O estudo que desafia o que sabemos sobre a origem do ser humano

Os cientistas estão questionando a teoria tradicional sobre a origem dos seres humanos modernos.

Durante anos, a hipótese mais aceita era de que o Homo sapiens teria surgido a partir de uma única população ancestral no leste ou no sul da África.

Em 2019, por exemplo, um grupo de cientistas afirmou ter identificado o local exacto de onde proviria o ser humano moderno, em uma região africana hoje basicamente situada em Botsuana, com algumas partes na Namíbia e no Zimbabué.

Mas, agora, com um poderoso modelo computadorizado e análise de dados genéticos, cientistas do Canadá e dos Estados Unidos sugerem que o Homem é descendente não de apenas um, mas de diversos grupos ancestrais espalhados por vários pontos do continente africano.

E, especificamente, de pelo menos duas populações que viveram simultaneamente na África por um período de um milhão de anos, antes que se misturassem pelo continente.

“Não sabemos onde eles moravam, mas estavam suficientemente distantes uns dos outros para que ocorressem pequenas diferenças genéticas entre os grupos”, afirmou à BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC, Brenna Henn, uma das autoras do estudo da Universidade da Califórnia em Davis, nos Estados Unidos.

Escassez de fósseis

Nossos ancestrais surgiram na África há pelo menos 300 mil anos, que é a data do fóssil mais antigo já encontrado que pode pertencer ao ser humano moderno.

Um dos desafios enfrentados pelas pesquisas é que não existem muitos fósseis de Homo sapiens do início da nossa história evolutiva.

E a distribuição geográfica dos restos em lugares como a Etiópia e a África do Sul torna mais difícil chegar a uma conclusão sobre como nossas espécies surgiram e se espalharam pelo continente africano antes de saírem pelo resto do planeta.

A nova pesquisa indica que diversos grupos ancestrais africanos contribuíram para o surgimento do Homo sapiens, formando uma espécie de mosaico.

Eles migraram de uma região para outra e se misturaram com os demais, em um processo que durou centenas de milhares de anos.

Em 2018, a arqueóloga Eleanor Scerri, do Instituto Max Planck, na Alemanha, participou de um estudo para determinar algumas das bases das descobertas recentes.

“Nós analisamos dados arqueológicos, fósseis, genéticos e climáticos e defendemos que os seres humanos evoluíram a partir de diversas populações na África. Chamamos este modelo de multirregionalismo africano ou modelo estruturado pan-africano”, explica Scerri.

“Actualmente, afirmamos que os modelos genéticos deveriam incorporar cenários estruturados e convidamos os geneticistas a fazê-lo”, prossegue a arqueóloga. E é exactamente o que Henn e seus colegas estão fazendo.

‘Ramos de videira entrelaçados’

“Nossas raízes estão em uma população geral muito diversa, formada por populações locais fragmentadas”, afirmou Scerri em um artigo publicado na revista Nature.

Se for a representar em um desenho, o provável é que o esquema “se pareça mais com ramos de videira entrelaçados do que com uma árvore da vida”.

O entrelaçamento desses ramos, com separações frágeis causadas pelas diferenças genéticas, deu lugar a um conceito evolutivo que os pesquisadores do novo estudo descrevem como “um ramo fragilmente estruturado”.

Para chegar a estas conclusões, Henn e seus colegas empregaram um poderoso modelo computadorizado.

“A equipe utilizou um software desenvolvido por um dos autores, Simon Gravel, da Universidade McGill em Montreal, no Canadá, que conseguiu coordenar a ampla potência informática necessária para o modelo ampliado”, segundo a revista Nature.

Os cientistas incorporaram dados de sequenciamento de genomas de 290 pessoas que moram actualmente no leste e no oeste da África e membros do povo nama, que vive no sul do continente africano.

Em seguida, eles criaram diferentes cenários de populações existentes na África durante diferentes períodos de tempo e observaram quais delas poderiam produzir a diversidade de DNA encontrada nas pessoas vivas hoje em dia.

“Esta difusão de dados gnómicos ajudou os pesquisadores a compreenderem e rastrearem o movimento histórico dos genes ao longo das gerações”, explica a Nature.

Desta forma, o estudo concluiu que todos que vivem podem rastrear os respectivos ancestrais a pelo menos duas populações distintas que viviam na África um milhão de anos atrás.

“Todos os seres humanos compartilham relativamente um ancestral comum, mas a história do passado mais distante é mais complicada do que uma espécie que evoluiu em um único local ou em isolamento”, afirma o geneticista Aaron Ragsdale, da Universidade de Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos, líder deste estudo.

Foram também examinados os dados do genoma de 91 cidadãos europeus para representar a influência da era pós-colonial e dos neandertais, a espécie humana extinta que se concentrou na Europa até cerca de 40 mil anos atrás.

Bases para o futuro

Scerri conclui que este estudo é importante porque, além de criar um “novo modelo de evolução humana”, ele confirma a teoria das múltiplas origens do ponto de vista genético.

“Ele complementa outros estudos genéticos que usam DNA de populações africanas que viveram entre os último 10 mil a 30 mil anos e já observavam a evidência de uma estrutura profunda da nossa espécie”, declarou ela.

“É emocionante que estes resultados confirmem o nosso modelo e coloquem mais um prego no caixão da ideia de que os seres humanos evoluíram de uma única população, em uma única região da África”, acrescenta Scerri.

Sejam ou não confirmadas as conclusões deste estudo recente, não há mais dúvidas de que a complexidade da origem da nossa espécie continuará sendo objecto de inúmeras pesquisas.

E os novos estudos contarão cada vez mais com os rápidos avanços da tecnologia. (José Carlos Cueto/BBC).

GREG CARR: O lado B do Parque Nacional da Gorongosa

No Parque Nacional da Gorongosa (PNG), província de Sofala, centro de Moçambique, o futuro da vida selvagem depende dos meios de subsistência dos seres humanos. Depois de 16 anos de guerra, a Gorongosa está a recuperar. Muitos têm o lado A e poucos conhecem o lado B desta recuperação: Greg Carr.

