Famoso mercado “Waresta” com imundície

As chuvas que se fizerem sentir na semana passada, na cidade de Nampula, deixam marcas deploráveis, com destaque para a principal via de acesso do mercado grossista “Waresta”. A insuficiência de higiene e saneamento do meio naquele local são um dos motivos.

O cenário já provoca mal-estar logo na entrada do mercado, colocando em causa a saúde pública. O facto não é novidade em épocas chuvosas.

Do outro lado, continuam as taxas cobradas aos munícipes vendedores. ( Profundus).

Recém-formados da saúde desafiados a prestarem serviços de qualidade

Profundusmz.com

O Instituto de Ciências da Saúde de Nhamatanda (ICSN) graduou 40 profissionais, na sua maioria jovens oriundos de diferentes províncias do país. Todos são desafiados a garantirem serviço de saúde de qualidade para a população, independentemente do tempo e espaço.

Trata-se de 20 formados no 2° curso de Técnicos de Medicina Geral – Promoção e do 9° curso de Enfermagem Geral, com a duração de um ano e dois anos, respectivamente.

O secretário permanente, José Tomás Lopes que falava em representação do administrador de Nhamatanda espera que os profissionais venham “contribuir na melhoria dos cuidados de saúde da população, através do melhor servir ao cidadão nos vários cantos do país”.

O curso de Técnicos de Medicina Geral – Promoção tinha apenas duas mulheres e o de Enfermagem Geral, com seis mulheres. Para o ingresso a cursos iniciais é com 10ª classe feita.

“Apelamos a todos graduados no cumprimento escrupuloso da missão que lhes espera”, disse Lopes, exortando que “apliquem todos conhecimentos obtidos nesta formação em busca de um serviço de saúde de qualidade e bem-estar da população”.

José Lopes falava momentos após a graduação de 40 profissionais da saúde, no passado sábado por sinal penúltimo do ano em curso. (Muamine Benjamim).

Nhamatanda: Cerca de 64.332 munícipes poderão recorrer a nova ambulância

São cerca de 3.375.000 meticais gastos para a nova ambulância já entregue pelo presidente do Conselho Municipal da Vila de Nhamatanda, na província de Sofala, Centro de Moçambique.

Os 12 bairros da vila municipal de Nhamatanda somando cerca de 64.332 munícipes poderão recorrer àquele transporte em coordenação com o Hospital Rural de Nhamatanda. Além de dentro da vila municipal, em situações de emergência, os cidadãos poderão ser socorridos pela nova ambulância para o Hospital Central da Beira e vice-versa.

A aquisição da ambulância foi mesmo para atender aos munícipes da vila de Nhamatanda. Sendo entregue em tempos de festas, também serviu de “um desejo de boas festas para eles [munícipes] ”. O ano já está no fim”, lembrou o edil do Conselho Municipal da Vila de Nhamatanda, António Charumar João, durante a entrevista, momentos após a entrega do carro, na penúltima sexta-feira de 2023.

Na mesma ocasião, Charumar entregou 12 batuques a igual número de bairros da vila municipal de Nhamatanda e mais dois para zonas especificamente destacadas, um dos quais é o Centro de Reassentamento de Kura. (Muamine Benjamim).

Polícia mata moto-taxista a tiros na Cidade de Chimoio

Mais uma vítima pelas mãos da Policia da República de Moçambique (PRM). Desta vez, o morto por balas é Castigo Samuel que era moto-taxista, na cidade de Chimoio, na província de Manica. Autoridades confirmam.

De 24 anos de idade, o jovem foi morto no final de semana, alegadamente, por não ter obedecido à ordem de parar, durante uma patrulha policial, no bairro Trangapasso, arredores da capital provincial. “Tinha polícias a patrulharem, mandaram parar, o colega não parou, lhe balearam e foi falecer no hospital”, conta Mário, um dos colegas da vítima.

O porta-voz da PRM em Manica, Mateus Mindú explicou que a polícia teve uma denúncia de um assalto naquele bairro. Castigo Samuel foi confundido de fazer parte da quadrilha que acabava de assaltar a residência e se fazia transportar de motorizada.

A PRM em Manica diz que já decorrem diligências para apurar as reais causas do incidente e responsabilizar. Ao mesmo tempo, lamenta que ”não foi nossa intenção [a morte do jovem]”.

