O que significa a base de Mecuze em Nhamatanda?

A Base Mecuze “significa um lugar onde viviam os guerrilheiros da Frelimo para o distrito. E para os combatentes, significa a preservação da memória da Luta de Libertação”, explicou o secretário distrital da ACLLN, Vicente Goche.

Vicente Goche falava na semana de 25 de Setembro, Dia das FADM, no interior de Nhamatanda, Base de Mecuze Zambassira.

Ali, estiveram também crianças para poderem questionar e ouvir a história oralmente sobre a Base Mecuze e o que significa para as futuras gerações.
Na imagem, é possível ver “Comando” – que era central onde todos guerrilheiros recebiam ordens; “Coz”- que era cozinha”; “D.F” – Dormitório Feminino”; “C.C”- Casa do Comandante; entre outras abreviaturas significativas.

Vicente Goche espera que a “geração vindoura possa conhecer e perceber que a independência que almejamos veio de um grande sacrifício do povo moçambicano, com espírito de patriotismo e amor a nossa pátria, a nossa liberdade”.

“É ali onde todas pessoas devem vir aprender a nossa independência, saber de quem somos e de onde é que viemos, porque que estamos independente e qual o sacrifício que houve para tal”, disse Goche.

A construção da Base Mecuze resulta do apoio de Associação de Combatentes de Luta de Libertação Nacional (ACLLN). Goche ainda não sabe exactamente quanto vai gastar, mas já antevê “pedidos” de apoio a quem estiver disponível. (Muamine Benjamim).

Ruandês isola-se de mulheres há 55 anos por fobia

Uma doença denominada fobia isola Callixte Nzamwita um ruandês de 71 anos, de mulheres há 55 anos. Ginecofobia é a aversão ou receio de aproximação a algo que diga respeito ao feminino.

A história de Callixte Nzamwita é contada num documentário transmitido no YouTube.

De acordo com as publicações internacionais, o idoso descreve que tem medo extremo de mulheres. “A razão pela qual me tranquei aqui dentro e coloquei uma cerca na minha casa é porque quero ter a certeza de que as mulheres não se aproximarão de mim”, justificou.

Ao longo do vídeo, o homem conta que começou a isolar-se quando tinha 16 anos. Começou a fazer a sua rotina sozinho, vivendo ‘confinado’ no seu pequeno espaço, onde cozinha, dorme e faz outras actividades.

Callixte Nzamwita foi diagnosticado com ginofobia, que é o medo ou aversão intensa de se aproximar de uma mulher ou de ter uma relação sexual com ela.

Nzamwita explica ainda como é viver desta forma, e refere que a maneira como vai vivendo a vida é suficiente.

“Não tinha ideia de ter uma mulher e estou bem com isso. Não quero mulheres perto de mim porque elas me deixam com muito medo”, reforça.

Uma mulher que mora perto de Nzamwita afirmou a situação, dizendo que este se afasta. “Quando tentamos ajudá-lo, ele não quer que nos aproximemos ou falemos com ele”. Acrescentando que, “em vez disso, damos-lhe coisas atirando-as para a sua casa. Ele não deixa que cheguemos perto dele, mas ainda assim aceita à distância o que oferecemos”. (NM).

CNE deve anunciar o número de candidatos antes do fim do recenseamento

A lei eleitoral em vigor obriga a CNE a anunciar o número de candidatos que os partidos devem apresentar antes de ter o número total de recenseadas, de acordo com o calendário que a Comissão Nacional de Eleições (CNE) divulgou na quarta-feira.

Os círculos eleitorais da Assembleia da República são as províncias e os círculos eleitorais das assembleias provinciais são os distritos. O número de assentos depende do número de eleitores recenseados. Mas a lei também exige que o número de assentos seja anunciado 180 dias antes das eleições, entretanto o calendário da CNE diz que este anúncio será feito até ao dia18 de abril, antes do fim do recenseamento. A CNE não esclarece como irá calcular o número de assentos, o que poderá exigir uma alteração de emergência da lei, na próxima sessão parlamentar. As eleições são regidas por 14 leis e muitas das datas do calendário são regidas por pelo menos duas leis que, já foram alteradas uma ou duas vezes.

