Crocodilo fere um menor e mata outro no rio Zambeze

 

Um menor de 7 anos foi atacado por crocodilo nas águas do rio Zambeze, no distrito de Chemba, em Sofala, quando tentava mergulhar junto de outros três meninos. Dos quatro rapazes, dois saíram ilesos, um ficou ferido, mas Braz não escapou do animal selvagem, depois de arrastado durante o ataque.

Enquanto o país celebrava a abertura do ano lectivo de 2025, uma parte de Chemba, região central de Moçambique, passou o dia, de luto pelo ataque de crocodilo ao menino Braz Serrano Francisco.

O pequeno Braz faria a 2ª Classe este ano, na Escola Primária Completa de Tsoni.

O ataque de crocodilo aconteceu por volta das 10 horas da última sexta-feira, coincidentemente, quando a respectiva EPC Tsoni, realizava a cerimónia de abertura do ano lectivo escolar.

Eram quatro meninos, de idades que variam entre 7 a 10 anos. Todos decidiram fazer-se ao pântano nas bermas do rio Zambeze. Quando mergulhavam sem o conhecimento das respectivas famílias, um crocodilo atacou dois menores. O crocodilo arrastou Braz, enquanto o amiguinho escapou com ferimentos no braço esquerdo, que imediatamente foi levado ao Hospital de Sena (mais próximo).

Braz foi atacado no pântano localmente chamado Nhadzembe. Não como aponta o semanário “Profundus” Dziwe Dziwe.

O director da EPC Tsoni, Dário Diogo Duarte explica: “quando tomamos conhecimento [do ataque do crocodilo], já eram 11:45. Fomos com os nossos membros do Conselho de Escola, líderes comunitários e a comunidade para fazer as possíveis buscas de Braz. E [Apareceram agentes da Polícia Marinha] com o mesmo propósito. A procura pelo menino chegou a quase 21 horas, mas não o localizaram.

A população continua a somar vítimas mortais pelas águas do rio Zambeze, com muitos casos de ataques de crocodilos e naufrágios na tentativa de travessia usando canoas. (Rosário Phoinde Ntepa).

Colaboradores da USAID suspensos a partir de hoje

Hoje, sexta-feira, a partir das 23:59, todo o pessoal contratado directamente pela USAID será colocado em licença administrativa globalmente, com excepção do pessoal designado responsável por funções de missão crítica, liderança central e programas especialmente designados. Lê-se num comunicado da Agência.

O pessoal essencial que deverá continuar a trabalhar já foi informado até ontem, quinta-feira, sobre o seu paradeiro pela direcção da Agência.

Para o pessoal da USAID actualmente destacado fora dos Estados Unidos, a Agência, em coordenação com as missões e o Departamento de Estado, está a preparar um plano, de acordo com todos os requisitos e leis aplicáveis, ao abrigo do qual a Agência organizaria e pagaria a viagem de regresso aos Estados Unidos no prazo de 30 dias e providenciaria a cessação dos contractos que não sejam considerados essenciais.

A Agência considerará caso a caso excepções e prorrogações de viagem de regresso com base em dificuldades pessoais ou familiares, preocupações de mobilidade ou segurança, ou outros motivos. Por exemplo, a Agência considerará excepções com base no período escolar dos dependentes, nas necessidades médicas pessoais ou familiares, na gravidez e por outros motivos. Serão fornecidas mais orientações sobre a forma de solicitar uma excepção. (Luísa Franque).

Moçambique na lista de países com mais apoio da USAID em 2023

Moçambique foi o membro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) que mais ajuda recebeu da Agência Norte-Americana para o Desenvolvimento Internacional (USAID, em inglês) em 2023, totalizando 41,7 mil milhões de meticais.

De acordo com a Lusa, os dados constam numa das poucas páginas electrónicas na Internet que ainda contém informações oficiais da USAID após uma decisão do Governo de Donald Trump de eliminar a agência, sendo que 2023 é o ano fiscal mais recente para o qual há informações completas.

Segundo o documento, no período em análise, a USAID desembolsou um total de 72 mil milhões de dólares e a maior parte da ajuda (mais de 16,6 mil milhões de dólares) foi enviada à Ucrânia.

Entretanto, no universo da CPLP, depois de Moçambique, encontra-se Angola a ocupar o segundo lugar na lista de maiores receptores de auxílio da USAID em 2023, com 71,3 milhões de dólares, depois o Brasil com 68,9 milhões de dólares e Timor-Leste com 43,6 milhões de dólares. Seguida de Cabo Verde, com 2,9 milhões de dólares; Guiné-Bissau, com 2,9 milhões de dólares, Guiné Equatorial, com 658,7 mil dólares, São Tomé e Príncipe, com 216,3 mil dólares e Portugal, com 6,4 mil dólares. (Profundus).

