Cabo Delgado: Governador acusa jornalistas de “reconhecerem valores de terroristas, não das FDS e população”

O governador da província de Cabo Delgado, Valige Tauabo acusou hoje (17.02), aos jornalistas que têm reportado o terrorismo que se faz sentir desde 05 de outubro de 2017.

Valige Tauabo falando à margem da cerimónia de lançamento das actividades inseridas no projecto “Desporto para Paz” na cidade de Pemba, acusou a classe jornalística de estar a “reconhecer os valores dos terroristas, não das Forças de Defesa e Segurança (FDS) e da população”.

Mas antes, o administrador do distrito de Quissanga, Sidónio Mindo José, desmentiu ontem sexta-feira, a informação posta a circular, dando conta que a vila de Quissanga sofreu um ataque e foi tomada pelos terroristas na noite da última quinta-feira (15.02).

“Os jornalistas estão a fabricar informações falsas sobre o terrorismo para traumatizar às comunidades. Há muita informação falsa que anda por aí com intuito de agitar as populações e que não corresponde à verdade. Eu acabo de ler agora um artigo bastante conturbado, uma informação que só põe as populações em pânico. Quando não temos informação, melhor não escrevermos, porque depois criamos um alarme a nível nacional, depois todas atenções ficam viradas para um determinado ponto quando a coisa não aconteceu. Fabricam informações e isso não é digno de um jornal ou de um jornalista que deve escrever com responsabilidade. Eu não sei porque as pessoas correm para fabricar informações, para depois criar alaridos ao nível internacional e agitar a população, quando na verdade este facto não corresponde a verdade”, desmentiu Sidónio Mindo José, citado pela Zumbo FM/IMN.

Quando os critérios para ser excelso são os menos honrosos

Quero recontar esta estória em homenagem aos sacrificados pelo Processo, por se assumirem verticais.

Os factos ocorreram naquele ano em que decidi terminar o I Ciclo do Secundário. Já era Docente.

Havia sido enviado à força, apenas com a 8ª Classe à “formação”. Assim mesmo com inicial minúscula e entre vírgulas altas. Saí de lá com um problema de equivalência. Uns diziam ser médio, mas outros teimavam que continuávamos com a nossa 8ª Classe como nível.

Então, lá na Turma do Nocturno onde calhei para terminar o I Ciclo do Ensino Secundário, tínhamos toda a estirpe de professores e, também, de colegas. Uns mais dados que outros à corrupção. Falo da corrupção de todos os tipos possíveis e imaginários.

A época era de aflições e apenas os Comandantes, os Directores de qualquer coisa e os funcionários do DPCCN (o progenitor do INGD), eram os que conseguiam ser “os inteligentes” lá na Turma, para algumas cadeiras, estranhamente as que se convencionaram a serem as menos perceptíveis.

O episódio foi que lá para o final do ano, o professor de Língua Portuguesa marcou a sua última avaliação.

Quis, a fatalidade, que nesse dia ele não viesse à nossa sala, logo depois do toque, como era seu hábito. E, tínhamos na sala um colega com verdadeiro pavor a tudo o que metesse poesia, como texto suporte para a prova ou como trabalho de composição. Aproveitando a demora, um outro colega, não muito mau na cadeira em avaliação, nem inteligente à moda daqueles a que me referi mais atrás, pôs-se a “aterrorizar” ao amigo anti-poesia e questionou:

Que tal, se na composição, o professor pedir para elaborar um poema, e se este tiver como título “Noite”, o que irias escrever, colega?

Acto contínuo pulou para o quadro e começou a escrever, de improviso (?) o poema seguinte:

NOITE

Noite perdida, para não passar.

Sai de casa os morcegos a passar.

Mata-se e o resultado é pobre.

Só quem dá sacos é que é nobre.”

Nisto, ouviram-se passos no corredor e, sem ter tempo nem objecto para apagar, correu a tomar o seu lugar, deixando o poema desamparado no quadro.

O professor entrou, distribuiu os enunciados e a prova foi realizada.

Mas ele viu o poema. Copiou-o, sorrateiramente, nada comentou na Turma e foi-se embora, no final.

Diz-se que gerou um mal-estar geral na Comunidade de Professores da Escola, quando o apresentou aos colegas, porque os sacos que os ditos-cujos ofereciam aos professores é que transformavam verdadeiros “sapateiros” em homens iluminados.