As principais datas do calendário anunciado hoje são: 15 de Março a28 de Abril – recenseamento em Moçambique;

30 de Março a 28 de Abril – recenseamento na diáspora; até 18 de Abril – anúncio do número de candidatos necessários;

22 de Abril a 7 de Maio – os partidos registam-se na CNE;

30 de Abril a 3 de Maio – exibição dos cadernos de recenseamento;

até 3 de Junho – o STAE informa à CNE os totais de recenseamento;

até 9 de Junho – a CNE anuncia os totais de recenseamento;

até 10 de Junho – apresentação das listas de candidatos à CNE e das candidaturas presidenciais, ao CC;

28 de Julho a 3 de Agosto – entrega dos fundos de campanha aos partidos políticos;

até 24 de Agosto – publicação das lista de assembleias de voto e dos respectivos cadernos eleitorais;

24 de Agosto a 6 de Outubro – campanha eleitoral;

9 de Outubro – dia de votação até 12 de Outubro – apuramento distrital;

até 14 de Outubro – apuramento provincial;

até 24 de Outubro – a CNE anuncia os resultados nacionais.

 

Os observadores podem registar-se agora

O calendário da CNE sublinha que as credenciais de observador e de imprensa já estão a ser emitidas, sendo válidas até ao anúncio dos resultados finais pelo Conselho Constitucional. O registo é feito pelas comissões eleitorais nacionais e provinciais.

 

Os partidos políticos têm 6 semanas para apresentar os seus candidatos

Os partidos e as listas provinciais de cidadãos devem apresentar cinco documentos para cada candidato, incluindo um certificado de registo criminal, que muitas vezes demora um mês a obter, e fotocópias autenticadas dos seus bilhetes de identidade e de cartões de recenseamento eleitoral, que são mais difíceis de obter nas áreas rurais. A Frelimo tinha proposto à AR que este prazo fosse reduzido para 3 semanas, o que foi rejeitado pela oposição. A CNE autorizou 6 semanas, período que se pode considerar aceitável. Entretanto este período não está de acordo com as leis eleitorais que dizem 2 meses para a AR e 3 meses para as assembleias provinciais.

As listas de cidadãos são permitidas nas eleições provinciais, mas não nas eleições para a AR.

Cada candidato a Presidente deve apresentar pelo menos 10.000 assinaturas de apoiantes “devidamente identificados”. São permitidos candidatos independentes desde que apresentem um número suficiente de assinaturas. As assinaturas são verificadas pelo CC. (CIP).

Assassinada recém-empossada membro da Assembleia Municipal de Quelimane

Membro da Assembleia Municipal de Quelimane pela Frelimo, partido no poder, no centro de Moçambique, foi encontrada queimada morta com sinais de agressão, a cerca de 15 quilómetros da cidade autárquica, um dia depois do empoçamento.

Trata-se do corpo de Celeste Mucunha, encontrado por volta das 05 horas da quinta-feira, no distrito de Nicoadala, ainda dentro da Zambézia, explicou à Lusa o chefe de Relações Públicas do Comando Provincial da Polícia da República de Moçambique na província, Miguel Caetano.

“Parte do corpo dela foi encontrada carbonizada, mas, a outra parte do corpo, ainda visível, apresentava sinais de agressão, o que nos leva a concluir que, antes de ser queimada, ela foi agredida”, explicou Miguel Caetano, acrescentando que as autoridades se desdobram em esforços para esclarecer o caso.

Celeste Mucunha foi vista pela última vez na quarta-feira, no dia do seu empoçamento junto dos outros membros da Assembleia Municipal de Quelimane.

A autarquia de Quelimane faz parte das quatro a serem geridas pelo partido Renamo, nos próximos cinco anos, nomeadamente, Vilankulo (Inhambane); Alto-Molócuè (Zambézia); e Chiúre (Cabo Delgado), fruto de eleições municipais de 11 de outubro de 2023. (Profundus).

Falhou o término de obras de “raiz” em Nhamatanda

São obras que deviam ser entregues em 2023, mas o executivo de Nhamatanda culpa a conjuntura política internacional por não haver a entrega das infra-estruturas, na hora.

As obras de raiz do Instituto Nacional de Segurança Social (INSS) tinham a duração de construção de seis meses, depois de lançada a primeira pedra no dia 13 de dezembro de 2022.

Trata-se de instalações com compartimentos de atendi­mento e Relações Públicas, de arquivo geral, de gabinete da delegada distrital e respecti­vo balneário, balneário para deficientes, além de mais dois de ambos géneros aos funcio­nários. Também, uma sala do servidor, sala de reunião, um muro de vedação, área para es­tacionamento de viaturas, ge­radores automáticos de emer­gência, reserva de água com capacidade de 6.000 litros e mais um furo.