Cheringoma: Ano lectivo inicia com apelos de vigilância contra roubos nas escolas

O sector da educação está preocupado com a onda de roubos perpetrados até então por desconhecidos. Iniciando o ano lectivo escolar no distrito, o Governo mais vigilância de todos.

A exortação é do director do Serviço Distrital da Saúde Mulher e Acção Social de Cheringoma, em representação do Governo local, num comício na Escola Básica da Ceta, em Cheringoma, também alvo de roubo.

“Temos que nos tornar vigilantes face a esses vandalismos, porque a escola é de todos nós. A escola serve e deverá servir sempre aos nossos filhos como um dia também a nos serviu”, exortou Paulo de Sousa.

Sob lema “Por Uma Educação Inclusiva, Patriótica e de Qualidade”, Paulo de Sousa, igualmente, exortou aos professores e pais e encarregados de educação para imediatamente fortificarem a luta contra a desistência escolar.

Em Cheringoma, o sector da educação vai continuar a prestar atenção ao uso das línguas moçambicanas, incluindo a língua de sinais (HIBRAIL) em parceria com o Instituto de Formação de Professores de Inhaminga na capacitação de professores em exercício.

Para 2025, a educação em Cheringoma vai continuar intervenções focadas a raparigas para permanecerem nas escolas; expansão e consolidação do ensino bilingue, promoção de programas de saúde escolar, distribuição gratuita de livros escolares, reposição de infra-estruturas educacionais.

Arrancaram a 4 de fevereiro, à escala nacional, as aulas do ensino geral referentes ao ano lectivo de 2025 com a previsão de 1,6 milhão de novos ingressos na 1.ª classe. A abertura oficial decorreu na última na sexta-feira.

O ano lectivo de 2025 inicia com problemas na alocação de livros de distribuição gratuita. Mas segundo a titular do pelouro da Educação e Cultura, o material para o ensino primário e secundário, em formato digital, estão a ser distribuídos nas províncias.

“Os livros já estão em todas as províncias, agora, as províncias estão a colocar os livros na escola e este é um trabalho contínuo (…) Gostaríamos que fosse até o mês de fevereiro, mas tendo em conta a situação dos acessos, estamos a trabalhar para que, no máximo, até final de março, o livro esteja em todas as escolas”, disse Samaria Tovela para posteriormente referir que os manuais de ciências sociais e português ainda não existem em formato físico, portanto, há trabalhos urgentes na produção de material de apoio (Lucas Singale – Cheringoma).

Emola e BCI entre os mais multados por infracções

O serviço móvel financeiro Emola e o Banco Comercial de Investimentos (BCI) constam na lista dos nove infractores. As multas aplicadas pelo Banco de Moçambique a estas empresas somam mais de 80 milhões de meticais por pagar. São infracções cometidas no período de dezembro de 2023 a dezembro de 2024.

O Banco de Moçambique sancionou nove instituições de crédito e sociedades financeiras com penas de multa, por violação de normas (i) prudenciais, (ii) de prevenção e combate ao branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo, (iii) cambiais e (iv) de protecção do consumidor de produtos e serviços financeiros, nomeadamente, Lei n.º 20/2020, de 31 de Dezembro – Lei das Instituições de Crédito e Sociedades Financeiras (LICSF), Lei n.º 11/2022, de 7 de Julho – Antiga Lei sobre Prevenção e Combate ao Branqueamento de Capitais, Financiamento do Terrorismo e Financiamento de Armas de Destruição em Massa (ALPCBCFTFP), Lei n.º 11/2009, de 11 de Março – Antiga Lei Cambial (ALC), Lei n.º 28/2022, de 29 de Dezembro – Lei Cambial (LC), e demais Avisos emitidos pelo BM.

 

Multas e violações cometidas pelas instituições

A Multicâmbios, de acordo com o Banco de Moçambique, terá de pagar  1 251 692,40 MT, por falta de registo de operações cambiais e falta de normas de controlo interno, em 2023.

