Gorongosa promove educação nutricional para comunidade de Nhanguo 

O Parque Nacional da Gorongosa (PNG), através do Programa de Saúde e Nutrição, transmite conhecimentos sobre higiene, e técnicas de secagem e processamento de alimentos nas comunidades para conservar os produtos produzidos localmente, combater a desnutrição e a insegurança alimentar. A comunidade de Nhanguo, no interior do distrito de Gorongosa é uma delas que, ainda sem condições financeiras para conservar os alimentos frescos por muito tempo, já lhe foi ensinada técnicas simples e sem custos monetários.

As comunidades já sabem que as verduras, feijões, mandioca, batatas e outros alimentos podem ser processados. A forma de conservar ou processar vai depender do tipo de alimento. E a quantidade do produto é que vai ditar o tempo que o produto precisa de levar no seu processo de secagem e processamento, para não perder total propriedade nutricional.

A recente actividade decorreu na semana passada na comunidade de Nhanguo, envolvendo 23 participantes, sendo 16 mulheres e sete homens. A mandioca, Inhame e folha de feijão Nhemba, foram os produtos escolhidos para a demonstração.

Actividade foi moderada pelo promotor de Saúde e Nutrição do Parque Nacional da Gorongosa, Tambula Martinho.

Na ocasião, o promotor explicou passo a passo como conservar e processar os alimentos produzidos na comunidade, sem precisar de levar a uma indústria de processamento de alimentos e sem gastar dinheiro.

Exemplo da mandioca. “Descascamos, lavamos e cortamos em pedaços pequenos e deixamos ao sol. Já seco, podemos pilar para fazer farinha e conservar, como também podemos conservar sem pilar, depois guardamos no pote”, disse Tambula Martinho. O mesmo processo com inhame.

Duas semanas são suficientes para a mandioca secar prontamente num lugar limpo. Podendo moer com pilador para depois ceifar (caso da farinha), ou simplesmente guardar em pedaços secos (para ferver como tubérculo).

A mandioca seca cozida substitui o pão, além de que com a farinha pode se fazer xima.

O objectivo dessas capacitações é ensinar a comunidade a conservarem e processarem os alimentos produzidos por eles. Para garantir a sua dieta alimentar e nutrição.

E já na quarta-feira, a actividade sobre higiene decorreu na mesma comunidade, envolvendo 33 pessoas sendo 11 homens, quatro gestantes, 13 lactantes e cinco jovens.

A actividade tinha como objectivo ensinar a comunidade sobre a higienização dos alimentos e da água.

Na ocasião, Tambula Martinho transmitiu os conhecimentos sobre o processo de higienização da água e dos alimentos, explicando que os alimentos devem ser bem lavados, antes de serem cozidos. “A água deve ser tratada, com o líquido certeza ou cloro, manter limpo os recipientes onde a água é conservada, manter limpo o recinto onde água é buscada, se não tiver cloro ou certeza podemos ferver a nossa para evitar doenças transmitidas por águas contaminadas e alimentos contaminados”, disse.

Tambula apelou à comunidade para continuar a fazer réplicas do aprendizado aos que não participaram dos dois encontros. (Ana Cleta Coimbra).

Aqueduto danificado preocupa munícipes no acesso aos bairros Central e Zanibe em Dondo

Um aqueduto está danificado no posto administrativo de Nhamaiabwe, no distrito do Dondo, província de Sofala, condicionando a transitabilidade no local. Autarquia recorreu a alternativas para garantir mobilidade, enquanto procura por solução definitiva.

As últimas chuvas um pouco por toda a parte da província de Sofala, incluindo o distrito do Dondo, condicionam a transitabilidade de pessoas e bens. O exemplo recente está na via que dá acesso aos bairros Central e Zanibe (expansão), onde um aqueduto quebrou, e a areia é arrastada pelas águas, criando mais buracos. Afinal, as anilhas de betão não suportaram, chegando a quebrar há quase uma semana.

Esta situação continua a gerar preocupação entre autoridades e munícipes, sobretudo devido aos riscos para a circulação rodoviária.