O empreendimento deverá ocupar uma área de 224.79 m², sendo implantado num terreno de 900 m². E já estaria a assistir mais de 374 contribuintes, 1.142 Trabalhadores por Conta Própria (TCP) e 464 pensionistas. Infelizmente, o dinheiro público vai continuar a ser usado para pagar a renda como forma de garantir os serviços do INSS em Nhamatanda, no edifício ao lado da Praça dos Namorados na vila Municipal.

Ainda não se sabe o dia mês específico para a entrega das obras, pelo menos é a interpretação dada aos Órgãos de Comunicação Social, em Nhamatanda.

As obras ainda decorrem no 5° bairro -25 de Junho, den­tro da vila autárquica de Nhamatanda, ali mesmo, na zona de “vuku-vuku”, onde a população queixou-se de destruição de residências e poluição do meio ambiente, alegadamente, pela exploração subterrânea de pedra de construção civil através da pedreira Hiperbrita Lta.

Lembre-se que a antiga secretária de Estado em Sofala, que agora respira ar de Portugal como embaixadora por Moçambique, foi quem lançou a primeira pedra de construção do INSS -Nhamatanda. Na ocasião, Stella Zeca exortou para a entrega atempada das obras, mas até aqui continuam em construção, mesmo um ano depois.

“Não [são apenas] as obras do INSS, temos também do Tribunal que o prazo seria em 2023, mas dada a conjuntura internacional [não foi possível. Mas] não significa que as obras estão paradas, ainda continuam”, disse o administrador de Nhamatanda, Adamo Ossumane.

“Acreditamos [que] que ao longo do ano em curso, poderemos entregar à nossa comunidade”, garantiu Ossumane.

Igualmente, as obras do Tribunal continuam em construção mesmo depois dos oito meses previstos (Muamine Benjamim).

ASSASSINATOS E INCÊNDIO: Comissões criadas quase 1 ano ainda sem pistas em Nhamatanda?

Faltando poucos meses para um ano, continua nos segredos dos “deuses” a informação real sobre assassinatos de mulheres. Também os dados sobre o incêndio da ambulância que culminou com a morte de uma parturiente no recinto do Hospital Rural de Nhamatanda.

O executivo de Nhamatanda, em 2023, disse que criou comissões para investigarem, principalmente, esses dois factos que mais ficaram na memória de cidadãos dentro e fora do distrito.

O que se sabe até agora sobre assassinato é o sucesso – “sem casos” pelo menos pela interpretação popular, não aquela oficial, fazendo continuar assim, a informação “trancada em portas de sete chaves”.

“Temos um número um bocadinho preocupante, tendo em conta que ainda não conseguimos descobrir efectivamente, o que está a acontecer”, disse o administrador de Nhamatanda, Adamo Ossumane, no 20.06.2023, em exclusivo ao “Profundus”.

“São casos que se dão em cada zona, nalgumas vezes, cada zona com suas preocupações e características do tipo de crime, submetemos às nossas entidades competentes [PRM] para fazerem actividade de base” disse o administrador, reiterando que depois disso, fornecerá o “registo” exacto. Até ontem, a população ainda não tinha dados reais de quantas irmãs, sobrinhas, cunhadas perdeu até então por assassinato, como evitar isso sendo que os crimes são descobertos no dia seguinte, quais zonas de risco e qual é a informação exacta.

A não partilha desses dados, provavelmente seja por geoestratégia e geopolítica, aliás, até pelo histórico de Nhamatanda.

 

Dados recentes

Durante a imortalização de Eduardo Mondlane, no último sábado, em Nhamatanda, Adamo Ossumane respondeu entre várias preocupações apresentadas por jornalistas, mas questionado sobre assassinatos e incêndio, o dirigente chegou até a hesitar a entrevista.

Jornalista: Depois de tentar contextualizar a morte de Eduardo Mondlane por assassinato, “pelo histórico que se tem, mas também para olhar o histórico de Nhamatanda que também viveu aspectos de assassinatos [de mulher], já queria saber qual é a informação que se tem pelas comissões que o distrito criou.

Adamo Ossumane respondeu: “Penso que não há nenhum relacionamento nas condições em que o Doutor Eduardo Mondlane perdeu a vida e o que estamos a assistir de forma até não com muita frequência no distrito, mas já encarregamos à nossa Polícia ao nível do nosso distrito para fazer o aprofundamento e de facto apurarmos a veracidade das mortes que têm acontecido. Não posso fazer o acasalamento com a morte de Eduardo Mondlane com o que está a acontecer em Nhamatanda”. Esta resposta terminou com sorriso do dirigente.

