Paixão e ciúmes deixam professora à Beira da morte

Um convívio ocasional foi o pretexto para juntar amigos e conhecidos próximos que, em privado, se iam deleitando com comes e bebes além de música seleccionada a gosto e dança que ia proporcionando momentos de intimidade em público.

Poucos dos que presenciavam aquela realidade poderiam imaginar que um ambiente assim alegre, poderia ser o prenúncio de uma desgraça dias depois.

Uma Professora do Ensino Secundário era uma das peças-chave e ia animando o convívio ainda que fosse apenas com a sua presença. Pois, diga-se, não é de passar despercebida.

Dizem-me, os pássaros, que esta professora se fizera acompanhar pelo seu namorado moto-taxista, até ao local da festa.

No calor do convívio e com os cérebros já meio turvados pelo álcool e pela libido, o namorado moto-taxista foi se vendo secundarizado, em detrimento de uma outra presença que, até era de uma individualidade local que se encostava mais tempo à professora e não deixava espaço ao verdadeiro titular. Este foi se remoendo de nervosismo e complexo de inferioridade, tanto mais que o novo titular fazia questão de “esfregar na cara” que aquele era pouco relevante e que estava a mais naquele ambiente.

Terminado o convívio, durante todo o dia seguinte o “golpeado” foi maquinando e tecendo  formas de vingança cruel. Entendeu que a vingança devia ser descarregada sobre a namorada que não fora fiel o suficiente e havia permitido que ele fosse vilipendiado naquela noite.

Madrugada do segundo dia, por sinal 21 de Novembro quando a professora se dirigia à sua machamba que dista pouco mais de 10 km da sede da vila, o moto-taxista já se havia adiantado, de mota, com um comparsa e ficou escondido algures à espera de sua vítima. Esta, longe de imaginar, foi caminhando igual a todos os outros dias, rumo ao campo donde espera tirar algo para aliviar o cinto. Chegada ao local da emboscada, o encolerizado “corno” fez-se à professora e foi desferindo golpe atrás de golpe, ao que parece com a clara intenção de exterminar a traidora.

Valeu a providência divina, que colocou ocasionalmente um homem que, ao ouvir os gritos de socorro, correu solícito imaginando ser sua esposa, com a qual saíra de casa e de quem se havia, momentaneamente, separado para ir deixar algo numa casa, a meio do trajecto.    Ao chegar ao local, deparou com a Senhora professora agonizando. Mas uma observação mais cautelosa permitiu notar que apesar dos duros e profundos golpes: braço esquerdo com duas fracturas, três dedos da mão direita decepados, vários lanhos na nuca; a Senhora professora ainda estava viva.

Notou que fazia um esforço para dizer algo. Inclinou-se para poder ouvir e da boca da Senhora professora saíu a frase sacramental:

Se eu morrer, quem me fez isto foi o (e revelou o nome do namorado moto-taxista). Felizmente não morreu. Sobreviveu à transferência para o Hospital Central da Beira onde encontrou uma equipe motivada que a atendeu com a celeridade e atenção necessárias, sendo que encontra-se neste momento em franca recuperação.

Se bem que o amor seja cego e que cada um seja livre de escolher a quem quiser por namorado, marido ou amante, manda o senso comum que antes se deve avaliar com antecedência a/o cara a quem nos queiramos entregar. Sob risco de nos reduzirmos a simples mendigos de carinho ou sexo e virar joguetes nas mãos de quem satisfaz nosso apetite, por vezes selvagem.

Não são poucos os casos, em Inhaminga, de lares que se desfazem e em seu lugar nascem outros, cujos cônjuges ficam na boca do povo por parecerem uniões no mínimo exóticas. Pois neste mundo em que aparentemente não há uniões desinteressadas, ou apenas por amor, causa estranheza quando uma funcionária leva à sua mesa, cama e tecto um cidadão de cujos proventos ainda não se ouviu falar. Portanto o sustenta em todos os sentidos e ainda tem que aguentar desaforos e agressões constantes, muitas vezes.

Pode não ser matéria para análise pelas Organizações que proliferam no País e que se dizem defensoras dos direitos das mulheres, mas alguém precisa de despertar auto-estima em algumas funcionárias cá do sítio. É que algumas envergonham as Classes a que pertencem.