Enquanto isso, o munícipe, Abel António, comerciante das proximidades do local onde o aqueduto está danificado, contou que o problema começou com a passagem de uma viatura ligeira, que abriu um buraco na estrada. “Depois veio uma camioneta carregada de areia, que agravou a situação. Com a chuva, o buraco aumentou, até que outro camião acabou por abrir completamente a cratera”, explicou.

Minutos depois, várias viaturas ficaram atoladas, obrigando à intervenção de populares para retirá-las. A situação torna-se ainda mais perigosa durante a noite, devido à falta de iluminação pública. “Numa quinta-feira, por volta das 23 horas, um carro ficou completamente enterrado”, acrescentou.

O moto-taxista, Buda Laurentino, considera urgente a intervenção das autoridades. “O Conselho Municipal deve agir rapidamente. Durante a noite, alguém pode morrer sem se aperceber do perigo, sobretudo para quem transporta passageiros”, alertou.

Em resposta ao estágio da via, na última sexta-feira, o Vereador de Construção e Urbanização do Conselho Municipal do Dondo, Faruk Gani, ainda não há provas concretas sobre as causas do incidente.

“A estrada é de terra planada e suporta viaturas até 5 toneladas. Acreditamos que a fraca fiscalização contribuiu para a degradação da via”, afirmou, mas suspeita-se que o dano tenha sido provocado por um operador, possivelmente privado, que usou no local uma viatura acima do peso permitido.

Já foi lançada a primeira pedra da obra de pavimentação de dois quilómetros de estrada, abrangendo também o local afectado. O material para a correcção do problema já está assegurado, e será removido o aqueduto danificado.

“Numa fase preliminar, será feita uma intervenção, visto que parte dos materiais para a execução das obras poderá ser canalizado através daquele acesso devido à instalação do estaleiro no posto administrativo de Nhamaiabwe”, afirmou o vereador de Construção urbana do Conselho Municipal do Dondo.

O Conselho Municipal apela à prudência dos automobilistas que circulam pela via, de modo a evitar acidentes que possam resultar em danos materiais e humanos.

A edilidade pede ainda a colaboração da comunidade na denúncia de eventuais casos de desvio de materiais ou sabotagem durante a execução das obras do bairro Nhamaiabwe, vulgo expansão. (Narcísio Cantanha).

TPD lança linha de transporte local com cinco novos autocarros em Dondo

A empresa dos Transportes públicos do Dondo anunciou na última sexta-feira que a cidade de Dondo passará a ter brevemente um transporte urbano unindo bairros. As cinco viaturas fazem parte do primeiro lote de 100 entregue recentemente em Nampula pelo Presidente da República, Daniel Chapo, de um total de 290 por entregar.

A introdução de novo transporte visa melhorar a mobilidade urbana no distrito do Dondo.

A nova rota passa a ligar os bairros de Macharote- Dondo Sede a Zenibe, com uma taxa de 15 meticais por passageiro, medida que promete facilitar a deslocação diária de estudantes, trabalhadores e comerciantes.

“Nós temos já decidido, carros que vão circular na cidade do Dondo. Vamos levar pessoas para Mandruzi e outros pontos”, garantiu o edil de Dondo, Manuel Chaparica, durante a apresentação dos carros.

Por exemplo, as senhoras que vão aos campos de produção agrícola e regressam com trochas na cabeça encontram uma solução no transporte público. “A nossa mamã poderá ir a machamba com facilidade”, disse o edil, mostrando que “estão aqui os carros, estamos a entregar a população e todos os bairros serão beneficiados e até temos iniciativas de introduzir [para a zona de] Savane”.

Dondo não apenas contará com moto-táxi, mas também com transporte público. Entretanto, as vias de acesso são os principais elementos para a mobilidade. Com isso, o edil reconhece que primeiro deve-se avaliar as condições da estrada, “logo que estiverem melhor, um autocarro poderá circular no troço Dondo-Savane.

Na ligação interurbana entre Beira e Dondo, a empresa reforçou a sua frota com mais quatro autocarros, passando a contar agora com um total de oito viaturas em circulação.

A empresa TPD e o Conselho Municipal do Dondo consideram esta iniciativa um passo importante para melhorar o sistema de transporte público local e garantir mais conforto e segurança aos utentes.