Jornalista: E o caso de incêndio? Ossumane sorriu e saiu com “obrigado”.

 

Já teriam esclarecido, mas…

Estas preocupações já teriam sido esclarecidas aos jornalistas no ano passado, segundo a última reacção do dia 08 de dezembro de 2023, através do porta-voz da XI Sessão Ordinária do Governo, Sérgio Lucas Quembo Raposo.

“As comissões estão a trabalhar. Neste momento, estão a finalizar os processos”, disse o porta-voz da XIª Sessão do Governo de Nhamatanda, Sérgio Raposo, numa entrevista concedida a jornalistas locais. “Queremos acreditar que teremos informações preliminares sobre a situação dos assassinatos”, acrescentou.

“Estamos numa situação muito aceitável. Já não temos onda de assassinatos no distrito, melhorou muito em termos de segurança”, avaliou os últimos dias.

A última Sessão pela qual haveria esclarecimento, seria realizada no dia 22 de dezembro de 2023, porém, adiou-se para 29- tempo em que o porta-voz já estava de férias, consequentemente, não houve partilha de informação aos Órgãos de Comunicação Social, mesmo depois do pedido. E na Iª Sessão de 2024, Raposo já de volta hesitou comunicação com a imprensa, alegando ”não estar disposto“. Assim vão somando meses sem a população saber quais as reais motivações dos crimes tais como os de Cabo Delgado.

 

Lembrança que vale

Lembre-se que a onda de assassinatos de mulheres até então não esclarecida em Nhamatanda começou na cidade da Beira, capital de Sofala. Depois de 14 vítimas em duas semanas e uma marcha da sociedade civil, as autoridades intensificaram a patrulha até ao recolher nocturno nas barracas, culminado com a apresentação pública em menos de cinco dias, de dez indiciados, alegadamente porque tinham pertences das assinadas.

Embora agora Nhamatanda tranquilo, o distrito começou a sentir a onda de assassinatos nos finais de 2022.

Ainda sobre a onda de assassinatos, jovens de Nhamatanda foram interrompidos de fazerem uma marcha de repúdio. “Diga basta aos assassinatos de mulheres”, em 2023.

Chegado ao dia, os jovens viram-se ameaçados na Praça dos Heróis Moçambicanos, chegando até a trocar palavras com a PRM, culminando em promessas de detenção. Naquele dia, ao que o “Profundus” apurou, nem a marcha, nem a detenção foram concretizadas, apenas intimidações.

Já sobre o incêndio que ocorreu por volta das 19:30, numa quarta-feira (06.09.2023), no recinto do Hospital Rural de Nhamatanda, também, a população continua sem informações pela comissão criada. Dolca Domingos Vasco foi submetida a uma cesariana por complicações da gravidez (eclampsia), já à noite, o plano era de transferi-la para o Hospital Central da Beira (HCB). Estava no carro o qual explodiu culminado com a morte daquela mãe. (Muamine Benjamim).

Administrador de Nhamatanda desafia juventude a formar-se

Entre todos extractos, a camada jovem representa a maioria não apenas no distrito de Nhamatanda, mas em Moçambique. As reclamações de falta de oportunidades, por um lado resultam de falta de formações, por isso, o administrador exortou aos jovens.

“Incentivamos todos dias para que a nossa juventude dedique-se a formação. [Mas], enquanto não tivermos a paz, não hão-de conseguir se formar”.

Ainda aliado a juventude, Ossumane é contra o terrorismo em Cabo Delgado alimentado por um lado por jovens. Contra isso “apelamos aos jovens [que] não se juntem a essas actividades porque retardam aquilo que é o anseio moçambicano”.

“Queremos como Governo, ver um povo unido, comprometido com o desenvolvimento” e isso conta com a juventude.

Adamo Ossumane falava durante as comemorações do dia 3 de fevereiro, na vila de Nhamatanda.

Lembre-se que em Moçambique, o dia 3 de fevereiro é considerado o de Heróis Moçambicanos, em homenagem ao fundador da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), Eduardo Chivambo Mondlane, assassinado nesta data, em 1969, na Tanzânia, por meio de uma carta- -bomba.

Eduardo Mondlane foi o arquitecto da unidade nacional por unir os três movimentos nacionalistas (UNAMI, UDENAMO e MANU) que isoladamente pretendiam desencadear a luta pela Independência Nacional. (Muamine Benjamim).

Como relação íntima de insectos ajuda a prever tempestades?

Afirmar que animais conseguem prever tempestades não é utopia.

