A 6.ª Secção do Tribunal Judicial da Província de Maputo já condenou a 20 anos de prisão o agente do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), Helton Rafael. Além da pena de prisão, o Tribunal determinou o pagamento de uma indemnização no valor de 175.000,00 meticais à família da vítima.
O Tribunal diz que ficou provado que Helton Rafael é o autor material do crime que tirou a vida de Anita Maúngue, sua ex-namorada.
Os factos apontam para um crime passional cometido com frieza, premeditação e crueldade. De acordo com os elementos constantes dos autos, Helton Rafael não suportou o facto de ter sido abandonado pela ex-namorada, que pôs fim à relação na sequência de traições e maus-tratos constantes. Movido por ciúmes intensos e pelo sentimento de posse, decidiu planear e executar o homicídio da sua vítima, Anita Maúngue.
Durante o julgamento, foram considerados relevantes vários indícios materiais e circunstanciais, entre eles o facto de o arguido ter estado na posse do cartão bancário da vítima, que fora por ela usado no dia anterior ao do crime para levantar um valor de 500,00 meticais. Helton Rafael foi posteriormente filmado numa ATM em Magude a tentar levantar dinheiro com o mesmo cartão, já após a morte da vítima, confirmando o contacto com os pertences da jovem mesmo depois do crime.
A leitura da sentença foi precedida de um longo e complexo processo, que incluiu a realização de uma exumação do corpo da vítima, conforme solicitado pelo Ministério Público com apoio do Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD), que actuou como assistente da acusação em representação da família da vítima.
O relatório da autópsia realizada após a exumação concluiu que a causa da morte foi asfixia mecânica, corroborando os sinais já identificados no exame técnico anterior.
Estes elementos técnicos, aliados ao depoimento de testemunhas e à cronologia dos factos, permitiram ao tribunal formar a convicção de que Helton Rafael foi o autor material do crime, actuando por incapacidade de aceitar o fim da relação.
Este caso emblemático representa mais do que a condenação de um agente do Estado, evidenciando um ganho na luta pelo acesso à justiça em Moçambique, com apoio do CDD, independentemente da posição ou farda. (Profundus).
Mais de 130 mortos por ataques de animais selvagens em Sofala
Nos últimos 4 anos, em Sofala, 133 pessoas perderam a vida e outras 134 ficaram feridas por ataques de animais selvagens. A situação levou o governador e a secretária de Estado na província a se unirem com os gestores das zonas de conservadores e da Administração Nacional de Áreas de Conservação (ANAC) para uma reflexão conjunta na busca de soluções.
Na última segunda-feira, o governo mostrou-se preocupado pelas devastações de campos agrícolas por animais selvagens, além de crimes ambientais que culminam com as detenções.
Os animais mais problemáticos nas comunidades são os elefantes, hipopótamos, búfalos e crocodilos, principalmente nos distritos de Chemba, Nhamatanda, Marromeu, Chibabava, Caia e Búzi.
“A morte de cidadãos e a destruição dos seus meios de subsistência não podem ser tratadas como um efeito colateral inevitável. É urgente que se definam mecanismos de resposta e compensação, bem como acções preventivas eficazes”, defendeu o governador de Sofala, Lourenço Bulha.
Em Sofala, segundo revelou Lourenço Bulha, cerca de 70% ou 80% dos crimes julgados têm conexão com o conflito fauna-bravia.
“Precisamos de soluções integradas que combinem medidas de protecção, educação comunitária, compensações e estratégias de coexistência pacífica. O actual modelo está a mostrar sinais de exaustão”, envolvendo as diferentes instituições, gestores das áreas de conservação, autoridades locais e respectivas comunidades, chamou atenção a secretária de Estado na província, Cecília Chamutota.
A preocupação aumenta pelas mudanças climáticas que Sofala não é excepção de Moçambique, abrindo uma “janela” de insegurança alimentar e extinção de espécies de animais altamente ameaçadas. (Profundus).
MUCOMBEZI LODGE E APICULTURA: Frutos de uma comunidade consciencializada para conservação sustentável
Em Mucombezi, localidade de Matenga, interior do distrito de Nhamatanda, as comunidades já concretizam dois projectos comunitários, uma iniciativa de Ecoturismo (lodge) e de Apicultura com o apoio do Parque Nacional da Gorongosa e implementados, pelo Comité de Gestão de Recursos Naturais (CGRN) de Mucombezi. Mais de 30 estudantes de diferentes universidades das províncias de Tete, Maputo, Sofala e Manica já se hospedarem no lodje.