E-Mola deverá pagar 44 979 782,00 MT pela constituição inadequada do conselho de administração e das comissões de trabalho; falta de estabelecimento de políticas e procedimentos destinados a enfrentar riscos relacionados com a prevenção e combate ao branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo; falta de comunicação de transacções em numerário acima dos limiares; falta de planos de acção para resolver as causas de reclamações de clientes e incumprimento do prazo para o tratamento de reclamações; criação e gestão inadequada da moeda electrónica em circulação; disponibilização de produtos e serviços de pagamento electrónico sem comunicação prévia ao BM; e realização de transacções fora da rede única nacional de pagamentos electrónicos, em 2023.

Banco Letshego, foi multado 1 434 085,00 MT por inobservância do prazo de resposta às notificações do BM, no âmbito de processos de reclamações de clientes; e prestação de informação falsa susceptível de induzir a conclusões erróneas sobre o cumprimento do dever de resposta às notificações do BM em sede de tratamento de reclamações, em 2023.

O Banco Société Générale Moçambique tem uma multa de 1 763 924,55 MT por inobservância do prazo de resposta às notificações do BM, no âmbito de processos de reclamações de clientes.

BCI foi multado a pagar mais de 44 milhões de meticais subdivididos 4 015 438,00 MT por inobservância do prazo de resposta às notificações do BM, no âmbito de processos de reclamações de clientes, em 2023; 2 087 971,60 MT por contratação de derivados over-the-counter (OTC) sem autorização do BM e falta de registo e reporte de derivados OTC, em 2024; e 37 500 000,00 por violação do dever de aprovação da avaliação anual de risco de BC/FT/FP no ano de 2023; violação do dever de realização da auditoria ao sistema de prevenção e combate ao BC/FT/FP, com vista a aferir o tratamento dos alertas gerados pelo respectivo sistema de monitoria; violação do dever de aplicação de medidas de diligência reforçada na constituição da relação de negócio com uma cliente PEP (pessoa politicamente exposta; violação do dever de aplicação de medidas reforçadas proporcionais aos riscos relativamente às operações realizadas numa conta bancária; violação do dever de abstenção em relação às operações de transferência de valores para o exterior, ordenadas por dois clientes corporativos; e violação do dever de exame relativamente às operações realizadas em contas bancárias tituladas por três clientes particulares, em 2024.

O Absa Bank Moçambique tem uma multa de mais de 3 milhões de meticais subdivididos em 2 000 000,00 por contratação de derivados OTC sem autorização do BM; e falta de registo e reporte de derivados OTC, 2023; e 1 803 066,00 MT por violação do dever geral de verificação e informação na realização de operações cambiais e violação do dever de registo.

O Moza Banco com 900 000 por pagar depois de violar o dever geral de verificação e informação na realização de operações cambiais, em 2024.

O First National Bank vai ter que pagar 900 000 por violar o dever geral de verificação e informação na realização de operações cambiais.

Ecobank Moçambique tem uma multa de 894 066,00 por violar o prazo regulamentar para submissão, ao BM, do relatório e contas referente ao exercício económico de 2023. (Muamine Benjamim).

Influente Musk diz que Trump concorda que a USAID tem de ser “encerrada”

Elon Musk afirmou que o Presidente Donald Trump concordou que a Agência dos Estados Unidos (EUA) para o Desenvolvimento Internacional precisa de ser “encerrada”, após dias de especulação sobre o futuro da agência depois de o seu financiamento ter sido congelado e dezenas dos seus funcionários terem sido colocados em licença.

“No que diz respeito às coisas da USAID, falei sobre isso com [o Presidente] em pormenor e ele concordou que devíamos encerrá-la”, disse Musk numa conversa no X Spaces durante esta segunda-feira.

Musk disse que falou com Trump “algumas vezes” e o presidente confirmou que quer encerrar a agência, que distribui milhares de milhões em ajuda humanitária e financiamento do desenvolvimento anualmente. A CNN contactou a Casa Branca e a USAID para comentar o assunto, mas não obteve resposta.

No domingo à noite, antes da conversa com o X Spaces, quando questionado sobre a USAID, Trump disse aos jornalistas: “Tem sido dirigida por um bando de lunáticos radicais, e estamos a tirá-los de lá, e depois tomaremos uma decisão” sobre o seu futuro.

Os comentários de Musk surgem depois de dois altos responsáveis pela segurança da USAID terem sido colocados em licença administrativa no sábado à noite por terem recusado aos membros do Departamento de Eficiência Governamental (DOGE) o acesso aos sistemas da agência, mesmo quando o pessoal do DOGE ameaçou chamar as forças da ordem, disseram à CNN várias fontes familiarizadas com a situação.