Pesquisadores brasileiros conseguiram comprovar cientificamente que a mudança de comportamento sexual de insectos pode indicar a chegada de tempestades e ventanias.

A explicação está na capacidade dos insectos em detectar as mínimas alterações da pressão atmosférica na natureza, segundo o entomologista e professor da USP José Maurício Simões Bento.

Um estudo conduzido pelo Departamento de Entomologia e Acarologia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ), da Universidade de São Paulo (USP), de Piracicaba (SP), em parceria com pesquisadores da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) e da University of Western Ontario, do Canadá, comprovou que os insectos prevêem mudanças bruscas no tempo e dão indicações por meio de alterações no seu comportamento sexual.

“O que percebemos é que, ocorrendo um evento de baixa pressão atmosférica, que normalmente antecede um temporal, os insectos interrompem o acasalamento e vão procurar abrigo. Isto acontece, geralmente, entre quatro a seis horas antes da chuva, fornecendo uma certa previsibilidade”, explicou o professor.

A descoberta desta capacidade nos insectos e sua alteração de comportamento começou após o professor Bento e sua equipe notarem que, em dias de chuva, os insectos não acasalavam, mesmo com todas as condições controladas de temperatura e humidade em laboratório.

“Como a força exercida pela pressão atmosférica é a mesma, independentemente de se estar num ambiente externo ou interno de um laboratório (ou de uma casa), decidimos comprovar nossa hipótese, a partir do comportamento sexual dos insectos”, conta.

No estudo, os cientistas analisaram três espécies distintas de insectos comummente encontrados no Brasil: o besouro, popularmente conhecido como ‘brasileiro’ ou ‘patriota’, por ter cor verde e pintas amarelas (Diabrotica speciosa); o pulgão da batata (Macrosiphum euphorbiae) e a lagarta da pastagem (Pseudaletia unipuncta).

Com auxílio de uma câmara barométrica – equipamento que pode controlar ou alterar a pressão atmosférica –, os pesquisadores conseguiram comprovar que, sob queda de pressão atmosférica, as três espécies de insectos reduziram sua actividade sexual e acasalaram menos que em condições normais de pressão.

“Diferentemente de nós, seres humanos, que temos um relógio que nos mostra as horas ao longo do dia, nos permitindo ‘marcar horários’, a maioria dos insectos se guiam pelo amanhecer e entardecer (crepúsculo). Sendo assim, muitos deles acasalam nestes períodos, como um encontro pré-determinado, independente da época do ano. Porém, o que percebemos em nosso estudo é que, com a queda da pressão e a previsibilidade da chuva, eles evitavam estes encontros para acasalar e procuravam abrigo.”

Isso acontece porque os insectos possuem um instinto de sobrevivência muito apurado na natureza.

“O simples impacto de uma gota de chuva pode parecer pouco para nós seres humanos, mas para estes organismos diminutos, como os insectos, pode ser fatal.”

Agora, os cientistas tentam descobrir quais estruturas no corpo dos insectos os tornam capazes de perceberem a mudança da pressão atmosférica, horas antes de um temporal.

“A gente já comprovou que os insectos conseguem antever tempestades e ventanias por uma questão de sobrevivência. São seres vivos que evoluíram por milhões de anos, o que os torna amplamente adaptados na Terra. Agora queremos descobrir um pouco mais com eles, e desvendar suas estruturas aprimorando nossos métodos de previsão do tempo”, apontou Bento.

 

Formigas aceleram o transporte de folhas

Outra pesquisa do grupo feita na Escola de Agricultura Luiz de Queiroz, da USP em Piracicaba, demonstrou que formigas cortadeiras, também chamadas de saúvas (Atta sexdens) passam a executar tarefas rotineiras de corte e transporte das folhas de forma mais rápida horas antes de um temporal.

“Da mesma forma que os outros insectos, as saúvas conseguem pressentir a chegada de uma chuva e aceleram seu trabalho, com o objectivo de colectar e armazenar a maior quantidade possível de alimentos para o ninho”, explicou Bento, que também liderou o projecto.

O estudo realizado por meio de uma câmara barométrica foi dividido em etapas: na primeira, como forma de simular a chegada de uma chuva, os cientistas introduziram as formigas cortadeiras em um ambiente de baixa pressão atmosférica; e, nas demais etapas, simularam condições de estabilidade e de alta pressão, que representam pouco risco de chuva e temporais.

Os resultados mostraram que em uma condição de baixa pressão – indicativo de chuva -, as formigas deixaram seus ninhos 2,8 vezes mais rápido que quando a pressão foi constante.

