Chemba: Suspensa greve de trabalhadores do Açúcar Orgânico de Tsoni

Estava marcada para ontem quinta-feira, uma greve de trabalhadores da empresa ECOFARM, no distrito de Chemba, na província de Sofala. Mas, pelo sonho de se ver sucesso nas famílias e na firma, vários actores estiveram “mergulhados” no caso para mediarem, estando agora suspensa a manifestação.

Sobre o caso, além do Governo de Chemba, “molhou-se” com as leis vigentes e princípios trabalhistas, a equipa da “Inspecção-Geral de Trabalho de Sofala, da OTM-CS de Sofala e de Mediação de conflitos laborais”. Foi um sucesso por agora, porque como diz o adágio “quem sente fome, um dia equivale a uma década”- é o caso dos trabalhadores que suspenderam a greve na quarta-feira (10.01).

Em causa, está o “atraso salarial de [dois meses], falta de equipamentos de trabalho, descontos e expulsão de trabalhadores sem respeitar a lei de trabalho”.

A equipa multissectorial manteve encontros separados com a empresa, com representantes dos trabalhadores e depois com a maioria dos empregados.

Agora os trabalhadores aguardam pelos respectivos salários em atraso até ao dia dos namorados, 14 de fevereiro, começando faseadamente no dia 24 de janeiro recente; equipamentos a serem adquiridos até à primeira quinzena de abril; os descontos enquanto as expulsões já vão obedecer a lei actualizada.

A greve está suspensa até ao dia dos namorados, se o acordo não for cumprido.

São dados confirmados pelo administrador de Chemba, Paulo Raposo que espera compreensão das partes envolvidas.

Em Moçambique, parece que virou moda algumas empresas, principalmente, do sector privado não cumprirem os acordos. A diferença com o Estado é o policiamento depois do incumprimento que dá origem a greve, aliás, a marcha com “bons olhos” é aquela dos camaradas, habitualmente para “saudar pelos esforços empreendidos no sentido de…”, mas quando é protagonizada por cidadãos ou ONG, a interpretação pode resultar em balas verdadeiras. (Muamine Benjamim).

Filosofia: Dos 113 passaram 8 alunos na ESG de Lamego

Dos 113 inscritos na disciplina de Filosofia, oito alunos foram aprovados nos exames para ensino à distância da 12ª Classe, na Escola Secundária Geral de Lamego. É um assunto que abre reflexão pela qualidade de ensino e aproveitamento pedagógico, não só para o distrito de Nhamatanda, na província de Sofala.

Não se sabe exactamente, se o maior número de alunos reprovados é justificado pela luta de qualidade de ensino para a formação de quadros qualificados ou mesmo é pela influência das metodologias ou condições do processo de ensino-aprendizagem, na ESG de Lamego.

Em outras palavras, até então, é difícil apurar se o erro está com os 105 alunos “desinteressados” ou mesmo no professor ou escola. O difícil ainda é saber quem deve melhorar. Mas, independentemente da culpa, a verdade é que reprovar é um retrocesso, também aprovar sem qualidade é perigoso para a sociedade.

Esta informação chegou de surpresa ao director distrital do Serviço Distrital de Educação, Juventude e Tecnologia (SDETJ) em Nhamatanda, numa entrevista do dia 15 de dezembro de 2023, depois da XI Sessão Ordinária do Governo, para mais tarde confirmar o facto e garantir um trabalho a se fazer internamente.

O director do SDEJT, Sérgio Raposo avaliou que a ESG de Lamego era das melhores, considerando que o primeiro e segundo trimestres de 2023, o aproveitamento pedagógico estava acima de 98 por cento, mas no final do ano, percebeu-se que os alunos não adquiriram as competências necessárias, especificamente, na disciplina de Filosofia. Conclusivamente, o director distrital disse que não houve acompanhamento escolar adequado.

Já há reacções pelas redes sociais depois de uma publicação de protesto: “vamos na protestação pessoal, 12ª Classe, passaram 8 pessoas só haaa. Pessoal, está-se mal pha, amanhã todos na minha casa [para] repetirmos exame de Filosofia ou na protestação, todos na praça amanhã. Se está comigo manda parabéns para ESG Lamego, dizendo que te amo minha escola”. Lê-se numa publicação do Facebook, possivelmente de um aluno daquela escola. De seguida as reacções: “Passaram 8 pessoas só lá? É por isso [que] eu neguei estudar lá. Comentou um. “Triste isso”, reagiu outro.

