INAM alerta formação de ciclone tropical “BHEKI”

O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) alertou ontem, quinta-feira, a formação de um Ciclone Tropical no próximo domingo, 17 de novembro. O fenómeno natural ainda não constitui perigo para o canal de Moçambique.

Consta no comunicado a que o “Profundus” teve acesso que “formou-se, a leste da Ilha de Madagáscar, na bacia do sudoeste do Oceano Indico, um sistema de baixa pressão atmosférica, que evoluiu para Tempestade Tropical Moderada, denominada BHEKI, com potencial de atingir o estágio de Ciclone Tropical no dia 17 de novembro de 2024, fazendo a aproximação de costa leste de Madagáscar. Contudo, ainda não constitui perigo para o canal de Moçambique bem como a parte continental do nosso país”.

O INAM continua a monitorar a evolução deste sistema e apela à população para que continue a acompanhar a informação meteorológica e os avisos difundidos pelas autoridades nacionais competentes. (Profundus).

Aprovado plano de combate à corrupção no Município de Nhamatanda

O Conselho Municipal da Vila de Nhamatanda, com apoio da Inspecção Geral da Administração Pública (ICAP) e GIZ Programa Boa Governação Financeira, elaborou o Plano de acção de prevenção e combate a corrupção na administração pública, referente ao exercício económico de 2023 a 2032, o qual foi apresentado e aprovado na IV Sessão da Assembleia Municipal.

O plano deverá envolver todos munícipes no processo de implementação e monitoria para uma sociedade orientada por princípios de ética, integridade e isenta de corrupção, através de:

Criar e garantir o funcionamento da comissão de ética pública;

Órgão de controlo interno municipal funcional;

Adequar a estrutura orgânica do município às normas vigentes;

Fortalecer a capacidade da Assembleia Municipal;

Comissões de trabalho funcionais;

Publicar as informações relativas a gestão municipal;

Elaborar e divulgar a carta de serviços;

Criar, operacionalizar e divulgar canais de comunicação com os munícipes;

Regulamentar os mecanismos de gestão da receita e despesa municipal;

Institucionalizar a rotatividade dos técnicos da UGEA;

Promover acções de palestra, capacitações com outras entidades no âmbito de matéria de corrupção;

Partilhar relatórios em matéria de corrupção e crime;

Dar seguimento dos processos de crime que envolve os funcionários públicos municipais;

Criar núcleo autárquico de prevenção e combate a corrupção funcional;

Realizar encontros de troca de experiencia entre as comissões de ética pública;
Capacitar e formar os funcionários do Conselho Municipal e matéria de combate a corrupção;

Realizar capacitações e formações nas áreas susceptíveis a corrupção: polícia municipal, secretaria geral, urbanização, UCEA;

Operacionalizar o funcionamento do SISTAFF autárquico;

Criar e operacionalizar um sistema de gestão do solo urbano;

Criar e operacionalizar um sistema de gestão das receitas municipais (IPRA);

Criar linha “fala munícipe” gratuita para efeitos de denúncias;

Digitalizar o sistema de cobranças e pagamentos de serviços municipais;
Conceber programas de educação cívica-moral para os FAE e munícipes através das palestras, governação aberta;

Produzir matérias de educação cívico-moral para os FAE e munícipes;

Conceber programas sectoriais específicos de educação cívico-moral;

Realizar campanha de educação cívico.

A temática da prevenção e combate a corrupção encontra-se inserida no programa quinquenal do governo neste âmbito foram produzidos vários instrumentos legais e políticas nacionais, com destaque para os seguintes.

  1. Lei nº 16/2012 de 14 de Agosto (Lei de Probidade Pública);
  2. Lei nº 6/2004 de 17 de Junho (introduz mecanismos complementares de combate a corrupção);
  3. Resolução nº 46/2022 de 1 de Dezembro (aprova a estratégia de prevenção e combate a corrupção na administração pública 2023-2032 designadamente por EPCCAP.