Isso era verdade e o poema revelava-o.

Feridos na sua “honra?” os professores, que já sabiam quem tinha escrito o poema no quadro, exigiam a expulsão do infractor. Para eles era exagerada a afronta, mas acabou imperando o bom senso e o aluno até dispensou.

Este episódio da década 90 vem à memória sempre que vejo, por estas bandas, uma nomeação com laivos de insulto à Sociedade. Me questiono que tipo de parcerias foram estabelecidas à revelia do comum do cidadão para se valorizarem estes concidadãos de talento duvidoso.

No Sector da Educação, eu chego a conjecturar, se a ideia que grassa a nível macro, e que leva a produzirem-se Manuais deturpados, não estará sendo descarregada aqui para as bases com o objectivo único de emburrecer toda Nação?

Pois, qual pode ser o objectivo de quem indica ou que qualificação torna elegível alguém que não sabendo caminhar com os seus próprios pés é empurrado para que ajude os outros a andarem sem tropeçar?

Se ninguém pode dar o que não tem, então o que se pretende quando aos concidadãos com lacunas detectáveis a olho nu são dadas a tarefa de orientarem processos complexos que exigem que, mesmo indivíduos devidamente adestrados, se reinventem todos os dias?

É apanágio que para cargos de Direcção e Chefia, colocamos aqueles a quem confiamos, e ao que parece quanto menos competentes mais elegíveis. Mas tratando-se de leccionar, é pecado capital pedir que alguém vá falar aos outros daquilo que nunca dominou ou de que nunca se apossou.

E o processo está de tal forma viciado ou inquinado que mesmo os que se dizem inspectores não conseguem numa simples conversa de trabalho, entender que do lado do interlocutor não há sabedoria básica para o cargo ou função.

Mas seria de admirar se os tais “ inspectores” um dia se insurgissem ou propusessem substituição de alguém. Há crimes maiores que nos acompanham, já passam décadas e que permanecem indetectáveis aos olhos destas eminências. Eu me explico:

Desafio a qualquer entidade, com capacidade ou possibilidade de verificar exames duma Escola Secundária, na décima classe. Será que o Movimento Educação Para Todos (MEPT) que tem Qualidade de Educação como uma de suas áreas de actuação tem competência para tanto!?

Se sim, vá a uma Escola qualquer, pegue aleatoriamente num júri da Décima Classe, leia as respostas constantes das provas de Exame e se surpreenderá com a constatação. Todas as respostas são milimetricamente iguais. Vírgula por vírgula, ponto por ponto. E por quê?

As respostas são produzidas algures no Bloco administrativo. Fotocopiadas. Distribuídas pelos vigilantes dóceis (felizmente alguns já se recusam a fazer esse jogo de loucos) e estes ditam aos examinandos do júri que era suposto vigiarem para se evitar fraude.

E no final, na sala de correcção, ainda se ensoberbecem quando logram apanhar um que consegue escrever bem um ditado e chega a quinze valores ou mais. Ficam felizes por conseguir nota alta num exame que eles próprios realizaram. Não é doentio isto?

Mas queremos que haja alunos aplicados quando todos eles sabem que no final, até o Exame será resolvido pela Escola.

E, aqui em Inhaminga, além de tudo isto que, eventualmente, como em qualquer Escola do País acontece. Ainda há o caso de uma classe de Funcionários do Estado que se sente como rebanho sem Pastor.

Ninguém se levanta para espantar predadores quando se aproximam do mesmo. Qualquer um pode fazer o que bem quiser com qualquer ovelha do rebanho. Puxar para o seu curral, trocá-la com o que ou com quem quiser, abater…

É um salve-se quem puder. Com a agravante de que já chegaram avisos ao mais alto nível, localmente, denunciando a apatia do Dirigente. Mas por qualquer razão que teima em permanecer oculta, vai-se vivendo sem norte.

Não se sente a presença de quem lideraria o Grupo. Apenas algumas acções atabalhoadas de adjuntos. Nada de concreto. Não se reúne a Classe para falar de si e seus planos, para debater problemas e planificar realizações. Está tudo na santa Paz dos mortos.

Será ofensa perguntar quem tira proveito deste status quo? (Ricardo Maphoissa/Profundus PDF).

Nhamatanda sai de 300.000 para 500.000 toneladas

Há controvérsia quando se fala do Programa “Sustenta”. Uns aplaudem a iniciativa, enquanto outros criticam-na. Mas, hoje, trazemos uma versão dos produtores, especialmente no distrito de Nhamatanda, na província de Sofala, Centro de Moçambique.