“Para nós, não há entrave aumento de combustível, porque sabemos que o governo vai subsidiar e a tarifa vai manter a”, revelou o director-executivo da empresa Transporte Público do Dondo (TPD), Félix Domadoma.

Segundo Domadoma, a estimativa aponta para mais 13 mil passageiros a serem transportados diariamente, respondendo à demanda.

“Serviam, mas para pessoas que saiam da Beira-Dondo vice-versa, dentro da autarquia não tinha nenhum autocarro que circulasse, e a população se via a transportar-se por meio de moto-táxi, o que não era seguro. “Trouxemos segurança, comodidade e mais barato”, disse director executivo dos Transportes públicos do Dondo

A empresa TPD, com esta nova realidade, é desafiada a prestar cada vez mais os serviços com excelência. Sobre novas contratações, Domadoma explicou que, por enquanto, não há previsão de abertura de novo concurso. Afinal, “lançamos um concurso [em 2025 para motoristas e cobradores], tem muitos concorrentes suplentes, vamos, chamando gradualmente até que se esgote”. (Narcísio Cantanha).

Nova investigação revela a cadeia de carvão tóxico da arcelormittal, de moatize a Dunquerque

Uma investigação publicada pela Disclose e pela Socialter revela os custos humanos e ambientais da dependência da ArcelorMittal no carvão extraído em Moatize, na província de Tete, no centro de Moçambique. Este carvão é posteriormente transportado para a fábrica da ArcelorMittal em Dunquerque, a fábrica mais poluente da França, apesar de ter recebido milhões de euros de fundos públicos, destinados especificamente à produção de “aço verde”.

Ar saturado de partículas tóxicas, casas danificadas, terras agrícolas contaminadas, água poluída e meios de subsistência destruídos: os habitantes de Moatize estão a pagar com a sua saúde e o seu futuro pelo aço produzido a milhares de quilómetros de distância — enquanto a empresa transnacional obtém lucros na ordem dos milhares de milhões.

A monitoria da qualidade do ar realizada pela Justiça Ambiental JA! entre setembro e outubro de 2024 registou concentrações de partículas finas de até 340 μg/m³ em Moatize, o que corresponde a sete vezes o limite recomendado pela OMS. Os níveis de zinco eram quase 20 vezes superiores aos limites de segurança na vizinha África do Sul. O vanádio e o manganês, ambos conhecidos carcinogéneos, excederam os limites de segurança em 12 e 7 vezes, respectivamente. Conforme tem sido repetidamente denunciado pelos moradores locais, pelas comunidades afectadas e por organizações da sociedade civil como a JA!, as famílias de Moatize estão a sufocar debaixo da poeira de carvão.

A contaminação vai muito além do ar. Cientistas detectaram concentrações perigosas de metais, incluindo cobre e selénio, nas fontes de água nos arredores de Moatize. As terras agrícolas estão cobertas de poeira de carvão. As explosões na mina racham as paredes das casas na vizinhança. Em Janeiro de 2026, um projéctil de rocha incandescente atravessou a casa de uma família enquanto a mãe e a filha se encontravam lá dentro.

Como sempre, as mulheres e as crianças pagam o preço mais alto. Isabel Graça Correia, de 43 anos, é uma das muitas pessoas que sofrem de tuberculose — uma doença fortemente associada à exposição à poeira de carvão. Foi obrigada a interromper uma gravidez e, desde então, não consegue engravidar.

ArcelorMittal: lucros, dinheiro público, e a arquitectura da impunidade corporativa

O carvão extraído pela Vulcan Minerals, uma subsidiária do conglomerado indiano Jindal Steel e fornecedora directa da ArcelorMittal, é transportado do porto de Nacala, em Moçambique, para a fábrica da ArcelorMittal em Dunquerque, na França. A ArcelorMittal é o segundo maior produtor mundial de aço, com sede em Luxemburgo e controlada pela família bilionária Mittal, com operações em mais de 60 países — e a sua fábrica de Dunquerque é a fábrica mais poluente de França, produzindo 12 milhões de toneladas de CO₂ por ano.