Na sede do CGRN, à direita pela Estrada Nacional Número Um (EN1), no sentido Inchope-Gorongosa, as comunidades provam com A+B os resultados da aprendizagem de Conservação aliada a sustentabilidade das famílias. Ali, existe desde 2021, um Lodge, num ambiente totalmente natural e de gastronomia local, o que lhe mereceu destaque, movendo dirigentes e parceiros para a comemoração do Dia Internacional de Florestas, 21 de Março de 2025.
Ainda na fase inicial, o CGRN montou três tendas e as respectivas camas são feitas localmente pelos membros do Comité. Agora, pretende-se montar um sistema de abastecimento de água, construir cozinha, casa de banhos e ter energia eléctrica, apesar de neste momento recorrer-se ao sistema de painel solar. Com a sustentabilidade do projecto, a visão é de aumentar o número de tendas e construir casas, usando o material local e reforçar a segurança.
O CGRN de Mucombezi é composto por 40 membros voluntários (27 homens e 13 mulheres), subdivididos em 15 fiscalizadores (oito mulheres e sete homens); dez facilitadores comunitários (duas mulheres e oito homens); 15 animadores ou produtores de plantas no viveiro (dez mulheres e cinco homens).
O CGRN de Mucombezi, faz parte dos 16 Comités que receberam no dia 26.03.2025, 128.937,73 Meticais, referentes a 20% das taxas de receitas turísticas do PNG. Este valor será usado para projectos comunitários.
“Tínhamos o sonho de fazer Lodge pela paisagem, floresta e montanha de Muxúrue – guardião do historial local”, explica Amade Cadeado, como resultado do que aprendeu com a Gorongosa.
“Um dia vamos acomodar muitas pessoas até estrangeiros. Queremos que com o ecoturismo, as pessoas venham a Mucombezi Lodge, dormir, comer, visitar a nossa montanha”, além de provar a gastronomia e apreciar o ambiente. E “estudamos possibilidades de aproveitar o rio local para a piscicultura, mergulho e turismo sinergético pela pesca”.
O projecto de apicultura tem 400 colmeias para 200 beneficiários directos. Pretende-se vender o mel para a Fábrica de Processamento e Extracção de Mel da Gorongosa, sustentando as famílias e ao mesmo tempo de forma prática, fazendo compreender às comunidades a essência da conservação sustentável.
“Pronto para Conservar… …”
Sob lema “Florestas e Alimentos”, a Gorongosa levou mensagens de conservação para a comunidade de Mucombezi, para juntos fazerem palestras sobre meio ambiente, visitar o lodge, o apiário, o viveiro e plantarem árvores nativas.
As florestas exercem um papel importante para os seres vivos porque evitam o impacto directo das chuvas com o solo reduzindo as erosões; fornecendo alimentos medicamentos e meios de subsistência para milhões de pessoas; ajudando na polinização; e na retenção de água e na saúde do solo para as actividades agrícolas, garantindo a segurança hídrica e nutricional, particularmente Mucombezi.
Em 2022, com 5 animadores, o CGRN iniciou 200 palestras, abrangendo 1.221 homens e 812 mulheres; 2023: 7, 280, 1.331, 861; 2024: 10, 400, 1.724 e 916, respectivamente. Portanto, um aumento de sensibilizações e abrangência, anualmente.
Em 2022, o CGRN apreendeu 11 armadilhas mecânicas, 12 ratoeiras, 16 serras de madeiras; 8 cabos de aço e 21 redes de pesca; 2023; 9, 8, 10, 4 e 13; 2024: 5, 3, 4, 2 e 6, respectivamente. Portanto uma tendência de redução da caça furtiva em Matenga.
“Depois do ciclone Idai, com as árvores que temos, facilmente reconstruimos as nossas casas com o material local, estacas, bambus e corda”, diferente de outras sem floresta, descreve Amade Cadeado, a vantagem de Conservar o meio ambiente. (Progressus).
Moçambique atinge 65% de energia renovável e acelera para electrificação total até 2030
O país alcançou 60,1% de electrificação, com uma capacidade de 2.900 MW instalada, além da percentagem de 65 de energia renovável. São dados divulgados hoje, na abertura da IV.ª Edição da Conferência Empresarial de Energias Renováveis (RenMoz 2025), que decorre na cidade de Maputo.
“Estamos no caminho certo, mas o desafio é garantir que cada moçambicano tenha acesso a energia limpa e acessível até 2030”, destacou o presidente da Associação Moçambicana de Energias Renováveis (AMER), Ricardo Pereira.
O evento que conta com o apoio da União Europeia e Suécia, vai apresentar um projecto de sucesso que será replicado noutras províncias. (Profundus).
Moçambique: Cerca de 5 mil estudantes vão aprender Robótica
O Ministro das Comunicações e Transformação Digital (MCTD) Américo Muchanga, lançou hoje, em Maluana, no distrito de Manhiça, província de Maputo, o Projecto de ensino em Robótica e Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM) que vai abranger 5 mil estudantes no país com a duração de 5 anos.