Sobre essas dúvidas, quem poderia dar alguma pista é o director daquela escola, em comunicação ao “Profundus”, o dirigente garantiu que ainda não está autorizado a falar sobre o assunto.

Ora, o aproveitamento pedagógico escolar conta com as condições da escola, processo de ensino-aprendizagem, desde metodologias, capacidades do professor ao interesse dos educandos. Mas fisicamente, a Escola Secundária Geral de Lamego aparenta ter requisitos aceitáveis, apesar de estar num distrito, habitualmente, assolado por ciclones.

A Filosofia, literalmente amor” pela sabedoria” é o estudo de questões gerais e fundamentais sobre a existência, conhecimento, valores, razão, mente e linguagem, frequentemente colocados como problemas a serem resolvidos.

As perguntas que não querem se calar, a disciplina de Filosofia 12ª Classe é tão difícil assim? Os alunos são tão desinteressados assim? Ou o professor é tão inteligente ao ponto de só oito alunos entenderem a sua matéria? O que está a falhar exactamente para um aproveitamento pedagógico desse?

Em Moçambique, ultimamente, quem chumba ou reprova numa classe de exame, deve repetir no próximo ano. Já não há segunda época. Ora, não transitar de classe faz parte do processo de ensino-aprendizagem, mas o “excesso” é preocupante, mesmo para o caso de aprovações. Contra isso, é preciso reflexão para o sucesso das escolas e alunos, pois, um Homem bem formado é maior possibilidade para a solução de problemas na sociedade. (Muamine Benjamim).

Campira: O casal da Gorongosa com corações em que cabem todos

Geraldo Campira e Zarleta Bueza vivem maritalmente na zona de Cilindro, distrito de Gorongosa, na província de Sofala. É um casal de camponeses com condições que deixam a desejar, mas cuida mais de 16 crianças desfavorecidas não familiares, além dos seus seis legítimos.

Para quem pensa que é só nas cidades que existe o amor ao próximo ou é pelas condições que alguém pode ajudar, está enganado. Há também nas zonas rurais. Se não consegue apoiar na condição em que está, quando tiver poderá ser difícil ou mesmo tarde. Esta é a teoria do casal Campira.

O casal já é interpretado como anormal “louvor” nas comunidades pelo trabalho humanitário. Tudo começou quando um militar Afonso Fernando Jaime casou-se e teve dois filhos. Até 2020, foi ao chamamento de Ordem para defender a pátria no Norte de Moçambique. O homem desde que foi a Cabo Delgado, não regressou e muito menos fez sinal a família.

No fim de 2020, a esposa de Afonso Fernando Jaime faleceu deixando os dois filhos que juntos fizeram, no interior de Cilindro. Mas antes deste militar, a mulher viveu maritalmente com outro homem resultando oito filhos.

Dos oito irmãos, dois faleceram depois de fazerem quatro e três filhos, respectivamente. Estas quatro crianças têm sido abandonadas, ocasionalmente, pela mãe que cuida do pai doente depois de falecer a esposa.

São seis restantes dos oito filhos, mais sete filhos dos irmãos falecidos e seis do próprio casal, dependentes da produção agrícola do casal. É um número que na fala com Zareta dificilmente consegue lembrar até nomes e idades. Incluindo familiares que também recorrem ali, chegam 20 pessoas na mesma residência. “Neste tempo de fome, não imagina”, descreve a esposa de Campira, de 40 anos de idade.

As crianças que o casal Campira cuida recebem todo tipo de apoio, sem descriminação. “Até quando estão doentes, eu mesmo me preocupo em tratá-las sem estranhar”, descreve a esposa Zareta. Deve ser por causa disso que tem o sonho de ser enfermeira, já que este ano, a cuidadora vai fazer 10ª Classe na Escola Secundária Geral 25 de Setembro

“Na semana passada, a mãe dos três miúdos [que o pai faleceu] veio levá-los, mas já lhes tínhamos matriculado”. Conta Zareta que quando esteve na vila da Gorongosa, a progenitora veio levar as crianças.

“Não estou a ver o motivo de ela [mãe] levar as crianças”, admira Zareta, acrescentando que foi aquela mesma progenitora que teria abandonado os miúdos. “Acho que a meu ver, os levou para ir brincar”.