Greg Carr é o presidente do Projecto de Restauração do PNG. Numa entrevista com os familiares e amigos do dirigente, de visita ao Parque, o “Profundus” traz o que há por detrás do sucesso do Parque.

Contexto

O PNG, estendendo-se por uma planície aluvial no extremo sul do Grande Vale do Rift de África, abrangendo savanas, florestas, zonas húmidas e uma vasta bacia de água chamada lago Urema, foi em tempos uma reserva de caça: os administradores coloniais portugueses estabeleceram-na em 1921 para o seu prazer desportivo, removendo as pessoas que antes compartilhavam a paisagem com a vida selvagem.

Em 1960 foi designado pela primeira vez como Parque Nacional. O levantamento de fauna bravia de 1972 refere que abrigava cerca de 2.200 elefantes, 200 leões e 14.000 búfalos africanos, bem como hipopótamos, impalas, zebras, gnus, elandes e outras faunas africanas icónicas.

Na ruinosa guerra civil de 16 anos que se seguiu à independência em 1975, a Gorongosa serviu de refúgio para os militares da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) que receberam apoio militar da vizinha Rodésia (agora Zimbabué) e África do Sul. Quando as tropas do Governo vieram para os desafiar, houve luta no solo, bombardeios da sede do Parque, carnificina na savana. Além da matança de elefantes, milhares de zebras e outros grandes animais foram mortos para alimentação ou diversão.

Um cessar-fogo interrompeu a guerra em 1992, mas a caça furtiva por caçadores profissionais continuou, e as pessoas nas comunidades vizinhas armaram armadilhas para os animais comestíveis que restaram. Na viragem do século, o Parque Nacional da Gorongosa havia sido destruído.

As circunstâncias eram, igualmente, sombrias nas terras que cercavam o Parque. Cerca de cem mil pessoas viviam no que os planeadores agora chamam de Zona Tampão (ou Zona de Desenvolvimento Sustentável), a maioria de famílias cultivando milho e outras culturas de subsistência, mal conseguiam alimentar os seus filhos e com falta de educação e saúde.

Quando o solo se cansava e o milho não crescia, os agricultores cortavam a floresta, queimavam a zona cortada e tentavam, novamente, num novo canteiro. Eventualmente, o seu corte e plantação expandiram-se das encostas mais baixas da Serra da Gorongosa – um maciço granítico que se ergue até 1.863 metros acima do nível do mar no limite noroeste do Parque – para as zonas mais altas e húmidas. Uma vez encimada por densa floresta tropical, a montanha é a nascente de vários rios, incluindo o rio Vunduzi, que transporta água para o Parque e sua rica planície de inundação.

Agora, o PNG regista um aumento robusto de animais, depois da guerra civil, dos 16 anos (1977-1992), mesmo depois da tensão-política-militar entre 2014-2016.

Família Greg

Greg convidou os sobrinhos, Blake Ames e Mason Ames a visitarem, há dois anos, ao PNG para perceberem o que, exactamente está a fazer em Moçambique.

Sendo a primeira vez em Moçambique e no PNG, Blake avaliou “muito boa a estadia”.

“Estou a conseguir ver [o potencial do PNG] e tenho que agradecer pelo que tem”, disse pela experiência.

É importante o que ele [Greg] faz, mas pelos sonhos dos meninos “não é boa área”, mesmo assim “gostam dos animais, não como tio [que gosta mais] ”.

Fanático em gestão ambiental, Greg tem tirado tempo para outras actividades com a natureza em tempos de neve, acompanhado pelos seus sobrinhos.

Um conselho aos jovens moçambicanos

Os dois sobrinhos, de 8ª e 10ª classes, na altura da entrevista, “estão esperançosos em falar com os amigos americanos para virem” [ao PNG].

Os dois rapazes garantiram terminar o nível secundário e fazer nível superior nos cursos de Educação e Desporto, respectivamente, nos Estados Unidos da América (EUA). Ao contrário de Moçambique, em que poucos garantem estudar e se formar – primeiro, porque as condições não são para quaisquer; segundo, porque é mais fácil apostar em casamento prematuro do que formação; e terceiro, por influência das catástrofes naturais, guerras, a fome e entre outras preocupações.

“Para os jovens moçambicanos, continuem com a educação se possível e tentem trabalhar na Conservação, é uma área interessante”. Aconselham os americanos.

“Gostamos dos animais dentro do PNG e a interacção entre humanos e animais ao ver mabecos”. [Mabecos] “são pequenos, mas quando unidos são fortes” avaliaram assemelhando-os “às pessoas que devem estar unidas” para o mesmo propósito. Por exemplo, um empreendedor, normalmente começa sozinho, cresce para liderar pessoas e fazer mais negócios”.

O filho de uma amiga de Greg, Garrick Schwartz, também a convite disse que sempre ouviu falar sobre do trabalho na Gorongosa, veio para testemunhar. “[É] incrível, não só a área humanitária, mas também dos laboratórios”, avaliou a potencialidade do Parque Nacional da Gorongosa.

Para Garrick Schwartz junto da sua mãe, “é importante viajar para fora da sua área de conforto para conhecer algo maior. Conservação não só inclui animais, mas também a parte humanitária e a sustentável, as duas partes contribuem para o crescimento próprio da comunidade e Conservação”, disse pelo que viu no PNG.

Garrick Schwartz disse que sempre admirou Greg e a visita veio “amplificar” a admiração e sua simplicidade. “Greg tem uma capacidade quase inumana de ajudar as pessoas. Quando decide ajudar as pessoas, faz mais que o normal, vai ao campo e interage com as pessoas”.

“Vendo o senhor Greg a ajudar outras pessoas, faz-lhe se sentir bem. Me inspiro nisso”, disse Schwartz, para reiterar que não tem condições para abrir um parque de modo a ajudar a Zona Tampão, a exemplo de Carr, mas quando regressar aos EUA, “hei-de ver o tempo que gasto em coisas fúteis e talvez usar esse tempo para ajudar a comunidade”.

Futuramente, “gostaria de viajar mais e visitar a Gorongosa como voluntário em serviços de Conservação para ajudar [as comunidades ao redor do PNG] a serem sustentáveis e poderem fazer lucro próprio, não serem dependentes”, precisou o aluno da 10ª classe, Schwartz.