De acordo com a investigação publicada na última quarta-feira, da Disclose, esta mesma empresa recebeu, desde 2021, pelo menos 244 milhões de euros de fundos públicos franceses, tendo-se comprometido a reduzir a sua pegada ambiental através da produção de “aço verde”, mas acabou por recuar nos seus planos de transição ecológica. Os dois fornos eléctricos prometidos para 2027 passaram a ser apenas um, cuja conclusão está agora adiada para 2029.

Quando confrontada com as conclusões desta investigação, a ArcelorMittal alegou que “não tinha sido identificado qualquer risco significativo, qualquer sinal de alerta nem qualquer observação desfavorável” na avaliação da sua cadeia de abastecimento. Isto é um insulto a todas as pessoas que vivem em Moatize.

Nos termos da lei francesa sobre o dever de vigilância, a ArcelorMittal está legalmente obrigada a prevenir danos graves para a saúde humana e para o ambiente, tanto nas suas próprias actividades como nas das entidades da sua cadeia de abastecimento. As evidências de poluição tanto em Moatize como em Dunquerque apontam para o incumprimento dessas obrigações legais, ao mesmo tempo que a empresa regista enormes lucros financeiros. Os lucros do ano passado ascenderam a 3,15 mil milhões de dólares.

“Esta investigação confirma o que as comunidades de Moatize vêm denunciando há anos. A cadeia de abastecimento de carvão da ArcelorMittal é um caso clássico de extractivismo colonial: uma comunidade marginalizada num dos países mais pobres do mundo arca com a carga tóxica da extracção, enquanto uma empresa transnacional com sede na Europa recolhe os lucros — apoiada por centenas de milhões em subsídios públicos europeus. Não é um acidente, é uma arquitectura, e a empresa responsável chama-lhe “sem risco”. A JA! trabalha lado a lado com estas comunidades e continuará a apoiar a sua luta até que haja justiça.” – Erika Mendes, Justiça Ambiental JA!

“Esta cadeia de abastecimento de carvão tóxico, desde Moatize, em Moçambique, até Dunquerque, em França, não é um caso isolado que falhou. É o resultado intencional de um modelo económico global que extrai riqueza das comunidades do Sul Global para alimentar a produção industrial no Norte Global, protegido por lacunas legais, pela fraca aplicação das leis existentes e pelo apoio activo de governos e instituições financeiras. É inaceitável ver os mesmos padrões a repetirem-se ao longo de décadas, com as comunidades a pagarem o preço enquanto as empresas transnacionais obtêm lucros e até beneficiam de dinheiro público que seria urgentemente necessário para uma transição energética verdadeira e justa.”– Juliette Renaud, Amigos da Terra França

A Justiça Ambiental e a Amigos da Terra França apelam ao governo Francês para que condicione todos os subsídios públicos ao respeito comprovável dos direitos humanos e do ambiente em toda a cadeia de abastecimento;

Ao governo moçambicano para que suspenda imediatamente as operações de extracção de carvão em Moatize até que seja realizada e divulgada uma avaliação independente, com a participação da comunidade, dos custos totais para as pessoas, o ambiente e a saúde; implemente medidas urgentes para monitorar, controlar e reduzir os níveis de poluição; responda imediatamente com medidas de saúde pública destinadas às comunidades afectadas e garanta que estas tenham acesso à justiça, a medidas correctivas e a reparações;

A todos os governos para que apoiem activamente e participem nas negociações em curso para um tratado vinculativo da ONU, forte e eficaz, sobre empresas transnacionais e direitos humanos, que deve estabelecer obrigações executórias e garantir um acesso efectivo à justiça e a reparações para comunidades afectadas, como as de Moatize. (Profundus).

 

“Não aos conflitos conjugais”, dizem mulheres em Chemba

As mulheres em Chemba, na província de Sofala, apresentaram uma mensagem clara no âmbito das Celebrações do 7 de Abril, Dia da Mulher Moçambicana: não querem combater os homens, mas juntos desafiarem para o desenvolvimento do distrito e do país.

“Não podemos combater os homens, os nossos maridos e nem dirigentes, mas sim combater os males que retardem para o desenvolvimento do Chemba”, disse.