Américo Muchanga falando na ocasião, disse que a robótica, a automação e a inteligência artificial estão a redesenhar os modelos económicos e sociais a nível global. Com isso, a inclusão da formação é um sinal inequívoco de preparar a próxima geração para os desafios e oportunidades do futuro.
“A iniciativa que lançamos visa inspirar e preparar a próxima geração de inovadores, criadores e líderes. É um passo concreto ao proporcionar aos alunos a oportunidade de aprender, experimentar e criar soluções inovadoras, através da robótica e da automação “, referiu.
O dirigente apelou aos formandos, a abraçarem esta oportunidade com dedicação e curiosidade. Pois “o futuro do nosso país depende da capacidade que temos de formar cidadãos inovadores, preparados para utilizar a tecnologia como instrumento de desenvolvimento e transformação social.
PNG quer subir apoio a comunidades de 2.050.000 para 3 milhões de meticais este ano
Este ano, o Parque Nacional da Gorongosa (PNG) vai ajudar as famílias a conseguirem 3.000.000 de meticais de lucro da sua produção de hortícolas no distrito de Nhamatanda. Em 2024, tiveram 2.050.000 de meticais.
Antes da entrada deste Programa, as comunidades enfrentavam dificuldades de aquisição de sementes, produziam e não tinham mercados específicos para a venda dos seus produtos que facilmente apodrecem. Mas desde 2024, através deste Programa “Desenvolvimento Sustentável de Meios de Subsistência sobre as Comunidades da Zona Tampão da Gorongosa”, em inglês Sustanaible Livelihoods Development Program (SLDP), primeiro, as famílias são apoiadas com sementes e técnicas de produção agrícola, depois de produzirem, são ajudadas a exportarem para os mercados locais, cantinas do Parque e capital provincial, Beira.
A horticultura envolve o tomate, cebola, alface, beterraba, repolho, couve, pimenta, pepino e quiabo.
Segundo o Coordenador do Sector de Agricultura de Nhamatanda, Orlando Pinto, no âmbito do Programa, “em 2024, envolveu 721 famílias (512 mulheres), que produziram 48,1 toneladas e venderam 42,1 toneladas, num lucro de 2.050.000”. Para 2025, estarão “1.200 famílias, para produzirem 79,2 toneladas, venderem 60 toneladas e ganharem 3.000.000 de meticais”. E a outra parte da produção vai para o consumo familiar, combatendo a desnutrição.
Com o dinheiro conseguido na venda dos produtos, as comunidades conseguem colocar as crianças na escola, resistirem da união prematura, superarem preconceitos, manterem-se a salvo de doenças e comprarem material escolar para se curarem das duras realidades da guerra, a exemplo da formação de cerca de 20 familiares de ex-combatentes do processo de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR), em diferentes cursos no Centro de Formação Profissional (CFP) de Gorongosa, também apoiado com 12 milhões de meticais pelo Programa para a conclusão das suas obras de construção. São resultados de actividades integradas da Gorongosa, Right to Play e Resilience. (Muamine Benjamim).
DE VISITA A ZIMTAMBIRA: Chapo enaltece o papel das lideranças comunitárias
O Presidente da República, realizou hoje, quarta-feira uma visita oficial ao Reino de Zimtambira, localizado no distrito de Angónia, província de Tete, onde foi recebido pelo Rei Zitambira V e por membros da comunidade local. Daniel Chapo enalteceu o papel das lideranças comunitárias para a unidade nacional.
A visita marcada por momentos de simbolismo e emoção, teve como propósito reforçar os laços entre o Estado moçambicano e as autoridades tradicionais, reconhecidas como guardiãs da identidade cultural e agentes fundamentais no desenvolvimento das comunidades. “A liderança tradicional é um património vivo do nosso povo, guardiã dos valores culturais, da estabilidade social e da coesão comunitária”, afirmou o Presidente Chapo, enaltecendo o papel dos líderes comunitários como pilares da unidade nacional.
O Reino de Zimtambira é uma das representações da etnia Nguni em Moçambique, um grupo etnolinguístico com profundas raízes históricas na região da África Austral. Os Nguni encontram-se espalhados por vários países da região, incluindo Moçambique, Zâmbia, Tanzânia e Malawi, sendo detentores de uma rica tradição oral, estruturas organizacionais ancestrais e um forte sentido de pertença cultural.
Durante o encontro com o rei, o Presidente da República reiterou o compromisso do Governo em continuar a trabalhar de forma estreita com todas as lideranças locais, reforçando a sua participação na implementação das políticas públicas, sobretudo nas áreas rurais, onde são a primeira referência para as populações. “É com as lideranças tradicionais que devemos construir soluções enraizadas na realidade das nossas comunidades”, sublinhou o Chefe do Estado.