Apesar do abandono da Renamo (4), os restantes 18 (Frelimo) e 1 (MDM) aprovaram o documento, na última quarta-feira. (Muamine Benjamim).

PNG palestra sobre cancro do colo do útero e da mama em Marínguè

O Parque nacional da Gorongosa (PNG) através do Programa de Saúde Materno Infantil (SMI), durante a celebração de Outubro Rosa, sensibilizou as raparigas das comunidades de Marínguè, em Sofala, em matérias de Saúde, especificamente cancro do colo do útero e da mama.

O cancro do colo do útero e da mamã é uma das doenças que preocupam as comunidades do distrito de Maríngué. Dai que urge a necessidade do sector do sector da Saúde do PNG fazer palestras nas comunidades.

A Escola Secundária Armando Emílio Guebuza, foi anfitriã da palestra, em Marínguè, juntando raparigas do Clube de Jovens, estagiárias de SMI do Centro de Saúde distrital, além da equipa do PNG e outros convidados.

A técnica de SMI no PNG, Anastácia Euzébio, foi quem palestrou, durante o Outubro Rosa sobre a doença que afecta a “faixa etária de entre 25 e 50 anos, e ou às mulheres em idade fértil e sexualmente activas”.

A palestrante afirmou que o objectivo do evento era de “consciencializar as pessoas a saberem onde se dirigir em caso de dúvidas, [sobre a doença]; conhecerem as doenças que afectam a mulher em idade fértil principalmente a doença do colo do útero onde alertou ainda ser necessário que se faça teste gratuito para saber o seu estado de saúde no Centro de Saúde de Maríngué; e o seu tratamento”.

O Centro de Saúde de Maríngué não tem ainda capacidade de tratamento, mas quer que o rastreio seja abrangente para despistar os casos de cancro do colo do útero.

Em Maríngué, Anastácia Euzébio tem atendido “em média, entre quatro e cinco mulheres por semana que procuram por serviços de tratamento do colo do útero e da mama. Até porque trata-se duma doença que se manifesta silenciosamente, sem sintoma, e única forma de saber é através do rastreio”.

Na ocasião, Anastácia Euzébio reiterou a necessidade de as raparigas serem mais informadas sobre as doenças que afectam a mulher em idade fértil, incluindo outras doenças que ainda não são do seu conhecimento.

Com a palestra, a Gorongosa espera resultados de aderência principalmente do grupo-alvo com HIV/Sida.

As raparigas foram unânimes em afirmar que através deste ensinamento que o Parque Nacional da Gorongosa lhes tem proporcionado, está a estimular severamente as suas mentes e o conhecimento sobre a saúde da mulher. Com isso, pretendem seguir as recomendações principalmente as doenças que parecem ser menos conhecidas. (Eugénio Becha).

HÁ LUZ: Para construção da tão esperada ponte sobre rio Nhamatanda

O Conselho Municipal da Vila de Nhamatanda deu o primeiro passo. A placa já indica que as obras já arrancaram para serem entregues no próximo ano. No local, até ao momento só tem uma carrada de pedra fina e outra de areia não suficientes para uma ponte a ser erguida de 30 metros de cumprimento e 8 metros de largura, segundo os dados preliminares.

Na época chuvosa, a Escola Secundária Geral de Nhamatanda fica parcialmente, sem aulas e o bairro Eduardo Mondlane isola-se dos restantes, incluindo serviços básicos.

São 13.143.144,42 meticais em jogo para a construção daquela ponte. Existe outra por se construir do outro lado do rio Nhamatanda dando acesso ao 5º bairro -25 de Junho (bairro de muitas pedreiras na vila) e à Escola Primária Mabote. São algumas promessas do edil de Nhamatanda, António Charumar João, por cumprir nesta sua reeleição.