Dentro da residência, os malfeitores apoderaram-se de telemóveis, carteiras e outros bens. (Profundus).

Gorongosa confirma assassinato de 2 dos seus fiscais

 

O Parque Nacional da Gorongosa confirmou através de um comunicado que o “Profundus” teve acesso, o assassinato de dois dos seus fiscais, na manhã da última sexta-feira (15.12), no distrito de Muanza, dentro da província de Sofala, região central de Moçambique.

Trata-se de Lucas Marinho Vinte e Chadreque João Raposo, fiscais de Florestas e Fauna Bravia do Parque Nacional da Gorongosa (PNG), assassinados durante a patrulha.

“No dia 15 de dezembro, por volta das 8 horas da manhã, estes dois membros do Departamento de Conservação, sector de Fiscalização, do PNG, encontravam-se em missão de patrulha na zona do rio Mueredze (Zona Tampão do PNG), distrito de Muanza, quando foram atingidos mortalmente por balas disparadas por caçadores furtivos”.

“O incidente está a ser investigado pelas autoridades competentes”, lê-se no comunicado do PNG emitido ontem terça-feira. (PNG).

Marromeu: Desconhecidos incendiam viatura de Chefe das Operações

Indivíduos até aqui desconhecidos incendiaram, na madrugada de hoje, a viatura do Chefe de Organização e Operações do Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE) de Marromeu.

Trata-se de uma viatura de marca Toyota VITZ, cor cinzenta. Os vizinhos foram apagar o fogo, mas já tinha consumido parcialmente a viatura, sobretudo o motor.

Os desconhecidos incendiaram a viatura e se puseram em fuga. (CIP).

Nhamatanda: Escola de Professores do Futuro gradua 59 professores

A Escola de Professores do Futuro (EPF) graduou hoje segunda-feira, 59 professores, nas instalações da Ajuda para Desenvolvimento do Povo para Povo (ADPP), na localidade de Lamego, no distrito de Nhamatanda, em Sofala. Os novos profissionais são desafiados a serem dinâmicos, criativos e pacientes no desempenho das suas funções.

Trata-se de 59 professores do curso de formação de professores de ensino primário e educadores de adultos no modelo 12ª Classe +3. Deste número, 30 são mulheres e apenas 29 homens.

 

Desafiados a serem dinâmicos, criativos e pacientes

 

Segundo avançou a secretária de Estado em Sofala, Cecília Chamutota, neste modelo e com estes números recentes, Sofala vai somar “1.073 novos professores” a graduar este ano, destes “543 são mulheres”.

“Vos sois agentes transformadores, responsáveis pela mudança de comportamento nos vários estratos sociais, por isso, na vossa missão de educar, devolvam o espírito patriótico, sejam cumpridores das leis, dos princípios éticos e deontológicos, quadros que planificam, organizam e gerem de forma eficaz e eficiente o processo de ensino-aprendizagem”, desafiou Chamutota.

“Contribuam para o desenvolvimento sustentável do nosso país”. Cada um que seja “promotor da unidade nacional, mensageiro da paz e do espírito de trabalho, privilegiem a relação teoria e prática”, continuou Chamutota, confiando que serão professores “dinâmicos, criativos e pacientes” no processo de ensino-aprendizagem.

Sofala conta com quatro instituições de formação de professores que implementam os cursos de ensino primário e educadores de adultos nos modelos 12ª +1 e 12ª+3, introduzidos no âmbito da nova lei do Sistema Nacional de Educação (SNE).

 

Professores contra analfabetismo

Os já professores em mensagem descreveram os desafios enfrentados durante a formação e garantem fazer de tudo na formação de um Homem novo.

“Estamos habilitados em ensinar as crianças e adultos a Numeracia, Literacia, usando métodos e técnicas e instrumentos inclusivos; trabalhar em turmas numerosas e inclusivas; elaborar planos analíticos quinzenais, diários, de avaliação de acordo com níveis e domínio de aprendizagem com particularidades de cada criança e adulto”, lê-se nas incumbências da didáctica.

“Temos a firmeza de apelidarmo-nos [de] professores de duas cabeças” ao produzirem “hortícolas, cereais e tubérculos para alimentar a escola e a comunidade; garantia na construção e manutenção de infra-estruturas escolares e comunais; conservação de alimentos usando técnicas e meios disponíveis nas comunidades”, continuou Natália Baptista Andrisse, em mensagem dos professores.