A visita teve também um momento solene de homenagem à Rainha Zimtambira IV, falecida no final do ano passado, onde depositou coroas de flores nas três campas pertencentes a antigos reis falecidos.
Em nome do povo moçambicano, o estadista apresentou condolências à família real, lembrando a monarca como uma mulher de grande visão, sensibilidade social e compromisso inabalável com a justiça e a tradição. “A Rainha Zimtambira III deixa um legado de dignidade, paz e liderança sábia que inspira as futuras gerações”, destacou.
Neste mesmo contexto, o Chefe de Estado saudou o Rei Zimtambira V (Horácio Sebastião Marcos Dama Zimtambira) pela sua recente investidura, felicitando-o por assumir a missão de liderar o seu povo com sabedoria e responsabilidade. “Estamos confiantes de que Sua Majestade irá dar continuidade ao legado da Rainha e promover a harmonia, o diálogo e o progresso da comunidade”, afirmou.
Ao longo do seu pronunciamento, o Presidente da República reforçou a importância do reconhecimento formal e prático do papel das lideranças tradicionais no quadro do Estado moçambicano, defendendo uma maior integração desses órgãos no planeamento e execução de programas públicos nos sectores da agricultura, saúde, educação e justiça comunitária.
A visita presidencial foi acolhida com entusiasmo pela população de Angónia, que reconheceu o gesto como uma prova do respeito do Chefe do Estado pela cultura local e pelo papel estruturante das lideranças tradicionais na organização social. Foram também destacadas a relevância do diálogo interinstitucional e a necessidade de se reforçar a descentralização como meio para a melhoria da governação local.
Com esta deslocação, o Presidente Chapo prossegue a sua agenda de governação inclusiva e de proximidade, reafirmando que todas as regiões e comunidades moçambicanas, independentemente da sua localização ou composição cultural, serão envolvidas no processo de desenvolvimento nacional. (Profundus).
Nhamatanda progride na Conservação em momentos de mudanças climáticas
Em Nhamatanda, a perda de áreas florestais mantém-se, o que é típico de regiões pouco desenvolvidas onde há uma forte dependência de produtos florestais e a tecnologia agrícola rudimentar só pode ser compensada pelo aumento das áreas de cultivo para suprir as necessidades alimentares. Mas o executivo local avalia avanços significativos contando com parceiros de Conservação como o destaque do Parque Nacional da Gorongosa e Livaningo.
As razões do desmatamento e da degradação florestal observada no país são a grande demanda por recursos florestais, às necessidades energéticas (energia de biomassa), a conversão de áreas florestais em campos agrícolas e as queimadas descontroladas.
Conforme o relatório do estudo de desmatamento em Moçambique, a taxa estimada de desmatamento por ano no país é de 0,79% da cobertura florestal (equivalente a 267.029 hectares de florestas por ano). (FNDS, 2019).
As áreas de conservação (parques nacionais, reservas florestais, coutadas de caça e fazendas do bravio), com enorme importância na protecção de ecossistemas e as suas funções, incluindo o sequestro de carbono, a produção de renda local e com significante valor ecoturístico, também não são alheias ao desmatamento e degradação florestal, por razões como o cultivo de culturas agrícolas não planificadas, caça furtiva, corte ilegal de madeiras, entre outras.
O consumo de combustíveis lenhosos (lenha e carvão) foi estimado em cerca de 9,3 e 5,5 milhões de toneladas por ano, nas zonas rural e urbana, respectivamente (Sitoe, Salomão, & Wertz-Kanounnikoff, 2012). Este valor supera o volume legal de corte anual para madeiras comerciais, estimado em cerca de 450 mil metros cúbicos. Em paralelo, a produção de carvão vegetal tem sido referida como uma das principais causas do desmatamento em Moçambique e na África Subsaariana em geral (Sitoe, Salomão, & Wertz-Kanounnikoff, 2012).
Nhamatanda, caso específico
Nhamatanda, como outros distritos moçambicanos, vem sofrendo de desflorestamento. As actividades nocivas ao meio ambiente incluem o abate indiscriminado de árvores tanto para a produção de carvão vegetal quanto para a indústria madeireira ou mesmo construção de residências.
Num estudo conduzido pelo Instituto de Investigação Agrária de Chimoio em 2021 indica que o posto Administrativo de Nhamatanda em termos de desmatamento perdeu, só em 2019, cerca de 13.38ha, sendo uma realidade que se tem verificado por muitas comunidades daquele distrito.
Os dados da “Transição florestal: Estudo socioeconómico do desmatamento em Nhamatanda” mantém-se interessante pela descrição da situação do distrito, na Conservação, depois do ciclone Idai (2019) e Chalane (2021).