Lembre-se que em 2023, das várias actividades previstas, estava a abertura de valas de drenagem; construção de casa de Cultura; construção de aquedutos nos bairros Josina Machel, Filipe Magaia e 3 de Fevereiro; demarcação de talhões nos bairros 25 de Junho, Eduardo Mondlane e Mateus Muthemba; manutenção de 12km de estradas terraplanadas da vila; construção de muro de vedação do Campo Municipal incluindo bancadas de sombra; e a construção da ponte sobre rio Nhamatanda de 30 metros de cumprimento e 8 metros de largura e fiscalização da obra. (Muamine Benjamim).

Nhamatanda: Frelimo exige município a paralisar obras “estranhas” do Parque Infantil

Parece que o “feitiço virou contra o próprio feiticeiro”. A própria bancada da Frelimo composta por 18 membros da Assembleia Municipal virou para o Município de Nhamatanda ao desconhecer os detalhes das obras de reabilitação da histórica tribuna ou Parque Infantil. O apontado como quem deve esclarecer é o Conselho Municipal de Nhamatanda.

A ser assim, a Frelimo prova mesmo que independentemente de apoiar o Município de Nhamatanda gerido pelo mesmo partido, não apoia “obscuridade”, pelo menos desta vez.

Durante a IV Sessão da Assembleia Municipal, que ainda decorre, na Vila Municipal, a bancada da Frelimo mostrou indignação da construção do muro e não sabe o que será feito dentro dele. De tribuna ou parque infantil deixará de ser.

Primeiro, foi um membro da Frelimo, Carlos Macamo a levantar para expor a dúvida sobre o decurso das obras e quem realmente está a reabilitar.

Tempo depois, a preocupação, na pessoa do chefe da bancada da Frelimo, Joaquim Zano Chiambiro.

Estas reacções criaram uma “confusão psicológica” entre “camaradas”. O chefe da bancada da Frelimo diz que não vai descansar sem esclarecimento das obras que decorrem no Parque Infantil, local das crianças, alias, mesmo adultos descansam ali.

O mais preocupante ainda, é que aquela tribuna consta no Plano Quinquenal do Governo com um orçamento a ser concretizado pela edilidade de Nhamatanda, mas hoje, quem constrói é um singular e sem conhecimento da Assembleia Municipal.

Entre membros da Assembleia se questionam quem realmente está construir e com que base legal.

Lembre-se que naquela tribuna, tomaram posse tantas figuras públicas. O caso mais recente foi com o actual administrador de Nhamatanda, Adamo Ossumane, a 16 de junho de 2021. Para as crianças, vão perder um espaço de lazer. E para os adultos hoje que antes ali brincaram, vão perder lembranças dos momentos da infância. E o distrito perderá um “histórico”.

A bancada da Frelimo exige ao Município de Nhamatanda a notificar o singular para paralisar imediatamente as obras de construção.

Para quem não sabe, o Parque Infantil que por vezes funciona como tribuna para eventos históricos está localizado no “coração” da Vila Municipal, 1º bairro, entre a Secretaria Distrital de Nhamatanda, Comando da Polícia da República de Moçambique em Nhamatanda, Gabinete do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) e Procuradoria Distrital, ao lado do Gabinete do Administrador de Nhamatanda.

O “Profundus” sabe que quem está a construir o muro é um influente na praça. São detalhes a constar no semanário Profundus. (Muamine Benjamim).

Manifestação: De pacíficas passaram para autênticas violações de Direitos Humanos

Em Moçambique, continuam as manifestações anunciadas pelo candidato a Presidente da República de Moçambique (PRM), Venâncio Mondlane, pela oposição partido PODEMOS, principalmente nas grandes cidades. Nas restantes regiões do País, o ambiente já não é aquele ou pelo menos há um receio, tanto que há circulação da Polícia mascarada não como antes.

Cumpre-se a palavra de Venâncio Mondlane: manifestação pacífica contra a fraude eleitoral, duplo homicídio e outros males que afectam a sociedade moçambicana.  Mais uma vez a Polícia, agora com o auxílio do Exército moçambicano e de outras forças que se acredita que sejam ruandesas, se destacou pelas piores razões.