Dizem-me ainda os pássaros que depois de consumado o crime o seu autor tratou de desaparecer da circulação. Afirma-se que o comparsa foi localizado, mas do verdadeiro autor ainda não há relatos de neutralização.

Enfim, coisas de Inhaminga.

Crónica do planalto de Cheringoma. (Ricardo Mapoissa).

Nhamatanda: Há “mudanças significativas” no conflito fauna-bravia

Há mudanças significativas no conflito fauna-bravia, principalmente, nas Zonas de Desenvolvimento Sustentável do Parque Nacional da Gorongosa (PNG). A avaliação é do Comité de Gestão de Recursos Naturais de Bebedo, interior de Nhamatanda, limítrofe daquela estância turística.

“De 2022 à esta parte, a situação está a mudar. Nesses dias, a situação [fauna bravia] está normal, em relação aos dias passados. Ataques de crocodilos [no rio Púngue] eram constantes, pessoas morriam de qualquer maneira por elefantes”, descreve o presidente do Comité de Gestão de Recursos Naturais de Bebedo, Alberto Zacarias.

“As pessoas também não produziam [como hoje]. Era difícil ver uma planta de mapira”, avaliou o presidente de Comité de Gestão de Recursos Naturais de Bebedo, Zacarias, apontando um caminho por onde passavam elefantes da Gorongosa para campos de produção próximos de residências.

“Por exemplo este ano, os elefantes entraram tarde, [depois do milho secar]. Não gostam muito de milho, maçaroca sim, por isso, não houve destruição significante”.

Os Comités de Gestão de Recursos Naturais estão nos seis distritos pelas respectivas localidades da Zona de Desenvolvimento Sustentável do Parque Nacional da Gorongosa. A luta é continuar “a sensibilizar”.

Os Comités de Gestão de Recursos Naturais são treinados pela Gorongosa para como, quando, onde e por que alertar às comunidades sobre a conservação ambiental. (Muamine Benjamim).

Há furtos assustadores até de plásticos no terminal de Zimpeto

O terminal rodoviário do Zimpeto é um dos pontos que movimentam um grande número de passageiros. Além de estabelecer a ligação com o centro da cidade de Maputo, é dali onde partem carros dos bairros de expansão, sobretudo do município de Maputo e do distrito de Marracuene.

Um dos problemas que originam aglomerações naquele terminal é a insuficiência de transporte para responder à enorme procura que se agrava particularmente na hora em que convergem no mesmo local estudantes e trabalhadores oriundos de vários pontos da cidade capital, Marracuene e de Matola. Com este cenário, há ocorrência frequente de furtos.

Uma visita ao local no início e final do dia atesta a realidade diária. É comum ver uma moldura humana composta, sobretudo, por trabalhadores entre públicos e privados e estudantes. Todos encarram desafios de procura desses meios. É nesta aglomeração onde os passageiros e os fingidos perdem os seus haveres.

O que acontece é que se regista uma “luta” frenética sempre que se aproxima um autocarro. É neste tempo em que os meliantes se aproveitam para surripiar.

Perante esta situação, o “Profundus” além de registar o ambiente, ouviu algumas pessoas naquela estação rodoviária.

Para Dona Berta, a situação é constrangedora, acaba provocando prejuízos avultados aos que recorrerem aos transportes dali.

“Todo mundo quando chega neste local acho eu, que quer usar estes meios para se deslocar aos seus postos de trabalho e voltar com seus pertences. Mas nem todos têm o mesmo objectivo, existem aqueles que estão aqui só para nos roubar”, disse Dona Berta.

Não são apenas telemóveis que são furtados, mercadorias, também. “Na semana passada fui roubada três plásticos com produtos. Isso aconteceu quando vinha pegar chapa depois de ter saído das compras no grossita” disse lamentando, “acredita, o desaparecimento dos produtos foi instantâneo e nunca mais recuperei”.

Aercio Matola, estudante da Universidade São Tomás de Moçambique (USTM), lamenta o facto de alguns indivíduos se fazerem ao local para retirar e apoderarem-se dos bens de passageiros que conseguiram por muito esforço.