“Nos sentimos munidos de competências para enfrentar o ABC e 123 com vista a combater o analfabetismo, através de um processo de ensino-aprendizagem inclusivo, de qualidade e patriótico”.

Lembre-se que esta é a segunda graduação dentro das instalações da ADPP-Nhamatanda. A primeira foi pelo Instituo Politécnico de Nhamatanda e a GIZ-Emprega Juvenil, no dia 09 de outubro deste ano, com 157 graduados dos quais 81 em Cadeia de Valores de Frango de Corte e 76 em Cadeia de Valores de Feijões. (Muamine Benjamim).

Nhamatanda com “Dezembro Vermelho”

Nhamatanda na província de Sofala não é diferente dos outros em Moçambique. O distrito acolheu no último sábado, a Campanha Nacional de Canto e Dança, no âmbito do “Dezembro Vermelho”, contra HIV/SIDA.

Dezembro Vermelho é a campanha nacional de conscientização sobre o HIV, vírus causador da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (SIDA). A iniciativa busca alertar sobre a importância do diagnóstico precoce, do tratamento e das formas de prevenção contra a doença que já matou milhares e continua a matar no mundo.

No sábado (09.12.2023), no campo da vila municipal de Nhamatanda, artistas nacionais juntaram-se aos locais em forma de teatro-dança para consciencializarem sobre o HIV/SIDA. E ao redor, estavam os espectadores. Afinal era a forma de fazer chegar a mensagem.

Lembre-se que, em 2022, o Governo moçambicano fez um inquérito que registou uma redução do HIV/SIDA de 5,1% para 4,1 % avaliando os períodos entre 2015 e 2022. As mulheres lideram a infecção de mais de dois milhões de cidadãos em Moçambique.

Segundo o estudo, Moçambique teve uma redução de 25 por cento em novas infecções, segundo a meta de 50% até 2025.

Nos últimos 22 anos, o tratamento anti-retroviral evitou a morte de cerca de um milhão de cidadãos em Moçambique. Apesar do sucesso, persistem níveis elevados de desigualdades de género, limitada cobertura da prevenção combinada do HIV e fraca cobertura da testagem, em particular para os homens.

As mulheres com idades entre 15 e 29 anos de idade permanecem no grupo de mais infectados pelo HIV em Moçambique, porém a incidência reduziu de 5,1% para 4,1%, nos últimos seis anos.

Das mais de 2,4 milhões de pessoas infectadas pelo HIV/SIDA, apenas 71,6% conhecem o seu estado, ou seja, perto de 700 mil cidadãos vivem com a doença sem saber.

O HIV, só em 2022, matou mais de 48 mil pessoas no país. Portanto, o “Dezembro Vermelho” é contra esta doença. (Muamine Benjamim).

INCÊNDIO E ASSASSINATOS: Governo diz que vai esclarecer na próxima sexta-feira em Nhamatanda

São escassas as informações sobre o incêndio que vitimou mortalmente uma mãe no Hospital Rural de Nhamatanda, e os assassinatos a mulheres, no distrito. O Governo distrital garantiu há meses que foram criadas comissões multissectoriais para apurarem os factos. Na próxima sexta-feira, (22.12) a população poderá estar informada sobre o que exactamente se passa ou se passou.

“As comissões estão a trabalhar. Neste momento, estão a finalizar os processos”, disse o porta-voz da XIª Sessão do Governo de Nhamatanda, Sérgio Raposo, numa entrevista concedida a jornalistas locais. “Queremos acreditar que teremos informações preliminares sobre a situação dos assassinatos”, acrescentou.

“Estamos uma situação muito aceitável. Já não temos onda de assassinatos no distrito, melhorou muito em termos de segurança”, avaliou os últimos dias.

“Também iremos trazer informações [do] incêndio de ambulância”, garantiu Raposo em representação do Governo de Nhamatanda.

Raposo lembra que “as primeiras informações dão conta de que foi de facto acidente de trabalho no manuseamento de oxigénio”, resultando em uma vítima no recinto do Hospital Rural de Nhamatanda.