Cerca de 60 altos funcionários da USAID foram colocados em licença na semana passada, acusados de tentar contornar a ordem executiva de Trump de congelar a ajuda externa durante 90 dias. Outro alto funcionário foi colocado em licença por tentar reverter essa medida, depois de não ter encontrado provas de irregularidades.

Na conversa do X Spaces, que Musk co-apresentou com o senador republicano Joni Ernst do Iowa e Vivek Ramaswamy – que foi inicialmente nomeado co-presidente do DOGE com Musk, mas desde então saiu – o proprietário da rede social X apelidou a USAID de “incrivelmente partidária politicamente” e disse que tem apoiado “causas radicalmente esquerdistas em todo o mundo, incluindo coisas que são antiamericanas”.

Musk disse que a USAID está “para além de qualquer reparação”, entre outros ataques que fez contra a agência criada pelo Congresso como um organismo independente.

Não temos “uma maçã com um verme dentro”, acrescentou. “Temos uma bola de vermes”, para depois dizer que “a USAID é um novelo de vermes”.

A USAID foi criada em 1961 durante a administração do presidente John F. Kennedy e é o braço humanitário do governo dos EUA. Distribui anualmente milhares de milhões de dólares por todo o mundo, num esforço para aliviar a pobreza, tratar doenças e responder a situações de fome e catástrofes naturais. Também promove a construção da democracia e o desenvolvimento através do apoio a organizações não governamentais, meios de comunicação social independentes e iniciativas sociais.

A USAID é um instrumento fundamental de soft power dos EUA para fomentar as relações com as comunidades em todo o mundo, afirmam os funcionários, salientando que a segurança nacional dos EUA é abordada com os pilares dos “três D”: defesa, diplomacia e desenvolvimento, liderados, respetivamente, pelo Departamento de Defesa, Departamento de Estado e USAID.

 

Pessoal do DOGE teve acesso a ficheiros da USAID

De acordo com as fontes, o pessoal do gabinete criado por Musk tentou primeiro aceder fisicamente à sede da USAID em Washington DC e foi impedido. O pessoal do DOGE exigiu que o deixassem entrar e ameaçou chamar os US Marshals para que lhe fosse permitido o acesso, disseram duas das fontes.

Segundo outras fontes, o pessoal do DOGE pretendia aceder aos sistemas de segurança e aos ficheiros do pessoal da USAID. Duas dessas fontes afirmaram ainda que o pessoal do DOGE pretendia aceder a informações classificadas, às quais só têm acesso as pessoas com habilitações de segurança e uma necessidade específica de saber.

Três fontes disseram à CNN que, no final, o pessoal do DOGE acabou por conseguir aceder à sede.

O incidente, que não tinha sido noticiado anteriormente, é o mais recente confronto no momento em que o DOGE, afiliado a Trump, procura exercer uma autoridade cada vez maior sobre o governo federal, uma vez que pretende reduzir as despesas.

 

Numa carta enviada no domingo ao secretário de Estado Marco Rubio, os membros democratas da Comissão de Relações Exteriores do Senado dos EUA solicitaram “uma atualização imediata sobre o acesso à sede da USAID, incluindo se os indivíduos que acederam à sede estavam autorizados a estar lá e por quem”.

“O acesso potencial a ficheiros sensíveis, mesmo classificados, que podem incluir informações de identificação pessoal (PII) de americanos que trabalham com a USAID, e este incidente como um todo, levantam profundas preocupações sobre a proteção e salvaguarda de assuntos relacionados com a segurança nacional dos EUA”, diz a carta.

Os senadores também escreveram que “qualquer esforço para fundir ou dobrar a USAID no Departamento de Estado deve ser, e por lei deve ser, previsto, discutido e aprovado pelo Congresso”.

Katie Miller, que Trump nomeou para o DOGE em dezembro, pareceu confirmar no domingo que o pessoal do DOGE tinha acedido a informação classificada.

“Nenhum material confidencial foi acedido sem as devidas autorizações de segurança”, publicou no X.

No domingo, em resposta à reportagem da CNN sobre o incidente, Musk disse que “a USAID é uma organização criminosa”.

“Está na altura de morrer”, publicou no X.

Outros altos funcionários de Trump, como Stephen Miller, que ocupa o cargo de vice-chefe de gabinete para a política na Casa Branca, também atacaram a USAID, acusando a sua força de trabalho de ser maioritariamente democrata.

No sábado, o website da USAID ficou obscuro e apareceu uma nova página para a agência do Departamento de Estado. A conta X da USAID também ficou offline no sábado.