Logo cedo, no primeiro dia da manifestação, um pouco por todo o país via-se um movimento desusado de agentes da Polícia, militares e tanques de guerra, cuja missão era impedir o exercício do direito à manifestação e violentar o povo, uma acção contrária à democracia e violadora dos direitos humanos, que nos remete para ditadura, o que se consolida com o facto de o Governo do dia ter ordenado o bloqueio da internet para as redes sociais, sobretudo o WhatsApp e o Facebook enquanto instrumentos de mobilização para as manifestações, mas também de denúncia e exposição das   atrocidades que a Polícia comete contra o povo.

No primeiro dia da manifestação, por conta da actuação sempre injustificada e desproporcional, uma pessoa foi assassinada no dia 31 de outubro, em Pebane, Zambézia. Um Advogado foi agredido e ameaçado de morte em Mecanhelas, província de Niassa. Através de denúncias e de informação recolhida pelos representantes do Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD) em todo o país, há 90 detidos, dos quais 43 em Murrupula, e 27 feridos.

A Polícia, no Distrito de Murrupula, em Nampula efectuou 43 detenções arbitrária nas residências das pessoas na noite da última sexta-feira, segundo dia da manifestação.

O presidente do Conselho Provincial da Ordem dos Advogados de Moçambique, Celso Mendonça, foi agredido pela PRM em Mecanhelas.

Em Mecanhelas, província de Niassa, a Polícia deteve ilegalmente seis pessoas quando se preparavam para uma marcha pacífica naquele ponto do país. Aliás, o advogado foi agredido quando trabalhava para assegurar a libertação dessas seis pessoas.

Em Pebane, os manifestantes, que circulavam pelos arredores da vila, escalaram o edifício do Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE) para protestar contra os resultados eleitorais, tendo a Polícia os impedido. Enfurecidos, invadiram a Sede Distrital da Frelimo. A Polícia respondeu lançando gás lacrimogéneo e fez disparos, o que resultou no baleamento de três pessoas, sendo que uma delas perdeu a vida a caminho do hospital.

No primeiro dia, Maputo, a capital do país, para além de ter acordado fantasma, não tinha internet e estava fortemente armada com militares e polícias, alguns transportados em tanques de guerra, no centro da cidade e nos bairros como Maxaquene, Xiquelene,  Polana Caniço, Ferroviário, Hulene, Laulane e Magoanine, cujo objectivo era de intimidar os manifestantes e violentá-los em caso de protestos. A missão incluiu a Polícia e o Exército, mas também há informações de que estavam e continuam na capital homens do exército ruandês.

Maxaquene, Xiquelene e Polana Caniço foram os bairros onde mais se notava a presença policial, no primeiro dia da manifestação. É que havia entre os chefes das Forças de Defesa e Segurança o entendimento de que jovens daqueles bairros pretendiam marchar até à Presidência da República. Devido ao bloqueio do exercício do direito à manifestação, os jovens ficaram nas suas residências usando uma técnica que foi muito famosa na segunda fase dos protestos: vencer a Polícia pelo cansaço. E dito e feito: quando, no fim do dia, a Polícia já estava cansada e convencida de que não haveria manifestações, os jovens começaram a sair à rua, facto que levou a confrontos até noite adentro. Até às 21h00 de 31 de outubro, circulavam informações de que a Polícia continuava a espalhar gás lacrimogéneo nas residências.

Em Tete, a Polícia prendeu um jovem e disparou balas verdadeiras na Cidade de Tete contra os manifestantes, tendo atingido um jovem moto-taxista de 19 anos, quando este se encontrava no seu posto de trabalho.

Em Nametil, na província de Nampula, a população foi até à sede do partido Frelimo e retirou o banner com a imagem de Daniel Chapo, como resposta ao impedimento do exercício do direito à manifestação.

Ainda no primeiro dia, em Nampula, a Polícia espalhou granadas de gás lacrimogéneo, tendo afectado a saúde de uma recém-nascida que se encontra neste momento hospitalizada. Ainda em Nampula, a Polícia atropelou e não prestou assistência a uma criança e deteve vários manifestantes.