Num “mar” de opiniões, este artigo apenas traz a versão dos que no terreno praticam e conseguem comparar as respectivas vidas pelo passado e presente, para perspectivar o futuro.

O Sustenta continua a sustentar? Mas para alguns está muito longe disso – está cercado de transgressões que contradizem a narrativa de sucesso propagado pelo ministro da Agricultura e Desenvolvimento Sustentável, Celso Correia, nos seus discursos e aparições na imprensa. Mas, in loco no interior de Nhamatanda, o “Profundus” traz versões de produtores da localidade de Siluvo.

Na maioria dos campos de produção que hoje foram alvos de reportagem estavam com mais de um hectare de milho, para no mínimo estimar três toneladas do produto a colher. E sendo algumas machambas com a semente que não demora de dar resultados, as famílias prevêem também produzir o gergelim, tanto que a separação entre plantas está no nível recomendável.

Para um crítico, é preciso forçar o raciocínio pelo “Sustenta” e assumir que o está a resultar alguma coisa. Para quem vive a realidade melhor consegue descrever, resumidamente, o quão louva o Programa.

Rosália Cinturão descreve que o “Sustenta” está a tirar a família da fome. Além do “tractor, já aprendeu a produzir de forma regrada em compasso” e reservar uma parte para incluir o gergelim.

Segundo Laurinha Fambawone, sobre “Sustenta” quem quer faz parte. “Estamos a comer mesmo comida [pelo] Sustenta”.

Para João Pangoma, outro Pequeno Agricultor (PA) quem critica “Sustenta não sabe o que fala porque está fora, se estivesse dentro, saberia”.

 

O que diz os Governo?

A avaliação que “fazemos em termos de Sustenta é muito positiva, com o tipo de produção [mecanizada], tipo de semente certificada com qualidade germinativa muito boa e a melhoria de técnicas de produção, 90X50 por exemplo ” do distrito.

O Sustenta “está a trazer um grande rendimento muito grande em termos de produção porque com pequena machamba, a nossa comunidade consegue produzir muito mais”, avaliou o administrador de Nhamatanda, depois da visita aos campos de produção agrícola de Pequenos Agricultores Comerciantes Emergentes [PACE’s], acrescentando: estamos satisfeitos como Governo”.

Conforme antecipou o Presidente da República, Filipe Nyusi, no dia 17 de fevereiro ao fazer o lançamento do “Sustenta” no distrito de Ribáué em 2017, “Vamos trabalhar. Vamos deixar os gestores implementarem o projecto concebido. Temos de ser persistentes e reconhecer que os desafios implicam a determinação e a coragem de implementar mudanças que só se vão consolidar com o tempo”.

Já o administrador de Nhamatanda, Adamo Ossumane questionado sobre as críticas que o “Sustenta” agora carrega disse que são “falácias” e justificou: “na verdade o que tem acontecido sobre os debates no âmbito de Sustenta se calhar são de pessoas que não vivenciam o quotidiano dos produtores”.

“Apenas são falacias, é verdade que não há nenhum projecto que tem 100 por cento de sucesso, pode ter havido uma e outra fraqueza, mas 90 por cento sentimos que [o Sustenta] é positivo”, avaliou Adamo Ossumane.

“Dantes, Nhamatanda produzia cerca de 300.000 toneladas de culturas diversas, hoje estamos a rondar nas 500.000 toneladas por cada campanha. Significa que há um ganho enorme”, continuou.

“Nhamatanda, hoje, já tem capacidade de produzir, consumir, vender, ter o excedente e uma parte guardada para usar como semente. Estamos a produzir o suficiente a partir do Sustenta”, terminou o dirigente distrital.

Em Siluvo, a reunião foi presenciada, também pelos respectivos directores dos Serviços Distritais de Nhamatanda.

Siluvo tem “matas” provocadas pelo Homem. Os campos de produção agrícola tornam invisível tudo que se “mergulha” ali.

Pela reacção da população, o “Profundus” apurou que Siluvo raramente recebe visitas do executivo. O que aconteceu na quarta-feira, “é raro ver dirigente a abandonar o respectivo escritório e mergulhar-se nas matas para aferir de perto o que realmente acontece nesta fase de produção agrícola”, repetia a população em cada intervenção.