Uma fonte disse à CNN que todo o gabinete de relações públicas da USAID foi colocado em licença e bloqueado nos seus sistemas.

Pouco depois de ter tomado posse no mês passado, Trump emitiu uma ordem executiva abrangente que suspendeu toda a ajuda externa por 90 dias, levando a uma confusão generalizada, despedimentos e encerramento de programas.

dO Diretor de Segurança da USAID, John Voorhees, e o seu adjunto estão entre as dezenas de funcionários da USAID que foram colocados em licença, devido ao receio de que a agência esteja a ser intencionalmente desmantelada – uma medida que, segundo alguns funcionários, teria enormes implicações negativas.

Os responsáveis pela ajuda argumentam que o Departamento de Estado não está equipado para assumir e manter o vasto número de projetos de desenvolvimento da USAID. Também apagaria, argumentam, um poder suave único e essencial que não pode ser replicado.

O Departamento de Estado “não tem a capacidade, os conhecimentos, a formação para fazer esse tipo de trabalho. É uma linha de esforço completamente separada que é levada a cabo no terreno”, disse um antigo funcionário sénior da USAID.

“O único elemento da burocracia do governo dos EUA no terreno, em locais estrangeiros, que tem sido capaz de ultrapassar as fronteiras e ter uma compreensão mais profunda dos locais em que trabalhamos é a USAID”, continuou o antigo funcionário, que pediu anonimato devido ao receio crescente e generalizado de ser alvo da administração Trump.

“Essa capacidade de trabalhar dessa forma, essa cultura – e penso que é uma cultura – perde-se. E com isso, penso que perdemos uma ferramenta enorme e incrivelmente valiosa da política externa dos EUA. Basicamente, vamos estar a dar murros com um braço atrás das costas”, reiterou. (CNN).

 

Trump retira EUA da OMS e suspende ajuda externa

O actual Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), entre várias decisões retirou os EUA da Organização Mundial de Saúde (OMS), e suspendeu a ajuda externa por um período de 90 dias para revisão. Estas medidas fazem parte de dezenas de decretos assinados na tomada de posse de Donald Trump, na última terça-feira.

Imediatamente, o Departamento de Estado dos Estados Unidos congelou quase toda a assistência estrangeira no mundo todo, com efeito imediato, por 90 dias.

O secretário de Estado, Marco Rubio enviou um telegrama a todos os postos diplomáticos dos EUA na última sexta-feira (24) descrevendo a medida, que ameaça bilhões de dólares em financiamento do Departamento de Estado e da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) para programas em todo o mundo.

Isso significa que a ajuda global à saúde, assistência ao desenvolvimento, ajuda militar e até mesmo a distribuição de água limpa podem ser afectadas.

A mensagem fornece uma isenção apenas para assistência alimentar de emergência e financiamento militar estrangeiro para Israel e Egipto.

No próximo mês, disse o telegrama, o governo desenvolverá padrões para uma revisão sobre se a assistência está “alinhada com a agenda de política externa do presidente Trump”.

“As decisões sobre continuar, modificar ou encerrar os programas serão tomadas após esta revisão”, afirma o telegrama, observando que tal revisão deve ser concluída em 85 dias.

Em uma declaração pública na quarta-feira (22), Rubio disse que “cada dólar que gastamos, cada programa que financiamos e cada política que buscamos deve ser justificado com a resposta a três perguntas simples: Isso torna a América mais segura? Isso torna a América mais forte? Isso torna a América mais próspera?”

O impacto do congelamento da assistência será imenso porque os EUA são consistentemente o maior doador humanitário do mundo.

Numa ordem executiva, Trump afirmou que a “indústria de ajuda externa e a burocracia dos EUA não estão alinhadas com os interesses americanos e, em muitos casos, são antitéticas aos valores americanos”.

Trump também ordenou o início do processo da retirada os Estados Unidos do Acordos do Clima de Paris.

Os decretos presidenciais têm o peso de lei, mas podem ser anulados por outros presidentes ou pelos tribunais e observadores políticos, muitos assinados pelo Presidente serão levados a tribunal.

Trump assinou um decreto a suspender o direito à cidadania de filhos de imigrantes em situação ilegal nascidos nos Estados Unidos filhos de imigrantes ilegais. Mas a 14ª emenda da Constituição americana é interpretada como garantia desse direito de nascença pelo que o decreto presidencial poderá ir ao tribunal.