A representante das mulheres, Ancha Abdul Jai, falou sob a frondosa árvore Ntondo, na margem do Rio Zambeze, e destacou que as mulheres de Chemba estão comprometidas em trabalhar para o desenvolvimento, mas precisam de apoio do governo.

As mulheres pedem soluções para problemas como a falta de um hospital de referência, abastecimento de água potável, manutenção das estradas que ligam Chemba- Tambara província de Manica, Chemba – Marínguè e Chemba – Caia, e oportunidades de emprego.

O problema de água é o mais visível dentro e fora de Chemba pelas mortes resultantes de ataques de crocodilos. Para as mulheres rurais, é um perigo diário. Lembre-se que há 2 anos, uma mulher membro da OMM foi morreu depois de um ataque, quando tentava tirar água do Rio Zambeze, arredores da Sede distrital. (Rosário Phoinde).

Jornalistas: “Continuem a fiscalizar, a investigar e a narrar”, incentiva administrador de Nhamatanda

Comemora-se hoje, 11 de Abril de 2025, o dia do jornalista moçambicano, data que coincide com o 48.º aniversário do Sindicato Nacional de Jornalistas (SNJ), criado em 1978 como Organização Nacional de Jornalistas (ONJ). Em reconhecimento, o Governo de Nhamatanda, através do administrador, Manuel Teixeira, encorajou a todo jornalista no distrito que, com dedicação e coragem, exerce o nobre ofício de informar.

Em mensagem a que o “Profundus” teve acesso, Manuel Teixeira, reconheceu que “Nhamatanda é um distrito de gente trabalhadora, de campos férteis, mas também de desafios profundos. Das cheias cíclicas [do rio] Púnguè à resiliência das nossas comunidades, passando pelas exigências do desenvolvimento rural, vocês, jornalistas, têm sido os olhos e os ouvidos da verdade. Levam ao país as nossas vitórias, denunciam as nossas fragilidades e, acima de tudo, dão voz a quem tantas vezes não é ouvido”.

Teixeira continua para os jornalistas: “O vosso trabalho vai além da notícia. Ele fortalece a democracia, exige transparência do governo e aproxima o cidadão das decisões públicas. Reconhecemos que, muitas vezes, actuam com meios escassos, arriscam a segurança pessoal e enfrentam pressões de toda ordem. [Mesmo assim], continuam fiéis ao compromisso ético com o rigor e a independência”.

O Governo do Distrito de Nhamatanda reafirma, perante a sociedade, o seu compromisso de respeitar e proteger a liberdade de imprensa, de garantir o acesso às fontes oficiais e de acolher as críticas construtivas como instrumento indispensável para melhor servirmos o nosso povo.

Nesta data, o administrador de Nhamatanda apelou aos jornalistas para continuarem “a fiscalizar, a investigar e a narrar o que se passa nas comunidades, porque um jornalista livre é sinónimo de um governo atento e de uma sociedade vigilante”.

Ao SNJ, “rendemos homenagem pela sua luta incessante na defesa da classe, da ética e da dignidade profissional. Contem sempre com a nossa porta aberta e com a nossa disposição para dialogar e construir, juntos, um jornalismo cada vez mais comprometido com o desenvolvimento local”, disse o chefe do executivo de Nhamatanda, desafiando a imprensa para que “o espírito de 11 de Abril inspire cada profissional a continuar, com paixão e integridade, a missão de informar, educar e transformar”.

Por fim, Teixeira congratulou “a todos os jornalistas moçambicanos, em especial aos que, a partir de Nhamatanda, ajudam a escrever a história do nosso país”.

Nos últimos dois anos, as celebrações nacionais do 11 de Abril decorreram nas cidades de Tete e de Inhambane. Este ano, as cerimónias centrais decorreram na cidade de Nampula, sob o lema “SNJ: 48 anos pela Ética, Liberdade de Imprensa e Justiça Laboral”. (Muamine Benjamim).