Mais de 50 pessoas foram detidas logo no primeiro dia, no comando da PRM, em Marracuene, quando pretendiam entrar na cidade de Maputo. Neste momento não se conhece o paradeiro dessas pessoas.

Mais de 50 pessoas foram detidas, no primeiro dia da manifestação, no comando da PRM, em Marracuene, quando pretendiam entrar na cidade de Maputo. Neste momento não se conhece o paradeiro dessas pessoas. Os principais pontos de acesso à cidade de Maputo estão sob vigilância apertada, o que lembra os tempos das famosas “guias de marcha” dos tenebrosos tempos do partido único.

O número de mortos pode subir, tendo em conta que a Polícia está a invadir bairros, principalmente de Maputo e Nampula, numa verdadeira caça ao homem.

Lembre-se que as manifestações em curso que começaram no dia 21 de outubro fazem parte da terceira fase de protestos contra fraude, duplo homicídio e outros males que afectam a sociedade. A chamada terceira fase começou na última quinta-feira e vai terminar no dia 7 de Novembro. As manifestações foram convocadas pelo candidato presidencial Venâncio Mondlane que reclama vitória nas eleições de 9 de outubro. A repressão às manifestações e os bloqueios à internet mostram um regime que suspendeu os direitos humanos e a democracia e activou o modo ditadura. (CDD).

Há boas novas para Chemba

O distrito de Chemba vai beneficiar de uma viatura, material informático, furos de água e sementes. São novidades anunciadas pelo técnico do Ministério das Obras Públicas, Alcídio Cumbi, que chefiou a equipa do Programa de Desenvolvimento Integrado de Adaptação às Mudanças Climáticas (PIDACC), no distrito.

Na última terça-feira, a equipa do PIDACC estava no distrito de Chemba para uma reunião de indução de um dia aos técnicos do Serviço Distrital de Actividades Eco nómicas (SDAE) e de Serviço Distrital de Planeamento e Infra-estruturas (SDPI).

Na ocasião, Alcídio Cumbi disse que a viatura será alocada ao SDAE, enquanto o mate rial informático será para o SDPI, furos de água para as comunidades carentes e sementes aos produtores.

Alcídio Cumbi garantiu que existe um fundo para a capacitação dos técnicos e assistência aos produtores agrícolas.

O PIDACC é implementado em quatro províncias, nomeadamente, Zambézia, Tete, Ma nica e Sofala. Apesar de não garantir os dias específicos para a chegada deste apoio a Chemba, o distrito acolhe a informação com esperança numa al tura em que se fala de insegurança ali mentar, insuficiência de água potável, insuficiência de meios de transporte e de equipamento informático.

Já a secretária permanente, Maria do Céu Chamussora, em representação do administrador de Chemba, louvou a iniciativa para ajudar na redução dos impactos das mudanças climáticas que forte mente têm assolado o distrito.

Maria do Céu Chamussora garantiu que vai monitorar o apoio para o sucesso das actividades.

Refira-se que, desde finais de 2023, o distrito de Chemba tem sofrido de in segurança alimentar motivada pelo fenómeno El Niño. (Rosário Phoinde Ntepa – Chemba).

Um morto e 5 feridos pela PRM: Defensores de Direitos Humanos exigem “responsabilização urgente”

Imagens de vídeo captadas no sábado, 26 de outubro, no distrito de Mecanhelas, na província de Niassa, e postas a circular nas redes sociais, estão a chocar o mundo pela forma desproporcional, brutal e desumana como agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM) reprimem uma manifestação pacífica.

No vídeo, os agentes de diversas unidades da PRM aparecem a disparar balas verdadeiras e atirando gás lacrimogéneo contra uma caravana de membros e simpatizantes do par tido Povo Optimista para o Desenvolvimento de Moçambique (PODEMOS) que marchavam próximo à sede do Comité Distrital da Frelimo, local onde os membros do partido governamental celebravam os resultados das eleições fraudulentas anunciados na semana passada pela Comissão Nacional de Eleições (CNE). A actuação da Polícia resultou na morte de uma pessoa. Há um registo de, pelo menos, cinco feridos, todos membros do PODEMOS. Porque injustificada e ilegal, a actuação da Polícia deve ser alvo de uma investigação, célere e independente para que os agentes que agiram à margem da lei e violando os direitos humanos e fundamentais, nomeadamente o direito à vida, a integridade física e à manifestação possam ser acusados, julgados e condenados.