O Presidente americano deu também ordens às forças militares para “selarem as fronteiras” declarando uma emergência devido à imigração ilegal. Ao mesmo tempo, Trump reinstalou a sua política anterior “permanecer no México” ao abrigo da qual todas as pessoas que estejam a caminho dos Estados Unidos pelo México e tencionem pedir asilo político em território americano têm que permanecer no país vizinho enquanto os seus pedidos são analisados.

Por outro lado, o Presidente ordenou também o congelamento de admissão de novos funcionários federais e o regresso de todos os funcionários aos seus locais de trabalho acabando assim com o conceito de “trabalho à distância” pelo qual muitos funcionários trabalhavam a partir de casa.

Peter Alexander, correspondente na Casa Branca da cadeia de televisão NBC, disse que esta série de decretos reflecte uma lição que Trump aprendeu após o seu primeiro mandato.

“Em 2017 houve apenas um decreto no primeiro dia. Agora é um Presidente que tem muito melhor compreensão do modo como o seu cargo funciona, o ritmo do trabalho. Ele reconhece a janela temporária que tem para ter controlo de todas as coisas em Washington. Tem que começar a trabalhar de imediato”, disse Alexander, que fez notar que Trump é um Presidente que passou agora mais tempo como antigo presidente dos Estados Unidos do que em campanha” e que “desde então teve muitos conselheiros à sua volta para preparem o que querem fazer desta vez”.

“Penso que as expectativas dos seus apoiantes para este mandato são muito altas. Em campanha pode se fazer muitas promessas, agora tem que começar a fazer essas coisas”, disse o jornalista que falava num programa da sua cadeia de televisão.

Para além das possíveis acções em tribunal contra alguns dos seus decretos, Trump tem também o problema de uma maioria muito pequena na Câmara dos Representantes e também no Senado, o que pode fazer descarrilar alguns dos seus planos legislativos. (VOA e CNN).

 

Os minúsculos ácaros que vivem no corpo humano

É quase certo que, neste exacto momento, você tenha animais vivendo em seu rosto. São seres microscópicos de oito patas que nascem, se alimentam, se acasalam e morrem nos poros e nas raízes dos pelos da face humana.

Mas antes de sair para esfregar a pele com o primeiro sabonete que encontrar pela frente, saiba que esses minúsculos inquilinos não representam um grave problema. Na realidade, eles são praticamente inofensivos.

E são tão comuns que poderão até ajudar cientistas a revelar alguns detalhes sobre a história da humanidade aos quais nunca tivemos acesso

 

Até dois por cílio

São duas as espécies de ácaros que habitam no rosto humano: o Demodex folliculorum e o Demodex brevis pertencentes ao filo dos artrópodes, que inclui animais com exosqueletos e patas articuladas, como insectos e caranguejos. Seus parentes mais próximos são as aranhas e os carrapatos.

Os ácaros do género Demodex têm oito patas curtas e grossas localizadas perto da cabeça. Seu corpo é alongado, como o de uma minhoca. Enquanto D. folliculorum vive em poros e folículos pilosos, o D. brevis prefere se estabelecer nas glândulas sebáceas. O rosto tem poros maiores e mais glândulas desse tipo do que o resto do corpo humano, o que pode explicar a preferência desses animais pela região.

Já faz tempo que cientistas sabem que ácaros vivem no rosto humano – há registos de observação do D. folliculorum nesse ambiente em 1842. O que ficou claro apenas em 2014 foi sua onipresença: a bióloga Megan Thoemmes e seus colegas da Universidade da Carolina do Norte encontraram DNA de Demodex no rosto de todos os voluntários testados, apesar de eles só serem visíveis em 14% daqueles indivíduos.

Isso sugere que todos nós abrigamos esses ácaros, e provavelmente em grandes quantidades. “É difícil quantificar, mas uma estimativa baixa seria na casa das centenas desses animais”, afirma Thoemmes. “Uma alta população chegaria a milhares.” Ou seja: é possível ter dois ácaros em cada cílio.

 

Ovos ‘gigantes’

 

Ainda não está claro, entretanto, quais os benefícios trazemos aos ácaros, além de abrigo. Para começar, os cientistas não têm certeza do que esses seres microscópicos se alimentam.

Para descobrir isso, a equipe de Thoemmes está analisando os microoganismos que vivem nos intestinos dos Demodex, o que pode dar um indício de sua dieta.

Também não se sabe muito como essas espécies se reproduzem. Outros tipos de ácaros usam recursos dramáticos, como o incesto e o canibalismo sexual, mas os Demodex parecem ser menos radicais.