“Gostaria que o PNG acolhesse os jovens para visitas e para verem os programas locais. É nesta idade que absorvem a informação e serão capazes de a levar e usá-la por toda a vida. É inspirador nesta idade, sublinhou Schwartz, ao Profundus, Órgão de Comunicação Social gerido por jovens e apoiado por Greg e pela escritora americana Peggy Goldwyn.

Por onde começou Greg?

Da esquerda à direita: sobrinhos-netos Blake e Mason, respectivamente, de Greg; sobrinha de Greg, Rachel; Greg Carr e o marido da sobrinha, Alan.
Da esquerda à direita: sobrinhos-netos Blake e Mason, respectivamente, de Greg; sobrinha de Greg, Rachel; Greg Carr e o marido da sobrinha, Alan.

Greg Carr começou em 1965 a fazer o ensino primário. Em 1978 terminou o secundário, mais seis anos de ensino superior e foi à renomada Universidade de Harvard.

“Greg co-gere um parque, construiu museus, teatros, entre outras iniciativas e às vezes ao conversar, fica a pensar noutras coisas”. Tem um coração grande no sentido de ajudar pessoas. Se não gostou de algo, ele vai explicar-te de uma maneira positiva”.

Ken Carr, irmão penúltimo dos seis, o último é o Greg, fala da biografia do seu irmão mais novo.

“Desde criança, foi muito generoso, sempre lia os livros que os professores recomendavam e lia outros sobre o assunto”.

Na escola secundária, [Greg] foi presidente de todos os alunos. Já no ensino superior, onde estudou com o “irmão mais velho, com cerca de 10.000 estudantes, Greg era o mais destacável em matérias e notas”, disse Ken sugerindo que Greg, depois tenha feito o curso de Gestão de Empresas Internacionais, noutra Universidade.

Ainda em Harvard, em 1986, Carr e um amigo criaram uma empresa chamada Boston Technology, voice email que oferecia maneiras digitais de conectar sistemas telefónicos a computadores. Uma tecnologia de sucesso que hoje ainda é usado diariamente.

Em 2000, muitos americanos incluindo Greg ouviram o nome de Moçambique pela primeira vez, quando o país foi assolado pelas cheias que motivaram a fome.

Gorongosa começou a prosperar em 2004, quando o antigo Presidente de Moçambique, Joaquim Chissano, visitou a Universidade de Harvard para uma palestra a convite de Greg Carr.

Greg Carr estabeleceu a Fundação Carr, uma entidade filantrópica, antes de saber ao certo qual seria o seu propósito. Mas as obras de Edward O. Wilson despertaram nele um grande interesse pela conservação. Ao mesmo tempo, mergulhava no estudo dos direitos humanos e de seus grandes profetas e defensores, incluindo Nelson Mandela. Estas duas linhas de estudo convergiram mais tarde quando Carr soube que Mandela, então presidente da África do Sul, estava a colaborar com o seu colega Presidente, do outro lado da fronteira em Moçambique, para criar “parques da paz” – parques nacionais transfronteiriços para a conservação de vida selvagem e o benefício da população local.

“O Presidente Chissano adorava os parques nacionais”, disse Carr, e durante a primeira visita de Carr, em 2004, “convidou-me a restaurar a Gorongosa”.

Quatro anos depois, Carr assinou um acordo de longo prazo com o Governo. Traria ao desafio não apenas os seus recursos financeiros e perspicácia de gestão, mas também uma visão partilhada de que a Gorongosa poderia tornar-se um “parque de direitos humanos”. Isso significava gerar benefícios tangíveis para a população local ao seu redor – em saúde, educação, agronomia, desenvolvimento económico bem como proteger a sua paisagem, as suas águas e a sua diversidade biológica em todas as formas.

A dimensão temporal é reconhecida em um acordo de longo prazo entre a Fundação Carr e o Governo, renovado em 2018 por 25 anos. Mesmo 25 anos, é apenas um começo em termos ecológicos. Um orgulho para a família Carr.

O pai faleceu quando tinha 92 anos de idade. Os pais tinham sete filhos, destes restaram seis, sendo Greg o mais novo. “Cada filho escolheu a sua área, todos foram bem-sucedidos. E todos estão orgulhosos de Greg por ajudar outras pessoas”.

“Greg não é casado e não tem filhos, mas considera os sobrinhos como se filhos próprios fossem. A família Greg também inclui a Gorongosa”.

“O PNG em geral é muito grande, em si já é um desafio. Tem que ajudar muitas pessoas, cada pessoa tem a sua necessidade, deve tentar desenvolver os programas sustentáveis, a exemplo da produção de café e de caju. Para gerir a Gorongosa precisa de encontrar bons trabalhadores, que sabem o que fazem para ajudar no sustento das comunidades em redor e controlar o conflito Homem e fauna bravia”, avaliou Ken Carr na condição de Greg.

A melhor amiga de Greg era a sua mãe que faleceu em 2023, com mais de 100 anos de idade.

“A paciência e gentileza” são os segredos do sucesso, por isso, uma das mensagens que Ken deixava para Greg era: “você é fantástico”.

“Tudo está melhor. Tem uma equipa fantástica. O sítio em si é 5 estrelas, a partir dos pratos”, avaliou o irmão que esteve pela terceira vez no PNG. “Continuem fazendo o que estão a fazer agora e que os trabalhadores do PNG sejam integrados e trabalhem como uma família para uma imagem maior”.

“Nós como PNG, somos o guião para outras áreas de Conservação. Estamos a desenvolver algo que os outros possam implementar”, disse o irmão.

Os objectivos de Carr estão ainda longe, mas se o limite do possível se concretizar, será no Parque Nacional da Gorongosa. Hoje, o PNG é um destaque da África. (Profundus PDF).

Mais 13 escolas pela Fundação de Caridade Tzu Chi em Sofala

A Fundação de Caridade Tzu Chi vai construir mais 13 escolas na província de Sofala, região central de Moçambique.