 

Com dificuldades visuais e amputação, última menor vítima de engenho explosivo já se encontra no convívio familiar em Dondo

Após 16 dias internada no Hospital Central da Beira, Zaidinha Duarte, a última integrante do grupo de crianças vítimas de engenho explosivo, recebeu alta, mas ainda apresenta sequelas, incluindo dificuldades visuais, visão reduzida (enxergando apenas com o olho direito) e amputação de dedos de um dos braços, além de recordar vagamente o ocorrido, em Dondo, província de Sofala.

As quatro crianças reunidas tentaram acender fogo num buraco feito no chão, colocando carvão e o objecto explosivo por cima para derreter. Depois de derreter, o ferro seria vendido na sucataria, com intuito de fazer dinheiro. Mas explodiu atingindo gravemente três vítimas que depois foram transferidas do Centro de Saúde de Dondo para o Hospital Central da Beira.

Rabio e Inês estão entre as crianças que também contraíram ferimentos graves no passado dia 4 de março, no bairro de Mafarinha, Unidade Comunal I (UC-I), no distrito do Dondo, nas proximidades do cemitério da Mozalite, numa residência. No dia 13 de março, os dois receberam alta hospitalar, após a equipa médica considerar que estavam fora de perigo, embora apresentem dificuldades visuais e lacrimejamento constante, além de limitações na leitura, o que dificulta o regresso à escola.

Uma semana depois, no dia 20 do mesmo mês, Zaidinha Duarte também foi considerada fora de perigo. No entanto, apresenta sequelas incluindo dificuldades visuais, visão reduzida (enxergando apenas com o olho direito) e amputação de dedos de um dos braços, além de recordar vagarosamente o ocorrido. A quarta vítima não sofreu danos graves.

“Estávamos a brincar quando vi meus amigos a cozinhar. Quando me aproximei, houve uma explosão. O objecto foi trazido pelo pai do José”, contou Zaidinha, acrescentando que tudo aconteceu de forma repentina.

Segundo Felisberto Duarte, pai de Zaidinha, o momento foi extremamente traumático. “Foi um momento muito difícil. Quando soube do ocorrido, fiquei abalado psicologicamente, pois não estava presente e tive de correr para ver de perto”, disse.

“Ela foi submetida a uma cirurgia no dia seguinte, devido aos ferimentos no braço”, acrescentou o pai, referindo que durante as duas semanas de internamento os médicos acompanharam de perto a evolução do estado clínico.

“Ver uma criança naquela situação foi muito doloroso. Rezei muito sem saber se voltaria para casa com vida. Graças a Deus, ela sobreviveu”, afirmou.

Apesar da alta, a recuperação continua a ser um desafio. A amputação de dedos da mão direita poderá comprometer a sua vida escolar. “Estamos a pensar em treiná-la a usar a mão esquerda para poder voltar à escola e não perder o ano lectivo”, explicou.

O caso já segue trâmites na procuradoria distrital. Um dado que levanta preocupação, segundo a família, é o facto de o homem apontado pelas crianças como responsável pelo objecto explosivo ter mudado de residência há cerca de duas semanas, coincidentemente na altura da alta hospitalar da última vítima.

Entretanto, o miúdo que não sofreu tanto e foi quem trouxe o objecto defende o pai, alegando que apanhou ao lado de um cemitério quando regressava da escola e não o pai que teria o dado. Afinal, o pai trabalha numa das empresas de limpeza contratadas pela empresa Caminhos de Ferro. Em entrevista ao “Profundus” negou todas as alegações. (Narcísio Cantanha).

Dondo: 67,6% da população tem acesso à água potável

A disponibilidade de água potável continua a ser um dos principais desafios em Moçambique, com maior incidência nas zonas urbanas onde a taxa de cobertura é quase insignificante. O distrito de Dondo, por exemplo, conta com 67,6% de taxa de cobertura, com 502 fontonários para uma população estimada em 250.766 habitantes.

Em Dondo, o abastecimento depende da distribuição através de 423 fontanários de captação do precioso líquido, 20 sistemas de abastecimento de água com redes elevadas e 59 fontanários ligados à empresa Fundo de Investimento de Património de Abastecimento de Água (FIPAG).

Comparativamente ao ano passado, Dondo aumentou 87 fontanários, dos 415. Mesmo assim, o distrito precisa de cerca de 300 fontanários de abastecimento de água para uma cobertura desejada.

