A Selecção Nacional de Futebol, os Mambas vai medir forças do pé, hoje sexta-feira, contra a Somália, a partir das 15 horas, no Estádio Nacional do Zimpeto, na capital moçambicana, Maputo. O jogo é referente à III Jornada do Grupo G, das eliminatórias do Mundial de 2026 – uma competição a realizar-se no Canadá, Estados Unidos e México.
Falando ontem, quinta-feira, para imprensa, o seleccionador nacional, Chiquinho Conde, garantiu que os seus rapazes vão encarar o jogo com muita responsabilidade e não fugirá daquilo que foi preparado para defrontar a Somália.
“A partida com a Somália, não será nada fácil. Mas acreditamos na vitória, porque trabalhamos para isso. Já traçamos três esquemas ofensivos e defensivos para vencer o nosso adversário. Um desses esquemas usamos para empatar com o Egipto e Gana aquando da nossa participação ao CAN-2023 no Costa do Marfim”, explicou Conde.
“É meu sonho levar a selecção a qualificar-se e carimbar o nome no Mundial FIFA 2026”, frisou Conde.
Já o capitão da Selecção nacional, Elias Gaspar Pelembe, carinhosamente chamado de Dominguez, acredita que a sua equipa irá vencer o jogo contra a Somália. “Vamos entrar com tudo ao campo e fazer o nosso máximo para conseguirmos a vitória”.
Após o jogo de hoje no Estádio do Zimpeto, no dia 10 de junho, os Mambas vão medir forças com o Guiné Conacri, em Marrocos.
Lembre-se que em janeiro deste ano, os Mambas, no campeonato Africano das Nações (CAN -2023) na Costa do Marfim, saíram com dois empates e uma derrota, insuficientes para continuar na prova. (Alfredo Armando – Maputo/ Profundus PDF).
No Município de Nhamatanda, apenas um por cento de munícipes tem informação sobre Plano e Orçamento Municipal. São dados que constam no recente estudo de Barómetro de Governação Municipal pelo Instituto de Estudo Sociais e Económicos (IESE).
Em duas semanas, julho e agosto de 2023, o estudo envolveu 640 munícipes subdivididos em ambos géneros, entre os quais responsáveis municipais, assembleia municipal, órgãos de Comunicação Social e discussão com moto-taxistas.
Das várias conclusões, o Barómetro de Governação Municipal apresenta que, apenas 2% (2020) contra 1% (2023) dos munícipes inqueridos tinha informação sobre as receitas municipais, portanto, um recuo. Entretanto, sobre a forma como os fundos municipais são gastos, “89%” consideram “difícil” ou “muito difícil” obter informação pública. Igualmente, quase a totalidade dos munícipes de Nhamatanda “99%” disse não ter conhecimento sobre o Plano e Orçamento Municipal (PESOM). Revelam os dados de 2023.
Um dado aproveitável para o Município de Nhamatanda é de que dos 640 participantes da pesquisa, 467 conhecem a existência de impostos e taxas municipais, e avaliam que os serviços públicos são insuficientes, mas também, estão dispostos a pagar para melhorias. Para tal, a edilidade deve fortificar a comunicação.
A comunicação não está a falhar apenas na autarquia, apesar do esforço de melhoria do edil, há falha também na Assembleia Municipal.
A frequência de disponibilização de informação sobre os serviços do Conselho Municipal é muito limitada, chega a 56 por cento.
Os munícipes (64%) avaliam positivamente os esforços do Conselho Municipal na disponibilização de informação sobre as actividades. Apesar disso, apenas 21,1% dos munícipes consideram “muito informado” sobre a acção do edil e muito menos em relação a Assembleia Municipal (8,6%). Em outras palavras, os munícipes estão mais informadas sobre acções de Charumar, que as do Inácio Moisés – presidente da Assembleia Municipal e respectivos membros – chegando a se questionar qual é o papel deles e se qualquer pessoa pode participar as sessões municipais.
As dúvidas ainda apresentadas na última sexta-feira obrigaram ao Inácio Moisés a esclarecer que em todas sessões há um convidado neutro, sem contar com os membros da Assembleia (por lei). “Nada o edil pode fazer sem passar da aprovação da Assembleia Municipal”, respondeu, garantindo, também, melhorias de comunicação na sua “casa“.