Trata-se de EPC Esturo, EPC Moçambique Industrial e EPC 3 de Fevereiro, na cidade da Beira. E distrito de Nhamatanda: ESG Nhamatanda, EPC Nharuchonga, ESG Kura, EPC 12 de Outubro, ESG Metuchira, EPC Lamego, ESG Lamego, EPC Ndeja, ESG Tica e EPC Muda Mufo. No total, 13 escolas.

Para o efeito, Nhamatanda vai acolher na próxima sexta-feira (12.01.2024), um evento de apresentação e consignação do Projecto de Construção das 13 escolas, totalizando 253 salas de aula, nos dois distritos.

Segundo um comunicado da Tzu Chi Moçambique recebido na Redacção do Profundus, na mesma sexta-feira, haverá apresentação detalhada do Projecto executivo das 13 escolas, assinatura dos autos de consignação e visitas aos locais de obra no distrito de Nhamatanda.

Ainda não está claro quando é que irão iniciar as construções, mas a garantia existe.

Lembre-se que nos finais de 2023, a Tzu Chi entregou numa primeira fase 54 casas na localidade de Metuchira, depois de 53 infra-estruturas entre escolas e casas em diferentes pontos do distrito. (Profundus).

Seguimento: Homem que sofria de quase todo tipo de violência já “escapou”

Gaby de 40 anos de idade que quebrou o silêncio na edição Profundus152.01.12.2023, já encontrou solução uma semana depois da reportagem, no distrito de Nhamatanda, província de Sofala.

Gaby descrevia Amina, em 2006, como a flor do jardim, mas antes da reportagem do Profundus, o homem via a mulher como inimiga.

Embora os homens também sejam vítimas de violência doméstica, não ocorre o enfrentamento de forma igual ou necessária na sociedade, colocando-os no “esquecimento”. O homem que quebra o silêncio é facilmente considerado de “matreco” ou até motivo de piada e as mulheres de “visionárias”. Mas quando é ao contrário, é pura violação, podendo até chegar ao debate de marxista ou feminista.

O facto é que os homens também são vítimas de violência. É o caso de Gaby e Amina, na vila de Nhamatanda.

Cada briga dos dois era motivo suficiente de Amina destruir os bens materiais que juntos conseguiram.

Casaram maritalmente, mas hoje a mulher vive com os filhos na casa dos avós, enquanto o homem com filhos de uma outra mulher, mãe e sobrinho na casa que construiu com Amina.

Os dois têm uma residência na vila municipal de Nhamatanda, mas o homem continua na casa, a mulher depois de uma discussão há oito anos, carregou todos bens para a casa dos pais, na ocasião, o marido esteve de missão de serviço na Beira. Amina é lá onde ainda vive e sempre a beber “nipa” (bebida-caseira) que ela mesma produz e vende. Este foi o início de uma relação de violência psicológica e física contra Gaby.

 

Gaby conheceu Amina em 2006 e juntos fizeram cinco filhos

Gaby e Amina fizeram cinco filhos, porém, três vivem e estudam.

Gaby, na primeira reportagem, contou que estava a passar mal. Amina quando se dirigisse ao marido falava como se estivesse com criança, com palavrões, lhe batia no meio de pessoas. O desprezava. Mas o homem, nunca devolveu, até porque a mulher tem problemas de braço.

Gaby conta que Amina não quer viver com a mãe dele. “Minha mãe não está bem de saúde, tem doenças crónicas, por isso, fiz uma casinha para ela dormir e comer é connosco”.

Amina não quer regressar aos braços do Gaby. “Já tenho uma amiga [namorada], mas [Amina quando soube] veio à minha casa brigar até partir bens dentro da minha casa”.

Existem maridos bem tratados pelas esposas mesmo sem emprego, mas Gaby é funcionário do Aparelho do Estado, no sector da Saúde há longos anos, mesmo assim, só viu paz depois da reportagem, em dezembro findo.

É um caso que deu de falar na zona, nos amigos, nos familiares e envolveu conhecidos até midia.

Amina já não quer Gaby desde que levou os bens há oito anos depois de uma discussão. Também não queria ver o homem com namorada ou outra mulher.

Amina alegava que Gaby devia fazer outra casa para as crianças que juntos fizeram, os tais miúdos que ela levou para os avós. Segundo contou o homem, o caso foi até à Procuradoria Distrital, depois de tantas sentadas sem solução.

“De lá, foi que eu comprasse chapas de zinco” para oferecer a mulher como forma de ajuda-la a erguer a casa”. Gaby cumpriu. Tempo depois, Amina regressou aos braços do homem, mas em pouquíssimo tempo, foi-se novamente aos pais onde até hoje vive.

Contudo, Gaby já queria a todo custo livrar-se da mulher sem problemas, considerando que já tinha perdido a esperança de que ela voltaria. Aliás, a última vez que dirigiu-se à casa do homem, destruiu bens e bateu a rival.

Depois da primeira reportagem do Profundus, a família sentou novamente, e decidiu que Gaby seguisse sua vida e que no final do mês, não esquecesse os seus filhos (apoio financeiro).

Gaby vive agora com os filhos da primeira mulher, enquanto aqueles três que fez com Amina residem nos avós maternos, sendo que a mais velha já vai estudar 12ª Classe, outra vai fazer 10ª Classe e a última – 9ª Classe, este ano.

Gaby diz que já encontrou uma mulher também funcionária do sector da Educação. Os dois já planificam uma vida melhor.

Esta é uma prova de que os homens também sofrem de violência vinda das “rosas-espinhosas”. Para a vítima mulher, existe uma vasta discussão e protecção na sociedade. Facilmente, pode-se encontrar material sobre a violência sofrida por mulheres, ou seja, eventos, seminários, congressos, inúmeras formas de abordar, discutir, dialogar e inserir em sociedade a mulher vítima, o que quase não ocorre com o homem. É preciso igualdade mesmo. (Muamine Benjamim).

Como funciona o Conselho de Segurança da ONU?

Como resultado directo dos conflitos sangrentos das duas grandes guerras mundiais, a Organização das Nações Unidas (ONU) foi criada oficialmente em 24 de outubro de 1945 para desempenhar um papel de liderança, buscando proteger os direitos humanos, bem como também a defesa do direito internacional globalmente. Até o momento, tem 193 estados-membros.