Por conta desta situação, Zareta diz que está muito confusa quando tenta associá-la aos “direitos da criança e da mulher”. Todos em idade escolar estudam na responsabilização do casal Campira, além de outras de precisar de apoio como descreve o par.

Zareta com mais de 16 pessoas por cuidar na casa, desempenha o papel de esposa, mãe, cuidadora, responsável de educação e aluna, ao mesmo tempo. É uma das raras mulheres. Cilindro fica ao redor do Parque Nacional da Gorongosa, pela Estrada Nacional Número Um (EN1).

Pela terra fértil da Gorongosa, o casal Campira produz vários excedentes. Especificamente, desde 2020, Zareta produz hortícolas. E por essa fertilidade, o distrito de Gorongosa é o primeiro senão o segundo depois de Nhamatanda em produção e produtividade ainda na Zona de Desenvolvimento Sustentável do PNG, província de Sofala.

Zareta diz que é graças ao apoio do marido para prestar o trabalho humanitário.

O casal Campira sonha por projectos do Parque Nacional da Gorongosa (PNG) e do Governo. Por agora, pede aos “corações moles”, vestuário para os miúdos, além de apoio escolar dos futuros gestores de Moçambique. (Luísa Franque e Muamine Benjamim).

Taxa global de desemprego vai aumentar em 2024

O Relatório da Organização Internacional do Trabalho, OIT, alerta que com menos oportunidades laborais, cresce preocupação com desigualdade social; aumento do desemprego global é reflexo de recuperação desigual após a pandemia.

A taxa global de desemprego está prevista para aumentar em 2024, enquanto crescentes desigualdades sociais causam preocupação, revela relatório da Organização Internacional do Trabalho, OIT.

Segundo o levantamento, o desemprego e o deficit de empregos caíram abaixo dos níveis pré-pandémicos, mas o desemprego global aumentará em 2024. A OIT explica que embora o mercado de trabalho tenha mostrado resiliência, a recuperação da pandemia permanece desigual, com novas vulnerabilidades e crises prejudicando as perspectivas de justiça social.

 

Recuperação desigual 

O relatório prevê um piora tanto na perspectiva do mercado de trabalho quanto no desemprego global em 2024, com um aumento estimado de 2 milhões de pessoas à procura de emprego, elevando a taxa global de desemprego de 5,1% em 2023 para 5,2% em 2024.

A renda disponível diminuiu na maioria dos países do G20 e, de modo geral, a erosão dos padrões de vida resultante da inflação é “pouco provável de ser compensada rapidamente”. Além disso, diferenças importantes persistem entre países de renda mais alta e mais baixa.

Enquanto a taxa de lacuna de empregos em 2023 foi de 8,2% em países de alta renda, chegou a 20,5% no grupo de baixa renda. Da mesma forma, enquanto a taxa de desemprego de 2023 se manteve em 4,5% em países de alta renda, foi de 5,7% em países de baixa renda.

 

Pobreza no trabalho

Além disso, a OIT afirma que a pobreza no trabalho deve persistir. Apesar de diminuir rapidamente após 2020, o número de trabalhadores vivendo em extrema pobreza, ou seja, aqueles que ganham menos de US$2,15 por pessoa por dia em termos de paridade de poder de compra, cresceu cerca de 1 milhão em 2023.

O número de trabalhadores vivendo em pobreza moderada, com menos de US$3,65 por dia por pessoa, aumentou em 8,4 milhões em 2023. Estima-se que cerca de 58% da mão-de-obra global permanecerá no trabalho informal em 2024.

O retorno às taxas de participação no mercado de trabalho pré-pandémicas tem variado entre diferentes grupos, com destaque para a persistente disparidade de género, desafios na taxa de desemprego juvenil e dificuldades na reentrada ao mercado de trabalho pós-pandemia.

Segundo a OIT, a produtividade do trabalho, após um breve impulso pós-pandemia, retornou aos níveis baixos observados na década anterior, dificultando a recuperação económica sustentada.

 

Situação geral

O director-geral da OIT expressa grande preocupação diante das análises do relatório, indicando que os desequilíbrios destacados podem ser não apenas parte da recuperação pós-pandemia, mas também estruturais.

Para ele, os desafios identificados na força de trabalho representam uma ameaça tanto para os meios de subsistência individuais quanto para as empresas, sendo essencial abordá-los de maneira eficaz e rápida.