“Nós como estudantes que dependemos muito de telemóveis para estudar e realizar trabalhos escolares, temos que manter de uma forma extrema a segurança dos nossos pertencentes antes mesmo de entrar no recinto, porque há aqueles que começam a te seguir logo na entrada” é um dos conselhos de Aercio Matola.

Segundo os entrevistados, para combater este acto deve haver mais actuação dos fiscais assim como dos próprios utentes no controlo e segurança dos seus bens.

O “Profundus” tentou sem sucesso ouvir o posicionamento da Polícia Municipal naquele local. Até esta redacção, uma semana depois não reagiu, preferindo rodeios. (Alfredo Armando).

 

Autarquia de Quelimane com nova “máquina” de gestão

Manuel De Araújo, confirmada a vitória nas eleições de 11 de outubro pelas quais foi reeleito como edil de Quelimane, no uso das suas competências segundo a alínea K, do n˚2 do artigo 62 da Lei 6/2018 de 3 de Agosto, republicada pela Lei 13/2018, de 17 de Dezembro, determinou por despachos da última quarta-feira de novembro passado (29.11), a cessação de alguns vereadores e nomeação de outros na autarquia.

Trata-se de Edson Marcos Bomes, da Vereação de Saneamento, Água e Energia; José Pedro Macuva, da Vereação de Transportes, Fiscalização e Gestão da Frota Municipal; Clecia Ofelta da Caridade, da Vereação de Administração e Finanças; e Salamo Domingos Assulai, da Vereação de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas. Cessantes.

Sai José António Meneses, Chefe da Inspecção Municipal, entra Ana Maria Fijamo; Plácido Sabonete, como vereador de Infra-estruturas e Habitação, no lugar de Francisco Balaunde Macatange; e Renato Maria da Silva é tirado da Vereação de Planificação e Desenvolvimento Autárquico para o cargo de Vereador de Saúde, Criança, Género e Acção Social, no lugar de Lídia Nazaré Nicasse.

Maria Moreno para o cargo de vereadora de Planificação e Desenvolvimento Autárquico; Kiara Suze Inácio Sozinho, como Chefe do Gabinete Jurídico; Abel Vicente Sana Sana, para vereação das Actividades Económicas; e Joel Amaral (famoso Tru-fafa) para Vereação de Educação e Cultura, no lugar de Inês Evaristo Uachave.

Saiba que Joel Amaral, popularmente MC da Renamo, além de ocupar vários cargos antes do actual, foi graduado na Áustria em Gestão e Turismo, e Economia e Gestão em Moçambique. (Profundus).

CONTRA HIV/SIDA: “Deixem as Comunidades Liderarem” – desafia Embaixador dos EUA

O Embaixador dos Estados Unidos da América (EUA) em Moçambique, Peter Vrooman, desafiou hoje Dia Mundial do HIV/SIDA, 01 de Dezembro, contra doença, sob lema “Deixem as Comunidades Liderarem”.

Segundo Peter Vrooman, os líderes comunitários e a sociedade civil são as pessoas que estão na linha da frente da luta contra o HIV/SIDA.

“Um em cada cinco moçambicanos vive com o HIV, a maioria dos quais são mulheres jovens. São raparigas como a Sónia, uma rapariga que conheci recentemente. Sónia vive com a mãe e a avó nos arredores da cidade de Maputo. Enquanto a mãe vai trabalhar, ela ajuda a avó na machamba e na banca, vendendo tomate e cebola. À tarde, ela frequenta a escola. Sónia está na quinta classe e quer ser empresária quando crescer. Sónia é uma das quase 250 mil crianças que vivem com HIV em Moçambique. Quando ela ficou muito doente aos 4 anos de idade, testou positivo para o HIV. Agora, ela está a prosperar graças ao apoio da sua família e aos assistentes sociais que ajudam a garantir que ela tome os remédios e vá à escola todos os dias. Mas ela faz parte de um grupo muito grande. Há muitas Sónias em Moçambique”, disse Vrooman, no discurso da ocasião.

Os EUA investem 400 milhões de dólares todos os anos em programas de HIV/SIDA para “ajudar os profissionais de saúde, os funcionários públicos, a sociedade civil e outros a fornecer testes e tratamento ao maior número possível de pessoas, ao maior número possível de Sónias”.