Apesar do “sucesso” demonstrado pela implementação do “Sustenta” neste momento, a população de Nhamatanda queixa-se de pouca chuva que condiciona a produtividade.

Todavia, Moçambique já experimentou várias estratégias como a de Desenvolvimento Rural, Programa Nacional de Agricultura (ProAGRI), “Sete Milhões”, Plano Estratégico para o Desenvolvimento do Sector Agrário (PEDSA), Terra Segura, entre outros. Mas agora, o “Sustenta” é o mais falado do bem ou do mal.

O “Sustenta” foi lançado pela primeira vez em 2017 para ser implementado em dez distritos das províncias de Nampula e Zambézia, cujo objectivo era de integrar pequenos camponeses a cadeias de valor de produção agrícola. Hoje, a iniciativa abrange todas províncias.

Com o ”Sustenta”, o objectivo do Governo é criar as condições necessárias para desenvolver a agricultura familiar que representa 98,7% das explorações agrícolas em cadeias de valor produtivas de larga escala.

O modelo do Programa “Sustenta” assenta na selecção de determinado número de Pequenos Agricultores Comerciais Emergentes (PACE), aos quais são concedidos diversos tipos de apoio, assumindo estes o compromisso de disseminarem os seus progressos técnicos (níveis de produção e produtividade) e alargarem a inserção no mercado destes e também dos Pequenos Agricultores (PA).

No programa, são considerados PACE (integrador), os produtores que produzem em áreas médias de 50 hectares, com orientação para o mercado. Os PA (integrado) são classificados como aqueles que trabalham em áreas mínimas de 1,5 hectares, com limitado grau de integração no mercado, baixo acesso a tecnologias de produção (mecanização, sementes de qualidade, químicos, etc.) e a serviços (financiamento e assistência técnica). (Muamine Benjamim/Profundus PDF).

Detido chefe de posto administrativo de Ntengo por falsos documentos

Está detido o chefe do posto administrativo de Ntengo, no distrito de Tsangano, província de Tete, por alegadamente ter falsificado documentos para permitir a entrada, no país, de seis cidadãos de Burundi.

Há uma semana, o chefe do posto administrativo de Ntengo, província de Tete, encontra-se detido  nas celas do comando distrital de Tsangano.

É suspeito de falsificar guias de marcha para imigrantes ilegais, em troca de favores. O administrador de Tsangano, Marcos Macagula, confirma a detenção.

Marcos Macagula citado pelo “O País” refere ainda que, para além do chefe do posto administrativo, há dois burundeses detidos, suspeitos de fazerem parte do esquema.

Os imigrantes ilegais tinham como destino a cidade de Tete.

A detenção de cidadãos ilegal e o respectivo facilitador – o tal chefe de posto administrativo de Ntengo acontece numa altura em que o Norte de Moçambique depara-se com o terrorismo também alimentado por estrangeiros estranhos. (Profundus).

Administradores distritais podem autorizar DUAT

Os administradores distritais vão passar a autorizar o Direito do Uso e Aproveitamento de Terra (DUAT) a nacionais e a pessoas colectivas, como as comunidades locais, numa extensão não superior a mil hectares, após aprovação da nova lei de terras, prevista para o corrente ano no país.
A informação foi partilhada ontem pela directora do Serviço Provincial do Ambiente (SPA), Ermelinda Maquenze, durante o seminário provincial de Preparação da 10ª Sessão de Fórum de Consulta Sobre Terra, que se realizou na cidade da Beira.

Explicou que o objectivo é melhorar a sistematização e incorporação das contribuições numa nova versão de documento e posteriormente será apreciado durante a 10ª sessão do Fórum de Consulta sobre Terra agendado para Março do presente ano.

A dirigente esclareceu que, para os administradores, o limite máximo de autorização para ocupação é de mil hectares, enquanto os governadores provinciais podem fazê-lo de mil até três mil hectares destinados a projectos de investimento turístico fora do território autárquico. O Conselho de Ministros tem competências acima de 10 mil hectares. (Notícias).

Programa “PhD4Moz” com oportunidades de treinamento em áreas técnicas e científicass

Estudantes de doutoramento na área de saúde em instituições de pesquisa e ensino superior, em Moçambique, poderão ter um fortalecimento das suas capacidades, através do Programa PhD4Moz a ser lançado amanhã, em Marracuene.