Segundo o chefe da OIT, a queda nos padrões de vida e a baixa produtividade combinadas com a inflação persistente criam condições para ampliar a desigualdade e minam os esforços para alcançar a justiça social. “Sem justiça social, nunca teremos uma recuperação sustentável”, afirma. (ONU).

Covid-19: Dezembro fechou com 10 mil óbitos

A OMS (Organização Mundial da Saúde) informou na quarta-feira (10) que quase dez mil mortes relacionadas à Covid-19 ocorreram em dezembro no mundo. Houve um aumento de 42% nas internações hospitalares em cerca de 50 países, principalmente na Europa e nas Américas, e um acréscimo de 62% nas entradas em UTIs em comparação com novembro.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que, embora dez mil óbitos por mês represente uma estatística bem abaixo em relação ao pico da pandemia – em março de 2021 foram quase 80 mil só no Brasil, segundo o Ministério da Saúde –, “esse número de mortes evitáveis não é aceitável”. A declaração acontece no momento em que a nova variante JN.1 se tornou a mais relatada do coronavírus em todo o mundo.

Tedros afirmou que casos estão aumentando em outros países, embora não reportados. Com isso, o governante pediu aos governos, a vigilância e acesso contínuo a tratamentos.

Tedros, também estimulou as pessoas a se vacinarem, realizarem testes, usarem máscaras quando necessário e garantirem boa ventilação em espaços fechados e cheios.

Maria Van Kerkhove, da agência global de saúde para a Covid-19, observou um aumento de doenças respiratórias em todo o mundo, incluindo a Covid-19, gripe, rinovírus e pneumonia.

Kerkhove prevê que essas tendências continuem em janeiro, durante os meses de inverno no hemisfério norte.

A OMS declarou o fim da pandemia em maio de 2023, após mais de três anos desde a detecção inicial em Wuhan, na China.

 

Vírus respiratórios em alta nas Américas, alerta Opas

A Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) emitiu na quarta-feira (10) uma actualização epidemiológica destacando o aumento da actividade do SARS-CoV-2, ou coronavírus, e de outros vírus respiratórios nas Américas desde o final de agosto de 2023. A situação é particularmente significativa no Brasil, Cone Sul, países andinos e América do Norte.

O comunicado traz recomendações para reforçar a vigilância e a resposta dos sistemas de saúde, especialmente diante dos surtos de outras doenças transmissíveis.

Em 2023, foram registados níveis elevados de doenças respiratórias agudas na região, impulsionados pela presença do SARS-CoV-2, influenza e vírus sincicial respiratório.

A actividade do SARS-CoV-2 permaneceu em níveis intermediários a altos nas últimas quatro semanas epidemiológicas registadas. Na Argentina, houve um aumento percentual de infecções nesse período, enquanto no Brasil a circulação do vírus permanece alta, embora com uma diminuição.

No Chile, a actividade manteve-se muito alta, com casos de gripe ultrapassando o limite epidémico.

No Paraguai, a circulação do coronavírus continua em níveis moderados, seguindo uma tendência de aumento. A infecção respiratória aguda grave está diminuindo para níveis epidémicos, sendo a maioria dos casos atribuíveis ao SARS-CoV-2. (A Referência).

Encerradas 2 instituições de ensino técnico-profissional ilegais em Sofala

Duas instituições de ensino técnico-profissional ilegais acabam de ser encerradas na província de Sofala, Centro de Moçambique.

Os estabelecimentos funcionavam nos distritos da Beira e Nhamatanda, ministrando diversos cursos, sem docentes qualificados.

O director do Serviço Provincial de Assuntos Sociais, em Sofala, Luís Meno, disse que as irregularidades foram detectadas durante uma inspecção levada a cabo pela Autoridade Nacional de Ensino Técnico Profissional.

Luís Meno apela aos estudantes para que, antes de inscrição, se certifiquem da legalidade das instituições.

Os dois institutos politécnicos funcionavam de forma ilegal já há uns anos. (RM).

Atropelamento de repórter: MISA exige responsabilização do director do SDETJ – Nacala

O MISA Moçambique tomou conhecimento do atropelamento, na segunda-feira, dia 8 de janeiro de 2024, do repórter Filesmar Essiaca Agostinho, pelo director distrital da Educação de Nacala-Porto, na província de Nampula, Norte de Moçambique. Correspondente da Tv Sucesso, em Nacala-Porto, Filesmar Agostinho foi atropelado quando tentava obter reacção do director distrital da Educação sobre reivindicações de professores, que incluem atrasos salariais e pagamento de horas extraordinárias.

