbulas para partir ossos e reciclar nutrientes no seu ambiente”, escreve a Gorongosa, depois de receber os animais no início de dezembro último.

A Gorongosa lembra que são “mais quatro hienas-malhadas (dois machos e duas fêmeas) [que] chegaram ao Parque Nacional da Gorongosa no início de dezembro, após a chegada de um macho e duas fêmeas em novembro. Isto eleva o total de hienas reintroduzidas para 19 desde 2022”.

São hienas de Afungi, distrito de Palma, no norte de Moçambique, província de Cabo Delgado para o Parque Nacional da Gorongosa localizado no centro do País.

“Enormes agradecimentos à Mozambique Wildlife Alliance, e ao projecto Mozambique LNG da TotalEnergies e à Administração Nacional das Áreas de Conservação por nos ajudarem a acolher estes intervenientes vitais do ecossistema no Parque”. (Profundus).

SERNAP e FDS “caçam” criminosos fugitivos das cadeias

O Serviço Nacional Penitenciário (SERNAP) e as Forças de Defesa e Segurança (FDS) juntos estão a “caçar” os reclusos que no dia 25 de dezembro passado, escaparam num total de 1.436 do Estabelecimento Penitenciário Especial da Máxima Segurança da Machava (EPEMS) e 98 do Estabelecimento Penitenciário Provincial de Maputo (EPPM), totalizando 1.534 criminosos.

O comunicado do SERNAP expõe os fugitivos com as respectivas fotografias frontais, nome, assinatura digital e estado: número do Processo, anos de prisão, tipo de crime cometido e pena que recebeu.

Entre os 241, todos os homens que fugiram das cadeias e que constam na lista de fugitivos, está um cidadão ainda em fase de julgamento.

Um dia após a evasão, as autoridades moçambicanas anunciaram que recapturaram cerca de 150 reclusos.

O documento “Diligências para a recaptura de reclusos evadidos”, do SERNAP tornado público no primeiro dia de 2025 apresenta 322 recapturados e apenas 24 por recapturar dos 1.534 anunciados como fugitivos.

O SERNAP em coordenação com as FDS está em operações de busca intensiva, “tendo até ao momento recapturados 322 reclusos”.

“O Serviço Nacional Penitenciário (SERNAP) torna público que na sequência da rebelião ocorrida no dia 25 de dezembro de 2024, nos Estabelecimentos Penitenciários Especial da Máxima Segurança da Machava (EPEMS) e Provincial de Maputo (EPPM) que culminou com a evasão de 1.534 reclusos, sendo 1.436 do EPPMS e 98 do EPEMS está a efectuar diligências em coordenação das Forças de Defesa e Segurança (FDS) com vista a recaptura dos reclusos”, lê-se no documento a que o “Profundus” teve acesso.

Entre os crimes que levaram a detenção dos fugitivos constam as ofensas corporais, uso de armas proibidas, venda e consumo de estupefacientes, furto qualificado, violência psicológica, trafico de drogas, roubo, posse ilegal de armas, atentado ao pudor, violência física simples e grave, furto agravado, violação de menor, ofensas corporais, subtracção de acessórios, armas proibidas, trato sexual com menor, burla, abate de espécies proibidas, homicídio qualificado, caça proibida, violação do domicílio, violação do segredo profissional, abuso de confiança, homicídio involuntário, ofensa corporal com intenção de injuriar, violação de domicílio, terrorismo, rapto e cárcere privado, maus-tratos contra pessoa idosa, associação para delinquir, falsificação de documentos, rapto concorrendo com crime de armas proibidas, burla agravada, subtracção de veículos, fraude nas vendas, entre outras acções criminais.

O SERNAP pede a colaboração da população na partilha de informações que ajudem a recaptura dos reclusos.

Lembre-se que a fuga dos reclusos dividiu opiniões diferentes entre o Comandante-Geral da Polícia, Bernardino Rafael e ministra que tutela a área de Assuntos Constitucionais e Religiosos, Helena Kida e, ao mesmo tempo, terror para a sociedade.

Bernardino Rafael acusou aos manifestantes de incitarem a invasão, enquanto Kida diz que não há relação com as manifestações dos resultados eleitorais. Ou seja, um diz que a evasão começou de fora do muro, enquanto a responsável do sector diz que iniciou de dentro da cadeia. (Muamine Benjamim).