Os cientistas, no entanto, conseguiram filmar uma fêmea colocando seus ovos em torno da borda do poro onde estão vivendo – e se assustaram com seu tamanho. “Cada ovo medem um terço ou até metade do corpo da mãe, o que nos faz concluir que ela deposite poucos deles – ou talvez só um – de cada vez”, explica Thoemmes.

Outra curiosidade: esses ácaros não possuem um ânus. Em vez de defecar, eles provavelmente guardam os resíduos digestivos até morrerem. “Quando um Demodex morre, seu corpo se resseca e todos os dejectos acumulados se decompõem no rosto”, conta a bióloga.

 

Gentil comensal

Isso pode soar como uma coisa terrível e repugnante. Mas, surpreendentemente, essa actividade não é prejudicial ao homem. “Se tivéssemos uma forte reacção negativa à presença desses ácaros, observaríamos problemas em um número maior de pessoas”, afirma.

O único problema de pele com o qual o Demodex está associado é a rosácea, uma doença que atinge principalmente o rosto e começa com um rubor que pode evoluir para uma vermelhidão permanente, manchas e sensação de ardor.

Estudos mostraram que as pessoas que sofrem de rosácea tendem a apresentar mais ácaros Demodex em sua pele – uma concentração de 10 a 20 animais por centímetro quadrado, enquanto a média normal é de um a dois. Mas isso não quer dizer que são eles que provocam a doença.

Em uma pesquisa publicada em 2012, Kevin Kavanagh, da Universidade de Maynooth, na Irlanda, concluiu que a principal causa da rosácea são as alterações na pele devido a factores como o envelhecimento. Com elas, muda também o sebo – substância oleosa produzida pelas glândulas para manter a umidade da pele.

Como é possível que o Demodex se alimente de sebo, essa mudança pode causar a explosão populacional. Outra explicação seria a grande onda de bactérias liberada quando um ácaro morre, o que causa irritações e inflamações. Ou ainda uma deficiência no sistema imunológico humano, que favorece a proliferação dos ácaros.

Os cientistas também já sabem que esses animais não são parasitas, ou seja, não provocam danos ao se alimentarem de nossos componentes. É mais provável que essa relação seja de comensalismo, na qual eles se aproveitam de nós, mas sem nos prejudicar ou até nos beneficiando – alguns pesquisadores acreditam que eles comem bactérias nocivas e limpam a pele morta depositada na superfície do nosso rosto.

 

Origens

Mas seria possível se livrar desses ácaros? Por um certo tempo sim, mas não para sempre. Isso porque nós o pegamos de outras pessoas directamente ou através de objectos como lençóis, travesseiros e toalhas.

“Parece haver algo especial no rosto que faz com que eles queiram estar ali”, diz Kavanagh.

Os cientistas também acreditam que abrigamos esses ácaros há pelo menos 20 mil anos, e que os pegamos de outros animais. O D. brevis, por exemplo, é particularmente semelhante a outra espécie de ácaro que vive em cães.

A pesquisa realizada na Carolina do Norte também descobriu que os ácaros colectados de populações asiáticas eram nitidamente diferente daqueles colhidos de indivíduos do Hemisfério Norte e da América do Sul.

Para a equipe de Thoemmes, o estudo desses aracnídeos microscópicos poderia revelar como nossos ancestrais se moveram pelo planeta e mostrar quais populações modernas têm uma relação mais estreita.

O Demodex pode ainda ajudar os especialistas a investigar como evoluímos. Como eles viveram tanto tempo connosco, é possível que nosso sistema imunológico tenha mudado, ajudando-nos a reagir contra diferentes doenças.

Por enquanto, muitas hipóteses e especulações estão no ar. Mas se há uma verdade sobre esses ácaros é o fato de eles nos lembrarem que os seres humanos abrigam um enorme número de espécies de animais, a começar por microrganismos.

Ou seja: você não é apenas você. Você é um ecossistema completo – com a diferença de que fala e anda. (BBC).

Novas medidas de Venâncio Mondlane

Na habitual comunicação “Facebook”, o ex-candidato presidencial, Venâncio Mondlane anunciou ontem, sexta-feira, novas medidas para aquilo que chama de sua governação. São decisões contra o governo da Frelimo, exigindo compensações às vítimas, combate à corrupção, cortes de impostos, melhorias de infra-estruturas e benefícios sociais directos, além daquilo que pode gerar ainda mais instabilidade no país ao anunciar o confronto contra agentes do Governo se houver violação de Direitos Humanos.