Também ficou comprovado que entre 1,5 e 2 vezes mais folhas foram cortadas e trazidas para o ninho pelas formigas durante a queda da pressão atmosférica.

“O esforço do grupo para transportar e trazer uma quantidade maior de alimento em menos tempo, diante de uma iminente tempestade comparado às condições normais, demonstrou a alta capacidade de tomada de decisão individual dos insectos diante de um indício de risco”, concluiu.

 

Animais prevêem terramotos?

Além de tempestades, pesquisadores tentam comprovar cientificamente há anos se animais conseguem prever terramotos. E, caso sim, de qual forma.

Foi em busca dessas respostas que o professor Jean Pierre Raulin, coordenador do Centro de Rádio Astronomia e Astrofísica Mackenzie (CRAAM) participou de um estudo que explicou o que levou aves e mamíferos do Parque Nacional Yanachaga Chemillen, no Peru, a deixar a região dias antes do terramoto Contamana, de 7,0 graus de magnitude na escala Richter, atingir os Andes peruanos, em 2011.

Na literatura mundial, a referência mais antiga registada sobre comportamentos incomuns dos animais antes de um desastre natural data de 373 a.C., quando o historiador grego Tucídides relatou que ratos, cães, cobras e doninhas abandonaram a cidade de Hélice, na Grécia, dias antes de um terramoto catastrófico.

Junto da pesquisadora inglesa Rachel Grant e Friedemann Freund, da agência espacial Nasa (Estados Unidos), Jean Pierre encontrou uma explicação: o gás que sai de baixo e vem para a superfície a partir da movimentação de placas tectónicas faz aumentar a produção de íons positivos na atmosfera, que, perceptível aos animais, provoca um aumento dos níveis de serotonina nos bichos, deixando-os agitados.

“Foi por isso que eles abandonaram a região antes do terramoto.”

Para chegar à conclusão, cada pesquisador estudou de uma forma o comportamento dos animais antes do terramoto.

A partir de câmaras instaladas no parque, que eram accionadas de forma automática no momento que o animal passava na sua frente, sem que eles visualizassem, os pesquisadores atestaram que, em um dia comum, os animais eram avistados, em média, de 5 até 15 vezes no dia.

“Porém, no intervalo de 30 dias que antecedeu o terramoto notamos que o número de avistamentos de animal caiu progressivamente até atingir zero, no dia do evento sísmico”, contou Jean.

Ao mesmo tempo, monitoramento da propagação das ondas de rádio de baixa frequência, nos dias que antecederam o terramoto, constatou que as mesmas partículas atómicas liberadas pelo gás (da movimentação das placas tectónicas) provocou alterações nas ondas de rádio da atmosfera da região.

“Unindo os dados, chegamos à conclusão que isso pode sim ter influenciado o comportamento animal de fugir da região antes do terramoto acontecer.”

 

Como funciona a previsão humana do tempo

Desde antes de Cristo, observar o tempo é crucial para a humanidade.

No passado, era através da observação dos céus que as pessoas previam se choveria ou não. O objectivo era evitar perdas no cultivo de plantações que dependiam dos ciclos de chuvas.

Até a Bíblia, em Mateus, capítulo 16, versículos 2 e 3, cita a forma em que se previa o tempo na época de Jesus. “Haverá bom tempo, porque o céu está rubro. E, pela manhã, haverá tempestade, porque o céu está de um vermelho sombrio.”

Contudo, foi a partir do desenvolvimento da ciência que o ser humano passou a usar equipamentos para decifrar quando choveria.

Foi a partir do século 16, por exemplo, com o desenvolvimento do termómetro (temperatura) e do barómetro (pressão do ar), que o tempo passou a ser previsto pelo homem por meio da tecnologia.

Depois, além do termómetro e do barómetro, profissionais passaram a utilizar uma infinidade de novas tecnologias para prever se vai chover ou não.

É assim que, actualmente, meteorologistas prevêem o tempo por meio de dados atmosféricos, fornecidos por estações meteorológicas; imagens de satélite; e radares meteorológicos instalados em diversas partes do mundo.

Os estudos que permitem a identificação de mudanças bruscas no tempo se baseiam em dados de precipitação, ventos, humidade relativa do ar e a própria pressão atmosférica – que animais conseguem captar sem o uso de equipamentos tecnológicos.

No Brasil, somente o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) administra 750 estações meteorológicas.

Em regra, as estações automáticas captam os dados e enviam para uma central meteorológica, onde, por meio de supercomputadores, meteorologistas realizam simulações com apoio de imagens de satélite sobre a previsão do tempo das próximas horas.