No distrito de Nhamatanda, a madeira (principalmente em forma de estacas) é usada na construção de habitações locais (juntamente do bambú e capim).
Em Nhamatanda, as árvores fornecem lenha e carvão vegetal, sendo ambos combustíveis vendidos e usados localmente ou transportados para outros centros urbanos no Corredor da Beira. Porém, devido a factores como o desmatamento e a erosão dos solos (assim como a vegetação tipicamente de planície no vale do rio Pungué), algumas comunidades percorrem distâncias entre 30 km a 40 km para encontrar a fonte de lenha mais próxima. E com acções focadas para a Conservação, o uso deste recurso passou a ser mais consciente.
O estudo envolve 266 inqueridos em Nhamatanda-sede, Metuchira e Lamego, zonas em que parcialmente a Gorongosa e totalmente a Livaningo actuam. Grande parte dos inquiridos são originalmente de Nhamatanda (55,1%), sendo outros oriundos de vários distritos (44,5%) e do Malawi (0,4%).
O estudo revela que em Nhamatanda, há mais casos de exploração florestal por imigrantes (33%) que por nativos (24%). Este é um sinal de que as sensibilizações para a Conservação estão a ter resultados pelo menos para os locais.
A invasão de animais aos campos de produção é um dos motivos para a perda de culturas antes da colheita pelas comunidades.
Entre os agregados familiares inquiridos, 61% usam sementes melhoradas, 42% usam pesticidas, 29% usam fertilizantes e 57% possuem celeiros. Isto mostra que certas precauções estão a ser tomadas pelos agregados familiares para produzir mais e conservar os seus produtos.
Cerca de 88% dos agregados familiares mencionaram não realizar queimadas para nenhum fim.
Deste modo, conclui-se que Nhamatanda não se encontra num processo de transição florestal, pelo menos no momento do estudo. Entretanto, de 2020 a esta parte, o executivo de Nhamatanda fala de avanços significativos.
Governo fala de mudança de mentalidade
“Todos nós temos a missão de reflectirmos para protecção da mesma floresta, melhorando os efeitos das mudanças climáticas”, exortou o secretário permanente de Nhamatanda, José Lopes, durante as comemorações do Dia Internacional das Florestas, 21 de Março, em representação do administrador do distrito.
Nos “últimos três anos, a manutenção das florestas tem melhorado”, avaliou José Lopes, especificando que “o abate de árvores está a diminuir, particularmente com essa coordenação com os nossos parceiros e a caça furtiva tende a diminuir”. Esta avaliação
Portanto, “podemos dizer que [os membros] da comunidade de Nhamatanda com base no trabalho de sensibilização, a sua mentalidade tende a mudar [positivamente] eles são os primeiros defensores contra os males” da floresta, conclui o Governo de Nhamatanda.
Parque Nacional da Gorongosa e Livaningo
Esta escolha de análise a estas duas ONGs, por “Profundus” é baseada pelo menos por serem duas Organizações Não-Governamentais, de Conservação mais publicitadas ou pelo menos abertas a imprensa, mas que as suas actuações não envolvem todas as localidades de Nhamatanda, por estratégia ou mesmo fundo, aliás algumas comunidades até recebem apoio duplo, enquanto outras zonas nem tanto.
O Parque Nacional da Gorongosa (PNG) envolve as localidades de Bebedo, Nhampoca e Matenga (Zona de Desenvolvimento Sustentável ou mesmo Zona Tampão). Enquanto Livaningo no projecto Kukwiza também implementa actividades similares nas mesmas zonas, além de Macorococho, Lamego, Metuchira e Chirassicua, portanto uma duplicação em algumas zonas, e particularmente, Siluvo com o projecto Cucoia iniciado em junho 2024.
O PNG é quase o dono da Conservação na sua Zona de Desenvolvimento Sustentavel (Nhamatanda, Gorongosa, Muanza, Maringue, Cheringoma e Dondo) apesar de não abranger todas as localidades, cujo objectivo é consciencializar os membros das comunidades para “fazerem com que percebam que os alimentos que tanto procuram a sua produção depende da existência da floresta. Dai optar por actividades que visam garantir o uso sustentável dos recursos naturais, deixando as actividades que prejudicam a floresta, tal é o caso de queimadas descontroladas, abate das árvores, optar o agroflorestamento, praticando agricultura e deixar árvores a servirem de estrume, garantindo maior produção das culturas”, explica supervisor de Relações Comunitárias, Chico Júlio Fagema.