Resumidamente, Venâncio Mondlane anunciou as medidas relacionadas a justiça e Direitos Humanos, económicas e sociais, retaliação popular, educação e infra-estrutura, desenvolvimento e empreendedorismo, sucessivamente:

 

Direitos Humanos

Fim imediato da violência contra a população – proibição de valas comuns, sequestros e assassinatos;

Libertação incondicional dos cerca de 4.000 manifestantes detidos – muitos sem processo legal;

Assistência médica gratuita para feridos e incapacitados pela brutalidade policial;

Compensação financeira de até 200 mil meticais para famílias de vítimas da repressão estatal.

 

Economia e sociedade

Extensão da isenção de pagamento de portagens por mais 3 meses – até abril de 2025, condicionada à reabilitação das estradas;

Fornecimento gratuito de água potável para toda a população nos próximos 100 dias;

Fixação do preço do cimento a um máximo de 300 MZN por saco – redução da especulação;

Fim da extorsão policial e alfandegária – combate à corrupção na função pública;

Isenção do IVA sobre produtos básicos – farinha, carapau, óleo, sabão, entre outros;

Reforma da bandeira nacional – apresentação de propostas à população antes da oficialização;

Eleições comunitárias livres – líderes de bairro escolhidos pelos moradores, não pelo partido;

Despartidarização do Estado – eliminação da influência partidária em ministérios, hospitais e outras instituições públicas.

 

Retaliação popular

Lei do talião (olho por olho, dente por dente) – defesa activa contra a violência do governo, permitindo represálias contra agentes da Unidade de Intervenção Rápida (UIR).

 

Educação e infra-estrutura

Ensino primário e secundário gratuitos – eliminação de propinas escolares;

Fechamento de empresas que prejudicam a saúde pública – como em Moatize, devido à poluição;

Redução da tarifa de electricidade em 50% – questionamento sobre os preços cobrados pela EDM;

Suspensão da exploração madeireira – excepto para fabricação de carteiras escolares;

Contractos directos entre comunidades e investidores para projectos locais;

Suspensão da inspecção obrigatória de viaturas – até que as estradas sejam reabilitadas;

Isenção da taxa de rádio para veículos – devido à falta de rádios instalados.

 

Desenvolvimento e empreendedorismo

Eliminação de cobranças ilícitas no ensino primário;

Criação de um projecto digital para denúncias populares e fiscalização de respostas governamentais;

Negociação com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para um fundo de US$ 500 milhões – apoio a Pequenas e Medias Empresas afectadas pela repressão;

Criação de um fundo de US$ 600 milhões para jovens e mulheres empreendedoras;

Segundo VM7 como é chamado pelos admiradores, se estas medidas não forem implementadas, haverá um retorno às manifestações nas ruas e desta vez mais violentas. (Profundus).

Chapo nomeia Primeira-Ministra e membros do governo

Tomam posse hoje, os recém-nomeados para cargos de ministros os 13 nomeados ontem pelo Novo Chefe de Estado moçambicano, Daniel Chapo. O executivo tem três mulheres em cargos proeminentes.

Trata-se de Maria Benvinda Delfina Levi para o cargo de Primeira-Ministra. Antes, ela foi juíza presidente do Tribunal Judicial da Cidade de Maputo e ministra da Justiça de 2008 a 2015, além de ter sido conselheira do anterior Presidente, Filipe Nyusi, até à sua exoneração na terça-feira, 14.

O Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas foi entregue a Roberto Mito Albino; o sector das Comunicações e Transformação Digital será assumido por Américo Muchanga;

Paulo Chachine para o cargo de Ministro do Interior. Enquanto a pasta dos Negócios Estrangeiros e Cooperação Internacional fica a cargo de Maria Manuela dos Santos Lucas.

João Jorge Matlombe é o novo ministro dos Transportes e Logística.

Ussene Hilário Isse assume a pasta da Saúde, tirando Armindo Tiago.

Mantem o Cristóvão Artur Chume para o cargo de Ministro da Defesa Nacional.

Maria Manuela dos Santos Lucas para o cargo de Ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação.

Carla Alexandra Oreste do Rosário Fernandes Loveira, para o cargo de ministro das finanças.

Inocêncio florentino José Impissa para o cargo de ministro da administração estatal e função pública.

Salim Ismael Valá, para o cargo de ministro da planificação e desenvolvimento.

Estevão Tomás Rafael Pale, para o cargo de ministro dos recursos minerais e energia.

Basílio Zefanias Muhate, para o cargo de ministro da economia. (Profundus).

Jornal Profundus

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