A marcha do PODEMOS acontecia no contexto da luta que esta formação política e o seu candidato presidencial, Venâncio Mondlane, travam para a reposição da verdade eleitoral. Mondlane e o PODEMOS reclamam vitória nas eleições de 9 de Outubro.

No vídeo, a Polícia aparece entre os membros dos dois partidos, que se encontravam com os ânimos exaltados, mas com as armas apontadas para a caravana do PODEMOS, ordenando que a mesma recuasse.

Porque a caravana do PODEMOS não recuava e os seus membros subiam o tom dos protestos, de repente, a Polícia abriu fogo contra os manifestan tes, perseguindo-os, enquanto disparava balas verdadeiras e jogando gás lacrimogéneo. A acção da Polícia culminou com a morte de uma pessoa e cinco feridos, entre graves e ligeiros.

A actuação da Polícia está a ser duplamente criticada, por um lado, pelo uso desproporcional de meios, e, por outro lado, pela forma parcial e desigual como a intervenção foi conduzida, protegendo a Frelimo. No que toca à desproporcionalidade de meios critica-se o recurso a armas de fogo para disparar contra pessoas indefesas a uma distância muito curta, o que levanta dúvidas de que o objectivo dessa intervenção era dispersar os manifestantes para evitar choque com os membros da Frelimo. Relativamente à falta de imparcialidade e ausência do dever de tratar a todos de forma igual, como manda a Constituição da República, apesar de os membros da Frelimo terem entoado cânticos com teor provocativo dirigidos aos membros do PODEMOS, não se viu a Polícia a, no mínimo, chamar atenção aos membros do partido no poder. Mais: enquanto a Polícia descarregava sobre a caravana do PODEMOS, os membros e simpatizantes da Frelimo punha-se a aplaudir a actuação.

 

Polícia e SISE condicionam trabalho dos jornalistas

Para além da violência policial, contra os membros do Podemos, o director do Serviço de Informação e Segurança do Estado (SISE) e o director do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) em Mecanhelas, recolheram material de trabalho dos jornalistas da Rádio e Televisão Amaramba, Rádio Esperança e TV Sucesso. Os jornalistas encontravam-se a registar a brutalidade policial que usava gás lacrimogéneo e balas verdadeiras para reprimir a manifestação dos membros e simpatizantes do PODEMOS. O evento deu-se por volta das 11h00.  O material só foi devolvido depois de duas horas pelos directores do SISE e do SERNIC com uma condição: destruir todo o material recolhido no local. Um vídeo do chefe da secreta a recolher o material de trabalho dos jornalistas está a ‘viralizar’.

O episódio de Mecanhelas deve-nos convocar a todos para uma reflexão mais profunda sobre a actuação das entidades públicas, particularmente a Polícia no que toca aos direitos humanos, sobre tudo em contexto de manifestações. Quer no caso dos membros do PODEMOS, quer no caso dos jornalistas, a actuação da Polícia foi injustificada, ilegal e violadora de direitos humanos, por isso, o Centro para a Democracia e Direitos Humanos (CDD), exige uma investigação célere e independente, para que os agentes que agiram à margem da lei e violando os direitos humanos e fundamentais, nomeadamente o direito à vida, à integridade física e à manifestação, bem como a liberdade de imprensa, possam ser acusados, julgados e condenados (CDD).

Jeremias Langa passa a presidir o MISA Regional

O presidente do MISA Moçambique é, desde esta segunda-feira, 9 de outubro de 2024, o novo presidente do Conselho Governativo do MISA Regional. Jeremias Langa assume o cargo cerca de sete meses depois de ter sido indicado, em março último, como membro e vice-presidente do Conselho Regional Governativo do Instituto de Comunicação Social da África Austral (MISA Regional).