Mãos-a-obra
A apresentação desses dados foi diante do edil, vereadores, membros da Assembleia Municipal, líderes comunitários, pastores das igrejas, sociedade civil, além de parceiros do Município de Nhamatanda, os quais reconheceram que o estudo espelha a realidade. Agora, o plano é fazer das recomendações, uma oportunidade de mudança.
É “reforçar a interacção com munícipe, no sentido de auscultar, planificar e apresentar aquilo que foi feito”, recomendou Sandrângela Fortes, assistente de pesquisa no Instituto de Estudos Sociais e Económicos (IESE).
Sandrângela Fortes que esteve a recolher os dados em 2023 e apresentou o relatório na vila de Nhamatanda, entendeu que às vezes, faz-se auscultação, e não se regressa para explicar o que foi feito, o que não foi feito” e com quais motivos. Neste processo, “é importante que haja transparência”.
Agora, o edil de Nhamatanda, António Charumar João já quer coordenar com agentes multissectoriais de comunicação para fortificar a divulgação de informação pública, explicação sobre a necessidade de pagar impostos e sua aplicabilidade.
Charumar, como o chamam facilmente, disse que vai estudar outras maneiras de arrecadar receitas por casas tal como é feito com o Imposto Predial Autárquico (IPRA) – poderá também passar a envolver um pagamento simbólico de cada residência na vila municipal.
Para os munícipes, os meios de contacto seriam o presencial através de reuniões e audiências; via telefone; internet e redes sociais, com prioridades, respectivamente, além da media. (Muamine Benjamim – Nhamatanda/Profundus PDF).
Gorongosa produziu 616.000 toneladas de produtos diversos, em 2023. E para 2024, o distrito pretende produzir 630.000 toneladas através de parceiros, de preferência com sementes resilientes a mudanças climáticas. São avançados pelo administrador do distrito.
Só na Serra da Gorongosa, existem 14 regadios, desses, dez são operacionais. A produção de 2023 manteve o distrito de Gorongosa como um dos celeiros da província de Sofala.
A maior produção é de milho e a mapira no distrito de Gorongosa.
Com o apoio de parceiros, o distrito de Gorongosa conseguiu sair das 30 para 60 toneladas de batata-rena, em 2023.
Um dos desafios de Gorongosa, segundo o administrador, Pedro Mussengue, é a aquisição da “semente certificada para melhorar a produção e produtividade”; mudanças climáticas – que impactam não apenas nas infra-estruturas económicas, mas também na fertilidade da terra; e a escassez de finanças.
“As condições à volta da Gorongosa são melhores e podemos ser celeiro da região Centro [de Moçambique] em termos de produção”. Ali, “produz-se tudo”, desde hortícolas aos cereais.
Em Gorongosa, existem projectos de apicultura; piscicultura; produção de café, piripiri, de hortícolas, além do lado conservador tornando-lhe a capital provincial da Biodiversidade através do Parque Nacional da Grongosa. Com estas potencialidades, o distrito quer sair das 616 mil para 630 toneladas, portanto, mais 14. (Muamine Benjamim – Gorongosa/Profundus).
As crianças no distrito de Cheringoma, ali na casa do Daniel Chapo, estão a pedir que não sejam submetidas a trabalhos infantis, uniões prematuras e violação de outros seus direitos. E incentivam denúncias e sanções exemplares.
As crianças falavam durante as comemorações do seu Dia Internacional 1 de Junho, na vila de Inhaminga, sede de Cheringoma, caracterizadas por deposição de flores, mensagens sobre direitos da criança, desfile, danças e canções. A data marcou também, a abertura da quinzena da criança que terá o seu encerramento no dia 16 de Junho com a celebração do dia da Criança africana.
Em mensagem lida pelo secretário distrital da Organização Continuadores de Moçambique, Armando Marcelino Tinta, as crianças enalteceram o esforço do Governo de Cheringoma a favor dos direitos da criança. Mas exigem para que elas “não sejam ocupadas em trabalho infantil, uniões prematuras e chamam atenção para a denúncia de todos os actos atentatórios ao seu normal desenvolvimento” e que “os perpetradores desses actos sejam exemplarmente responsabilizados e punidos”.
Dorcas Papasseco, em representação do Governo de Cheringoma, garantiu prontidão para continuar a direccionar as suas actividades na “educação, formação e protecção das crianças como condições básicas para um País que almeja continuar a existir como uma nação próspera, estável e pacífica”.
Sob lema “Proteger a Criança é dever de todos”, o dia terminou com almoços de confraternização nas diversas Escolas da sede da vila, onde a pequenada se divertiu, comeu e recebeu muitos brindes dos pais de turma que também estiveram empenhados na preparação da festa.