Continuamos a apoiar soluções locais para problemas locais. Tenho o prazer de partilhar que todos os novos projectos do PEPFAR este ano foram atribuídos a organizações moçambicanas.

No próximo ano, o PEPFAR comemora 20 anos de progresso e parceria em Moçambique. Essa parceria resultou em mais de dois milhões de moçambicanos que são seropositivos e a viverem vidas plenas porque fizeram o teste, iniciaram e permaneceram em tratamento. Todos os moçambicanos com teste positivo para o HIV podem iniciar imediatamente o tratamento, gratuitamente. Isso é algo para comemorar.

Na luta contra o HIV/SIDA, Vrooman destacou o papel fundamental da sociedade civil, dos parceiros locais e dos indivíduos que trabalham nas comunidades de todo o país. Uma sociedade civil vibrante melhora a saúde pública, fortalece as democracias e defende os direitos humanos para todos – independentemente do género, do local de nascimento, da profissão, de quem amam”.

As comunidades são essenciais para abordar a chave para acabar com a epidemia da SIDA: a prevenção. Diz o ditado que não adianta limpar o chão se a torneira continua a jorrar. Como é que se faz a prevenção? Como é que fechamos a torneira? Questiona-se Vrooman. Em resposta, “mais pessoas devem fazer o teste e usar preservativo; devemos combater o estigma que impede as pessoas de procurar cuidados médicos; e aqueles que testarem positivo devem fazer e permanecer em tratamento, para não transmitirem o vírus a outras pessoas.

Vrooman “encoraja o governo a preparar-se para investir em serviços de tratamento do HIV e em medicamentos assim que for criado um fundo soberano”, depois que o executivo moçambicano lançou uma iniciativa de testes domiciliares gratuitos.

“Recordemos as muitas Sónias espalhadas por Moçambique. As raparigas que lutam contra uma doença, mas ainda sonham alto. Juntos devemos apoiar as comunidades que lideram esta luta contra o HIV nas cidades, vilas e aldeias deste belo país. Juntos somos mais fortes”, termina Vrooman no comunicado recebido pela Redacção do “Profundus”. (EUA/Profundus).

De alfaiate, ganha-se a vida

O alfaiate é um dos mais antigos no mundo da profissão. É aquele que com a sua mestria, oferece opções de tecido e realiza o meticuloso trabalho de corte e costura de vestuário. À semelhança das outras, este trabalho exige foco, vontade, determinação e saber fazer, por isso, há muitos, homens e mulheres por ou sem opção vivem disso.

Historicamente, o trabalho de alfaiate tornou-se mais desafiador pela falência da indústria têxtil local, obrigando importação em grande escala de roupa usada (famosa segunda mão), vindo de vários países, cuja economia de escala faz com que o vestuário chegue aos mercados a preços consideravelmente baixos.

O “Profundus”, em conversa com alguns pais, mães, filhos e jovens, exercendo a profissão, sentados, o dinheiro, vem conforme a mão-de-obra. É uma actividade que se espera ser realizada de forma honesta.

Adélia Jacinto, Titos Roque, Horácio Mazive, Agostinho Guambe e Castanheiro Mondlane fazem parte do universo de alfaiates que ganham a vida na cidade de Maputo, capital moçambicana. E estão atentos à moda e ao clássico, nunca desistem, apesar dos “espinhos”.

Titos Roque é natural da província da Zambézia, centro do país. É residente da cidade de Maputo, há 24 anos, graças ao início aos 10 anos de idade, da actividade de alfaiate.

“Aprendi com o meu pai. Em tenra idade, já conseguia mexer na máquina. Com o passar do tempo, passei a atender os clientes”, conta Titos Roque.

Como de quem tem arte nas mãos e apoio, Titos Roque ganhou do seu pai, uma máquina de costura em 2013. De lá a esta parte, já com casa própria, sustenta os seus quatros filhos, dos quais, um cursa Medicina, e os restantes, ensino básico. Vinha exercendo a profissão antes de material próprio.

“Todo trabalho requer paciência, porque onde há cliente, sempre há dificuldade”. É a dica de Roque, com 20 anos de experiência.