Cabe à ONU fornecer assistência humanitária aos povos necessitados em todo o mundo, e garantir a paz e a segurança entre os países, como informa seu site oficial. Esta última atribuição fica a cargo do Conselho de Segurança, um dos seis órgãos listados na carta de criação das Nações Unidas.

O Conselho de Segurança é o organismo da ONU dedicado a mediar e resolver conflitos internacionais. Sua primeira sessão ocorreu em 17 de janeiro de 1946, na Church House, em Westminster, Londres.

Actualmente, ele é formado por um total de 15 membros, cinco dos quais são permanentes, enquanto os outros dez não são. Os países permanentes do Conselho são China, França, Rússia, Reino da Grã— Bretanha e Irlanda do Norte, além dos Estados Unidos. Já os dez membros rotativos actuais são: Albânia, Brasil (que no momento ocupa a presidência do Conselho), Equador, Gabão, Gana, Japão, Malta, Moçambique, Suíça e Emirados Árabes Unidos.

 

Como funciona?

Quando se depara com uma situação controversa (como disputas de territórios ou conflitos armados, por exemplo), a primeira medida que o Conselho toma é sugerir às partes envolvidas que cheguem a um acordo por meios pacíficos e diplomáticos.

Para isso, a entidade pode actuar da seguinte maneira: estabelecer princípios para um acordo; conduzir um processo de investigação e mediação; enviar uma missão própria para o local de conflito; nomear enviados especiais aos países envolvidos ou solicitar ao Secretário-Geral da ONU que se envolva no tema discutido a fim de obter ajuda pacífica para a disputa.

Quando a situação se agrava para um nível mais explosivo do que somente o de hostilidades entre dois ou mais países, o Conselho de Segurança tem a missão de encerrar a disputa o mais rápido possível, como descreve o site da ONU.

Nesses casos, a entidade ganha poderes reconhecidos por seus integrantes para emitir directrizes de cessar-fogo que possam ajudar a evitar o agravamento do conflito. O Conselho também fica livre para enviar observadores militares ou uma força de manutenção de paz a fim de ajudar a reduzir as tensões.

Se esses passos não forem possíveis de serem cumpridos, o Conselho se reúne para tomar medidas mais severas. Entre elas estão sanções económicas, restrições para conseguir armas, sanções e restrições financeiras, além de proibições de viagens por parte dos representantes do país envolvido e até de seus cidadãos, bem como o rompimento de relações diplomáticas.

Em último caso, fica acordado que o Conselho pode até mesmo ordenar acções militares colectivas envolvendo os exércitos de seus países membros.

Cada país membro do Conselho tem um voto garantido dentro do órgão. As decisões sobre questões processuais são tomadas por um voto afirmativo de nove membros. Já as decisões sobre todos os outros assuntos exigem uma maioria de nove votos ou até mesmo os votos afirmativos de todos os membros permanentes.

Os únicos que têm o poder de vetar propostas colocadas para discussão no Conselho são os cinco membros permanentes. Caso algum deles exerça esse poder de veto, a resolução ou decisão não será adoptada. E uma nova rodada de negociações diplomáticas precisa começar de novo. (National Geographic).

Porto Seco: Um olhar económico para Nhamatanda

Foi inaugurada no dia 23 de novembro de 2023, a linha de 317 quilómetros ligando o Porto da Beira, em Sofala, à vizinha República do Zimbabwe devendo beneficiar também a Zâmbia e o Malawi. O ferroviário passa por Nhamatanda que faz fronteira com Manica limítrofe com o país vizinho.

As obras entre agosto de 2019 e novembro de 2023, incluíram a substituição de carris, troca de travessas de madeira por de betão armado e balastros. O objectivo é mesmo reduzir substancialmente o tempo de trânsito dos comboios de 18 para 12 horas e aumentar para três milhões de toneladas por ano. Todo processo custou 200 milhões de dólares. Nhamatanda tem tudo mais alguma coisa para ter Porto Seco.

Os Portos Secos são locais fora das áreas de armazenagem de portos e aeroportos, criados para aliviar o fluxo intenso em recintos de zona primária. São terminais ligados por estrada, linha férrea ou área.

Os serviços simples como armazenagem e transporte, os demais terminais portuários/logísticos podem oferecer, entretanto, poderão não se destacar diante de um mercado exigente, o que faz do Porto Seco um diferencial.

O simples armazenamento é um conceito que já está a ser ultrapassado e o porto seco terá que oferecer também serviços como, etiquetagem, distribuição das mercadorias, vistoria de carga, unitização. Para que isto ocorra, a legislação terá que se adequar para permitir que os portos secos operem com carga nacionalizada, no caso de importação.

Com o Porto Seco, na exportação há vantagem na admissão/recepção de mercadoria, pesagem de veículos, cargas e volumes, movimentação e armazenagem, unitização de carga, entrega de mercadorias à empresa contratada para transportar a carga após o desembargo aduaneiro.

Manipulação de mercadorias que encontram-se sob o regime de entreposto aduaneiro para embalagem, ré-embalagem, marcação, remarcação, numeração e renumeração de volume, conserto, reparo ou restauração de embalagem, adaptação e eventuais exigências do mercado externo.

Já na importação, o Porto Seco permite a conclusão do trânsito aduaneiro de exportação, oferece tomadas para conteineres refrigerados, admissão de bagagens desacompanhadas e de mercadorias sob regime de trânsito aduaneiro, pesagem de veículos, carga e volumes, movimentação e armazenagem de mercadorias.

Actualmente, diante de um cenário bastante disputado, as empresas, independente do ramo a actuar, têm de buscar inovações, serviços exclusivos, tratamento individualizado, dentre outros pontos para se destacarem no mercado competitivo.