Celebrado sob o lema “Proteger a Criança é dever de todos”, o dia terminou com almoços de confraternização nas diversas escolas da vila, onde a pequenada se divertiu, comeu e recebeu muitos brindes dos pais de turma que também estiveram empenhados na preparação do festejo. (Ricardo Mapoissa – Cheringoma/ Profundus PDF).
A Embaixada dos Estados Unidos da América (E.U.A.) em Moçambique está profundamente preocupada com os relatos de violações dos direitos humanos contra jornalistas na terça-feira, 4 de Junho de 2024.
A Embaixada dos E.U.A. apoia os apelos para que as autoridades moçambicanas investiguem esses incidentes, garantindo que todos os autores sejam responsabilizados. Os direitos humanos e as liberdades de imprensa devem ser defendidos como pilares essenciais de uma sociedade democrática.
A Embaixada continuará a acompanhar a situação de perto. (EUA).
O Cerca de 1000 estudantes do Instituto Superior de Ciências e Tecnologia de Moçambique (ISCTEM), em Maputo, acusam a direcção daquela instituição de ensino de invalidar os pagamentos das mensalidades efectuadas pelos estudantes e forçá-los a duplicar os mesmos pagamentos sob pena de não poderem realizar os exames e terem suas matrículas suspensas.
A direcção do ISCTEM diz que os depósitos não foram canalizados para a instituição, alegadamente porque o terminal de pagamentos POS utilizado para processar os pagamentos dos estudantes abrangidos não pertencia ao ISCTEM. Para além de haver indícios de extorsão, cobranças ilícitas e ameaças levadas a cabo por aquela instituição do ensino superior, há violação de um direito fundamental: o direito à Educação.
Segundo apurámos, um colaborador do Departamento de Tesouraria do ISCTEM, de nome Arsénio Damaso Manuel, desviava fraudulentamente os valores das mensalidades pagas pelos estudantes. Sendo verdade que há um desvio do valor das mensalidades por parte de um funcionário do ISCTEM, não nos parece razoável penalizar os estudantes.
A responsabilidade é única e exclusivamente do ISCTEM que tem no seu quadro de pessoal, indivíduos de má conduta. É seu dever responsabilizar o seu funcionário, obrigando-o a devolver o dinheiro desviado e não penalizar os estudantes. Mesmo sabendo que o valor das mensalidades não foi às contas da instituição por conta de uma acção do seu colaborador, a direcção do ISCTEM obrigou os estudantes a pagarem, novamente, todas as prestações anteriormente efectuadas, sob a ameaça de não poderem realizar as avaliações regulares e exames, resultando na perda do ano lectivo.
Adicionalmente, os estudantes relatam intimidações por parte da instituição, que os forçou a assinar uma declaração de compromisso, alegando que estavam em conluio com o responsável pela Tesouraria no desvio das mensalidades e que deveriam pagar novamente as prestações à instituição. Para coagir os estudantes a assinarem o termo de compromisso, a instituição instalou Agentes do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), que intimidaram directamente os alunos a assinarem a declaração. Porque a referida declaração necessita de autenticação pelos Serviços de Notariado, a direcção do ISCTEM decidiu cobrar ilicitamente 250,00 meticais aos estudantes, um valor exorbitante considerando que documentos semelhantes custam entre 25 e 50 Mt para o público em geral.
O responsável pelo Departamento de Tesouraria está em parte incerta. O ISTEM diz que procedeu à apreensão dos bens do funcionário fugitivo. Entretanto, os estudantes ainda são obrigados a pagar as mensalidades para cobrir um desfalque de mais de 20.000.000,00 de meticais.
Vários estudantes estão impossibilitados de fazerem exames e aqueles que já se formaram são perseguidos para pagarem as mensalidades, prejudicando sua honra e reputação no mercado de trabalho.
Esta situação evidencia grave violação dos Direitos Fundamentais, comprometendo o direito à Educação e outros direitos conexos, limitando os sonhos de estudantes daquela instituição.
O Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD) está acompanhando atentamente a situação e irá representar os estudantes para que os seus direitos sejam repostos. (CDD).
O Parque Nacional da Gorongosa e as comunidades da Zona de Desenvolvimento Sustentável ou simplesmente Zona Tampão não deixaram passar o Dia Mundial do Ambiente, 05 de Junho. Das várias actividades realizadas, constam as de mensagens de sensibilização através de peças teatrais sobre as melhores práticas ambientais, “desfile de crianças soldados” amigos do Ambiente, plantio de várias espécies de árvores, além de marcha.