O PNG não apenas conserva, mas também motiva o desenvolvimento humano apoiando as iniciativas locais, por isso, Nhamatanda tem um exemplo concreto de lodge e apicultura na comunidade de Mucombezi, aliás, que recentemente recebeu 128.937,73 meticais, correspondentes a 20% das taxas de receitas turísticas de 2023-2024.
A Livaningo, através do técnico ambiental Osório Belchior avalia que “até ao momento, nos sentimos orgulhosos porque certas actividades não aconteciam nessas comunidades, por exemplo, uso massivo de fogões melhorados (fogão poupa-lenha ou poupa carvão) [incluindo treino sobre a produção usando material local e acessível] ”, além de que as comunidades já estão mais conscientes sobre as desvantagens de destruir o meio ambiente e “sentem a sua responsabilidade” de protegé-lo.
“No entanto, percebo a duplicação [de actividades] na zona tampão, mas é mais para ter os resultados de restauração florestal que é o foco. Estamos a enriquecer as florestas de maior dimensão e estas florestas só existem na zona tampão e um pouco em Macorococho”, justifica Osório Belchior.
“Nas outras localidades já não é para se restaurar enriquecendo um ecossistema, mas reflorestamento mesmo. Já não existem áreas para reflorestamento nessas localidades, quanto mais se disponibilizam no máximo dois hectares há grande esforço até causar conflitos. Tentamos isso em Lamego e Chirassicua, tudo foi por baixo. E também um ecossistema florestal não pode ser construído numa área de dois hectares porque só se pode considerar um ecossistema onde existem árvores e animais. É por isso que nessas outras localidades estamos a sensibilizar para o uso de fogões melhorados mais para minimizar a pressão sobre as pequenas matas que têm e reforçar a fiscalização de actividades nocivas ao meio ambiente”.
Com raras actividades de Conservação no “coração” de Siluvo e outra parte rica como a de Mafufo pelo ouro e peixe tirado todos os dias pela barragem nas águas do rio Muda que alimenta a açucareira de Mafambisse, o “coração” de Tica e a respectiva localidade de madeira (Chiadeia) com sérias dificuldades de policiamento e respectivo equipamento), abre uma “janela” de escape de recursos florestais pela sua geografia. Aliás, até mesmo na zona do Ramos, 9º bairro na Vila Municipal de Nhamatanda, de noite, passam camiões carregando madeira, alguma fresca ainda.
Siluvo tem fácil acesso à província de Manica ou mesmo o sul de Moçambique passando por atalhos, o que acontece com Chiadeia e Matenga, portanto, sul e norte de Nhamatanda, ainda dentro do distrito, conectando todo o país.
Da comunicação com as comunidades ao sucesso das actividades
Independentemente das políticas, financiamento ou natureza, as Organizações comunicam, por isso, precisam de uma estratégia, tanto interna quanto externamente. E isso vai reflectir na interacção com as comunidades e meta por atingir.
Por exemplo, as comunidades se identificam melhor quando um chefe respeita “as regras da casa”. Isso inclui o uso de línguas locais, saber agradecer em acções que aparentam simples, mostrar o gesto de provar aquilo que te servem. Assim concorres contra aquela “boca”, o chefe X ou projecto X, não tem interesse, nos despreza.
Os projectos devem adoptar linhas inteligentes de comunicação ao ponto de criar marca nas mentes das comunidades, para conseguirem separar um projecto do outro apesar de terem actividades semelhantes no mesmo lugar.
Reforçar a política de traçar uma comunicação que permita que outras comunidades também se beneficiem das boas acções, capacitações, intercâmbios, oportunidades, interacção, evitando concentrar tudo nas mesmas zonas.
As comunidades filtram o que lhes é proporcionado. Então, antes ou durante a interacção, é preciso compreender o que elas sabem de forma prática ou ouvem dizer, e saber o que acrescentar ou encaminhar. Elas sempre têm conhecimento porque vivem os problemas, pode não ser como os estudiosos compreendem.
Se é para as comunidades, então é preciso que as comunidades decidam olhando para os objectivos comuns.
Além desses recursos em perda florestal, Nhamatanda apresenta um potencial de recursos naturais como o ouro, pedra para a construção civil, com uma exploração artesanal ou mesmo aquela dos “bosses”, mas não deixa de ser uma destruição ambiental.
Nhamatanda ainda precisa de sinergias de ONGs, Governo e Sociedade Civil “de olho” com acções concretas, apesar de alguns só venderem esperança. (Muamine Benjamim).
Gorongosa capacita “homem como parceiro” nas comunidades
O Parque Nacional da Gorongosa (PNG) através do Programa de Educação da Rapariga está a capacitar homens sobre todo o tipo de violência e o seu ciclo, desafiando as uniões prematuras, poligamia, agindo como homem, analisando o poder, o alcoolismo e dando espaço de igualdade para as parceiras. Até ao momento, foram abrangidas 22 Zonas de Influência Pedagógica (ZIP) na Zona de Desenvolvimento Sustentável.