O novo presidente do Conselho Governativo do MISA Regional substitui, no cargo, o zimbabwiano Golden Maunganidze, que acaba de terminar o seu mandato em frente do órgão. No novo cargo, Jeremias Langa será coadjuvado por Golden Matonga (presidente do MISA Malawi), como vice-presidente, e pela tanzaniana Salame Kitomari (do MISA Tanzânia), como tesoureira.

 

“É um sentimento de gratidão”

Para Jeremias Langa, o acto representa um sentimento de gratidão porque significa que “os nossos parceiros, na região, reconhecem o trabalho que estamos a fazer, em Moçambique, em prol das Liberdades de Expressão e de Imprensa”. Para Langa, esta é, também, uma grande honra para o próprio país, Moçambique, pois “é a primeira vez que assumimos tão importante cargo”.

Sobre o trabalho pela frente, o novo presidente do Conselho Governativo do MISA Regional aponta, como uma das principais prioridades, a instalação e consolidação da organização em todos os países da região como plataforma de advocacia em torno das liberdades. E dá um dos exemplos mais actuais. “Estamos em fase final da reinstalação do MISA Angola, trabalho que tem sido liderado pelo MISA Moçambique”, refere Langa, acrescentando que “queremos que o MISA volte a ter a pujança que o caracterizou aquando da sua fundação”.

Sobre o que se esperar do MISA Regional num contexto de contínuas violações contra a Liberdade de Imprensa e de Expressão, como o exemplo recente de Moçambique, Jeremias Langa aponta o diálogo como uma das saídas. “Infelizmente, o nosso trabalho está a jusante dos processos democráticos. Quanto mais se deteriora o ambiente político e democrático, mais são afectados os direitos dos cidadãos. Mas não vamos desistir, vamos continuar a fazer o nosso trabalho de advocacia. A nossa base de trabalho assenta no diálogo permanente com as instituições: Governo, Assembleia da República, Provedor da Justiça, entre outros stakeholders importantes para a materialização dos direitos fundamentais”, afirma. (MISA).

“Eu Sou Capaz” entrega 315 bicicletas para raparigas em Cheringoma

Um total de 315 raparigas já usa as bicicletas entregues pelo Programa “Eu Sou Capaz”, no distrito de Cheringoma, em Sofala. Com esta entrega, a intenção do Governo, através da Secretaria do Estado Juventude e Emprego é de reter as raparigas nas escolas, evitar uniões prematuras e gravidezes indesejadas.

As 315 raparigas ao igual número de bicicletas entregues fazem parte de sete escolas em Cheringoma, nomeadamente, Secundária Geral de Inhaminga, Básicas da Ceta, Paulo Samuel Kankhoma, 16 de Junho de Nhaudengua, Santa Fé, Malongue e Maciamboza.

Falando na entrega das bicicletas, a directora do Serviço Distrital de Educação, Juventude e Tecnologia (SDEJT) de Cheringoma, Julieta Domingos, em representação da administradora de Cheringoma, referiu o Programa “Eu Sou Capaz” no apoio às raparigas, principalmente naquelas zonas onde as vias de acesso ainda constituem desafios.

Directora do SDEJT de Cheringoma, Julieta Domingos, na entrega simbólica de bicicletas

 

Na ocasião, Julieta Domingos apontou os esforços na manutenção da paz, combate ao terrorismo, busca de parcerias para o desenvolvimento de Moçambique e iniciativas para a criação de emprego para jovens.

A bicicleta “facilitará o cumprimento da nossa pontualidade e assiduidade na escola”, disseram as raparigas em mensagem após receberem os meios circulantes.

“Vamos cuidar bem dos meios de transporte de modo que nos venha servir por um longo período”, garantiram as meninas.

As bicicletas foram entregues na última segunda-feira, no recinto da Escola Secundária Geral de Inhaminga. (Lucas Singale – Cheringoma).