Naquele dia, nos seis distritos, nomeadamente, Gorongosa, Nhamatanda, Maringué, Cheringoma, Dondo e Muanza, a equipa do Parque Nacional da Gorongosa esteve espalhada através do sector de Relações Comunitárias, Programa de Educação para Conservação em coordenação com as escolas, comunidades, Serviços Distritais de Educação Juventude e Tecnologia, Serviços Distritais de Actividade Económicas, Serviços Distritais e Planeamento de Infra-estruturas e municípios. A intenção era clara, conservar o Meio Ambiente, afinal, “Nossa Terra. Nosso Futuro.Nós Somos a Geração Restauração” é o lema.
Gorongosa e a população de Vunduze no Dia Mundial do Ambiente
O Parque Nacional da Gorongosa pretende sobre o dia, mobilizar os munícipes, membros do governo, a comunidade escolar e as comunidades locais a participarem nas acções de presentação ambiental; consciencializar e sensibilizar a população para aderirem as boas práticas conservacionistas do meio ambiente; promover acções focadas a mudanças de comportamentos em relação a conservação do meio ambiente e mante-lo saudável para o bem-estar comum; e promover a educação ambiental para as pessoas se familiarizarem com o meio ambiente, reduzindo os impactos nocivos resultantes da sua degradação.
Segundo “o gestor do Programa de Educação para Conservação do PNG, Dáglasse Massuinar, a data tem o “objectivo principal de chamar atenção a todas as esferas da população para os problemas ambientais e para a importância da preservação dos recursos naturais, que até então eram considerados, por muitos, inesgotáveis”.
Dáglasse Massuinar alerta: “Não significa que a nossa preocupação com o ambiente seja apenas em datas comemorativas, mas, todos os dias, através de pequenos gestos e intervenções. É por esta razão que o Parque Nacional da Gorongosa e todas Áreas de Conservação da Rede Nacional das Áreas de Conservação têm o lema “Prontos para Conservar o Meio Ambiente”. É uma forma de demonstrar “a nossa prontidão em tudo fazermos para contribuirmos para um ambiente saudável para todos os seres vivos.
As cerimónias centrais nos seis distritos decorreram no distrito de Gorongosa, posto administrativo de Vunduze, ali onde foi desactivada a última base da Renamo com a entrega simbólica da última arma da Renamo militarizada, das mãos do seu líder Ossufo Momade para o Presidente da República de Moçambique, Filipe Nyusi.
O chefe do posto de Vunduze, Eusébio dos Santos Nguiraze, em representação do administrador do distrito de Gorongosa, reconheceu o contributo do PNG. “Nós somos os donos dessa terra, o Parque está a nos consciencializar sobre a necessidade de gestão sustentável dos nossos recursos escassos, para o nosso bem”.
“A arma principal disso é a nossa união” para conservar os nossos recursos, adoptando praticas recomendações”, disse Eusébio dos Santos Nguiraze diante da população.
No distrito da Gorongosa, as actividades, no contexto do Dia Mundial do Meio Ambiente continuaram até amanhã na Serra da Gorongosa.
Quais são as causas da destruição do ambiente?
O PNG apresenta uma lista de principais causas da destruição do ambiente, nomeadamente, a prática de agricultura itinerante; pesca ilegal, não recomendada e não regulamentada; queimadas descontroladas; poluição do ar, do solo, água e sonora; má gestão dos resíduos sólidos; ocupação desordenada dos espaços; caça furtiva; garimpo; abate indiscriminado de árvores e incêndios originados por pessoas que fumam e descartam as sobras de cigarros de forma incorrecta.
Quais são as consequências da legração do ambiente?
As consequências da destruição do ambiente são: erosão e degradação dos solos; calamidades naturais; perda da biodiversidade (aumento do risco de extinção/desaparecimento de animais selvagens); desequilíbrio ecológico; aumento da pobreza (pois não teremos como ter carvão, lenha, frutos silvestres, Chuvas regulares para a agricultura) e aumento da vulnerabilidade as mudanças climáticas.
Como reduzir a destruição ambiental?