Governo dos EUA apoia vítimas de Chido com 450 mil dólares

O Governo dos Estados Unidos da América (E.U.A), através da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID, sigla inglesa), está a disponibilizar 450.000 dólares (28.800 mil de meticais) para apoiar os esforços de ajuda de emergência em resposta ao Ciclone Tropical Chido, que devastou partes de Moçambique a 15 de dezembro.

Este financiamento crítico ajudará a atender às necessidades urgentes das populações afectadas na província de Cabo Delgado, com foco em abrigo, água, saneamento e higiene (WASH). Uma das subvenções será executada pela Agência Adventista de Desenvolvimento e Assistência (ADRA) e as outras acções de resposta rápida serão executadas pela CARE International. Além disso, outros parceiros humanitários da USAID estão a mobilizar recursos existentes para responder às necessidades imediatas.

O Ciclone Tropical Chido trouxe chuvas intensas e ventos fortes, resultando em perda de vidas, ferimentos e destruição significativa de habitações e infraestruturas. Relatórios iniciais indicam que as maiores perdas humanas e materiais ocorreram no sul da província de Cabo Delgado e áreas circundantes. Estão em curso avaliações para determinar o impacto total do desastre, e o Governo dos EUA continuará a trabalhar em estreita colaboração com o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres para coordenar a resposta ao ciclone.

Pelo menos 120 pessoas morreram e outras 868 ficaram feridas durante a passagem do ciclone Chido, alem de destruir infra-estruturas.

O Embaixador dos EUA., Peter H. Vrooman, citado num comunicado a que o “Profundus” teve acesso destacou a importância de uma acção rápida para ajudar os afectados pelo Ciclone Chido. “O Governo dos EUA reconhece os enormes desafios enfrentados pelas pessoas afectadas e quer reafirmar a nossa solidariedade. A nossa assistência fornecerá ajuda vital às pessoas mais impactadas pelo ciclone, ajudando a aliviar o sofrimento humano e a apoiar os esforços de recuperação”, afirmou o Embaixador Vrooman.

O Governo dos EUA mantém o compromisso de apoiar Moçambique nesta resposta de emergência e de reforçar a resiliência do país a futuros desastres naturais.

A USAID lidera a assistência internacional ao desenvolvimento e resposta a desastres do Governo dos EUA através de parcerias e investimentos que salvam vidas, reduzem a pobreza, fortalecem a governação democrática e ajudam as pessoas a superar crises humanitárias. (Profundus).

Gorongosa habilita professores em matérias de Saúde

 

 

O Parque Nacional da Gorongosa, através do Programa Clube de Professores, capacitou recentemente professores em matérias de saúde para a melhoria de vida das comunidades.

A violência e abuso contra a criança continuam a ser preocupação para as comunidades da Zona de Desenvolvimento Sustentável do Parque Nacional da Gorongosa, por isso, os professores habilitados no distrito de Dondo têm a função de transmitir ideias positivas às comunidades para combater este tipo de crime.

As uniões prematuras são actos que influenciam negativamente a vida das comunidades. Uma das soluções desta prática é sensibilizar as raparigas a irem à escola e a participarem em Clubes de Raparigas promovidos pela Gorongosa. Nestes Clubes, as meninas aprendem sobre literacia, numeracia, saúde sexual reprodutiva, saber estar e ser, além de ganharem de bola de estudo para concretizarem os seus sonhos.

Nas comunidades limites com a Gorongosa

As comunidades mantêm o “lobolo” ou dote exigido ao homem que casa. Entretanto, mandar casar as meninas cobrando alto preço já é visto como um acto negativo porque noutros casos, os homens já não consideram a esposa como deve ser, mas como alguém pago para responder às vontades do marido sem e direitos.

Na ocasião, os professores também abordaram as matérias relacionadas a Violência Baseada no Género como toda acção de um indivíduo que coloca a vida de outrem em risco ou que é prejudicial a sua saúde ou mesmo danos físicos ou psicológicos.

Há vários tipos de Violência Baseada no Género, nomeadamente, a sexual, física, psicológica, moral e patrimonial. A intenção, segundo a moderadora, do evento, Herda Madalena Zihenga, é de os professores fazerem entender as comunidades que esses actos não são bons.

Foi discutido de maneira aprofundada que a violência sexual não é simplesmente um adulto relacionar-se com uma menor, mas é toda a prática sexual sem consentimento dos dois. (Tesoura Mineses).