Trata-se de um programa através do qual pretende-se providenciar oportunidades de treinamento em áreas técnicas e científicas diversificadas, tendo como grupo-alvo os estudantes de doutoramento de instituições moçambicanas envolvidas no programa em alusão.

Segundo descreve o comunicado do Instituto Nacional de Saúde, “o PhD4Moz vai permitir que os estudantes de doutoramento das instituições moçambicanas, em áreas de saúde e afins, possam adquirir conhecimentos e habilidades fundamentais para o desenvolvimento de uma carreira técnica e científica de sucesso”. (Profundus).

Sofala com duas mortes por cólera

Em Sofala, a primeira morte foi registada no início deste ano, no distrito de Marínguè e na semana finda, mais uma morte no distrito de Caia, fronteira com a província da Zambézia, ainda no Centro de Moçambique.

A segunda morte na província foi registada enquanto se suspeita que o distrito de Nhamatanda (corredor) já tenha sido atingido pela cólera. Sendo preocupante, a directora provincial de Saúde em Sofala, Priscila Filimone disse já foi activado o Centro Operativo de Emergência distrital.

“Activámos, igualmente, o Centro Operativo de Emergência distrital ao nível de Nhamatanda, no sentido de se fazer a vigilância e apurar a origem dos casos, como, por exemplo, vigilâncias epidemiológicas, isto é, se viajaram para áreas de risco. Com estes dados, vamos tratar todos os casos de diarreias em Nhamatanda como cólera, até prova contrária. Portanto, os casos de diarreias alarmantes em Nhamatanda estão em estudo e, a qualquer momento, caso as amostras sejam positivas, iremos declarar cólera naquele distrito”.

O sector da saúde na província já recebeu cinco viaturas, sendo duas acopladas com um frigorífico para reforçar o transporte de vacinas e técnicos de saúde para o campo, em actividades de prevenção de doenças.

A cólera é uma doença infecciosa que atinge o intestino e que é causada pela bactéria  Vibrio cholerae. Este tipo de infecção é mais comum e causa surtos mais facilmente em locais que não têm água encanada ou com saneamento básico inadequado, em que não há colecta de lixo ou que há esgoto a céu aberto, por exemplo.

É preciso lavar bem as mãos, evitar águas paradas, evitar o contacto da comida com insectos, escolher locais limpos, preferir alimentos cozidos na hora, entre outras medidas contra a cólera. (Muamine Benjamim).

Daniel: O jovem com sede de conhecimento, mas sem fundos para estudar

Daniel Charamba Daniel é um jovem que vai completar 19 anos de idade este ano, e é natural do distrito da Gorongosa, Zona de Desenvolvimento Sustentável do Parque Nacional da Gorongosa (PNG).

Daniel, autodescreve-se como sendo de jovem de uma família humilde.

Enquanto miúdo, Daniel, aos sete anos de idade, perdeu o pai. Desde então, “minha mãe tem sido a âncora da nossa família, cuidando de mim, minhas duas irmãs e meus dois sobrinhos. Ela trabalha incansavelmente para garantir que tenhamos comida na mesa e pudermos continuar nossos estudos”.

“Durante meus anos escolares, enfrentei muitas dificuldades financeiras. Muitas vezes, eu tinha que me esforçar para conseguir o dinheiro para pagar a escola, seja recolhendo pedrinhas para vender ou buscando água nas casas dos vizinhos. Enquanto eu lutava para seguir adiante, minha mãe trabalhava nos campos para nos sustentar a casa. Apesar de todos os obstáculos, consegui concluir o ensino médio, um feito que me enche de orgulho”.

Após a conclusão do ensino médio, “tive a oportunidade de estagiar no Parque Nacional da Gorongosa. Foi lá [onde] descobri minha paixão pela protecção da biodiversidade frente às mudanças climáticas através do conhecimento científico adquirido. Esta paixão levou-me à decisão em me inscrever ao curso de Engenharia Florestal na Universidade Lúrio em Niassa [Norte de Moçambique], com a esperança de fazer a diferença e ajudar minha família e comunidade”.

No entanto, mais uma vez “me deparo com dificuldades financeiras. Os custos para frequentar a universidade são elevados e, infelizmente, a minha família não os tem para me apoiar, [nomeadamente, acomodação, alimentação e propinas. São bastante altos para quem nada tem. “Eu temo que não consiga frequentar o curso por falta de recursos”.