Essas observações, realizadas de maneira sistemática, uniforme, e em horas estabelecidas, permitem que o ser humano fique sabendo se vai chover ou não em determinada localidade.

 

Animais podem ajudar a prever desastres naturais

Com a enorme dificuldade encontrada para prever terramotos, surge o questionamento: será que seres humanos poderão prever tempestades e terramotos com maior antecedência, a partir da observação dos animais?

O professor da Universidade de São Paulo (USP), José Maurício Simões Bento; e Jean Pierre Raulin, da Universidade Presbiteriana Mackenzie dizem que sim, mas defendem antes a necessidade de maiores investimentos em pesquisas sobre o tema no mundo.

“As pesquisas são somente mais um indício de como os animais não precisam do ser humano para sobreviver na natureza, mas de como nós precisamos deles”, defendeu Bento. (Rone Carvalho/BBC).

Chemba: Educação refuta alegada obrigação de 25 kg de arroz e 5 litros de óleo para recenseamento eleitoral

Circula pelas Redes Sociais, uma informação segundo a qual o Serviço Distrital de Educação, Juventude e Tecnologia de Chemba, na província de Sofala, obriga coordenadores e directores das escolas do distrito para contribuírem com 25 quilogramas de arroz e 5 litros de óleo ao processo de recenseamento eleitoral. Em resposta ao “Profundus”, o director da SDEJT disse que é mentira.

Na carta-denúncia anónima datada de 02 de fevereiro lê-se o seguinte:

Somos coordenadores e directores das escolas do distrito de Chemba. Estamos a viver uma situação muitíssimo difícil.

No dia 01.02.2024, a Direcção Distrital de Educação reuniu com os coordenadores das ZIPs [Zonas de Influência Pedagógica], para estes, por sua vez, informar aos directores das suas escolas para contribuírem por alimentação, na quantia de 1 saquito de arroz (25 kg) e 5 litros de óleo por cada director e coordenador aos brigadistas do processo de recenseamento eleitoral,

Os coordenadores foram exortados pela Direcção Distrital para que não informassem nenhum pedagógico, muito menos professores.

Ainda esta Direcção apelou aos envolvidos nesta contribuição obrigatória que, quem não fazer a sua contribuição estará a acelerar o fim do seu tempo como gestor da escola. A data limite para esta contribuição será até dia 15 de Fevereiro de 2024.

O mais estranho e vergonhoso, o Distrito orientou que os directores não trouxessem o produto pessoalmente, mas sim deviam mandar alguém para ir deixar na Direcção Distrital.

Para começar até essa data ainda não temos salário. De todas maneiras, onde nós entramos nos assuntos de CNE ou STAE?

Será que a nível do país está haver essa contribuição obrigatória?

Até quando a vivermos desta humilhação!

Pedimos quem de direito para nos socorrer, por favor!

 

Reacção do SDEJT- Chemba

O director do SDEJT – Chemba, Abdul Mbuinia reagiu telefonicamente, ao “Profundus”.

“A informação não constitui a verdade. Nós como Serviço Distrital de Educação não promovemos nenhum encontro. Também [temos] posse dessa informação”, disse Mbuinia.

“Não faz sentido um Serviço Distrital fazer cobranças ou obrigar os colegas a fazerem contribuição de algum produto para fazer face às eleições, isso não faz sentido”, continuou a refutar, dando entender que “essas informações colocam em causa aquilo que é a nossa agenda, as nossas actividades ao nível do Serviço”.

Mbuinia apela “aos colegas, se tiverem outro aspecto que eles acham que o Serviço não está a fazer, que aproximem ao Serviço em vez de inventarem informações que não existem, além de nos pôr em causa com coisas infundadas”.

O director do SDEJT – Chemba lembra que “o STAE é um Órgão, quando chegam momentos dessa natureza [de recenseamento], o Órgão em si, prepara-se e faz as suas actividades andarem. Nunca ouvi que Serviço de Educação tem que dar alimentação ao STAE”.

“São pessoas de má-fé, realmente que andam a fazer especulações”, concluiu.

Lembre-se que em Moçambique, o recenseamento eleitoral para as eleições gerais de 2024, vai decorrer de 15 de março a 28 de abril, enquanto no estrangeiro vai de 30 de março até 28 de abril próximo. Por agora decorrem os preparativos deste processo e do empoçamento de edis para amanhã (Muamine Benjamim).