MANIFESTAÇÕES: Nhamatanda entre o medo e a experiência de insegurança

Para quem força a narrativa de que tudo é mentira sobre manifestação em Nhamatanda, eis alguns episódios, apesar de não ser de grande dimensão. Alguns cidadãos recorrem a manifestações tal como no resto do país que já soma cerca de 21 mortes, incluindo dois polícias. O distrito é o único com a Escola de Sargentos de Polícia (ESAPOL), SERNIC, além da Polícia da República de Moçambique (PRM) ao mesmo tempo. Estas três instituições fortificam a segurança distrital, ainda que com muitas entradas e saídas (atalhos) para o Norte e Sul de Moçambique.

O cenário de manifestações influenciado pela cidade da Beira, capital provincial, já se resume em escassez de transporte, principalmente na rota Nhamatanda-Beira.

Na segunda-feira, logo após o anúncio da presidente do Conselho Constitucional (CC), Lúcia Ribeiro, a Estrada Nacional Número Seis (EN6) foi ocupada por manifestantes. Mas a pronta intervenção das autoridades policiais tomou conta e devolveu a segurança, apesar de ainda permanecer o receio.

Pela EN6 que divide o distrito, em direcção a cidade da Beira, no Posto Administrativo de Tica (Nhamatanda), temporariamente, um grupo de manifestantes tomou conta da estrada. No “coração” da vila de Nhamatanda, moto-taxistas tentaram manifestar sem sucesso. E do lado oposto, via Inchope, concretamente na zona de Nharuchonga, foram colocadas barricadas (pedras, incluindo fogões usados habitualmente para fazer espetadas). A PRM fez-se aos locais para ordem e tranquilidade públicas. Mas o receio mantém.

 

Transportes com preços exorbitantes

Desde o anúncio de Lúcia Ribeiro, os preços de transportes, partindo de Nhamatanda a Beira, já variam, chegando até 2000 meticais.

De Nhamatanda a Beira normalmente custa 160 meticais, mas por conta da situação (manifestações), já é possível ser cobrado se for de Mini Busy, 200 ou 3000 meticais.

O “Profundus”, no terreno, coincidentemente “25 de Dezembro, Dia Família” deparou-se com transportes de Nhamatanda a Inhamizua Beira, não mais que este troço, cobrando 300 meticais; de Nhamatanda a Dondo (200) meticais. Dos escassos transportes, apenas um garantiu ser leal ao preço (160 meticais), mas com receio de ser vítima, principalmente na cidade pior depois de quebrado o seu vidro frontal à vinda a Nhamatanda.

Alguns transportes não querem ariscar. Outros são aqueles que normalmente circulam nos bairros da cidade da Beira, mas pela escassez de transporte, desviam a rota e já fazem Beira-Nhamatanda.

O “Profundus” deparou-se com dois carros que já não circulam porque foram vítimas de manifestantes, na cidade da Beira. Todos os vidros foram quebrados.

O motorista Jacinto Mário contou que se temendo o pior, ao entrar na Beira, deve tocar apitos, ter dísticos “VM7, Anamalala” gritar “povo no poder”, pagar ou ainda entregar alguns produtos aos manifestantes. Enquanto isso, alguns arriscados cobram até 2.000 meticais de táxi-moto vulgo txopela para a cidade da Beira.

Ainda no Natal, pelas 9 horas, camiões continuavam estacionados dentro da vila de Nhamatanda sem sair para a cidade portuária como de habitual. Ao que o “Profundus” apurou, os transportes, alguns por carregarem produtos, temiam a sua vandalização pelos manifestantes na Beira.

Fernando Sábado conta que é muito arriscado de Nhamatanda para a cidade da Beira. “O passageiro não conta com avarias quando te paga, tem longas distâncias para abastecimento de combustível, a movimentação de pessoas na Beira é diferente de Nhamatanda, o que pode provocar acidente para novatos. Contou o “txopelista”, lamentando a morte do seu colega por acidente, depois de levar passageiro àquela cidade portuária.

Do outro lado da rota, de Nhamatanda a Chimoio, também permanece o medo e com lucros insignificantes para as transportadoras. “Conseguíamos 3.000 meticais, como factura diária, mas nestes dois dias, oscilamos nos 2.000 a 2.500, sem contar com a parte de polícia transito (corrupção) ”, contou o motorista Mário Diogo, por isso, “pedimos paz, devem sentar os chefes para resolver esta situação que está longe de terminar”.