Lembre-se que o incêndio ocorreu por volta das 19:30, da quarta-feira (06.09.2023), no recinto do Hospital Rural de Nhamatanda. Dolca Domingos Vasco foi submetida a uma cesariana por complicações da gravidez (eclampsia). Já à noite, o plano era de transferi-la para o Hospital Central da Beira (HCB). Já estava no carro o qual explodiu culminado com a morte daquela mãe. E, sobre assassinatos, desde o ano passado, o distrito vem se destacando, embora nos últimos dias se avalie calma. Sendo casos preocupantes, serão esclarecidos na próxima sessão do Governo, o último evento do género de 2023.

 

Segurança e produtos nas festividades

Raposo que falava na última sexta-feira, depois da XI Sessão Ordinária do Governo de Nhamatanda, garantiu haver trabalhos face às festividades.

Sobre as festividades que se avizinham o porta-voz da Sessão do Governo de Nhamatanda garantiu que “decorrem encontros” com a sociedade em geral para consciencializa-la a se “portarem” melhor nesse período.

Do outro lado, o Governo diz que está a fazer um levantamento para que não haja “escassez de produtos, falsificação de produtos e de balanças” nas festividades, mas reconheceu que “temos casos em que os que estão nesses trabalhos acabam sendo influenciados de forma negativa pelos próprios agentes económicos” contra isso decorre agora a “revitalização” com pessoas idóneas”. (Muamine Benjamim).

O drama de quem viveu de quase todo tipo de violência

No interior de Bebedo, em Nhamatanda, província de Sofala, Maria José, de 39 anos de idade é uma em cada três no mundo que já foi vítima da Violência Baseada no Género. A mulher já passou experiências de violência sexual, física e psicológica praticada pelo ex-marido. E dos seis filhos juntos, nenhum deles usou roupa que o pai Marcos comprou ou que tirasse dinheiro para tal, mesmo com salário mensal.

Esta descrição envolve nomes fictícios para preservar a identidade dos envolvidos, mas os detalhes são contados na primeira pessoa.

Marcos é trabalhador do Parque Nacional da Gorongosa e recebe salário acima de 9.000 meticais. O homem de 42 anos de idade, passou a drogar-se excessivamente e a envolver-se a mulheres. Mas antes do emprego e filhos, aparentava ser o marido que toda mulher sonha. E dos sogros, até chegou de receber apoio financeiro para negócio por bom comportamento e por estar com Maria sendo a primeira sorte dos agora oito filhos do casal Bonga.

Maria José era a única mulher de Marcos. Casou aos 18 em 2002 anos por seguir ideias das outras, não estudar. “Preferi casar para ter único homem”, foi assim que abandonou a 5ª Classe para os braços do homem. Tudo brilhava, no começo.

O negócio foi à falência ao começar investir noutras mulheres. Em 2007 depois, conseguiu emprego onde até hoje trabalha, depois de sete relacionamentos que não deram certo. Mas a primeira esposa foi Maria e a única até ao momento com mais filhos, seis, sem responsabilidade do pai apesar do salário.

Suspeita-se que Marcos não esteja de boa saúde depois de vários casos amorosos. Por conta disso, na sentada com estrutura local, pediram que marido e mulher fizessem testes, mas o homem recusou.

Maria já tentou suportar, mas viu-se obrigada a exigir despesas. “Todos filhos não sabem o que é apoio de um pai, porque nunca o tiveram”.

A dúvida de estado de saúde do homem e a exigência de despesa foram alguns motivos que Marcos invocou para separação. “Vai procurar homem que vai-te dar despesa”, conta Maria na voz do homem.

Dai Maria aceitou, pois, fazia negócio em Bebedo para sustentar os filhos.

“O engraçado é que ele [homem] sempre gastou fora, não apoiou em casa”. Maria quando aceitou a separação, o marido alegou desprezo.

Maria conta que foi obrigada tantas vezes a fazer sexo com o marido, chegando a agressão física e psicológica. Para satisfazer ao homem na altura dos factos, ela fortificou a ideia de juntos fazerem testes de todo tipo no hospital, mesmo assim ela recusou.

Das sentadas com as duas famílias, Marcos apenas reconhecia o erro pela boca, as acções eram contrárias. Nada restou para Maria, senão separação.