Na qualidade de água, em Dondo acontece o inverso entre fontanários e torneiras.

Alguns residentes manifestam satisfação com a qualidade da água fornecida através do fontanário, destacando ser mais limpa e segura para o consumo em comparação com a água canalizada. “A água do fontanário é saudável e limpa. Toda a minha família bebe esta água por ser a melhor. Já a água da torneira sai suja, pior ainda com a chuva nos últimos dias”, afirmou Amina Marcelino.

Eduarda Marcolino também depende de fontanários para o acesso à água para consumo doméstico. “Vim buscar água, estou a sair do campo e estou a tirar água no fontanário porque bebemos desta água. É boa e agradecemos ao Governo por termos água”, disse.

Sob o lema “Promover a equidade de género para garantir água e saneamento para todos”, o Dia Mundial da Água, 22 de Março, serviu também para sensibilizar as comunidades sobre a importância do uso racional deste recurso essencial à vida.

“Quando a água não é bem cuidada e não tratada é vector de doenças diarreicas”, disse o administrador do distrito do Dondo, Adamo Ossumane, exortando para a boa gestão do precioso líquido.

Apesar dos constrangimentos aliados ao pleno funcionamento, devido a avarias e outras limitações de operação a taxa de cobertura situa-se em cerca de 67%, enquanto o município do Dondo apresenta um nível mais elevado numa percentagem de 87% nos dez bairros, com 8 mil ligações domiciliárias com maior concentração na sede.

Mas nem todos os 502 fontanários estão a operar. “Isso faz com que, neste momento, tenhamos uma taxa de 67% no abastecimento. E o acesso à água potável continua limitado em zonas mais afastadas, como postos administrativos, localidades e povoações.

Recentemente, foram entregues dois fontanários em Mafambisse, no Bloco 9. Afinal, “é preocupação do Governo do Dondo satisfazer as necessidades das nossas populações nesta componente de água. Contudo, tudo passa necessariamente pela boa conservação das fontes existentes, incluindo os pequenos sistemas. Se não garantirmos a sua manutenção, continuaremos a enfrentar dificuldades”, admite o administrador distrital.

“Temos escolas, unidades sanitárias que não têm fontes de água, sabemos que a água é muito importante numa maternidade e na escola porque às vezes, crianças saem de casa depois de pequeno-almoço, vulgarmente, matabicho e quando correm à escola chegam com sede”. Estas situações colocam em risco a qualidade dos serviços básicos, particularmente em locais sensíveis como maternidades, onde é essencial garantir condições adequadas de higiene e atendimento.

Por outro lado, as autoridades defendem a necessidade de empoderar a mulher no uso e gestão sustentável da água. Nas zonas rurais, por exemplo, as mães percorrem diariamente entre 300 a 500 metros em busca deste líquido precioso, para lavar, regar a horta e cozinhar. (Narcísio Cantanha).

 

Chemba precisa de assistência para 6.359 famílias vítimas de inundações

O número de casas destruídas e famílias afectadas pelas inundações no distrito de Chemba aumentou, incluindo as famílias assoladas, mas a situação está controlada, segundo informações o Governo.

Há quatro dias, o administrador do distrito fez um apelo urgente à população para abandonar imediatamente as zonas propensas a inundações, no início do transbordo da lagoa n’tunga, invadindo as principais vias de acesso da sede de Chemba.

Além de n’tunga, na vila de Chemba e restantes zonas, a situação passou para fase crítica com o aumento das águas do rio Zambeze.

De acordo com os dados, o número de casas de construção precária destruídas subiu de 20 anunciadas após 24h, para 24, em quase 48h, afectando 95 famílias. A destruição inclui duas casas de construção convencional parcialmente afectadas, além de outras 172 casas inundadas, 11 estabelecimentos comerciais, um armazém e uma estância hoteleira inundada.

O administrador de Chemba, Bento Conde Zeca, informou, igualmente, o distrito está isolado dos vizinhos, Caia, dentro da província de Sofala, e Tambara – província de Manica. Portanto, a única via de acesso possível é por Marínguè.

Na ocasião, Zeca assegurou que não há necessidade de criar centros transitórios, pois muitas famílias afectadas estão a ser acolhidas por familiares e as águas estão a baixar gradualmente.