A concentração de empresas prestadoras de serviços perto de portos, aeroportos, pontos de fronteira, cada qual tende a inovar. Assim, o caso de Nhamatanda poderá possibilitar outros serviços diferenciados, como por exemplo, casas de aluguer, incentivo para outros serviços socialmente aceites mas que antes eram ignorados. Dai passarem a prestar de perto com tratamento exclusivo, qualidade, eficiência, redução de custos e nível de serviço elevado. Consequentemente, com os demais serviços haverá lucros e excelente desenvoltura e performance do seu cliente.

Os principais factores que fazem do Porto Seco um sucesso são os investimentos maciços em pessoas, acessibilidade, infra-estrutura, tecnologia, inovação e nível de serviço. Nhamatanda tem essas capacidades e querendo pode intensificar (geopolíticas). E assim puxar a vila de Nhamatanda para a categoria de cidade.

Os Portos Secos investem em equipamentos novos e actualizados. Empilhadeiras eléctricas, empilhadeiras a combustão, empilhadeiras manuais, transpaleteiras, empilhadeira tipo stacker são alguns dos apetrechamentos principais.

A insuficiência de incentivos governamentais em termos de investimento tornou-se um gargalo logístico, não apenas para as empresas, porém para todos que dependem do governo para melhorias. Entretanto, não é apenas o regime o responsável para sinergias, o sector privado também. (Muamine Benjamim).

Quantos “rios” de dinheiro pela Guerra em Cabo Delgado?

De 2018 a 2022, a guerra em Cabo Delgado levou ao aumento nas despesas com segurança nacional. Uma visão desagregada revela aumentos, particularmente, elevados nas despesas com a defesa e com a segurança e ordem pública, chegando até 210,8 biliões de meticais, segundo avança um estudo do Centro de Integridade Pública.

O estudo proporciona uma análise abrangente das ramificações fiscais do conflito em curso em Cabo Delgado, revelando encargos significativos para o orçamento nacional. Até à data, o conflito levou a despesas adicionais com a segurança nacional de cerca de 106,8 bilhões de MZN.

Com 36 páginas, a pesquisa indica efeitos prejudiciais na educação e no capital humano em Cabo Delgado, incluindo uma perda substancial no Produto Interno Bruto (PIB) regional devido ao aumento das taxas de analfabetismo. Apesar das substanciais contribuições financeiras e da ajuda militar dos parceiros internacionais, as necessidades humanitárias de Moçambique continuam, em grande medida, por satisfazer. Só as contribuições da União Europeia (UE), sob a forma de ajuda militar e de manutenção da paz, totalizam aproximadamente 8,5 bilhões de MZN. Contudo, conforme sublinhado pelo Center for Strategic & International Studies (CSIS), o financiamento global continua a ser insuficiente. Até ao final de outubro de 2023, o Plano de Resposta Humanitária de Moçambique para 2023, que visa a assistência a mais de 850.000 pessoas deslocadas internamente (PDIs), assegurou apenas 178,7 milhões de USD do seu objectivo de 512,9 milhões de USD. Isto indica que os fundos mobilizados através do plano de resposta coordenado representam apenas 32,7% das necessidades totais.

Além disso, o financiamento atribuído não é distribuído proporcionalmente pelos diferentes sectores. O défice de financiamento é excepcionalmente grave na coordenação e gestão dos campos, que recebeu apenas 4,9% do financiamento necessário. Seguem-se défices substanciais de financiamento na educação (12,6% de cobertura do financiamento), na protecção (14,5% de cobertura do financiamento) e na segurança alimentar e meios de subsistência (28,1% de cobertura do financiamento). Esta inadequação do financiamento enfraquece ainda mais a capacidade de Moçambique para gerir a crise de forma eficaz e salvaguardar os grupos vulneráveis.

É importante sublinhar a interligação entre as dimensões orçamental, social e de governação desta crise. Os encargos económicos criados pelo conflito contribuem directamente para os desafios sociais e de governação, resultando num ciclo vicioso que agrava toda a situação. Na medida que a ajuda internacional se concentra cada vez mais em intervenções militares e de consolidação da paz, existe o risco de redução dos orçamentos para outras iniciativas de desenvolvimento essenciais. Estas reafectações significativas na alocação de ajuda não só contribuem para os custos de oportunidade associados à guerra, como também criam constrangimentos que impedem uma resposta abrangente às necessidades multifacetadas da sociedade civil moçambicana. Estas mudanças criam consequências difíceis de prever, especialmente para as gerações futuras.

Por último, os efeitos menos tangíveis do conflito, mas igualmente prejudiciais, não devem ser ignorados. A erosão das estruturas sociais, as violações dos direitos humanos e o comprometimento dos serviços de saúde amplificam os riscos imediatos e a longo prazo, como os surtos de doenças e os problemas de saúde mental.

Contudo, o estudo propõe medidas fiscais:

Evitar mais atrasos no projecto de Mozambique LNG: Para minimizar a perda substancial de potenciais receitas públicas causada por atrasos, é crucial reforçar as medidas de segurança e acelerar o desenvolvimento do projecto de Mozambique LNG. Além disso, dada a concorrência regional emergente de países como a Tanzânia no mercado do GNL, existe um sentido de urgência acrescido para que Moçambique avance rapidamente com os seus próprios projectos de gás.

Orçamentação transparente: É imperativo garantir uma maior transparência na repartição das despesas relacionadas com os sectores policial, militar e de segurança, especialmente durante os ciclos eleitorais. Essa transparência é essencial para fomentar a confiança do público e garantir a prestação de contas na governação.

Contribuições financeiras das empresas multinacionais: O governo deve envolver proactivamente as empresas multinacionais do sector extractivo no sentido de contribuírem financeiramente para as medidas de segurança regional. Tendo em conta os seus vastos ganhos potenciais futuros na região, é estrategicamente vantajoso para estas empresas investir no reforço da segurança e estabilidade.

Soluções participativas: O governo deve envolver as comunidades locais nos processos de tomada de decisão que dizem respeito à segurança e ao desenvolvimento. O envolvimento dos residentes nestas importantes conversas pode incutir um sentimento de propriedade sobre os projectos e iniciativas locais. Esta abordagem participativa é susceptível de reduzir as queixas que, de outra forma, poderiam levar a conflitos, promovendo assim um ambiente mais pacífico e de colaboração.