Horácio Mazive é um dos poucos jovens de 24 anos de idade, que gosta da profissão. “Aprecio muito esta actividade, desde criança. Com os meus 20 anos, entrei na formação de costura”.

Horácio Mazive não passa fome. “Com o pouco que ganho, consigo manter a base de sustentabilidade, assim como suprir as minhas necessidades pessoais”, explicou.

É um dos jovens que procura sobreviver por meios socialmente aceitáveis.

Castanheiro Mondlane, de 32 anos de idade, de Chibuto, agora em Maputo, viu-se frustrado com o sonho de ser agente da Policia da República de Moçambique (PRM), mas, na alfaiataria, há sucesso.

“Desde criança, tive o sonho de ser polícia, mas, infelizmente, não se concretizou. Deixei de estudar porque a minha família não tinha condições para eu continuar. Saí de Chibuto para Maputo [capital do país] à procura de alternativas, e quando cheguei, tive o privilégio de aprender a costurar. Hoje tenho o meu próprio equipamento, quatro filhos e casa própria”, frisou Mondlane.

 

Mulheres, também?

Quem pensa que a actividade de alfaiate é apenas para homens, está enganado.

Adélia Jacinto é uma jovem de 31 anos de idade. Residente no distrito de Marracuane, trocou de cabeleireira para alfaiata no mercado de Zimpeto.

Numa conversa descontraída, Adélia Jacinto contou que sem sonho de ser alfaiata, teve que “abraçar [há 8 anos] esta actividade, em homenagem” a sua irmã que acabou perdendo a vida.

Certos clientes duvidam das habilidades de Adélia Jacinto. “Alguns homens quando chegam, perguntam, se posso fazer conforme querem. Mesmo constrangida com a pergunta, eu digo que vou fazer muito bem ”. Descreve o ambiente diário na condição de mulher.

Além de ajudar a construir sua residência, neste momento, a jovem está a erguer a própria alfaiataria.

 

Acessibilidade de clientela

Agostinho Guambe representa outros. “Estamos a ser retirados pelo município [de Maputo]. Alegam que estamos no passeio e quase na estrada, mas não sabemos para onde ir, porque temos de estar perto das lojas que vendem vestuário para facilitar o contacto com os clientes que precisam dos nossos serviços”.

“Mesmo que o município nos retire, não desisto”, reitera o homem que há 15 anos exerce ali”.

Em dias de feriados, principalmente, de mulheres, os alfaiates facturam mais pela concorrência de serviços de bom caimento no corpo, essencial para proporcionar conforto e elegância. (Alfredo Armando).

De volta à realidade sem ponte sobre rio Metuchira

Rio Metuchira

A construção da ponte sobre rio Metuchira traz uma esperança à população local, principalmente aquela que recorre aos campos de produção agrícola e serviços sociais nas margens divididas. Depois de vários falhanços, chegou a vez de se concretizar, no interior do distrito de Nhamatanda, na província de Sofala.

As mesmas chuvas da quarta-feira até manhã de ontem quinta-feira, removeram o montão de areia que servia de travessia no rio Metuchira. E na localidade de Bebedo houve quatro mortes incluindo uma menor de 5 anos de idade por descargas atmosféricas.

Na tarde de ontem quinta-feira, cada travessia sobre o rio Metuchira custava 10 meticais por canoa.

A ponte metálica em construção sobre o rio Metuchira em Nhamatanda, iniciou em maio de 2023 e o lançamento da primeira pedra foi feito no dia 4 de novembro do ano. Até maio de 2024, deverá estar pronta.

Já existem alguns pilares que vão assegurar o material metálico. Para alguns, é “apreciável”, até preferem parar de perto para ver a construção das obras.

A ponte vai ligar a Estrada Na­cional Número Um (EN1) e Estrada Nacional Número Seis (EN6) atalho passando de Metuchira, além de dar acesso às comunidades de Metuchira, de Bebedo, de Nhampoca, da vila sede do distrito de Nhamatanda, da cidade da Beira (maior mercado da província) e ao vizinho Parque Nacional da Gorongosa.

Nhamatanda abastece em 60 por cento de hortícolas à capital de Sofala, Beira. Uma parte significativa dessa percentagem passa sobre o rio Metuchira.