“É por isso que recorro a qualquer tipo de ajuda possível, em busca de apoio a fim de me ver na carteira, quebrar o ciclo de pobreza na minha família e inspirar muitos jovens a dar importância à escola”.

A busca que Daniel refere depende de uma ajuda financeira numa primeira fase de “18.000 meticais” para cobrir as despesas de inscrição, matrícula, acomodação e alimentação. “Com esse apoio, tenho a esperança de pelo menos iniciar com o curso”, uma vez que o custo anual do curso corresponde a “57.700 meticais” divididos em “6.000 para residência, 43.200 para alimentação e 1.300 para pré-inscrição e 7200 para propinas”.

Uma mão lava a outra. Um gesto pode fazer diferença. Querendo apoiar com o que tiveres, pode contactar à Redacção do Jornal Profundus pela parte de contactos da empresa. (Muamine Benjamim).

A ‘árvore da morte’, a mais perigosa do mundo segundo o livro dos recordes

Dizem que, quando os conquistadores chegaram, vários deles se intoxicaram ao comer seus frutos.

Falam que os indígenas usavam a árvore para tortura, amarrando pessoas a seu tronco e deixando-as ali para que sofressem quando chegasse a chuva.

Contam que, além disso, os nativos envenenavam suas flechas com sua seiva.

E que até que foi o motivo da morte do espanhol Juan Ponce de León, o primeiro governador de Porto Rico, que recebeu uma flechada em uma batalha quando tentou conquistar a costa da Florida, em 1521.

É difícil comprovar que esses factos realmente tenham acontecido, mas o que se diz das propriedades científicas da “árvore da morte” já foi provado.

A temida planta cresce em paisagens idílicas e pode alcançar grandes alturas.

Seus galhos às vezes repousam sobre a areia e te convidam a descansar sobre sob sua sombra ou se proteger da chuva ou do sol.

Seus frutos, muitos parecidos com maçãs, são cheirosos, doces e saborosos.

Mas ela tem a duvidosa honra de estar registada no livro dos recordes, o Guiness Book, como a árvore mais perigosa do mundo.

 

Como seu nome diz

Hippomane mancinella. Esse é seu nome científico.

Segundo o Instituto de Ciências de Alimentos e Agricultura da Flórida, nos Estados Unidos, Hippomane vem das palavras gregas hippo, que significa “cavalo”, e mane, que deriva de “mania” ou “loucura”.

O filósofo grego Teofrasto (371a.C.-287a.C.) nomeou assim uma planta nativa da Grécia após descobrir que os cavalos ficavam loucos ao comê-la. E o pai da taxonomia moderna, o sueco Carl Linneo, deu o mesmo nome à nociva árvore da América.

Mais precisamente, a que é nativa da América Central e das ilhas do Caribe e cresce da costa da Flórida até a Colômbia – em alguns lugares, sua presença é alertada por cruzes vermelhas e placas.

 

Árvore-da-morte

Esse é um dos seus nomes conhecidos, usado por quem convive com ela. Também é conhecida como Macieira da Areia ou Macieira da praia – mas árvore-da-morte é o apelido que melhor descreve a realidade.

Sua seiva leitosa contém forbol, um componente químico perigoso. Só de encostar na árvore, sua pele pode ficar horrivelmente queimada.

Refugiar-se debaixo dos seus galhos durante uma chuva tropical também pode ser desastroso, porque até a seiva diluída pode causar uma erupção cutânea grave.

Queimar essas árvores também é uma má ideia. A fumaça pode cegar temporariamente e causar sérios problemas respiratórios.

Mas, apesar dos efeitos desagradáveis, o contacto da pele com esta árvore não é fatal. A ameaça real vem de sua pequena fruta redonda.

Comer este fruto, que parece uma pequena maçã, pode causar vómitos e diarreia tão severos que desidratam o corpo até um ponto em que não há mais cura.

 

Tanto assim?

A radiologista britânica Nicola Strickland experimentou estes efeitos em 1999 ao passar férias com uma amiga na ilha caribenha de Tobago.

Como boa cientista, ela descreveu o que acontece ao British Medical Journal, para que outros cientistas soubessem o tamanho desta ameaça.

Ela começa contando como, em uma manhã, “encontramos uma dessas idílicas praias desertas… areia branca, palmeiras balançando, o mar turquesa.”

Então, viu as frutas verdes que “aparentemente haviam caído de uma árvore grande”.