Criar confiança na população local: Para fomentar a confiança nas comunidades locais, o governo deve recorrer às práticas de governação transparentes, envolver-se na participação significativa da comunidade e realizar reuniões e consultas públicas. Estas acções criarão um diálogo aberto e permitirão uma maior responsabilização, criando assim uma relação de maior confiança entre as autoridades e os membros da comunidade.

Evitar a má conduta e o abuso de poder: Para travar as violações dos direitos humanos e a corrupção no seio das forças militares, policiais e de segurança, é imperativo implementar mecanismos de supervisão sólidos. Estes mecanismos devem incluir auditorias regulares, relatórios transparentes e avaliações independentes para garantir que estas forças estejam a operar dentro dos limites da lei e a respeitem os padrões éticos.

Aumentar as despesas com a educação: É essencial dar prioridade aos investimentos na educação e nos sectores sociais como uma abordagem proactiva para mitigar futuros conflitos. Ao mesmo tempo, é crucial evitar a implementação de medidas de austeridade míopes que possam comprometer a estabilidade a longo prazo. Orçamento humanitário: É imperativo atribuir fundos adicionais especificamente para a ajuda humanitária, assegurando simultaneamente que esses recursos sejam utilizados de forma eficaz para responder às necessidades imediatas das populações afectadas pelos conflitos.

Mitigação da maldição dos recursos: É essencial envolver activamente as comunidades locais e realizar campanhas de sensibilização centradas na importância de actividades económicas diversificadas. Para além da dependência dos recursos primários, devem ser exploradas oportunidades económicas para a sustentabilidade a longo prazo. Além disso, o reinvestimento na educação para o desenvolvimento sustentável ao longo de várias gerações é uma estratégia fundamental para promover a estabilidade e o crescimento económico a longo prazo.

Ênfase no imposto sobre a produção: Tendo em conta a complexidade da cobrança do imposto sobre o rendimento das pessoas colectivas e as estratégias de evasão fiscal por parte das empresas multinacionais, a ênfase nos royalties, tal como o imposto sobre a produção, pode ser uma fonte de receitas mais previsível e imediata. Consequentemente, deve garantir-se que as comunidades recebam a sua quota-parte justa do imposto sobre a produção.

Em suma, os desafios multidimensionais colocados pelo conflito em Cabo Delgado exigem soluções urgentes, abrangentes e matizadas nas esferas fiscal, social e de governação. Ao agir prontamente de acordo com estas recomendações, os intervenientes podem mitigar tanto o sofrimento imediato como as repercussões socioeconómicas a longo prazo, abrindo caminho para um futuro mais estável e próspero na região. (CIP).

O resumo da semana em rádio

Caro ouvinte, partilhamos a 1ª edição (06.01.2024) do Profundus Informativo

Moçambique quer vacinar 2,2 milhões de pessoas contra cólera

Vai decorrer entre os dias 08 e 12 de janeiro do ano em curso, a Campanha de Vacinação contra a Cólera nas províncias de Cabo Delgado, Zambézia, Tete e Sofala, no Norte e Centro de Moçambique.

A campanha que vai durar cinco dias é destinada a população com idade igual e superior a 1 ano, das províncias de Cabo-Delgado (nos distritos de Chiúre e Montepuez), na Zambézia (distritos de Gilé, Gurué e Mocuba), Tete (distritos de Mágoe, Moatize e Zumbo) e Sofala (distrito de Maringué).

O grupo-alvo desta intervenção é de “2.271.136 de pessoas”, que corresponde ao número da população que vive nas áreas mais vulneráveis e de foco para o actual surto.

Para que a campanha decorra sem sobressaltos e os objectivos sejam alcançados, foram mobilizadas cerca 1.136 equipas que correspondem a 7.337 actores, incluindo vacinadores, mobilizadores, registadores, supervisores, coordenadores, digitadores de dados, logísticos, motoristas entre outros.

Igualmente, foram mobilizados cerca de 1,3 milhões de dólares americanos para a realização da campanha. Todavia, este valor inclui fundos do Governo e de parceiros de cooperação. Lê-se num comunicado das autoridades de saúde.

A vacinação vai decorrer em postos fixos nas unidades sanitárias; vacinação em brigadas móveis nos locais de maior concentração populacional pré-estabelecidos (mercados, campo de futebol, locais de comícios, sede dos postos administrativos, localidades entre outros); e sempre que se justificar, adoptar-se-á a estratégia porta-a-porta.

Para evitar duplicações ou falhas e permitir uma melhor avaliação pós-campanha, o documento explica que, as pessoas que forem vacinadas irão receber um cartão, como prova de vacinação e que deverão conservá-lo.

 

Moçambique já tem 8.266 casos e 20 óbitos

De acordo com os dados disponíveis, desde o dia 01 de outubro de 2023 até ao dia 02 de janeiro de 2024, o país registou um total de 8.266 casos de cólera, resultando 20 óbitos.

As quatro províncias seleccionadas albergam os distritos mais críticos deste ressurgimento do surto no país.

O MISAU apela a população dos distritos abrangidos a se dirigirem a unidade sanitária ou outro local de concentração mais próximo para apanhar a vacina; observância de medidas de higiene individual e colectiva; higiene das mãos antes de comer e após usar a latrina; consumo de água fervida ou tratada com purificador CERTEZA. (Profundus).

Nova orientação da OMS sobre supressão viral do HIV

A Organização Mundial da Saúde (OMS) está lançando novas orientações científicas e normativas sobre o HIV na 12ª Conferência Internacional da IAS (Sociedade Internacional de Aids) sobre Ciência do HIV.

A nova orientação da OMS e uma revisão sistemática do Lancet divulgada nesta semana descrevem o papel da supressão viral do HIV e dos níveis indetectáveis ​​do vírus tanto na melhoria da saúde individual quanto na interrupção da transmissão do HIV.