A ponte fará a ligação das duas margens de Metuchira. Na margem norte, localiza-se a EPC Metuchira e o Centro de Saúde, e na margem sul, localiza-se a Escola Secundária de Metuchira, beneficiando um total de 104.135 pessoas.

Em Moçambique, muitas obras iniciam, mas não terminam conforme o tempo previsto por vários motivos muitas das vezes não esclarecidos. Independentemente do tempo, as chuvas já provaram a necessidade de urgência da infra-estrutura em Metuchira.

Lembre-se que em 2019, o ciclone Idai destruiu o conjunto de madeiras a modo “simples tapete”, mas ainda tinha restos para travessia condicional. Já em janeiro de 2021, a fúria do ciclone Chalane removeu todas tábuas. Era obra da “Lumaco” entidade não-governamental. Entretanto, há esperança com 1.235.838,43 dólares (cerca de 79.093.632 meticais) a serem aplicados na construção da ponte metálica, um financiamento do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD, sigla inglesa), no contexto de reconstrução pós-ciclones. (Muamine Benjamim).

Descargas atmosféricas matam 4 pessoas em Nhamatanda

 

As descargas atmosféricas pelas chuvas de ontem para manhã de hoje quinta-feira, no 4˚ e 8˚ bairros da localidade de Bebedo no distrito de Nhamatanda, em Sofala, provocaram quatro mortes, segundo o chefe da Secretaria da localidade de Bebedo, Emanuel Bitone.

Trata-se de uma mãe de 24 anos de idade e sua filha de 5 anos de idade, que segundo as autoridades locais contactadas pelo “Profundus”, foram “queimadas” incluindo a residência com material precário, por descarga atmosférica, às 23 horas de ontem.

As vítimas foram encontradas com intestinos fora, no 4˚ bairro, famosa zona do Vinho.

O segundo caso é também de duas vítimas na zona do 8˚ bairro, em Bebedo, da mesma família, envolvendo uma maior de 19 anos de idade e um adolescente de 15 anos de idade.

As três vítimas já foram enterradas na manhã de hoje, restando apenas a jovem de 19 anos de idade – esta que é de Quelimane e neste momento o corpo pode estar a ser transladado para a cidade da Beira, capital provincial, onde os pais residem. (Muamine Benjamim).

 

Renamo leva “pilares” das Eleições Municipais à justiça

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A Renamo, eterno rival da Frelimo submeteu ontem segunda-feira, através do seu cabeça-de-lista Venâncio Mondlane, uma queixa-crime contra o Comandante-Geral da Polícia da República de Moçambique (PRM), Bernardino Rafael e para a TVM. E vai fazer também para os directores distritais do STAE, os presidentes das Comissões Distritais de Eleições, a Comissão Provincial de Eleições e o Conselho Constitucional.

Entre as acusações contra Bernardino, constam do documento apresentado ao Ministério Público o uso excessivo da força durante todo o processo eleitoral e a violação dos direitos humanos. Com isso, exige responsabilização.

“Nós viemos submeter uma queixa-crime contra o Comandante-Geral da Polícia, Bernardino Rafael, por todos os atropelos à lei, a violação dos direitos humanos, o uso excessivo da força, e desproporcional, durante a campanha, no dia da votação e após o processo na Cidade de Maputo, na Matola, em Quelimane, Angoche, Nacala-Porto e Chiúre, que até envolveu o uso de balas verdadeiras que resultaram em morte. Todos esses aspectos constam na queixa-crime e queremos a responsabilização”, disse Venâncio Mondlane, acrescentado que, “iremos submeter uma participação criminosa contra os colégios que utilizaram actas e editais falsos para enviar ao Conselho Constitucional, uma queixa-crime contra todos os directores distritais do STAE, os presidentes das Comissões Distritais de Eleições, a Comissão Provincial de Eleições na Cidade de Maputo e, finalmente, contra os juízes conselheiros do CC”.

Venâncio Mondlane descredibiliza os resultados divulgados pelo Conselho Constitucional (CC), por isso, vai recorrer para a anulação do acórdão.

“O acórdão emitido pelo CC tem muitas omissões e imperfeições, além de ilegalidades, mas, numa primeira fase, nós pedimos que o órgão clarifique algumas questões”.