O repórter acabava, pois, de entrevistar professores que se se tinham amotinado defronte da Direcção distrital da Educação de Nacala, em reivindicação de seus direitos, entre eles atrasos salariais, pagamento de horas extraordinárias e enquadramentos na Tabela Salarial Única, quando procurou ouvir Alexandre Mário, o director distrital.

Em contacto com o MISA, Filesmar Essiaca Agostinho explicou que, uma vez que na Direcção Distrital da Educação, o repórter e o seu colega de imagem foram informados que o director se encontrava reunido, pelo que, se estivessem interessados, deviam aguardá-lo.

A equipa aguardou durante cinco horas. No fim da reunião, a equipa procurou falar com o director, mas, novamente, foi orientada a esperar. No entanto, a dado passo, a equipa viu o director a sair do gabinete em direcção ao local onde estava estacionada a sua viatura. Nessa altura, a equipa da Tv Sucesso, em Nacala, que já contactava o director distrital da Educação há mais de duas semanas, sem que Alexandre Mário respondesse aos contactos telefónicos, foi interpelar o dirigente.

Filesmar Essiaca Agostinho ainda tentou lançar perguntas ao director, mas, arrogante, conta o repórter, o director distrital da educação não se dignou a responder.

Pelo contrário, meteu-se na viatura do Estado, arrancando à alta velocidade. Foi nessas circunstâncias que o dirigente atropelou o repórter na perna esquerda. Além do atropelamento, Alexandre Mário danificou parte do equipamento de trabalho da televisão. Depois do sucedido, o director não prestou assistência à vítima, que foi socorrida por populares ao Hospital Geral de Nacala-Porto. Aliás, mesmo depois da ocorrência, o repórter continuou a ligar para o director, mas Alexandre Mário continuou a ignorar a ligação.

Na unidade sanitária, o repórter foi submetido à colocação de gesso, tendo o médico ortopedista lhe imposto um repouso de 30 dias, portanto, um mês sem trabalhar, com controlos regulares a cada três dias. Esta quarta-feira, 10 de janeiro, o MISA entrou em contacto com o director distrital da educação de Nacala-Porto para obter a sua reacção sobre os factos. No entanto, após a descrição do assunto, Alexandre Mário esboçou um sorriso, para depois responder nos seguintes termos: “o ideal é ir à TV Sucesso para recolher as informações ao repórter. Eu estarei disposto a fazer contraditório em fóruns próprios e muito obrigado”, respondeu o director, que terminou a chamada imediatamente, enquanto o MISA ainda lhe colocava perguntas.

 

Posicionamento

O MISA Moçambique condena a repugnante atitude do director distrital da Educação de Nacala-Porto. Mais do que repugnante, a actuação do dirigente configura um grave atropelo à liberdade de imprensa e o acesso à informação. Além de consubstanciar um grave atropelo à liberdade de imprensa, a atitude de Alexandre Mário representa, igualmente, uma negação ao direito à informação a jornalistas e, por seu intermédio, ao direito à informação que assiste aos cidadãos.

O MISA lembra que, na República de Moçambique, a liberdade de imprensa, de expressão e o acesso à informação são direitos fundamentais com cobertura constitucional e consagrados em leis ordinárias, nomeadamente a Lei 18/91, de 10 de Agosto (Lei de Imprensa) e da Lei nº 34/2014, de 31 de Dezembro (Lei do Direito à Informação). Por isso, a conduta do director distrital da Educação configura um grave atropelo ao quadro constitucional e legal que regula o funcionamento da comunicação social, em Moçambique.

Com efeito, o MISA Moçambique reserva-se ao direito de tomar medidas legais que julgar necessárias para a responsabilização do director distrital da Educação de Nacala-Porto por este flagrante atropelo às liberdades de imprensa e ao direito à informação. No entanto, o MISA insta as autoridades da justiça, em Nacala, a actuarem de forma exemplar para a responsabilização do director distrital da Educação, desde logo no âmbito do processo-crime aberto esta quarta-feira, 10 de Janeiro de 2024, no Comando Distrital da Polícia da República de Moçambique (PRM), pelo repórter Filesmar Essiaca Agostinho.