A orientação descreve os principais limites de carga viral do HIV e as abordagens para medir os níveis de vírus em relação a esses limites; por exemplo, pessoas vivendo com HIV que atingem um nível indetectável de vírus pelo uso consistente de terapia anti-retroviral, não transmitem o HIV para seu (s) parceiro (s) sexual (is) e têm baixo risco de transmitir o HIV verticalmente para seus filhos. A evidência também indica que há risco insignificante, ou quase zero, de transmissão do HIV quando uma pessoa tem uma medida de carga viral de HIV menor ou igual a 1000 cópias por ml, também comummente referida como tendo uma carga viral suprimida.

A terapia anti-retroviral continua a transformar a vida das pessoas que vivem com HIV. As pessoas que vivem com HIV que são diagnosticadas e tratadas precocemente, e que tomam a medicação conforme prescrito, podem esperar ter a mesma saúde e expectativa de vida que pessoas sem HIV.

“Por mais de 20 anos, países de todo o mundo confiaram nas directrizes baseadas em evidências da OMS para prevenir, testar e tratar a infecção pelo HIV”, disse o Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, director-geral da OMS. “As novas directrizes que estamos publicando ajudarão os países a usar ferramentas poderosas com o potencial de transformar a vida de milhões de pessoas que vivem com HIV ou correm o risco de contrair o HIV.”

No final de 2022, 29,8 milhões das 39 milhões de pessoas vivendo com HIV estavam em tratamento anti-retroviral (o que significa 76% de todas as pessoas vivendo com HIV), com quase três quartos delas (71%) vivendo com HIV suprimido. Isso significa que, para aqueles com supressão viral, sua saúde está bem protegida e eles não correm o risco de transmitir o HIV para outras pessoas. Embora este seja um progresso muito positivo para adultos vivendo com HIV, a supressão da carga viral em crianças vivendo com HIV é de apenas 46% – uma realidade que precisa de atenção urgente.

Confira uma visão geral de outras actualizações científicas e normativas importantes lançadas pela OMS na Conferência IAS 2023:

 

HIV e mpox

Uma análise dos dados de vigilância global relatados à OMS durante o surto de mpox em vários países identificou que entre mais de 82.000 casos de mpox, cerca de 32.000 casos tinham informações sobre o status de HIV. Dentre eles, 52% viviam com HIV, sendo a maioria homens que fazem sexo com homens (HSH); e mais de 80% relataram sexo como a via mais provável de se infectar com mpox.

Entre 16.000 pessoas diagnosticadas com mpox e vivendo com HIV, cerca de um quarto (25%) apresentava doença avançada por HIV ou imunossupressão – levando a um risco aumentado de hospitalização e morte. As pessoas vivendo com HIV que estavam em tratamento para o HIV e com boa imunidade tiveram hospitalização e desfechos de morte semelhantes aos daqueles que eram HIV negativos.

À luz dessas descobertas, a OMS recomenda que os países integrem a detecção, prevenção e tratamento de mpox com programas existentes e inovadores de prevenção e controle de HIV e infecções sexualmente transmissíveis.

Para entender como se preparar melhor e responder a futuros aumentos na transmissão de mpox, a OMS conduziu uma pesquisa eletrônica rápida em maio de 2023 para avaliar as experiências da comunidade do surto de mpox de 2022-2023 na Europa e nas Américas.

Mais de 24.000 pessoas participaram da pesquisa, que se concentrou em homens que fazem sexo com homens e pessoas trans e de gênero diverso, com 16.875 indivíduos elegíveis completando a pesquisa. Quase 51% mudaram seu comportamento sexual (como reduzir o número de parceiros sexuais) e 35% mantiveram essas mudanças um ano depois. Os resultados desta pesquisa fornecem informações valiosas sobre as experiências e necessidades das comunidades afectadas e enfatizam a importância de aumentar o acesso à vacinação e diagnósticos de mpox globalmente.

 

HIV e Covid-19

Uma análise actualizada da plataforma clínica global da OMS para Covid-19 até maio de 2023 revelou um alto risco persistente de morte em pessoas vivendo com HIV hospitalizadas por Covid-19 nas ondas variantes pré-Delta, Delta e Omicron, com uma taxa geral de mortalidade hospitalar de 20% a 24%. Para pessoas sem HIV, o risco de morte caiu durante a onda variante Omicron em 53%—55% em comparação com as ondas variantes pré-Delta e Delta; mas para as pessoas que vivem com HIV, o declínio percentual na mortalidade durante o período da onda Omicron em comparação com as outras ondas foi modesto (16%-19%). Essa diferença resultou em um risco 142 vezes maior de morte entre pessoas vivendo com HIV em comparação com pessoas sem HIV durante o período da onda Omicron.

Os factores de risco para morte intra-hospitalar comuns em todas as ondas variantes da pandemia foram baixa contagem de CD4 (menos de 200 células por m3) e doença grave ou crítica por Covid-19 na admissão hospitalar.

“O HIV descontrolado continua sendo um factor de risco para resultados ruins e morte no surto de mpox e na pandemia de Covid-19”, disse a Dra. Meg Doherty, Directora dos Programas Globais de HIV, Hepatite e Infecções Sexualmente Transmissíveis da OMS. “Devemos garantir a integração das considerações sobre o HIV na preparação e resposta à pandemia. Proteger as pessoas que vivem com HIV de futuras pandemias é vital e reforça a necessidade de garantir o acesso a testes e tratamentos de HIV e vacinas preventivas para mpox e Covid-19 para salvar vidas; respostas lideradas pela comunidade que funcionam para o HIV também serão benéficas para enfrentar futuras pandemias.”

Optimização dos serviços de testagem de HIV por meio de opções de teste expandidas e prestação de serviços simplificada

Com novas recomendações sobre testagem de HIV, a OMS está pedindo aos países que expandam o uso do autoteste de HIV e promovam o teste por meio de redes sexuais e sociais para aumentar a cobertura de testagem e fortalecer a aceitação de serviços de prevenção e tratamento de HIV em ambientes de alta carga e em regiões com as maiores lacunas na cobertura de testagem.

A recomendação vem em um momento crucial, onde o autocuidado e o autoteste são cada vez mais reconhecidos como formas de aumentar o acesso, a eficiência, a eficácia e a aceitabilidade dos cuidados de saúde em muitas áreas diferentes de doenças, incluindo o HIV (OMS).

Jornal Profundus

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