E ainda ontem, Mondlane submeteu queixa-crime contra director da informação, chefe da redacção, editores e jornalistas envolvidos.

“Sucede que, porem, que depois da votação, enquanto ainda se aguardava o aguardava o anúncio e divulgação dos resultados pelos órgãos competentes, a TVM, para a surpresa de outros órgãos de comunicação social, e do partido Renamo, começou a noticiar resultados eleitorais de várias autarquias do país”, escreve a Renamo. E no mesmo dia 12 de outubro, “nas várias conferências e imprensa dadas pelo STAE e CNE foi questionada sobre os resultados que a TVM publicava ao público se eram resultados do apuramento intermediário ou parcial, ao que foi prontamente desmentido, pois os órgãos competentes estavam ainda a processar os dados, e nem sequer a CNE, naquela data, teria recebido qualquer resultado de apuramento parcial ou intermediário”.

Venâncio Mondlane garantiu que vai continuar a marchar contra os resultados das eleições de 11 de outubro, até que a justiça eleitoral seja reposta.

Lembre-se que na última sexta-feira, o CC apresentou resultados dando vitória a Renamo em quatro autarquias, MDM com um município e a Frelimo com as restantes 60. (Profundus).

Gorongosa e parceiros levam activismo a mulheres na Zona Tampão

O Parque Nacional da Gorongosa (PNG) leva a cabo diversas actividades no âmbito da campanha de 16 dias de activismo pela eliminação da violência contra mulher e rapariga no distrito de Cheringoma, na localidade de Mazamba, província de Sofala.

O evento teve o seu lançamento no dia 25 de novembro, na localidade de Mazamba. A data leva a uma reflexão sobre as várias formas de discriminação e violência contras as mulheres no mundo.

Sob lema “UNA-SE! Investir para Prevenir a Violência contra Mulher e Rapariga”, a Oficial de Género no PNG, Helena Chicava fala de desafios diários da mulher. “Pela conjuntura social e cultural das comunidades, muita das vezes entende-se que a mulher tem um papel que está abaixo do homem, em que ela é o lado fraco, dependente e submisso”.

Desenvolver activismo baseado no género é falar de uma luta que o PNG “está a encarar para que todas as mulheres e raparigas das comunidades na zona tampão saibam e gozem os seus direitos e tenham consciência da necessidade de combater a violência”.

Segundo Chicava, o Parque pretende que as mulheres na Zona Tampão “consigam trabalhar em prol da eliminação de todas as formas de violência. Por isso, todas as actividades que estão a ser desenvolvidas pelo PNG contemplam os aspectos do género”.

Em 16 dias de activismo, a Gorongosa vai promover debates nas rádios, teatros, workshops, palestras e oficinas de género com o objectivo de consciencializar as comunidades sobre este mal. “Estamos a trabalhar, principalmente, com as raparigas e rapazes, mulheres e homens para saberem que não pode se atropelar os direitos da mulher”, disse a representante do PNG.

Na ocasião, Helena Chicava apelou ao governo para que continue a colaborar com a PNG  e com todas as mulheres de Cheringoma , em particular em Mazamba, local onde acolheu o lançamento da campanha de activismo. “Se nós nos juntarmos conseguiremos combater a violência baseada no género”, reiterou.

Dorca Papasseco, em representação da administradora, revelou que os desafios do distrito estão relacionados a “violência doméstica principalmente na parte da rapariga, muitas crianças sofrem de violação sexual – neste momento, temos nove casos, totalizando 88 com os de violência física e um de violação psicológica”.

O evento de lançamento de 16 dias de activismo contou com a participação de membros do governo do distrito e a população de Mazamba. Das actividades do dia, destacam-se a marcha, actuação de grupo cultural, apresentação de peças teatrais, uma das quais retratou o comportamento errado de professores nas escolas.

Há casos em que professores também são protagonistas desses crimes, por isso, o Clube de Raparigas fez a peça teatral focando-se em mensagens contra a violência psicológica e física praticada pelos professores nas escolas.

O Projecto PEACE no PNG é financiado pelo Governo do Canadá e implementado pelo Parque Nacional da Gorongosa. (Luísa Franque-Mazamba).

Jornal Profundus

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