Enquanto Estado de Direito Democrático, não podemos tolerar nem permitir que repórteres sejam atropelados e seus agressores continuem impunes como se não tivessem protagonizado um grave atentado à liberdade de imprensa. O que o repórter Filesmar Agostinho procurou fazer não é crime. Pelo contrário, o repórter estava a cumprir um dos fundamentos basilares do jornalismo, o contraditório, o que é salutar e característico do bom jornalismo.

Além das implicações legais, o MISA entende que a actuação de Alexandre Mário em nada dignifica o Estado; a actuação de um funcionário do Estado; muito menos de alguém que ocupa um cargo de direcção. Por isso, o MISA Moçambique insta a quem de Direito a distanciar-se destes actos repugnantes cometidos por um servidor público de nível de direcção, em Nacala. O Estado deve, pois, enviar uma mensagem de que não compactua com este e quaisquer outros actos atentatórios à liberdade de imprensa, de expressão e ao acesso à informação, cometidos por seus funcionários e, ainda mais, em cargos de direcção. (MISA).

Novo Programa da Gorongosa apoia IFPELAC com 12 milhões de meticais

Este ano, centenas de jovens e mulheres passarão a se formar no Centro de Formação Profissional de Gorongosa (CFP) – instituição pública, depois do desembolso de cerca de 12 milhões de meticais do Programa Desenvolvimento Sustentável de Meios de Subsistência para as Comunidades da Zona Tampão da Gorongosa (SLDP, sigla inglesa). Este apoio resulta do Memorando de Entendimento assinado entre o IFPELAC e Projecto de Restauração da Gorongosa, em setembro do ano em curso.

O CFP do Instituto de Formação de Profissional e Estudos Laborais Alberto Cassimo (IFPELAC) iniciou a sua construção há sete anos. Por falta de fundos estava com futuro incerto para o fim das obras. Mas com o apoio do SLDP, em quatro meses será terminada e entregue este mês janeiro.

A procura de cursos profissionais é maior. Muitos jovens têm recorrido a instituições localizadas noutros distritos ou até províncias. Esta é a realidade do distrito de Gorongosa. No entanto, este problema poderá ser minimizado ao entrar em funcionamento o CFP local que oferecerá cursos com a duração de três a seis, nas áreas de Processamento de Alimentos e Restauração: Processamento de Vegetais, Frutas, Grãos e Cereais, Empregado de Mesa e Artes Culinárias e Gastronomia; e Construção Civil: Canalização e Pedreiro.

“Centro de Formação Profissional de Gorongosa quer formar anualmente, cerca de 160 jovens com especial atenção a mulheres, desde que tenham terminado a 7ª, 10ª ou 12ª Classe”.

IPPLAC Gorongosa

O Delegado Provincial do IFPELAC, Saraiva Chicumule reconhece que “a formação profissional contribui significativamente para a empregabilidade dos jovens porque tornam-nos mais competitivos para o mercado”.

O projecto de construção do Centro de Formação Profissional de Gorongosa teve três fases: (1) através do orçamento provincial (com o qual foram construídas três salas de aulas, bloco administrativo e uma oficina multiuso; (2) através do orçamento do IFPELAC a nível central (com o qual foi construída uma oficina para a área de processamento de alimentos, uma casa para o director do CFP, um sistema de abastecimento de água e requalificação do bloco administrativo; e (3) através do financiamento do SLDP para a construção e apetrechamento de novos edifícios, nomeadamente, armazém, balneários, requalificação da oficina de agroprocessamento e restaurante.

O centro ainda não está a funcionar. Com apoio do PNG, “vamos dar maior resposta ao distrito, em termos de jovens qualificados para competir no mercado. Estamos a receber apoio do PNG para termos abertura formal do Centro”, disse Saraiva Chicumule.

Segundo o gestor do Programa SLDP, Edson Carneiro, “o apoio resulta de uma parceria estratégica que vai responder os principais objectivos do projecto que são de facto empoderar as mulheres jovens e dotá-los de habilidades e ferramentas para que possam criar auto-emprego”.

As áreas de formação do CFP de Gorongosa estão alinhadas com os principais pilares do SLDP, nomeadamente, Agricultura, Nutrição, Meios de vida Sustentáveis, “acreditamos que capacitando os jovens, mães-modelo e pais-modelo, estaremos a contribuir para maior disponibilidade, acesso e utilização de alimentos seguros e nutridos”.