Existem diferentes maneiras de reduzir a destruição ambiental, através de:
Reciclagem e reutilização de resíduos sólidos;
Evitar queimadas descontroladas;
Evitar o abate de árvores;
Promover o plantio de árvores nativas e cuidar para que cresça;
Promover a educação ambiental (Consciencializar nas comunidades locais sobre a importância da conservação do meio ambiente);
Produção de vasos ecológicos para a produção de mudas em viveiros escolares;
Criação do viveiro escolar onde as crianças aprendem todos os processos de desde apanhar a semente, semear, regar, plantar e cuidar da planta;
Fazer o uso racional água e energia;
Evitar hábitos consumistas, comprando apenas o que for necessário;
Sempre que possível, deixar seu carro em casa;
Preferir comprar de empresas que apresentam responsabilidade socioambiental;
Não desperdiçar alimentos.
Lembre-se que o Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado no dia 5 de Junho, foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU), cujo objectivo principal é chamar atenção a todas as esferas da população para os problemas ambientais e para a importância da preservação dos recursos naturais. (Muamine Benjamim-Vunduze).
O distrito de Chemba reduziu de 16 para cinco casos de crimes, comparativamente ao igual período de 2023 a 2024. São dados revelados pelo comandante da Polícia da República de Moçambique (PRM) naquele ponto da província de Sofala.
Para o comandante da PRM, Filipe Muquicene, houve redução de 16 casos até quase a metade de 2024, dos 21 registados no igual período de 2023, fruto de actividades colaborativas, internamente, e com as comunidades que denunciam actos e respectivos crimes.
Miquicene falava recentemente, durante a comemoração dos 49 anos da Criação da Polícia da República de Moçambique (PRM). (Rosário Phoinde-Chemba).
A Associação de Naturais e Amigos de Cheringoma (ANACHE) organizou no último sábado, uma marcha com a qual pretendia expressar a sua satisfação pela indicação de um “filho da terra” a candidato para o cargo de Presidente da República pelo partido Frelimo.
Com efeito, mais de 150 membros da ANACHE deslocaram-se da capital provincial, Beira, para Cheringoma. Juntaram-se aos locais e celebrarem o facto de Daniel Francisco Chapo ter chegado ao estatuto de candidato à Presidência.
Numa mensagem lida na ocasião, João Sadique, em representação da presidente da ANACHE, destacou que desde a sua criação, a Associação em colaboração com o Governo do Distrito de Cheringoma e em conformidade com o plasmado nos seus estatutos, tem vindo a promover o reencontro dos naturais do distrito que se encontram dispersos um pouco por todo o País e na diáspora.
É ainda missão da ANACHE, promover o desenvolvimento socioeconómico de Cheringoma, através da divulgação das potencialidades que ali existem, como forma de atrair investidores.
João Sadique narrou o roteiro da vida de Chapo desde o seu nascimento, em Cheringoma, até à sua eleição para concorrer a Presidente da República.
Em forma de homenagem aos moçambicanos sacrificados no local onde se ergue o Monumento do Massacre de Inhaminga e aos perecidos durante as guerras que se seguiram, Sadique afirmou que os antepassados se juntam, neste momento, a todos os que se regozijam com a eleição de Daniel Francisco Chapo num grito de “Makolokoto M’bale wathu”, “parabéns nosso irmão”, tradução de cisena para português.
A marcha foi antecedida duma cerimónia de evocação dos antepassados, na casa do Régulo Chidanga, sendo que o desfile iniciou na casa onde Daniel Chapo foi nascido e que era propriedade da Trans-Zambeze Railway Company, abreviadamente, TZR – empresa privada de capitais britânicos que explorava a ferrovia Dondo-Moatize, onde o pai trabalhava e que mais tarde, como resultado das nacionalizações passaria todo o seu acervo de propriedades e equipamentos para a empresa Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) Delegação -Centro.
O régulo Chidanga, entrevistado no local da exaltação e de apresentação de mensagens disse à reportagem do “Profundus” que além de se sentir satisfeito com a sorte que Inhaminga teve, espera que se Daniel Chapo chegar à Presidência da República se lembre de olhar para Cheringoma com mais atenção sobre os aspectos que constituem as maiores fragilidades de momento.
Cândida Francisco Nota Cassange, membro da ANACHE que se deslocou a Cheringoma para a celebração, foi outra das pessoas entrevistadas e dela quisemos saber: Se Daniel Chapo tivesse sido eleito Presidente e a senhora Cândida tivesse a oportunidade de fazer um pedido ou uma recomendação, o que iria dizer?