Acusado: Ancião livre por ser “camarada” depois de violar menor

Manuel Matlasse, de 60 anos de idade, tido como membro do partido Frelimo, é acusado de violar sexualmente uma menor de 14 anos no bairro de Pessene, distrito de Moamba, na província de Maputo.

Segundo a mãe da vítima, Irondina Mandula, em declarações prestadas ao CDD, o acusado vive na casa vizinha com duas esposas. No dia 11 de novembro de 2023, o mesmo teria chamado a menina para oferecer um trabalho momentâneo de tirar água do poço para a sua casa. A menor não sabia que o seu vizinho pretendia abusá-la em satisfação das suas paixões lascivas.

“Ele chamou a minha filha para lhe dar um trabalho momentâneo de acarretar água. Quando ela entrou na casa com o balde na cabeça, ele fechou a porta e disse que “hoje você será minha esposa, tendo-a ameaçado”.

A adolescente conta que, após o acto, o senhor ofereceu-lhe dinheiro e a coagiu para que não contasse à sua mãe.

“Depois de manter relações sexuais comigo, vovó Manuel me deu dinheiro e disse para eu ir para casa e que não devia contar à minha mãe. Disse também que passaria a me dar tudo o que eu quisesse e eu fui para casa com medo e não contei à mamã”, frisou rapariga.

Os actos tornaram-se rotineiros, segundo conta a vítima, perfazendo um total de quatro episódios em que a menor foi sexualmente abusada.

“Sempre que ele me quisesse ver abria a janela de sua casa e assobiava para eu ir ter com ele e foram quatro vezes que ele manteve relações sexuais comigo.”

A mãe da menor apercebeu-se que algo errado se passava com a sua filha, tendo feito uma investigação e descoberto os abusos a que a sua filha era submetida, tendo, posteriormente, denunciado às autoridades policiais.

Na tentativa de abafar o caso, o senhor Manuel teria dito à mãe da menor que lhe ofereceria um valor de 5 mil meticais e um terreno.

“Quando lhe entregaram a notificação da Esquadra, veio até minha casa pedir para que eu não avançasse com o caso e que ajudaria meu marido com um valor de 5 mil meticais para fazer um negócio, uma vez que este não está a trabalhar, e um terreno. E isso me dói bastante”, acrescentou a mãe da vítima.

Estranhamente, o acusado, ao chegar à Esquadra da PRM, após o interrogatório, retornou livre e em paz para a sua casa, alegando ser um “Camarada” e, desde então, nunca mais foi chamado em nenhuma instituição da justiça.

“Quando ele foi à Esquadra, não sei o que lá falaram, mas ele voltou e disse que é camarada e a Polícia não lhe fará nada”, salientou Irondina.

Esta situação chocou a comunidade de Pessene, pois, segundo alguns vizinhos, esta não é a primeira vez que ele alicia crianças. A insegurança e o medo tomaram conta do bairro, visto que a Polícia nada faz para punir o suposto “predador sexual”.

“É muito triste, nós não esperávamos que este senhor pudesse fazer algo do género, por este ser camarada, e, como tal, deveria proteger a comunidade e condenar esses actos, não fazer o inverso, aliciar e violar as nossas filhas e, para piorar, a Polícia nada faz”, disse uma vizinha.

A equipa do CDD, que esteve no local, tentou falar com o indiciado, mas este não se encontrava em casa, segundo disse uma de suas esposas.

A população de Pessene, concretamente no distrito de Moamba, encontra-se indignada com a situação de recorrentes violações sexuais e abuso do poder, e clama por justiça.

À luz da Constituição da República de Moçambique, está consagrado no número 1 do artigo 47 que “As crianças têm o direito à protecção e aos cuidados necessários ao seu bem-estar”, ficando escancarado que as crianças devem ser protegidas por todos e bem tratadas para a sua tranquilidade e serenidade.

Segundo o artigo 19 da Convenção dos Direitos da Criança determina, “o Governo deve tomar as medidas necessárias para proteger as crianças contra qualquer forma de violência, abuso, abandono, tratamento negligente, maus-tratos ou exploração”.

A liberdade sexual, independentemente da idade, constitui um Direito Humano e por isso deve ser salvaguardada, sendo especialmente protegida quando se trata de menores de idade que, sem a devida maioridade, carecem de maior protecção jurídica.

Já o Código Penal moçambicano prescreve que o crime de violação sexual contra menores de 16 anos de idade é punível com a pena de 8 a 12 anos de prisão. (CDD).

Jornal Profundus

Stay informed with curated content and the latest headlines, all delivered straight to your inbox. Subscribe now to stay ahead and never miss a beat!

Skip to content ↓