O SLDP Gorongosa visa contribuir para a melhoria das condições socioeconómicas das comunidades da Zona Tampão do PNG, através de implementação de intervenções que contribuam o aumento da produção agrícola, a melhoria dos índices de nutrição, o fornecimento de água de qualidade e saneamento básico do meio, bem como iniciativas de promoção de saúde sexual e reprodutiva.

Edson Carneiro avançou que foram desembolados cerca de 12 milhões de meticais, deste valor, espera-se que 8 milhões sejam aplicados na construção e apetrechamento de novos edifícios, nomeadamente, armazém, balneários, sala de agroprocessamento e restaurante do Centro de Formação Profissional de Gorongosa.

O SLDP com maior enfoque nas mulheres e jovens, abrange os distritos de Cheringoma, Dondo, Gorongosa, Maringué, Muanza e Nhamatanda. Vai também, contribuir para o reflorestamento e conservação da biodiversidade.

O SDLP é financiado pela Embaixada dos Países Baixos em Moçambique e implementado pelo Projecto de Restauração da Gorongosa em parceria com a Resiliência e Right to Play. (Progressus).

Moçambique ainda sem risco: “Sistema” já formado na Ilha de Madagáscar

Já formou-se no vizinho Madagáscar, um sistema de baixa pressão que nos próximos dias, poderá evoluir para Tempestade Tropical Moderada, mas ainda não é perigo para Moçambique.

“Formou-se a nordeste da Ilha de Madagáscar, na bacia do sudoeste do Oceano Indico, um sistema de baixa pressão atmosférica, com potencial de evoluir ao estágio de Tempestade Tropical Moderada no dia 14 de janeiro de 2024, próximo a costa leste de Madagáscar. Contudo, ainda não constitui perigo para o canal de Moçambique bem como a parte continental do nosso país”. Lê-se num comunicado de hoje, do Instituto Nacional de Meteorologia (INAM).

Lembre-se que até dia 2 de janeiro recente, a Tempestade Tropical Severa “Alvaro” chegou de enfraqueceu para Depressão Tropical, sem constituir perigo no canal de Moçambique. (Profundus).

Sofala é uma riqueza ainda por descobrir

Sofala é uma província moçambicana. Situa-se na região central do país, com longa costa, numa reentrância do canal de Moçambique. A respectiva capital, a cidade da Beira, situa-se no litoral e fica situada a 1.190 quilómetros a norte da capital Maputo.Sofala é um destino turístico perfeito para os que desejam combinar o entretenimento e a natureza. A província é considerada o berço da Reserva de Búfalos de Marromeu, e do Parque Nacional da Gorongosa.Só na Gorongosa, existem diversos ecossistemas, nomeadamente, pradarias, savanas e florestas de altitude. Ao nível da fauna, vai encontrar antílopes, leões, elefantes, crocodilos, hipopótamos e mais de 300 espécies de aves diferentes. Depois de 16 anos da guerra civil, a reconstrução envolveu também o desenvolvimento de ecoturismo, tendo em consideração o respeito pelo meio natural.Ainda na Gorongosa, o Montebelo Gorongosa Lodge, em Chitengo, está integrado no Parque e disponibiliza bungalows, vilas, uma área para campismo e diversos serviços, tais como restaurantes, piscinas, percursos pedestres, safaris e outras actividades.Sofala é um tesouro achado em Moçambique, capaz de oferecer aos visitantes a possibilidade de conviver com a rica flora, a emoção de observar várias espécies selvagens como os elefantes, os leões, os leopardos e muitos outros animais.A capital, Beira, é a segunda maior cidade do país e tem o maior parque industrial nacional e porto mais eficiente na África Austral e o sexto com maior rapidez no manuseamento de carga na África Subsaariana, segundo a classificação do Banco Mundial.Beira oferece uma vasta lista de hotéis equipados para acolher uma variedade de eventos nacionais e internacionais.Para os amantes de história, Sofala oferece uma vasta lista de atracções, desde a Catedral da Beira, a Estação Ferroviária, o Farol do Rio Macuti e o Grande Hotel. As praias Nova e de Savane, as misteriosas grutas de Kodzué, as fantásticas cascatas de Morumbodzi, a serra da Gorongosa, onde se pode ouvir o canto do endémico “papa-figos de cabeça verde”, fazem parte do leque de sugestões para os amantes da natureza. E entre outras riquezas menos colocadas no livro ou vistas e que ainda precisam de descobertas, em Sofala. (Muamine Benjamim).

Jornal Profundus

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