“Mordi a fruta e achei agradavelmente doce. Minha amiga fez o mesmo. Um pouco mais tarde, notamos um gosto estranho e picante na boca, que virou ardência e dor, com uma pressão na garganta.”

“Os sintomas pioraram nas duas horas seguintes até que não conseguíamos mais comer alimentos sólidos, pois a dor era insuportável. A sensação era de ter um grande nó obstruindo a garganta.”

Por sorte, oito horas mais tarde os sintomas orais começaram a melhorar, mas os gânglios linfáticos ficaram muito sensíveis.

“Nossa experiência provocou um genuíno terror e incredulidade entre os locais. Tal é a reputação do veneno da fruta”, diz.

 

“Uma só mata 20 pessoas”

Histórias do tipo não são novas, é claro.

John Esquemeling, autor de um dos mais importantes livros de consulta sobre pirataria no século 17, “Os corsários da América” (1678), escreveu sobre sua experiência com a árvore “chamada mancenilheira , a árvora da maçã anã”, quando esteve na ilha La Española, compartilhada entre o Haiti e a República Dominicana e conhecida por ter abrigado o primeiro assentamento europeu na América no fim do século 15.

“Um dia, quando estava extremamente atormentado pelos mosquitos e ainda ignorante sobre a natureza desta árvore, cortei um galho para me abanar. Meu rosto inchou e se encheu de bolhas, como se estivesse queimado, e fiquei cego por três dias.”

Nicholas Cresswell, cujo diário sobre seus dias nas colónias britânicas na América ficou para história, escreveu sobre a sexta-feira de 16 de setembro de 1774:

“A fruta da mancenilheira tem o aroma e a aparência de uma maçã inglesa, mas é pequena, cresce em árvores grandes, geralmente ao longo da costa. Estão repletas de veneno. Me disseram que uma só é suficiente para matar 20 pessoas.”

“A natureza do veneno é tão maligna que uma só gota de chuva ou orvalho que caia da árvore na sua pele imediatamente causará uma bolha. Nem a fruta nem a madeira podem ser usadas, até onde eu sei.”

 

Perigosa, mas útil

Surpreendentemente, talvez, a árvore tem seus usos, segundo o Instituto de Ciências da Agricultura e Alimentos da Flórida.

A mancenilheira da praia é usada para fazer móveis desde a época colonial. Acredita-se que sua seiva venenosa se neutraliza quando seca ao sol. Mas manipular a madeira recém-cortada requer muito cuidado.

Os nativos cobriam suas flechas com o veneno quando iam caçar.

E há documentos que mostram que a borracha da casca já foi usada para tratar doenças venéreas e retenção de líquidos na Jamaica, e as frutas secas foram usadas como diuréticos. (BBC).

Menor de 12 anos constrói “escola” dando aulas a carenciados

Em Argentina, um menino de 12 anos de idade de nome Leonardo Nicanor, conhecido por “professor Nico” construiu uma “escola” no quintal de casa da avó com os poucos recursos que tinha e dá aulas a crianças e adultos carenciados.

Professor Nico dá aulas desde os 8 anos de idade a crianças carenciadas da sua região. Mais tarde, começou também a dar aulas a adultos, tendo já recebido 36 alunos na sala de aula improvisada num quintal em San Juan, na Argentina.

Leonardo também é aluno e vai à escola de manhã, tendo de caminhar mais de meia hora para lá chegar. À tarde dá aulas na “escola” que criou no pátio da casa da avó Ramona das 14 horas às 18 horas ou até mais tarde.

O rapaz chamou o espaço que criou com os poucos recursos que tinha de “Patria y Unidade” (“Pátria e União”), sendo que também tem um espaço para os mais novos brincarem.

Apesar da escola não ter um reconhecimento oficial e a estrutura ser precária, todos levam a iniciativa muito a sério. “Eles estão a aprender, não estão a ir para brincar”, disse Mirta Donoso, uma mulher de 40 anos que já foi aluna de Leonardo.
Segundo a imprensa Argentina, “Clarín”, o rapaz também se preocupa com o bem-estar dos alunos, oferecendo chá nos dias mais frios e sumo nos dias mais quentes.
Leonardo convidou outros jovens de bairros próximos a juntarem-se a ele e, depois da avó expor a iniciativa, é aplaudido por muitos na sua comunidade e nas redes sociais.(CLARÍN).

Jornal Profundus

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