O supervisor da educação do PNG, no distrito de Nhamatanda, António Golonga explica que em cada Zona de Influência Pedagógica (ZIP), são capacitados 20 homens entre líderes comunitários, religiosos, padrinhos, conselhos das escolas, encarregados de educação e curandeiros, “sem excepção”.
Nesta primeira fase, as capacitações estão a abranger 22 ZIPs, especificamente, Nhamatanda (5), Gorongosa (5), Maringué (2), Dondo (2), Muanza (3) e Cheringoma (5).
António Golonga apresenta os objectivos das capacitações: “consciencializar os homens na mudança de atitudes sobre as matérias relacionadas ao Género, Violência Baseada no Género, uniões prematuras e o que é ser homem para a família e para a comunidade; consciencializar os homens das comunidades sobre a importância de ser um bom homem para a sua família; e promover a auto-estima e mudanças de comportamento e atitudes nos homens das comunidades”.
O critério de selecção dependeu de homens considerados resistentes à mudança de comportamento ou mediadores de conflitos nas comunidades. Esta escolha de pais e encarregados de educação dependeu igualmente dos alunos que desistiram da escola, faltam muito nas escolas, filhos sem estudar ou raparigas submetidas a uniões prematuras. Estes critérios resultam da coordenação entre o PNG e as escolas que vivenciam a realidade dos respectivos alunos e/ou pais e encarregados de educação.
Os “pecados” dos homens para mulheres nas comunidades
As capacitações envolvem dinâmicas à mistura de brincadeiras e cancões que reflectem a realidade das comunidades, incentivando os homens para através do seu poder nas casas ou nas comunidades influenciarem contra as uniões prematuras, todo o tipo de violência, incentivando o diálogo em igualdade de género.
Os homens são submetidos a exercícios práticos sobre suas tarefas diárias em comparação com as actividades das mulheres nas comunidades, analisando os costumes passados de geração para geração.
O foco deste exercício é submeter os homens à ideia de que devem entender o passado, o presente para perspectivar o futuro, abandonando as práticas negativas.
Antes da capacitação, os homens foram submetidos a avaliação para concordarem ou discordarem:
Os homens são mais inteligentes que as mulheres, dos 20 participantes (6 discordaram, 14 concordaram);
O homem é que deve tomar a decisão final no relacionamento com a sua mulher (14 discordaram e 6 discordaram);
Um homem de verdade não acompanha a sua mulher na consulta pré-natal (12 discordaram e 8 concordaram);
Homem que é homem é aquele fez circuncisão no hospital (14 discordaram e 6 concordaram);
Quando um homem mantiver relações sexuais a força com a sua parceira não é violência (17 discordaram e 3 concordaram);
É falta de respeito quando uma mulher conquistar um homem (quatro discordaram e 16 concordaram);
Homem que não bebe bebidas alcoólicas não é um homem de verdade (todos discordaram);
As mulheres também têm o direito de decidir se querem ou não ter filhos (todos concordaram);
A tarefa de cuidar dos filhos é da mulher e o homem só deve garantir dinheiro na família (14 concordaram; 6 discordaram);
Na luta de casal ninguém pode se meter (3 concordaram e 17 discordaram);
Um homem que é homem deve ter muitas mulheres (1 concordou e 19 discordaram);
Um homem de verdade não cozinha nem faz limpeza em casa (11 concordaram e 9 discordaram);
Um homem pode bater a sua mulher quando ela lhe abusar (4 concordaram e 16 discordaram);
O homem deve ser superior a mulher (13 concordaram e 7 discordaram);
Uma mulher sem filhos não é mulher de verdade (2 concordaram e 18 discordaram).
Depois da capacitação, submetidos novamente a avaliação com as mesmas perguntas, discordaram de tudo. Este é um sinal de que compreenderam que afinal os homens e mulheres têm os mesmos direitos e devem fazer esforços diários para servirem de exemplo nas respectivas famílias e comunidades, tornando uma sociedade harmoniosa.
A permanência das raparigas nas escolas também depende do homem da casa e normalmente é quem aceita que troque o ensino pelas uniões prematuras. Então, dotando o pai dessas matérias, logicamente que a desistência escolar poderá reduzir, principalmente nas mulheres.
Por exemplo, a Escola Primária 1º e 2º Graus Mucheu-Bebedo que acolheu o evento de capacitação de “Homem como parceiro”, na última quarta-feira, teve 1.514 alunos inscritos em 2024, dos quais 40 (23 mulheres e 17 homens) desistiram. Portanto, pretende-se avaliar o impacto dessa capacitação no final de 2025 com os já 1.435 (669 mulheres e 766 homens) matriculados.