 

Lojas parcialmente fechadas

Na passagem do Natal, na vila municipal de Nhamatanda, algumas lojas que mais movimentam munícipes ficaram fechadas. O destaque foi para o Supermercado do Povo e a sua vizinha loja de peixe, Loja de Calçados e a outra atrás do BCI. Aliás, a do Povo, o “Profundus” soube que provou a fúria de manifestantes na cidade da Beira, por isso, não abriu em Nhamatanda.

Lembre-se que Nhamatanda é experiente em tensão-político-militar. Desde o abate de Mariano Nhongo, que era líder da autoproclamada Junta Militar da Renamo e pai natural do distrito, a população local prova nova fase de segurança. Portanto, uma manifestação de renome pode reactivar outro tipo de crime, considerando o actual cenário de assassinatos de mulher ainda sem esclarecimento.

Contudo, desde ontem, quinta-feira, Beira e Nhamatanda voltaram ao normal. (Muamine Benjamim).

Manifestações: Fase final “ponta de lança” será anunciada na segunda-feira

Venâncio Mondlane apoiado pelo partido PODEMOS acaba de anunciar que na segunda-feira próxima vai anunciar a última fase das manifestações designada “ponta de lança”.

Falando esta sexta-feira no habitual Facebook, Venâncio Mondlane ainda me parte incerta, disse que na segunda-feira próxima vai detalhar em que consiste a “ponta de lança”: “Na segunda-feira, vamos indicar quais são as manifestações da ponta de lança, da recta final. Essas serão diferentes de tudo o que fizemos até agora. O objectivo é a verdade eleitoral, a democracia e a justiça”, disse.

“Na segunda-feira, vamos ficar parados. Apenas as nossas mamanas do sector informal poderão movimentar-se. Todos os outros deverão permanecer atentos para receberem as medidas da ponta de lança”, disse Venâncio Mondlane, confiante na habitual obediência quando fala.

“Estamos muito próximos [dos objectivos]. Eles aterrorizaram-nos, meteram medo, mataram irmãos, mas estamos na recta final. Não podemos desistir agora”, motivou Venâncio Mondlane, para não desistirem, garantindo que até dia 15 de janeiro o movimento terá “muitas obrigações e compromissos”.

Venâncio Mondlane ainda acusa o partido no poder Frelimo estar a criar grupos de WhatsApp, para espalhar rumores sobre homens de catana em Maputo, mas segundo ele, isso é manipulação num tempo em que se reporta mais de 1.500 reclusos que escaparam da cadeia central de Maputo, dos quais até ao momento apenas foram capturados 150.  Aliás, o candidato da oposição diz que a evasão foi manobra da Frelimo.

Segundo o relatório da Plataforma DECIDE, de ontem, quinta-feira, de 23-26 de dezembro, houve 134 mortes, sendo (5 de Cabo Delgado), (34 de Nampula), (4 da Zambézia), (2 de Tete), (33 de Sofala), (20 de Maputo Província), e (36 de Maputo Cidade). Portanto, em 66 dias da crise pós-eleitoral, Moçambique somou 261 mortes, 573 baleados, 4.199 detenções, seis desaparecidos.

 

Dados anunciados pelo CC

Lembre-se que o Conselho Constitucional, através da respectiva presidente Lúcia Ribeiro, chancelou a vitória de Daniel Chapo (Frelimo), Venâncio Mondlane (PODEMOS) ficando em segundo mais votado, seguido por Ossufo Momade (RENAMO), na presidência e nom fim Lutero Simango (MDM).

Para a Presidência, o CC reduziu os votos de Chapo em quase meio milhão, mas deixa-o com dois terços dos votos. Mondlane fica em segundo lugar com 24%, seguido de Momade (7%) e Simango (4%). A afluência às urnas é de 39,5%, o que sublinha o boicote anti-Frelimo. E para o Parlamento, o CC retirou 10% dos votos à Frelimo e a deu-os aos outros três partidos. O Podemos, com 43 lugares, torna-se o principal partido da oposição, seguido da Renamo (28) e do MDM (8). O Podemos é mais forte nas províncias de Nampula e Maputo, a Renamo em Nampula e Zambézia e o MDM em Nampula e Sofala. Como historicamente acontece, a CNE deu à Frelimo 100% dos lugares em Gaza, mas o CC deu 2 desses lugares ao Podemos. Enquanto para Assembleia provincial, a Frelimo ganhou os cargos de governador em todas as províncias, o que parece ter sido um objectivo. (Profundus).

Jornal Profundus

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