A experiência pode estar a ser vivida com mulheres ou até homens. Contra isso, Maria aconse­lha que haja denúncias para uma solução a partir de famílias, alegando que casamento não é prisão. Mas apesar da força de falar, continua com medo de recorrer à autoridade para responsabilizar a custódia do ex-marido desde 2020 pelo menos aos três filhos que no próximo ano vão estudar a 7ª Classe e os restantes dois 1ª Classe, já que a mais velha já não estuda.

Maria, antes de separar, gravou informações do homem, na mente: “quando você me deixar, não vai fazer filhos”.

Agora, Maria projecta mais filhos com o novo homem que também tem os dele no mesmo quintal com outra mulher.

Afinal, a apreciação entre Maria e o vizinho que deu a nova relação, começou quando Marcos primeiro marido dela a maltratava. Depois da separação, foi a vez desses dois que há tempo se apreciavam.

Maria ainda não tem filho na nova relação, e duvida que seja a concretização das palavras do Marcos. “Ainda ouço no bairro que ele diz que não vou fazer filho com outro homem. Estou a planificar mais uma reunião familiar sobre essas palavras”.

 

Como é a vida de Marcos agora?

Não se sabe exactamente quantas mulheres Marcos assume actualmente. O homem é possível ser visto em duas mulheres em Bebedo e Nhampoca, dentro do distrito de Nhamatanda, mas o lugar mais fácil de lhe encontrar é onde fazem bebida tradicional. Nas bebedeiras, os que lhe apreciam vão lhe mimando, uns acendem o cigarro para ele, outros servem o álcool, enquanto alguns puxam o papo. Assim vai o luxo em tempos de salário.

Maria reconhece que quando Marcos começou a trair, não o impediu, achando que na qualidade de homem, podia o fazer como é mentalmente interpretado por alguns, localmente. Mas, hoje, a mãe de sete filhos arrependeu-se, por isso, quebrou o silêncio.

Hoje, Maria roga que o pai dos seis filhos apenas venha a assumir a paternidade, não apenas nos documentos.

O “Profundus” sabe que Marcos quer que os filhos vivam com ele na madrasta. Até porque nos primeiros dias viveram, mas abandonaram, alegando maus tratos, fugindo para avô na vila sede de Nhamatanda é ela onde três filhos estudam. E hoje, a custódia dos filhos também envolve os avós e tios.

É mais fácil encontrar Marcos nas duas mulheres ou na bebedeira ou mesmo no ganha-pão.

 

Situação dos filhos

A filha, segunda sorte, já que a primeira faleceu, segue os passos da mãe. Com 20 anos de idade, Fina já teve dois relacionamentos em dois anos resultando em um filho que chegou a perder vida misteriosamente no interior de Bebedo. Regressou à casa dos avós, mas por força maior está agora com o pai mesmo separado da mãe.

Fina vive com a madrasta na localidade de Bebedo, depois do recente lar que resultou um bebé morto em menos de seis meses. Há quem diz que abandonou o lar por maus tratos do homem, tal e qual a mãe, mas a jovem evita detalhes.

Na zona rural, continuam os desafios da rapariga. Escrever, ler, calcular e língua portuguesa são bichos-de-sete-cabeças para Fina. Campos de produção agrícola, a língua local sena e trabalhos domésticos são áreas que não escapam nos planos diários da jovem que abandonou a 2ª Classe em 2019.

Os restantes irmãos estão em zonas separadas. Dois estão com os avós e um no tio na vila de Nhamatanda. E dois menores estão com a mãe no novo relacionamento.

Os avos e tios são camponeses. São eles que se sentem obrigados a triplicar esforços para alimentar os miúdos enquanto estudam –já vão para 7ª Classe.

Esta descrição por “Profundus” coincide com a campanha dos 16 dias de activismo pela eliminação da violência contra mulher e rapariga, sob lema “UNA-SE! Investir para Prevenir a Violência contra Mulher e Rapariga”, mas a publicação é tempo depois.

Lançada no dia 25 de novembro, a campanha de 16 dias de activismo, terminou a 10 de dezembro, no mundo, mas a reportagem já tinha sido feito, faltando publicação.

Esta é uma parte da realidade a ser encontrada nas famílias no interior de Moçambique, provando a necessidade de se reforçar mecanismos de denúncia, sensibilização ou mesmo de investigação desses factos. Há casos latentes ainda que com pessoas sorridentes ao redor, no fundo há uma realidade que pode sair com tratamento específico. (Muamine Benjamim).

Jornal Profundus

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