Durante as inundações, foram resgatadas 16 pessoas no âmbito das operações.

As inundações também afectaram uma área de 5.674 hectares de culturas diversas, colocando num perigo de insegurança alimentar a 6.359 famílias.

O receio da insegurança alimentar apontada pelo administrador de Chemba, é também aliado a invasão de elefantes nas zonas de Tchola e Chawawa nessas inundações.

Os elefantes têm-se aproximado de áreas habitacionais e campos de produção agrícola, destruindo culturas e colocando em risco a segurança das famílias. A circulação dos animais é mais frequente durante a noite.

Neste momento, Chemba precisa de um pouco de tudo: 14 toneladas de arroz, sete toneladas de farinha, 1.425 litros de óleo, duas toneladas de feijão, 285 quilogramas de sal, 1.425 kgs de açúcar para assistência trimestral às famílias afectadas pelas inundações. Além disso, o distrito carece de 79,5 toneladas de sementes de milho, 47,7 toneladas de semente de feijão Nhemba, e 63,6 toneladas de semente de feijão.

A assistência deve envolver produtos de higiene, pelo menos 100 mantas, 100 baldes, 30 tendas entre outros produtos necessários.

O governo local está a trabalhar para garantir a segurança das comunidades afectadas e reabrir as estradas. A situação está a ser monitorada de perto, e as autoridades apelam à população para que se mantenha calma e siga as instruções de segurança. (Rosário Phoinde).

Agente da carteira móvel morto depois de baleado e assaltado 40 mil meticais em Mafambisse

Zaqueos Constantino, de 26 anos, residente no bairro Munhonha, posto administrativo de Mafambisse, no distrito do Dondo, província de Sofala, morreu na última sexta-feira, depois de transferido para o Hospital Central da Beira, vítima de baleamento na região de abdómen. A família confirmou a morte.

O jovem esteve hostilizado depois de dar entrada na última quarta-feira, quando foi alvejado por quatro indivíduos armados.

Suspeita-se que os quatro indivíduos se dirigiram à banca do jovem no Mercado Pioneiros, na Estrada Nacional Seis (EN6) às 20 horas, agrediram-no recorrendo à arma de fogo e fugiram com 40.000 meticais.

“Às 20 horas, um dos amigos dele veio com telefones da conta móvel e pessoal, dizendo que seu irmão está estatelado onde exerce actividades e que levou tiro no abdómen. Saímos a correr para o local, já não estava ali, foi levado à unidade sanitária de Mafambisse”, relatou o irmão da vítima, Luís, reiterando que “os profissionais de saúde fizeram de tudo para mantê-lo em vida”.

Devido à gravidade dos ferimentos, foi transferido ao Hospital Central da Beira. As observações médicas indicaram concentração de sangue no corpo, e que a gravidade da situação afectou os intestinos, resultando em estado de reanimação por três dias, até morrer.

Os colegas suspeitam que os criminosos tenham se aproximado de forma discreta, simulando interesse em serviços normais, mas depois questionaram sobre a existência de valores elevados disponíveis para levantamento.

“Trabalhamos com dinheiro todos os dias e, neste momento, vivemos com medo, porque já não sabemos quem é quem. O mais preocupante é que esses bandidos se aproximam disfarçados de clientes. Se a pessoa não estiver atenta, começam a perguntar se há depósitos de valores elevados, como 50 a 70 mil meticais, para levantamento”. É um acto que também já levanta suspeitas entre os agentes, relatou Castro Juiz, agente de carteira móvel em Mafambisse.

Há relatos de que este é o terceiro crime visível aos agentes que movimentam dinheiro através de carteira móvel em Mafambisse.

A situação está a gerar um clima de insegurança entre os operadores, que apelam ao reforço de medidas de protecção e maior vigilância por parte das autoridades, de modo a prevenir possíveis assaltos e garantir a continuidade segura dos serviços financeiros na comunidade.

As autoridades ainda não se pronunciaram, enquanto diligências decorrem para neutralizar os criminosos para responsabilizá-los judicialmente. (Narcísio Cantanha).