A nossa entrevistada que mostrou ter um conhecimento profundo da história da região, pronunciou-se nos seguintes termos:
Pedidos são muitos que iríamos colocar. Mas o mais prioritário seria a reabilitação da estrada Dondo-Matondo. Pois este projecto já existe há longa data. Quando à SOMOPO foi adjudicada a construção da ponte sobre o rio Zambeze em Caia em 1977, o asfalto do troço Dondo-Matondo fora confiado à empresa CEMSO, mas devido à intensificação da guerra civil, estes projectos foram descontinuados. Entretanto, como por estas alturas podemos dizer que a região não está sendo assolada por nenhum conflito, parece ter chegado o momento de se retomar o projecto e embora toda a província tenha muitos problemas por resolver, a Estrada Nacional Número 282 devia ser a prioridade pois isso iria catapultar o desenvolvimento dos distritos desta região.
A Associação de Naturais e Amigos de Cheringoma tem reconhecimento oficial como pessoa jurídica, sem fins lucrativos. Sua oficialização foi em Boletim da República com o Nr 50, III Série de 12 de Dezembro de 2012. (Ricardo Mapoissa-Cheringoma Profundus-PDF).
É no regulado de Canda, posto administrativo de Nhamadzi, distrito de Gorongosa onde está a famosa Serra da Gorongosa, região central de Moçambique. Famosos pela história de restauração em África depois de longos anos de Guerra em Moçambique, poucos têm a noção do uso de nomes – Canda e Nhamadzi.
Os nossos antepassados vieram de Mbire, no Zimbabwe. Como é que deixaram Mbire? Tradicionalmente, quando alguém morria, não era enterrado. Em vez disso, as preparavam uma saca de pele para colocar o corpo. Depois, a saca com o corpo seria colocada em cima de uma plataforma feita de ramos, numa floresta. A saca seria coberta de pele e as pessoas regressavam a casa. Três dias mais tarde, iam ao sítio onde tinham deixado o corpo.
Um dia, um homem de nome Nhamadzi morreu. Quando os seus filhos regressaram ao fim de três dias, não encontraram o corpo. Em vez disso, encontraram a cobertura de pele no solo mas não a saca. Assim, os filhos disseram a toda gente que eles tinham decidido ir procurar a saca. Partiram e em breve viram a saca rolar pela ribanceira abaixo. Em uma semana, seguiram as marcas deixadas na relva. No caminho, encontraram um elefante morto e decidiram servir-se da carne, cortando-a com a pele. Fizeram assim para que a carne não se estragasse. Esta é a origem da família “Canda”, o que significa “pele”.
Continuaram a caminhar, comendo a carne de elefante e seguindo a saca de pele, até que chegaram a um rio. A saca de pele saltou o rio cheio de água. Mas quando os filhos chegaram, descobriram que o rio se tinha separado. Alguma água estava num lado, alguma noutro, e havia um caminho seco no meio: e assim, eles atravessaram.
Quando a saca com o corpo chegou a esta área, transformou-se num leão. O leão viveu na montanha que nós chamamos Nhamadzi. Há uma rocha grande la. Nhamadzi, o leão, costumava estar nessa rocha numa caverna onde teve crias. Quando os leões selvagens quisessem matar alguém, Nhamadzi protegia o seu povo, afastando os outros para longe.
Eu vi o leão. Todos os anos, o leão passa aqui. Tu não vês, mas vês as pegadas. Noutros anos, passa um gorila, mas na verdade é o leão. Assim, todos os anos, vem pelas aldeias. O lugar onde ele costumava viver está cheio de pessoas, por isso, ele mantem-se mais longe.
Há muito tempo, as pessoas sabiam o segredo de como os homens se tornam leões quando morrem. Mas as novas gerações não sabem. A tradição de se transformarem em leão tinha os seus próprios segredos, e os “Nyakwawas” ou chefes de Mbire, conheciam-no. Um “Nyakwawa” sucede de acordo com a linhagem. Quando alguém morre, o seu filho toma a vez e depois, o filho do filho. Não é como um presidente, que é votado para o cargo. Quando nós somos escolhidos, todos os membros da família vêem e decidem. Eles escolhem quem assumirá a posição de chefe de entre os filhos do “Nyakwawa” morto. Eles escolhem o que tiver melhor coração. (Eugénio Almeda Canda-chefe de Canda, Agosto de 2009, em Nganu Za Tales from Contos da Gorongosa, página 22-23/Profundus PDF).
Jornal Profundus
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