Depois da capacitação, os homens submetidos novamente a avaliação com as mesmas perguntas, discordaram de tudo. Este é um sinal de que compreenderam que afinal os homens e mulheres têm os mesmos direitos e devem fazer esforços diários para servirem de exemplo nas respectivas famílias e comunidades, tornando uma sociedade harmoniosa.
A permanência das raparigas nas escolas também depende do homem da casa e normalmente é quem aceita que troque o ensino pelas uniões prematuras. Então, dotando o pai dessas matérias, logicamente que a desistência escolar poderá reduzir, principalmente nas mulheres.
Por exemplo, a Escola Primária 1.º e 2.º Graus Mecheu-Bebedo que acolheu o evento de capacitação de “Homem como parceiro”, na última quarta-feira, teve 1.514 alunos inscritos em 2024, dos quais 40 (23 mulheres e 17 homens) desistiram. Portanto, pretende-se avaliar o impacto dessa capacitação no final de 2025 com os já 1.435 (669 mulheres e 766 homens) matriculados.
Homens reconhecem “os pecados” e prometem mudar
O coordenador geral das igrejas de Bebedo, Envelope Muandipesari Kequede avalia que “esta capacitação nos ensinou sobre a nossa forma de viver com as mulheres e crianças”, comparativamente com o passado. Por exemplo, o conhecimento passado de geração para geração aponta o homem como o “leão” da casa, mas a aprendizagem de hoje prova que temos que mudar a forma de viver como família.
O coordenador geral das igrejas de Bebedo apresenta a realidade local. “A mulher quando vai à machamba, ao regressar, carrega as enxadas, lenha, folhas comestíveis para fazer caril e bebé no colo”.
“Mas isso não é bom”, reconhece Envelope Kequede, reiterando que “devemos dar tempo para a mulher descansar, o marido deve ajudar a limpar o pátio, lavar pratos, obrigando as crianças a irem à escola”.
O secretário do bairro 25 de Setembro -Bebedo, Amade Francisco André fala de “mudança de [comportamento] na comunidade contra os hábitos negativos, desvalorizando a mulher”. Na zona rural, a mesma mulher vinda da machamba, chegado a casa é que faz a limpeza da residência, prepara as refeições e serve tudo ao marido enquanto ele apenas está sentado à espera de que tudo seja feito. Mas não consegue valorizar o esforço dela. Não podemos fazer dessa forma, devemos ajudar a mulher porque tem muito trabalho”, reconhece o Amade Francisco André.
O secretário do bairro – 25 de Setembro –Bebedo garante que vai “sensibilizar as [comunidades] para deixarem as crianças a irem à escola”. (Muamine Benjamim).
Ex-director do STAE condenado 9 anos de prisão por desvio de fundos
Em outubro de 2024, o “Profundus198.18.10.2024” reportou a detenção do director do Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE) e de mais três funcionários da instituição. O caso foi ao tribunal, recentemente, o já ex-director Evaristo Alfredo Veleta foi condenado a nove anos de prisão por corrupção e desvio de mais de um milhão de meticais do Estado. Abílio Mutunta, Pinto Omar Amisse e Carlos Alberto Supera dos Santos, também foram condenados.
Tudo começou numa sexta-feira (11.10.2024), dois dias depois da votação, quando o actual ex-director distrital do STAE e os seus confiados alegaram que já não havia dinheiro para pagar os Membros de Mesa de Votação (MMVʼs).
A situação obrigou o Serviço de Investigação Criminal (SERNIC) a operar, culminando com a detenção dos envolvidos.
Na detenção de Evaristo Veleta, as autoridades apreenderam cerca de 400 mil meticais na sua residência.
A sentença do processo comum número 713/2024, inclui pena de prisão e multa equivalente a um ano, à taxa diária de 600 meticais como 800 meticais referentes ao Imposto de Justiça que Evaristo Alfredo Veleta deverá pagar.
Com o antigo responsável eleitoral foram julgados e condenados por co-autoria os funcionários do STAE, Abílio Mutunta, Pinto Omar Amisse e Carlos Alberto Supera dos Santos.
Abílio Mutunta e Pinto Omar Amisse foram condenados a nove anos e um ano de multa à taxa diária de 600 e 800 meticais de Imposto de Justiça, pela prática, em autoria material e na forma consumada, do crime de abuso de cargo ou função.
O co-arguido Carlos Alberto Supera dos Santos vai cumprir a pena de prisão de um ano e pagar as mesmas multas impostas aos outros co-réus.
Os quatro réus deverão indemnizar solidariamente o Estado com o montante de 405 mil meticais, como forma de compensá-lo parcialmente pelos danos causados pelo desvio de fundos. (Profundus).